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Meia e falso 9, Diego Souza entra na mira do Palmeiras e pode deixar o Sport

Com cinco partidas no Brasileiro, ele poderia atuar tanto na competição nacional quanto ser inscrito na Libertadores. Aos 32 anos, voltaria ao clube pelo qual atuou entre 2008 e 2010

 

O nome da vez para reforçar o Palmeiras é Diego Souza. Depois da tentativa frustrada de tirar Richarlison do Fluminense, a diretoria agora tem o jogador do Sport como seu principal alvo para atender o pedido da comissão técnica por alguém que saiba jogar fora da área e também ser referência dentro dela.

Aos 32 anos, o meia-atacante tem contrato até o final de 2018 com o Sport, que não pagou nada ao Metalilst (da Ucrânia), em agosto de 2014, para tê-lo de início por empréstimo. O vínculo foi estendido posteriormente, e Diego Souza já não tem mais ligação alguma com o clube ucraniano.

Ciente disso e disposto a investir alto mesmo dentro do mercado nacional – principalmente depois do insucesso com Richarlison -, o Palmeiras acredita que possa convencer os dirigentes pernambucanos a fazer negócio e liberar sua principal estrela, recentemente convocada para a seleção brasileira.

Diego Souza, principal jogador do Sport, está na mira do Palmeiras (Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)Diego Souza, principal jogador do Sport, está na mira do Palmeiras (Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)

Diego Souza, principal jogador do Sport, está na mira do Palmeiras (Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)

O sonho do jogador de disputar uma Copa do Mundo, inclusive, ajuda os planos do Palmeiras. A promessa é de que, no retorno ao clube que defendeu entre 2008 e 2010 (período em que foi campeão paulista, mas saiu brigado com parte da torcida), Diego Souza atuaria como falso 9, função justamente em que vem sendo testado ultimamente por Tite nos preparativos para 2018.

A maneira como ele saiu do Palmeiras foi tensa. Em abril de 2010, ao ser vaiado após uma substituição, Diego Souza respondeu torcedores com um gesto obsceno em direção à arquibancada numerada do antigo Palestra Itália. Foi afastado pela diretoria e, dois meses mais tarde, acertou com o Atlético-MG.

Apesar do modo como deixou o Palestra Itália, o meia-atacante teria argumentos importantes para voltar a vestir a camisa alviverde, portanto: além de eventualmente ficar mais próximo de uma convocação para a Rússia jogando mais adiantado, ele disputaria a Libertadores e ainda ganharia salário superior ao que recebe atualmente no Recife.

Palmeirense, você quer Diego Souza de volta?

Palmeirense, você quer Diego Souza de volta?Palmeirense, você quer Diego Souza de volta?

Por outro lado, Diego Souza é muito identificado com o Sport. Na temporada passada, chegou a passar três meses no Fluminense, mas decidiu retornar alegando que sua felicidade estava na Ilha do Retiro. Também em 2016, recusou propostas – uma do Corinthians, inclusive – e renovou contrato com o clube pernambucano, pelo qual tem 49 gols e 146 jogos.

Nesta quarta-feira, o camisa 87 disputa a final do Campeonato Pernambucano, contra o Salgueiro. No Brasileiro, ele tem cinco jogos, um a menos do que o limite permitido para defender outra equipe na competição nacional.

Diego Souza jogou pelo Palmeiras entre 2008 e 2010 (Foto: Marcos Ribolli)Diego Souza jogou pelo Palmeiras entre 2008 e 2010 (Foto: Marcos Ribolli)

Diego Souza jogou pelo Palmeiras entre 2008 e 2010 (Foto: Marcos Ribolli)

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BRASIL

Moto aquática atropela prancha de adolescente e colide com barco em Guarujá, SP

Veículo era conduzido por um rapaz sem habilitação e quase atingiu crianças, segundo testemunhas.

Uma moto aquática atingiu uma prancha de stand up e colidiu com uma lancha em Guarujá, no litoral de São Paulo, no domingo (25). O acidente ocorreu na praia da Enseada. Segundo testemunhas, o veículo estava em alta velocidade e era conduzido por um rapaz sem habilitação. Bombeiros, polícia e Marinha atenderam a ocorrência.

Quatro lanchas estavam enfileiradas em uma região costeira conhecida como Canto do Tortuga quando ocorreu a colisão. “Um casal na moto aquática passou por nós muito rápido e vimos eles perdendo o controle da direção”, informou a publicitária Vera Lúcia Costa, de 62 anos, que estava a bordo da lancha atingida.

No entorno dos barcos, que reuniam cerca de 30 pessoas, havia crianças e adolescentes no mar. Um deles era o filho de 12 anos da empresária Ketty Mira Marques, de 38 anos. “Ele havia acabado de sair da prancha [de stand up], quando a moto aquática passou por cima dela e bateu na nossa lancha. Meu filho mergulhou para não ser atingido”.

Envolvidos no acidente brigaram com dona de moto aquática alugada (Foto: Reprodução)Envolvidos no acidente brigaram com dona de moto aquática alugada (Foto: Reprodução)

Envolvidos no acidente brigaram com dona de moto aquática alugada (Foto: Reprodução)

Logo em seguida, ainda segundo relato das testemunhas, o casal na embarcação tentou fugir. “Nós puxamos meu filho para dentro da lancha. Ele não se machucou, mas engoliu um pouco de água”, afirmou a empresária. Um marinheiro foi atrás dos dois e conseguiu levá-los de volta aos barcos para aguardar as autoridades.

Ketty conta que os dois foram colocados a bordo da lancha deles. “O rapaz admitiu que havia bebido um pouco antes, que não tinha habilitação e que havia alugado a moto aquática. O pagamento, segundo ele, foi feito em dinheiro, mas não informou o valor”, disse.

Bombeiros, polícia e Marinha foram acionados. Enquanto aguardavam, uma mulher que se apresentou como dona da moto aquática foi até o grupo em um bote. “Ela queria levá-lo. Chegou com um capanga para nos ameaçar e nós não deixamos. Ela ainda disse que o moleque, que alugou, havia roubado o veículo”, contou o empresário Enídio Costa, de 65 anos, também a bordo do barco.

Veículo foi apreendido pela Capitania dos Portos de São Paulo (Foto: Ketty Mira Marques/Arquivo Pessoal)Veículo foi apreendido pela Capitania dos Portos de São Paulo (Foto: Ketty Mira Marques/Arquivo Pessoal)

Veículo foi apreendido pela Capitania dos Portos de São Paulo (Foto: Ketty Mira Marques/Arquivo Pessoal)

Equipes do Grupamento Marítimo do Corpo de Bombeiros (GBMar) chegaram em seguida. “Fomos prestar apoio, já que o caso é de responsabilidade da Capitania dos Portos. Não houve feridos. A informação era de que a moto aquática passou pela prancha, atingiu a lancha e o rapaz tentou fugir”, disse a tenente Carolina Oliveira Akamine.

“O mais absurdo foi a gente esperar a Capitania por mais de uma hora e meia. Eles [os peritos] chegaram de carro, não estavam de barco. Já tinha que ter alguém da Marinha lá, já que todo fim de semana a movimentação é grande. O que será que estão esperando acontecer?”, desabafou a mãe do adolescente quase atingido pelo veículo.

A moto aquática foi apreendida para perícia da autoridade marítima e o condutor foi autuado. O comandante da Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), o capitão-de-mar-e-guerra Alberto Pinheiro de Carvalho, confirmou que o condutor não tinha habilitação e que o caso é alvo de um inquérito. “Vamos apurar as causas e responsabilidades e também verificar a real propriedade da moto aquática, que foi lacrada”. As polícias Militar e Civil informaram que ninguém foi detido.

O G1 não conseguiu contato com a proprietária do veículo.

http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/moto-aquatica-atropela-prancha-de-adolescente-e-colide-com-barco-em-guaruja-sp.ghtml

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MUNDO

Incêndio em Portugal gera debate sobre o eucalipto, um dos motores econômicos do Brasil

Política de incentivo à plantação fez árvore, considerada muito inflamável, ocupar 30% das florestas portuguesas; risco de tragédia similar no Brasil é menor, dizem especialistas.

O incêndio que na última semana devastou mais de 30 mil hectares de floresta e matou 64 pessoas em Portugal levantou mais uma vez o debate sobre os riscos do plantio de eucalipto, uma atividade com crescente importância para a economia do país europeu – assim como para o Brasil.

Nos dias que se seguiram à tragédia em Pedrógão Grande, na região central do país, diversos setores da sociedade portuguesa começaram a cobrar maior controle do plantio de eucalipto, a árvore dominante na área afetada pelo incêndio e que representa cerca de 30% de toda a cobertura florestal portuguesa.

Uma petição online que já recolheu assinaturas suficientes para ser obrigatoriamente discutida no Parlamento exige a revogação de um decreto-lei, assinado em 2013, que facilitou o plantio do eucalipto.

Bombeiros combatem incêndio em Porgutal (Foto: Rafael Marchante/Reuters)Bombeiros combatem incêndio em Porgutal (Foto: Rafael Marchante/Reuters)

Bombeiros combatem incêndio em Porgutal (Foto: Rafael Marchante/Reuters)

A árvore apresenta alta rentabilidade financeira em curto prazo, mas também é conhecida por ser muito inflamável.

“O decreto-lei 96/2013 implementou o novo regime de arborização, que liberaliza a plantação em monocultura de eucalipto, deixando de ser necessário pedido de autorização prévia às autoridades florestais para plantar até dois hectares”, explica o texto da petição.

Segundo o engenheiro zootécnico João Camargo, a política de incentivo à plantação de eucalipto não é recente e causou uma mudança profunda no território do país europeu.

“Existe há algumas décadas um predomínio total da pasta de celulose sobre outros setores da indústria florestal, graças a uma sequência de governos responsáveis por uma legislação muito favorável à proliferação do eucalipto”, afirma Camargo, doutorando em alterações climáticas e políticas de desenvolvimento sustentável pela Universidade de Lisboa.

Combate a incêndio em região de floresta de Portugal (Foto: Rafael Marchante/Reuters)Combate a incêndio em região de floresta de Portugal (Foto: Rafael Marchante/Reuters)

Combate a incêndio em região de floresta de Portugal (Foto: Rafael Marchante/Reuters)

A indústria papeleira rende cerca de 2,8 bilhões de euros (mais de R$ 10 bilhões) por ano a Portugal.

No Brasil, segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), que reúne produtores de celulose, papel, painéis e pisos de madeira e florestas no país, o setor gerou US$ 28,1 bilhões (cerca de R$ 88 bilhões) só no ano passado, com participação de 9,3% nas exportações da balança comercial brasileira.

Além disso, a produção nacional de celulose totalizou 18,7 milhões de toneladas em 2016, crescimento de 8,1% em relação a 2015.

O resultado confirmou o Brasil como o quarto maior produtor do mundo e deixou o país a um passo do Canadá, o terceiro, e da China, que ocupa a vice-liderança mundial no setor.

A projeção agora é que a produção brasileira assuma a vice-liderança ainda esse ano, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), as áreas de plantios florestais com eucalipto estão distribuídas em todo o território nacional – 54,2% se concentram no Sudeste, 16,4%, no Nordeste, 12,2%, no Centro-Oeste, 11,8%, na região Sul e 5,5%, no Norte

‘Árvore de gasolina’

Bombeiros combatem fogo em Portugal (Foto: REUTERS/Rafael Marchante)Bombeiros combatem fogo em Portugal (Foto: REUTERS/Rafael Marchante)

Bombeiros combatem fogo em Portugal (Foto: REUTERS/Rafael Marchante)

O plantio em larga escala do eucalipto é criticado por ambientalistas, que apontam contribuição à destruição de recursos hídricos – o que alimenta a erosão – e ao desaparecimento da fauna, já que poucos animais conseguem se alimentar de suas folhas.

Além disso, o seu poder de gerar e propagar incêndios levou a espécie a receber o apelido de “árvore de gasolina”.

“Um dos principais problemas do eucalipto é que ele arde muito rápido e é muito resistente ao fogo. Ele continua a sobreviver durante o incêndio e graças ao calor a sua casca se solta do tronco, se transformando em condutor das chamas”, explica Camargo.

“Estamos falando de uma árvore que vem de uma região em que as queimadas são muito comuns. Na verdade, o eucalipto aprendeu a usar os incêndios para se expandir, tomando o lugar da natureza que foi destruída pelo fogo”, afirma o especialista português.

Apesar das campanhas de prevenção às queimadas, Portugal registra todos os anos um alto número de incêndios durante o verão, quando o clima seco e quente facilita a propagação do fogo.

Segundo o instituto estatístico luso Pordata, somente entre 2010 e 2015 foram identificados 110.634 focos de incêndio no país, uma média de aproximadamente 18,5 mil queimadas por ano.

“Os incêndios são uma característica do clima mediterrâneo e isso não vai mudar. A diferença desse ano para os anteriores é que no passado recente nós conseguimos evitar que pessoas morressem nessas grandes queimadas”, diz João Camargo.

Riscos no Brasil

Segundo o engenheiro florestal Alexandre Franca Tetto, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o plantio de eucalipto no Brasil tem características distintas da realidade portuguesa, o que minimiza os riscos de uma tragédia como a que aconteceu em Pedrógão Grande.

“Temos um uso do solo diferente de Portugal, Chile e Estados Unidos (Califórnia), onde as casas estão próximas às florestas. Nesses casos, é preciso atuar bastante na silvicultura preventiva, o que não ocorre no Brasil”, explica Tetto, que é doutor em conservação da natureza e especialista em prevenção e combate a incêndios florestais.

Ainda assim, o especialista da UFPR destaca a importância de acompanhar com cuidado o plantio de árvores suscetíveis a queimadas no território brasileiro.

“Os cultivos florestais ocupam menos de 1% do território brasileiro. Apesar disso, o eucalipto e outras espécies, como pinus, teca e araucária, merecem atenção por serem mais inflamáveis que outras, apresentarem continuidade e quantidade de material combustível”, afirma.

Tetto destaca o trabalho das empresas na prevenção das queimadas no país.

“Os plantios de eucalipto existentes no Brasil são de empresas florestais ou proprietários fomentados por elas. Em função disso, e sabedores do perigo que os incêndios florestais representam, todas possuem ações de prevenção.”

Ele cita os trabalhos de educação e sensibilização da população, fiscalização, construção e manutenção de aceiros, realização de queimadas controladas, construção de açudes e silvicultura preventiva.

“Além disso, possuem brigadistas que são periodicamente treinados.”

Mesmo assim, diz que o risco de uma tragédia como a ocorrida em Portugal não pode, diante de experiências do passado, ser totalmente afastado no Brasil.

O especialista cita um incêndio ocorrido em 1963 no Paraná, no qual dois milhões de hectares foram queimados e 110 pessoas morreram, e outro em Roraima, em 1998, quando 1,5 milhão de hectares foram atingidos.

Respaldo oficial

Embora seja criticado pelos ambientalistas, o plantio do eucalipto é defendido pelo setor agropecuário.

Em seu aniversário de 50 anos, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) publicou um estudo intitulado “Plantio de eucalipto no Brasil – mitos e verdades”, em que refuta algumas das acusações contra essa espécie, como a de contribuir com a destruição de recursos hídricos.

“A falta de água é ocasionada principalmente pelas más práticas de cultivo adotadas pelo produtor e pelo uso inadequado dos recursos hídricos, não pelo tipo de cultura cultivada”, afirma o texto, que também nega a ideia de que o eucalipto seja responsável pelo surgimento dos “desertos verdes”, como são conhecidas as regiões florestais em que não há vida animal.

“Os ecossistemas das áreas de florestas plantadas também são muito singulares e bastante ricos em biodiversidade (…) As áreas plantadas e cultivadas com os eucaliptos, por felicidade técnica e econômica, são em sua maioria áreas de pastagens degradadas ou locais anteriormente utilizados pela agricultura de forma intensiva”, diz a CNA.

Houve incentivo para o plantio do eucalipto em diferentes administrações em Portugal, mas a morte de 64 pessoas no primeiro incêndio do verão europeu em 2017 deve acelerar alterações na legislação em vigor.

“A revogação da lei que liberalizava o plantio do eucalipto já fazia parte do programa do atual governo, só não foi executada ainda porque não houve consenso no Parlamento. Mas uma tragédia em que mais de 60 pessoas morrem não pode passar em branco e deve impulsionar as reformas que estavam paradas”, afirma o engenheiro florestal João Camargo.

Na sequência ao incêndio da última semana, o governo luso estabeleceu o dia 19 de julho como data limite para a votação em plenário de um pacote que inclui 12 medidas ligadas à reforma florestal que estavam paradas no Parlamento, entre elas uma que trava a expansão do plantio de eucalipto em Portugal.

No entanto, para Fernando Lopes, presidente da Câmara de Castanheira de Pera, um dos municípios atingidos pelo incêndio em Pedrógão Grande, não é preciso adotar uma postura “radical” contra o eucalipto, que deve ser encarado como “riqueza” para a região.

“Temos é de encontrar uma forma mais ordenada e sustentável de plantar eucaliptos. Aproveitar esse momento para fazer aquilo que se falou durante anos e anos”, disse o político em declarações publicadas pela agência local Lusa.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/incendio-em-portugal-gera-debate-sobre-o-eucalipto-um-dos-motores-economicos-do-brasil-1.ghtml

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Mianmar e Tailândia queimam 1 bilhão de dólares em drogas

A região do Triângulo Dourado, na fronteira do Laos, Tailândia e Mianmar, foi por muito tempo a principal área de produção de ópio e heroína.

Mianmar e Tailândia, países-chave no tráfico de drogas no Sudeste Asiático, queimaram nesta segunda-feira (26) drogas em um valor de cerca de 1 bilhão de dólares.

“Esta é a maior queima de drogas da história de Mianmar”, declarou um comandante da polícia birmanesa, referindo-se a incineração realizada no Dia Internacional de combate ao Abuso e ao Tráfico Ilícito de Drogas.

Mianmar continua a ser um dos maiores produtores de drogas do mundo, um legado de décadas de governo militar que deixou o tráfego prosperar.

As autoridades queimaram ópio, heroína, cannabis e metanfetamina num valor de 385 milhões de dólares.

Na Tailândia, as autoridades queimaram drogas no valor de 589 milhões de dólares.

A região do Triângulo Dourado, na fronteira do Laos, Tailândia e Mianmar, foi por muito tempo a principal área de produção de ópio e heroína, até ser substituída pelo Afeganistão.

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Parada do Orgulho Gay em Nova York tem protesto contra Trump

Muitos marcharam com cartazes escritos “Resistir”, denunciando o governo republicano de Donald Trump e as suas propostas legislativas

Homem exibe cartaz contra o presidente dos EUA Donald Trump durante a parada LGBT em Nova York (Foto: Carlo Allegri/Reuters)

Homem exibe cartaz contra o presidente dos EUA Donald Trump durante a parada LGBT em Nova York (Foto: Carlo Allegri/Reuters)

Dezenas de milhares de pessoas marcharam neste domingo (25) pelo Orgulho Gay em Nova York em um mar de bandeiras com as cores do arco-íris, com a oposição ao presidente Donald Trump e a defesa dos transexuais como as grandes causas do momento.

Pelo 48º ano consecutivo, milhares de participantes, a pé, de moto ou em caminhões pela 5ª Avenida, entre os aplausos de uma multidão alegre, percorreram três quilômetros entre os arranha-céus de Midtown até a zona de Greewich Village, onde nasceu o movimento pelos direitos dos homossexuais após os distúrbios de Stonewall em 1969.

Enquanto em Istambul os participantes da Parada do Orgulho Gay foram dispersados pela polícia, que disparou balas de borracha, na maior metrópole americana a marcha é uma verdadeira instituição.

Sob um sol radiante, centenas de policiais e muitos políticos, entre eles o prefeito Bill de Blasio, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, e o senador Chuck Schummer, todos democratas, caminharam sorridentes junto com os participantes.

O prefeito de Nova York Bill de Blasio participa da parada LGBT pelas ruas de Nova York (Foto: Andres Kudacki/AP)O prefeito de Nova York Bill de Blasio participa da parada LGBT pelas ruas de Nova York (Foto: Andres Kudacki/AP)

O prefeito de Nova York Bill de Blasio participa da parada LGBT pelas ruas de Nova York (Foto: Andres Kudacki/AP)

Pessoas marcham pela Quinta Avenida, em Nova York, durante a parada LGBT (Foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP)Pessoas marcham pela Quinta Avenida, em Nova York, durante a parada LGBT (Foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP)

Pessoas marcham pela Quinta Avenida, em Nova York, durante a parada LGBT (Foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP)

Em junho de 2015, a marcha celebrou a legalização do casamento entre homossexuais. Em junho de 2016, ocorreu em clima de luto depois do massacre na boate Pulse em Orlando, na Flórida.

Este ano, muitos marcharam com cartazes escritos “Resistir”, denunciando o governo republicano de Donald Trump e as suas propostas legislativas – em particular a derrubada da lei de saúde Obamacare – e o questionamento dos direitos dos transexuais.

Assim, Gavin Grimm, o estudante do Ensino Médio cujo pedido para poder usar o banheiro masculino de sua escola está no centro da “batalha dos banheiros”, marchou na procissão da ACLU, a poderosa organização das liberdades individuais, designado o “grande marechal” do desfile.

Enquanto muitos participantes se mostraram claros opositores a Trump, outros assinalaram também não querer fazer desta marcha um evento político.

“A atual administração é abominável”, disse Cara Lee Sparry que, em sua motocicleta, participou de uma dúzia de Paradas do Orgulho Gay. “Mas estar rodeado de milhares de pessoas gritando por horas, é incrível, não pode ir contra isso!”.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/parada-do-orgulho-gay-em-nova-york-tem-protestos-contra-trump.ghtml

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China liberta Prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo, vítima de câncer terminal

Intelectual e dissidente cumpria pena de 11 anos de prisão depois de ter assinado um texto que defendia a democracia na China.

 

As autoridades chinesas libertaram o Prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo, vítima de um câncer de fígado em fase terminal, anunciou nesta segunda-feira o advogado do ativista à AFP. O professor, intelectual e dissidente ainda tinha três anos para cumprir de sua condenação.

“Está sendo tratado em um hospital de Shenyang (província de Liaoning, nordeste). Não tem nenhum plano especial. Está apenas recebendo tratamento por sua doença”, disse o advogado Mo Shaoping.

A doença foi diagnosticada em 23 de maio e Liu Xiaobo, 61 anos, foi libertado poucos dias depois, de acordo com o advogado.

Liu Xiaobo cumpria desde 2009 uma pena de 11 anos de prisão por “subversão”, depois de ter sido um dos autores da Carta 08, um texto que defendia a democracia na China.

O dissidente venceu o Nobel da Paz em 2010, quando já estava detido. Por sua ausência, o prêmio foi entregue de forma simbólica em 10 de dezembro do mesmo ano em Oslo. O ativista foi representado por uma cadeira vazia durante a cerimônia.

A atribuição do Prêmio Nobel provocou indignação na China, que congelou as relações de alto nível com a Noruega, o que afetou as exportações de salmão norueguês a China. Pequim classificou Liu Xiaobo de “criminoso”.

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May fecha acordo com Partido Unionista da Irlanda do Norte

Em troca do apoio, May concordou conceder 1,2 bilhões de euros para a Irlanda do Norte. Conservador precisam do apoio do polêmico DUP para governar.

A premiê britânica, Theresa May, fechou acordo nesta segunda-feira (26) com o Partido Unionista da Irlanda do Norte (DUP). Após o fracasso do Partido Conservador nas eleições legislativas, ela precisava da aliança com o polêmico partido para conseguir a maioria necessária para governar.

Em troca do apoio, a líder do DUP, Arlene Foster, afirmou que o Reino Unido concordou em dar uma ajuda financeira de 1,2 bilhões de euros (R$ 4,49 bilhões) para a Irlanda do Norte nos próximos dois anos, segundo a Reuters.

“Saudamos este apoio financeiro de um bilhão de libras nos próximos dois anos”, anunciou Foster, em Downing Street (residência oficial da premiê britânica).

A aliança atrai muitas críticas, especialmente em razão do conservadorismo social da formação norte-irlandesa, ferozmente oposta ao casamento gay e ao aborto.

A dependência DUP também levanta questões, por exemplo, sobre a neutralidade do governo britânico na região da Irlanda do Norte, sujeita a fortes tensões.

Com o anúncio, Foster conquista o poder de afundar ou manter viva May e seu governo, de acordo com a France Presse. Porém, não consegue formar o governo em sua província, rejeitada pelo Sinn Fein católico por sua suposta relação com um escândalo de corrupção.

O dia 29 de junho é a data limite determinada pelo governo britânico para que o DUP e o Sinn Fein formem um governo de coalizão ou poderia suspender a administração norte-irlandesa e administrar a província diretamente a partir de Londres.

Alívio para May

Theresa May tem a garantia de superar a moção de confiança que deve enfrentar esta semana, quando a Câmara dos Comuns votará sobre o discurso da rainha Elizabeth II, que divulgou o programa legislativo dos próximos dois anos.

Além disso, a premiê ganha um pouco mais de tranquilidade no início das negociações de divórcio com a União Europeia (UE), que começaram há poucos dias e devem durar dois anos.

Apesar do DUP ter apoiado o Brexit no referendo de 2016, o partido deseja que a fronteira com a Irlanda – a única terrestre entre o Reino Unido e a UE – permaneça aberta para não prejudicar a economia local.

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‘Só o presidente tem legitimidade para reduzir o próprio mandato’, diz FH

Em artigo, ex-presidente destaca que qualquer outra opção soará como golpe

RIO — Cabe ao presidente Michel Temer a responsabilidade de oferecer ao país um caminho “mais venturoso”, diante das possibilidades de superação da crise institucional que assola o Brasil. A avaliação é do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que, em artigo publicado pela “Folha de S. Paulo”, nesta segunda-feira, voltou a apelar pelo “gesto de grandeza” do peemedebista de providenciar sua saída do Palácio do Planalto.

“Bloqueados os meios constitucionais para a mudança de governo e aumentando a descrença popular, só o presidente tem legitimidade para reduzir o próprio mandato (…). Qualquer tentativa de emenda para interromper um mandato externa à decisão presidencial soará como um golpe”, escreveu o ex-presidente.

Na visão do tucano, o horizonte político está “toldado”. Ainda que consiga se manter no poder, o atual governo terá “enorme dificuldade para fazer o necessário” em prol do povo. Posto o impasse, FH pede a Temer que medite sobre o gesto de reduzir seu mandato, conduzir a reforma política e presidir novas eleições.

FH reconhece que apoiou o governo atual, mas ressalta que “o apoio da sociedade e o consentimento popular ao governo se diluem em função das questões morais justa ou injustamente levantadas em investigações e difundidas pela mídia convencional e social”.

‘FORÇAR ELEIÇÕES’ CUSTARIA DEMOCRACIA

Ele diz não se posicionar entre os que atacam o governo para desgastá-lo. Para o ex-presidente, forçar eleições diretas teria “enorme custo para a democracia”. E, ao contrário de outros momentos de crise no país, desta vez não há “lado de lá” pronto a assumir a administração federal com programa apoiado por grupos de poder na sociedade.

 

Como o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral não viu abuso de poder econômico da chapa Dilma-Temer em 2014, não há como questionar legalmente o mando presidencial e fazer a sucessão por eleições indiretas. Deliberação contrária não resolveria o impasse, já que o sucessor seria escolhido por um Congresso “que também está em causa”. E decisão do Supremo Tribunal Federal que revertesse os efeitos do acórdão do TSE, algo pouco provável, manteria a dúvida sobre a legitimidade do sucessor.

A opção restante, que remonta à demanda do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de suspensão do mandato presidencial por até seis meses para que se julgue se houve crime de improbidade ou de obstrução de Justiça. Tal cenário, segundo FH, levaria o país a um a “meses caóticos” até a absolvição — depois da qual o presidente voltaria com pouco a fazer pelo país — ou a novas eleições — em quadro partidário de lideranças judicialmente questionadas.

“Não se deve nem se pode passar uma borracha nos fatos para apagá-los da memória das pessoas e livrar os responsáveis por eles da devida penalização”, destacou o tucano.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/brasil/so-presidente-tem-legitimidade-para-reduzir-proprio-mandato-diz-fh-21518895#ixzz4l6tGJl5d
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POLÍTICA Lula tem 30%, Bolsonaro, 16%, e Marina, 15%, aponta pesquisa Datafolha para 2018

Pesquisa sobre a eleição presidencial tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Instituto ouviu 2.771 pessoas nos dias 21 e 23 de junho.

Uma pesquisa do instituto Datafolha foi divulgada nesta segunda-feira (26) pelo jornal “Folha de S.Paulo” com índices de intenção de voto para o primeiro turno da eleição presidencial de 2018. Veja os resultados dos oito cenários pesquisados:

Cenário 1 (com Alckmin):

  • Lula (PT): 30%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 16%
  • Marina Silva (Rede): 15%
  • Alckmin (PSDB): 8%
  • Ciro Gomes (PDT): 5%
  • Luciana Genro (PSol): 2%
  • Eduardo Jorge (PV): 2%
  • Ronaldo Caiado (DEM): 2%
  • Branco/nulo/nenhum: 18%
  • Não sabe: 2%

Cenário 2 (com Doria):

  • Lula (PT): 30%
  • Marina Silva (Rede): 15%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 15%
  • João Doria (PSDB): 10%
  • Ciro Gomes (PDT): 6%
  • Luciana Genro (PSOL): 2%
  • Eduardo Jorge (PV): 2%
  • Ronaldo Caiado (DEM): 2%
  • Branco/nulo/nenhum: 16%
  • Não sabe: 2%

Cenário 3 (com Joaquim Barbosa e Alckmin)

  • Lula (PT): 30%
  • Marina Silva (Rede): 15%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 15%
  • Joaquim Barbosa (sem partido): 11%
  • Geraldo Alckmin (PSDB): 8%
  • Luciana Genro (PSOL): 2%
  • Eduardo Jorge (PV): 2%
  • Ronaldo Caiado (DEM): 2%
  • Branco/nulo/nenhum: 14%
  • Não sabe: 2%

Cenário 4 (com Joaquim Barbosa e Doria)

  • Lula (PT): 29%
  • Marina Silva (Rede): 15%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 13%
  • Joaquim Barbosa (sem partido): 10%
  • João Doria (PSDB): 9%
  • Luciana Genro (PSOL): 2%
  • Eduardo Jorge (PV): 2%
  • Ronaldo Caiado (DEM): 1%
  • Branco/nulo/nenhum: 15%
  • Não sabe: 2%

Cenário 5 (sem PT)

  • Marina Silva (Rede): 22%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 16%
  • Joaquim Barbosa (sem partido): 12%
  • Ciro Gomes (PDT): 9%
  • Geraldo Alckim (PSDB): 9%
  • Luciana Genro (PSol): 3%
  • Eduardo Jorge (PV): 2%
  • Ronaldo Caiado (DEM): 2%
  • Branco/nulo/nenhum: 23%
  • Não sabe: 3%

Cenário 6 (Com Haddad):

  • Marina Silva (Rede): 22%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 16%
  • Joaquim Barbosa (sem partido): 13%
  • Geraldo Alckim (PSDB): 10%
  • Luciana Genro (PSol): 4%
  • Fernando Haddad (PT): 3%
  • Eduardo Jorge (PV): 2%
  • Ronaldo Caiado (DEM): 2%
  • Branco/Nulo/Nenhum: 25%
  • Não sabe: 3%

Cenário 7 (com Moro):

  • Lula (PT): 29%
  • Sergio Moro (sempartido): 14%
  • Marina silva (Rede): 14%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 13%
  • Geraldo Alckmin (PSDB): 6%
  • Luciana Genro (PSol): 2%
  • Eduardo Jorge (PV): 2%
  • Ronaldo Caiado (DEM): 1%
  • Branco/Nulo/Nenhum: 15%
  • Não sabe: 2%

Cenário 8 (Sem alvos da Lava jato)

  • Marina Silva (Rede): 27%
  • Jair Bolsonaro (PSC): 18%
  • João Doria (PSDB): 14%
  • Ciro Gomes (PDT): 12%
  • Branco/Nulo/Nenhum: 26%
  • Não sabe: 3%

Rejeição no 1º turno

  • Lula (PT): 46%
  • Alckmin (PSDB): 34%
  • Bolsonaro (PSC): 30%
  • Haddad (PT): 28%
  • Ciro (PDT): 26%
  • Marina (Rede): 25%
  • L. Genro (Psol): 24%
  • Caiado (DEM): 23%
  • Moro (s/ part.): 22%
  • Eduardo Jorge (PV): 21%
  • Doria (PSDB): 20%
  • J. Barbosa (s/ part.): 16%
  • Votaria em qualquer um/não rejeita nenhum: 3%
  • Não votaria em nenhum: 3%

A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e índice de confiança de 95%. O Datafolha ouviu 2.771 pessoas nos dias 21 e 23 de abril.

Segundo turno

Em relação ao segundo turno, foram feitas oito projeções. São elas:

Cenário 1

  • Lula: 45%
  • Alckmin: 32%

Cenário 2

  • Lula: 45%
  • Doria: 34%

Cenário 3

  • Marina: 40%
  • Lula: 40%

Cenário 4

  • Lula: 45%
  • Bolsonaro: 32%

Cenário 5

  • Marina: 49%
  • Bolsonaro: 27%

Cenário 6

  • Alckmin: 34%
  • Ciro: 31%

Cenário 7

  • Ciro: 34%
  • Doria: 32%

Cenário 8

  • Moro: 44%
  • Lula: 42%
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BRASIL

Janot diz em parecer não ter dúvidas sobre culpa de Temer

Afirmação foi feita em documento entregue ao STF sobre Rocha Loures

BRASÍLIA — A previsão é que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ofereça nesta segunda-feira ou, no máximo, na terça-feira denúncia contra o presidente Michel Temer no Supremo Tribunal Federal (STF). Este será o primeiro passo para que o presidente possa se tornar réu. Em documento protocolado na semana passada, Janot já deu indicativos de que não vai aliviar nas acusações. Entre outras coisas, o procurador-geral disse que não há dúvida de que Temer cometeu crime de corrupção e sugeriu que a manutenção dele na Presidência contribui para a continuidade do cometimento de crimes.

A avaliação de Janot foi feita em um documento de 93 páginas em que ele defendeu a manutenção da prisão de Rochas Loures, ex-deputado e ex-assessor de Temer, apontado como o “homem da mala” do presidente. No texto, Janot disse que é “hialina”, ou seja, cristalina, a atuação conjunta dos dois nos crimes apontados na delação dos executivos do frigorífico JBS.

 

Janot alegou que, caso seja solto, Rocha Loures pode voltar a cometer crimes para ajudar Temer. “Não é lógico nem razoável inferir que o elevado potencial de reiteração delitiva do agravante (Rocha Loures) estaria neutralizado pelo fato de não mais dispor de seu mandato parlamentar. Michel Temer permanece em pleno exercício de seu mandato como Presidente da República”, disse o procurador-geral, concluindo: “o homem ‘da mais estrita confiança’ do atual chefe do Poder Executivo não mede esforços para servi-lo em atos ignóbeis de corrupção passiva e outras negociatas escusas”.

Temer foi gravado, sem saber, por Joesley Batista, dono da JBS. No encontro, Temer sugere que o empresário mantenha boa relação com Eduardo Cunha e elogia quando Joesley diz estar “segurando” dois juízes. Além disso, o empresário pede ajuda para defender seus pleitos no governo e Temer indica Rocha Loures como interlocutor para tudo que o empresário precisar. Segundo Janot, as respostas do presidente, concordando com as práticas do empresário, “foram espontâneas e bastante suspeitas”.

“Não se sustenta, portanto, a versão dada por Michel Temer em seus pronunciamentos públicos segundo a qual indicou Rodrigo Loures para ‘se livrar’ de Joesley, uma vez que as provas demonstram que na verdade a conversa no Palácio do Jaburu foi apenas o ponto de partida para as solicitações e recebimentos de vantagens indevidas que viriam em sequência”, escreveu Janot, finalizando: “quando Michel Temer afirma que ‘não há crime, meus amigos, em ouvir reclamações e me livrar do interlocutor, indicando outra pessoa para ouvir as suas lamúrias’, reconhece que de fato indicou Rodrigo Loures a Joesley Batista”.

De acordo com o procurador-geral, são fartas as provas da atuação do ex-assessor. “Através dele, Temer operacionaliza o recebimento de vantagens indevidas em troca de favores com a coisa pública”, disse Janot, concluindo não haver “ressaibo”, ou seja, vestígio, de “dúvida da autoria de Temer no crime de corrupção”. Como mostra da confiança de Temer em Rocha Loures, Janot destacou sua ida para a Câmara, quando ocupou por alguns meses o cargo de deputado. O ex-assessor era suplente, mas assumiu o cargo enquanto o titular, Osmar Serraglio, ficou à frente do Ministério da Justiça.

LOURES REPRESENTAVA TEMER

“Não se trata aqui de ‘venda de fumaça’, ou seja, de alguém propagandeando uma suposta influência em relação a um agente público”, avaliou Janot, acrescentando: “Loures, que estava ocupando função de confiança no gabinete de Temer no Palácio do Planalto, foi remanejado por interesse de Temer para a Câmara dos Deputados. E mais, representava Temer em diversas articulações políticas a pedido deste, conforme amplamente noticiado na imprensa.”

 

Janot destacou a longa relação entre os dois. Em 2011, quando Temer assumiu o cargo de vice-presidente, ele convidou Rocha Loures para ser seu chefe de gabinete. Em 2014, Temer gravou um vídeo pedindo voto para o ex-assessor, que na época disputava a eleição para deputado. Apesar do esforço, Rocha Loures ficou apenas na suplência. Em 2015, ele se tornou chefe da assessoria parlamentar de Temer na vice-presidência. No mesmo ano, foi nomeado chefe de gabinete da Secretaria de Relações Institucionais. “Todos estes fatos ilustram proximidade e relação de confiança entre os dois denunciados”, concluiu o procurador-geral.

Em outro trecho do documento, Janot voltou a dizer algo que já tinha registrado em outro parecer. Segundo ele, Temer teria feito uma confissão extrajudicial quando, em pronunciamentos, reconheceu ter se encontrado com Joesley e confirmou o teor da gravação feita pelo empresário.

Janot também citou um dos trechos das conversas gravadas de Rocha Loures, em que ele diz que estavam obstruído “os canais tradicionais” de propina: José Yunes e o coronel aposentado da PM paulista João Baptista Lima Filho, ambos amigos de Temer, corroborando a acusação de que o presidente foi beneficiado.

No documento, Janot aponta ainda duas contradições de Temer. Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” em maio, o presidente disse ter achado que Joesley queria se encontrar com ele para tratar da Operação Carne Fraca, que apura irregularidades em frigoríficos. Mas a reunião ocorreu antes da operação se tornar pública. Depois, a assessoria de Temer explicou que ele se confundiu. A outra contradição ocorreu quando o presidente negou ter viajado em um avião de Joesley em 2011 para Comandatuba, na Bahia, dizendo que o percurso foi feito em aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). Depois, teve que desmentir a informação, comunicando que tinha viajado em avião particular, embora não soubesse quem era o dono.

Uma vez protocolada a denúncia de Janot no STF, é preciso ainda aval de dois terços dos deputados — 342 de 513 — para que ela tenha prosseguimento. O regimento da Câmara diz que cabe à presidente do STF, Cármen Lúcia, enviá-la ao Congresso. O regimento do tribunal diz que o relator, o ministro Edson Fachin, pode fazer o encaminhamento sozinho. Fachin vai definir a forma como isso ocorrerá até a chegada da denúncia à corte. Entre outros pontos, ele está analisando se abre prazo para Temer se manifestar antes de o caso seguir ao Congresso.

O presidente é investigado no STF por corrupção passiva, obstrução de justiça e organização criminosa. Há a possibilidade de Janot fatiar a denúncia, iniciando pelo crime de corrupção. Na última sexta-feira, a Polícia Federal (PF) terminou a perícia da gravação da conversa entre Joesley e Temer, concluindo que não houve edição, mas ela ainda não foi juntada ao processo. Assim, a denúncia pelos outros dois crimes pode ficar para depois.

O GLOBO não conseguiu entrar em contato com Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado de Temer. Mas desde que o encontro entre o presidente e Joesley foi revelado, tanto Temer como Mariz vêm negando as acusações.

A TRAMITAÇÃO NA CÂMARA

STF remete pedido à Câmara: O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, enviará ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de abertura do processo. A presidente do STF, Cármen Lúcia, encaminhará o pedido à Câmara dos Deputados.

Defesa. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), recebe o pedido e o encaminha à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A partir daí, a defesa de Temer terá o prazo de dez sessões da Câmara para, se quiser, enviar argumentos de defesa.

 

CCJ analisa. O presidente da CCJ indicará um relator para o caso. A CCJ tem o prazo de cinco sessões (estendível por mais duas sessões por eventual pedido de vistas) para votar o parecer, a favor ou contra o prosseguimento da denúncia.

Votação no plenário. Seja qual for o resultado na CCJ, o parecer será votado no plenário da Casa. Para que seja dada autorização de abertura do processo, são necessários os votos de 342 deputados (dois terços dos 513 parlamentares).

Resultado. Se a Câmara aprovar a abertura de processo, o caso volta para o STF. Assim que o Supremo instaurar a ação penal, Temer se torna réu e terá de se afastar do cargo por até 180 dias. Se a Câmara vetar a abertura do processo, a ação fica suspensa até o fim do mandato do presidente.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/brasil/janot-diz-em-parecer-nao-ter-duvidas-sobre-culpa-de-temer-21518728#ixzz4l6r0oI1e
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