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Entenda os dilemas de Biden que limitam a intervenção dos EUA no confronto com a Rússia

Apesar da vasta experiência em política externa, presidente americano não conseguiu dissuadir ação expansionista de Putin na Ucrânia. Biden anuncia sanções mais duras à Rússia; Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta sexta (25)
O longo caminho de Joe Biden até a Presidência dos EUA o qualifica também como um profundo conhecedor de Vladimir Putin. Como vice-presidente de Barack Obama, questionou se o russo tinha alma. Já no comando do governo americano, chamou-o de assassino. Diante do que agora se desenha como o maior conflito bélico da Europa desde a Segunda Guerra, Biden amplia o glossário para isolar Putin, referindo-se duramente a ele como pária e tirano, mas suas ações para coibi-lo estão limitadas pelo próprio cargo.
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O ataque brutal da Rússia a pontos estratégicos do território ucraniano confirmou a veracidade do prognóstico descrito insistentemente nas últimas semanas pelo presidente americano. O experiente Biden conseguiu a rara proeza de aglutinar seus aliados europeus contra Putin. Juntos, porém, foram incapazes de detê-lo.
Ao fracasso da diplomacia, somou-se a ampliação de sanções mais enérgicas contra a Rússia. O presidente americano tem sido frequentemente tachado de fraco por seus opositores republicanos, obcecados por recuperar o controle do Congresso nas eleições legislativas de novembro.
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As credenciais de Biden em política externa não o impediram de reconhecer publicamente os limites do cargo. A franqueza pode jogar a seu favor, ao admitir que os efeitos das sanções não são imediatos e que não teriam sido – como não foram – suficientes para interromper o projeto expansionista de Putin.
Biden equilibra-se entre os esforços para isolar a segunda maior potência militar do planeta e, ao mesmo tempo, equacionar as angústias dos americanos em relação à inflação e aos efeitos das sanções no aumento do preço da gasolina, por exemplo. A agressão russa a um país mais fraco atrasa também a agenda doméstica do presidente, como a indicação de uma juíza negra para a Suprema Corte.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na quarta-feira, antes da invasão, revelou que apenas 34% dos americanos apoiam a condução de Biden na crise – índice similar ao de sua popularidade em geral.
O que se pode tirar do seu pronunciamento desta quinta-feira, enquanto a Ucrânia era atacada por terra, ar e mar, é que Putin ainda tem lastro para agir em sua empreitada expansionista, convicto de que a Otan, liderada pelos EUA, não intervirá num conflito que não envolva diretamente um de seus países membros.
A rota traçada por Biden para dissuadir Putin se prenuncia prolongada e desgastante. Ele se vê restrito pelos parceiros europeus, principalmente a Alemanha, para implementar medidas mais drásticas contra a Rússia, como a sua expulsão do sistema de mensagens financeiras SWIFT. A dependência europeia do gás russo impõe ao presidente americano um cálculo complicado para sustentar a unidade da Otan.
Veja vídeos para entender a crise entre a Rússia e Ucrânia

Fonte: G1 Mundo