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França inicia julgamento sobre atentados de Paris de 2015

França reforça segurança para julgamento dos acusados pelos atentados de Paris de 2015
A França iniciou nesta quarta-feira (8) o julgamento de um dos ataques terroristas mais violentos da história do país, seis anos após a noite de horror que terminou com 130 mortos em Paris. Um dos agressores está vivo.
O julgamento do megaprocesso, que tem quase 1,8 mil partes civis envolvidas e 20 réus, começou às 13h17 (horário local, 8h17 de Brasília) no imponente Palácio da Justiça de Paris.
Seis réus serão julgados à revelia, e 12 podem ser condenados à prisão perpétua. O processo é tratado como o “julgamento do século” pela imprensa francesa e deve durar nove meses.
Presente no tribunal, o franco-marroquino Salah Abdeslam, de 31 anos, é o principal acusado pelos massacres perpetrados no dia 13 de novembro de 2015 no Stade de France, no norte de Paris, nos cafés da zona leste da capital e na casa de espetáculos Bataclan.
Risco de ataque
Usando máscara, o único terrorista vivo sentou-se no banco dos réus cercado por policiais. O esquema de segurança foi reforçado também do lado de fora do tribunal, devido ao risco de uma ameaça terrorista.
A preocupação das forças de segurança ocorre porque atentados foram registrados no país durante o julgamento do ataque à revista satírica Charlie Hebdo, em 2020.
Arthur Dénouveaux, sobrevivente do Bataclan e presidente da associação de vítimas “Life for Paris” (Vida para Paris), diz que o julgamento “é um salto para o desconhecido”.
Os atentados
Naquele momento, um homem-bomba detonou seus explosivos perto do Stade de France, onde acontecia um jogo amistoso entre França e Alemanha, com milhares de torcedores nas arquibancadas, incluindo o então presidente François Hollande.
Outros dois terroristas continuaram a ação, matando um motorista de ônibus. Abdeslam também deveria ter atacado, mas acabou fugindo para a Bélgica porque, segundo os investigadores, seu cinto de explosivos estava com defeito.
Então, no centro de Paris, dois comandos de três homens dispararam contra as pessoas que estavam em bares e restaurantes e no Bataclan, onde as forças de segurança lançaram um assalto depois da meia-noite.
O balanço do pior ataque em Paris desde a Segunda Guerra Mundial foi de 130 mortos e mais de 350 feridos, em um momento em que uma coalizão internacional lutava contra o EI na Síria e no Iraque e milhares de sírios tentavam chegar à Europa fugindo da guerra.
Quatro anos de investigação permitiram reconstituir grande parte da logística dos ataques e do percurso que os comandos tomaram: por uma rota migratória da Síria até os seus esconderijos alugados na Bélgica e perto de Paris.
Os investigadores descobriram uma célula terrorista muito maior e também responsável pelos atentados que deixaram 32 mortos em 22 de março de 2016 no metrô e no aeroporto de Bruxelas, outro ataque violento do período na Europa.
– “Até que eu morra” -“Os sobreviventes dos ataques de 13 de novembro têm uma necessidade urgente de explicação sobre o que aconteceu, o que sofreram”, disse a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, ao jornal Le Parisien, para quem este julgamento os ajudará em “seu processo de reconstrução”.
Para François Molins, ex-procurador de Paris, é necessário construir “uma memória coletiva que reafirme os valores da humanidade e da dignidade” e permitir que “as famílias das vítimas compreendam o que aconteceu”, disse à rádio RTL.
“A dor que tenho não vai ser reparada pela sentença proferida pelo tribunal. Sentirei dor até morrer e a falta de Juan Alberto terei até morrer”, assegurou à AFP Cristina Garrido, cujo filho foi assassinado no Bataclan.
O primeiro momento importante do julgamento terá início no final de setembro com os depoimentos dos sobreviventes e familiares das vítimas, durante cinco semanas, e suas associações já alertaram para a emotividade.
O interrogatório dos acusados – seis dos quais são julgados à revelia – acontecerá em 2022 e a principal questão será se Abdeslam vai abandonar o silêncio que tomou desde sua prisão na Bélgica em 2016, além de suas referências ao Islã.

Fonte: G1 Mundo