O protesto aconteceu na rua Estados Unidos, em frente ao escritório do Ministério das Relações Exteriores (MRE) no Jardim Europa, Zona Sul. No ato, os refugiados pediram os familiares que estão atualmente no Afeganistão possam migrar com urgência para o Brasil, na tentativa de fugir do Talibã. Refugiados afegãos fazem ato em SP na frente do escritório do Ministério das Relações Exteriores (MRE), no Jardim Europa.
Acervo pessoal
Refugiados e imigrantes afegãos que vivem na cidade de São Paulo realizaram na tarde desta sexta-feira (27) um ato em frente ao escritório do Ministério das Relações Exteriores (MRE) na Jardim Europa, Zona Sul da capital paulista.
No ato, eles pediram agilidade do governo brasileiro em conceder vistos humanitários para que os familiares deles que estão atualmente no Afeganistão possam migrar para o Brasil e fugir do Talibã, que assumiu o governo do país após o início da retirada das tropas norte-americanas.
Com faixas dizendo “diplomacia atrasada não serve de nada”, “ajuda ao povo afegão” e “urgência humanitária”, o grupo tentou ser recebido por algum representante do Itamaraty em São Paulo, mas não teve sucesso.
O ato aconteceu na rua Estados Unidos, em frente ao escritório do MRE na capital paulista.
Refugiados afegãos fazem ato em SP na frente do escritório do Ministério das Relações Exteriores (MRE), no Jardim Europa.
Acervo pessoal
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No dia 19 de agosto o Itamaraty disse ao G1 que avalia conceder vistos humanitários para afegãos depois que o Talibã assumiu o poder no país.
Segundo a pasta, em coordenação com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, os vistos humanitários seriam “em termos semelhantes aos concedidos a haitianos e sírios”.
Ainda não há, no entanto, detalhes de como seria o processo ou a duração da medida. No caso dos sírios, numa tentativa de agilizar a emissão do visto, houve uma simplificação no processo de concessão, com isenção de taxas e autorização de residência temporária no Brasil por dois anos.
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O pedido de visto humanitário, diferentemente do de refúgio, tem de ser feito fora do Brasil, em alguma autoridade consular. No caso do Afeganistão, a mais próxima é a Embaixada de Islamabad, no Paquistão.
O ministério afirma que acompanha “com preocupação” a evolução da situação atual no Afeganistão, depois que o grupo extremista Talibã retomou o poder e ocupou a capital Cabul, e que a Embaixada do Brasil em Islamabad está “à disposição para prestar informações a estrangeiros que tencionem ingressar ao território brasileiro, bem como para expedir eventuais documentos e vistos necessários para a viagem, à luz do ordenamento jurídico existente”.
E é exatamente este o caminho que pretende seguir o empreendedor afegão Masood Habibi, de 29 anos, que morou em São Paulo até maio e, desde então, está em Cabul tentando vir para o Brasil com a família.
Masood teve os pedidos de visto para seus parentes negados, segundo a Embaixada, por conta da pandemia. Agora, com a chegada do Talibã, está sem poder sair de casa desde domingo (15).
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Arquivo Pessoal
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“Com certeza vou entrar em contato com a embaixada para tentar novamente um visto, ou não sei como trazê-los [a mulher, o filho, o irmão e uma cunhada]. Mas primeiro precisamos sair do Afeganistão, tudo está fechado por enquanto, não temos um plano ainda, estou esperando por uma oportunidade”, afirma.
Sobre os vistos já negados à família de Masood, o Itamaraty informou que não “cabe comentar casos específicos de assistência consular”.
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Fonte: G1 Mundo