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Músicos Pablo Milanés e Roberto Carcassés se mobilizam a favor de dissidentes cubanos


Artistas dedicam canções aos ativistas sitiados e perseguidos por patrulhas de simpatizantes do regime. Prédio onde vive Yunior Garcia, um dos líderes das manifestações em Cuba, é coberto com uma bandeira do país, em 14 de novembro de 2021
Alexandre Meneghini/Reuters
No dia da marcha contra o regime cubano, ativistas amanheceram sitiados e impedidos de sair de suas casas por patrulhas de agentes e policiais, travestidos de civis e milícias de simpatizantes do governo. Ganharam fôlego com a solidariedade de renomados artistas cubanos, que se mobilizam nas redes sociais.
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O pianista Roberto Carcassés, que em 2013 defendeu eleições diretas pela TV, compôs a conga “No hay quién me pare”, transmitida desde sábado pelo YouTube, e, junto com o rapper Etian Brebaje Man, conclama os cubanos a se manifestarem nesta segunda-feira e a perderem o medo de dizerem o que pensam.
“As ruas são de todos os cubanos / Deixem as bobagens e me dêem a mão / Andando,caminhando / As pessoas estão se juntando”, canta Carcassés. A nova música é apontada como o hino da marcha, tal como o rap “Pátria y Vida” atuou nos protestos de 11 de julho.
De Alicante, na Espanha, veio outra voz poderosa, a de Pablo Milanés, que em seu concerto na semana passada, fez questão de apoiar o dramaturgo Yunior García Aguillera, um dos organizadores da marcha, “e aos cubanos que ele representa, dentro e fora de Cuba.”
Veja abaixo um vídeo de julho sobre as manifestações em Cuba naquele mês.
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Fundador do Coletivo Arquipélago, García Aguillera planejava sair no domingo, vestido de branco e com uma rosa nas mãos, pelas ruas de Havana, mas foi proibido, assim como outros dissidentes, por seguidores do regime. “Não vamos permitir que você faça um show mediático”, bradaram duas mulheres na porta de sua casa, sob o pretexto de estarem à defesa da Revolução e da família.
O músico Omar Mena foi detido ao sair de sua casa, em Santa Clara, ao sair para comprar comida, denunciou sua mulher, a ativista Leidy Laura Hernandez. A ONG Cubalex contabilizou 53 detenções e tentativas de intimidação no sábado.
Foi para estes ativistas que Pablo Milanés dedicou a música “Flores del futuro”, composta há sete anos com Miguel Nuñez. (“Há um novo alento que levo por dentro/que está me anunciando com lucidez/Nem tudo está morto/Tem alguém acordado que estará pensando por você e por ele”)
Ele condenou com veemência as turbas, em sua opinião usadas pelo regime para “representar o melhor do povo”. “Tenho vergonha alheia que gente da minha raça se preste a ser como os antigos caçadores de quilombolas, de seu próprio suplício e dor. Vocês estão sendo usados. Acordem!”
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Fonte: G1 Mundo