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O mistério de torso de criança no Tâmisa que intriga polícia há 20 anos


Vinte anos atrás, um menino africano foi assassinado e seu torso foi jogado no Rio Tâmisa, em Londres. É o caso de assassinato de criança não resolvido mais longo na história recente da Polícia Metropolitana, a Scotland Yard. Em dezembro de 2006, corpo de Adam foi enterrado em uma sepultura não identificada em um cemitério de Londres
BBC
É o caso de assassinato de criança não resolvido mais longo na história recente da Polícia Metropolitana de Londres, a Scotland Yard. Vinte anos atrás, um menino africano foi assassinado em um ritual brutal, sua cabeça e membros removidos e seu torso jogado no rio Tâmisa.
Recentemente, a Polícia Metropolitana fez um novo apelo à população para compartilhar qualquer informação que possa ajudá-los a resolver o caso.
A identidade do menino permanece um mistério — ele era conhecido simplesmente como “Adam”, nome que lhe foi dado pelos detetives.
Ao longo dos anos, houve prisões e descobertas. Mas ninguém foi acusado de sua morte.
Acompanhamos o caso desde o início, viajando até o lugar onde se pensa que o menino nasceu, no esforço de descobrir o que realmente aconteceu.
Vinte anos depois, conversamos com as pessoas mais próximas do caso. Algumas falaram pela primeira vez.
E visitamos o túmulo não identificado de Adam em um amplo cemitério no sul de Londres.
Confira a seguir.
21 de setembro de 2001: A descoberta
Foi um pedestre que encontrou o corpo.
Aidan Minter estava atravessando a ponte Tower Bridge, no centro de Londres, em direção a uma reunião de negócios.
Dez dias haviam passado após os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos e a cidade ainda estava estranhamente quieta.
“A maré estava bastante alta na época, pensei que fosse um manequim de alfaiate”, lembra Aidan. Ele raramente fala sobre o caso. “Então ele (cadáver) passou por baixo da ponte, e foi quando eu vi o detalhe — as feridas e o próprio corpo.”
A polícia retirou o corpo da água — rio acima — perto do teatro Shakespeare’s Globe.
É uma memória com a qual Aidan vive até hoje. “Penso nele. Nunca vou esquecer isso enquanto viver.”
A primeira semana
O menino, que era negro, pode ter ficado na água por até 10 dias. Ele havia morrido por ter sua garganta cortada. Seus braços, pernas e cabeça foram amputados minuciosamente. Eles nunca foram encontrados.
Não havia sinais de abuso físico ou sexual e ele foi bem alimentado. No corpo, nada além de um short laranja – algo que mais tarde deu aos policiais sua primeira descoberta no caso. A etiqueta “Kids & Company” e o tamanho e a cor só podiam ser encontrados em um pequeno número de lojas na Alemanha.
Nick Chalmers foi um dos policiais designados para o caso — o mais estranho e complexo de sua carreira.
“Definitivamente, você tem um vínculo com um caso e existe esse impulso para encontrar respostas. A única coisa que perdura por mais de 20 anos é a frustração de não termos encontrado todas as respostas”, diz ele.
Chalmers tem um conhecimento enciclopédico do caso e mantém cópias de muitos dos arquivos em casa.
Quase uma semana depois que o corpo foi encontrado, os detetives pediram ajuda ao público no programa Crimewatch da BBC no Reino Unido. Cerca de 60 pessoas telefonaram, mas não houve avanço.
Conexões africanas
Os detetives deram um passo sem precedentes ao dar um nome ao menino, e uma recompensa de 50 mil libras (cerca de R$ 365 mil, em valores atuais) foi oferecida por informações que levassem à condenação por assassinato.
Os testes mostraram que Adam tinha entre quatro e sete anos de idade e viveu na África até pouco antes de sua morte. Traços de xarope para tosse também foram encontrados em seu estômago. Se ele não estava bem, aqueles que o mataram se preocuparam o suficiente para lhe dar remédios? Ou eles usaram o medicamento para deixá-lo sonolento antes do assassinato?
Os especialistas concordam que — como o corpo de Adam foi habilmente esquartejado — foi um assassinato ritualístico. Alguns pensaram que tinha sido um dos raros assassinatos chamados “muti” encontrados no sul da África — quando as partes do corpo de uma vítima são removidas e usadas por feiticeiros como “remédio” para um cliente que quer, por exemplo, fechar um negócio ou garantir boa sorte.
Outros especialistas acreditavam ser mais provável um sacrifício humano com suas origens em uma versão distorcida dos sistemas de crenças iorubanos da Nigéria. Uma oferenda pervertida à deusa Oxum — uma divindade tipicamente associada à água e à fertilidade. As evidências forenses subsequentes deram mais crédito a essa teoria.
Abril de 2002: o apelo de Mandela
Em abril de 2002, a equipe policial viajou para a África do Sul para se encontrar com o ex-presidente do país, Nelson Mandela. Ele apelou em todo o continente para que a família de Adam se apresentasse:
“A Scotland Yard me informa que os primeiros indícios de suas investigações são de que o menino vem de algum lugar da África, então se em algum lugar, mesmo no vilarejo mais remoto do nosso continente, houver uma família sem um filho dessa idade que pode ter desaparecido por volta daquele tempo… entre em contato com a polícia. ”
Julho de 2002: Revelação
Em julho de 2002, assistentes sociais em Glasgow, na Escócia, ficaram preocupadas com a segurança de duas meninas. Elas moravam com a mãe, uma mulher africana com cerca de 30 anos.
Funcionários da Prefeitura municipal encontraram objetos rituais bizarros em sua casa. Em uma audiência pela guarda das crianças, a mulher — Joyce Osagiede — contou uma história de cultos, assassinatos e sacrifícios.
Um policial acho tudo muito estranho e decidiu telefonar para a unidade de homicídios em Londres.
Nick Chalmers, então, vasculhou a casa de Joyce e encontrou roupas com a mesma etiqueta “Kids & Company” e nos mesmos tamanhos dos shorts laranja de Adam. Joyce foi presa.
A polícia exibiu um par de shorts semelhantes aos encontrados no torso de Adam no rio Tâmisa, em janeiro de 2002.
Os policiais estavam convencidos de que Joyce era uma parte importante da história, mas ela estava confusa e sempre mudava de relato. Ela disse que não sabia nada sobre Adam, mas não conseguia explicar a extraordinária coincidência sobre as roupas.
Os policiais não foram capazes de acusar Joyce. Ela permaneceu em Glasgow esperando os resultados de seu pedido de asilo.
Setembro de 2002: conexões com a Nigéria
Em setembro de 2002, um ano depois de Adam ter sido encontrado, um serviço memorial foi realizado na Prefeitura de Londres para celebrar sua vida. Estiveram presentes cerca de 30 policiais, cientistas, patologistas e diversos especialistas envolvidos no caso.
“Provavelmente, a coisa mais próxima que [Adam] tinha de uma família eram as pessoas que o conheciam por causa da investigação”, diz Nick Chalmers.
O trabalho dos peritos continuou e, em dezembro, ficou claro que o DNA de Adam apontava para a ancestralidade da África Ocidental. Testes inovadores em amostras de osso limitaram o local de nascimento de Adam a uma faixa de terra ao redor da cidade de Benin, no sul da Nigéria — a cidade natal de Joyce Osagiede.
Amostras de pólen em seu intestino mostraram que ele vivia no sudeste da Inglaterra apenas alguns dias ou semanas antes de sua morte.
Também em seu estômago havia uma substância incomum feita de argila de rio africano – incluindo vegetação, osso moído e vestígios de ouro e quartzo. A presença de cinzas mostrava que a mistura havia sido queimada antes que a criança fosse forçada a comê-la — talvez isso explique o remédio para tosse, algo doce para engolir a mistura desagradável?
Novembro de 2002: conexão alemã
Joyce Osagiede — a mulher que havia sido presa em Glasgow, mas não acusada — foi deportada depois que o Home Office (Ministério do Interior britânico) rejeitou seu pedido de asilo.
Nick Chalmers e seu chefe, o inspetor Will O’Reilly, viajaram com ela para a Nigéria em um jato particular especialmente fretado. Esperava-se que ela pudesse se abrir durante o voo e revelar informações cruciais sobre o assassinato. Mas ela não fez isso. Os detetives não desceram do avião quando pousaram em Lagos e voaram direto para casa. Joyce então desapareceu.
Pouco depois, a polícia alemã revelou que Joyce morou em Hamburgo até o final de 2001 — a cidade onde os shorts laranja encontrados no corpo de Adam foram comprados.
Mais prisões
Em Londres, no final de 2002, ocorreu o que parecia ser um grande avanço.
Quando a polícia prendeu Joyce, eles descobriram que ela tinha apenas dois contatos em seu telefone — um era para um homem chamado Mousa Kamara. Ele foi localizado em uma casa em Londres. Lá, os oficiais encontraram um crânio de animal perfurado com um prego, poções líquidas e pequenos pacotes contendo o que parecia ser areia ou terra. Havia também uma fita de vídeo rotulada de “rituais” — um drama em que um adulto foi decapitado.
Os itens pareciam estar associados a rituais nigerianos, conhecidos como Juju. Os detetives também descobriram que o nome verdadeiro de Mousa Kamara era, na verdade, Kingsley Ojo. Sem nada que o ligasse diretamente ao assassinato de Adam, ele foi libertado sob fiança.
Mas havia evidências claras de que Ojo estava envolvido no tráfico de pessoas e por isso foi colocado sob vigilância. Poucas horas depois de ser libertado, ele voltou a falar com seus associados criminosos que organizavam a entrada ilegal de nigerianos no Reino Unido. Ele era considerado uma peça importante em uma gangue que contrabandeava pessoas para o país.
Em julho de 2003, após seguir cada movimento seu e identificar seus associados criminosos, 21 homens e mulheres foram presos em ataques coordenados em nove endereços em Londres. Ojo foi um deles.
Outubro de 2003: Feijão-calvário
Botânicos dos Reais Jardins Botânicos de Kew, em Londres, receberam amostras de restos de plantas encontrados no intestino de Adam. Em outubro de 2003, eles chegaram a uma conclusão surpreendente. Adam tinha sido alimentado com partes de duas plantas diferentes.
Primeiro, havia pequenas quantidades do feijão-de-calabar ou feijão-calvário (Physostigma venenosum), tradicionalmente usado em cerimônias de bruxaria na África Ocidental. Nessa dosagem, ele causa paralisia, mas não previne a dor. Em segundo lugar, foram descobertas sementes trituradas da planta Datura, que atua como um sedativo e causa alucinações.
Os detetives acreditavam que a mistura foi dada a Adam antes de sua garganta ser cortada. Isso o teria deixado paralisado e indefeso, mas ainda ciente do que estava acontecendo com ele.
Julho de 2004: Kingsley Ojo preso
A polícia tinha provas suficientes para acusar Kingsley Ojo — não em conexão com a morte de Adam, mas com quatro acusações de contrabando e uso de documentos falsos para obter passaporte e carteira de motorista. Em julho de 2004, ele se declarou culpado e foi condenado a quatro anos de prisão — com a recomendação de que fosse deportado após a libertação.
Ojo, que também era conhecido por uma série de pseudônimos, tinha, segundo os investigadores, comandado uma rede “substancial” que supostamente trouxe centenas de pessoas para o Reino Unido para trabalhar no comércio sexual, como escravas domésticas ou para fraudes de benefícios sociais.
Os detetives esperavam que Ojo ainda pudesse ajudar a decifrar a morte de Adam.
Ficamos sabendo que na prisão de Brixton ele ganhou a reputação de ser um “grande homem”. Ele teria realizado cerimônias em Juju por dinheiro em nome de outros presos, informou um interno à polícia.
Dezembro de 2004: Inquérito
Em dezembro de 2004, o inquérito sobre a morte de Adam registrou um veredicto de homicídio ilegal. Para a Justiça, ele morreu de feridas no pescoço sofridas enquanto ainda estava vivo.
2005: Kingsley Ojo se oferece para colaborar
De sua cela de prisão, Ojo contatou a equipe que investigava a morte de Adam. Ele disse que tinha gravações secretas de Joyce Osagiede gravadas na Nigéria por seus associados. Ele alegou que queria ajudar a rastrear o assassino e limpar seu próprio nome.
Os policiais o entrevistaram no fim do cumprimento de sua pena, enquanto ele esperava a deportação. Ele convenceu a equipe de assassinos de que poderia ajudar — e no final de 2005 foi solto e estava morando no leste de Londres, aparentemente colaborando com o inquérito.
Por mais de dois anos, ele forneceu informações à polícia — a certa altura, alegando que Joyce estava voltando para o Reino Unido. Não era verdade.
Ele também acusou outra mulher de liderar a cerimônia de sacrifício em setembro de 2001. A polícia colocou um policial disfarçado na igreja que ela frequentava por meses — mas os detetives concluíram que não havia sustentação para as alegações.
Em dezembro de 2006, o corpo de Adam foi enterrado em uma sepultura não identificada em um cemitério de Londres.
A cerimônia religiosa contou com a presença de um punhado de policiais que trabalharam no caso desde o início — incluindo o detetive Nick Chalmers e Will O’Reilly, este último logo seria promovido.
2008: Kingsley Ojo é deportado para a Nigéria
Os detetives concluíram que não podiam confiar em Kingsley Ojo — ainda se acreditava que ele usava uma identidade falsa para cometer fraude de benefícios, mesmo depois de ser libertado da prisão. Em 2008, ele foi deportado para a Nigéria.
Ao longo de sua audiência de deportação, Ojo afirmou que sempre “fez o melhor” para ajudar na investigação.
Também na Nigéria, Joyce Osagiede reapareceu e foi entrevistada pela polícia. Ela finalmente admitiu que cuidou de “Adam” quando morou em Hamburgo, no norte da Alemanha — e comprou o short laranja encontrado em seu corpo. Mas ela não disse mais nada e desapareceu novamente.
Depois de anos de tentativas, finalmente conseguimos localizar uma mulher que realmente conheceu Joyce na Alemanha. Ela nunca havia falado com a imprensa.
Ria Matthes, uma assistente social que avalia pedidos de benefícios, encontrou Joyce e suas duas filhas em várias ocasiões quando elas estavam em Hamburgo. Ela também se lembra de ter visto Joyce duas vezes com um menino no verão de 2001, que ela agora acredita que possa ser Adam. O que a tornaria uma das últimas pessoas a vê-lo vivo.
“Penso sobre o caso com frequência”, diz ela. “Para mim, ele era uma criança muito tímida — embora atenciosa. Ele era completamente introvertido e retraído. Ele permaneceu no mesmo lugar e não se moveu.”
Joyce tratava o menino como se fosse um “mal necessário para ela”, diz Ria. “[Era] como se ela tivesse que arrastá-lo junto com ela porque talvez não quisesse deixá-lo fora de sua vista ou como se o levasse junto para que ele não tivesse que ficar sozinho.”
2011: Foto de Adam
Por três anos, as investigações continuaram, mas sem novas pistas significativas. Mas quando os detetives revistaram os pertences de Joyce Osagiede deixados com um amigo na Alemanha, eles encontraram uma pilha de fotos. Uma delas mostrava um menino de cerca de cinco anos olhando diretamente para a câmera — a imagem havia sido registrada em 2001.
O detetive Nick Chalmers estava cético sobre se poderia ser Adam, mas, desde então, ele havia deixado a investigação e uma nova equipe de detetives assumido o caso. No início de 2011, a foto foi entregue à emissora britânica ITV News, que tentou rastrear Joyce na Nigéria.
Joyce disse que Adam era de fato o menino da foto — e seu nome verdadeiro era Ikpomwosa. Ela disse que cuidou do menino, mas o deu a um homem chamado Bawa. Por um tempo, parecia que o mistério sobre a identidade de Adam havia sido resolvido.
Mas os detetives não conseguiram identificar o menino ou levar a investigação adiante.
2012: Um encontro com Joyce na Nigéria
Um ano depois, descobrimos o porquê. Do nada, o irmão de Joyce, Victor, entrou em contato comigo da Nigéria. Ele disse que houve um mal-entendido — o menino da fotografia não era Adam e seu nome não era Ikpomwosa. Ele e Joyce queriam esclarecer as coisas.
Viajamos para a Cidade do Benim com Nick Chalmers, que já havia se aposentado do Met. Encontramos Joyce morando em uma pequena casa em um bairro degradado — estava feliz em nos ver, mas às vezes parecia confusa. Ela era conhecida por ter problemas de saúde mental.
Joyce nos disse que o menino da foto se chamava, na verdade, “Danny” — que conseguimos localizar em Hamburgo.
Joyce também sugeriu outro nome para Adam. Ela o chamou de Patrick Erhabor – algo que não pudemos verificar.
Finalmente, mostramos a Joyce mais uma fotografia. Ela imediatamente identificou o homem como alguém que ela chamou de “Bawa” — a pessoa para quem ela disse ter dado Adam na Alemanha em 2001. A foto era do traficante Kingsley Ojo. Foi a primeira vez que ela fez tal alegação.
Conseguimos localizar Ojo na Nigéria — ele não nos encontrou, mas concordou em falar ao telefone. Ele insistiu que não teve envolvimento no assassinato de Adam. Na verdade, não há evidências que o liguem ao assassinato.
Mas o ex-detetive acredita que ainda pode ter a chave para decifrar o caso.
Respondendo à reportagem, que foi transmitida no início de 2013, um porta-voz do Met disse que qualquer nova informação seria “minuciosamente investigada”.
2021: Um caso ainda arquivado
Desde 2013, a investigação tornou-se efetivamente um “caso arquivado”, sem novas linhas de investigação significativas.
Mas houve um grande desdobramento.
Mantivemos contato com o irmão de Joyce, Victor, e no ano passado ele me revelou que Joyce havia morrido. Um dos últimos links restantes para o caso Adam, e potencialmente uma testemunha crucial, não está mais entre nós.
Aidan Minter, o homem que avistou o corpo no rio, foi diagnosticado com transtorno de estresse pós-traumático agudo. Ele diz que se sentiu totalmente desamparado, sabendo que sua descoberta era filho de alguém.
“É o choque de — por que está aí? Quem fez isso? Essa é a coisa mais difícil. Era um menino cuja vida foi tirada em algum tipo de assassinato ritualístico.”
Para o detetive aposentado Nick Chalmers, a falta de respostas é profundamente frustrante.
“Esta era uma criança inocente. Há pessoas responsáveis por sua morte que não foram levadas à justiça.
“Vinte anos depois, gostaria que soubéssemos a identidade de Adam — e de seus pais. Na realidade, ele é uma criança desaparecida de uma família, que provavelmente não sabe que está enterrado aqui em Londres.”
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

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Bolsonaro na ONU, bate-boca na CPI, vulcão nas Ilhas Canárias: os vídeos mais vistos da semana


As imagens que impactaram o Brasil e o mundo entre 20 a 24 de setembro. As imagens que impactaram o Brasil e o mundo entre 20 a 24 de setembro.

Fonte: G1 Mundo

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ONU consulta Brasil sobre receber haitianos acampados na fronteira entre EUA e México, diz agência


A OIM (braço das Nações Unidas para migração) pediu ao governo Bolsonaro que receba haitianos que têm filhos brasileiros ou que passaram pelo Brasil antes de entrarem no México. Um agente da patrulha de fronteira dos EUA tenta impedir um imigrante de chegar ao território do país, em 19 de setembro de 2021
Paul Ratje / AFP
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) consultou formalmente o Brasil para saber se o país pode receber alguns dos haitianos que estão acampados na fronteira entre os Estados Unidos e o México, segundo a agência de notícias Reuters.
Sem mencionar o pedido da OIM — braço da ONU para migração —, o Itamaraty afirmou em nota que “o tema foi tratado em conversas entre autoridades de diversos países e está sendo analisado à luz da legislação vigente”.
O pedido da OIM ocorre no momento em que o presidente dos EUA, Joe Biden, enfrenta uma pressão crescente para resolver mais uma crise migratória, com milhares de haitianos tentando entrar ilegalmente no país.
Crise migratória
Eles estão reunidos embaixo de uma ponte no Texas, ao norte do Rio Grande e perto da fronteira com o México, mas o governo americano começou a deportá-los de volta ao Haiti.
Cerca de 12 mil haitianos devem ser expulsos dos EUA, em uma crise que já proporcionou cenas chocantes como a de agentes a cavalo “caçando” imigrantes (veja na foto acima e no vídeo abaixo).
Estados Unidos começam a deportar centenas de imigrantes haitianos
O enviado especial dos EUA para o Haiti, Daniel Foote, renunciou ao cargo na quinta-feira (23), dois meses após a sua nomeação, devido à crise.
Em uma carta, o enviado especial do Departamento de Estado denunciou as deportações do governo Biden e afirmou: “Não vou me associar à decisão desumana e contraproducente”.
Quem pode ser enviado ao Brasil
A OIM pediu ao Brasil que receba haitianos que têm filhos brasileiros ou que passaram pelo Brasil antes de entrarem no México, disseram duas fontes à Reuters. Elas dizem que o primeiro pedido tem mais probabilidade de ser aceito.
Procurada, a OIM disse, por meio de seu escritório mexicano, que tem “um programa de retorno voluntário que auxilia imigrantes de várias nacionalidades”. Sem dar maiores detalhes, a entidade disse que “a implantação deste programa exige um acordo entre os países envolvidos”.
VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Vulcão em erupção nas Canárias: casa escapa por ‘milagre’ da lava; veja imagem


O vulcão da ilha espanhola La Palma está em erupção desde o último domingo, destruindo centenas de casas. A residência está sendo chamada de ‘casa milagrosa’ por ter escapado da lava do vulcão
Alfonso Escalero via BBC
Uma imagem dramática mostra uma casa nas Ilhas Canárias que conseguiu escapar da lava do vulcão em erupção.
Nas redes sociais, as pessoas apelidaram a residência, localizada na ilha espanhola La Palma, de “casa milagrosa”.
O vulcão Cumbre Vieja começou a entrar em erupção no domingo (19). Desde então, mais de 300 moradias foram destruídas e cerca de 6 mil pessoas tiveram que deixar suas casas às pressas.
A lava do vulcão ainda está avançando, e os cientistas não têm certeza de quanto tempo a erupção vai durar.
Lava do vulcão destrói tudo pelo caminho na ilha de La Palma, na Espanha, em 23 de setembro de 2021. O vulcão entrou em erupção no domingo (19) nas Canárias, um arquipélago espanhol formado por 8 ilhas no Oceano Atlântico, e forçou a evacuação de milhares de pessoas.
Emilio Morenatti/Pool via Reuters
A imagem foi registrada pelo fotógrafo Alfonso Escalero e mostra a casa cercada por rios de lava do vulcão.
O imóvel é propriedade de um casal dinamarquês aposentado, Inge e Ranier Cocq, que não visitam a ilha desde o início da pandemia da Covid-19, segundo o jornal “El Mundo”.
Ada Monnikendam, responsável pela construção da casa junto ao marido, contou à publicação que havia conversado com o casal, que teria dito a ela: “Mesmo que não possamos ir agora, estamos aliviados por ainda estar de pé”.
Lava da erupção do vulcão envolve casa em La Palma, nas Ilhas Canárias, em 23 de setembro de 2021 na Espanha
Emilio Morenatti/Pool via Reuters
Segundo Monnikendam, o casal tem amigos na região que perderam tudo por causa da erupção do vulcão. A lava invadiu casas, escolas e algumas plantações de banana.
“Eles não querem falar com ninguém porque não param de chorar”, diz Monnikendam. Sobre a fotografia, ela afirmou que é “triste saber que a casa está ali sozinha, sem ninguém poder cuidar dela”.
Autoridades locais dizem que a lava pode desencadear uma reação química capaz de provocar explosões e liberação de gases tóxicos se atingir o mar.
Moradores olham de uma colina enquanto a lava flui do vulcão em erupção na ilha de La Palma , na Espanha, em 24 de setembro de 2021. O vulcão nas Ilhas Canárias, um território espanhola no Oceano Atlântico, continua a produzir explosões e a expelir lava cinco dias após entrar em atividade.
Emilio Morenatti/AP
No entanto, na quinta-feira (23), especialistas disseram que a lava atualmente está se movendo “muito lentamente”. E não está claro agora se chegará ao mar.
O governo das Ilhas Canárias anunciou planos para comprar dois conjuntos habitacionais para os desabrigados.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, voou diretamente de La Palma para Nova York, onde cumpriu uma agenda reduzida na Assembleia Geral da ONU, para poder voltar às Ilhas Canárias e supervisionar as operações de emergência.

Fonte: G1 Mundo

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Erupção de vulcão se intensifica nas Canárias, e mais 3 cidades são evacuadas


As companhias aéreas espanholas Iberia e Binter anunciaram o cancelamento de alguns voos para La Palma devido ao vulcão. A erupção e suas consequências podem durar até 84 dias. Erupção do vulcão na ilha de La Palma, na Espanha, em 23 de setembro de 2021. Ele entrou em atividade em uma pequena ilha espanhola nas Canárias, no Oceano Atlântico, no domingo (19) e forçou a evacuação de milhares de pessoas.
Emilio Morenatti/Pool via Reuters
Autoridades da ilha de La Palma, na Espanha, ordenaram nesta sexta-feira (24) a evacuação das cidades de Tajuya, Tacande de Abajo e da parte de Tacande de Arriba devido à erupção do vulcão nas Canárias.
Os serviços de emergência ordenaram inicialmente que os moradores dessas cidades ficassem em casa, mas a orientação mudou devido à intensificação da atividade vulcânica no parque nacional Cumbre Vieja, no sul da ilha.
O Instituto de vulcanologia das Canárias disse na quinta-feira (23) que a nuvem de gás tóxico e cinzas já se estende por mais de 4 quilômetros no céu.
Voos cancelados
Moradores olham de uma colina enquanto a lava flui do vulcão em erupção na ilha de La Palma , na Espanha, em 24 de setembro de 2021. O vulcão nas Ilhas Canárias, um território espanhola no Oceano Atlântico, continua a produzir explosões e a expelir lava cinco dias após entrar em atividade.
Emilio Morenatti/AP
As companhias aéreas espanholas Iberia e Binter anunciaram nesta sexta que cancelaram alguns voos para La Palma devido ao vulcão (até então, o espaço aéreo da ilha continuava aberto).
“A evolução da nuvem de cinzas nos últimos dias forçou a companhia aérea a mudar sua programação, a partir de hoje, sexta-feira, 24 de setembro, cancelando voos para a ilha à noite”, anunciou Binter em um comunicado.
A companhia aérea não especificou quantos voos serão afetados, mas disse que o restante de suas operações continuam conforme o planejado. A Iberia anunciou que cancelou um voo na tarde de hoje por causa do vulcão.
Vulcão em erupção expele lava na ilha de La Palma na Espanha, em 23 de setembro de 2021. Ele entrou em atividade em uma pequena ilha nas Canárias, no Oceano Atlântico, no domingo (19) e forçou a evacuação de milhares de pessoas de suas casas.
Emilio Morenatti/AP
O vulcão entrou em erupção no domingo (19) em La Palma, uma pequena ilha nas Canárias no Oceano Atlântico que é território espanhol, e forçou a evacuação de milhares de pessoas.
Ele já destruiu 320 construções e 154 hectares de terra até o momento, descendo lentamente em direção ao mar.
Especialistas dizem que a erupção vulcânica e suas consequências podem durar até 84 dias e que sua lava pode gerar gases tóxicos se chegar ao mar.
Veja todos os VÍDEOS sobre a erupção do vulcão:

Fonte: G1 Mundo

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Família criminosa de origem cigana passa a ser considerada um clã mafioso pela Itália


A família Casamonica vive em Roma, e não no sul da Itália, como a maioria dos clãs mafiosos do país. Policial ao lado de um berço de uma criança da família Casamonica, em imagem de novembro de 2018
Alberto Pizzoli / AFP
A Justiça da Itália decidiu nesta semana que a família Casamonica é uma associação mafiosa e condenou cinco de seus integrantes a penas de até 30 anos de prisão por tráfico de drogas, extorsão e agiotagem.
Os Casamonica apareceram com destaque na imprensa italiana em 2015, durante o velório do “tio Vittorio”. O caixão dele percorreu as ruas em um carro fúnebre dourado puxado por cavalos. Um helicóptero lançou pétalas de rosa e cartazes espalhados na área da igreja em que aconteceu o funeral o apresentaram como o “rei de Roma”, enquanto os convidados eram recepcionados com a trilha sonora do filme “O Poderoso Chefão”.
Veja abaixo uma reportagem de 2019 sobre uma ação da Justiça italiana contra clãs mafiosos.
Polícias da Itália e EUA lançam operação contra a máfia
Os Casamonica foram considerados por muito tempo um grupo criminoso, violento, mas local (mesmo que se soubesse de declarações de alguns membros da família, registradas em conversas grampeadas, de que teriam condições de desafiar os clãs mafiosos tradicionais).
Isso mudou esta semana, com a decisão da Justiça. “É um veredicto muito importante porque destrói a ilusão de que não há máfia em Roma”, diz Nando Della Chiesa, professor de sociologia especializado em crime organizado da Universidade de Milão.
“A cidade tem dificuldades para aceitar o fato de que não há apenas elementos de poderosas máfias calabresa (‘Ndrangheta) e napolitana (Camorra), mas que também existe uma máfia local”, afirma Della Chiesa.
Os Casamonica têm suas raízes na comunidade cigana. Eles chegaram a Roma em 1939 procedentes da região de Abruzzo.
Na época da morte do patriarca Vittorio, em 2015, seus descendentes eram conhecidos pela polícia por suas atividades como agiotas, com uma preferência por roupas chamativas e bijuterias.
Vittorio aprendeu o negócio da agiotagem com um amigo do submundo de Roma nos anos 1970, Enrico Nicoletti, apelidado de “caixa” da gangue Magliana, grupo que controlava o tráfico de drogas na capital.
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Casamento com o clã
Assim como Nicoletti, o “tio Vittorio” tinha contatos que tinham cargos em instituições importantes, como a polícia e o Vaticano, de acordo com uma testemunha.
Depois de fazer fortuna, a família construiu mansões com piscinas adornadas com mármore, móveis dourados e grandes estátuas de cavalos, uma referência às origens como comerciantes de cavalos.
Em 2018, a prefeita de Roma, Virginia Raggi, ordenou a destruição de oito imóveis construídos sem permissão que pertenciam aos Casamonica, decorados com tronos, falsos afrescos e leões.
Depois de estabelecer vínculos com traficantes colombianos, eles entraram no tráfico de cocaína.
Em 2012, 32 membros do clã foram presos. Quando as autoridades foram avaliar os bens apreendidos, notaram que eram avaliados em milhões de euros.
Os Casamonica não têm líder, mas funcionam como um “arquipélago” de ilhas unidas por casamentos arranjados, segundo um relatório do Observatório do Crime Organizado (CROSS).
As mulheres têm um papel importante, mas não são autorizadas a trabalhar fora de casa. As adolescentes são retiradas do sistema escolar após a primeira menstruação.
As relações amorosas com mulheres não ciganas são consideradas perigosas, segundo o relatório.
Testemunhar contra a família
Uma das testemunhas mais importantes, Debora Cerreoni foi intimidada antes de prestar seu depoimento. Ela é a ex-esposa de Massimiliano Casamonica, e aceitou testemunhar contra a antiga família depois de ser controlada, humilhada e ameaçada durante anos.
“Destruíram minha vida. Eu não me casei apenas com Massimiliano, e sim com todo o clã”, declarou no ano passado Cerreoni ao tribunal.
Após uma tentativa de fuga, “ameaçaram me dissolver em ácido”, afirmou.
Por fim, ela conseguiu escapar, e seu depoimento foi crucial para ajudar os investigadores a compreender o mundo dos Casamonica e, em particular, seu idioma, uma mistura de cigano, dialeto de Abruzzo e gíria romana.
“O impacto deste veredicto no clã ainda não está claro, mas uma coisa é certa: eles não gozam mais da impunidade da qual podem ter sido beneficiados antes”, afirma Nando Dalla Chiesa.
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Fonte: G1 Mundo

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5 alpinistas morrem durante escalada no maior pico da Europa


Outras 14 pessoas foram resgatadas, segundo o Ministério de Emergências da Rússia. Monte Elbrus tem 5.642 metros de altitude e fica nas montanhas do Cáucaso. Vista aérea das montanhas do Cáucaso, na Rússia, com o monte Elbrus (5.642 m) ao fundo, em foto de 9 de outubro de 2020. Cinco alpinistas morreram após uma nevasca no Monte Elbrus, o pico mais alto da Europa, em 24 de setembro de 2021.
Kirill Kudryavtsev/AFP
Uma tempestade repentina matou cinco pessoas que escalavam o monte Elbrus, o maior pico da Europa, informaram nesta sexta-feira (24) equipes de emergência russas.
O Elbrus tem 5.642 metros de altitude e fica na montanhas do Cáucaso, na Rússia.
“Conseguimos salvar 14 pessoas, que foram transportadas e atendidas por equipes médicas. Lamentavelmente, cinco pessoas morreram”, afirmou o Ministério de Emergências da Rússia em um comunicado.
Os 19 alpinistas ficaram presos a mais de 5 mil metros de altura, quando as condições meteorológicas mudaram de maneira repentina.
Depois de receber um alerta, o serviço de emergência enviou uma equipe de 69 pessoas e 16 veículos para o resgate.
“Os socorristas trabalharam em condições muito difíceis. A força do vento alcançou entre 40-70 metros por segundo e a temperatura caiu a 20 graus negativos”, explicou o ministério.
A operação de resgate durou quase cinco horas e só terminou durante a madrugada de sexta-feira.
Citado pela agência de notícias TASS, Denis Alimov, que organizou a escalada, afirmou que uma mulher da expedição passou mal na manhã de quinta-feira e decidiu retornar com um guia.
Apesar do abandono, o restante do grupo prosseguiu até ser surpreendido pela tempestade.
A mulher faleceu durante a descida, segundo Alimov.

Fonte: G1 Mundo

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Líder separatista que declarou independência da Catalunha em 2017 é detido na Itália


Carles Puigdemont era presidente do governo regional catalão durante a declaração de independência frustrada de 2017. Ele vive na Bélgica e foi preso ao viajar para a Sardenha. Ex-líder catalão Carles Puigdemont mostra crachá do Parlamento Europeu em Bruxelas em 20 de dezembro de 2019
Johanna Geron/Reuters
Carles Puigdemont, que foi presidente do governo regional da Catalunha durante a declaração de independência frustrada de 2017, foi detido na ilha italiana da Sardenha na quinta-feira (23), após quatro anos foragido da justiça espanhola.
“O presidente Puigdemont foi detido em sua chegada à Sardenha, onde estava como eurodeputado”, anunciou seu advogado, Gonzalo Boye, em uma rede social. Boye disse que a detenção na Itália ocorreu em cumprimento a uma ordem judicial europeia de 14 de outubro de 2019.
Puigdemont está morando desde 2017 em Bruxelas, na Bélgica, e viajou a Alguer, na Sardenha, para participar de um festival de cultura catalão, segundo o encarregado de seu gabinete, Josep Lluis Alay.
“Quando chegou ao aeroporto de Alguer, foi retido pela polícia fronteiriça italiana”, explicou Alay nas redes sociais. “O presidente será colocado à disposição dos juízes da corte de apelação de Sassari, que é competente para decidir por sua libertação ou extradição”.
Repercussão da prisão
O governo da Espanha, que iniciou um processo de diálogo com o governo regional catalão, se limitou a comentar que a detenção “obedece a um procedimento judicial em curso, aplicado a qualquer cidadão na União Europeia que deve responder por seus atos”.
O governo do socialista Pedro Sánchez afirmou que “respeita as decisões das autoridades e tribunais italianos, assim como sempre fez com os tribunais espanhóis e europeus”.
Nas redes sociais, separatistas catalães estão convocando a manifestações em frente ao consulado italiano em Barcelona. Um outro líder separatista, Quim Torra, pediu a seus correligionários que “ficassem em alerta máximo.”
Tentativa de independência frustrada
Puigdemont, de 58 anos, chegou inesperadamente à presidência do governo regional catalão em 2016, após a renúncia de Artur Mas e sem ocupar cargos de liderança.
Ele liderou um movimento separatista em 2017 que causou uma crise institucional na Espanha. O político proclamou a independência da Catalunha e na sequência suspendeu a decisão para negociar com o governo espanhol.
Mas o então governo espanhol, do primeiro-ministro Mariano Rajoy se recusou a dialogar e interveio na administração regional, convocando eleições autônomas e invalidando a tentativa de independência.
Sem imunidade parlamentar
Puigdemont se estabeleceu em Bruxelas, não cumprindo a determinação da justiça espanhola para que ele voltasse ao país. Seus companheiros do governo acabaram sendo julgados, como seu vice-presidente Oriol Junqueras, condenado a 13 anos de prisão, e finalmente indultado em 2021 pelo governo espanhol de Pedro Sánchez, como os demais indiciados.
Enquanto eurodeputado, Puigdemont deveria gozar de imunidade, mas o Tribunal Geral da União Europeia decidiu no fim de julho que não era o caso e manteve a suspensão de sua imunidade legislativa, decidida pelo Parlamento Europeu.
A justiça espanhola acusa Puigdemont de sedição e malversação de recursos pela tentativa de independência da Catalunha em 2017, e exige sua extradição. A corte destacou que “nada permite considerar que as autoridades judiciais belgas ou que as autoridades de outro Estado-membro possam executar as ordens de detenção europeias proferidas contra os deputados e entregá-los às autoridades espanholas”.
A detenção de Puigdemont provocou um terremoto de reações na política espanhola. “A Espanha dialoga sempre da mesma maneira”, lamentou nas redes sociais seu sucessor, Quim Torra. O líder da oposição, o conservador Pablo Casado pediu que seja julgado na Espanha e lançou uma mensagem ao presidente do governo: “Puigdemont deve ser julgado na Espanha por seu golpe à legalidade constitucional e Sánchez deve se comprometer a respeitar a sentença da Justiça sem indultos em troca de permanecer no poder”.

Fonte: G1 Mundo

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O que explica aumento histórico de homicídios nos EUA?


Ano foi marcado por pandemia, crise econômica, explosão na venda de armas de fogo e protestos contra racismo e brutalidade policial. Americanos fazem vigília após a morte da influencer Gabby Petito
Um relatório anual do FBI (a polícia federal americana) que será divulgado oficialmente na próxima semana confirma o que analistas já vinham antecipando desde meados do ano passado: em 2020, os Estados Unidos registraram um aumento sem precedentes na taxa de homicídios.
Segundo os dados divulgados previamente no site do FBI e detalhados inicialmente pelo analista e especialista em segurança pública Jeff Asher em artigo no jornal “The New York Times”, a taxa de homicídios nos Estados Unidos aumentou 29% de 2019 para 2020.
FBI afirma que 77% dos homicídios em 2020 foram cometidos com armas de fogo, o maior percentual já registrado
George Frey/AFP via Getty Images/Via BBC
Esse foi o maior aumento de um ano para o outro desde 1960, quando os dados nacionais começaram a ser coletados. A alta de 2020 é mais de duas vezes maior do que o maior salto registrado até então, em 1968, quando a taxa de homicídios cresceu 12,7% em relação ao ano anterior.
Em 2020, foram registrados 6,55 homicídios por cada 100 mil pessoas. No ano anterior, a taxa era de 5 a cada 100 mil.
Homenagens lembram aniversário de 1 ano da morte de George Floyd
Foram quase 21,5 mil homicídios em 2020, aumento de cerca de 4,9 mil sobre o ano anterior. Em números absolutos, o maior aumento até então havia ocorrido em 1990, quando foram registrados 1.938 homicídios a mais do que no ano anterior.
O salto ocorreu em todas as regiões do país, tanto em grandes centros urbanos quanto em cidades pequenas, e tanto em municípios governados por democratas quanto por republicanos.
“Foi um aumento nacional, o que sugere que foi influenciado por fatores nacionais”, diz Asher à BBC News Brasil. “E isso significa que será um desafio reduzir (esses números)”, ressalta Asher, que é co-fundador da empresa AH Datalytics.
Dados anteriores
Asher ressalta que os números do FBI ainda podem sofrer pequenos ajustes até a divulgação oficial, na semana que vem, mas eventuais mudanças não devem alterar a interpretação dos dados.
Os números confirmam análises anteriores divulgadas por especialistas em segurança pública.
Em relatório do início deste ano, a Comissão Nacional sobre Covid-19 e Justiça Criminal, ligada ao centro de pesquisas Council on Criminal Justice (Conselho sobre Justiça Criminal), já previa aumento de 30% na taxa de homicídios em 2020, com base em dados de 34 cidades.
O aumento nos homicídios ocorreu ao mesmo tempo em que outros tipos de crime, como roubos, caíram em 2020.
Asher ressalta que crimes contra propriedade registraram seu 18º ano consecutivo de queda no ano passado, resultado provavelmente influenciado pelo fechamento de vários estabelecimentos comerciais por causa da pandemia.
Pandemia
Especialistas afirmam que é difícil apontar para um único fator que explique o aumento histórico, em um ano marcado pela pandemia de coronavírus, crise econômica, explosão na venda de armas de fogo e protestos contra racismo e brutalidade policial que levaram milhões de pessoas às ruas em todo o país.
“Os criminologistas ainda estão debatendo o que causou a queda de homicídios a partir do fim dos anos 1990”, lembra Asher.
“Diversos fatores parecem fazer sentido (em 2020)”, afirma, ressaltando que não há dados suficientes para dizer o grau com que cada um desses fatores influenciou os números.
Alguns apontam para os efeitos da pandemia de Covid-19, com o stress devido ao temor da doença e ao isolamento nos meses iniciais, quando escolas, igrejas, bares e locais de lazer foram fechados em diversas partes do país.
A pandemia também levou à redução em programas de prevenção de violência e aconselhamento, interrompidos em várias comunidades por causa da necessidade de distanciamento social.
Além disso, milhões de americanos perderam o emprego e enfrentaram problemas financeiros em decorrência da pandemia.
Protestos
A partir do fim de maio, a morte de George Floyd, um americano negro morto sob custódia de um policial branco, desencadeou protestos em todo o país, em meio a pedidos de reformas e, em alguns casos, de corte de verbas e redução do papel da polícia.
Uma das teorias é a de que esses protestos possam ter resultado em uma diminuição no policiamento de determinadas comunidades, tanto por iniciativa dos próprios policiais quanto por decisão dos moradores, que teriam deixado de chamar a polícia por falta de confiança.
VÍDEO: Homem negro é morto perto do local onde George Floyd foi asfixiado
Mas muitos analistas salientam que não há dados suficientes para comprovar que isso tenha provocado a alta em homicídios, e lembram que já era registrado aumento na violência nos meses anteriores aos protestos.
“É difícil estabelecer uma relação causal”, ressalta Asher.
Armas
Outro fator importante é o aumento no comércio de armas de fogo registrado no ano passado.
Segundo o FBI, 77% dos homicídios em 2020 foram cometidos com armas de fogo, o maior percentual já registrado.
Desde o início da pandemia, vendedores de armas ao redor do país vinham relatando uma explosão nas vendas, com lojas lotadas, longas filas nas calçadas e temor de que os estoques de munição não fossem suficientes para atender à demanda.
Calcula-se que quase 40 milhões de armas tenham sido vendidas legalmente no país em 2020, o maior número desde que o FBI começou a coletar esses dados, em 1998.
Contexto histórico
Ainda é cedo para saber se a tendência de aumento na taxa de homicídios irá se manter no longo prazo, mas dados preliminares indicam que 2021 deverá registrar novo salto, apesar de menor do que o de 2020.
Ao analisar uma amostra de 87 cidades americanas com dados pelo menos até o final de junho, Asher verificou aumento de 9,9% no número de homicídios em comparação com o mesmo período do ano passado.
Em Las Vegas, o crescimento já é de mais de 62%. Em Portland, no Estado de Oregon, supera 81%. Mas pelo menos sete cidades não registraram aumento, e em outras 22 houve queda.
Sempre que há aumento na violência nos Estados Unidos, analistas costumam ressaltar que as taxas de criminalidade ainda continuam bem abaixo do que eram nos anos 1980 e 1990.
Isso também vale para 2020 mas, segundo Asher, não deve ser motivo de conforto.
“(Os números de 2020) representam uma redução em comparação aos anos 1990, o que é bom”, afirma. “Mas também representam um aumento de 47% sobre a baixa histórica registrada em 2014.”
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Fonte: G1 Mundo

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Irmã de Kim Jong-un, da Coreia do Norte, pede à Coreia do Sul o fim das ‘políticas hostis’, mas elogia a proposta de acabar formalmente com a guerra

Os dois países entraram em guerra em 1950. O conflito armado terminou em 1953 com uma trégua, mas nunca houve um acordo de paz. Nesta semana, o presidente sul-coreano propôs Coreia do Norte testa novo “sistema de mísseis ferroviários”
Kim Yo-jong, a irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, pediu nesta sexta-feira (24) à Coreia do Sul que abandone as “políticas hostis” contra o governo da Coreia do Norte.
O conflito na península coreana começou em em 1950 e terminou em 1953 com uma trégua, mas um acordo de paz nunca foi assinado, o que significa que, formalmente, os dois países ainda estão em guerra.
Em um discurso na Assembleia Geral da ONU esta semana, o presidente sul-coreano Moon Jae-in propôs uma declaração para acabar oficialmente com o conflito, acrescentando que isto estimularia um “progresso irreversível na desnuclearização e levaria a uma época de paz completa”.
Em declarações publicadas pela agência oficial KCNA, a irmã e assessora de Kim Jong Un, Kim Yo -jong, disse a ideia de formalizar a paz é uma “ideia admirável”, mas pediu ao Sul que abandone a atitude hostil em primeiro lugar.
Fazer estas declarações com “padrões duplos, preconceitos e políticas hostis ainda em vigor não faz nenhum sentido”, disse Kim Yo-jong. Ela se mostrou aberta a melhorar as relações com a Coreia do Sul caso o país vizinho mude de atitude.
Coreia do Sul lança míssil a partir de submarino
A troca de declarações acontece em um momento de aumento da tensão na península: a Coreia do Norte fez dois testes balísticos este mês, e a Coreia do Sul anunciou o lançamento, com sucesso, de mísseis balísticos a partir de um submarino, parte do desenvolvimento de suas capacidades defensivas.
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Fonte: G1 Mundo