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‘Aos 10, vivia em casa com traficantes’: britânica conta como escapou de violência e abusos


Britânica Aliyah cresceu sob negligência, fome e abusos dentro de casa, um padrão muitas vezes oculto e comum para garotas, dizem especialistas. Aliyah cresceu sob negligência e violência, um padrão comum para muitas garotas, dizem especialistas
BBC
À primeira vista, Aliyah se parece com qualquer outra garota de 24 anos: ela adora moda, posta selfies no Instagram e parece feliz.
Mas seu sorriso esconde um histórico de abusos e exploração — um padrão que os especialistas alertam ser muito comum entre adolescentes negligenciadas.
As primeiras lembranças de Aliyah não são de viagens em família e de ursinhos de pelúcia.
Em vez disso, ela se lembra de voltar da escola e se sentir aliviada ao ver que a janela da frente estava aberta. Isso significava que seu pai estava deixando entrar ar em casa para ventilar a fumaça das drogas.
Aliyah não sabia muito sobre drogas naquela época. Mas aprendeu que a janela aberta significava que ele estaria de bom humor.
“Se a janela estivesse fechada, era sinal de que não havia fumaça, então o papai não estava tendo o que precisava”, diz ela.
Na época, ninguém fora da família sabia o que acontecia a portas fechadas em sua casa no sul de Londres.
Ela diz que havia violência na residência e, às vezes, sobrava para Aliyah.
Ela e a irmã se abraçavam no beliche chorando até dormir durante a noite.
Aliyah na infância; ela lembra de quando ia para a escola com fome
Arquivo pessoal/BBC
Às vezes, o dinheiro era escasso e, como resultado, a comida também — Aliyah se lembra dos dias em que não havia nada em casa e ela ia para a escola com fome.
Se passariam anos até que Aliyah e seus irmãos fossem acolhidos pelo serviço social.
Aliyah sente que foram perdidas oportunidades de proteger a ela e a seus irmãos — ela se lembra dos pais apresentando sua “melhor versão” quando as autoridades apareciam.
Histórias como a dela seguem um padrão clássico, diz Kendra Houseman, consultora em atividades criminais infantis:
“Se o lar não for um lugar seguro, isso as torna vulneráveis ​​à exploração”.
E ela adverte que há muito mais garotas como Aliyah escondidas por aí.
Mas desafiando todas as expectativas, Aliyah finalmente conseguiu mudar sua vida.
Em um dia ensolarado, quando ela tinha oito anos, o pai de Aliyah convidou amigos para comemorar seu aniversário.
Alguém deu champanhe a Aliyah. Ela bebeu tanto que teve que ser levada ao hospital com intoxicação por álcool.
Foi o início da história de Aliyah no consumo abusivo de álcool.
“Depois disso, eu apenas bebia — sempre queria beber”, diz ela.
Aos 13, Aliyah se tornou dependente de álcool.
“A bebida se tornou um problema: eu bebia porque estava deprimida.”
O casamento de seus pais acabou, seu pai saiu da casa da família e, com o tempo, o local se tornou o que é conhecido nos círculos das drogas como uma trap house — uma propriedade onde as drogas e armas eram armazenadas, e onde os traficantes se reuniam.
Aliyah se lembra de ter sido deixada sozinha lá uma vez.
Ainda criança, ela presumiu que era sua culpa, de alguma forma:
“Eu honestamente não sabia o que tinha feito. Eu tinha 10 anos, deixada com todos esses traficantes na minha casa”, diz ela.
Havia um homem, um visitante regular da casa, que percebeu que algo estava errado.
“Ele demonstrou um cuidado mais genuíno”, diz ela.
Ele cuidaria de Aliyah, se tornou um amigo e permanece em contato com ela até hoje.
“Acho que ele viu uma garotinha que não tinha os pais, do jeito que ela precisava, e acho que ele só queria mostrar um pouco de apoio aqui e ali quando podia.”
Mas embora Aliyah estivesse no sistema de proteção à criança, ela ainda era deixada para viver nessas circunstâncias — e Aliyah tem dificuldade de entender a conduta das autoridades.
“Acho que eles deixaram de ver muitas coisas”, diz ela. “Hoje em dia, se isso acontecesse numa casa, a criança teria sido retirada de lá imediatamente.”
Finalmente, quando Aliyah tinha 12 anos, ela foi levada pela assistência social. No entanto, nessa época ela já era uma criança profundamente problemática.
Aliyah diz que passou por cerca de 20 lares adotivos em um período de três anos. Ela fugia e dormia na rua. Bebia até desmaiar.
Na escola, seu comportamento piorou — ela quebrava coisas e intimidava outras crianças.
Ela se lembra de sentir que não tinha saída e de que estava existindo em modo de sobrevivência. Ela se automutilou e tentou se suicidar em várias ocasiões.
Enquanto andava com adolescentes mais velhos, ela foi atraída para um mundo de crime, violência e drogas.
Aliyah começou a furtar, roubar e agredir pessoas — o trauma de sua infância a colocou em um caminho destrutivo, diz ela.
Ela logo ganhou uma reputação ruim — se algum integrante da gangue saísse da linha, Aliyah seria a encarregada de punir a pessoa fisicamente.
“Foram anos me machucando e machucando outras pessoas”, diz ela. “Foi por causa do que eu passei — as coisas pelas quais eu não merecia passar, que estavam me afetando.”
“Roubou minha infância. Foi tirada de mim muito jovem. Eu não pude recuperá-la porque as coisas só pioraram depois disso.”
Tudo isso a tornava um alvo primordial para aliciamento.
Aliyah acabou conhecendo um homem mais velho na casa dos 20 anos que a convenceu de que eles estavam em um relacionamento.
“Achei que estivesse apaixonada por ele”, diz ela.
Mas a realidade era muito diferente.
“Ele me fez vender drogas para ele”, afirma. “Não consegui perceber que estava sendo explorada.”
Depois, eles terminaram.
Rita Jacobs, assistente social em Londres, diz que esse “modelo de namorado” de exploração é o que ela observa com cada vez mais regularidade.
“Algumas garotas não têm consciência de que estão, na verdade, sendo exploradas — elas acreditam que estão em um relacionamento amoroso com um parceiro, e o que não percebem é que o parceiro é, na verdade, um agressor”, explica Jacobs.
O aliciamento de Aliyah ocorreu sem uso da internet. Mas Hannah Ruschen, da ONG britânica Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças (NSPCC, na sigla em inglês), diz que na década seguinte, a tecnologia tornou ainda mais fácil atingir e explorar meninas vulneráveis.
De acordo com a instituição, 5.441 crimes de comunicação sexual com crianças foram registrados na Inglaterra e no País de Gales durante 2020/21 — um aumento de 9% em relação ao ano anterior, e um crescimento de 69% em relação a 2017/18, quando o crime foi introduzido pela primeira vez.
A NSPCC também afirma que mais de 80% das crianças que são aliciadas online são meninas — e que a maioria dessas crianças tem entre 12 e 15 anos.
“Devido à forma como há acesso constante à criança pela internet, isso pode acontecer muito rapidamente”, diz Ruschen.
“Pode ir de um simples ato como uma solicitação de amizade e rapidamente evoluir para o compartilhamento de imagens online.”
Aos 14 anos, Aliyah fugiu de seu lar adotivo. Ela ficou na casa de vários amigos. Sabia que tinha sido dada como desaparecida, então não podia sair.
O isolamento acabou se tornando excessivo, e ela se entregou em uma delegacia de polícia. E foi encaminhada à uma casa de reabilitação de jovens.
Ela não sabia disso na época, mas seria o primeiro passo rumo a sua mudança de vida.
Quando chegou a Bridges Lane, um prédio grande em Croydon, no sul de Londres, Aliyah tinha 15 anos.
Ela fechou a cara, como se não estivesse com medo, mas no fundo ela estava — era uma experiência nova para ela.
Em seu primeiro dia, um membro adulto da equipe estabeleceu as regras: havia toque de recolher e ela tinha que chegar em casa na hora. Todas as noites, todos os residentes se sentavam e jantavam com os cuidadores.
“Ela simplesmente ditou as regras para mim, e era disso que eu precisava”, lembra Aliyah.
Ela nunca havia experimentado disciplina antes.
“Eu adorei. Só não demonstrei, porque não confiava em ninguém.”
Aliyah teve um começo conturbado em Bridges Lane — se comportando mal, vendo até onde conseguia ultrapassar os limites.
“Acho que estava testando eles, mas também clamando por ajuda”, diz ela.
“Eu precisava de uma família. Eu só queria chorar e abraçar alguém, e eu tive que fazer isso aqui. E eu conheci Rowena.”
Rowena Miller era a assistente social designada a ela — era o primeiro trabalho de Rowena.
De alguma forma, Aliyah soube instantaneamente que Rowena, em última análise, a protegeria. Foi a primeira vez na vida que sentiu que alguém acreditava nela.
“Definitivamente, estava traumatizada com a minha vida”, diz ela. “E um pouco disso ainda vive em mim agora.”
“Sei como lidar com isso muito mais do que antes — porque não sabia que estava traumatizada. Antes, não sabia o que estava acontecendo.”
Os efeitos da exploração podem durar anos, e muitas garotas como Aliyah nunca conseguem escapar disso. Mas Aliyah conseguiu.
“Aquela casa me acalmou”, diz ela. “Eu não estava mais perdida.”
Ela deixou Bridges Lane com uma nova atitude. E, aos 16 anos, descobriu que estava grávida. Foi um alerta.
“Eu não deixaria meu filho vivenciar nem mesmo um quarto do que eu passei”, diz ela.
Ela sabia que ainda estava no radar do serviço social e que seu bebê seria tirado dela se transgredisse. Então compareceu a todas as reuniões para as quais foi chamada e seguiu as instruções para parar de fumar e beber.
Sete anos atrás, sua filha nasceu. Foi uma gravidez difícil, mas ela acredita que a experiência mudou sua vida.
“Se não fosse por ela, eu não estaria aqui — ela me salvou”, disse Aliyah.
“Ela tem sete anos e não experimentou nada do que eu vivenciei quando tinha sete. E agradeço ao Senhor todos os dias por isso.”
Hoje, Aliyah mora com sua filha no que ela descreve não apenas como uma casa, mas também como um lar.
Elas vivem uma vida normal — Aliyah trabalha, gosta de escrever poesia e está prestes a começar a estudar para se tornar uma assistente social e poder ajudar as crianças da mesma forma que Rowena a ajudou.
“Ainda estou numa jornada. Minha filha está sob meus cuidados. Sou mãe, tenho um lar, não uma casa. Eu trabalho. A comunidade da região onde moro sorri para mim todos os dias. Consegui. E estou em um lugar melhor. ”
Vídeos: Os mais assistidos do g1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

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Presidente do BC vê piora nas expectativas de inflação em meio a crise mundial de combustíveis

Petrobras anunciou novo aumento da gasolina e do gás de cozinha nesta sexta. IPCA acumulado em 12 meses voltou à casa dos dois dígitos e atingiu 10,25%, maior taxa em cinco anos. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, avaliou nesta sexta-feira (8) que as expectativas de inflação devem piorar diante do aumento nos preços dos combustíveis.
“Quando olhamos para expectativas de inflação, novamente, o Brasil teve um grande salto. Isso provavelmente vai piorar com o anúncio de aumento nos preços da gasolina hoje. Quando se olha para outros países, os preços estão ficando mais altos a cada semana”, afirmou, em evento virtual de um banco de investimentos.
A Petrobras anunciou nesta sexta que vai aumentar o preço da gasolina e do gás de cozinha (GLP) para suas distribuidoras a partir deste sábado (9). O salto será de 7,2% para cada produto.
O preço dos combustíveis tem sido o item de maior impacto na alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país.
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (8), no acumulado em 12 meses a inflação voltou à casa dos dois dígitos e atingiu 10,25%.
Trata-se da maior taxa anualizada desde fevereiro de 2016, e o pior setembro desde a implementação do Plano Real. Veja no vídeo abaixo:
Inflação oficial tem maior taxa para meses de setembro desde o Plano Real
Só a gasolina, segundo o IBGE, representou alta de 1,93 ponto percentual sobre o indicador geral. Isso significa que, da taxa de 10,25%, quase 2 pontos percentuais se devem ao combustível.
Segundo o relatório “Focus”, divulgado pelo BC na última segunda-feira (4), o mercado financeiro elevou pela vigésima sexta vez consecutiva as expectativas para o IPCA para os anos de 2021 e 2022.
A pesquisa com mais de 100 instituições financeiras apontou que o mercado espera que a inflação acumulada em 12 meses seja de 8,51% no final de 2021.
Crise energética mundial
Campos Neto afirmou que os preços para geração de energia têm subido vertiginosamente tanto nas economias desenvolvidas quanto nos países emergentes – o que impulsiona a inflação de maneira persistente. O presidente do BC destacou ainda que, entre as economias, o Brasil foi quem registrou elevação mais pronunciada.
“Quando olhamos para a inflação dos consumidores [como o IPCA], o Brasil está muito alto no gráfico. Há outros países próximos no gráfico, mas a tendência é subir ainda mais.”
Veja detalhes sobre a crise energética mundial no vídeo abaixo:
Crise energética segue pressionando principais bolsas mundiais
Por fim, o presidente do BC ponderou que durante a pandemia foi observado um deslocamento da demanda por serviços para a demanda por mercadorias. Esse movimento, diz Campos Neto, tende a ser persistente mesmo após a reabertura do comércio na maior parte dos países.
Nesse sentido, o chefe do Banco Central afirmou que o Brasil acertou em começar a aumentar a taxa Selic a partir de março deste ano. O ano começou com a Selic a 2% e, após cinco altas consecutivas, a taxa básica de juros da economia chegou a 6,25% anuais.
“O Brasil começou cedo na resposta monetária. Acho que vamos ver uma onda de países ajustando taxas de juros. Vários países pensaram que [a alta da inflação] seria temporária, mas [já] veem como mais persistente”, declarou.

Fonte: G1 Mundo

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Mais de 100 jornalistas mortos em 30 anos: conheça os riscos à imprensa na Rússia e nas Filipinas, de onde vêm os ganhadores do Nobel da Paz


Comitê premiou Maria Ressa e Dmitry Muratov como símbolos de vozes críticas contra o autoritarismo e a desinformação. Entenda quais os riscos para a liberdade de imprensa nos dois países. Protesto em defesa da liberdade de imprensa nas Filipinas em foto de arquivo em 19 de janeiro de 2018
Bullit Marquez/AP
Em quase três décadas, ao menos 145 jornalistas foram mortos na Rússia e nas Filipinas durante o exercício da profissão, informou nesta sexta-feira (8) o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).
O informe foi feito logo após o Nobel da Paz premiar a jornalista filipina Maria Ressa e o russo Dmitry Muratov por suas “vozes críticas contra o autoritarismo e a desinformação”.
Segundo a organização internacional que presta apoio para profissionais em áreas de risco, nos dois países em que trabalham dos vencedores do prêmio, a situação é grave.
Nesta reportagem, o g1 mostra as dificuldades que jornalistas enfrentam e quais são as ameaças para a liberdade de imprensa em cada um dos dois países dos ganhadores do Nobel.
Maria Ressa e Dmitry Muratov, jornalistas vencedores do Nobel da Paz
Isaac LAWRENCE, Yuri KADOBNOV / AFP
145 mortes desde 1992
O informe do CPJ revelou que desde 1992, quando começaram a contabilizar os dados, foram ao menos 145 jornalistas mortos enquanto trabalhavam nas Filipinas e na Rússia.
Ainda segundo o comitê, na última década, aumentou o número de ataques a profissionais da imprensa nos dois países, que estão também entre os que têm maior impunidade para esse tipo de crime.
Em três décadas, 58 jornalistas foram mortos por fazer seu trabalho na Rússia. O número é ainda maior nas Filipinas, com 87 profissionais da imprensa assassinados.
O CPJ destaca a gravidade do episódio conhecido como o massacre de Maguindanao, em 2009, que resultou na morte de 32 jornalistas filipinos no ataque mais mortal contra profissionais da imprensa no mundo (leia mais adiante).
Alta impunidade
No relatório intitulado “Getting Away with Murder” (Se livrando de assassinato, em tradução livre) a entidade lista os países em que mais crimes contra jornalistas ficaram impunes.
As Filipinas ocupam o 7º lugar neste ranking, com 11 casos não resolvidos. Já a Rússia figura no 11º lugar, com 6 casos. Na contagem, o Brasil também aparece entre as nações com alta impunidade.
Colado nas Filipinas, o Brasil está na 8ª posição com 15 casos não resolvidos. O cálculo da CPJ leva em conta o número de mortes em comparação com a população, por isso o Brasil – com mais casos – está atrás do país das Filipinas, e não o contrário.
Massacre de Maguindanao
Exército filipino contribuiu com as buscas pelas vítimas do massacre, foto de arquivo
Erik de Castro/Reuters/Arquivo
Citado pela CPJ como o mais mortal ataque contra profissionais da imprensa no mundo, o episódio conhecido como Massacre de Maguindanao terminou com a morte de 32 jornalistas nas Filipinas.
Em novembro de 2009, homens armados sequestraram 60 civis – entre eles jornalistas, advogados e políticos–, e os executaram em uma área remota da província de Maguindanao, no sul do país.
O Exército filipino precisou ser acionado para ajudar nas buscas pelos corpos, que foram enterrados em covas não identificadas.
O ataque estava relacionado às eleições regionais que aconteceriam no ano seguinte. Um ex-governador foi apontado como um dos mandantes do crime, que teve motivação religiosa e política.
A guerra às drogas de Duterte
Mais recentemente, sob o governo de Rodrigo Duterte, as Filipinas organizam uma verdadeira guerra às drogas, contra traficantes e usuários, no país.
A dura repressão, com execuções sumárias, é criticada pela comunidade internacional, pela imprensa e opositores.
Por conta de sua cobertura contrária às execuções – que seriam muitas vezes ilegais e escondidas em ações policiais –, Ressa, que levou o Nobel, sofre uma campanha de perseguição do governo do país.
Rodrigo Duterte, presidente das Filipinas, durante campanha eleitoral em abril de 2016
Erik de Castro/Arquivo/Reuters
O Rappler, portal de notícias da jornalista filipina, publicou reportagens sobre os assassinatos de pessoas suspeitas de usarem drogas e revelou o uso fake news pelo governo de Duterte.
“Rappler deu atenção à campanha assassina do regime de Duterte. O número de mortes é tão alto que parece uma guerra contra a própria população do país”, afirmou a porta-voz do Nobel, Berit Reiss-Anderson.
Ressa já foi processada por conta do seu trabalho, e também recebeu ataques de aliados do governo — um desses, o jornal “The Manila Times” de Dante A. Ang, amigo pessoal de Duterte.
A publicação a acusou, sem provas, de pertencer a um grupo que planeja um golpe contra o presidente filipino que vinha considerando se candidatar à reeleição – o que não é permitido pela Constituição.
Ele desistiu após críticas da população e decidiu se retirar da vida política. Especula-se, agora, que ele tentará fazer com que a filha, Sara Duterte-Carpio, concorra ao cargo.
Na Rússia, jornalistas viram ‘agentes externos’
O governo da Rússia tem uma lista de 85 jornalistas ou veículos de imprensa que foram classificados como “agente externos”.
Em 2012, o país adotou uma lei que já foi alterada diversas vezes, mas na essência permanece a mesma: os veículos que entram para a lista passam a ter que submeter seus balanços a uma auditoria, precisam informar quais foram as informações que receberam de pessoas de fora da Rússia e sofrem uma série de restrições, de acordo com o CPJ.
Se o veículo de imprensa não observar essas regras, está sujeito a multas.
Nos últimos meses, o governo chegou a ordenar batidas policiais nas casas de repórteres importantes do país, de acordo com a agência de notícias Associated Press.
Mulher põe flor em memorial à jornalista russa Anna Politkovskaya, que cobria abusos na região da Chechênia quando foi morta em seu apartamento em Moscou, foto de arquivo
Pavel Golovkin/AP
Não são só empresas jornalísticas que enfrentam esse tipo de assédio do governo: organizações de direitos humanos enfrentam problemas semelhantes —duas delas fecharam as portas recentemente.
O governo da Rússia nega que esteja perseguindo a liberdade de imprensa, e afirma que a classificação de “agente externo” não impede os jornalistas de atuar.
A “Novaya Gazeta”, o jornal de Dmitry Muratov, um dos vencedores do Prêmio Nobel da Paz de 2021, é o principal veículo de imprensa independente que ainda não foi declarado um agente estrangeiro.
De 1993, quando foi fundado, até hoje, seis pessoas da sua redação foram mortos. Todas as mortes ocorreram depois que Vladimir Putin chegou ao poder na Rússia.
Uma das primeiras vítimas de assassinato da redação foi Yuri Shchekochikhin, que, além de repórter, era um parlamentar. Ele morreu em 2003 de uma doença misteriosa na pele —a “Novaya Gazeta” concluiu que foi um envenenamento. O repórter estava com viagem marcada para os Estados Unidos, onde iria participar de reuniões com agências de informação americanas.
O caso mais famoso, que foi citado na premiação do Nobel, é de 2006. Anna Politkovskaya, que fazia uma cobertura crítica do governo russo na Chechênia, foi assassinada. A morte dela foi interpretada como uma resposta ao seu trabalho. Ninguém foi condenado.
Em 2009, houve dois assassinatos: Anastasia Boburova, uma outra jornalista da “Novaya Gazeta”, foi assassinada a tiros na rua. E uma colaboradora do jornal, Natalia Estemirova, foi sequestrada e assassinada na Chechênia.
A “Novaya Gazeta” é tida como um jornal que frequentemente se choca com as autoridades da Rússia responsáveis pela lei.
Um dos donos do jornal é o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev —aliás, para fundar a “Novaya Gazeta” ele usou o dinheiro do prêmio Nobel que ele mesmo venceu. Há outros donos, como um ex-agente da KGB (o serviço secreto soviético) que se tornou um banqueiro e a própria equipe, que também é sócia.
Envenenamento, prisão e morte de opositores
Em agosto de 2020, Alexander Navalny, o principal político de oposição a Vladimir Putin na Rússia, foi envenenado com uma substância chamada novichok, que foi fabricada na época da União Soviética.
Ele saiu do país para receber tratamento e voltou à Rússia no começo de 2021. Navalny foi preso imediatamente e depois condenado a uma pena de mais de 2 anos de prisão.
A polícia russa costuma prender milhares de protestos públicos nas cidades do país. A onda mais recente de manifestações aconteceu em resposta à prisão de Navalny.
Em 2015, Boris Nemtsov, um outro político de oposição que, na época, estava em ascensão, foi assassinado a tiros em Moscou.
Homem é detido pela polícia em ato pró-Navalny em São Petesburgo, em 21 de abril de 2021
Anton Vaganov/Reuters
Vladimir Putin, o líder da Rússia desde 1999
Vladimir Putin foi nomeado primeiro-ministro da Rússia no fim de 1999. No dia 31 de dezembro de 1999, o então presidente, Boris Yeltsin, fez um pronunciamento pela TV no qual anunciou que Putin passaria a comandar o país.
Ele foi eleito presidente depois, mas há denúncias de fraudes —por exemplo, em 2012, houve eleições nas quais Putin saiu vencedor.
Observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa disseram que não havia competição real, pois os adversários mais competitivos foram impedidos de concorrer, e os aliados de Putin foram beneficiados com o dinheiro do governo.
Recentemente, Putin conseguiu fazer com que um projeto de lei fosse aprovado e referendado para poder permanecer no poder até 2036.
VÍDEOS com os ganhadores do Nobel 2021
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Fonte: G1 Mundo

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Mortes por Covid despencam, mas Brasil ainda é o país com mais óbitos do mundo em 2021

Brasil registrou 405 mil vítimas da pandemia neste ano, mais do que EUA (355 mil), Índia (300 mil) e quase o mesmo que todos os 27 países da União Europeia somados (407 mil). Os países com mais mortes na pandemia
O Brasil superou as 600 mil mortes por Covid-19 nesta sexta-feira (8) com uma forte desaceleração no número de óbitos devido ao avanço da vacinação, mas ainda mantém outra triste marca: a de país que mais registrou vítimas da pandemia em 2021.
Apesar da queda expressiva na média diária de óbitos, de 3,1 mil em abril, no pico da segunda onda, para menos de 500 atualmente, o Brasil já registrou 405 mil mortes por Covid-19 neste ano, mais do que Estados Unidos e Índia e quase o mesmo que todos os 27 países da União Europeia somados:
Mortes por Covid
Os 10 países com mais mortes por Covid neste ano (até 7 de outubro):
Brasil: 405 mil
EUA: 355 mil
Índia: 300 mil
México: 154 mil
Rússia: 152 mil
Indonésia: 120 mil
Peru: 106 mil
Colômbia: 83 mil
Argentina: 72 mil
Irã: 66 mil
E, apesar de o número de vítimas do vírus ter despencado nos últimos meses, o Brasil ainda é o 3º país com a maior média diária de novas mortes atualmente, atrás apenas de EUA e Rússia.
Os 10 países que mais registram óbitos atualmente (média dos últimos 7 dias):
EUA: 1,7 mil
Rússia: 877
Brasil: 438
México: 417
Índia: 256
Irã: 231
Ucrânia: 220
Turquia: 219
Romênia: 199
Vietnã: 142
Impacto da vacinação
Os países que mais vacinaram contra Covid
EUA e Rússia têm vacinas próprias contra a Covid-19 e iniciaram suas campanhas de imunização ainda em 2020 (veja no vídeo acima), mas estão sofrendo com a resistência de parte da população em tomá-las.
Com 145 milhões de habitantes, apenas 29% completamente imunizados e poucas restrições para combater a pandemia, a Rússia tem registrando recordes diários de mortes por Covid-19 nos últimos dias.
Já os EUA, que lideraram a corrida da vacinação até o fim de abril, não conseguem fazer a porcentagem da sua população completamente imunizada chegar a 60%. Com isso, o número de mortes voltou a disparar e o país ultrapassou a marca das 700 mil vítimas da Covid.
Autoridades de saúde do país chegaram a retirar a obrigatoriedade do uso de máscara para vacinados na maioria dos ambientes em maio, quando a imunização ainda avançava com velocidade, mas tiveram de voltar atrás em julho, diante da chegada da variante delta.
Os EUA vivem hoje duas realidades que caminham em sentidos opostos: nos estados em que a vacinação mais avançou, os números de casos e de mortes estão em queda; onde a população mais resiste em se imunizar, a taxa de transmissão e as mortes continuam a subir (veja no vídeo abaixo).
Estados Unidos ultrapassam 700 mil mortes por Covid
O Brasil, por outro lado, já aplicou quase 250 milhões de doses e tem 69% da população vacinada com ao menos uma dose e 45%, totalmente imunizada.
Assim, o número de casos e mortes tem caído mesmo com a reabertura da economia, e 58% das cidades brasileiras não registraram nenhuma morte por Covid-19 em setembro (o melhor índice desde maio de 2020).
O país é o 4º em número de doses aplicadas, mas apenas o 59º no ranking proporcional à população, atrás de diversos vizinhos latino-americanos, como Argentina, Equador e até Cuba (veja mais abaixo).
Como o Brasil se compara ao mundo?
Pandemia no Brasil
Sexto país mais populoso do mundo, o Brasil é 2º em mortes causadas pelo novo coronavírus, o 3º com mais casos confirmados e o 4º em doses de vacinas aplicadas.
O país tem 2,7% da população mundial, 3,8% de todas as doses de vacinas administradas, 9,1%de todos os infectados e 12,4% de todas as vítimas da Covid-19 do planeta.
Proporcionalmente, o Brasil é o 8º país em óbitos, o 28º em casos confirmados e apenas o 59º em doses administradas.
Na imunização contra a Covid-19 em relação à população, estamos atrás de diversos vizinhos latino-americanos, como Cuba, Uruguai, Chile, Panamá, El Salvador, Equador e Argentina.
Veja todas as informações detalhadas nas tabelas abaixo:
Mortes por Covid
Os 10 países com mais mortes por Covid do mundo
Os países que proporcionalmente têm mais mortes por Covid
Casos confirmados
Os 10 países com mais infectados por Covid
Os países que proporcionalmente têm mais casos de Covid
Vacinas aplicadas
Os 10 países com mais vacinas contra Covid aplicadas
Os países que proporcionalmente mais aplicaram vacinas

Fonte: G1 Mundo

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Vacinação contra Covid avança, e Brasil sobe para 59º no ranking proporcional de doses aplicadas

Brasil é o 4º país que mais aplicou imunizantes do mundo, mas está atrás de diversos vizinhos latino-americanos, como Argentina, Equador e até Cuba, em vacinas em relação à população. Os países que mais vacinaram contra Covid
A vacinação contra a Covid-19 continua a avançar no Brasil, que se consolida como o 4º país com mais doses aplicadas no mundo (veja no vídeo acima), mas no ranking proporcional estamos atrás de várias nações latino-americanas, como Argentina, Equador, Chile, Uruguai e até El Salvador e Cuba.
Em termos absolutos, o Brasil já aplicou quase 250 milhões de vacinas e está atrás apenas de China (2,2 bilhões), Índia (918 milhões) e Estados Unidos (397 milhões) e à frente do Japão (170 milhões):
Os 10 países com mais vacinas contra Covid aplicadas
O Brasil entrou para o “top 10” da vacinação em 30 de janeiro e chegou ao 4º lugar em 25 de maio, quando ultrapassou o Reino Unido (veja no vídeo no começo deste texto).
Com o avanço da imunização, o Brasil já tem 69% da população vacinada com ao menos uma dose e 45%, totalmente imunizada.
E, apesar de ainda ser o país com mais mortes por Covid-19 do mundo neste ano, o Brasil tem visto a média diária de óbitos despencar, de 3,1 mil em abril, no pico da segunda onda, para menos de 500 atualmente.
O número tem caído mesmo com a reabertura da economia e o fim de quase todas as restrições, e em setembro 58% das cidades brasileiras não registraram nenhuma morte por Covid-19 (o melhor índice desde maio de 2020).
59º país no ranking proporcional
Mas, no ranking proporcional, que leva em consideração o número de doses aplicadas em relação à população, o Brasil é o 59º país do mundo, com 113 doses aplicadas a cada 100 habitantes.
Em termos relativos, estamos atrás de diversos países latino-americanos, como Cuba (190), Uruguai (181), Chile (170), El Salvador (119), Panamá (119), Equador (116) e Argentina (115).
Quando atingiu a marca de 500 mil mortes por Covid-19, em junho, o Brasil era o 67º no ranking da vacinação proporcional, um patamar similar ao de Argentina e El Salvador e também Tuvalu e Guiana na época.
Os países que proporcionalmente mais aplicaram vacinas
Como o Brasil se compara ao mundo?
Sexto país mais populoso do mundo, o Brasil é 2º em mortes causadas pelo novo coronavírus, o 3º com mais casos confirmados e o 4º em doses de vacinas aplicadas.
Proporcionalmente, o país é o 8º em óbitos, o 28º em casos e apenas o 59º em doses administradas.
Com 2,7% da população mundial, o Brasil aplicou 3,8% de todas as doses de vacinas no planeta e tem 9,1% de todos os casos confirmados e 12,4% de todas as vítimas da Covid-19.
Pandemia no Brasil
Mortes por Covid
Os 10 países com mais mortes por Covid do mundo
Os países que proporcionalmente têm mais mortes por Covid
Casos confirmados
Os 10 países com mais infectados por Covid
Os países que proporcionalmente têm mais casos de Covid

Fonte: G1 Mundo

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Como o Brasil se compara a outros países em mortes por Covid, casos confirmados e vacinas aplicadas


País tem 2,7% da população mundial, aplicou 3,8% de todas as doses de vacinas contra a Covid do planeta e tem 9,1% de todos os casos confirmados, além de 12,4% de todas as vítimas. Manifestantes protestam em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, no dia em que o Brasil superou a marca de 600 mil pessoas mortas pelo novo coronavírus (Covid-19), em 8 de outubro de 2021
Evaristo Sá/AFP
O Brasil se tornou nesta sexta-feira (8) o segundo país do mundo a ultrapassar as 600 mil mortes por Covid-19 (os Estados Unidos, o primeiro a superar a marca, já passou inclusive das 700 mil vítimas da pandemia).
Sexto país mais populoso do mundo, o Brasil é 2º em óbitos causados pelo novo coronavírus, o 3º com mais casos confirmados e o 4º em doses de vacinas aplicadas. Proporcionalmente em relação à população, o país é o 8º em óbitos, o 28º em casos e o 59º em doses administradas.
Com 2,7% da população mundial, o país aplicou 3,8% de todas as doses de vacinas no planeta e tem 9,1% de todos os casos confirmados e 12,4% de todas as vítimas da Covid-19.
Pandemia no Brasil
Veja abaixo como o Brasil se compara a outros países em mortes por Covid-19, casos confirmados e vacinas aplicadas, tanto em termos absolutos quanto proporcionais (em relação à população):
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Mortes por Covid
Os países com mais mortes na pandemia
Os 10 países com mais mortes por Covid do mundo
Os países que proporcionalmente têm mais mortes por Covid
Casos confirmados
Os 10 países com mais infectados por Covid
Os países que proporcionalmente têm mais casos de Covid
Vacinas aplicadas
Os países que mais vacinaram contra Covid
Os 10 países com mais vacinas contra Covid aplicadas
Os países que proporcionalmente mais aplicaram vacinas

Fonte: G1 Mundo

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Filme russo no espaço começa a ser gravado; veja VÍDEO


Atriz Yulia Peresild e diretor Klim Shipenko terão 12 dias para gravar longa-metragem. ‘É um milagre, uma chance incrível’, afirmou a atriz na terça (5). Cineasta e atriz russos começam a gravar filme no espaço
A aventura russa para gravar o primeiro filme da história no espaço ganhou novas imagens. Veja no VÍDEO acima.
A atriz Yulia Peresild e o cineasta Klim Shipenko partiram à bordo do foguete Soyuz na terça-feira (5) e devem ficar por 12 dias gravando o longa-metragem, que tem o título provisório de “O Desafio”.
Anton Shkaplerov, um astronauta veterano em três missões espaciais, acompanha a dupla russa na viagem. O foguete partiu da base de Baikonur, no Cazaquistão, e chegou à Estação Espacial Internacional na terça.
Atriz e cineasta russos decolam para rodar primeiro filme no espaço
Atriz russa Yulia Peresild e o diretor Klim Shipenko decolam para gravar primeiro filme do espaço nesta terça-feira (5)
Roscosmos Space Agency via AP
A equipe planeja filmar segmentos da história sobre um cirurgião convocado a correr para a estação espacial para salvar um tripulante que sofre de um problema cardíaco.
Falando em uma entrevista coletiva na instalação de lançamento russa em Baikonur, Cazaquistão, Peresild reconheceu que o treinamento para a missão foi cansativo, mas o descreveu como uma oportunidade única na vida.
“É um milagre, uma chance incrível”, disse ela, segundo a agência de notícias Associated Press.
Atriz Yulia Peresild, diretor de cinema Klim Shipenko e o cosmonauta Anton Shkaplerov antes de decolagem para 1º filme gravado no espaço
Roscosmos Space Agency via AP
“Trabalhamos muito e estamos muito cansados, embora continuemos de bom humor e sorrindo”, confidenciou a atriz de 37 anos.
“Foi psicológica, física e moralmente difícil. Mas acho que assim que atingirmos a meta, tudo isso não parecerá tão difícil e vamos lembrar com um sorriso”.
William Shatner, astro de ‘Jornada nas Estrelas’, é convidado para voo espacial da Blue Origin
Peresild disse que era difícil para ela se adaptar à disciplina rígida e às exigências rigorosas exigidas durante o treinamento.
“Aqui em Baikonur, fizemos amizade com todos e todas as pessoas aquecidas”, disse ela. “Mas foi muito difícil no início, quando você não tinha muita escolha: vá, corra, vá mais rápido, espere, continue. Não foi fácil para nós e foi bastante inesperado, mas já passamos por isso. ”
Atriz e diretor russos embarcam rumo à estação espacial internacional para realizar um filme
Para a atriz, a parte mais desafiadora da preparação foi aprender sobre o projeto e o manuseio da espaçonave.
“Não foi fácil para mim, para ser sincera”, disse ela. “Nas primeiras duas semanas, aprendi até as 4 da manhã todas as noites. Existem tantos acrônimos, e se você não aprender todos, não entenderá mais nada adiante”.
O cineasta Klim Shipenko fez vários filmes de sucesso na Rússia, como “Serf”, “Salyut-7” e “Text”.
Veja FOTOS da decolagem:
Atriz russa Yulia Peresild acena antes de entrar no foguete para ir ao espaço; ela e o diretor Klim Shipenko vão gravar o primeiro longa no espaço
Roscosmos Space Agency via AP
Primeiro filme no espaço: atriz Yulia Peresild, diretor Klim Shipenko e astronauta Anton Shkaplerov se despedem antes do lançamento de foguete russo
Roscosmos Space Agency via AP
Foguete russo decola, nesta terça (5), com equipe para filmar primeiro longa-metragem no espaço
Roscosmos Space Agency via AP

Fonte: G1 Mundo

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Governo concede 80 vistos humanitários a afegãos; 400 pedidos aguardam análise

Anúncio foi feito durante uma entrevista coletiva sobre a COP 26. Concessão do documento foi autorizada em setembro de 2021. Solicitação deve ser feita em consulados ou embaixadas brasileiras no exterior. Os Ministério das Relações Exteriores anunciou nesta sexta-feira (8) que o governo federal concedeu 80 vistos humanitários para afegãos e que outros 400 pedidos estão em andamento.
O governo federal começou a conceder o visto humanitário a afegãos que desejarem deixar o Afeganistão por conta do regime talibã em setembro. O documento é feito fora do Brasil, em consulados ou embaixadas brasileiras no exterior.
O que é o Talibã
Governo autoriza concessão de visto temporário para refugiados afegãos
“Já foram concedidos mais de 80 vistos. Já há 170 candidatos em Islamabad [no Paquistão] sendo entrevistados. Há mais de 400 pedidos em andamento. Ou seja, o processo de concessão de vistos para candidatos a refúgio do Afeganistão para o Brasil está andando perfeitamente bem. Sem nenhum obstáculo. Sem nenhum problema”, disse o Chefe de Gabinete do Ministério das Relações Exteriores, Embaixador Achilles Zaluar, durante uma coletiva de imprensa sobre a COP 26.
Segundo o governo, mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência e seus familiares têm prioridade na concessão do visto.
Exigências adicionais
Em outubro, o Itamaraty informou que os pedidos de visto humanitário formulados por entidades particulares e Organizações Não-Governamentais (ONGs) devem seguir exigências adicionais.
Dentre os requisitos estão teste RT-PCR para a detecção de Covid-19 e a comprovação de que a pessoa terá hospedagem, alimentação, transporte e até plano de saúde e odontológico no Brasil, além de aulas de português.
Segundo a pasta, a medida é uma etapa adicional de segurança, pois muitos pedidos são genéricos e sem dados específicos dos estrangeiros que pedem refúgio.
A Defensoria Pública da União (DPU) criticou as exigências e disse que elas podem ser consideradas ilegais.
VÍDEOS: notícias sobre política

Fonte: G1 Mundo

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Alemão de 100 anos acusado de crimes nazistas alega inocência


Ele é acusado de ter contribuído para o assassinato de 3.518 prisioneiros em Sachsenhausen, perto de Berlim, na Alemanha. Josef S, que tinha 21 anos quando começou a trabalhar como guarda no campo de Sachsenhausen em 1942, comparece a tribunal
Reuters
O alemão Josef Schutz, de 100 anos, ex-guarda do campo de concentração nazista de Sachsenhausen na década de 1940 que está sendo julgado por seus supostos crimes, declarou inocência diante da corte nesta sexta-feira (8).
“Não sei nada a esse respeito”, disse Schutz.
O homem centenário se tornou, nesta semana, o réu mais velho a ser julgado por supostos crimes cometidos durante o nazismo (veja mais no vídeo abaixo).
Ao ser questionado sobre seu trabalho no campo de concentração de Sachsenhausen, perto de Berlim, durante a Segunda Guerra Mundial, afirmou ser inocente.
G1 em 1 Minuto: Alemão de 100 anos vai a julgamento por crimes nazistas
“Tudo está em frangalhos na minha cabeça”, disse Schutz, que lamentou estar sozinho no banco dos réus do tribunal de Brandenburg an der Havel, no leste da Alemanha, onde deve comparecer até o início de janeiro.
Suas declarações foram rapidamente interrompidas por seu advogado, que no dia anterior havia explicado que o réu não falaria sobre o período da Alemanha nazista.
“Tínhamos concordado com a defesa sobre esse procedimento”, protestou o advogado.
Schutz, um ex-cabo da divisão “Totenkopf” das SS, é acusado de “cumplicidade na morte” de 3.518 prisioneiros do campo de concentração de Sachsenhausen, entre 1942 e 1945. Esta segunda audiência foi dedicada à sua vida antes e depois da Segunda Guerra Mundial.
Campo de Sachsenhausen
Antigo campo de concentração de Sachsenhausen, na Alemanha, em foto de arquivo
MandyM/CC BY SA 3.0
Desde que foi inaugurado, em 1936, até sua libertação por parte dos soviéticos, em 22 de abril de 1945, cerca de 200.000 prisioneiros passaram pelo campo de Sachsenhausen, principalmente opositores políticos, judeus e homossexuais.
Dezenas de milhares deles morreram de exaustão, devido ao trabalho forçado e às cruéis condições de detenção. Vários sobreviventes de Sachsenhausen se apresentaram como parte civil no julgamento.
Mapa indica a localização do Campo de Sachsenhausen, próximo a Berlim
G1 Mundo
Um de seus advogados, Thomas Walther, defendeu na quinta-feira (7) que “algo pode acontecer, talvez um homem assim chegue à conclusão de que, antes de morrer, ele quer se explicar sobre seu passado”.
Depois de um passado marcado por pouca pressão judicial sobre os autores de crimes nazistas, a Alemanha julgou e condenou quatro ex-integrantes da SS nos últimos dez anos, estendendo aos guardas e a outros executores de ordens nazistas a acusação de cumplicidade por assassinato.
O julgamento de Schutz ocorre uma semana após a suspensão do julgamento de Irmgard Furchner, ex-secretária de um campo nazista, cujo julgamento precisou ser adiado após uma tentativa de fuga da ré, de 96 anos.

Fonte: G1 Mundo

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Em tempos sombrios, Nobel reconhece o jornalismo raiz como instrumento da paz


Comitê premia jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov, de Filipinas e Rússia, como símbolos de vozes críticas contra o autoritarismo e a desinformação. Nobel da Paz vai para dois jornalistas que lutam pela defesa da liberdade de expressão
Nesta edição do Nobel da Paz, venceram o jornalismo e a liberdade de expressão por meio de dois destemidos profissionais — a filipina-americana Maria Ressa e o russo Dmitry Muratov — em sua luta diária contra os que estão determinados a limitar a sua atuação, com ataques sistemáticos, abuso de poder e desinformação.
Ilustração mostra Maria Ressa e Dmitry Muratov
Reprodução/Prêmio Nobel
Em tempos sombrios, o Comitê Norueguês do Nobel vinculou diretamente a liberdade de expressão à promoção da paz e reconheceu o desafio que representa o exercício do jornalismo independente. Neste contexto, Filipinas e Rússia destacam-se como exemplos notórios de autoritarismo e repressão aos profissionais de mídia e ao jornalismo investigativo.
‘Não há melhor momento para ser jornalista’, diz vencedora do Nobel da Paz
Maria Ressa e Dmitry Muratov são símbolos da resistência aos regimes de Rodrigo Duterte e Vladimir Putin. Ela comanda, desde 2012, o portal de notícias Rappler (rappler.com), com 4,5 milhões de seguidores, que denuncia os abusos e a violência policial exercida pelo presidente em sua brutal guerra às drogas nas Filipinas.
Sob a bandeira oficial do combate ao narcotráfico, milhares de inocentes foram assassinados em execuções extrajudiciais desde que Duterte tomou posse, em 2016. Dados do governo dão conta de 8 mil mortos, mas entidades e ativistas de direitos humanos estimam que o número é pelo menos três vezes maior.
Aos 58 anos, Ressa noticiou a corrupção no governo e investigou os principais empresários do país. Como consequência, foi alvo de campanhas difamatórias e enfrentou pelo menos dez processos judiciais em dois anos, que incluem evasão fiscal e violações de propriedade estrangeira. No ano passado, foi condenada por difamação cibernética.
Na mais branda de suas punições, o governo proibiu o Rappler de participar de eventos oficiais e baniu seus profissionais de entrevistas. Frequentemente xingada de vagabunda e bruxa, entre outros impropérios, Ressa expôs, numa série de reportagens, como Duterte e seus partidários mobilizaram exércitos de trolls para silenciar os críticos, espalhando desinformação online em contas falsas de Facebook.
Muratov, de 59 anos, ajudou a fundar a “Novaya Gazeta” (novayagazeta.ru), da qual é editor-chefe desde 1995, classificada pelo Comitê Nobel como a publicação mais independente da Rússia hoje, “com uma atitude fundamentalmente crítica em relação ao poder”.
Desde a sua criação, em 1993, seis repórteres do jornal foram assassinados, incluindo Anna Politkovskaya, que escreveu artigos sobre tortura e sequestros na Chechênia. Ela foi morta em outubro de 2006, no elevador do prédio em que morava, em Moscou.
Na Rússia comandada há mais de duas décadas por Putin, jornalistas independentes são perseguidos e rotulados como agentes estrangeiros por uma lei com resquícios stanilistas, que já listou como tal 47 entidades de mídia. Estas organizações são obrigados a relatar suas atividades e indicar seu status de agente estrangeiro em qualquer conteúdo que distribuam.
Com isso, o regime de Putin tenta consolidar o poder, minando a credibilidade dos meios de comunicação e dificultando suas perspectivas de sobrevivência.
Diante das circunstâncias, é mais do que compreensível que os veteranos Muratov e Ressa tenham se recusado a levar o crédito pessoal pelo Nobel da Paz partilhado. Ele dedicou o prêmio aos profissionais que “morreram defendendo o direito das pessoas à liberdade de expressão”. Ela repartiu com a equipe do Rappler o reconhecimento de “como é difícil ser jornalista hoje”.
Veja os vídeos mais assistidos do g1

Fonte: G1 Mundo