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Lava de vulcão nas Canárias pode gerar gases tóxicos se chegar ao mar


Lava do vulcão das Ilhas Canárias pode chegar ao mar e provocar explosões
As colunas de lava do vulcão Cumbre Vieja continuam engolindo tudo o que encontram em seu caminho, na lenta descida para a costa das Ilhas Canárias, na Espanha, e agora geram preocupações pela possível emissão de gases tóxicos quando atingir o Oceano Atlântico.
O encontro do magma ardente com o mar pode gerar explosões, ondas de água fervente e até nuvens tóxicas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).
“As nuvens criadas pela interação entre a água do mar e a lava são ácidas”, explica Patrick Allard, diretor de pesquisa do instituto francês de Geofísica do Globo, em Paris, à agência France Presse.
Esse “encontro” estava inicialmente previsto para a noite de segunda-feira (20), mas ainda não ocorreu devido ao avanço mais lento da lava.
Lava é expelida de vulcão no parque nacional Cumbre Vieja em El Paso, na ilha de La Palma, no domingo (19)
FORTA via Reuters
O Cumbre Vieja, que entrou em erupção no domingo (18), voltou a entrar em atividade ontem e obrigou a remoção de mais 500 pessoas, o que elevou para 6 mil os deslocados na ilha de La Palma, no arquipélago em frente à costa da África.
O magma está a cerca de 2 km do mar e avança por volta dos 200 metros por hora, mas autoridades não fazem uma nova previsão de quando as colunas de lava podem atingir a água.
O governo regional das Canárias decretou um “raio de exclusão de 2 milhas náuticas” (cerca de 3,7 km) ao redor de onde os fluxos de lava devem chegar, pedindo aos curiosos que não se desloquem à área.
O presidente da região, Ángel Víctor Torres, afirma que a “lava avança implacavelmente para o mar”, destruindo casas, e se disse “impotente” porque ela “continuará levando outras casas em seu trajeto até o mar”.
Por enquanto, a erupção do Cumbre Vieja destruiu 166 construções e cobre 103 hectares da ilha, segundo o sistema europeu de observação espacial Copernicus, que publicou uma imagem de satélite da ilha com as áreas afetadas.
9ª erupção
O surgimento de uma nova fissura eruptiva ontem à noite – a nona desde o início da atividade do Cumbre Vieja no domingo – obrigou a remoção de outras 500 pessoas em El Paso, elevando o total de deslocados para 6.000 em toda esta ilha de quase 85.000 habitantes.
Um deles é Israel Castro Hernández, que testemunhou sua casa ser destruída pela erupção – a primeira registrada na ilha desde 1971.
“O vulcão diz ‘saio por aqui’ e acaba com toda a sua vida praticamente”, lamenta este homem de 46 anos, em entrevista à AFPTV.
Junto a ele, sua esposa Yurena Torres Abreu ainda não conseguia assimilar o que aconteceu.
“Continuamos olhando para lá e não conseguimos acreditar. Ainda pensamos que nossa casa está debaixo desse vulcão”, contou emocionada. “Não há o que fazer. É a natureza”.
O vulcão expele colunas de fumaça que alcançam centenas de metros de altura e entre 8.000 e 10.500 toneladas de dióxido de enxofre por dia, segundo o Involcan. Apesar disso, o espaço aéreo da ilha permanece aberto e espera-se que os 48 voos programados para esta terça-feira sejam tomados com normalidade.
O Cumbre Vieja estava sob forte vigilância há uma semana devido a uma intensa atividade sísmica e, segundo o Involcan, a erupção pode durar “várias semanas ou alguns meses”.
“Sabemos quando começou, mas não sabemos o quanto resta”, lamentou Juan Aragón, um morador de La Palma que também precisou deixar sua casa.
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Fonte: G1 Mundo