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Já perseguida anteriormente, comunidade LGBTQIA+ na Ucrânia se diz aterrorizada com invasão russa


Rússia tem lei contra ‘propaganda gay’ e ameaça constantemente organizações LGBTQIA+ de fechamento. Manifestação LGBTQIA+ em Kharkiv, na Ucrânia, em foto de 2019
Gleb Garanich/Reuters
Enquanto mísseis atingem a capital da Ucrânia, a ativista pelos direitos LGBTQ+ ucraniana Olena Shevchenko disse que a perspectiva de ocupação russa aterroriza a sua comunidade, com muitas pessoas desse grupo fugindo de Kiev.
Os ativistas LGBTQIA+ ucranianos já frequentemente sofrem abuso e assédio de setores de extrema-direita. Já a comunidade lésbica, gay, bissexual e transgênero da Rússia enfrenta crescente perseguição desde que o Kremlin adotou uma lei contra “propaganda gay” em 2013.
“Não será possível (para pessoas LGBTQIA+) ficar, especialmente se for uma ocupação longa”, diz Shevchenko, presidente da organização de direitos LGBTQIA+ Insight.
O sexo gay é legal na Rússia, mas o Estado muitas vezes ameaça as organizações LGBTQIA+ com o fechamento.
A lei de 2013 proibiu a divulgação de “propaganda sobre relações sexuais não tradicionais” entre russos com menos de 18 anos. O presidente Vladimir Putin a classifica como parte de um esforço para defender “valores tradicionais”.
Na quinta-feira, Putin desencadeou o maior ataque a um estado europeu desde a Segunda Guerra Mundial, chocando o mundo e levando dezenas de milhares de pessoas a fugir de suas casas.
Muitas pessoas buscaram refúgio no oeste do país, longe do aumento dos combates relatados nas regiões contestadas do leste e ao redor de Kiev.
Tymur Levchuk, cofundador da organização de direitos LGBTQIA+ Fulcrum, chegou da capital na cidade ocidental de Lviv, perto da fronteira polonesa, na manhã desta sexta-feira com sua família.
“Muitas pessoas LGBTQIA+ estão tentando deixar Kiev agora para cá ou para Odessa (no sul) e outras regiões”, diz Levchuk.
“As pessoas LGBTQIA+ se sentiam inseguras antes, mas agora elas têm um nível muito maior de insegurança”.
A Ucrânia legalizou o sexo gay em 1991, mas elementos conservadores na nação cristã ortodoxa muitas vezes se manifestam contra os direitos das pessoas LGBTQIA+, e membros da extrema-direita visam regularmente grupos e eventos ligados à comunidade.
Antes do ataque russo, organizações de notícias estrangeiras citaram informações anônimas dos EUA dizendo que a Rússia poderia tentar reprimir a dissidência após uma invasão, visando críticos, incluindo jornalistas e ativistas, incluindo pessoas LGBTQIA+.
Tanto Shevchenko quanto Levchuk disseram temer que pudessem ser alvos.
Andrii Kravchuk, do Nash Mir Center, que monitora a violência anti-LGBTQIA+ na Ucrânia, disse que ele e seu parceiro estavam pensando em deixar a capital.
“Meu namorado e eu já temos a experiência de viver sob bombardeios e sabemos o que acontecerá a seguir”, disse Kravchuk por e-mail. “É difícil suportar a tensão constante e ouvir todos os sons do lado de fora da janela.”

Fonte: G1 Mundo