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Último membro de grupo extremista Brigadas Vermelhas é preso na França a pedido da Itália


O governo francês mudou de político em relação à situação dos ex-ativistas depois a extradição de Cesare Battisti para a Itália. Imagem de 2016 mostra soldados franceses fora do Palácio da Justiça, em Paris
AP Photo/Francois Mori
Um ex-membro das Brigadas Vermelhas que vivia na França desde os anos 1990 foi preso, nesta segunda-feira (19), a pedido das autoridades italianas. Roma reivindica há décadas sua extradição em virtude de uma condenação por tentativa de sequestro terrorista em 1982. Maurizio di Marzio, de 61 anos, era até então o único a ter escapado da execução, no final de abril, de mandados de prisão expedidos pela Itália contra dez ex-militantes deste grupo de extrema esquerda.
Di Marzio foi colocado em detenção judicial. Ele deve comparecer, dentro de 48 horas, ao tribunal de apelação de Paris, instância encarregada de decidir entre sua possível prisão provisória, ou a libertação sob controle judicial, enquanto sua extradição é analisada.
O ex-ativista é o último de um grupo de dez membros das Brigadas Vermelhas que continuavam refugiados na França. Em abril deste ano, sete deles foram detidos e outros dois se apresentaram espontaneamente às autoridades, após Paris anunciar a decisão de atender os pedidos de Roma, depois de décadas sem perseguir os ativistas.
França: terra de refúgio
Durante muito tempo, a França serviu de refúgio para membros das Brigadas Vermelhas, devido a uma política adotada pelo então presidente socialista François Mitterrand, que causou tensões com Roma. Implementada em 1985, a chamada “Doutrina Mitterrand” oferecia asilo aos extremistas, desde que renunciassem à violência e não fossem procurados na Itália por assassinato, ou por outros “crimes de sangue”. Por essa razão, a decisão do atual presidente, Emmanuel Macron, de romper com essa política constitui uma guinada histórica e foi saudada pelo governo italiano.
Segundo fontes diplomáticas, a postura de Paris sobre a situação dos ex-ativistas começou a mudar após a extradição de Cesare Battisti para a Itália. O militante, que passou décadas exilado no Brasil até ser preso na Bolívia em 2019, e enviado para a Itália, era membro de uma outra organização revolucionária, a PAC – “Proletários Armados pelo Comunismo”.
Veja abaixo um trecho de uma entrevista de arquivo com Cesare Battisti.
25 anos da GloboNews: veja trecho da polêmica entrevista de Cesare Battisti a Mario Sérgio Conti
Antes de se instalar no Brasil, Battisti também passou um período refugiado na França. Quando ele foi preso na América Latina, o então ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini – de extrema direita –, acusou a França de abrigar durante décadas “assassinos que mataram inocentes”. Na época, ele reivindicou o retorno à Itália de cerca de 15 “terroristas italianos”, que tinham sido condenados à revelia pela Justiça de seu país, mas viviam em liberdade na França.
Ao ser informado da prisão de Di Marzio, Salvini celebrou a notícia. “Grande satisfação e parabéns pela operação”, declarou o ex-ministro nas redes sociais. 
Diversos grupos de extrema esquerda atuaram na Itália durante o período conhecido como “Anos de Chumbo”, do final dos anos 1960 até meados dos anos 1980. As Brigadas Vermelhas eram o mais conhecido deles. Atribui-se a elas a autoria de centenas de assassinatos, incluindo o sequestro e assassinato do líder democrata-cristão e ex-primeiro-ministro Aldo Moro, em 1978.
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Fonte: G1 Mundo