O governo americano quer processar Assange nos EUA por um vazamento em massa de documentos confidenciais. Ele é considerado por seus simpatizantes uma vítima de ataques contra a liberdade de expressão. ‘Jornalismo não é crime’, diz faixa em protesto em Londres contra a extradição de Assange
Daniel Leal-Olivas/AFP
A Justiça do Reino Unido começou a analisar, nesta quarta-feira (27), se aceita o pedido dos Estados Unidos para reconsiderar uma decisão de não extraditar o fundador do WikiLeaks, Julian Assange.
O governo americano quer processar Assange nos EUA por um vazamento em massa de documentos confidenciais. Ele é considerado por seus simpatizantes uma vítima de ataques contra a liberdade de expressão.
O australiano, de 50 anos, decidiu não comparecer por videoconferência à audiência no Alto Tribunal de Londres, de acordo com seu advogado, Edward Fitzgerald.
Reino Unido rejeita extradição de Julian Assange para os EUA
Assange, que é australiano, passou sete anos na embaixada do Equador em Londres e dois anos e meio na penitenciária de segurança máxima de Belmarsh. Em janeiro, ele deu um passo para a liberdade: a juíza britânica Vanessa Baraitser rejeitou o pedido de extradição do governo dos EUA, alegando que existia a risco de Assange cometer suicídio. Nos EUA, ele pode enfrentar uma pena de 175 anos de prisão.
Julian Assange: por que a Justiça britânica decidiu não extraditar o fundador do Wikileaks para os EUA
Estratégia dos EUA
O governo dos EUA tenta reverter a decisão e, para isso, questiona a confiabilidade de um especialista que testemunhou a favor de Assange sobre a fragilidade de sua saúde mental.
De fato, o psiquiatra Michael Kopelman reconheceu que enganou a Justiça ao “ocultar” o fato de que seu cliente se tornou pai durante seu confinamento na embaixada do Equador em Londres.
A apelação judicial vai durar dois dias e é um dos últimos recursos do governo dos EUA. Se fracassar, restará apenas a Suprema Corte britânica.
Em caso de vitória, não será o fim de caso, que seguirá para outro tribunal que deverá julgar o mérito.
Protesto na frente do prédio da Justiça
Antes do início da audiência, dezenas de pessoas se reuniram diante do Alto Tribunal de Londres para expressar apoio a Assange.
O australiano conta com o apoio de várias organizações de defesa da liberdade de imprensa. Ele é procurado pelos EUA por espionagem, após a publicação de cerca de 700 mil documentos militares e diplomáticos confidenciais.
Ele foi detido pela polícia britânica em abril de 2019, depois de passar sete anos na embaixada do Equador em Londres, onde se refugiou quando estava em liberdade sob fiança. Ele temia a extradição para os EUA, ou para a Suécia, onde ele foi denunciado por estupro. Desde então, estas acusações foram retiradas.
Depois de visitá-lo no sábado, sua companheira, Stella Moris, disse que ele se encontra muito mal.
“Julian não sobreviveria a uma extradição. Essa é a conclusão da magistrada”, continuou Moris, considerando “aterrorizante” a possibilidade de se reverter a decisão de não extradição.
Veja os vídeos mais assistidos do g1
Fonte: G1 Mundo