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O que acontecia na porta da casa de Cristina Kirchner quando um brasileiro tentou atirar contra ela


Há cerca de uma semana, centenas de apoiadores da vice-presidência fazem vigília em frente à residência de Kirchner, após o Ministério Público pedir 12 anos de prisão para ela. Caso reascendeu kirchnerismo no país. Manifestantes e policiais de choque do lado de fora da casa da vice-presidente Cristina Kirchner
Getty Images
Quando tentou atirar contra a vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, o brasileiro Fernando Sabag Montiel, de 35 anos, estava no meio de uma multidão que pedia autógrafos a Kirchner, a cumprimentava e gritava palavras de apoio a ela.
Mas o que tanta gente fazia lá naquele momento?
Há uma semana, centenas de apoiadores de Kirchner realizam diariamente uma espécie de vigília na casa da ex-presidente Argentina – que comandou o país entre 2007 e 2015 e, como o seu marido, o também ex-presidente Néstor Kirchner, colecionou uma legião de seguidores e opositores pelo modelo de política que criaram, o kirchnerismo.
O motivo é um pedido de prisão a Cristina Kirchner feito pelo Ministério Público da Argentina, que enfureceu os kirchneristas. A Promotoria pede 12 anos de prisão para a vice-presidente, além da perda dos direitos políticos, por conta de um caso de um esquema de desvio de dinheiro público através de empresários que faziam contratos com o Estado e que, segundo a acusação, repassavam parte da verba dos contratos a Cristina diretamente quando ela era presidente do país.
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A Justiça deve julgar o caso ainda no fim deste ano, mas a acusação do MP reascendeu um feroz e apaixonado movimento de apoio a Kirchner – e também de opositores ao casal Kirchner. Desde o pedido de prisão, grupos que criticam a vice-presidente também se reúnem em frente à sua residência, no bairro da Recoleta, em Buenos Aires. Ambos os lados trocam ofensas e gritos e palavras de ordem de apoio e crítica a Cristina Kirchner.
A polícia interveio diversas vezes, e, na quinta-feira, o prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta – adversário político de Kirchner – determinou o isolamento de parte da área ocupada pelos manifestantes, o que gerou ainda mais protestos.
Nesta sexta-feira (1º), os apoiadores de Cristina voltaram a ocupar o local.
A Justiça da Argentina deve julgar o processo até o fim deste ano. Mas, além deste, mais de dez outros casos de suposta corrupção pesam sobre ela.
Kirchner, uma advogada de 69 anos que foi senadora, primeira-dama, presidente e, agora, vice-presidente da Argentina, nega as acusações de corrupção: “Nada, absolutamente nada do que (os promotores) disseram foi provado”, disse ela em um discurso de mais de duas horas transmitido pelas rede sociais de seu gabinete no Senado (na Argentina, o vice-presidente também é o presidente do Senado).

Fonte: G1 Mundo