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Veja momentos em que conflitos internos em países participantes deram as caras nas Olimpíadas de Tóquio


Jogos tiveram momentos tristes, como a desistência de judocas árabes-muçulmanos que enfrentariam um atleta de Israel e o caso da velocista que fugiu com medo de perseguição em Belarus. Porém, encontro pacífico entre os times de basquete de Estados Unidos e Irã deram um tom de esperança e respeito à Trégua Olímpica. Forças de segurança em frente aos anéis olímpicos no Estádio Nacional Yoyogi em Tóquio neste sábado (7)
Siphiwe Sibeko/Reuters
Com mais de 200 delegações, não surpreende que conflitos externos e internos envolvendo os países participantes se manifestem de alguma forma nos Jogos Olímpicos.
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O evento, que termina neste domingo (8), mostrou o lado triste dessa influência externa, como a desistência dos atletas muçulmanos em enfrentar um judoca israelense e a fuga da velocista Tsimanouskaya por medo de perseguição. Mas houve também a partida pacífica e cordial entre os times de basquete de Estados Unidos e Irã, países inimigos.
Veja abaixo momentos em que os conflitos no mundo foram retratados nos Jogos Olímpicos
Judocas se recusam a enfrentar israelense
Tohar Butbul, judoca de Israel, senta no tatame após derrota nas quartas dos Jogos Olímpicos de Tóquio para a categoria masculina até 73kg em 26 de julho
Sergio Perez/Reuters
O judoca Tohar Butbul, de Israel, viu dois rivais desistirem de lutar contra ele antes mesmo de iniciar a competição masculina para atletas de até 73 kg.
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O primeiro foi o argelino Fetih Nourine, que se retirou da competição ao saber do possível cruzamento da chave com o judoca israelense. O judoca desistente alegou que não enfrentaria um atleta de Israel em “respeito à causa palestina”. Ele já havia feito isso em 2019, contra o mesmo Tohar Butbul.
O exército de Israel e grupos palestinos como a milícia Hamas voltaram a se enfrentar neste ano, com conflitos graves na Faixa de Gaza que deixaram mais de 200 mortos, na pior série de confrontos na região desde 2014.
A desistência rendeu ao argelino Nourine uma suspensão pela Federação Internacional de Judô (IJF, na sigla em inglês).
Com isso, o sudanês Mohamed Abdalrasool, adversário de Nourine na primeira luta, passaria diretamente para a fase seguinte e, portanto, avançou direto para enfrentar o atleta israelense. Porém, mais uma vez, houve desistência.
Tohar Butbul, judoca israelense, em foto de arquivo
Reuters
Oficialmente, Abdalrasool não citou motivos políticos, mas dirigentes se convenceram de que o judoca do Sudão também desistiu ao saber que teria um confronto contra um representante de Israel.
Sudão e Argélia, ambos na África, são países de maioria árabe-muçulmana. No caso do Sudão, o país iniciou em 2020 uma normalização das relações com Israel, em um movimento que teve apoio do governo dos Estados Unidos. A Argélia, por sua vez, segue sem reconhecer a existência de um estado israelense.
O judoca israelense seguiu em frente na disputa, mas acabou caindo nas quartas de final e na repescagem. Dias depois, na competição do judô por equipes, levou uma medalha de bronze junto com outros atletas de Israel.
Torcedores de Hong Kong vaiam hino chinês
Shopping de Hong Kong lotado nesta sexta-feira (30) durante transmissão da natação nos Jogos Olímpicos de Tóquio
Tyrone Siu/Reuters
Centenas de torcedores assistiam a um shopping a vitória do atleta de Hong Kong na esgrima. O território participa das Olimpíadas separadamente da China, mas, durante as cerimônias de entrega da medalha de ouro, toca o hino chinês.
Uma sonora vaia acompanhada de gritos pró-independência de Hong Kong tomou a torcida local na hora em que o hino foi executado, o que foi transmitido pela televisão e viralizou nas redes sociais.
Os torcedores também cantaram “Somos Hong Kong”, uma canção comumente cantada pelos torcedores de futebol da cidade em cantonês — idioma majoritário no território e em outras partes do sul da China. Em Pequim, sede do poder chinês, fala-se o mandarim.
Por causa disso, a polícia de Hong Kong iniciou uma investigação com base na nova lei de segurança. No ano passado, as autoridades pró-Pequim promulgaram novas leis no ano passado proibindo qualquer insulto ao hino nacional e à bandeira chinesa.
O caso Krystsina Tsimanouskaya
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Krystsina Tsimanouskaya viajou a Tóquio sonhando competir nos 100m e 200m rasos. Participou das eliminatórias da prova mais rápida do atletismo olímpico. Mas a velocista de Belarus se viu em um pesadelo nos dias seguintes: dirigentes a colocaram em um carro rumo ao aeroporto para que voltasse imediatamente ao país de origem. Saiba tudo sobre o caso no VÍDEO acima.
No aeroporto, a atleta se recusou a embarcar no avião. Disse que temia ser punida no autoritário regime de Alexander Lukashenko e pediu proteção à polícia japonesa. Então, procurou ajuda na Embaixada da Polônia, país que deu a ela um visto humanitário, e enfim viajou ao país onde deve ficar abrigada por um tempo indeterminado.
LINHA DO TEMPO do caso Tsimanouskaya
Isso tudo aconteceu porque, dias antes, Tsimanouskaya fez postagens nas redes sociais criticando a escalação da atleta para o revezamento 4x400m, prova para a qual ela não estava inscrita inicialmente. Segundo a velocista, duas corredoras bielorrussas não passaram pelos testes antidoping e não puderam competir.
Krystsina Tsimanouskaya é escoltada por policiais no aeroporto de Tóquio, em 1º de agosto de 2021
Issei Kato/Reuters
As declarações irritaram os dirigentes de Belarus, que tentaram forçar o retorno da atleta alegando que ela passava por problemas de saúde mental. A justificativa não convenceu o COI, que abriu investigação.
Ao fim, um técnico e um dirigente bielorrussos tiveram as credenciais cassadas e foram expulsos da Vila Olímpica. Ainda não está claro se haverá mais punição ao Comitê Olímpico Bielorrusso, mas o COI já adiantou que as investigações continuam.
Ginastas do Azerbaijão usam preto por luto
Equipe do Azerbaijão de ginástica rítmica se apresenta nas Olimpíadas de Tóquio usando uniformes pretos neste sábado (7)
Lindsey Wasson/Reuters
As atletas da ginástica rítmica do Azerbaijão se apresentaram com um collant todo preto como sinal de luto pelas vítimas azeris nos recentes conflitos com a Armênia.
Os dois países do Cáucaso disputam o controle da região de Nagorno-Karabakh, também chamada de Artsakh, e os conflitos voltaram a se intensificar em setembro do ano passado. Estimativas apontam que mais de 2 mil pessoas morreram nos combates no segundo semestre de 2020. Embora as duas partes tenham chegado a um acordo, alguns enfrentamentos continuam.
O Azerbaijão tenta retomar o controle de Nagorno-Karabakh, que formalmente fica em território azeri, enquanto a Armênia quer manter o status autônomo da área acordado desde a década de 1990 pelos países do Grupo de Minsk: Rússia, Estados Unidos e França.
De um lado, armênios argumentam que são a maioria étnica e, por autodeterminação dos povos, têm direito ao controle de Nagorno-Karabakh. Do outro, os azeris entendem que também têm aquela região como parte do território histórico do Azerbaijão.
EUA x Irã fazem jogo pacífico no basquete
O iraniano Mohammad Jamshidijafarabadi caminha ao lado do americano Javale McGee ao fim da partida entre EUA e Irã no basquete masculino das Olimpíadas de Tóquio, em 28 de julho
Charlie Neibergall/AP Photo
Havia uma expectativa muito grande para o jogo de basquete entre as seleções de Estados Unidos e Irã na primeira fase do basquete masculino.
Os dois países, inimigos políticos desde 1979, vêm trocando hostilidades sobretudo após a saída dos EUA do pacto nuclear com o governo iraniano. Mais recentemente, novas sanções e operações militares americanas contra milícias pró-Irã no Oriente Médio pioraram o clima entre Washington e Teerã.
O que se viu em quadra, porém, foi uma partida pacífica e com trocas de sorrisos entre os jogadores. Técnicos e jogadores trocaram cumprimentos cordiais antes e depois da partida, sem que houvesse manifestações políticas.
“Acho que as pessoas e países diferentes, geralmente, se dão muito melhor do que seus governos”, disse o técnico dos EUA, Gregg Popovich.
“Estamos aqui apenas para jogar basquete”, afirmou o jogador iraniano Hamed Haddadi.
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Fonte: G1 Mundo