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Rompimento de represa deixa centenas de desaparecidos no Laos 1

Centenas de pessoas estão desaparecidas após a ruptura de uma represa hidrelétrica em construção na província de Attepeu, sudeste do Laos, na noite de segunda-feira (23), segundo a agência oficial de notícias do país.

De acordo com a nota da agência, várias casas foram destruídas e o acidente pode ter deixado um alto número de mortos.

Dezenas de represas estão atualmente em construção no Laos, que exporta a maioria de sua energia hidrelétrica para os países vizinhos, como a Tailândia.

ABC Laos/Reuters
24.jul.18 – Vila no Laos inunda após rompimento de barreira

Há anos, as organizações de defesa do meio ambiente manifestam preocupação com as pretensões hidrelétricas do Laos, especialmente pelo impacto das represas no rio Mekong, sua flora e fauna, assim como sobre as populações rurais e as economias locais.

A represa de Attapeu, uma obra de mais de 1 bilhão de dólares, está em construção desde 2013.

Por trás desse projeto está a Xe Pian-Xe Namnoy Power Company (PNPC), uma joint venture formada pela companhia tailandesa Ratchaburi Electricity Generating Holding, pela sul-coreana Korea Western Power e a laosiana Lao Holding State Enterprise.

A represa, de 410 megawatts de potência, deveria começar a fornecer energia em 2019, segundo o site da PNPC. Do total, 90% da energia produzida seria exportada para a Tailândia. (Com agências internacionais)

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Pais imigrantes dizem ter sido enganados pelos EUA para aceitar deportações

Dezenas de pais imigrantes foram coagidos ou enganados por autoridades dos Estados Unidos na fronteira com o México a assinaram formulários aceitando serem deportados rapidamente sem seus filhos, disseram advogados nesta quarta-feira (25) em documento judicial.

“Eles me mostraram um formulário e me disseram que eu precisava assinar o formulário para que pudesse reencontrar com meu filho”, disse um solicitante a asilo hondurenho identificado somente como H.G.A. em testemunho apresentado na Corte Distrital dos EUA em San Diego.

Outros pais que eram analfabetos ou falavam somente línguas indígenas disseram não terem conseguido entender os formulários quando estavam assinando.

A advogada Sofia Reive disse em declaração que se encontrou no fim de semana com nove pais em uma lista fornecida pelo governo dos EUA de pais que haviam dispensado reencontrarem com seus filhos.

Todos os pais, disse Reive, “não tinham ideia de que haviam assinado um documento que abandonava quaisquer direitos de reencontrarem com os filhos”.

A União Americana pelas Liberdades Civis apresentou afirmações de advogados que entrevistaram imigrantes e um relato de um imigrante para apoiar sua moção pedindo para o juiz distrital Dana Sabraw suspender deportações de pais por sete dias após seus filhos serem devolvidos a eles.

O grupo de direitos civis informou que o período é necessário para aconselhar pais sobre seus direitos e permitir que tenham tempo para considerar opções.

O Departamento de Justiça e o Departamento de Segurança Nacional dos EUA não responderam imediatamente pedidos de comentários sobre o documento judicial.

Advogados do governo disseram não acreditar que o tribunal possui jurisdição para emitir uma ordem adiando deportações. Eles também defenderam a maneira que o governo lidou com as reunificações até o momento, dizendo que a representação da ACLU do processo como caótico é inexata.

“Nós temos muitas razões para estarmos orgulhosos”, disse Scott Stewart, um advogado do Departamento de Justiça dos EUA, ao juiz em tribunal na terça-feira.

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Feito na China, material de campanha para reeleição de Trump em 2020 pode ser afetado por guerra comercial com EUA

Os banners vermelhos, brancos e azuis da campanha para reeleição do presidente dos EUA Donald Trump estão prontos para serem enviados, estampados com as palavras “Keep America Great!” (Mantenha a América Ótima!”) .

Mas elas são fabricadas no leste da China e logo podem ser atingidas por tarifas punitivas do próprio Trump, enquanto ele lança uma rancorosa disputa comercial com Pequim.

Na Jiahao Flag Co Ltd, na província de Anhui, mulheres operam máquinas de costura para costurar as bainhas das bandeiras “Trump 2020” do tamanho de toalhas de praia, enquanto outras as dobram e empacotam para entrega.

A fábrica produziu cerca de 90 mil banners desde março, diz a gerente Yao Yuanyuan, um número fora do comum para o que é normalmente uma temporada baixa, e Yao acredita que a guerra comercial entre China e EUA foi a razão.

“Está intimamente relacionado”, disse ela. “Eles estão se preparando antecipadamente, eles estão aproveitando o fato de que as tarifas ainda não subiram, com preços mais baixos agora.”

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Trump e Juncker anunciam acordo para reduzir barreiras comerciais e avançar rumo à ‘tarifa zero’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, anunciaram nesta quarta-feira (25) um acordo entre o governo norte-americano e a União Europeia para avançar rumo à “tarifa zero”, evitando assim a guerra comercial.

A reunião na Casa Branca ocorreu em meio a tensão entre o presidente dos EUA e o chefe da UE. Juncker já chamou as ideias de Trump de “estúpidas”, enquanto Trump declarou no Twitter que “as tarifas são as maiores” porque forçaram os parceiros comerciais a negociar com os Estados Unidos.
Trump recua na guerra comercial com UE e tarifas são suspensas

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“Nós concordamos hoje (quarta), antes de mais nada, a trabalhar juntos em busca de zerar as tarifas, zerar as barreiras não tarifárias, e zerar os subsídios em produtos industriais não-automotivos”, disse Trump a repórteres na Casa Branca, ao lado de Juncker.

“Nós também vamos trabalhar para reduzir as barreiras e aumentar o comércio em serviços, químicos, farmacêuticos, produtos médicos, assim como soja”, afirmou Trump.
O presidente dos EUA, Donald Trump, se encontra com o da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker (Foto: Kevin Lamarque/Reuters) O presidente dos EUA, Donald Trump, se encontra com o da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker (Foto: Kevin Lamarque/Reuters)

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Toneladas de lixo são retiradas de praias na República Dominicana

Toneladas de lixo estão sendo retiradas das praias de Santo Domingo, na República Dominicana desde o início de julho. O acúmulo acontece depois que a tempestade subtropical Beryl passou pela região levando o lixo para a costa das praias locais, como a de Montesino.

A ONG Parley, que trabalha com preservação dos oceanos, filmou as “ondas de lixo” no local e classificou a situação como emergencial. Em comunicado, declarou já ter retirado um total de 30 toneladas de plástico em Santo Domingo. Segundo a ONG, garrafas plásticas e caixas de isopor foram encontradas em meio ao lixo.

“A Parley está atualmente no local trabalhando com a marinha, o exército, os funcionários públicos e o governo municipal. Mais de 500 trabalhadores públicos foram mobilizados para a operação e, após três dias de trabalho, as equipes coletaram 30 toneladas de plástico”, diz o comunicado.

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Polícia da Nicarágua contradiz versão de reitor e diz que brasileira foi morta por segurança privado

A polícia da Nicarágua negou nesta terça-feira (24) que um grupo de paramilitares tenha assassinado a estudante brasileira Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos. “Um vigilante de segurança privada, em circunstâncias ainda não determinadas, realizou disparos com arma de fogo, um dos quais a impactou e causou ferimentos”, informou a Polícia Nacional à agência EFE. Não foi identificado o autor dos tiros.

A polícia da Nicarágua informou à mesma agência que o “guarda de vigilância privada está sendo investigado para o esclarecimento do fato”.

A afirmação sobre os paramilitares foi feita pelo reitor da Universidade Americana (UAM), Ernesto Medina. Horas antes, Medina tinha dito a um canal de televisão local que “paramilitares que estavam na casa de Chico [Francisco] López [tesoureiro do partido governante] foram os que dispararam” contra a brasileira, que estudava medicina na UAM.

Os paramilitares na Nicarágua atuam em conjunto com a polícia em ataques à população civil, segundo diversas denúncias acompanhadas de vídeos.

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Na Nicarágua havia 5 anos, estudante assassinada planejava vir ao Brasil conhecer sobrinho

O assassinato da brasileira ocorre em meio a uma crise sociopolítica com manifestações contra o presidente Daniel Ortega. A repressão governamental aos protestos já deixou entre 277 e 351 mortos, de acordo com organizações humanitárias locais e internacionais.

Raynéia cursava o último ano de medicina e foi baleada quando dirigia para sua casa no sudoeste de Manágua por volta de meia-noite, segundo Medina. O crime aconteceu no complexo residencial Lomas de Monserrat, onde, segundo ele, paramilitares teriam atirado contra seu carro.

A estudante foi levada pelo namorado para o hospital, mas os ferimentos foram fatais. Segundo Medina contou ao canal de TV local 12, ela morreu nas primeiras horas da manhã. Uma bala perfurou o fígado e a jovem morreu enquanto era atendida no Hospital Militar em Manágua.

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Imagens indicam que Coreia do Norte começou a desmontar locais de programa de mísseis

Imagens de satélite indicam que a Coreia do Norte começou a desmontar instalações-chave em um local usado para desenvolver motores para mísseis balísticos. Seria um primeiro passo em direção ao cumprimento de uma promessa feita ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma cúpula em junho, de acordo com o que informou nesta segunda-feira (23) um centro de pesquisas sediado em Washington.

As imagens de 20 de julho mostravam atividades na Estação de Lançamento de Satélites de Sohae para desmantelar um prédio usado para montar veículos de lançamento espacial e em um galpão de testes de motores de foguetes usado para desenvolver motores de combustíveis líquidos para mísseis balísticos e veículos de lançamento espacial, informou o centro de pesquisas 38 North.

“Visto que se acredita que estas instalações desempenharam um papel importante no desenvolvimento de tecnologias do programa de mísseis balísticos intercontinentais da Coreia do Norte, estes esforços representam uma medida significativa de construção de confiança da parte da Coreia do Norte”, informou em comunicado.

Trump disse em entrevista após sua cúpula em 12 de junho com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, que Kim havia prometido que um importante local de testes de motores de mísseis seria destruído em breve.

Trump não identificou o local, mas uma autoridade norte-americana disse subsequentemente à Reuters que seria Sohae.

O relatório do 38 North foi feito em meio a crescentes dúvidas sobre a vontade da Coreia do Norte de cumprir promessas feitas por Kim na cúpula, especialmente em atividades em direção à desnuclearização.

Autoridades norte-americanas disseram repetidamente que a Coreia do Norte se comprometeu em abandonar um programa de armas nucleares que agora ameaça os EUA, mas Pyongyang não deu detalhes sobre como isto poderia ser feito.

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Trump ameaça presidente do Irã: “Nunca ameace os EUA, ou sofrerá consequências”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou diretamente o presidente do Irã, Hassan Rohani, no fim da noite de domingo (22/07) para que “jamais volte a ameaçar os Estados Unidos, ou sofrerá consequências”.

O aviso foi uma resposta às palavras de Rohani, que no domingo alertou Trump para “não brincar com fogo” e disse que um conflito com o Irã seria a “mãe de todas as guerras”.

“Ao presidente Rohani do Irã: Nunca, nunca ameace os Estados Unidos novamente ou você sofrerá consequências como poucos conheceram ao longo da história. Já não somos um país que apoie suas palavras dementes de violência e de morte. Cuidado!”, escreveu Trump, numa mensagem toda em letras maiúsculas publicada no Twitter.
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Irã promete vender todo petróleo que puder apesar de sanções dos EUA

Poucas horas depois, a agência estatal iraniana Irna minimizou as mensagens de Trump, descrevendo-as como uma reação passiva aos comentários de Rohani. A agência, porta-voz do governo do Irã, acrescentou nesta segunda-feira que a mensagem de Trump está apenas imitando o ministro iraniano do Exterior, Mohammad Javad Yarif, que no passado alertara o Ocidente para “nunca ameaçar um iraniano”.

Ele ressaltou que o Irã responderá a ameaças “com ameaças” e não vai se intimidar, segundo discurso publicado no site da presidência iraniana. Ele também voltou a afirmar que Teerã pode bloquear as rotas para exportação de petróleo no Golfo Pérsico, ameaça já feita por Rohani no início do mês, em represália à decisão dos EUA de abandonar o acordo nuclear multilateral de 2015 com o Irã e impor novas sanções a Teerã.

As sanções entrarão em vigor em agosto e ameaçam afetar a já enfraquecida economia iraniana. A medida pretende atingir o Irã em duas frentes: seus programas de mísseis balísticos e sua influência regional.

Já o chefe da Bassidj, milícia que faz parte das Forças Armadas iranianas, afirmou que as ameaças de Trump fazem parte de uma “guerra psicológica”. “Ele não está em posição de agir contra o Irã”, afirmou o general Gholam Hossein Gheypour, segundo a agência de notícias Isna.

“Os que têm medo da guerra psicológica desse presidente louco saberão que os Estados se contentarão apenas com nossa aniquilação. Mas o povo iraniano e as Forças Armadas se levantarão contra nossos inimigos”, acrescentou Gheypour.

A troca de mensagens acaloradas com países em disputa com os EUA faz parte do histórico de Trump. A disputa retórica lembra a troca de mensagens entre Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, antes de as tensões terem dado lugar a uma aproximação inesperada com a Coreia do Norte.
Novas sanções?

Em 8 de maio passado, Trump anunciou que os Estados Unidos se retiravam do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano firmado em 2015, assim como o reforço das sanções contra este país.

O acordo histórico de 2015 submete o Irã a um estrito controle de suas atividades nucleares com o objetivo de impedir que o país desenvolva armas atômicas. Em contrapartida, suspenderia as sanções internacionais que pesam contra Teerã com a perspectiva de novos investimentos.

Com sua saída do acordo nuclear, Washington busca aumentar a pressão sobre a República Islâmica.

Também no domingo, o secretário de Estado Mike Pompeo havia afirmado que Washington não tinha medo de impor sanções “do mais alto nível” ao regime de Teerã.

Num discurso perante a diáspora iraniana na Califórnia, Pompeo confirmou que Washington quer que todos os países reduzam suas importações de petróleo iraniano até “perto de zero”, até o início de novembro. Caso contrário, esses países enfrentariam sanções dos EUA.

“Há mais (sanções) por vir”, acrescentou.”Os líderes do regime, especialmente os que estão na cúpula da CGRI (Guardiães da Revolução) e a Força Quds (forças especiais) devem sentir dolorosas consequências por sua má tomada de decisões”, disse o chefe da diplomacia americana.

Sob fortes aplausos do público, Pompeo afirmou que Washington apoiará os opositores na República Islâmica. “O regime no Irã foi um pesadelo para o povo iraniano”, acrescentou.

Apesar da preocupação da comunidade internacional, os EUA contam com o apoio de um de seus principais aliados: Israel. “Quero homenagear a dura posição manifestada ontem pelo presidente Trump e pelo secretário de Estado Mike Pompeo contra a agressividade do regime do Irã”, disse o premiê Benjamin Netanyahu durante reunião de seu gabinete nesta segunda. (Com agências internacionais)

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Portugal ousou deixar a austeridade e tem grande renascimento

Lisboa

Ramón Rivera mal tinha começado seu negócio de azeite de oliva na ensolarada região do Algarve, em Portugal, quando a crise da dívida europeia o atingiu. A economia desmoronou, os salários foram cortados e o desemprego duplicou. O governo de Lisboa teve de aceitar um socorro internacional humilhante.

Mas conforme a miséria se aprofundava Portugal assumiu uma posição ousada: em 2015, descartou as medidas de austeridade que seus credores europeus haviam imposto, iniciando um ciclo virtuoso que colocou sua economia de volta no rumo do crescimento. O país reverteu os cortes em salários, pensões e na seguridade social e ofereceu incentivos às empresas.
Primeiro Ministro de Portugal, António Costa – AFP

A meia-volta do governo, e a disposição a gastar, teve um efeito poderoso. Os credores criticaram a medida, mas a obscuridade que havia dominado o país durante anos de cinto apertado começou a se dissipar —inclusive nos olivais de Rivera.

“Tínhamos fé de que Portugal sairia da crise”, disse Rivera, o diretor-geral da Elaia. A companhia se concentrou em colheita com tecnologia de ponta e hoje é um dos maiores produtores portugueses de azeite. “Vimos que este era o melhor lugar do mundo para investir.”

Em um momento de crescente incerteza na Europa, Portugal desafiou os críticos que insistiam na austeridade como resposta para a crise econômica e financeira do continente. Enquanto países da Grécia à Irlanda —e durante algum tempo Portugal— seguiram na linha, Lisboa resistiu, ajudando a instigar um renascimento que levou seu crescimento econômico no ano passado ao maior nível em uma década.

A renovação é visível em praticamente todo lugar. Hotéis, restaurantes e lojas abriram às centenas, abastecidos por um surto de turismo que ajudou a cortar o desemprego pela metade. No bairro de Beato, em Lisboa, um megacampus para startups surge do entulho de uma fábrica militar antiquada. Bosch, Google e Mercedes-Benz recentemente abriram escritórios e centros de pesquisa digital, empregando milhares de pessoas ao todo.

O investimento estrangeiro nos setores aeroespacial, de construção e outros registram alta recorde. E as indústrias portuguesas tradicionais, incluindo têxteis e papel, estão aplicando dinheiro em inovação, provocando um surto de exportações.

“O que aconteceu em Portugal mostra que austeridade demais aprofunda a recessão e cria um círculo vicioso”, disse o primeiro-ministro António Costa em uma entrevista. “Criamos uma alternativa à austeridade, enfocando o maior crescimento e mais e melhores empregos.”

Os eleitores colocaram no poder Costa, um líder de centro-esquerda, no final de 2015, depois que ele prometeu reverter os cortes em sua renda, que o governo anterior tinha aprovado para reduzir o alto deficit de Portugal sob os termos de uma fiança internacional de 78 bilhões de euros (cerca de R$ 343 bilhões).

Costa formou uma aliança incomum com o Partido Comunista e partidos de esquerda radical que tinham sido alijados do poder desde o fim da ditadura portuguesa, em 1974. Eles se uniram com o objetivo de superar a austeridade, sem deixar de cumprir as regras da zona do euro.

O governo aumentou os salários no setor público, o salário mínimo e as pensões, e até restaurou o número de dias de férias aos níveis anteriores ao socorro financeiro, sob objeções de credores como a Alemanha e o Fundo Monetário Internacional. Incentivos para estimular as empresas incluíram subsídios ao desenvolvimento, créditos fiscais e financiamento para pequenas e médias empresas.

Costa compensou essas medidas com cortes em gastos com infraestrutura e outros, reduzindo o deficit orçamentário anual a menos de 1% do PIB, comparado com 4,4% quando ele assumiu o cargo. O governo está prestes a alcançar um superávit em 2020, um ano antes da previsão, encerrando 25 anos de deficits.

As autoridades europeias agora admitem que Portugal pode ter encontrado uma resposta melhor para a crise. Recentemente, elas recompensaram Lisboa por elevar o ministro das Finanças do país, Mário Centeno, que ajudou a divisar as mudanças, a presidente do Eurogroup, o influente coletivo de ministros das Finanças da zona do euro.

A reviravolta econômica teve um efeito notável na psique coletiva de Portugal. Enquanto o desânimo paira na Grécia depois de uma década de cortes de gastos, a recuperação de Portugal girou em torno de restaurar a confiança para motivar novamente as pessoas e as empresas.

“O verdadeiro estímulo de gastos foi muito pequeno”, disse João Borges de Assunção, professor na escola de economia da Universidade Católica Portuguesa. “Mas a mentalidade do país está completamente diferente, e de uma perspectiva econômica isso causa mais impacto do que a mudança real nas políticas.”
Mas o sucesso de Portugal ainda é vulnerável.

O crescimento de 2,7% no ano passado está esfriando, enquanto Costa mantém o investimento público em um piso de 40 anos para reduzir o deficit. Embora ele tenha restaurado os salários do setor público aos níveis anteriores, eles mal se moveram desde antes da crise. A precariedade social continua, agravada pela disseminação de contratos parciais por baixa remuneração. E o salário mínimo de 580 euros (cerca de R$ 2.550), apesar de ter subido, continua sendo um dos mais baixos da zona do euro.

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FMI reduz previsão de crescimento para a América Latina

O Fundo Monetário Internacional (FMI) piorou nesta segunda-feira (23) a projeção de crescimento deste ano para a América Latina. A expectativa da entidade é que a região deve crescer 1,6%, abaixo dos 2% previstos em abril.

A projeção para o ano que vem também está ligeiramente mais fraca. Em abril, a expectativa para o o Produto Interno Bruto (PIB) da região em 2019 era de crescimento de 2,8%, mas agora foi revisada para alta de 2,6%.

“Enquanto o crescimento está acelerando em alguns países, a recuperação se tornou mais difícil para algumas das maiores economias (da região), porque as pressões de mercado em nível global foram amplificadas pelas vulnerabilidades específicas de cada país”, ponderou o fundo no relatório.

O Fundo ponderou, no entanto, que, apesar do crescimento mais fraco, a atividade econômica da região segue se recuperando e que o investimento está ganhando força. No ano passado, a América Latina cresceu 1,3%, depois de recuar 0,6% em 2016.
Desempenho econômico da América Latina e Caribe
FMI piora projeção para o ano, mas ainda vê aceleração da atividade
Em %Desempenho do PIB2016201720182019-10123
2016
● Desempenho do PIB: -0,6
Fonte: FMI

Desempenho dos países

Com relação ao desempenho da economia brasileira, o FMI já havia reduzido a projeção de crescimento deste ano para 1,8% diante das condições globais financeiras mais apertadas e pelos efeitos da greve dos caminhoneiros. A previsão anterior era de alta de 2,3%.

O Fundo também alertou que a incerteza com o quadro eleitoral pode prejudicar ainda mais o cenário de crescimento econômico.

Para a Argentina, o FMI prevê crescimento de apenas 0,4% neste ano e uma gradual recuperação ao longo de 2019 e 2020. Em junho, o governo argentino e o Fundo fecharam um acordo de US$ 50 bilhões num quadro de forte desvalorização do peso e aumento da taxa de juros.

A Venezuela deverá ter o pior desempenho da região este ano. O FMI estima que o PIB do país deve recuar 18%. Se a projeção for confirmada, será o terceiro ano seguido que a queda da atividade econômica do país supera os dois dígitos.

A economia venezuelana sofre com uma forte queda da produção de petróleo e de vários desequilíbrios macroeconômicos.

No outro extremo, o melhor desempenho econômico será observado no Chile. O país deve crescer 3,8% neste ano com a melhora da confiança de empresários e consumidores.
Projeção de crescimento para cada país
Economia brasileira deve ter crescimento próximo ao da região neste ano