Candidata a vice-presidente em chapa opositora é a oitava adversária presa e impossibilitada de concorrer às eleições de novembro. Berenice Quezada durante discurso em 28 de julho de 2021
Maynor Valenzuela/Reuters
Durou pouco a carreira da ex-miss nicaraguense Berenice Quezada como candidata a vice-presidência na chapa lançada pelo partido Cidadãos pela Liberdade (CxL) para desafiar o ditador Daniel Ortega em novembro. Rotulada de terrorista, ela está em prisão domiciliar decretada pelo regime e foi considerada inabilitada para concorrer às eleições.
Governo da Nicarágua prendeu 13 políticos da oposição nas últimas duas semanas
LEIA TAMBÉM
Sandra Cohen: Chapa política encabeçada por contrarrevolucionário e ex-miss desafia o regime de Ortega
Na Nicarágua, o sexto pré-candidato à presidência é preso
Entenda a lei que fecha o cerco aos opositores de Ortega
A sina de Berenice, de 27 anos, é idêntica a outros sete pré-candidatos que tentaram enfrentar Ortega e tiveram a prisão decretada. Sem nenhuma experiência política, ela integrava a chapa lançada na semana passada com o ex-contrarrevolucionário Óscar Sobalvarro, de 60, que nos anos de 1980 comandou a luta armada contra os sandinistas.
A formação da chapa do CxL pelo ex-chefe militar e a ex-miss surpreendeu os nicaraguenses, mas acabou solapada pelo regime supostamente por declarações de Berenice Quezada em apoio aos protestos de 2018 e à falta de condições eleitorais no país
“Essas condições são ditadas pelo povo, saindo às ruas, como fizemos em abril de 2018. Temos que mostrar no dia 7 de novembro que a Nicarágua não os quer no país”, afirmou.
Esta frase serviu de pretexto para um grupo de sandinistas, disfarçados de parentes de vítimas, recorrer ao Ministério Público e alegar ter sido insultado pela ex-miss da Nicarágua em 2017. Ela foi então acusada de “incitar o ódio e a violência” e impossibilitada de concorrer a cargos públicos. Desde então, está presa em casa, sem acesso a telefones e vigiada por agentes do Estado.
A detenção foi condenada por organizações de direitos humanos como mais um ato do teatro do absurdo encenado no país, onde todas as instituições do Estado estão sob o comando de Ortega e sua mulher, a vice-presidente Rosario Murillo.
Nos últimos dois meses, pelo menos 30 opositores políticos foram encarcerados ou obrigados a fugir da Nicarágua. A perseguição chegou ao ponto de a Aliança Cidadãos pela Liberdade, que se opõe ao regime, manter sob sigilo sua lista de candidatos para escapar de represálias.
Com a prisão de Berenice Quezada, Daniel Ortega atua na melhor fase de seu autocrático, eliminando o oitavo adversário e apresentando-se, sozinho, ao quarto mandato consecutivo.
Veja os vídeos mais assistidos do G1
Fonte: G1 Mundo