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Assassinato de Al-Zawahiri é vitória para Biden, mas expõe fracasso de ocupação americana no Afeganistão


Presidente americano tenta se redimir de retirada catastrófica do país, mas dificilmente morte do terrorista dará impulso aos democratas. Presidente dos EUA, Joe Biden, conversa com funcionários e imprensa no jardim da Casa Branca após sair de isolamento por causa da Covid-19
REUTERS/Jonathan Ernst
Sim, o assassinato de Ayman al-Zawahiri, comandante da al-Qaeda e a mente mais prodigiosa dos atentados de 11 de Setembro, é uma vitória para o impopular Joe Biden, que se encontra numa enrascada política e econômica. A cem dias das eleições legislativas, contudo, a eliminação do parceiro de Osama bin Laden, dificilmente dará impulso aos democratas e se reverterá nos votos de que tanto precisam para manter o controle do Congresso.
Com a autorização para alvejar o terrorista por meio de um ataque a drone, o presidente americano tenta se redimir da trágica retirada do Afeganistão, o ponto de partida para a queda de seu prestígio. Ao mesmo tempo, expõe novamente o fracasso da política externa dos EUA ao manter a ocupação de duas décadas no país asiático e a humilhante saída das tropas americanas.
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Em agosto passado, quando decidiu encerrar a guerra, Biden se justificou das cenas catastróficas produzidas no aeroporto de Cabul pela retirada abrupta dos EUA do país. “Que interesse temos no Afeganistão neste momento com o fim da al-Qaeda? Fomos ao Afeganistão com o propósito expresso de nos livrarmos da al-Qaeda no Afeganistão. E isso nós conseguimos.”
Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri posam para foto em imagem divulgada em 10 de novembro de 2001
Hamid Mir/Jornal Dawn/Via Reuters
Um ano depois, Biden comemora o assassinato do líder da rede terrorista e a determinação dos EUA de perseguir suas células, não importa onde se escondam. “Agora, a justiça foi feita e esse líder terrorista não existe mais.”
É de se estranhar, na lógica imaginada pelo presidente americano, a facilidade com que al-Zawahiri foi localizado e vivia, numa casa em um bairro rico de Cabul e não entocado numa caverna na região montanhosa do país. O livre trânsito do terrorista na capital afegã evidencia também a clara violação do acordo firmado por Donald Trump com o Talibã, no qual o grupo assegurava que não daria guarida à al-Qaeda no país.
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Mais ainda: diante de ambiente tão seguro, o que fazia al-Zawahiri no Afeganistão e quais eram os seus planos? Não saberemos. O ataque com drones poupa vidas americanas, mas elimina também a possibilidade de coleta de material e ainda inflige ao acordo outra violação, desta vez cometida pelos EUA: a de que não atacaria o país.
Não resta dúvida: ao assassinar al-Zawahiri, os EUA se livraram de mais um perigoso terrorista, símbolo do maior ataque em solo americano, que vitimou três mil pessoas. Mas o fato de ele estar justamente no centro do poder afegão é mais um indício de que duas décadas de guerra e ocupação pouco contribuíram para mudar a realidade do país.

Fonte: G1 Mundo