Os separatistas tomaram controle da capital regional de Tigray. Forças federais decretaram um cessar-fogo unilateral, mas agora pedem para que civis se alistem até mesmo em milícias. Rebeldes da região de Tigray, no norte da Etiópia, assumiram o controle da cidade de Lalibela, um patrimônio mundial da UNESCO
O governo da Etiópia, liderado pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed, pediu nesta terça-feira (10) a todos os etíopes capazes que sirvam nas forças armadas ou milícias para o confronto com os separatistas da região de Tigray.
Ahmed venceu o Nobel da Paz em 2019 por ter negociado um outro conflito, mas já no ano seguinte, mesmo tendo recebido o prêmio, seu país entrou em uma guerra civil.
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AP Photo
Há cerca de seis semanas, o governo da Etiópia declarou um cessar-fogo unilateral no Tigray.
“Agora, pela primeira vez para todos os etíopes que podem se alistar nas Forças de Defesa, nas Forças Especiais ou nas milícias para mostrar seu patriotismo”, afirma o governo.
A guerra entre as tropas federais e a Frente de Liberação do Povo de Tigray começou em novembro. Políticos de Tigray controlaram o país durante três décadas.
O governo decretou um cessar-fogo unilateral no dia 28 de junho, depois que as forças de Tigray recapturaram a capital regional, Mekele.
Para justificar o cessar-fogo, o governo federal afirmou que era preciso interromper a disputa por razões humanitárias, até o fim da estação para a plantação.
“Ficou aparente que os fazendeiros de Tigray não poderão ter segurança a não ser que o povo de Tigray seja separado do grupo terrorista para sempre”, afirmou o governo da Etiópia.
Cerca de 4 milhões de pessoas em Tigray e em outras regiões da Etiópia vivem em estado de insegurança alimentar, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU).
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Fonte: G1 Mundo