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Biden diz que redes sociais que espalham desinformação estão ‘matando gente’ na pandemia


A Casa Branca vem criticando empresas como o Facebook por manterem conteúdos que levam à desinformação em suas plataformas. Presidente dos EUA, Joe Biden, fala com jornalistas ao sair da Casa Branca em 16 de julho de 2021
Reprodução/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta sexta-feira (16) que redes sociais que espalham desinformação estão “matando gente” durante a pandemia da Covid-19.
“Eles estão matando gente. Eu digo de verdade, veja só: a única pandemia que temos agora é entre quem não foi vacinado. Eles estão matando gente”, disse Biden a repórteres quando perguntado sobre desinformação e qual seria sua mensagem a plataformas como o Facebook.
A Casa Branca vem criticando abertamente as grandes empresas de redes sociais por manterem em suas plataformas conteúdos que levam à desinformação sobre a vacinação contra o coronavírus.
É #FAKE que teste de anticorpos comprova que vacinas contra Covid-19 não funcionam
Reportagem em atualização.

Fonte: G1 Mundo

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VÍDEOS: chuvas causam destruição e morte pela Europa

Fonte: G1 Mundo

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Cuba: EUA estudam formas de restaurar acesso a internet na ilha

Presidente Joe Biden qualificou Cuba como um ‘estado falido’ e declarou que seu governo poderá buscar maneiras de romper bloqueio à rede na ilha. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse na quinta-feira (15/07) que estuda maneiras de restaurar o acesso à internet em Cuba, país que ele classificou como um “estado falido”.
“O comunismo é um sistema fracassado, um sistema universalmente fracassado. E não vejo o socialismo como um substituto muito útil, mas isso é outra história”, declarou Biden, em coletiva de imprensa durante a visita da chanceler alemã Angela Merkel a Washington.
No último domingo (11/7), Cuba teve os maiores protestos contra o governo dos últimos 60 anos.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, disse que o país sofre um “terrorismo midiático”. Para ele, existe uma campanha nas redes sociais contra o seu governo.
VÍDEO: 3 pontos para entender os protestos em Cuba
O acesso à internet
Biden explicou que os Estados Unidos estão avaliando como ajudar os cubanos a contornar as restrições à internet impostas pelo governo de Miguel Díaz-Canel.
“Cuba é, infelizmente, um estado falido e está reprimindo seus cidadãos”, declarou o presidente dos Estados Unidos.
“Eles cortaram o acesso à internet. Estamos avaliando se temos capacidade tecnológica para restaurar esse acesso”, acrescentou
Há muito tempo, os Estados Unidos criticam as restrições à internet em todo o mundo, em especial na China. Mas suas operações cibernéticas geralmente têm mais a ver com ameaças à segurança do que com a garantia de acesso.
Uma ideia levantada por especialistas é enviar balões com wi-fi móvel, semelhante ao que é feito em desastres naturais.
Segundo jornalistas da agência AFP em Havana, Cuba aliviou as restrições à internet na quarta-feira (14/7). Porém, redes sociais como Facebook e Twitter e serviços de mensagens, como o WhatsApp, permaneciam bloqueados, ao menos até quinta-feira.
O acesso à rede tem sido possível somente em parques públicos que oferecem conexão wi-fi ou nas residências por meio dos serviços Nauta-Hogar e ADSL, que muitos cubanos não podem pagar por ter um alto custo.
“Terrorismo midiático”
O governo cubano atacou duramente a campanha #SOSCuba que tomou conta das redes sociais. Segundo o presidente Días-Canel, é um “terrorismo midiático”.
“As redes sociais são totalmente agressivas, convocando assassinatos, linchamentos, ataques a pessoas, principalmente aquelas que se identificam como revolucionárias”, criticou.
A maioria dos relatos que chegaram da ilha descreve os protestos como pacíficos e espontâneos. Até quinta-feira, as autoridades cubanas confirmaram a morte de uma pessoa, um homem de 36 anos, nos arredores de Havana, após um confronto com agentes em frente a um posto policial.
Oferta de vacinas
Os protestos de domingo, que seguiram na segunda-feira em menor proporção e com uma forte presença policial nas ruas, ocorreram em um contexto de grave crise econômica que se soma à crise sanitária da pandemia do coronavírus.
Cuba está desenvolvendo sua própria vacina contra a covid-19, a Soberana 2, em meio a um aumento de infecções, com cortes de energia e escassez de alimentos e remédios.
“Há um problema com a covid em Cuba”, disse Biden.
“Eu estaria pronto para doar quantidades significativas de vacinas se, de fato, garantissem que uma organização internacional iria administrá-las, para que o cidadão médio tivesse acesso a essas vacinas”, acrescentou.
Relação entre EUA e Cuba
Biden foi o vice-presidente de Barack Obama, que liderou uma abertura histórica em direção a Cuba e visitou Havana.
O sucessor de Obama, Donald Trump, reverteu algumas medidas importantes, como a autorização para envio de remessas de dinheiro e viagens turísticas de cidadãos norte-americanos.
Em sua campanha pela Casa Branca, Biden disse que queria diminuir as restrições em relação a Cuba.
Mas, na quinta-feira, o presidente norte-americano sinalizou que não permitirá o envio de remessas neste momento. “É muito provável que o regime confisque essas remessas ou grande parte delas”, disse.
Mesmo que Biden queira mudar de rumo, ele encontraria obstáculos políticos, inclusive dentro do próprio partido. Os democratas controlam o Congresso por margens estreitas e o senador democrata Bob Menendez, que lidera o Comitê de Relações Exteriores do Senado, é um cubano-americano que defende uma ação firme contra Havana.
Apoio ao governo cubano
Enquanto apelam ao governo cubano para liberar os detidos nos protestos e para que o acesso à internet seja totalmente restaurado, vários ex-líderes da esquerda latino-americana manifestaram apoio a Havana em uma reunião virtual na quinta-feira.
O chanceler cubano Bruno Rodríguez realizou uma teleconferência na qual participaram, entre outros, os ex-presidentes Dilma Rousseff (Brasil), Evo Morales (Bolívia) e Ernesto Samper (Colômbia). Também estiveram presentes o subsecretário de Relações Exteriores do México, Maximiliano Reyes, e a secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcenas.
Antes de conversar com eles, Rodríguez reiterou a tese de seu governo de que os protestos de domingo foram gerados a partir de uma operação “político-midática” dos Estados Unidos.
O governo Biden nega categoricamente essas acusações.

Fonte: G1 Mundo

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Tempestade na Alemanha tem padrão consistente com eventos ligados ao aquecimento global, dizem especialistas

Cientistas dizem que as chuvas na Europa Central têm característica dos eventos climáticos extremos que se tornam cada vez mais frequentes com as alterações provocadas pela mudança do clima. VÍDEO: Imagens de drone mostram destruição causada por enchentes na Alemanha
A tempestade que matou mais de 100 pessoas na Alemanha e afetou outros países na Europa Central tem características consistentes com os eventos climáticos graves que os cientistas do clima associam ao aquecimento global.
Nesta reportagem, entenda em cinco pontos o que ocorreu na Alemanha e como os cientistas apontam padrões que permitem associar o evento ao quadro de emergência climática global.
Como a meteorologia explica as chuvas intensas na região?
Quais as perspectivas para os próximos dias?
Tempestades são comuns na região?
Além da chuva, outra condição colaborou para o desastre?
Por que a tempestade pode estar ligada ao aquecimento global?
Veja abaixo as respostas:
1. Como a meteorologia explica as chuvas intensas na região?
O cientista Shaun Harrigan, pesquisador do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF, na sigla em inglês), explica que basicamente o que houve na região foi a passagem de uma “tempestade lenta”, com origem no norte da Europa e que se estendeu por terra pelo oeste da Alemanha.
O meteorologista Marcelo Enrique Seluchi, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), explica que essa tempestade lenta teve origem em um sistema de baixa pressão “muito intenso”.
Os sistemas de baixa pressão são eventos causados pela elevação do ar quente, que transporta muita umidade e pode levar a chuvas intensas.
2. Quais as perspectivas para os próximos dias?
Seluchi aponta que o sistema de baixa pressão está se deslocando em direção à Itália e a países do leste da Europa. “Talvez vá provocar chuva na Turquia, um lugar onde chove muito pouco. O sistema está perdendo força, então acredito que o pior já passou, mas o que já passou é mais do que suficiente”, analisa o meteorologista.
3. Tempestades são comuns na região?
O pesquisador Shaun Harrigan explica que tempestades não são incomuns no verão nessa parte da Europa. “Elas não são tão prováveis, mas tempestades de verão podem definitivamente ocorrer. Naquela parte da Europa – Alemanha, Bélgica – as grandes inundações em geral tendem a ocorrer no inverno e outono: de outubro, novembro a fevereiro no Hemisfério Norte. Mas as inundações de verão não são incomuns”, explica Harrigan.
4. Além da chuva, outra condição colaborou para o desastre?
Shaun Harrigan afirma que, como ocorre em muitos eventos nesta parte da Europa, não apenas a chuva no dia do desastre é importante, mas também as condições do solo antes do evento. “O que é importante aqui é que o solo antes da inundação também estava úmido. Isso significa que, quando a chuva cair, o solo terá menos chance de absorvê-la”, explica o pesquisador do centro europeu de previsões meteorológicas.
5. Por que a tempestade pode estar ligada ao aquecimento global?
Os especialistas ouvidos pelo G1 apontam que não há conclusão definitiva, mas que as caraterísticas desta tempestade permitem que ela seja classificada como um “evento climático extremo”. E que as mudanças do clima tornam esses eventos extremos mais comuns.
“O que sabemos é o contexto desse evento: a atmosfera está mais quente do que costumava ser. Sabemos com certeza que a atmosfera mais quente pode reter mais água e, portanto, quando essa água cai no solo, está caindo com muito mais intensidade do que estaríamos preparados. Outra característica é a maneira como a tempestade se moveu: é lenta – na verdade, há pesquisas recentes mostrando que a mudança climática deve reduzir a velocidade das tempestades”, afirma Shaun Harrigan.
Duração de furacões aumenta com aquecimento global, sugere estudo publicado na ‘Nature’
Harrigan destaca que o que foi visto na Alemanha é “inteiramente consistente com o corpo de evidências científicas que temos sugerido há algum tempo” sobre as mudanças climáticas.
“No momento, o que não posso comentar é até que ponto esse evento específico é natural ou causado pelo homem. Vai haver muitos estudos sobre isso, mas sabemos por todas as pesquisas que isso é exatamente consistente com o que temos visto”, define o cientista.
O pesquisador e meteorologista Lincoln Muniz Alves, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), explica que a mudança do clima provoca o aquecimento na atmosfera, que aumenta a capacidade da atmosfera de absorver umidade. “Com isso, está associado o aumento dos eventos extremos – em particular, nesse caso, com as chuvas intensas”, diz Alves.
“A maior parte dos estudos indicam o aumento da frequência e da intensidade desses eventos extremos. A gente não pode associar diretamente um evento em particular à mudança do clima, mas podemos dizer que a mudança do clima já está aumentando a frequência desses eventos climáticos extremos e muitos deles já foram agravados pelo aquecimento global”, afirma Lincoln Alves.

Fonte: G1 Mundo

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França: Comerciante que aceitar cliente sem vacina anticovid ou teste negativo pode levar multa de R$ 270 mil


Além dos clientes a partir de 12 anos de idade, todos os empregados de estabelecimentos comerciais estão sujeitos à obrigatoriedade do passaporte sanitário e terão que apresentar o comprovante. O projeto de lei prevê a possibilidade de demitir um funcionário que não respeitar a norma. Segurança confere passaporte sanitário de cliente em entrada de casa noturna em Saint-Jean-de-Monts, na França, em 10 de julho
Sebastien Salom-Gomis/AFP
A apresentação de um “passaporte sanitário” provando ter sido vacinado ou testado negativo para a Covid-19 será obrigatória na França para acesso a shoppings, teatros, cinemas e transportes.
Apesar da resistência de uma pequena parte da população, a medida levou milhares de pessoas a se vacinar para poder circular livremente no país. Já os comerciantes terão que se adaptar para fiscalizar a entrada dos clientes em seus estabelecimentos. Quem aceitar consumidores sem o comprovante vai pagar caro.
Os comerciantes ou organizadores de eventos que forem flagrados desrespeitando a exigência do passaporte sanitário para seus clientes estarão sujeitos a uma multa de até € 45 mil (mais de R$ 270 mil), além de um ano de prisão.
Além dos clientes a partir de 12 anos de idade, todos os empregados de estabelecimentos comerciais estão sujeitos à obrigatoriedade do passaporte sanitário e terão que apresentar o comprovante. O projeto de lei prevê a possibilidade de demitir um funcionário que não respeitar a norma.
A regra faz parte das anúncios feitos pelo presidente francês Emmanuel Macron na terça-feira (12). O chefe de Estado informou que a partir da próxima semana o passaporte sanitário será necessário para entrar em cinemas, teatros e locais que acolham mais de 50 pessoas.
Já a partir de agosto, o documento, que prova que seu portador foi vacinado ou que fez recentemente um teste de Covid-19 com resultado negativo, será obrigatório em cafés, restaurantes, shoppings, trens e ônibus que fazem trajetos de longa distância.
Diante da chegada das férias de verão e o medo de não ter acesso aos meios de transporte, mas também ao comércio, os anúncios de Macron provocaram uma corrida pelas vacinas. Em apenas algumas horas, após o pronunciamento do presidente, mais de um milhão de pessoas marcaram um horário para serem imunizadas.
Protestos populares e da oposição
No entanto, a oposição tem se exprimido contra as regras anunciadas pelo presidente. O presidente do partido de centro direita UDI, Jean-Christophe Lagarde, disse que a multa de € 45 mil é uma medida “muito excessiva”.
Já o secretário-geral do Partido Socialista, Olivier Faure, pediu que as restrições sejam “corrigidas”. Os líderes da extrema direita e da esquerda radical afirmam que a exigência do passaporte sanitário representa um perigo para as liberdades individuais.
Mais de 20 mil pessoas foram às ruas esta semana em protesto contra os anúncios de Emmanuel Macron. A questão do respeito das liberdades foi o mote principal dos cortejos, além da denúncia do que os manifestantes chamaram de “ditadura da vacina”, alegando que o passaporte era uma forma de obrigar toda a população a ser imunizada.
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Fonte: G1 Mundo

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O importante papel do ‘escudo de silício’ que protege Taiwan da China


A relevância de Taiwan como produtor mundial de microchips fará a China pensar duas vezes antes de usar a força contra o país, o território insular que Pequim considera uma província rebelde. Taiwan tem acesso à mais avançada tecnologia militar dos Estados Unidos
Getty Images via BBC
A pequena ilha de Taiwan, que não chega ao tamanho de Cuba, vive olhando para seu eterno inimigo.
A apenas 180 quilômetros de distância de suas fronteiras fica a República Popular da China, com quem compartilha a mesma língua e os mesmos ancestrais, mas que tem um regime político diferente.
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De um lado do estreito, Pequim lidera um país comunista de 1,3 bilhão de habitantes sob o comando de um partido único.
Do outro, Taipei administra uma república democrática de 23 milhões de habitantes.
A disputa que ambos os países travam desde 1949 privou Taiwan de acesso a organizações internacionais e confere a ele um status indefinido e reconhecimento internacional limitado.
Na verdade, apenas 15 países no mundo reconhecem o território como um estado soberano, enquanto a China reivindica a ilha como parte de seu domínio e a considera uma província rebelde.
Em 2005, o Partido Comunista chinês aprovou uma lei antissecessão que prevê seu direito de recorrer a “medidas não pacíficas” contra Taiwan se a ilha tentar se separar da China continental.
Desde então, se Taiwan declarasse independência, poderia ser alvo de um ataque militar.
Após anos de hostilidade e tensão, contudo, a ilha encontrou uma estratégia que contribui para sua sobrevivência nacional neste conflito assimétrico: o chamado “escudo de silício”, que tem usado para afastar o fantasma de uma invasão chinesa.
Trata-se de uma “arma” que ninguém consegue replicar a médio ou longo prazo dado o seu nível de complexidade. É a indústria de chips semicondutores, do qual o silício é matéria-prima e de que dependem desde as fabricantes de aviões de combate até o setor de painéis solares, passando pelo segmento de videogames e instrumentos médicos.
A BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, conversou com Craig Addison, o jornalista que cunhou o termo com a publicação de seu livro Silicon Shield: Taiwan’s Protection Against Chinese Attack “(Escudo de Silício: Proteção de Taiwan contra Ataque Chinês”).
Os chips são o ‘cérebro’ de qualquer dispositivo eletrônico
Getty Images via BBC
BBC News Mundo – Como podemos explicar o que é o “escudo de silício”?
Craig Addison – Significa que a posição de Taiwan como líder mundial na fabricação de chips semicondutores avançados atua como um elemento de dissuasão para a ação militar chinesa.
O impacto de uma guerra nesta parte do mundo seria tão grande que a China pagaria um preço muito alto, incluindo graves danos à sua própria economia.
O gigante asiático, como o resto da economia mundial, depende de chips super sofisticados fabricados em Taiwan.
Essas pequenas peças são feitas com semicondutores, ou seja, circuitos integrados feitos geralmente de silício.
BBC News Mundo – Do que isso protege Taiwan?
Addison – O escudo de silício é semelhante ao conceito de MAD (sigla em inglês para “destruição mútua assegurada”) da Guerra Fria, porque qualquer ação militar no estreito de Taiwan seria tão prejudicial para a China quanto para Taiwan e os Estados Unidos.
De modo que, com efeito, evita o início do conflito e protege o pequeno território de um ataque militar ordenado por Pequim.
O custo de tal ação seria tão alto, não apenas para o mundo, mas para a própria China, que o governo de Xi Jinping teria que pensar duas vezes antes de dar a ordem.
BBC News Mundo – Há algum exemplo na história recente do impacto desta proteção?
Addison – O fato de o governo chinês não ter conseguido levar adiante sua intenção declarada de tomar Taiwan à força se necessário mostra que o “escudo de silício” está funcionando.
Se Taiwan não fosse um fornecedor tão importante de tecnologia para o mundo, é possível que a China já tivesse tomado medidas para ocupar o território.
Na crise dos mísseis no estreito de Taiwan em 1996, os Estados Unidos enviaram dois grupos de porta-aviões de guerra para dissuadir exercícios militares chineses em direção a Taiwan, que incluíam o disparo de mísseis.
Este é um exemplo específico dos interesses que existem para que um ataque não aconteça.
BBC News Mundo – Os Estados Unidos estão de qual lado do conflito então?
Addison – A maioria dos especialistas militares concorda que a China não tem capacidade militar para lançar um ataque em grande escala contra Taiwan.
Em seu depoimento perante o Congresso dos Estados Unidos em junho, o general Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto, disse que um ataque seria “extraordinariamente complicado e caro” para a China.
Ao decidir lançar uma ação militar contra Taiwan, a China também deve considerar se os Estados Unidos vão sair em defesa da ilha.
É difícil acreditar que os Estados Unidos ficariam de braços cruzados e deixariam a China assumir o controle de Taiwan à força.
BBC News Mundo – Por quê?
Addison – Além da enorme perturbação que traria para a cadeia de suprimentos de alta tecnologia global e para a própria economia americana, uma invasão daria à China o controle sobre as fábricas de chips mais avançadas do mundo.
E o gigante asiático se apoderaria das avançadas armas de guerra que Washington vendeu a Taipei ao longo dos anos.
Alguém acredita que os Estados Unidos vão ficar de braços cruzados e deixar que isso aconteça?
BBC News Mundo – Os Estados Unidos mantiveram a mesma política em relação a Taiwan com todos os presidentes?
Addison – Quando o presidente Jimmy Carter estabeleceu unilateralmente relações diplomáticas com Pequim em 1979 e cortou relações oficiais com Taiwan, o Congresso aprovou a Lei de Relações com Taiwan, que autoriza a venda de armas para a ilha.
A política dos EUA em relação a Taiwan continua sendo de “ambiguidade estratégica”, o que significa que não declara publicamente se defenderá ou não Taiwan caso seja atacado. Isso torna mais difícil para a China planejar qualquer estratégia militar.
Em 2001, o presidente George W. Bush disse que faria “o que for necessário” para proteger Taiwan de um ataque chinês. No entanto, a maioria dos demais presidentes americanos não diz nada publicamente, embora suas ações falem mais alto do que palavras.
Como mencionei antes, na crise dos mísseis do estreito de Taiwan em 1996, o presidente Bill Clinton ordenou que dois porta-aviões de guerra monitorassem os exercícios bélicos chineses, enviando uma mensagem contundente a Pequim.
O governo Trump estabeleceu laços militares mais estreitos com Taiwan, incluindo a autorização da venda de armas modernas para Taipei.
E essa política de laços mais estreitos tem continuado sob a gestão do presidente Joe Biden.
No início de junho, uma delegação de senadores americanos chegou a Taiwan em um Boeing C-17 como parte do programa de doação de vacinas contra Covid-19 de Biden.
O pouso de um avião militar gigante dos EUA em um aeroporto de Taiwan foi visto pela China como mais um sinal do apoio de Washington ao pequeno território.
BBC News Mundo – O que a escassez de microchips semicondutores no mercado tem a ver com Taiwan?
Addison – A escassez de semicondutores começou no setor automotivo, porque os fabricantes calcularam mal a rapidez com que a demanda se recuperaria após a pandemia de covid.
Em um primeiro momento, eles cancelaram seus pedidos de chips, e depois perceberam que precisavam entrar no fim da fila para fazer um novo pedido.
Mais tarde, a escassez se estendeu a outros produtos eletrônicos, incluindo laptops e consoles de videogames, que estavam em alta demanda devido aos confinamentos impostos em todo o mundo.
Taiwan, sendo um grande fornecedor de chips para esses produtos, se tornou o gargalo na cadeia de abastecimento global.
BBC News Mundo – Qual foi a resposta do país?
Addison – Em resposta à escassez, a companhia Taiwan Semiconductor Manufacturing Co (TSMC), que fornece um quarto dos chips do mundo, está investindo em uma nova capacidade de produção, mas essa é uma solução de longo prazo.
No curto prazo, adotou uma política de dar prioridade a pedidos “reais” de compradores de chips com necessidades imediatas, em vez de atender clientes que estão “reservando o dobro” para cobrir suas provisões durante a escassez.
BBC News Mundo – Qual é o papel da empresa TSMC neste equilíbrio geopolítico?
Addison – A TSMC tentou ser a Suíça da indústria de chips, ou seja, permanecer neutra, mas essa estratégia chegou ao fim.
A empresa teve que ficar do lado dos Estados Unidos na guerra comercial com a China, aceitando as sanções que Washington impôs à gigante da tecnologia chinesa Huawei Technologies Co.
Na verdade, a TSMC não tinha muita opção porque a maioria de seus clientes (62%, de acordo com seu relatório anual de 2020) são da América do Norte.
Suas vendas são provenientes de empresas como Apple, Nvidia e Qualcomm, e apenas 17% das vendas naquele ano foram para a China (incluindo a Huawei).
Por sua vez, a TSMC também depende de empresas americanas como a Applied Materials, Lam Research e KLA, que fabricam as máquinas para fazer os microchips. Sendo assim, não pode ir contra a vontade dos EUA ou corre o risco de ser proibida de ter acesso a essa tecnologia.
É por isso que dizem que a TSMC é uma empresa taiwanesa com “alma” americana, porque seu fundador (Morris Chang) e a maioria de conselheiros e altos executivos fizeram faculdade lá e tiveram longas carreiras em empresas americanas.
Na verdade, muitos deles são cidadãos americanos.
BBC News Mundo – Há algum país que seja tecnologicamente autossuficiente?
Addison – Nenhum país é autossuficiente em todos os aspectos da tecnologia e, definitivamente, não em semicondutores.
Nas últimas décadas, a indústria de semicondutores se tornou fragmentada e várias etapas da cadeia de suprimentos são realizadas em diferentes locais ao redor do mundo e por diferentes empresas.
O design do chip é feito principalmente nos Estados Unidos, a placa é fabricada em Taiwan e a montagem e os testes do chip são realizados na China ou no Sudeste Asiático.
BBC News Mundo – O que está por trás da decisão da TSMC de construir uma nova fábrica no Arizona (EUA) para fabricar chips para a indústria militar americana?
Addison – O governo dos EUA pressionou a TSMC a investir na construção de uma fábrica de placas no Arizona.
Não foi uma decisão inteiramente impulsionada pela Defesa.
É verdade que o exército americano quer garantir um fornecimento seguro de chips em uma instalação em seu próprio território depois que o “fornecedor confiável” do Departamento de Defesa, a GlobalFoundries, que possui fábricas de placas nos Estados Unidos, ficou para trás na corrida tecnológica.
Portanto, o Departamento de Defesa se beneficiará da decisão da TSMC de construir uma fábrica de placas avançadas no Arizona.
Mas acredito que os principais beneficiários das novas fábricas da TSMC serão os grandes clientes americanos como Apple, Qualcomm e Nvidia.
Agora eles poderão ficar mais tranquilos ​​sabendo que podem obter algumas peças-chave no país e não depender de Taiwan para tudo.
BBC News Mundo – A China está desenvolvendo planos para se tornar uma potência na fabricação de chips. Quanto tempo levará para conseguir se livrar da dependência de Taiwan?
Addison – A China não é o único país que quer se livrar da dependência de Taiwan.
Isso também se aplica aos EUA, Europa e Japão.
Dito isso, a autossuficiência na produção de semicondutores, se isso incluir toda a cadeia de suprimentos, desde o design dos chips até a fabricação de placas, é impossível na prática.
Mesmo que fosse tecnicamente possível, o custo de alcançá-la seria proibitivo para qualquer país.
Isso não se aplica apenas à China, mas também aos Estados Unidos. Portanto, nesse sentido, tudo que se fala sobre autossuficiência da China é ilusório.
O que a China está tentando alcançar em seu chamado impulso de “autossuficiência” é reduzir sua dependência de chips importados, o que significa que quer poder fabricar seus chips em casa.
Mas essas fábricas de placas chinesas ainda terão que depender de tecnologia estrangeira para fazer chips, e essa situação não mudará nas próximas décadas.

Fonte: G1 Mundo

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Fotógrafo morto no Afeganistão: conheça o trabalho de Danish Siddiqui


Danish Siddiqui, da agência Reuters, morreu cobrindo um confronto entre forças de segurança do Afeganistão e combatentes do Talibã. Profissional recebeu o prêmio Pulitzer em 2018. O fotografo Danish Siddiqui posa para uma foto em Cabul, no Afeganistão, em 8 de julho de 2021
Mohammad Ismail/Reuters
Danish Siddiqui, um fotógrafo da Reuters, foi morto nesta sexta-feira (16) cobrindo um confronto entre forças de segurança do Afeganistão e combatentes do Talibã perto de uma passagem de fronteira com o Paquistão, disse um comandante afegão.
Siddiqui fez parte da equipe de fotógrafos da Reuters que venceu o Prêmio Pulitzer de 2018 de Fotografia por documentar a crise dos refugiados rohingya. Veja abaixo algumas fotos de sua carreira:
Fogos de artifício são vistos no céu enquanto participantes levam tochas durante uma procissão de para a celebração do 70º aniversário da fundação da Coreia do Norte em Pyongyang, Coreia do Norte, em 10 de setembro de 2018
Danish Siddiqui/Reuters/Arquivo
VÍDEO: Morre Danish Siddiqui, fotógrafo ganhador do Pulitzer, em conflito no Afeganistão
Alguns lutadores praticam enquanto outros descansam na lama em um centro de luta livre tradicional indiano chamado Akhaara, em Mumbai, em 4 de março de 2014
Danish Siddiqui/Reuters/Arquivo
Um manifestante usando uma máscara de Guy Fawkes agita uma bandeira durante uma marcha do Dia dos Direitos Humanos, organizada pela Frente Civil de Direitos Humanos, em Hong Kong, na China, em 8 de dezembro de 2019
Danish Siddiqui/Reuters/Arquivo
2021 – Pacientes de Covid-19 em Nova Délhi, em 15 de abril de 2021
Danish Siddiqui/Reuters
2021 – Vista aérea de área de cremação em massa em Nova Délhi para as vítimas da Covid em 22 de abril de 2021
Danish Siddiqui/Reuters
2021 – Mulher olha para fora no vilarejo de Pendajam em Koraput, na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
Ahmad Shah, um policial afegão de 28 anos, é visto em um veículo blindado da polícia após ser resgatado pelas Forças Especiais Afegãs na província de Kandahar, no Afeganistão, em 13 de julho de 2021
Danish Siddiqui/Reuters/Arquivo
2020 – Nadeem Akhtar, assistente social, mostra no celular uma foto de sua irmã Shabana Ahmed, 52, arquiteta, que morreu vítima do coronavírus (COVID-19). “O que realmente me perturba mais do que o sistema de saúde é o comportamento da sociedade”, disse Akhtar. “O bairro da minha irmã boicotou a família dela. Não houve apoio emocional ou moral, mesmo depois de sua morte. A sociedade falhou conosco”, disse Nadeem, em Nova Délhi, na Índia, em 24 de setembro.
Danish Siddiqui/Reuters
2020 – Um homem faz orações fúnebres a um oficial da Força Policial da Reserva Central (CRPF) que morreu com a doença de coronavírus (COVID-19) em um cemitério em Nova Déli, na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
2019 – Um naga sadhu, homem santo do Hinduísmo, aguarda a visita de devotos em seu acampamento durante o festival Khumb Mela em Prayagraj (Allahabad), na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
2018 – Sobrevivente de ataque de ácido é vista sendo maquiada antes de um desfile de moda para marcar o Dia Internacional da Mulher, em Thane, nos arredores de Mumbai, na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
2017 – Uma menina refugiada rohingya fica ao lado de sua mãe, que descansa depois de atravessar a fronteira Bangladesh-Mianmar, em Teknaf, Bangladesh
Danish Siddiqui/Reuters
2017 – Roupas são vistas penduradas nas janelas de um prédio residencial em Mumbai, na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
2017 – Sakeena, de 11 meses de idade, dorme em uma rede à margem de um lago de Mumbai, na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
2016 – Devotos hindus reverenciam o deus Sol nas águas do Mar Arábico durante o Chhath Puja em Mumbai, na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
2015 – Mulher hindu sai da água com o rosto coberto por um véu após tomar um banho santo nas águas do rio Godavari durante o festival Kumbh Mela em Nashik, na Índia. A celebração do Hinduísmo ocorre em diferentes cidades a cada 12 anos
Danish Siddiqui/Reuters
2014 – Uma menina com problemas de audição e de fala posa para foto em um centro de reabilitação para crianças que nasceram com deficiências físicas e mentais em Bhopal, na Índia. O centro só trata famílias que foram afetadas por um vazamento de gás há 30 anos
Danish Siddiqui/Reuters
2014 – Homem leva para a lavagem tapetes usados em casamentos, à beira do Mar da Arábia, em Mumbai, na Índia.
Danish Siddiqui/Reuters

Fonte: G1 Mundo

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Avião desaparece de radar antes de pouso forçado na Sibéria; tripulação e passageiros estão em segurança


Ao menos 19 pessoas estavam a bordo do avião Antonov An-28. Autoridades do serviço local de emergências enviaram helicópteros para o resgate dos viajantes. Avião Antonov An-26 no aeroporto de Elizovo, na Rússia, em foto de novembro de 2020.
Marina Lystseva/AP/Arquivo
Todos os viajantes do Antonov An-28, que desapareceu dos radares russos nesta sexta-feira (16), foram resgatados na Sibéria após um pouso forçado, informou o Ministério de Emergências da Rússia.
Entre tripulação e passageiros, 19 pessoas estavam a bordo. A aeronave foi localizada depois que helicópteros foram enviados para procurá-la.
O avião — operado pela SiLA, uma pequena companhia aérea que oferece voos regionais na Sibéria — desapareceu durante o voo da cidade de Kedrovy para a cidade de Tomsk.
ASSISTA: Boeing 737 faz pouso de emergência no mar do Havaí; pilotos sobrevivem
Avião faz pouso de emergência em estrada dos EUA; veja vídeo
O An-28 é uma pequena aeronave turboélice, projetada durante a época soviética. Operadoras aéreas de pequeno porte da Rússia e de países vizinhos utilizam estes aviões para voos de curta distância.
Segundo o Ministério de Emergências, o avião fez a manobra depois que um de seus dois motores falhou. Não houve relatos de problemas antes do pouso forçado da aeronave.
As autoridades disseram inicialmente que havia 14 passageiros no avião, incluindo três crianças e três membros da tripulação – o número foi atualizado.
Outros incidentes com Antonovs
O incidente ocorre menos de duas semanas depois de um avião similar, um An-26, cair em um penhasco em na península de Kamchatka, no extremo leste do país, matando as 28 pessoas a bordo.
Também foi um Antonov-28 que atingiu uma floresta em Kamchatka em 2012, num acidente que matou 10 pessoas.
Na ocasião, os investigadores disseram que os dois pilotos estavam bêbados no momento do incidente.
Os padrões de segurança da aviação russa melhoraram nos últimos anos, mas acidentes, especialmente os que envolvem aviões antigos em regiões distantes, não são incomuns.
YouTube do G1: Que susto! Aranha GIGANTE cai de teto de avião
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Fonte: G1 Mundo

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Torre Eiffel reabre ao público após ficar 8 meses fechada pela pandemia


Principal cartão-postal da França ainda mantém o uso obrigatório de máscaras e opera com os elevadores na metade da ocupação máxima. Vista da Torre Eiffel da praça do Trocadero, em Paris, em foto de 22 de janeiro de 2021
Gonzalo Fuentes/Reuters/Arquivo
A Torre Eiffel, principal cartão-postal da França, reabriu para o público nesta sexta-feira (16) depois de ficar oito meses fechada por conta da pandemia de Covid-19. Essa foi a primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, que ela ficou tanto tempo sem receber visitas.
A reabertura da atração acompanha o afrouxamento das medidas sanitárias iniciado em junho, que retirou a obrigatoriedade de máscaras ao ar livre e pôs fim ao toque de recolher.
Mas os visitantes da torre ainda precisarão cumprir com algumas regras:
uso obrigatório de máscara para maiores de 11 anos
elevadores operando a 50% da capacidade
a partir de 21 de julho, será obrigatório apresentar um ‘passe sanitário’, que comprova a vacinação completa ou um teste negativo de Covid feito até 48h antes da visita
Contagem regressiva
Por volta das 13h (horário local, 8h em Brasília) uma fila já se formava em frente à atração.
Após uma animada contagem regressiva, os funcionários da torre receberam os primeiros visitantes entre aplausos e ao som de uma fanfarra (veja no vídeo abaixo).
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ASSISTA: Soldado francês pede namorada em casamento antes de desfile na Champs-Élysées
A estimativa é de que a atração possa receber até 13 mil visitantes diariamente – número bastante menor que os 25 mil recebidos antes da pandemia. Ao menos 70 mil ingressos já foram vendidos.
Na quarta-feira (14), antes de abrir, a torre foi palco da tradicional queima de fogos de 14 de julho – Dia da Queda da Bastilha.
Torre Eiffel, em Paris, é iluminada em meio a queima de fogos para o Dia da Queda da Bastilha, em 14 de julho de 2021
Christian Hartmann/Reuters
O feriado de 14 de julho é considerado o mais importante do país, com uma série de atividades militares e cívicas.
O que os franceses celebram em 14 de Julho?
Queda da Bastilha: 5 curiosidades sobre evento que mudou Europa
Pela manhã, acontece um pomposo desfile militar na famosa Champs-Elysées – onde os noivos trocaram suas alianças.
Depois, ao pôr do sol, a Torre Eiffel vira o cenário de um show de fogos de artifício sincronizado com um espetáculo de música televisionado para todo o país com ritmos clássicos e hits do momento.

Fonte: G1 Mundo

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Protestos em Cuba: quanto o embargo americano realmente afeta a Ilha?


Embargo econômico americano contra Cuba se baseia em amplo emaranhado jurídico construído ao longo de décadas que inclui seis leis diferentes e diversas regulações que proíbem ou limitam relações comerciais com a ilha. Governo de Cuba atribui quase que a totalidade dos problemas da ilha ao embargo dos EUA, mas especialistas responsabilizam também o sistema político-econômico cubano
Getty Images/Via BBC
O embargo dos Estados Unidos contra Cuba é uma das medidas mais condenadas pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), onde todos os anos, desde 1992, é aprovada uma resolução contra a imposição americana.
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A resolução de condenação tem tido apoio quase unânime, e em 2016 chegou a ter 191 votos a favor e nenhum contra, entre os 193 membros. O próprio governo dos EUA se absteve de defender seu embargo.
VÍDEO: 3 pontos para entender os protestos em Cuba
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As razões para condenar a medida variam bastante, e em muitos casos não representam um gesto de apoio ao governo cubano, mas sim, no caso de muitos países europeus, indicam uma contestação ao fato de que os EUA limitam a possibilidade de empresas de outros países a fazer negócios com a ilha ou de que esse embargo serve como um perigoso precedente de medidas unilaterais coercitivas.
Depois dos protestos de dimensões inéditas ocorridos no domingo (11) em várias cidades cubanas exigindo alimentos, remédios e vacinas, mas também “liberdade” e “fim da ditadura”, o governo de Miguel Díaz-Canel apontou o embargo americano como a raiz dos males que atingem a ilha.
“O que precisamos aqui é que as 243 medidas de bloqueio sejam retiradas e o embargo, suspenso. É a única coisa que Cuba exige”, disse Díaz-Canel em uma transmissão pela televisão e pelo rádio na segunda-feira (12).
Dois dias depois, o governo cubano anunciou a suspensão temporária de restrições alfandegárias a medicamentos e alimentos, na tentativa de apaziguar o descontentamento que os protestos trouxeram ainda mais à tona.
Em 1962, o presidente John F. Kennedy estabeleceu um embargo sobre o comércio com Cuba que excluía remédios e alimentos
Getty Images/Via BBC
Mas o que exatamente é o embargo dos EUA a Cuba e qual é seu verdadeiro impacto?
Muitas normas, um objetivo
O embargo econômico americano contra Cuba se baseia em um amplo emaranhado jurídico construído ao longo de décadas que inclui seis leis diferentes e diversas regulações que proíbem ou limitam relações comerciais com a ilha.
Diversas empresas europeias têm investimentos milionários no setor turístico de Cuba
Getty Images/Via BBC
As primeiras sanções econômicas foram adotadas em 1960 pelo governo do então presidente Dwight Eisenhower em resposta à decisão do governo cubano de estatizar os bens de empresas americanas na ilha, aumentar a taxação de produtos dos EUA e estabelecer relações comerciais com a União Soviética.
Eisenhower reduziu drasticamente a importação de açúcar de Cuba, pôs em marcha um embargo comercial parcial e acabou rompendo as relações diplomáticas com Havana.
Com o fracasso da invasão da Baía dos Porcos e da declaração de Cuba como um Estado socialista por Fidel Castro em 1961, o presidente americano John F. Kennedy estabeleceu no ano seguinte um embargo total ao comércio com Cuba, com exceção de alimentos e remédios.
Essas medidas iniciais foram adotadas com base na Lei de Comércio com o Inimigo, que havia sido aprovada em 1917 durante a Primeira Guerra Mundial, e na Lei de Assistência Exterior, promulgada em 1961, que permite manter o embargo contra Cuba e proíbe que fundos de ajuda internacional dos EUA sejam destinados ao país caribenho.
Escassez e filas aumentaram em Cuba como resultado da pandemia e das recentes reformas econômicas
AFP/Via BBC
Em 1979, a Lei para Administração de Exportações permitiu estabelecer restrições alfandegárias por motivos de segurança nacional.
Após a queda da União Soviética, o Congresso dos EUA aprovou, em 1992, a Lei para a Democracia em Cuba, conhecida como Lei Torricelli, que proibia subsidiárias de empresas americanas em outros países de negociar com Cuba, assim como a viagem de cidadãos dos EUA ao país. Ali tentava-se também limitar a cooperação internacional de outros países com a ilha.
A Lei para a Liberdade e Solidariedade Democrática Cubanas (conhecida como Lei Helms-Burton), de 1996, reforçou o embargo, incluindo restrições a empresas de outros países de negociarem com a ilha.
Essa norma trouxe consigo uma outra mudança importante ao estabelecer as condições necessárias para que o embargo de Cuba fosse suspenso.
Ali ficou estabelecido que, em consulta com o Congresso, o presidente americano poderia suspender algumas medidas quando um governo de transição fosse instalado em Cuba ou poderia eliminar todo o regime de sanções quando a ilha tivesse um governo eleito democraticamente, considerado como o objetivo último das sanções dos EUA contra a ilha.
Nesse processo, porém, caberá ao Congresso a última palavra, a quem cabe aprovar ou não o fim do embargo.
Essa lei também dificultou o acesso da ilha a financiamentos externos ao estabelecer que os EUA usarão sua influência e seu voto em organizações financeiras internacionais para se opor à adesão de Cuba a essas instituições.
Em 2000, a Lei de Sanções Comerciais e Aumento do Comércio representou um certo relaxamento do embargo ao permitir a exportação para Cuba de alimentos, produtos agrícolas e medicamentos.
Além dessas leis, há diversas normas e diversos regulamentos adicionais que conferem ao Poder Executivo dos EUA certa margem de discricionariedade na aplicação do embargo, o que explica como foi possível que durante o governo de Barack Obama houvesse uma grande flexibilização das relações econômicas com Cuba, especialmente em relação a viagens e envio de remessas, e que sob a Presidência de Donald Trump elas acabaram endurecidas mais uma vez.
Historicamente, o governo cubano se refere às sanções econômicas dos EUA como um bloqueio e insiste que a normalização total das relações bilaterais só será possível quando essas medidas forem totalmente suspensas.
Embora as primeiras sanções impostas por Washington tenham respondido à nacionalização dos ativos de empresas americanas em Cuba em 1960, ao longo dos anos, elas se tornaram um meio de pressionar a ilha, negando-lhe acesso ao comércio com a maior economia mundial, bem como às facilidades inerentes ao uso do sistema financeiro dos EUA, cobrando respeito os direitos humanos e o estabelecimento de um governo eleito democraticamente.
A proibição é a norma
Quais atividades econômicas então são afetadas pelo embargo americano a Cuba?
“A regra geral é que tudo o que não seja explicitamente autorizado por uma licença especial ou geral é absolutamente proibido se tiver a ver com Cuba, em termos econômicos e comerciais”, explica Pedro Freyre, professor de Direito e advogado do escritório de advocacia Akerman, em Miami.
“Agora, falando do embargo especificamente: alguém disse que há ‘mais buracos do que queijo’ porque existe toda uma gama de exceções e licenças gerais que autorizam transações com Cuba”, acrescenta Freyre, que assessora empresas americanas e internacionais a ajudá-las a fazer suas operações na ilha sem violarem o embargo.
O especialista lembra que é permitido o envio de ajuda humanitária, assim como a exportação de alimentos, embora neste caso seja obrigatório que o pagamento seja feito no ato, ou seja, que não seja financiado. Ele salienta que a venda de medicamentos também é autorizada, embora não de forma automática, já que existem alguns pré-requisitos.
Freyre esclarece que as proibições existentes para outras atividades comerciais atingem cidadãos, empresas e entidades dos EUA ou que sejam controladas por americanos.
Em relação às medidas americanas que restringem a possibilidade de empresas de outros países fazerem negócios com Cuba, Freyre explica que países da União Europeia e de outros continentes, como o Canadá, desenvolveram com sucesso um arcabouço legal que impede a aplicação extraterritorial das leis americanas.
“A aplicação do bloqueio para além do território americano é colateral. Os EUA não têm jurisdição primária sobre uma empresa não americana. Se você tiver uma empresa inglesa ou francesa operando fora dos EUA, os EUA não têm jurisdição de qualquer tipo sobre essa empresa. Agora, se essa empresa começar a operar nos EUA, usar o sistema bancário ou recursos americanos, aí sim há jurisdição incidindo sobre essa empresa”, afirma.
A questão da aplicação extraterritorial do embargo entrou em vigor nos últimos anos, depois que o governo Donald Trump permitiu a aplicação de um trecho da Lei Helms-Burton que havia sido suspenso. Este estabelece que as empresas que foram confiscadas pelo governo cubano podem processar empresas estrangeiras que operam na ilha em tribunais dos EUA.
“Suponhamos que os ex-proprietários de uma empresa de tabaco que foi confiscada entrem com um processo e ganhem uma ação em um tribunal americano contra uma empresa francesa que agora controla aquele ativo. Mas essa empresa francesa não tem ativos nos EUA, ela tem tudo na Europa. Então, os americanos têm que ir a um tribunal francês e dizer ‘ei, garanta efeito e validade a essa ação que ganhei nos EUA e vamos tomar as propriedades dessa empresa francesa’. Mas a regulamentação da União Europeia proíbe terminantemente essa aceitação por tribunais franceses e, além disso, dá à empresa francesa o direito de apresentar reconvenção (ação contra os autores do pedido) contra os americanos”, explica.
Freyre ressalta que as empresas estrangeiras que desejam fazer negócios com Cuba devem evitar o uso do sistema financeiro americano. “Cuba pode teoricamente comprar todo o combustível que quiser diretamente, por exemplo, da Rússia. Os EUA não interferem nisso, mas essa transação não pode ser em dólares nem pode usar o sistema bancário americano.”
As responsabilidades do embargo
E qual tem sido o impacto do embargo sobre Cuba?
“Os danos acumulados durante quase seis décadas de aplicação dessa medida totalizam US$ 144 bilhões (cerca de R$ 734 bilhões)”, afirmou o governo cubano no documento “Cuba vs. Bloqueio” que apresentou sobre o embargo à Assembleia Geral da ONU em 2020.
As autoridades de Cuba quase sempre atribuem a culpa pelas dificuldades econômicas enfrentadas pela população cubana aos efeitos das sanções americanas, lembrando que elas dificultam o comércio e a obtenção de investimentos e financiamentos.
Os críticos do governo cubano, porém, apontam que a ilha mantém relações comerciais com dezenas de países ao redor do mundo e que recebe sim expressivos investimentos estrangeiros, em setores que têm possibilidade gerar lucro, como o turismo.
Erika Guevara-Rosas, diretora da Anistia Internacional para as Américas, afirma que embora o embargo dos EUA tenha tido um impacto econômico e social na ilha, o argumento de culpar estas sanções pelos problemas cubanos está “ultrapassado”.
“Eles [o governo cubano] geraram uma narrativa como se fosse um bloqueio total e um embargo econômico e financeiro, com todas as implicações que isso tem na vida das pessoas”, diz Guevara-Rosas à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).
Ela lembra que ainda que a ilha mantenha relações estreitas de cooperação e comércio com países europeus, de fato os EUA são o principal exportador de alimentos e medicamentos para Cuba.
A lista dos principais parceiros comerciais da ilha é variada e inclui países como Venezuela, China, Espanha, Canadá, Rússia, México, Holanda, Itália, França, Alemanha e os próprios Estados Unidos, segundo dados de 2019 do Instituto Nacional de Estatísticas e Informações de Cuba.
Guevara-Rosas destaca, por exemplo, que 80% da carne e do frango da ilha vêm dos EUA.
John Kavulich, presidente do Conselho de Comércio e Economia EUA-Cuba, disse à BBC Monitoring que este ano as exportações de alimentos dos EUA para a ilha aumentaram 60% em relação a 2020, e que até agora neste ano somam quase US$ 140 milhões (cerca de R$ 715 milhões), principalmente com a venda de frango.
Kavulich estima que cerca de 8% dos alimentos importados por Cuba vêm dos EUA.
Assim, ao investigarem a fundo as raízes das dificuldades da ilha, alguns analistas como Pedro Freyre olham para além do embargo. “O problema fundamental da economia cubana é que seu sistema é muito ineficiente”, diz ele.
E acrescenta: “o planejamento é centralizado e a propriedade, a titularidade de todos os bens fundamentais de produção, é do Estado. As grandes empresas são do Estado. O setor privado é relativamente pequeno e tem se expandido com muita dificuldade, mas são muito pequenos, são negócios individuais”.
Freyre diz que que quem viaja para Cuba pode perceber o estado avançado de deterioração da infraestrutura local, o que atribui às dificuldades do sistema político-econômico para criar valor e capital.
“E aí então, em meio a toda essa deterioração, você avista um hotel novo de primeira linha. Esse hotel é uma joint-venture de uma agência governamental, geralmente com uma empresa russa, chinesa ou qualquer outra e é como um oásis de capitalização no meio de um oceano de ruínas”, acrescenta.
Freyre afirma que, neste contexto, o embargo impõe um ônus adicional a Cuba e dificulta ainda mais as coisas, mas, em sua avaliação, a raiz de tudo está na ineficiência do sistema.
“Uma Cuba capitalista sob sanções não teria nem remotamente o nível de problemas que tem agora. Teria problemas, mas não o nível de problemas que tem agora.”
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Fonte: G1 Mundo