Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, em foto no dia da Independência do país
Cesar Perez/Presidência da Nicarágua via Reuters
O ex-chanceler nicaraguense Francisco Aguirre e a ativista de direitos humanos María Oviedo foram detidos por suspeita de ações contra a soberania da Nicarágua, em mais uma medida do governo contra críticos do presidente Daniel Ortega.
Com as prisões de Aguirre e Oviedo, subiu para 31 o número de opositores detidos pelo governo Ortega desde junho. A repressão é vista como uma forma de se reeleger para um quarto mandato consecutivo nas eleições de 7 de novembro.
“Denunciamos o sequestro do ex-chanceler Francisco Aguirre, detido sem justificativa pela polícia”, escreveu em uma rede social o movimento de oposição Unidade Nacional Azul e Branco (Unab), sem informar a data da detenção.
O Ministério Público (MP) da Nicarágua disse na quinta-feira (29) ter pedido à Justiça “a ampliação do período de investigação e detenção judicial” do ex-chanceler, que o pedido foi aceito e que foi estipulada a prisão por 90 dias.
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Aguirre, economista e analista político de 76 anos, está sendo investigado por “supostamente ter cometido atos que minam a independência, soberania e autodeterminação da Nicarágua”, ao incitar publicamente “interferência estrangeira nos assuntos internos”, segundo a acusação.
Ele também é acusado de ter celebrado “a imposição de sanções contra o Estado da Nicarágua e seus cidadãos”, aludindo às mais de 130 sanções internacionais adotadas desde 2018 contra funcionários e familiares do presidente Ortega por violação dos direitos humanos.
A polícia informou a detenção da advogada María Oviedo, que “esta sendo investigada” pelos mesmos delitos associados a Aguirre.
Entre os críticos de Ortega presos estão sete candidatos à presidência: Cristiana Chamorro, Arturo Cruz, Félix Maradiaga, Juan Sebastián Chamorro, Miguel Mora, Medardo Mairena e Noel Vidaurre, além de três ex-guerrilheiros críticos do governo e importantes opositores.
Aguirre foi embaixador da Nicarágua nos Estados Unidos e posteriormente chanceler durante o governo do ex-presidente Arnoldo Alemán (1997-2002). Ele também trabalhou no Banco Mundial e é crítico à gestão do governo de Daniel Ortega, no poder desde 2007.
Em fevereiro passado, o Parlamento, nas mãos do partido no poder, aprovou uma reforma criminal que permite às autoridades prender, por até 90 dias, pessoas investigadas por um crime. Antes, o prazo era de três dias para apurar, prender e formalizar as denúncias.
As acusações contra Aguirre estão cobertas por uma lei aprovada em dezembro passado que sanciona os nicaraguenses “por atos de traição” que “minam a independência e a soberania” e promovem a ingerência estrangeira. Essa lei também impede que os afetados concorram a cargos eleitos pelo voto popular.
Os crimes de “traição” à pátria e “violação da soberania” são punidos com pena de 10 a 15 anos de prisão.
Fonte: G1 Mundo