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Revolução sexual dos anos 1960 levou à crise de abusos na Igreja, diz Bento 16

Os escândalos de abusos sexuais na Igreja Católica são efeitos da revolução sexual dos anos 1960 e de uma decadência geral da moralidade, segundo o papa emérito Bento 16.

Em um ensaio, ele argumenta que a revolução sexual levou algumas pessoas a acreditarem que a pedofilia e a pornografia são aceitáveis.

Durante 23 anos, Bento 16 comandou o escritório doutrinal do Vaticano –muito criticado pela maneira como tratou dos casos de abuso sexual.

Em 2013, o religioso se tornou o primeiro papa a renunciar em seis séculos.

Para Bento 16, alguns seminários católicos têm uma cultura abertamente gay e, por isso, não preparam os padres adequadamente.

“Pode ser dito que, nos 20 anos entre 1960 e 1980, os padrões normativos anteriores sobre sexualidade desmoronaram completamente, e emergiu uma nova normalidade que a esta altura se tornou o tema de tentativas diligentes de perturbação”, escreveu.

Bento 16 comandava o escritório doutrinal em 2002, quando os primeiros casos de abuso sexual na Igreja foram expostos na cidade norte-americana de Boston.

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Presidente do Sudão é deposto e conselho militar vai assumir comando do país

O ministro da Defesa do Sudão anunciou nesta quinta-feira (11) que o presidente Omar al-Bashir, que ocupava o poder há 30 anos, foi deposto e detido “em um lugar seguro”. Kamal Abdel Maaruf também afirmou que um conselho militar administrará o Sudão por um período de transição de dois anos.

Em um comunicado transmitido pela TV estatal, o ministro afirmou que haverá eleições no final do período de transição e que o espaço aéreo do país foi fechado por 24 horas. Ele também anunciou três meses de estado de emergência, um cessar-fogo nacional e a suspensão da constituição.

Nesta quinta, milhares de pessoas anti-governo saíram as ruas para comemorar a queda de Omar al-Bashir. Grande parte dos manifestantes, apesar de comemorar, pediram por um governo civil e disseram que não querem uma administração liderada por militares.

Mandados de prisão por genocídio

Bashir comanda o Sudão com mão de ferro desde 1989, quando deu um golpe de Estado com a ajuda de militantes islâmicos, de acordo com a Deutsche Welle. Ele é alvo de dois mandados internacionais de prisão por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, emitidos pelo Tribunal Penal Internacional, em Haia, por causa de crimes cometidos em Darfur.

Nessa região do oeste sudanês, 300 mil pessoas foram mortas desde 2003, segundo contagem das Nações Unidas, num conflito que opõe o governo e milícias árabes, de um lado, e rebeldes não árabes separatistas, do outro.

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O que é um buraco negro, e por que há luz na primeira foto de um deles?

Um grupo de mais de 200 cientistas membros do projeto Event Horizon Telescope (EHT) divulgou na quarta-feira (10) a primeira imagem já registrada de um buraco negro. A descoberta, considerada sem precedentes, foi comentada por todo o mundo e muita gente se surpreendeu com o fato de que, na imagem, o buraco negro está rodeado de luz.

Para entender o fenômeno, o G1 ouviu um dos astrônomos envolvidos no projeto. O português Hugo Messias, que trabalha no Observatório Alma, no deserto do Atacama, no Chile, explicou que, na verdade, o buraco é de fato negro, e a luz que aparece na imagem vem de materiais que orbitam ao seu redor.

Mas, se não fosse por isso, a imagem que rodou o mundo nesta quarta sequer teria sido possível de obter.

Entenda, a seguir, o que são os buracos negros e tira suas dúvidas sobre eles.

Simulação de como funciona um buraco negro visto à distância no espaço.  — Foto: Divulgação - ALMA Observatory

O que é um buraco negro?

Os buracos negros são uma enorme quantidade de massa concentrada em um espaço muito reduzido. Seu campo gravitacional é tão forte que ele atrai para si tudo o que se aproxima dele, inclusive a luz.

Segundo Messias, se jogarmos uma bola de tênis para cima com uma enorme velocidade, ela sai da órbita da Terra. Essa é a chamada “velocidade de escape”.

O que é velocidade de escape?

É uma velocidade tão alta que supera a força da gravidade.

No caso dos buracos negros, a velocidade de escape é igual ou maior que a velocidade da luz. Portanto, tudo o que chega perto dele não consegue permanecer fora, pois é atraído pela sua força gravitacional.

“O buraco negro é um corpo muito massivo. A matéria que se aproxima dele entra direto ou circula à sua volta”, diz o astrônomo Hugo Messias. A luz que está na sua órbita também entra e não sai mais, por isso o seu centro é escuro – e daí vem o nome “buraco negro”.

O que é o ponto de não retorno?

É o ponto limite de onde já não sai mais nada do buraco negro. “Lá dentro deve ter matéria ou, pelo menos, radiação, plasma. Mas não sabemos como é o interior de um buraco negro”, afirma o pesquisador.

O nome técnico desse ponto de não retorno é “horizonte de eventos”.

A partir dali subentende-se que as leis da física, ao menos como as conhecemos, não se aplicam mais.

Por que vemos luz na foto do buraco negro?

O que se vê na imagem é, na verdade, a luz emitida por materiais que circulam ao redor do buraco negro. Essa é a luz captada por telescópios em diferentes partes do mundo. Na prática, seria como usar um enorme telescópio do tamanho da Terra para ver o buraco negro.

Mesmo sem ver o buraco negro, cientistas sabem que ele existe por meio dos efeitos ao seu redor.

“Se esfregarmos as mãos, elas vão aquecer. Da mesma forma, as partículas em fricção ao redor do buraco negro vão criar energia”, conta o astrônomo. “Ela vai atingir temperaturas muito altas e emitir luz.”

No caso do buraco negro da galáxia M87, que está a uma distância de mais de 50 milhões de anos-luz da Terra, a luz que observamos agora foi emitida milhões de anos atrás. “Quando a luz saiu de lá ainda não havia homo sapiens na Terra”, nota Messias.

Na foto divulgada pelo projeto EHT, estamos vendo o buraco negro “de cima”, por isso parece que o buraco negro tem o formato de um anel.

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Julian Assange, fundador do WikiLeaks, é preso na embaixada do Equador em Londres

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, de 47 anos, foi preso nesta quinta-feira (11) pela polícia britânica na embaixada do Equador, em Londres, onde estava desde 2012. O WikiLeaks é uma organização que divulga documentos confidenciais de governos e empresas.

Segundo as autoridades britânicas, a prisão do australiano tem relação com um pedido de extradição feito por autoridades norte-americanas e um processo que ele responde no Reino Unido por ter deixado de se apresentar à Justiça britânica.

Os policiais entraram na embaixada após o presidente equatoriano, Lenín Moreno, suspender o asilo que concedia a ele.

Logo após ser levado pela polícia, ele foi considerado culpado pelo Tribunal de Westminster, em Londres, por violar as condições de sua libertação provisória no Reino Unido, um crime punível com um ano de prisão.

Uma audiência sobre o pedido de extradição dos EUA será no dia 2 de maio.

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Revolução sexual dos anos 1960 levou à crise de abusos na Igreja, diz Bento 16

Ex-papa publicou um ensaio em uma revista religiosa alemã.

Os escândalos de abusos sexuais na Igreja Católica são efeitos da revolução sexual dos anos 1960 e de uma decadência geral da moralidade, segundo o papa emérito Bento 16.

Em um ensaio, ele argumenta que a revolução sexual levou algumas pessoas a acreditarem que a pedofilia e a pornografia são aceitáveis.

Durante 23 anos, Bento 16 comandou o escritório doutrinal do Vaticano –muito criticado pela maneira como tratou dos casos de abuso sexual.

Em 2013, o religioso se tornou o primeiro papa a renunciar em seis séculos.

Para Bento 16, alguns seminários católicos têm uma cultura abertamente gay e, por isso, não preparam os padres adequadamente.

“Pode ser dito que, nos 20 anos entre 1960 e 1980, os padrões normativos anteriores sobre sexualidade desmoronaram completamente, e emergiu uma nova normalidade que a esta altura se tornou o tema de tentativas diligentes de perturbação”, escreveu.

Bento 16 comandava o escritório doutrinal em 2002, quando os primeiros casos de abuso sexual na Igreja foram expostos na cidade norte-americana de Boston.

Desde então, escândalos de abusos na Irlanda, Chile, Austrália, França, Estados Unidos, Polônia, Alemanha e outras partes forçaram a Igreja a pagar bilhões de dólares de indenizações às vítimas e a obrigaram a fechar paróquias.

Muitos casos ocorreram décadas antes dos anos 1960.

As revelações de que padres predadores eram transferidos de paróquia em paróquia, e não expulsos ou processados criminalmente, já que bispos acobertavam os abusos, abalaram a Igreja globalmente e minaram sua autoridade.

No fim do ano passado, o cardeal australiano George Pell se tornou a autoridade católica mais graduada a ser condenada por delitos de abuso infantil. Seu papel como ex-assessor do papa Francisco levou o escândalo ao cerne da administração papal.

Ensaio foi publicado em revista alemã

Bento 16 publicou o ensaio na Klerusblatt, revista mensal da Igreja de sua região nativa da Baviera, na Alemanha. Uma autoridade do Vaticano confirmou sua autenticidade.

“Entre as liberdades pelas quais a Revolução de 1968 tentou lutar está a liberdade sexual desenfreada, que não se curva mais a qualquer norma”, escreveu, segundo uma tradução em inglês publicada por sites católicos.

Alguns teólogos usaram o Twitter para criticar Bento 16.

Massimo Faggioli, professor de teologia da Universidade Villanova, classificou o ensaio como uma “caricatura” da Igreja pós Concílio do Vaticano II, “com todas as suas inventividades e alguns erros trágicos”.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/04/11/revolucao-sexual-dos-anos-1960-levou-a-crise-de-abusos-na-igreja-diz-bento-16.ghtml

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Na Venezuela em crise, nem túmulos estão a salvo dos ladrões

Criminosos estão vandalizando sepulturas no maior cemitério de Caracas em busca de joias, dentes de ouro e até os ossos.

Ladrões estão vandalizando túmulos do maior cemitério de Caracas, na Venezuela.

O cemitério General del Sur virou alvo de criminosos que já arrombaram diversos túmulos em busca de joias, dentes de ouro e até de ossos, vendidos para uso em rituais da religião afro-cubana Santeria.

Para parentes que visitam o local, é uma metáfora para a crise que a Venezuela enfrenta.

A situação no país vem se deteriorando em um cenário marcado por pobreza e hiperinflação.

Mas a crise não começou agora. A fome fez mais de 64% dos venezuelanos declararem, em uma pesquisa, terem perdido, em média, 11 kg no ano passado.

A violência esvazia as ruas das grandes cidades quando anoitece. E a situação provocou um êxodo em massa para países vizinhos.

Eladio Batisda diz que vigia o túmulo da mulher em cemitério da Venezuela para evitar ação de vândalos — Foto: BBCEladio Batisda diz que vigia o túmulo da mulher em cemitério da Venezuela para evitar ação de vândalos — Foto: BBC

Eladio Batisda diz que vigia o túmulo da mulher em cemitério da Venezuela para evitar ação de vândalos — Foto: BBC

“Eu venho aqui [no cemitério] toda semana, ou a cada 15 dias. Vigio [o túmulo da minha mulher]. Tenho medo de chegar um dia e terem levado tudo”, diz Eladio Bastida, cuja esposa morreu há um ano e meio.

“Quando enterrei ela, você conseguia andar por aqui. Mas, de pouco tempo pra cá, mal dá para chegar no túmulo, porque todos os túmulos foram arrombados e os restos foram retirados”.

Destruição fora de controle

Tumulo vandalizado em cemitério na Venezuela — Foto: BBCTumulo vandalizado em cemitério na Venezuela — Foto: BBC

Tumulo vandalizado em cemitério na Venezuela — Foto: BBC

Em 2016, o governo disse que aumentou as rondas policiais para reforçar a segurança na área.

Funcionários do cemitério, entretanto, dizem que a destruição está fora de controle.

Até túmulos de personalidades históricas foram arrombados.

“Essa é uma terra sem lei, não existe respeito por nada aqui”, diz Bastida.

Jorge Liscano quer exumar os restos mortais dos parentes. Eles ocupam um dos últimos túmulos intactos.

“Tudo isso é resultado de um colapso social, da falta de educação, da perda de valores em nossas casas e nas nossas instituições”, diz ele.

“Aqui, nos últimos tempos só se foca em política. Nos esquecemos dos valores que nos tornam humanos”.

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Bolsonaro deve visitar países árabes no primeiro semestre deste ano, diz ministro

Responsável pelo Itamaraty, Ernesto Araújo disse que presidente pretende priorizar ‘grandes parceiros comerciais’. Abertura de escritório em Jerusalém gerou mal-estar com árabes.

 

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta quinta-feira (4) que o Itamaraty está elaborando uma agenda de visitas do presidente Jair Bolsonaro a países árabes ainda no primeiro semestre deste ano. Araújo, entretanto, não citou quais países serão incluídos no roteiro de visitas oficiais.

Aliado de Israel, Bolsonaro gerou um desconforto com nações árabes nesta semana ao decidir abrir um escritório comercial em Jerusalém, cidade considerada sagrada por cristãos, judeus e muçulmanos e que não é reconhecida internacionalmente como capital israelense.

A instalação do escritório foi um recuo da intenção inicial do presidente da República de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Bolsonaro desistiu de trocar a chancelaria de endereço após alas militares do governo, ruralistas e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, alertarem que a medida poderia desencadear retaliações comerciais de países árabes, importantes compradores de carne brasileira.

“Estamos definindo um programa. Nos próximos dias, se tudo der certo, vamos definir um programa de visitas do presidente aos países árabes. Tentaremos fazer no primeiro semestre. Países que sejam nossos principais parceiros, para começar. Depois, iremos a outros. Vamos definir isso brevemente. Grandes parceiros comerciais e que sejam polos importantes de comércio”, declarou o ministro ao final de uma audiência pública no Senado.

Ernesto Araújo foi à Comissão de Relações Exteriores da casa legislativa para discutir os rumos da política externa brasileira. Na audiência, ele afirmou aos senadores que tem “certeza” de que a aproximação do governo Bolsonaro com Israel não gerará prejuízos ao agronegócio brasileiro.

O desconforto dos países árabes foi confirmado nesta quarta-feira (3) pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Ela disse que se reunirá com 51 embaixadores dessas nações, no próximo dia 10, como forma de apaziguar os ânimos na área econômica.

Questionado nesta quinta sobre o assunto, Ernesto Araújo disse que há novas parcerias em andamento com o mundo árabe – inclusive, na agricultura e na pecuária.

“O chanceler dos Emirados Árabes Unidos já discutiu uma ideia que ele mesmo apresentou, e que nós vamos procurar desenvolver, de melhor utilizar o hub de distribuição excepcional, que eles possuem, para melhor acesso ao mercado da Índia de produtos alimentícios. […] em benefício, é claro, do agronegócio brasileiro”, afirmou o chanceler.

“Já obtivemos acesso ao mercado de gado vivo da Malásia, que é um país de maioria muçulmana”, complementou.

https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/04/04/bolsonaro-deve-visitar-paises-arabes-no-primeiro-semestre-diz-ministro-do-itamaraty.ghtml

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Exército do Congo captura líder rebelde procurado por estupro em massa

Masudi Alimasi Kokodiko foi preso na terça-feira (2). Um relatório da ONU do ano passado disse que as forças de Kokodiko estupraram pelo menos 17 mulheres na cidade de Lubila em setembro passado.

 

Um líder rebelde congolês acusado de orquestrar estupros em massa e outras atrocidades foi preso, informou o exército do Congo nesta quinta-feira (4), segundo a agência de notícias Reuters. Masudi Alimasi Kokodiko, líder da milícia Raia Mutomboki, foi capturado na terça-feira (2) no território de Shabunda, no leste do país, após ser ferido em um tiroteio.

Um relatório do painel de especialistas do Conselho de Segurança da ONU do ano passado disse que as forças de Kokodiko estupraram coletivamente pelo menos 17 mulheres na cidade de Lubila em setembro passado. O painel também acusou o grupo de usar crianças como soldados.

A Raia Mutomboki foi formada em 2005, para combater as milícias ruandesas hutus ativas no leste do Congo. A milícia se tornou uma das mais poderosas entre as dezenas de grupos armados ativos na área, rica em minerais, que faz fronteira com Ruanda, Uganda e Burundi.

Em 2012, uma investigação liderada pela ONU descobriu que a Raia Mutomboki e outras duas milícias foram responsáveis ​​pela morte de mais de 260 civis, em uma onda de massacres étnicos na província de Kivu do Norte.

O novo presidente do Congo, Felix Tshisekedi, que tomou posse em janeiro, prometeu enfrentar a violência da milícia que assola o leste, onde milhões morreram em uma guerra civil entre 1998 e 2003.

Christoph Vogel, pesquisador e ex-conselheiro das Nações Unidas, disse que a prisão de Kokodiko “coincide com o novo governo anunciando uma agenda mais deliberada para desarmar a milícia. Ainda resta ver, no entanto, se a medida faz parte de uma mudança mais ampla”.

Outro dos senhores da guerra mais infames do Congo, Ntabo Ntaberi Sheka, começou a ser julgado no ano passado, acusado de estupros e outras atrocidades. O primeiro depoimento de vítimas no caso começou no último mês.

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Papa diz que Igreja deve admitir histórico de dominação masculina e abuso de mulheres

Em um apelo a jovens católicos, o pontífice afirmou, ao mesmo tempo, que a instituição “não pode concordar com tudo que certos grupos feministas propõem”

O Papa Francisco afirmou, em um texto divulgado nesta terça-feira (2), que a Igreja Católica tem que admitir seu histórico de dominação masculina e de abuso sexual de mulheres e crianças, além de restaurar a reputação com os jovens, ou corre o risco de se tornar “um museu”.

O texto de Francisco, de 50 páginas, traz suas reflexões sobre os trabalhos de uma reunião de bispos de um mês ocorrida em outubro, segundo a agência de notícias Reuters, que tratou do papel dos jovens na Igreja, que tem 1,3 bilhão de fiéis.

“Uma Igreja viva pode reagir prestando atenção às legítimas reivindicações das mulheres, que pedem maior justiça e igualdade e reconhecer uma longa trama de autoritarismo por parte dos homens, de sujeição, de várias formas de escravidão, abusos e violência machista”, disse o pontífice, de 82 anos.

“Com este olhar”, continua o texto, a Igreja “poderá fazer suas reclamações de direitos e dará, convictamente, a sua contribuição para uma maior reciprocidade entre homens e mulheres, embora não concorde com tudo o que propõem alguns grupos feministas”.

Alguns grupos de mulheres pedem o ordenamento feminino, que a Igreja descartou com o argumento de que Jesus só escolheu homens como apóstolos.

Jovens e internet

Francisco também exortou os jovens a não se desiludirem com o escândalo de abusos sexuais em torno da Igreja, mas a trabalharem com a maioria de padres e outros membros do clero que se mantiveram fiéis à sua vocação.

“Para ter credibilidade diante dos jovens, é preciso recuperar a humildade e simplesmente ouvir. Uma Igreja na defensiva, que perde a humildade, que deixa de escutar, que não permite ser questionada, perde a juventude e se torna em um museu “, escreveu.

Francisco também denunciou os interesses econômicos do mundo digital, capazes de manipular processos democráticos mediante a difusão de “fake news” e o incentivo de preconceitos e ódios.

“No mundo digital, estão em jogo enormes interesses econômicos capazes de realizar formas de controle tão sutis quanto invasivas, criando mecanismos de manipulação das consciências e do processo democrático. A proliferação de notícias falsas é uma expressão de uma cultura que perdeu o senso de verdade e submete os fatos a interesses particulares”, observou o pontífice.

O Papa alertou os jovens, ainda, sobre a pornografia, afirmando que ela distorce a percepção que o jovem tem da sexualidade humana. “Os espaços digitais não nos deixam ver a vulnerabilidade do outro e dificultam a reflexão pessoal. A tecnologia usada desta maneira cria uma realidade paralela ilusória que ignora a dignidade humana”, afirmou.

Também aproveita a oportunidade para alertar os jovens contra as ideologias que “desprezam a história” e que querem eliminar as “raízes” dos jovens, mas sem citar exemplos específicos.

“Ideologias de cores diferentes, que destroem (ou desconstroem) tudo o que é diferente, podem, desse modo, reinar sem oposições. Para isso, precisam de jovens que desprezam a história, que rejeitam a riqueza espiritual e humana que passa através das gerações, que ignoram tudo o que os precedeu”, enfatizou.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/04/02/papa-diz-que-igreja-deve-admitir-historico-de-dominacao-masculina-e-abuso-de-mulheres.ghtml

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Fome extrema atinge mais de 113 milhões no mundo, diz relatório da ONU

Relatório apresentado pela União Europeia, FAO e PAM destaca que o problema da insegurança alimentar afeta principalmente o continente africano. Causa maior são os conflitos armados

Mais de 113 milhões de pessoas em 53 países sofreram “insegurança alimentar aguda” em 2018, afirma um relatório global da ONU sobre a crise alimentar divulgado nesta terça-feira (2).

O relatório apresentado pela União Europeia (UE), Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Alimentar Mundial (PAM), entre outras organizações, destaca que o problema afeta principalmente o continente africano.

Os países que atravessaram as mais graves crises alimentares são Iêmen, República Democrática do Congo, Afeganistão, Etiópia, Síria, Sudão, Sudão do Sul e o norte da Nigéria.

Dominique Burgeon, chefe de emergências da FAO, afirmou que os países africanos são atingidos de forma “desproporcional” pela fome aguda, com quase 72 milhões de pessoas afetadas. Segundo o documento, nos últimos três anos, cerca de 50 países vivem dificuldades cada vez maiores para alimentar a suas populações.

A principal causa da insegurança alimentar em todo o mundo foram as guerras. Cerca de 74 milhões de pessoas, ou seja, dois terços da população que enfrenta a fome aguda, estavam em 21 países ou territórios localizados em zonas de conflito, assim como já havia ocorrido em 2017.

“Nesses países, até 80% das populações afetadas dependem da agricultura”, afirmou Burgeon. “Estas pessoas precisam receber assistência humanitária de emergência para poder se alimentar e condições para impulsionar a agricultura.”

Em 2018, o número total de pessoas que sofreram fome aguda apresentou leve redução em comparação a 2017 (124 milhões). Isso pode ter ocorrido em razão de alguns países estarem menos expostos a riscos climáticos violentos, como secas, inundações ou chuvas.

“Este recuo no valor absoluto é um epifenômeno”, minimizou Burgeon. A redução ocorreu “devido à ausência do fenômeno climático ‘El Nino’, que afetou muito as culturas na África Austral e no Sudeste Asiático em 2017”.

“Por causa dos violentos ciclones e tempestades em Moçambique e no Malawi este ano, já sabemos que esses países estarão no relatório do ano que vem”, observou.

Médico alimenta criança desnutrida em um centro dos Médicos Sem Fronteiras em Maiduguri, Nigéria – foto de 2016 — Foto: Sunday Alamba/APMédico alimenta criança desnutrida em um centro dos Médicos Sem Fronteiras em Maiduguri, Nigéria – foto de 2016 — Foto: Sunday Alamba/AP

Médico alimenta criança desnutrida em um centro dos Médicos Sem Fronteiras em Maiduguri, Nigéria – foto de 2016 — Foto: Sunday Alamba/AP

José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO, avalia que, apesar da ligeira queda em 2018 no número de pessoas com insegurança alimentar aguda, a forma mais extrema de fome, “o número ainda é alto demais”.

Ele diz que é preciso investimentos de grande porte no desenvolvimento, ajuda humanitária e na construção da paz “para construir a resiliência das populações afetadas e pessoas vulneráveis”, acrescentando que “para salvar vidas, também temos que salvar os meios de subsistência”.

O diretor-executivo do PAM, David Beasley, observou que para erradicar a fome é necessário atacar suas causas fundamentais. “Conflitos, instabilidade, impacto dos choques climáticos. Rapazes e moças precisam ser bem nutridos e educados, as mulheres precisam ser verdadeiramente fortalecidas, a infraestrutura rural deve ser fortalecida para conseguirmos esse objetivo de fome zero”, destacou.

O relatório pede o fortalecimento da cooperação entre a prevenção, preparação e reação no atendimento às necessidades humanitárias urgentes e às causas profundas, que incluem as mudanças climáticas, choques econômicos, conflitos e deslocamentos.

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