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Quem é YosStop, a youtuber mexicana presa acusada de pornografia infantil


A youtuber mexicana Yoleline Hoffman foi presa na terça-feira (29) por transmitir uma gravação de um estupro de uma menor. Yoseline Hoffman tem 2 canais no YouTube com 14 milhões de assinantes
Getty Images via BBC
Aviso: este artigo contém descrições de agressões sexuais.
Yoseline Hoffman é uma youtuber de sucesso entre os jovens mexicanos. Hoffman, de 30 anos, tem cerca de 14 milhões de assinantes em suas duas contas no YouTube, onde é conhecida como YosStop.
Ela foi presa na terça-feira (29) e é agora alvo de uma investigação de pornografia infantil, segundo a promotoria da Cidade do México.
Hoffman terá de prestar depoimento “pela possível prática do crime de pornografia, com agravo contra um menor”, afirma a promotoria em seu site.
O que se sabe sobre a denúncia?
A prisão da influenciadora aconteceu depois de acusações feitas por uma jovem, que denunciou Yoseline Hoffman em março por crime de pornografia infantil.
A denúncia é também contra cinco outros homens que, segundo o depoimento da jovem, a agrediram, estupraram, registraram os fatos e os divulgaram nas redes em 25 de maio de 2018.
No vídeo do estupro, a jovem (que tinha 16 anos na época) aparece bêbada enquanto quatro homens colocam uma garrafa de champanhe em sua vagina, segundo a agência de notícias EFE.
As imagens que circularam na internet chegaram a Hoffman, que por sua vez dedicou um vídeo em seu canal no YouTube para falar sobre o caso. A youtuber fez críticas ao comportamento da menor estuprada, chamando-a de “puta”.
No vídeo no seu canal, a influenciadora confirma que recebeu a gravação com a agressão sexual à adolescente, que a reproduziu e que a guardou no seu celular.
Algum tempo depois do abuso, a jovem agredida contou sua versão da história em suas redes sociais e falou sobre ataques que recebeu de Hoffman.
Declarações mais polêmicas
Yoseline Hoffman é uma veterana da rede YouTube.
“Eu digo as coisas como elas são, não meço minhas palavras. Este é um bom canal para criticar a sociedade do meu ponto de vista”, ela diz em um de seus vídeos, postado em um dos seus canais.
Yoseline Hoffman foi presa nesta semana e é alvo de investigação sobre pornografia infantil
Getty Images via BBC
Em outro canal diferente, a mesma youtuber oferece “esquetes, videoblogs, séries, paródias, vídeos de diversos tipos e muito mais! 100% divertido, engraçado e tentando deixar mensagens para o mundo!”.
Mas seus comentários e conteúdos no YouTube e publicações sobre sua vida em outras redes sociais geraram várias polêmicas no passado, por brigas com outros influenciadores e por criticar outras vítimas de abusos, informa o jornal “El Universal” do México.
Em seu último vídeo intitulado “Prevenir ou denunciar?”, que foi publicado no mesmo dia de sua prisão, ela falava do caso de Ricardo Ponce, outro mexicano que foi denunciado em redes por tráfico de pessoas em seus retiros espirituais.
Yoseline não é o primeiro youtuber mexicano preso até agora neste ano. Em janeiro, a Procuradoria Geral da República da Cidade do México também prendeu Ricardo Arturo, conhecido como Rix, acusado de estuprar a influenciadora Nath Campos.
VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Príncipe Harry e William voltam a se encontrar durante inauguração de estátua em homenagem a Lady Di


Irmãos vinham evitando encontros públicos desde a polêmica entrevista de Harry e Meghan a Oprah. A última vez em que estiveram juntos em frente às câmeras foi durante o funeral do avô, príncipe Philip. Príncipe Harry e William voltam a se encontrar durante inauguração de estátua em homenagem a Lady Di em 1º de julho de 2021
Família Real Britânica
Os príncipes Harry e William do Reino Unido voltaram a se encontrar nesta quinta-feira (1º) durante inauguração de uma estátua em homenagem a mãe dos dois, princesa Diana.
“Todos os dias, desejamos que ela ainda esteja conosco, e nossa esperança é que esta estátua seja vista para sempre como um símbolo de sua vida e de seu legado”, escreveram os dois em um comunicado.
Se estivesse viva, Lady Di completaria nesta quinta 60 anos. Uma estátua foi erguida nos jardins do Palácio de Kensington em sua memória.
Os irmãos vinham evitando encontros públicos desde a polêmica entrevista de Harry e Meghan a apresentadora americana Oprah Winfrey.
A última vez em que eles estiveram juntos em frente às câmeras foi durante o funeral do avô, príncipe Philip, em abril deste ano.
No ano passado, Harry se mudou da Inglaterra para os Estados Unidos e cortou relações profissionais com a família real britânica.
Reportagem em atualização.

Fonte: G1 Mundo

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Buscas por sobreviventes de desabamento na Flórida são suspensas temporariamente


Equipes trabalham há uma semana nos destroços de parte do edifício residencial que desabou na semana passada. Nesta quinta, o presidente americano Joe Biden planeja visitar o local do incidente. Equipes de resgate vasculham os destroços de prédio que desabou na Flórida em foto de 1º de julho de 2021
Pedro Portal/Miami Herald via AP
As buscas por sobreviventes do desabamento na região de Miami, na Flórida, foram suspensas temporariamente nesta quinta-feira (1º) como medida de segurança pelas equipes de resgate.
Por conta das chuvas e dos trabalhos de escavação, foi identificado o risco de que parte da estrutura já prejudicada pela queda possa tombar ainda mais, pondo em risco os socorristas.
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Também nesta quinta, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deve visitar o local do desastre ao lado da primeira-dama Jill Biden e conversar com familiares dos mortos e desaparecidos.
Até o momento, 18 corpos foram encontrados nos escombros e ao menos 145 pessoas ainda estariam desaparecidas — Autoridades da Flórida divulgaram a identidade de parte das vítimas:
Stacy Dawn Fang, 54 anos
Antonio Lozano, 83 anos
Gladys Lozano, 79 anos
Manuel LaFont, 54 anos
Leon Oliwkowicz, 80 anos
Luis Bermudez, 26 anos
Anna Ortiz, 46 anos
Cristina Beatriz Elvira, 74 anos
Marcus Joseph Guara, 52 anos
Frank Kleiman, 55 anos
Michael David Altman, 50 anos
Hilda Noriega, 92 anos
Lucía Guara, 10 anos
Emma Guara, 4 anos
Anaely Rodríguez, 42 anos
Andreas Giannitsopoulos, 21 anos
Sobe para 18 o número de mortos em desabamento de prédio em Miami
Uma criança brasileira está entre os desaparecidos. Lorenzo Leone, de 5 anos, estava com seu pai, Alfredo Leone, quando o edifício veio abaixo. Sua mãe, Raquel Oliveira, não estava no apartamento porque visitava parte da família no Colorado.
Visita presidencial
Presidente Joe Biden dos EUA e primeira-dama Jill antes de embarcar para a Flórida em 1º de julho de 2021 nos jardins da Casa Branca
Manuel Balce Ceneta/AP
O presidente Biden visita nesta quinta-feira o local do desabamento e deve conversar com familiares das vítimas e trabalhadores das equipes de resgate.
O democrata tem como marca política a forma com que lida pessoalmente com tragédias. Ele deve assumir o papel de “confortador-chefe”, que assumiu em diversas situações durante o governo Obama.
As autoridades da Flórida mantêm a esperança de que mais sobreviventes possam ser encontrados, mas as perspectivas pioram a cada hora.
Biden – que adiou a visita para não interromper os esforços de resgate – liberou recursos federais para ajudar na resposta ao desmoronamento.
Essa vai ser a segunda vez em menos de um ano de mandato que Biden visita o cenário de um desastre – no começo do ano ele esteve no Texas após uma intensa tempestade de inverno.

Fonte: G1 Mundo

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OMS pede a países que aceitem viajantes imunizados com vacinas contra Covid aprovadas pela entidade


Até o momento, 6 vacinas foram aprovadas para uso emergencial pela agência de saúde das Nações Unidas. Entre elas, todas as quatro usadas no PNI brasileiro: AstraZeneca, CoronaVac, Pfizer e Janssen. Lote de vacinas contra a Covid-19 da Covax Facility, aliança mundial comandada pela OMS, chega a Abidjan, na Costa do Marfim. em 25 de fevereiro de 2021. País é o 2º do mundo a receber doses da Covax, depois de Gana
Diomande Ble Blonde/AP
A Aliança Covax, coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pediu nesta quinta-feira (1º) que os países que planejam uma reabertura aceitem a entrada de viajantes que receberam a imunização completa com alguma das seis vacinas aprovadas pela entidade.
A recomendação, se aprovada por governos regionais, facilitaria a circulação de brasileiros na União Europeia que faz uso de um Certificado Digital Covid (CDC), ou “passaporte da imunidade”, uma vez que todas as vacinas usadas no Programa Nacional de Imunização (PNI) passam pelo crivo da OMS.
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Na quarta-feira (30), a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse em entrevista coletiva que o governo de Joe Biden não pretende estabelecer restrições a turistas pelo tipo de vacina tomada. No entanto, os EUA seguem com bloqueios nas fronteiras para viajantes oriundos de zonas de risco sanitário.
Foram autorizadas para uso emergencial, pela OMS, as vacinas:
Pfizer/BioNTech
Oxford/AstraZeneca (lotes da Índia e Europa)
Janssen (Johnson & Johnson)
Moderna
Sinopharm
Sinovac (CoronaVac)
Volta de turistas à Europa
Representantes dos 27 países da União Europeia (UE) aprovaram em meados de junho a entrada de turistas dos Estados Unidos e de mais cinco países no bloco europeu – o Brasil ficou de fora da lista.
A medida vale para viagens não essenciais e inclusive para cidadãos que não estão completamente vacinados contra a Covid-19.
Além dos EUA, serão beneficiados cidadãos de Taiwan, Sérvia, Macedônia do Norte, Albânia e Líbano. Macau e Hong Kong, regiões administrativas da China, serão incluídas se houver reciprocidade.
A decisão prevê, no entanto, que os turistas poderão ser submetidos a medidas adicionais, como testes de laboratório ou quarentenas, no desembarque em solo europeu.
A lista não inclui nenhum país da América Latina. Atualmente, apenas oito nações não têm restrições: Austrália, Coreia do Sul, Israel, Japão, Nova Zelândia, Ruanda, Singapura e Tailândia.
Começa a valer o passaporte digital que permite viagens sem restrições durante a pandemia nos países da União Europeia
Verão europeu e turismo
Com a chegada do verão no hemisfério norte e a temporada turística na Europa, os países do bloco se mobilizam para permitir o retorno de pelo menos uma parte dos turistas estrangeiros, como uma medida para tentar estimular a recuperação da economia.
Com a pandemia, a União Europeia fechou suas fronteiras externas em março de 2020 para viagens não essenciais, mas mantém uma lista de países cujos cidadãos podem entrar como turistas.
Para ser incluído na lista, um país deve ter registrado menos de 75 novos casos de Covid-19 para cada 100 mil habitantes nos 14 dias anteriores.

Fonte: G1 Mundo

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Diretor financeiro das empresas de Trump se apresenta às autoridades


Imprensa americana diz que Allen Weisselberg será indiciado nesta quinta-feira (1º). Donald Trump, ex-presidente dos EUA, em foto de 2020, quando ainda ocupava a Casa Branca
Leah Millis/Reuters
O diretor financeiro (CFO) da Trump Organization, Allen Weisselberg, se se apresentou às autoridades nesta quinta-feira (1º), no dia em que o executivo e a empresa que reúne os negócios do ex-presidente americano devem ser indiciados, segundo a imprensa do país.
Serão as primeiras acusações criminais de uma investigação que pairou sobre Trump por anos. Até maio, a investigação era apenas civil. Mas ela se tornou também criminal, por suspeita de fraudes bancárias e em seguros e evasão fiscal.
Allen Weisselberg, que ajudou a administrar o império imobiliário de Trump durante seu período na Casa Branca, entrou em um prédio que abriga o tribunal criminal de Manhattan na manhã desta quinta.

Fonte: G1 Mundo

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Após 10 semanas de quedas, contágios por Covid-19 aumentam na Europa


o número de casos subiu 10% devido ao aumento dos contatos, as viagens e o fim das restrições sociais, afirmou a Organização Mundial da Saúde. Imagem da praia de Bournemouth, na França, em 1º de julho de 2021
Toby Melville/Reuters
Os casos de Covid-19 aumentaram desde a semana passada na Europa, após 10 semanas consecutivas de retrocesso do número de contágios, anunciou nesta quinta-feira (1º) a Organização Mundial da Saúde (OMS), que fez um alerta sobre uma nova onda do vírus.
“Na semana passada, o número de casos subiu 10% devido ao aumento dos contatos, as viagens e o fim das restrições sociais. Uma nova onda acontecerá na região, exceto se continuarmos disciplinados”, afirmou Hans Kluge, diretor da OMS para a região, que inclui 53 países e territórios.
Verão da vacina na Europa tem ingleses, espanhóis e franceses de volta às ruas
“As mudanças são parte de uma situação que evolui rapidamente, devido a uma nova variante preocupante, a delta (que foi originalmente identificada na Índia), em uma região onde, apesar dos esforços consideráveis dos Estados membros, milhões de pessoas ainda não estão vacinadas”, disse Kluge.
A variante Delta do coronavírus, especialmente contagiosa, representará 90% dos casos na União Europeiaaté o fim de agosto, previu na semana passada o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês).
A OMS Europa espera que a variante seja “dominante” até agosto no continente.
A variante, detectada pela primeira vez na Índia, é entre 40% e 60% mais transmissível que a cepa alfa, de acordo com cientistas. As pesquisas mostram que apenas uma dose da vacina anticovid não é suficiente.
Em agosto, a região Europa da OMS “não estará totalmente vacinada (63% das pessoas da área ainda aguardam a primeira dose) e teremos poucas restrições em vigor, as viagens e reuniões aumentarão”, advertiu a OMS.
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

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‘Não abandonei meus filhos’: o mistério de crianças ‘desaparecidas’ na China


Nos últimos 2 anos, BBC investigou paradeiro de dezenas de crianças na província de Xinjiang, cujos pais dizem que foram enviadas para internatos do governo na China. Kalbinur, fotografada com seu filho Merziye, costura roupas para sustentar sua família
BBC
Nos últimos dois anos, as autoridades chinesas prometeram repetidamente ajudar a encontrar crianças desaparecidas em Xinjiang, no noroeste do país, para provar que não foram separadas à força de seus pais. Essas promessas não foram cumpridas, como mostra o repórter John Sudworth.
A primeira vez que a China fez uma promessa pública de ajudar a encontrar os filhos de Kalbinur Tursan foi em 2019.
“Se você tem pessoas que perderam seus filhos, me dê os nomes delas”, disse o então embaixador da China no Reino Unido, Liu Xiaoming, à BBC em uma entrevista ao vivo para a televisão em julho daquele ano.
Liu negou que as políticas da China na região de Xinjiang, no extremo oeste, possam estar levando à separação em grande escala das crianças de seus pais, mas, disse ele, se tivéssemos tais evidências, ele investigaria.
“Tentaremos localizá-los e informá-los quem são, o que estão fazendo”, disse ele.
Kalbinur — integrante do maior grupo étnico turco de Xinjiang, os uigures — agora vive na Turquia, trabalhando até tarde da noite em seu minúsculo apartamento de um cômodo. Ela costura roupas para sustentar o que restou de sua família destruída.
Ela chegou em 2016, grávida de oito meses de seu sétimo filho, Merziye, cuja concepção foi uma violação às leis de planejamento familiar da China.
“Se as autoridades chinesas soubessem que estava grávida, provavelmente teriam me forçado a abortar meu bebê”, disse ela.
“Então, preparei meu corpo enrolando minha barriga para esconder o inchaço por duas horas todos os dias e conseguimos passar o controle de fronteira assim.”
Embora Kalbinur tenha feito pedidos de passaportes para todos os seus filhos, apenas um – para seu filho de dois anos, Muhammed – foi concedido, devido às duras restrições da China às viagens dos grupos étnicos de Xinjiang.
Com o tempo se esgotando, ela não teve escolha a não ser deixar os outros, para que pudessem seguir com seu marido assim que tivessem seus documentos.
Ao embarcar no voo, ela não tinha ideia de que não os veria novamente.
Fora das atenções, varrendo silenciosamente a vasta região ocidental da China, uma campanha de encarceramento em massa já havia começado com uma rápida expansão da rede do que eram, a princípio, campos de “reeducação” altamente secretos.
Uma rede paralela de internatos também estava sendo construída com o mesmo objetivo – a assimilação forçada dos uigures, cazaques e outros grupos minoritários de Xinjiang, cuja identidade, cultura e tradições islâmicas eram agora vistas como uma ameaça pelo Partido Comunista no poder.
Um documento publicado um ano após a partida de Kalbinur deixou claro que o propósito de tais internatos era “quebrar a influência da atmosfera religiosa” nas crianças que viviam em casa.
Poucas semanas depois de sua partida, seu marido foi detido e – como tantos outros milhares de outros membros da diáspora uigur vendo seus familiares desaparecerem de longe – ela se viu no exílio.
Quase da noite para o dia, até mesmo ligar para parentes se tornou impossível porque, para aqueles que ainda estavam em Xinjiang, qualquer comunicação com o exterior era vista como um sinal potencial de radicalização e uma razão fundamental para ser enviado para um campo.
Enfrentando detenção quase certa se voltasse para Xinjiang, e com seus filhos agora sem pais, ela não teve nenhum contato com eles – exceto por uma descoberta chocante.
Em uma pesquisa online em 2018, ela encontrou um vídeo de sua filha, Ayse, agora dois anos mais velha do que quando elas se viram pela última vez, em uma escola a mais de 500 quilômetros da casa da família.
Com o cabelo raspado curto, ela estava com um grupo de crianças sendo conduzidas em um jogo por um professor que falava não em uigur (sua língua materna), mas em mandarim.
Para Kalbinur, o vídeo trouxe, ao mesmo tempo, alívio – uma ligação tangível com pelo menos um de seus filhos perdidos – e profunda angústia, como um lembrete visual e doloroso da culpa e da tristeza que nunca a deixaram.
“Saber que ela estava em uma cidade diferente me fez pensar que é impossível encontrar meus filhos, mesmo se eu voltar”, ela me disse.
“Aos meus filhos, quero que saibam que não os abandonei, não tive escolha senão deixá-los para trás, porque, se tivesse ficado, a irmã recém-nascida deles não teria sobrevivido.”
A história de Kalbinur é apenas uma entre um grande número de relatos semelhantes de crianças desaparecidas ouvidos pela BBC de membros das diásporas uigures e cazaques de Xinjiang na Turquia e no Cazaquistão.
Depois de solicitar a permissão das famílias, enviamos ao embaixador Liu Xiaoming os detalhes de seis de nossos entrevistados, e anexamos cópias de passaportes, carteiras de identidade chinesas e os últimos endereços conhecidos.
Três dos casos eram de pais que tinham motivos para acreditar que seus filhos estavam agora sob os cuidados do Estado chinês.
Embora sua aparição na TV em 2019 tenha marcado a primeira promessa pública da China de investigar, garantias semelhantes já haviam sido dadas em particular alguns meses antes, quando a BBC foi levada em um tour organizado pelo governo nos campos de Xinjiang.
O sigilo inicial em relação a essa política deu lugar a uma nova estratégia, com a China insistindo que os campos eram, na verdade, escolas vocacionais nas quais aqueles que estavam sob a influência de ideologias separatistas ou extremistas voluntariamente tinham seus pensamentos “transformados”.
O vice-diretor do Departamento de Publicidade de Xinjiang, Xu Guixiang, negou que uma geração de crianças uigures e cazaques tenha ficado efetivamente órfã, já que famílias inteiras – incluindo todos os adultos responsáveis – foram detidas ou estavam isoladas no exterior.
“Se todos os membros da família foram enviados para centros de treinamento educacional, essa família deve ter um problema grave”, disse-me ele. “Nunca vi um caso assim.”
Mas quando repassamos os detalhes de alguns de nossos casos (com permissão prévia), os funcionários prometeram investigar.
Um dos casos (entregue às autoridades em Xinjiang e enviado ao embaixador Liu) envolvia não apenas crianças desaparecidas, mas 14 netos desaparecidos.
Originária da vila de Bestobe, no condado de Kunes, no norte de Xinjiang, Khalida Akytkankyzy, de 66 anos, tinha laços familiares na fronteira com o Cazaquistão, como muitos cazaques.
Em 2006, ela e o marido, juntamente com o filho mais novo, decidiram emigrar, deixando os outros três filhos – já casados ​​e com filhos – em Xinjiang.
No entanto, no início de 2018, a máquina implacável de internação em massa também os alcançou.
Khalida recebeu a notícia de que seus três filhos e suas esposas haviam sido detidos “para educação política”.
Ela tentou desesperadamente obter informações, inclusive ligando para o funcionário do Partido Comunista em sua antiga aldeia, mas ninguém lhe disse quem estava cuidando de seus netos.
Em 2019, quando a China começou a alegar que os campos haviam sido bem-sucedidos no combate ao separatismo e ao terrorismo e que quase todos haviam se “formado”, para Khalida as notícias só pioravam.
Com o aumento maciço da população presa em Xinjiang continuando inabalável, seus dois filhos mais velhos, Satybaldy e Orazjan, foram condenados a 22 anos cada, e seu terceiro filho, Akhmetjan, a 10 anos.
O oficial da vila disse a ela que eles foram condenados por “orar”.
Se existiram outros motivos para sua prisão, as autoridades não forneceram detalhes.
A embaixada da China no Reino Unido confirmou o recebimento da carta e dos documentos que enviamos ao Embaixador Liu, mas, embora tenhamos enviado e-mails para acompanhar o pedido em novembro de 2019 e novamente em fevereiro de 2020, nossas perguntas permaneceram sem resposta.
As autoridades em Xinjiang nos disseram que havia uma “discrepância” nas informações que lhes entregamos e nos aconselharam a pedir aos nossos entrevistados que entrassem em contato com as embaixadas chinesas mais próximas.
Em julho de 2020, o embaixador Liu apareceu novamente no mesmo programa de televisão ao vivo e foi questionado sobre o que havia acontecido com sua promessa do ano anterior.
“Nunca recebi nenhum nome desde o último programa”, disse ele ao entrevistador, Andrew Marr.
“Espero que você possa me dar os nomes, certamente entraremos em contato.”
Ele prosseguiu, sugerindo que seus colegas em Xinjiang seriam capazes de responder esses pedidos com facilidade – “eles nos respondem muito rapidamente”, acrescentou.
Então, voltamos a reforçar o pedido de informações, com e-mails enviados em agosto e setembro de 2020 e em janeiro de 2021.
“E-mail de acompanhamento recebido”, diz a última resposta de um funcionário da embaixada. “Lamento que nenhum progresso tenha sido feito até agora.”
Hoje em dia, Khalida acorda cedo e pega vários ônibus interconectados até o consulado chinês na cidade de Almaty, exatamente como as autoridades nos aconselharam a fazer.
Carregando fotos de seus três filhos, no entanto, ela encontra suas tentativas diárias de buscar respostas bloqueadas por uma barreira de policiais.
“Não é só para mim”, disse ela em uma entrevista em vídeo de sua casa. “Estou frequentemente lá com 10-15 outras pessoas e o consulado chinês não dá informação alguma a ninguém.”
Na Turquia, Kalbinur ainda luta por informações sobre seu marido, Abdurehim Rozi, e seus cinco filhos desaparecidos, Abduhalik, Subinur, Abdulsalam, Ayse e Abdullah.
Ela participou, recentemente, de uma caminhada de 400 km de Istambul a Ancara com outras mães uigures, em uma tentativa de quebrar o silêncio das autoridades chinesas sobre seus familiares.
A campanha pelo menos gerou uma resposta limitada, em uma entrevista coletiva, presidida pelo vice-chefe de propaganda de Xinjiang, Xu Guixiang, que negou que sua filha esteja em um internato e insistindo que as crianças estão sendo cuidadas por um parente.
Mas Kalbinur ainda não conseguiu contatá-los e, portanto, as alegações da China são impossíveis de verificar.
“Quero que as autoridades me deixem ver meus filhos”, ela me disse por meio de uma videochamada enquanto fazia uma pausa em sua caminhada de protesto ao lado de uma rodovia movimentada.
“Nesta era da informação, por que não posso entrar em contato com meus filhos?”
Um dos casos que enviamos ao Embaixador Liu não envolvia crianças desaparecidas, mas uma mãe desaparecida.
Em 2017, Xiamuinuer Pida, uma engenheira aposentada de 68 anos com um longo histórico de serviço em uma empresa estatal chinesa, foi enviada para um campo, onde ficou internada por 18 meses antes de ser libertada.
Sua filha, Reyila Abulaiti, que mora no Reino Unido desde 2002, diz que as autoridades ainda se recusam a conceder um passaporte à sua mãe, mantendo-a (como muitas outras ex-presidiárias do campo) sob estreita vigilância em sua casa.
Durante nossa visita a Xinjiang em 2019, as autoridades chinesas insistiram que ela estava totalmente livre, e simplesmente sofria de problemas de saúde. Um deles nos disse que muitos uigures idosos sofrem de problemas relacionados à alimentação – “muita carne e leite”, disse ele.
Foi uma acusação que enfureceu e entristeceu Reyila, que me disse que sua mãe havia, de fato, perdido 15kg de peso como resultado das duras condições durante seu encarceramento.
“Eles estão tentando esconder o que estão fazendo”, respondeu ela, quando questionada sobre a falha das autoridades em explicar por que Xiamuinuer havia sido enviada para reeducação.
“Ela é uma mulher aposentada, bem-educada, não precisa de cursos profissionalizantes. Ela esteve em um campo e eles não querem que minha mãe se pronuncie.”
No início deste ano, Liu Xiaoming completou seu mandato como embaixador chinês no Reino Unido, com uma despedida online para políticos e autoridades britânicos e com sua promessa ainda não cumprida pelas autoridades chinesas.
Enquanto isso, fui forçado a deixar a China devido à pressão crescente das autoridades sobre meu trabalho jornalístico e, em particular, um número crescente de ameaças de me processar devido às minhas reportagens sobre Xinjiang.
Algumas dessas ameaças vieram diretamente de Xu Guixiang, o funcionário que entrevistei dois anos antes em Xinjiang.
Ele disse à mídia controlada pelo Partido Comunista da China que a BBC produziu “notícias falsas” e violou a ética profissional.
No entanto, apesar da insistência contínua das autoridades chinesas de que, se fornecêssemos os nomes, uma busca rápida poderia facilmente refutar que as famílias estavam sendo divididas à força, eles ofereceram apenas silêncio.
Além dos casos já mencionados, ainda estamos esperando para saber o paradeiro de várias outras crianças, incluindo as de Yasin Zunun, que suspeita que Muslima, Fatima, Parhat, Nurbiya e Asma estão em um internato.
Merbet Maripet não ouve falar de seus quatro filhos – Abdurahman, Muhammad, Adila e Mardan – desde 2017, e também acredita que agora eles estão sob os cuidados do estado.
Perguntamos ao Ministério das Relações Exteriores da China por que nenhum setor do governo foi capaz de cumprir as promessas claras de fornecer informações sobre os indivíduos desaparecidos.
Nenhuma resposta foi recebida até a publicação desta reportagem.

Fonte: G1 Mundo

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Abdala: o que se sabe sobre vacina cubana usada na Venezuela


Governo de Caracas recebeu de Havana primeiro carregamento de Abdala e passou a administrá-la; vacina desenvolvida pela ilha ainda não possui autorização para uso emergencial por nenhum órgão regulador. Profissional de saúde segura frasco usado da ‘Abdala’, vacina cubana contra a Covid-19, em Caracas, na Venezuela, no dia 30 de junho.
Yuri Cortez/AFP
Nesta semana, a Venezuela se tornou o segundo país das Américas – depois de Cuba – a começar a usar uma vacina que ainda não foi aprovada por agências sanitárias.
O governo de Caracas recebeu de Havana e passou a administrar em áreas da capital o primeiro carregamento da Abdala, uma vacina desenvolvida pela ilha que ainda não possui autorização emergencial de nenhuma entidade médica reguladora.
A chegada dos primeiros lotes (oficialmente, a Venezuela diz que vai receber cerca de 12 milhões de doses) ocorreu poucos dias depois de autoridades da indústria farmacêutica cubana apresentarem os resultados da terceira fase de estudo de duas de suas vacinas mais avançadas.
Soldado venezuelano reage ao receber a vacina cubana Abdala contra a Covid-19 em uma campanha de vacinação em massa em Caracas, na Venezuela, no dia 30 de junho.
Yuri Cortez/AFP
O governo cubano garante que uma delas, a Soberana 02, teria uma eficácia de 62% com aplicação de duas doses.
Já a Abdala – a versão que chegou à Venezuela –, com três doses, teria a eficácia de mais de 92%, o que a tornaria um dos imunizantes mais eficazes contra o coronavírus desenvolvidos até agora.
Esses resultados de eficácia, entretanto, não foram validados por nenhuma agência reguladora, não foram publicados em periódico científico endossado por pares nem receberam a aprovação de qualquer organização de saúde internacional ou regional.
Por isso, gerou muita polêmica a decisão do governo Nicolás Maduro de usar uma vacina para a qual nem mesmo Cuba deu autorização para uso emergencial.
A Academia Venezuelana de Medicina, a ONG Médicos Unidos pela Venezuela e a Associação de Pesquisadores do Instituto Venezuelano de Pesquisa Científica (AsoInIVIC) expressaram “preocupação” com o que consideram “produtos de duvidosa credibilidade científica”.
A oposição venezuelana também afirmou que, após a chegada da Abdala ao país, o governo fechou centros de imunização que estavam usando outras vacinas.
“O que aconteceu com as vacinas do sistema Covax? Agora os venezuelanos estão totalmente indefesos e sem possibilidade de escolha diante da imposição do produto Abdala, que não tem aprovação da OMS (Organização Mundial da Saúde). Exigimos vacinas aprovadas para todos”, escreveu o Centro de Comunicação Nacional, no Twitter, organização do líder oposicionista Juan Guaidó.
Os países não precisam da aprovação da OMS para usar qualquer vacina. Usá-las ou não é uma decisão “soberana” de cada nação, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) esclareceu à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.
O governo venezuelano, por sua vez, considerou que o recebimento das doses cubanas foi um “momento histórico” e anunciou que a Abdala se somaria às demais doses utilizadas no sistema de vacinação contra o coronavírus.
“Com o objetivo principal de proteger a saúde do povo venezuelano em meio à pandemia de covid-19, chegaram ao país as primeiras doses da vacina Abdala, desenvolvida por Cuba”, informou a o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela, também no Twitter.
O que se sabe sobre a Abdala
Foto mostra freira em sala de vacinação antes de receber vacina contra a Covid-19 em Havana, Cuba, no dia 23 de junho. Ao fundo, na parede, há uma foto de Che Guevara.
Alexandre Meneghini/Reuters
Cuba tem uma vasta experiência no desenvolvimento de vacinas e há mais de três décadas produz grande parte dos imunizantes utilizados pela população.
No início da pandemia, o governo cubano decidiu não participar do sistema Covax, que visa levar vacinas aprovadas pela OMS às nações mais pobres, optando por desenvolver suas próprias doses.
Até o momento, as autoridades médicas cubanas afirmam estar desenvolvendo cinco vacinas contra o coronavírus. Soberana 02 e Abdala, segundo Havana, são as mais avançadas.
A única informação disponível sobre a Abdala é fornecida pelo governo de Cuba.
Até o momento, nenhuma revista científica publicou qualquer estudo sobre esse imunizante.
O imunizante foi desenvolvido por cientistas do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB) e leva o nome de um poema do escritor cubano e herói nacional José Martí (1853-1895).
Cuba afirma que, tanto para Soberana 02 quanto para Abdala, os cientistas usaram uma tecnologia conhecida como “vacina de subunidade”, na qual proteínas derivadas do vírus aliadas a outras proteínas são usadas para desencadear uma resposta imunológica.
Infográfico mostra como funcionam vacinas de subunidades de proteínas contra o coronavírus
Anderson Cattai/G1
As autoridades sanitárias cubanas recomendam para Abdala um esquema de imunização em três doses (o maior número de doses entre as vacinas existentes), administradas em um período de 14 dias entre elas.
A maior proteção é alcançada depois de 42 dias, segundo Cuba. Na maioria das vacinas aprovadas internacionalmente, isso ocorre duas semanas após a segunda dose.
Cuba completou a terceira etapa de estudo da Abdala no fim de abril, embora já tivesse começado a administrá-la em “grupos de risco” de sua população antes mesmo de completar os ensaios clínicos ou saber os dados de eficácia.
Na semana passada, o CIGB anunciou no Twitter que sua vacina era “92,28% eficaz, no uso de três doses”.
“Essa vitória só é comparável ao tamanho de nossos sacrifícios. E uma clarinada dos pobres da terra, uma advertência do poder que a resistência, a unidade, a consagração e o amor pela pátria tão belamente descrito pelos versos de Martí em Abdala”, escreveu o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, no Twitter.
Em seu informe, autoridades cubanas não ofereceram dados sobre a eficácia da Abdala contra variantes do coronavírus. Porém, afirma que há uma “alta probabilidade” de que ela funcione contra variantes que “estavam em grande parte em circulação”.
Os dados divulgados mostraram apenas eficácia contra a Covid sintomática.
As informações sobre a eficácia contra as formas graves e assintomáticas de Covid-19 ainda são desconhecidas. Normalmente, empresas farmacêuticas internacionais publicam esse dado junto com a eficácia contra doenças sintomáticas.
Na semana passada, a mídia oficial da ilha informou que o CIGB havia enviado a documentação ao órgão regulador de medicamentos de Cuba para obter uma autorização de emergência, que ainda não foi concedida.
A controvérsia
Mulher recebe dose da Abdala, vacina cubana contra a Covid-19, em um centro de vacinação em Havana, Cuba, no dia 23 de junho.
Alexandre Meneghini/Reuters
O fato de Cuba ter começado a vacinar massivamente sem conhecer os resultados de eficácia de sua vacina gerou questionamentos entre a população, que inclusive se perguntava nas redes sociais por que seus dirigentes não tomaram a vacina em público para dar exemplo e transmitir confiança.
As autoridades sanitárias da ilha disseram que a decisão de usar os imunizantes sem autorização emergencial se deve à “situação epidemiológica” da ilha e porque eles se mostraram seguros.
A chegada da vacina à Venezuela gerou uma situação polêmica semelhante: embora Cuba já tivesse assegurado que ela era eficaz, nenhuma entidade reguladora ou científica independente havia endossado esses dados.
Como a Opas explicou, a decisão de qual vacina usar, como e quando é uma “decisão soberana” de cada país.
“A Opas não participa dessas ações e só recomenda o uso de vacinas quando as três fases dos ensaios clínicos forem concluídas e as vacinas forem aprovadas por uma agência reguladora ou incluídas pela OMS em sua lista para uso emergencial”, disse um comunicado enviado em maio para a BBC News Mundo.
Segundo o texto, a OPAS/OMS entra no processo quando o produtor envia sua vacina à OMS para avaliação e inclusão na lista de uso emergencial.
“E para isso o imunizante deve ter passado pelas três fases, ser publicado em revista científica, e, se for aprovado também por uma agência reguladora, isso agiliza o processo”, acrescentou.
O fato de a Abdala ter sido utilizada na Venezuela sem cumprir todos esses requisitos suscitou numerosos questionamentos por parte de organizações médicas independentes.
“A credibilidade de qualquer vacina, e sua aceitabilidade pela comunidade, é amplamente baseada na publicação dos resultados em revistas científicas de prestígio”, disse a Academia Nacional de Medicina da Venezuela em um comunicado.
Nesse sentido, o Instituto Venezuelano de Pesquisa Científica apontou que a principal fonte de informação sobre os dois produtos tem sido o jornal Granma, órgão oficial do Partido Comunista e do governo cubano.
A entidade também criticou a falta de informações científicas válidas sobre a vacina Abdala e questionou que elas tenham chegado à Venezuela antes mesmo da aprovação do órgão regulador cubano.
“Consideramos que a Abdala ainda é uma candidata a vacina, portanto sua administração deve ser feita na modalidade de ensaio clínico em nosso país, com o consentimento informado dos voluntários”, indicou a academia.
O que diz o governo venezuelano
Pessoas recebem a primeira dose da Abdala, vacina cubana contra a Covid-19, em um centro em Caracas, Venezuela, no dia 30 de junho.
Yuri Cortez/AFP
O governo venezuelano defendeu a eficácia de Abdala e considerou sua chegada à Venezuela como um “triunfo”.
“Esta vacina extraordinária, que é uma das mais eficazes do mundo, será incorporada ao plano de imunização da Venezuela e a população vai gostar”, disse a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez.
Ela também considerou que Cuba, com suas vacinas, estava “dando lições éticas, morais, científicas e tecnológicas”.
“Aqui está o triunfo de Cuba. É um momento muito significativo poder compartilhar em nossa pátria a chegada da vacina Abdala, apresentada há dois dias à humanidade com uma eficiência de mais de 92%”, acrescentou.
Embora Cuba e Venezuela sejam os primeiros países da América a começar a inocular sua população com vacinas ainda em fase de testes, eles não são os únicos no mundo a fazer isso.
Em julho passado, a China aprovou sua vacina, então na terceira fase de testes clínicos, para uso entre suas forças militares. Alguns dias depois, a Rússia autorizou o uso da Sputnik V quando ela ainda estava na fase 2.
O governo da Índia, em janeiro passado, também deu autorização emergencial para duas vacinas nacionais que não haviam concluído a terceira fase dos estudos clínicos.
A Venezuela, com cerca de 28 milhões de habitantes, recebeu de fevereiro até o fim de junho cerca de 3,5 milhões de vacinas russas e chinesas, segundo dados oficiais. O plano de vacinação no país tem caminhado lentamente.
O governo Maduro garante que tem 5 milhões de doses por meio do sistema Covax, mas elas não chegaram ao país.
“Os países ricos sabotaram este mecanismo de solidariedade para distribuir vacinas no mundo (…) Pretendem usar as vacinas como instrumento político, de chantagem, de extorsão como o bloqueio à Venezuela”, disse Rodríguez.
Dados oficiais indicam que os casos de coronavírus no país ultrapassam 269 mil. Cerca de 3 mil pessoas morreram, mas sindicatos de médicos e a oposição afirmam que os números são maiores.
Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil:

Fonte: G1 Mundo

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‘Marechal twitto’ assume presidência rotativa da União Europeia


Janez Jansa, da Eslovênia, vai estar no comando do bloco de países europeus. Ele recebeu o apelido de marechal ‘Twitto’, em referência ao ex-ditador Tito, da Iugoslávia, e pelos ataques frequentes, principalmente contra a imprensa, lançados em sua conta no Twitter. Imagem de Janez Jansa durante uma entrevista, em 25 de junho de 2021
Olivier Matthys/Reuters
A Eslovênia assume nesta quinta-feira (1º) a presidência rotativa da União Europeia, durante os próximos seis meses. É a segunda vez que este pequeno país dos Balcãs, com apenas dois milhões de habitantes, vai estar no comando do bloco europeu. A grande preocupação de Bruxelas (sede da União Europeia) é saber como o governo ultraconservador do primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, que tem adotado uma retórica populista e xenófoba, vai conduzir essa tarefa. 
Grande admirador do primeiro-ministro populista da Hungria, Viktor Orbán, e do ex-presidente dos EUA Donald Trump, o premiê esloveno recebeu o apelido de marechal “Twitto”, em referência ao ex-ditador Tito, da Iugoslávia, e pelos ataques frequentes, principalmente contra a imprensa, lançados em sua conta no Twitter. O dirigente esloveno usa a plataforma de maneira frenética, com cerca de 100 postagens por dia, para denegrir seus inimigos políticos, espalhar mensagens misóginas e promover suas teorias de conspiração.
Pouco conhecido do cenário político europeu, o dirigente, de 62 anos, assumiu o poder pela terceira vez em março do ano passado. Em 2018, o Partido Democrata Esloveno (SDS), do qual é líder, venceu as eleições legislativas e ele foi reeleito deputado com o slogan “Eslovênia em primeiro lugar”, se inspirando em seu ídolo Trump. Além de climatocético, o premiê da Eslovênia é abertamente xenófobo e tem recebido total apoio de Orbán, um dos políticos mais críticos da imigração na Europa.
Dias antes de assumir a presidência rotativa da União Europeia, Janez Jansa provocou polêmica ao anunciar que pretende distribuir abotoaduras com a efígie de uma pantera aos membros do Conselho Europeu. O problema é que, na Eslovênia, a imagem é muitas vezes associada aos movimentos ultranacionalistas.
Da esquerda para a direita
Como Viktor Orbán, Janez Jansa se converteu tardiamente à extrema-direita. Ele começou sua carreira política em partidos da esquerda, e após a queda da União Soviética, era uma das principais figuras da democracia eslovena. Nos anos 2000, foi aos poucos se virando para a direita. Sua transformação mais radical se deu durante a crise econômica da Europa, em 2012, e se aprofundou com a crise migratória, em 2015.
Em 2013, Jansa foi condenado a 10 anos de prisão e uma multa de € 37 mil por suspeita de corrupção e tráfico de influência em um caso que envolvia a venda de blindados finlandeses para as forças armadas da Eslovênia. Ele cumpriu menos de seis meses da pena. Em 2015, acabou absolvido pelo Tribunal Constitucional do país.
Desafios da presidência eslovena da União Europeia
Em primeiro lugar, o maior desafio não só de Bruxelas, mas também dos diplomatas eslovenos, será lidar com um premiê polêmico, de extrema direita, que a princípio deveria nortear a agenda do Conselho Europeu, de maneira imparcial, nos próximos seis meses. Porém, a estreita ligação de Janez Jansa com o ultraconservador primeiro-ministro da Hungria pode impulsionar os interesses de Budapeste e isso apavora a União Europeia.
Entre as prioridades da presidência rotativa da Eslovênia, estão o aumento da coordenação para a política na área de saúde, a melhora do sistema de gestão de crises, incluindo o combate aos ciberataques, além de assegurar que o fundo de reconstrução pós-pandemia da União Europeia chegue aos países mais afetados do continente para reativar suas economias. É esperado que a Eslovênia realize uma cúpula sobre a integração dos Balcãs Ocidentais e, provavelmente, a abertura das negociações de adesão da Macedônia do Norte e Albânia ao bloco europeu deve ser desbloqueada.
Eurodeputados querem bloquear fundos para a Eslovênnia
Esta semana, deputados do Parlamento Europeu pediram que os fundos comunitários enviados para a Eslovênia sejam suspensos. Eles acreditam que os valores fundamentais da UE não estão sendo respeitados e que a mídia e o Judiciário no país estão sendo “obstruídos”. Os eurodeputados alertaram para o fracasso das autoridades eslovenas em indicar promotores para a Procuradoria-Geral Europeia, responsável em detectar e identificar fraudes envolvendo os fundos do bloco, como uma “séria deficiência do sistema jurídico esloveno”.
O Parlamento Europeu também alertou para os ataques à liberdade de imprensa no país, como os que têm ocorrido na Hungria e Polônia. Segundo a Comissão de Liberdades Cívicas do legislativo europeu, há dúvidas sobre a capacidade da presidência eslovena conseguir levar adiante os processos relacionados com violações do Estado de direito, quando o próprio primeiro-ministro e seus apoiadores criticam frequentemente jornalistas e veículos de comunicação, criando um “clima assustador”.
Na capital Ljubljana, centenas de pessoas se reúnem todas às sextas-feiras em frente ao Parlamento para protestar contra o governo de Janez Jansa, principalmente por seus ataques à liberdade de imprensa. Recentemente, os fundos do Estado destinados à agência de notícias pública, a STA, geraram críticas por parte da Comissão Europeia. Segundo o governo, o financiamento está suspenso porque a agência não enviou os documentos necessários. Os fundos do governo representam metade do orçamento da agência de notícias eslovena.
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Fonte: G1 Mundo

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Atletas que amamentam poderão levar os bebês para a Olimpíada


Comitê organizador anunciou a medida após ser criticado pelas regras rígidas sobre a presença das famílias dos participantes no evento. Crianças não poderão ficar hospedadas na Vila Olímpica. Cartaz com logo da Olimpíada de Tóquio 2020
Issei Kato/Reuters
As atletas com bebês em idade de amamentação serão autorizadas “quando necessário” a levar os filhos para os Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, anunciou o comitê organizador após ser criticado pelas regras rígidas sobre a presença no evento das famílias dos participantes.
Adiados em 2020 devido à pandemia, os Jogos Olímpicos estão previstos para ocorrer entre 23 de julho e 8 de agosto deste ano e os Jogos Paralímpicos, entre 24 de agosto e 5 de setembro.
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10 mil voluntários desistem de trabalhar nos Jogos, a maioria devido à pandemia
Os famílias dos atletas que disputarão os Jogos não terão o direito de comparecer às competições, devido às regras sanitárias adotadas contra a pandemia, e haverá uma drástica redução no número de pessoas autorizadas a entrar no Japão.
O comitê organizador abriu uma exceção para as crianças em idade de amamentação, “depois de examinar cuidadosamente esta situação única”, mas elas não serão autorizadas a permanecer na Vila Olímpica e terão de ficar hospedadas em estabelecimentos privados, como hotéis.
“O fato de que tantas atletas com filhos pequenos possam seguir competindo no mais alto nível é uma fonte de inspiração”, afirmou o comitê Tóquio-2020 em um comunicado publicado na quarta-feira (30).
Críticas à medida e à organização
A estrela americana do futebol Alex Morgan, bicampeão mundial e medalhista de ouro em Londres-2012 que tem uma filha de um ano, afirmou que a medida não é suficiente.
“Ainda não tenho certeza do que significa ‘quando necessário’. Isto é decidido pela mãe ou pelo COI? Nós somos mães olímpicas dizendo a vocês: é NECESSÁRIO. Não fui consultada sobre a possibilidade de levar minha filha para o Japão e partiremos em sete dias”, escreveu a atleta em uma rede social.
Várias atletas reclamaram sobre as regras nas redes sociais.
A jogadora de basquete canadense Kim Gaucher disse que sentia que estava sendo forçada a decidir entre ser uma mãe que amamenta ou uma atleta olímpica”.
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Fonte: G1 Mundo