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Desabamento em Miami: ‘Tenho medo de que meu prédio seja o próximo a desmoronar’


Moradores de áreas costeiras de Miami Beach e da Flórida também estão preocupados com desvalorização de imóveis e de necessidade de reformas milionárias. Moradores de um prédio a poucos quilômetros de Surfside tiveram que evacuar devido a danos estruturais
Getty Images via BBC
O recente desabamento de um prédio em Miami, nos Estados Unidos, a poucos quilômetros de sua casa levou Sergio, um espanhol que mora na área turística de South Beach, na popular Miami Beach, a tomar uma decisão radical.
“Decidi vender meu apartamento. Tinha comprado em 2014, mas depois de sete anos morando lá, com isso, para mim, foi o suficiente”, conta ele à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.
Como aconteceu com Sergio, a queda parcial do prédio Champlain Towers South se tornou um alerta trágico e um medo recorrente para aqueles que vivem nas áreas costeiras da Flórida.
O desabamento já custou a vida de mais de 20 pessoas e 120 seguem desaparecidas.
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“Quando essas coisas acontecem, as pessoas se preocupam muito por dois motivos: primeiro, porque os regulamentos podem mudar e mais controles podem ser exigidos das associações de proprietários que os moradores terão de pagar. Isso se traduz em mais dinheiro por ano, mas também há o medo de que seu prédio seja o próximo a desabar”, diz Sergio.
Enquanto operação de busca e resgate continua, causas do colapso do edifício Champlain Towers ainda não são conhecidas
Getty Images via BBC
As circunstâncias da queda das Torres Champlain Sul ainda não estão claras.
E, embora os engenheiros estruturais entrevistados pela BBC News Mundo concordem que o colapso foi “extremamente raro” e acreditem que o risco de uma situação semelhante seja baixo, denúncias vêm surgindo sobre potenciais problemas estruturais em condomínios à beira-mar.
“Nos últimos dias, vimos inúmeras denúncias deste tipo que terão de ser estudadas”, conta à BBC News Mundo Atorod Azizinamini, professor de engenharia civil e diretor da Moss School of Construção, Infraestrutura e Sustentabilidade da Universidade Internacional da Flórida (FIU, na sigla em inglês).
Este é o prédio em North Miami Beach que foi esvaziado no dia 2 de julho por precaução. Ele fica a dez milhas daquele que desabou em Surfside
Getty Images via BBC
“De certa forma, o fato de haver rachaduras ou outras falhas visíveis não é um problema que determine necessariamente que o prédio desmoronará. Mas depois disso é compreensível o medo de muitas pessoas e as autoridades devem ser pró-ativas para tentar acalmar e evitar eventos semelhantes”, diz ele.
Desde a semana passada, a prefeita de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, anunciou uma inspeção de emergência dentro de 30 dias para garantir a segurança de todos os edifícios com mais de cinco andares no condado que tenham 40 anos ou mais.
Na sexta-feira (2), um dos 156 prédios na região de North Miami Beach, a 10 km do desabamento em Surfside, foi o primeiro a ser evacuado depois que problemas estruturais e elétricos foram detectados durante a inspeção que o identificou como “inseguro” para seus moradores (veja no vídeo abaixo).
Condomínio próximo a prédio que caiu é esvaziado por danos estruturais em Miami
Incerteza
Os analistas imobiliários ainda não sabem qual será o impacto econômico no sul da Flórida, que vive um boom nas vendas de condomínios desde meados de 2020.
“É impossível saber neste momento qual será o impacto. É muito cedo: toda a atenção está voltada para as vítimas e os esforços de resgate/recuperação”, diz por e-mail à BBC News Mundo a FloridaRealtors, uma das maiores associações imobiliárias do Estado.
No entanto, outros especialistas consultados pela reportagem acreditam que as perspectivas não são muito animadoras para os edifícios mais antigos da cidade.
“Isso terá um efeito de 100% no mercado”, diz Ana Bozovic, diretora da consultoria imobiliária Analytics Miami.
“A queda das Torres Gêmeas em Nova York causou um impacto no mercado imobiliário de Manhattan. Esse desabamento foi um acontecimento trágico, mas de menor magnitude. No entanto, também terá um impacto no mercado nessa área”, assinala.
Prefeita de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, ordenou uma inspeção em todos edifícios com mais de 40 anos
Getty Images via BBC
Um mercado em ascensão
Peter Zalewski, diretor da Condo Vultures, uma imobiliária especializada em condomínios, explica à BBC News Mundo que esses tipos de edifícios servem tradicionalmente como “segundas residências” para grande parte de seus moradores (ou casas permanentes para aqueles que não podem comprar casas mais caras).
“Algumas pessoas têm apartamentos nesses condomínios à beira-mar porque querem passar o fim de semana ou as férias. Para outras, eles são uma alternativa mais barata do que uma propriedade no sul da Flórida, simplesmente porque os preços dos terrenos são muito caros. Mas, geralmente, não ficam muito tempo por lá”, diz ele.
Segundo ele, isso fez com que esses condomínios se tornassem uma das principais fontes de especulação do setor imobiliário.
Nesse sentido, Bozovic lembra que a queda do edifício Surfside ocorreu em um momento de ascensão do mercado de condomínios da Flórida.
“Se olharmos apenas para o condado de Miami-Dade, onde essa tragédia ocorreu, a partir de maio deste ano, a venda de apartamentos de mais de US $ 1 milhão [R$ 5 milhões] aumentaram mais de 322% em relação ao mesmo período de 2020 e 225% ante 2019”, afirma.
Dados da Analytics Miami indicam, entretanto, que as vendas de apartamentos de menos de US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) aumentaram 92%.
Segundo Bozovic, essa diferença se deve ao fato de que havia maior interesse em Miami por edifícios de luxo, geralmente mais modernos do que aquele que desabou em Surfside.
“Nos últimos tempos, pessoas com muito dinheiro que moravam em outros estados têm se mudado para Miami, muitos ligados à indústria de tecnologia. Essas pessoas nunca pensaram em morar em prédios mais antigos”, afirma.
Assim, na opinião dele, o desabamento não afeta diretamente as vendas de prédios mais caros e luxuosos, embora acredite que o impacto será mais negativo para quem quer vender seus imóveis em prédios mais antigos.
“O que isso fará é diminuir ainda mais as vendas de prédios mais antigos e bifurcar ainda mais o mercado nesse aspecto”, diz o analista.
Zalewski lembra que, muito antes da queda, a empresa dele recomendava aos clientes que comprassem apartamentos construídos depois de 2000, quando Miami endureceu seus códigos de construção após o devastador furacão Andrew.
“Agora, acho que esse critério vai ganhar mais peso. Isso vai tornar os prédios antigos mais atraentes para os incorporadores interessados no terreno, mas pode ser um problema para os moradores desses prédios, assim como para as pessoas que querem comprar e não têm dinheiro para pagar por prédios novos e mais caros”, argumenta.
O interesse dos novos compradores será nos edifícios mais novos e luxuosos
Getty Images via BBC
Segundo dados da Condo Vultures, estão à venda atualmente mais de 1.650 apartamentos em prédios da ilha de Miami Beach construídos antes de 2000 (quando ocorreu o endurecimento do código de construção da Flórida), com um preço médio por unidade de US$ 589.700 (cerca de R$ 3 milhões).
Outros gastos
Os especialistas consultados pela BBC News Mundo acreditam que uma das consequências do colapso de Surfside será a revisão das normas construtivas em vigor atualmente em Miami.
“É previsível que haja uma mudança. E é algo que estamos apontando há muito tempo. Não acho que se deva esperar 40 anos para determinar o estado de um prédio, quando ele está sofrendo o impacto das tempestades ou do salitre, como acontece nas áreas de praia”, diz Azizinamini.
Segundo o acadêmico, quanto mais esperar por uma revisão, maiores serão os problemas que serão encontrados e também mais caro será para resolver.
“Outro elemento é que provavelmente será necessário tomar medidas mais rígidas para garantir que, por nenhuma razão estrutural, um edifício possa desabar”, disse ele.
No entanto, possíveis mudanças regulatórias também teriam um impacto econômico para as pessoas que moram nos edifícios.
É que nos Estados Unidos são os proprietários que devem pagar pelos reparos.
Na verdade, reportagens da imprensa após o colapso de Surfside indicam que uma das razões por trás dos atrasos nas reformas sugeridas em várias inspeções — e que mostraram danos estruturais no prédio — ocorreu devido a disputas sobre o valor que eles tiveram de pagar.
“Quando são encontrados problemas, os moradores devem pagar pelo conserto. Imagine que seu imóvel valha US$ 300 mil (R$ 1,5 milhão) e que há um problema sério no seu prédio. O custo da reforma pode ficar entre US$ 40 mil (R$ 300 mil) e US$ 80 mil (R$ 600 mil)”, exemplifica Bozovic.
“Essa é uma porcentagem enorme do valor da sua propriedade e muitos proprietários são idosos ou não têm esse dinheiro para pagá-la. Aí está o problema. isso também é parte da razão pela qual os reparos estão atrasados e porque esses edifícios acabam com sérios problemas estruturais”, afirma.
Zalewski acredita que a atual fiscalização pela cidade de prédios antigos pode colocar centenas ou milhares de pessoas que moram neles em uma situação difícil por causa dos reparos que, muito provavelmente, terão que pagar.
Uma nova visão
Especialistas consultados pela BBC News Mundo apontam que o desabamento do edifício em Surfside também revela outras realidades perturbadoras sobre a vida nesses edifícios.
“Os elementos que têm a ver com as finanças da associação de condomínio e a segurança do prédio são coisas que geralmente não são compartilhadas com os moradores por motivos de confidencialidade”, explica Zalewski.
Segundo o analista, mesmo quando um prédio passa pela nova certificação exigida ao completar 40 anos, esse processo depende muito das associações que regem o condomínio, muitas vezes formadas por pessoas que assumem o cargo de forma voluntária e sem preparo.
“Portanto, maior transparência sobre as informações relacionadas à associação e ao prédio seria uma coisa boa. E também é provável que algumas mudanças precisam ser feitas em termos de leis que permitam que potenciais compradores e moradores entendam qual é a real qualidade do prédio”, afirma.
Os sobreviventes do Champlain Towers South disseram à imprensa local que, após uma inspeção do prédio em 2018, foram informados de que o edifício estava “em muito bom estado”, apesar do relatório indicar grandes danos estruturais.
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Azizinamini acredita que esse tipo de informação, somada ao conhecimento da área onde será adquirida, também pode influenciar o futuro dos condomínios no sul da Flórida.
“Muitas pessoas estão pagando milhões de dólares por prédios que estão em lugares que em poucos anos estarão potencialmente sob risco de mudanças climáticas (por conta da elevação do nível do mar). Esse é um fator que muitos não estão levando em conta”, diz ele.
Autoridades em Miami Beach e nas áreas costeiras da Flórida estudam há anos um plano para lidar com uma possível elevação do mar em uma região que também afunda a uma taxa de quase três milímetros por ano, de acordo com um estudo da FIU.
Isso também fez com que muitos, como Sergio, acreditem que morar naquela região não seja a melhor aposta para as “economias de uma vida”.
“Se tivesse que tomar a decisão (comprar um apartamento) hoje novamente, não seria em South Beach. É um investimento importante e o risco é muito alto”, diz Sergio.

Fonte: G1 Mundo

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Número de vítimas após deslizamento de terra no Japão é incerto


Oficialmente, há 20 desaparecidos, mas o número de pessoas que estavam em região atingida por chuva é maior —pode ser de até 80. Imagem de lama que deslizoude morros em rua da cidade de Atami, no Japão, em 3 de julho de 2021
Charly Triballeau / AFP
Um deslizamento de terra deixou pelo menos três mortos e dezenas de desaparecidos na cidade de Atami, no Japão, no sábado (3). As atividades de busca foram retomadas nesta segunda-feira.
Com a ajuda de máquinas, soldados e socorristas retiravam montanhas de escombros e abriam passagem entre a lama.
Até o momento foram confirmadas 3 mortes, mas o balanço é considerado provisório. São consideradas oficialmente desaparecidas 20 pessoas. Porém, mais de 48 horas depois do deslizamento, as autoridades ainda tentam determinar o paradeiro de dezenas de pessoas que, acredita-se, estavam na região no momento da tragédia.
Deslizamento de Terra no Japão mata 2 e deixa 20 desaparecidos
“O número de pessoas das quais não temos notícias caiu agora para 80, das 113 iniciais”, afirmou Hiroki Onuma, porta-voz de gestão de catástrofes em Atami.
“Estamos trabalhando duro para consolidar os números o mais rápido possível”, completou.
O prefeito de Atami, Sakae Saito, anunciou no domingo que o balanço de 20 pessoas oficialmente desaparecidas era “um número baseado nas informações enviadas ao governo da localidade na fase inicial da catástrofe” e que, portanto, poderia sofrer mudanças.
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O primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, disse nesta segunda-feira que realmente há incerteza sobre o número de mortos e ressaltou a prioridade para a busca por sobreviventes.
“O governo nacional, ao lado das autoridades nacionais, vai determinar quantas pessoas estão desaparecidas”, declarou Suga.
As equipes de resgate “estão fazendo todo o possível para salvar o maior número de pessoas, o mais rápido possível”, disse o primeiro-ministro.
Quase 130 casas e outros edifícios foram destruídos ou danificados no deslizamento de terra, que atingiu uma zona residencial de Atami na manhã de sábado e deixou um cenário desolador de destruição.
As buscas, interrompidas em alguns momentos pela chuva, foram retomadas nesta segunda-feira, com a participação de socorristas, policiais e soldados.
Atami, uma cidade balneária na encosta de uma montanha, 90 km ao sudoeste de Tóquio, registrou 313 mm de chuva em 48 horas na sexta-feira e sábado, contra a média de 242 mm no mês de julho nos últimos anos.
As fortes chuvas devem continuar nesta segunda-feira no município de Shizuoka, onde fica Atami, assim como em outras áreas do Japão, informou a agência meteorológica nacional, que advertiu para a possibilidade de mais deslizamentos de terra.
Nesta segunda-feira foram emitidas ordens de evacuação não obrigatórias para 35.700 pessoas no país, principalmente no município de Shizuoka.
Temporada de chuva
Grande parte do Japão está em plena temporada de chuvas, o que provoca inundações e deslizamentos de terra.
De acordo com os cientistas, o fenômeno é agravado pela mudança climática, pois a atmosfera mais quente retém mais água e aumenta o risco e a intensidade das chuvas extremas.
Nos últimos anos, o país enfrentou várias inundações recordes, com deslizamentos de terra, em diversos casos com um elevado número de vítimas.
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Fonte: G1 Mundo

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Papa passa bem após cirurgia e ficará cerca de 1 semana internado, diz Vaticano


Comunicado diz que Francisco, que tem 84 anos, ‘encontra-se em boas condições gerais, está alerta e respira sem ajuda’. Pontífice foi internado no domingo para cirurgia no intestino grosso. Imagem do Papa em 4 de julho de 2021, durante a celebração de domingo, antes de ir para o hospital onde foi operado.
Reuters
O papa Francisco está bem após passar por uma cirurgia e ficará hospitalizado por cerca de uma semana, anunciou o Vaticano nesta segunda-feira (5).
O pontífice foi internado em um hospital de Roma na manhã de domingo (4) para uma cirurgia no intestino grosso (entenda no vídeo abaixo como é o procedimento).
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Francisco, que tem 84 anos, “encontra-se em boas condições gerais, está alerta e respira sem ajuda”, informou a Santa Sé em um comunicado.
“Deve permanecer hospitalizado por cerca de uma semana, salvo se houver complicações”, completou a nota.
Boletim divulgado na noite de ontem já havia dito que que o “Santo Padre reagiu bem à operação realizada sobre anestesia geral”.
A operação foi realizada para reparar um estreitamento no cólon (estenose), que dificulta a passagem das fezes.

Fonte: G1 Mundo

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Prédio que desabou parcialmente em Miami e deixou mortos começa a ser demolido


Trabalho deve levar toda a madrugada desta segunda-feira (5). Desastre em Surfside, na região de Miami deixou, até o momento, 24 mortos e 121 desaparecidos. Prédio foi demolido totalmente na noite deste domingo (4)
Wilfredo Lee/AP
O prédio que parcialmente colapsou em Surfside, na região de Miami, nos Estados Unidos, começou a ser totalmente demolido na noite deste domingo (4). A medida foi adotada, antes da possível chegada da tempestade tropical Elsa e depois de um total já confirmado de 24 mortos no desastre e 121 desaparecidos.
A prefeita do condado de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, confirmou que o trabalho de demolição deve durar até a madrugada de segunda-feira (5).
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Na manhã de domingo, a tempestade tropical Elsa estava na costa da Jamaica com ventos de 100 km por hora. Nesta segunda-feira, a tempestade deve atravessar Cuba e atingir o oeste da Flórida até terça-feira.
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As famílias entendem que o trabalho precisava ser feito, disse a prefeita do condado de Miami Dade, Daniella Levine Cava.
O receio com o resto do complexo fez com que as buscas tivessem sido interrompidas na quinta-feira (depois elas foram retomadas).
Nenhum sobrevivente foi retirado dos escombros desde as primeiras horas após o colapso, em 24 de junho.
Não se sabe ainda por que o prédio caiu. Um relatório de 2018 apontava que havia deficiências estruturais. Agora, essas são o foco do inquérito que está sendo examinado.
Veja os vídeos mais assistidos do G1
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Fonte: G1 Mundo

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Explosão de fogos de artifício antes da hora assusta banhistas em feriado nos EUA; vídeo

Americanos celebram Dia da Independência em 4 de julho. Funcionário da empresa responsável pelos explosivos sofreu pequenos ferimentos e se recusou a ir para o hospital. VÍDEO: Fogos de artifício explodem acidentalmente em praia nos Estados Unidos
Uma explosão de fogos de artifício antes da hora assustou banhistas em Ocean City, cidade do estado de Maryland. As pessoas que presenciaram o acidente comemoravam o dia 4 de julho, feriado do Dia da Independência nos Estados Unidos. (Assista vídeo acima)
Segundo a polícia, os fogos acabaram disparando enquanto os funcionários se preparavam para o show marcado para a celebração do feriado durante a noite deste domingo.
Um dos funcionários teria sofrido pequenas lesões, mas se recusou a ser levado a um hospital. Ninguém mais se feriu. Os bombeiros de Ocean City investigam o caso e fazem uma inspeção na área para conseguir determinar a causa exata da explosão antecipada dos fogos.
Em nota, a prefeitura de Ocean City informou que o perímetro da região foi isolado e que assim seguirá até o final das investigações. O calçadão também foi fechado para pedestres. Além disso, o show precisou ser cancelado.
G1 no Youtube

Fonte: G1 Mundo

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Cirurgia de Papa Francisco é bem-sucedida, diz boletim


Pontífice deu entrada no hospital na manhã deste domingo (4) para realizar um procedimento, que já estava agendado, no intestino. Imagem do Papa em 4 de julho de 2021, durante a celebração de domingo, antes de ir para o hospital onde foi operado.
Reuters
A cirurgia do Papa Francisco, de 84 anos, foi bem-sucedida, segundo o boletim médico divulgado na noite deste domingo (4). O pontífice foi internado em um hospital de Roma, na manhã de hoje para uma cirurgia no intestino grosso (veja detalhes).
O boletim divulgado pelo Vaticano afirma que que o “Santo Padre reagiu bem à operação realizada sobre anestesia geral”.
A operação, que já estava agendada, foi realizada para reparar um estreitamento no cólon (estenose), que dificulta a passagem das fezes.
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Cerimônia na Praça de São Pedro
Três horas antes do comunicado da Igreja Católica, o pontífice chegou a participar da tradicional cerimônia religiosa na Praça de São Pedro, onde reza aos domingos com seus seguidores.
Em seu discurso, o Papa Francisco informou que viajará em setembro para a Hungria e a Eslováquia, mas não mencionou que seria submetido à uma cirurgia.
Há uma semana, o Papa Francisco pediu que seus fiéis orassem de uma maneira especial. (Veja vídeo abaixo)
VÍDEO: Papa Francisco pede rezas por ele durante discurso a fiéis feito no último domingo, dia 27 de junho.
Entenda o procedimento
Abaixo, leia:
o que causa a doença,
quais os sintomas que o pontífice deve ter apresentado;
qual o grau de complexidade da operação e como ela é feita;
de que modo a recuperação poderá afetar a rotina do Papa.
O que é estenose diverticular do cólon?
Para compreender o que é “estenose diverticular do cólon”, é preciso saber o significado de “divertículo”.
Imagine que o intestino seja um cano. Na terceira idade, é comum que apareçam “saquinhos” na parede desse tubo — eles surgem principalmente pelo enfraquecimento natural dos tecidos. Essas tais “bolsas” são os divertículos.
“Depois dos 60 anos, praticamente 100% dos idosos têm esse problema, em maior ou menor grau. Nem todos apresentarão sintomas: alguns têm dor, outros desenvolvem complicações maiores”, explica Juliano Barra, cirurgião do aparelho digestivo no Hospital Sírio-Libanês em Brasília (DF).
Fachada do Hospital Gemelli, onde o Papa passará por cirurgia no intestino
Reuters
“Quando há inflamação, chamamos de diverticulite, que é um quadro agudo a ser tratado com remédios via oral ou endovenosa. Caso chegue a ter perfuração ou sangramento do intestino, o paciente precisará de cirurgia com urgência.”
O médico explica que essas inflamações deixam uma cicatriz no intestino, fazendo com que a parede dele fique mais dura e grossa. “Se isso se repete, uma vez atrás da outra, o ‘cano’ que tinha 5 centímetros de calibre passa a ter 1 ou 2 centímetros.”
É esse estreitamento do órgão que recebe o nome de “estenose”.
Vídeos sobre o Papa Francisco

Fonte: G1 Mundo

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O sedutor mito das ruínas das cidades perdidas


As narrativas modernas muitas vezes escondem as histórias reais por trás dos lugares mais magníficos da humanidade. Após a erupção do Monte Vesúvio, os moradores de Pompeia começaram imediatamente a reconstruir suas vidas nas proximidades
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O sol do fim de tarde projetava sombras sobre as centenas de faces de pedra esculpidas no Templo de Bayon, enquanto eu me embrenhava pelo santuário do século 12 no coração do sítio arqueológico de Angkor no Camboja.
Os rostos psicodélicos despontavam de torres e paredes, todos com lábios carnudos esboçando um sorriso desconcertante.
Era meu primeiro dia em Angkor, e eu sabia pouco sobre a história da cidade na época. Mas perambulando de templo em templo, me deixei facilmente levar pelos devaneios da minha imaginação.
Na minha mente, multidões de devotos carregavam oferendas brilhantes. Os cinzéis ecoavam enquanto os artesãos criavam as obras-primas primorosas ao meu redor, enquanto reis grandiosos desfilavam por largas avenidas repletas de estátuas.
“Justamente porque um lugar não existe mais, ele pode ser transformado na cidade ideal, na cidade dos sonhos de alguém”, escreveu Aude de Tocqueville em seu livro Atlas of Lost Cities: A Travel Guide to Abandoned and Forsaken Destination (“Atlas das cidades perdidas: um guia de viagem para destinos abandonados e esquecidos”, em tradução livre), publicado em 2014.
“A cidade perdida é, portanto, poesia, mundo de sonho e cenário para nossas paixões e meandros.”
De fato, lugares perdidos e abandonados exercem uma forte atração sobre a imaginação. São uma isca para viajantes ávidos, inspirando um senso de aventura que alimenta grandes expedições e lendas.
Vemos nossas vidas refletidas nas pedras, imaginamos nossos dramas íntimos perante seus cenários românticos e em ruínas. E se uma mortalha de desastres paira sobre muitas cidades perdidas, até mesmo isso é amenizado com o passar do tempo.
“Por provavelmente milhares de anos, as pessoas têm contado histórias de aventura sobre terras dramáticas além de nossas fronteiras — histórias sobre civilizações antigas”, diz Annalee Newitz, autora de Four Lost Cities: A Secret History of the Urban Age (“Quatro cidades perdidas: uma história secreta da era urbana”, em tradução livre).
A obra percorre continentes e milênios, apresentando quatro sítios arqueológicos como exemplos práticos de vida urbana: Angkor, no Camboja; a cosmópolenativo-americana de Cahokia; a cidade romana de Pompeia; e a neolítica Çatalhöyük, na Turquia moderna.
Enquanto histórias sobre cidades perdidas se tornam contos de viagem atraentes, Newitz argumenta que essas narrativas muitas vezes ocultam as histórias reais por trás dos lugares mais magníficos da humanidade.
Isso aconteceu em Angkor, onde passei tardes ensolaradas em meio às ruínas.
Newitz explica que a cidade era habitada quando o explorador francês Henri Mouhot chegou lá em 1860 — na verdade, nunca havia sido totalmente abandonada —, mas o visitante não poderia imaginar que antepassados ​​cambojanos fossem capazes de tamanha grandeza.
“À primeira vista, ficamos repletos de uma profunda admiração, e não podemos deixar de perguntar o que aconteceu com essa raça poderosa, tão civilizada, tão iluminada, responsável por essas obras gigantescas”, escreveu Mouhot.
Ele especulou que Angkor havia sido construída por antigos gregos ou egípcios. Na França, explica Newitz, sua visita foi aclamada como uma “descoberta”.
“As histórias de cidades perdidas se tornaram tão populares na era moderna — a partir do século 19 ou 18 — porque eram realmente uma boa maneira de disfarçar o colonialismo”, explica Newitz.
O Templo de Bayon é um santuário do século 12 no coração do sítio arqueológico de Angkor, no Camboja
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“Isso permite que você justifique todos os tipos de incursões coloniais. Dizer ‘esta não é uma civilização que está indo bem por conta própria. E a evidência que vemos disso é que eles se afastaram de um grande e misterioso passado perdido.’ ”
Encontrar cidades e civilizações perdidas era uma obsessão para alguns exploradores e colonizadores europeus.
Esse frenesi foi alimentado, em parte, pela busca pela cidade perdida mais famosa da história: Atlântida, que apareceu pela primeira vez nos escritos de Platão.
Sua Atlântida fictícia prosperou antes que o declínio moral trouxesse o castigo divino.
Os contemporâneos do filósofo teriam reconhecido a história como uma alegoria, diz o historiador Greg Woolf, autor do livro The Life and Death of Ancient Cities: A Natural History (“A vida e a morte das cidades antigas: uma história natural”, em tradução livre).
“Contar um mito para ilustrar uma verdade maior era amplamente compreendido”, acrescenta Woolf.
“Não acho que alguém tenha acreditado seriamente que [Atlântida] existia, mas era um mito conveniente.”
No entanto, quando os textos de Platão sobre Atlântida foram distribuídos em traduções modernas, encontraram um público mais crédulo.
“As pessoas estavam lendo isso exatamente ao mesmo tempo que fundavam colônias no Novo Mundo”, explicou Edith Hall, especialista em clássicos, em entrevista recente ao podcast History Extra, da BBC.
Interpretando mal o trabalho de Platão, muitos leram o conto alegórico de forma literal, disse ela.
“Eles ficaram impressionados. Todo mundo disse que (Atlântida) tinha que estar na América.”
As narrativas modernas muitas vezes escondem as histórias reais por trás dos lugares mais magníficos da humanidade
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Quando esses colonizadores europeus encontraram civilizações nativas, escreve Newitz, eles lutaram por conexões com um passado misterioso, muitas vezes ignorando convenientemente povos contemporâneos bastante reais.
Foi o que aconteceu em Cahokia, uma antiga metrópole localizada perto da atual cidade americana de St Louis.
Os imponentes montes de terra presentes ali rivalizavam com as pirâmides egípcias em altura, e no auge de Cahokia em 1050 d.C., a cidade era maior do que Paris. Os recém-chegados europeus tiveram dificuldade de aceitar isso.
“Viajantes e aventureiros contavam a si mesmos todos os tipos de histórias malucas, como se os antigos egípcios tivessem vindo aqui para construir”, diz Newitz.
Foi um mito que serviu para justificar o roubo de terras indígenas amplamente descritas como “vazias”. Enquanto isso, assim como em Angkor, os descendentes dos construtores de Cahokia foram desprezados como sendo incapazes de realizar tais projetos.
Contos de cidades perdidas também podem esconder outras verdades, escreve Newitz, como a maneira como os povos antigos se reinventavam quando deixavam um lugar para trás.
O desastre e o colapso são muitas vezes apresentados como o fim da história, mas em Pompeia e Çatalhöyük, Newitz enxerga o vislumbre de um novo começo em meio à agitação social.
Depois que a erupção vulcânica transformou Pompeia em um cemitério, em 79 d.C., os pompeianos traumatizados começaram imediatamente a reconstruir suas vidas nas proximidades de Nápoles e Cumas.
Citando o trabalho do especialista em clássicos Steven Tuck, Newitz relata que muitos refugiados conhecidos pelos historiadores tinham nomes que os marcavam como liberti, escravos libertos.
Enquanto as convenções romanas para nomes costumavam ser conservadoras, mantendo os mesmos nomes geração após geração, Tuck observou um padrão interessante entre as famílias de refugiados de Pompeia.
Deixando para trás seus antigos nomes liberti, alguns optaram por chamar seus filhos pelos nomes dos lugares onde chegavam, como a movimentada cidade portuária de Puteoli.
Em 1050 d.C., Cahokia era maior do que Paris
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Lá, algumas famílias recém-chegadas deram aos filhos o nome de Puteolanus.
É como se mudar de um campo de refugiados para Londres e chamar seu filho de “Londrino”, Tuck me explicou por e-mail.
“A realocação deu a eles essa oportunidade e eles a aproveitaram.”
E nas próprias cidades em declínio, Newitz apresenta uma comunidade ​​vívida, e não povos antigos presos ao capricho da história.
É o que ela vê nas ruínas de Çatalhöyük, um assentamento neolítico que prosperou há 9 mil anos na planície de Konya, no centro da atual Turquia.
Uma erupção vulcânica transformou Pompeia em um cemitério em 79 d.C.
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As casas ali eram construídas uma ao lado da outra como as células de um favo de mel, diz ela no livro.
Nas noites quentes, os moradores se reuniam nos telhados, fazendo refeições e artesanato juntos. Mas, apesar de toda efervescência criativa da vida na cidade, nem tudo eram flores.
Com o tempo, ficou mais difícil permanecer em Çatalhöyük: o clima se tornou menos favorável e as tensões sociais aumentaram.
Embora muitas histórias sobre cidades perdidas pareçam confusas e míticas, Newitz retrata o abandono de lugares como Çatalhöyük como resultado de um processo bem fundamentado.
Com o tempo, o povo de Çatalhöyük simplesmente optou por voltar para áreas mais rurais, um processo familiar para qualquer morador de cidade grande hoje que melancolicamente passa os olhos pelos anúncios de imóveis que evocam a vida no campo.
“Vamos procurar um lugar melhor e tentar de novo, tentar uma nova experiência, tentar construir de forma diferente, tentar viver de maneira diferente”, afirma Newitz, sugerindo conversas que podem ter ocorrido nos lares neolíticos.
Çatalhöyük é um assentamento neolítico que prosperou 9 mil anos atrás
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As famílias partiram uma a uma, até que finalmente Çatalhöyük ficou vazia.
Mas quando os habitantes foram embora, cada um levou consigo o que considerava mais importante. Assim, suas artes, ideias e cultura material se irradiaram pela planície de Konya à medida que famílias construíam uma nova vida longe do denso povoado.
Embora Cahokia e muitas outras cidades possam estar abandonadas, de certa forma, elas não estão perdidas de maneira alguma para nós.
“Ainda temos todas essas memórias culturais de onde estivemos”, diz Newitz.
“É a continuação de todo o caminho.”

Fonte: G1 Mundo

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Por que trabalhadores nos EUA estão pedindo demissão em ritmo recorde


No último mês de abril, quase 4 milhões de pessoas deixaram seus trabalhos — o valor mais alto desde que este tipo de dado passou a ser registrado. Nos Estados Unidos, quase 4 milhões de trabalhadores pediram demissão em abril
GETTY IMAGES via BBC
O número recorde de pedidos de demissões nos Estados Unidos em abril parece materializar uma tendência que o pesquisador Anthony Klotz, especialista em psicologia organizacional, batizou há alguns anos de “a Grande Renúncia” — um realinhamento no mercado de trabalho em que uma parcela considerável de pessoas, por diversos motivos, estão escolhendo largar seus empregos.
Naquele mês, quase 4 milhões de trabalhadores, o equivalente a 2,7% de toda a força de trabalho do país, deixaram seus empregos. É um recorde desde 2000, quando esse tipo de dado começou a ser registrado.
A pandemia de coronavírus atingiu o emprego nos EUA com força brutal. Em apenas dois meses, entre fevereiro e abril de 2020, o número de desempregados passou de 5.717.000 para 23.109.000. A partir daí, começou uma gradual retomada, à medida que governos, empresas e funcionários encontraram uma forma de se adaptar ao novo cenário.
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Com essa recuperação parcial, a taxa de desemprego ficou em 5,8% no último mês de maio, bastante abaixo dos 14,8% em abril de 2020 — porém acima dos 3,5% registrados antes da pandemia.
A onda de demissões compõe um quadro ambíguo: ela ocorre no mesmo país em que há mais de 9,3 milhões de desempregados, segundo dados de maio do Departamento do Trabalho.
Então, por que enquanto milhões de americanos estão procurando empregos, há outros milhões que estão pedindo demissão?
Esgotamento e epifanias
Embora sejam inúmeras as razões individuais pelas quais trabalhadores podem decidir pedir demissão, Anthony Klotz, professor associado de administração na Escola de Negócios Mays, da Universidade Texas A&M, diz que há quatro grandes explicações para a “Grande Renúncia” estar se concretizando agora.
A primeira é que muitos funcionários que já queriam deixar seus empregos em 2020 adiaram essa decisão.
“Entre 2015 e 2019, o número de demissões nos Estados Unidos cresceu ano a ano, mas esse número caiu muito em 2020, o que faz sentido dada a incerteza da pandemia. As pessoas permaneceram nos seus empregos, mesmo que quisessem deixá-los”, explicou Klotz à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).
Estima-se que em 2020 houve quase 6 milhões de demissões a menos nos EUA do que o esperado.
Com o avanço da vacinação e a melhoria da economia no país, essas pessoas podem ter sentido um cenário mais favorável para concretizar a saída.
“As mais recentes estatísticas do Departamento do Trabalho têm mostrando um recorde histórico de demissões em abril me levam a crer que muitas dessas pessoas já começaram a deixar seus empregos”, diz Klotz.
O segundo fator que pode ter impulsionado esse fenômeno é o “esgotamento do trabalho”.
“Sabemos por diversas pesquisas que, quando as pessoas se sentem esgotadas no trabalho, é mais provável que saiam.”
“Vimos inúmeras histórias de trabalhadores essenciais, mas também de muitas pessoas que trabalharam de casa e tentaram equilibrar o tempo da família e do trabalho, que experimentaram altos níveis de esgotamento (na pandemia). No momento, há mais trabalhadores ‘esgotados’ do que o normal”, aponta o especialista, acrescentando que a “única” cura para esta situação é um bom período de descanso, mas como este nem sempre é possível, a saída se torna inevitável.
Um terceiro fator que pode explicar essa onda de demissões, segundo Klotz, são os momentos de revelação ou epifania.
Eles acontecem quando uma pessoa, que pode estar feliz com seu trabalho, de repente vive uma situação que a faz querer deixar o cargo — como não conseguir a promoção que esperava ou ver algum colega ser demitido.
“Com a pandemia, quase todos nós sofremos um impacto que nos fez reavaliar nossas vidas. Tantas pessoas tiveram essas epifanias! Algumas perceberam que querem ficar mais tempo com sua família; outras agora sentem que seu trabalho não é tão importante quanto pensavam, ou querem abrir seu próprio negócio”, explica.
“Muitas pessoas estão considerando fazer mudanças em suas vidas, e isso muitas vezes significa mudar suas carreiras.”
A ampliação do trabalho remoto
A quarta possível explicação para a “Grande Renúncia” estar se concretizando agora tem a ver com o trabalho remoto, expandido na pandemia. Muitas pessoas se adaptaram a trabalhar de casa e agora não querem voltar ao escritório, embora para Klotz esta parcela de pessoas seja menor.
“Como seres humanos, temos a necessidade fundamental de desfrutar da autonomia. Quando você trabalha à distância, consegue estruturar o dia à sua maneira e tem muito mais flexibilidade do que no escritório. Por isso, muitas pessoas não querem perder essa liberdade. Existem pessoas que estão se demitindo para buscar empregos remotos ou híbridos”, afirma o especialista.
Um estudo internacional encomendado pela Microsoft revelou que 70% dos funcionários querem que as empresas mantenham a opção flexível do trabalho remoto, e 45% dos que trabalham remotamente têm planos de se mudar para um novo local de moradia, já que não precisam mais ir para o escritório.
E cada vez mais empresas estão dispostas a oferecer essa possibilidade a seus funcionários. De acordo com dados fornecidos pelo LinkedIn à BBC News Mundo, anúncios na plataforma oferecendo cargos remotos aumentaram cinco vezes entre maio de 2020 e maio de 2021.
O setor de mídia e comunicação lidera a oferta de empregos remotos (27%), seguido pela indústria de software e tecnologia da informação (22%).
Ao mesmo tempo, quase 25% de todas as inscrições para vagas feitas entre o final de abril e maio foram para empregos remotos.
Oportunidades para carreiras específicas
Analistas apontam ainda uma outra explicação para essa onda de pedidos de demissão nos EUA.
Trabalhadores antes considerados mal pagos, como funcionários de restaurantes e hotéis, estão um pouco mais valorizados no país.
Segundo números do Departamento do Trabalho, entre aqueles que deixaram seus cargos no último mês de abril, mais de 740 mil eram do setor de lazer, hotelaria e restaurantes. Esse número de pessoas que fizeram a transição equivale a 5,3% do total de trabalhadores do setor.
A reabertura abrupta da economia criou uma grande demanda por esses funcionários, o que obrigou as empresas a oferecerem incentivos, inclusive melhores salários, para preencher as vagas.
“Há muita rotatividade em cargos de baixa remuneração, nos quais as pessoas realmente não têm uma progressão na carreira. Se você encontrar um emprego que lhe ofereça um pouco mais, mudar não tem nenhum custo para você”, explicou Julia Pollak, economista da consultoria ZipRecruiter, ao jornal The New York Times.

Fonte: G1 Mundo

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Acadêmica mapuche Elisa Loncón é eleita presidente da Convenção Constitucional do Chile


O país redigirá uma nova Constituição em resposta institucional à crise que deflagrou uma onda de protestos em outubro de 2019 em busca de maior igualdade de direitos e bem-estar social. A atual Constituição é um resquício da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Elisa Loncón comparece ao antigo Congresso Nacional do Chile para a primeira sessão da Assembleia Constituinte, em Santiago
JAVIER TORRES / AFP
A acadêmica mapuche Elisa Loncón foi eleita em segunda votação como presidente da Convenção Constitucional que se instalou neste domingo (4) no Chile, após obter 96 dos 155 votos das convencionais.
“Esta Convenção vai transformar o Chile”, disse Loncón, enfatizando que este “sonho” representará a pluralidade do país e trabalhará para estabelecer os direitos sociais, de cuidar da Mãe Terra, incluindo o direito à água.
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Confrontos entre manifestantes e a tropa de choque chilena suspenderam, momentaneamente, a sessão de inauguração dos 155 congressistas eleitos, 77 mulheres e 78 homens eleitos — 17 cadeiras estão reservadas para os povos indígenas,.
A nova Constituição, que substituirá a atual — redigida inicialmente por uma pequena comissão durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) — como uma resposta institucional à crise que deflagrou a onda de protestos de outubro de 2019 em busca de maior igualdade de direitos e bem-estar social.

Fonte: G1 Mundo

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‘Rezem de uma forma especial’, pediu Papa Francisco uma semana antes de passar por cirurgia; vídeo


Operação já estava agendada para este domingo (4) e busca curar estenose diverticular do cólon. Veja detalhes sobre o procedimento. VÍDEO: Papa Francisco pede rezas por ele durante discurso a fiéis
Há uma semana, o Papa Francisco pediu que seus fiéis orassem de uma maneira especial (assista vídeo acima). Neste domingo (4), ele foi internado em um hospital de Roma para uma cirurgia no intestino grosso. Segundo o Vaticano, o procedimento foi necessário por causa de uma “estenose diverticular do cólon”.
“Hoje, perto da festa de São Pedro e São Paulo, peço que vocês rezem pelo Papa, rezem de uma forma especial. O Papa precisa de suas orações. Obrigada” – disse Papa Francisco no último domingo (27).
A informação foi divulgada neste domingo pelo Vaticano, mas o procedimento já estava agendado. Um novo boletim médico será divulgado assim que a operação terminar, o que ainda não foi confirmado pela sede da Igreja Católica.
Três horas antes do comunicado sobre a cirurgia, o pontífice chegou a participar da tradicional cerimônia religiosa na Praça de São Pedro, onde reza aos domingos com seus seguidores. Em seu discurso, o Papa Francisco informou que viajará em setembro para a Hungria e a Eslováquia, mas não tocou no assunto relacionado a sua saúde.
Imagem do Papa em 4 de julho de 2021, durante a celebração de domingo, antes de ir para o hospital onde será operado
Andreas Solaro / AFP
Entenda o procedimento
Abaixo, leia:
o que causa a doença,
quais os sintomas que o pontífice deve ter apresentado;
qual o grau de complexidade da operação e como ela é feita;
de que modo a recuperação poderá afetar a rotina do Papa.
O que é estenose diverticular do cólon?
Para compreender o que é “estenose diverticular do cólon”, é preciso saber o significado de “divertículo”.
Imagine que o intestino seja um cano. Na terceira idade, é comum que apareçam “saquinhos” na parede desse tubo — eles surgem principalmente pelo enfraquecimento natural dos tecidos. Essas tais “bolsas” são os divertículos.
“Depois dos 60 anos, praticamente 100% dos idosos têm esse problema, em maior ou menor grau. Nem todos apresentarão sintomas: alguns têm dor, outros desenvolvem complicações maiores”, explica Juliano Barra, cirurgião do aparelho digestivo no Hospital Sírio-Libanês em Brasília (DF).
“Quando há inflamação, chamamos de diverticulite, que é um quadro agudo a ser tratado com remédios via oral ou endovenosa. Caso chegue a ter perfuração ou sangramento do intestino, o paciente precisará de cirurgia com urgência.”
O médico explica que essas inflamações deixam uma cicatriz no intestino, fazendo com que a parede dele fique mais dura e grossa. “Se isso se repete, uma vez atrás da outra, o ‘cano’ que tinha 5 centímetros de calibre passa a ter 1 ou 2 centímetros.”
É essa estreitamento do órgão que recebe o nome de “estenose”.
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Quais os sintomas?
Quando o paciente tem estenose, o intestino fica mais estreito, e as fezes enfrentam dificuldade para passar pelo “tubo”.
“Geralmente, a pessoa passa a ter dores e problemas para evacuar”, diz Barra.
Como a operação do Papa Francisco já estava agendada, provavelmente não deve ser um quadro agudo: “Ele já devia estar sofrendo com dores há tempos. Por isso, a equipe médica optou pela cirurgia”, afirma o especialista do Sírio-Libanês.
Como funciona a operação?
Usando mais uma analogia: se uma mangueira estiver entupida, será preciso cortar o pedaço do tubo que está mais estreito, tirá-lo e juntar as duas extremidades que ficaram soltas.
Fachada do Hospital Gemelli, onde o Papa passará por cirurgia no intestino
Reuters
A cirurgia para tratar a estenose diverticular do cólon funciona desse mesmo jeito.
“É um procedimento resolutivo. Tirando a parte que está doente, o problema é sanado”, afirma Barra.
Qual o grau de complexidade da operação?
De acordo com Barra, o procedimento pode ser considerado “de média complexidade”. É difícil estimar a duração dele, mas deve levar de 2 a 3 horas.
“Como o Papa é um paciente idoso, há um certo grau de risco. Mas é uma cirurgia que faz parte do dia a dia de qualquer hospital. Não é nada de outro mundo”, afirma o médico.
Como deve ser a recuperação?
“Em geral, não é necessário colocar a bolsinha [de colostomia, que desvia o trânsito intestinal para fora do corpo do paciente]. Ela só é usada quando a emenda feita na cirurgia não cicatriza corretamente”, afirma Juliano Barra.
Segundo o médico, o Papa Francisco deve ficar no hospital de 5 a 7 dias.
De que modo a cirurgia poderá afetar a rotina do Papa Francisco?
Três horas antes do comunicado do Vaticano, neste domingo, o pontífice chegou a participar da tradicional cerimônia religiosa na Praça de São Pedro. Em seu discurso, ele informou que viajará em setembro para a Hungria e a Eslováquia.
Mas será que, passando por uma cirurgia, a agenda será mesmo mantida?
Segundo Barra, tudo indica que sim. “Ele fará uma viagem ainda mais tranquila, com maior qualidade de vida e sem dor.”
Papa Francisco é internado para cirurgia no intestino
Vídeos sobre o Papa Francisco

Fonte: G1 Mundo