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Premiê húngaro propõe referendo sobre lei contra gays com perguntas tendenciosas


Viktor Orbán tenta induzir eleitor para contornar crise com a União Europeia sobre legislação que discrimina a comunidade LGBTQIA+ . Viktor Orbán, em imagem de 2018
AFP
O premiê Viktor Orbán se arvora como guardião dos valores da família na Hungria. Em nome da proteção e do bem-estar das crianças sancionou uma lei aprovada pelo Parlamento de maioria oficialista que equipara homossexualidade e pedofilia e colide frontalmente com os valores democráticos que regem a União Europeia.
A reação foi dura, 17 líderes europeus atacaram a legislação, classificada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, como vergonhosa, por discriminar essencialmente a comunidade LGBTQIA+.
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Orbán viu como concreta a possibilidade de se fecharem as torneiras de Bruxelas, que jorrariam fundos de US $8 bilhões a Budapeste. Ele tenta então contornar a pressão do bloco, buscando assegurar o aval popular para a legislação, com um referendo de cinco perguntas sobre o que ele chama de “futuro das crianças”.
São elas:
Você apoia que as crianças encontrem conteúdo educacional sexual que mostre diferentes orientações sexuais sem o consentimento dos pais?
Você apoia que procedimentos de mudança de sexo devem ser promovidos para crianças?
Você apoia que tais procedimentos sejam disponibilizados para crianças?
Você apoia que os programas de mídia que influenciam o desenvolvimento das crianças sejam transmitidos sem restrições?
Você apoia que programas de mídia que retratam mudança de sexo estejam disponíveis para crianças?
As questões formuladas para a consulta popular são tendenciosas e induzem o eleitor a apoiar a Lei de Proteção à Criança. Em 11 anos no poder, ele desmantelou instituições, perseguiu opositores e promoveu um retrocesso em conquistas sociais. Recentemente, baniu a adoção de crianças por casais do mesmo sexto e anulou o direito de mudança de gênero. Agora, mais uma vez, Orbán tenta dar a volta no bloco europeu.
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Fonte: G1 Mundo