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Cédulas em desuso viram brinquedo nas mãos de crianças em povoado venezuelano


Bolívar se desvalorizou 72,54% em 2021 e na sexta-feira passará por uma nova reconversão na qual vai perder seis zeros. Crianças jogam cartas e apostam com notas de bolívar venezuelano não utilizadas em Puerto Concha, na Venezuela
Federico Parra/AFP
Sentados em semicírculo em um povoado de pescadores da Venezuela, crianças brincam com fardos de bolívares, a moeda nacional, pulverizada pela inflação mais alta do mundo.
A cena ocorre em uma rua de Puerto Concha, um povoado caloroso no estado Zulia (oeste), fronteiriço com a Colômbia, onde para muitos o bolívar é história: três reconversões monetárias desde 2008 eliminaram 14 zeros da moeda.
Reconversão monetária na Venezuela: 100 trilhões ontem, 1 bolívar amanhã
As cédulas servem para fazer coroas e outros objetos, além de serem usadas pelas crianças para brincar.
“Se você colocar cem, ganha cem”, explica uma menina que coordena a partida de Ajiley, um jogo de cartas muito popular na Venezuela, ao qual os pequenos fizeram uma adaptação divertida, negociando os prêmios com estas cédulas inúteis, que guardam em uma caixa de papelão em formato de violão, com a tampa pintada com as cores da bandeira da Venezuela.
O bolívar se desvalorizou 72,54% em 2021 e na sexta-feira passará por uma nova reconversão na qual vai perder seis zeros.
Mas em Puerto Concha pouco ou nada importa a moeda nacional. Nos últimos anos, familiarizaram-se mais com os pesos colombianos, que usam diariamente.
“Aqui o bolívar já virou história”, reforça Jonatan Morán, de 32 anos, que trabalha em um sítio, do mostruário de um armazém repleto de produtos colombianos, mais baratos do que os locais.
“Nem conheço o novo bolívar que saiu, nem gostaria de conhecê-lo. Para que?”, pergunta-se, taxativo, em conversa com a AFP.
Há moradores em Puerto Concha que lembram que antes da reconversão decretada pelo presidente Nicolás Maduro em 2018, a segunda da era chavista, muitos saíam com baldes repletos de notas para fazer compras no supermercado.
Pescadores atracam em um porto da cidade de Puerto Concha, no estado de Zulia, na Venezuela
Federico Parra/AFP
Bolívares “de lembrança”
Com essa nova “reexpressão” monetária, “a Venezuela passa a ser o país da América Latina que mais eliminou zeros de sua moeda”, diz o economista José Manuel Puente, convencido de que em alguns meses se repetirá o ciclo e o novo bolívar ficará ultrapassado mais uma vez.
Esta instabilidade expandiu o uso do peso colombiano nos estados fronteiriços, enquanto o país vive uma dolarização de fato, que embora contradiga a “narrativa antiianque” do chavismo, afirma Puente, é vista como “válvula de escape” diante de uma economia com oito anos de recessão e quatro de hiperinflação.
Por ser uma região vizinha da Colômbia, muitos costumam trocar dólares por pesos em Puerto Concha, pois lhes facilita as compras no varejo, algo que não acontece com a moeda americana, pois a dolarização informal limita o fluxo de cédulas de baixo valor e complica as operações.
“Agora é mais vantajoso o peso do que o bolívar, porque o bolívar não dá conta”, relata María Martínez, vendedora de loteria de 38 anos, que esconde o rosto com um casaco para se proteger do sol.
O uso do bolívar ficou praticamente restrito a operações com cartões de débito, devido à escassez crônica de dinheiro vivo, necessário para as principais atividades no povoado: a pesca, a pecuária e o cultivo de bananas.
Não há cifras da quantidade de pessos colombianos que circulam na economia venezuelana. Ao contrário, estimativas do setor privado consideram que no país as transações em dólares abrangem 70% das operações.
Desta terceira reconversão, Maria, mãe de três filhos, sabe apenas “o pouquinho que se vê nas notícias”. Também não pensa trabalhar com a moeda oficial “porque o bolívar está desvalorizado”.
Embora aceite pagamentos em bolívares de forma eletrônica, Hugo Fernandes, dono de uma loja de mantimentos, diz que conheceu uma das últimas cédulas graças a turistas que viajaram de Caracas há quatro meses.
“Nós as guardamos como lembrança porque não as tínhamos visto e agora vão trocá-las outra vez”, comentou o comerciante de 24 anos, que se sente mais confiante em trabalhar com peso colombiano. “Pelo menos é mais estável”, conclui.

Fonte: G1 Mundo

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Desabastecimento leva a filas extensas e brigas em postos de gasolina do Reino Unido; veja vídeo


A falta de mão de obra no setor de transportes – ocasionada por conta do Brexit e da pandemia da Covid-19 – tem deixado prateleiras vazias e fechado postos de combustíveis por todo o país europeu. Britânicos brigam em filas de postos de gasolina em meio a desabastecimento nacional
Na última semana, brigas e discussões tomaram postos de gasolina no Reino Unido enquanto aumenta o clima de tensão por conta da crise no setor de abastecimento, o que tem levado motoristas ao limite após passarem horas em filas para tentar abastecer (veja no vídeo acima).
Há gasolina, afirmam as distribuidoras, o problema está no transporte. Com a escassez no número de caminhoneiros atuando no país, o setor tem encontrado dificuldades em entregar os combustíveis – além de outros produtos – dentro da Grã Bretanha.
“Desculpe, ‘não’ temos mais combustível por hoje, sinto muito”, diz cartaz em um posto de gasolina de Londres em 28 de setembro de 2021
Frank Augstein/AP
O que anda acontecendo?
Os problemas com o abastecimento no país – que é uma ilha, o que dificulta ainda mais sua logística – não são de agora.
Nos últimos meses, muitas empresas do ramo alimentício já vinham relatando dificuldades para receber produtos básicos. Redes de fast-food (como o Mc Donalds, por exemplo) ficaram sem as famosas, e tradicionais, batatinhas fritas.
Na semana passada, no entanto, gigantes do petróleo como a BP e a ExxonMobil anunciaram o fechamento de postos de gasolina por encontrar dificuldades em levar o combustível para os clientes. Além disso, prateleiras de supermercados já começam a ficar vazias.
Os britânicos vêm encarando filas imensas naqueles postos de combustível que conseguiram renovar seus estoques. Mas em algumas regiões, entre 50% e 90% dos pontos de venda estão completamente sem gasolina.
Preocupadas, associações médicas, de enfermeiros e de cuidadores estão pedindo que profissionais da saúde tenham prioridade na hora de abastecer.
“Desculpe, fora de serviço”, bomba de posto britânico é desativada por falta de combustíveis em foto de 28 de setembro de 2021
Frank Augstein/AP
Há falta de combustíveis?
Segundo o governo britânico, não. A dificuldade de levar os combustíveis aos pontos de venda é que é o problema. O secretário de Transportes, Grant Shapps, chegou a dizer que a falta de gasolina era culpa dos motoristas que correram atrás do produto “pelo pânico da população”.
“Não há falta de combustível e as pessoas devem ser sensatas e só abastecer quando precisam”, disse Shapps em entrevista ao programa Andrew Marr, na emissora britânica BBC.
A Petrol Retailers Association (PRA), associação dos postos de gasolina do país, disse que não tem visto aumentar o suprimento de combustíveis em diversos pontos do Reino Unido, e afirmou que há ainda muita pressão de motoristas que tentam, sem sucesso abastecer.
VEJA MAIS: Falta de caminhoneiros leva ameaça de desabastecimento ao Reino Unido
Falta de caminhoneiros provoca ameaça de desabastecimento no Reino Unido
E o Brexit nisso tudo?
Opositores do governo de Boris Johnson afirmam que este era um “caos anunciado”. É que o problema tem a ver com o Brexit – a saída do Reino Unido da União Europeia. As longas jornadas e os baixos salários também já vinham afastando muitos motoristas da profissão.
A situação se agravou porque boa parte dos caminhoneiros que trabalhavam no país vêm do bloco europeu. Antes, eles circulavam à vontade. Agora, as novas burocracias na fronteira atrapalham e qualquer atraso custa dinheiro: Muitos motoristas são pagos pela distância percorrida, e não por hora.
Com as restrições da pandemia, muitos deles foram para casa e não voltaram. O setor de transportes vem operando com uma falta de mão de obra estimada em cerca de 100 mil motoristas, segundo cálculos mais recentes.
O governo conservador tenta, agora, recorrer a trabalhadores estrangeiros para contornar o problema. As autoridades vão oferecer 5 mil vistos para motoristas de outros países trabalharem temporariamente até o Natal.
Associações de transporte de países do Leste Europeu, grande fonte de mão-de-obra para o Reino Unido nos últimos anos, parecem não estar dispostas a ajudar e dizem que os britânicos precisam aprender a lidar com as consequências do Brexit.
Caminhão abastece posto em Manchester, Inglaterra, em 28 de setembro de 2021
Jon Super/AP

Fonte: G1 Mundo

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Vulcão havaiano Kilauea entra em erupção pela 1ª vez em quase um ano; veja FOTOS


Fenômeno ocorre dentro dos limites do Parque Nacional de Vulcões do Havaí, que permaneceu aberto a visitantes que queriam observar o brilho da lava e a nuvem de fumaça de uma distância segura. Erupção dentro da cratera Halemaumau do vulcão Kilauea, no Parque Nacional do Havaí, na quarta-feira (29)
USGS via AP
Em sua primeira erupção em quase um ano, o vulcão havaiano Kilauea estava enchendo a cratera de seu cume de lava quente e vermelha e cobrindo os céus com uma mistura de fumaça e neblina vulcânica nesta quinta-feira (30), informou o Instituto Geológico dos Estados Unidos.
A erupção mais recente do vulcão mais jovem e ativo do Havaí começou na tarde de quarta-feira.
Um lago de lava em elevação é visto dentro de uma cratera do vulcão Kilauea, no Parque Nacional do Havaí, na quarta-feira (29)
USGS/M. Patrick/Handout via Reuters
Embora a lava não represente uma ameaça imediata a áreas povoadas, moradores que vivem na direção do vento que vem do Kilauea foram alertados para uma possível exposição a dióxido de enxofre e outros gases vulcânicos que podem irritar o sistema respiratório.
Fissuras abertas na parede oeste de uma das crateras durante erupção do vulcão Kilauea, no Parque Nacional do Havaí, na quarta-feira (29)
USGS/M. Patrick/Handout via Reuters
O fenômeno ocorre dentro dos limites do Parque Nacional de Vulcões do Havaí, que permaneceu aberto a visitantes que queriam observar o brilho da lava e a nuvem de fumaça de uma distância segura.
A penúltima erupção do Kīlauea aconteceu em dezembro de 2020, quando um lago repleto de água que havia se formado na cratera evaporou, sendo substituído por um lago de lava.
Erupção dentro da cratera Halemaumau do vulcão Kilauea, no Parque Nacional do Havaí, na quinta-feira (30)
USGS via AP
Dois anos antes, uma série de terremotos e uma grande erupção causaram a destruição de centenas de lares e estabelecimentos comerciais quando a lava jorrou até o oceano ao longo de um período de vários meses até endurecer e criar um terreno novo.
Erupção dentro da cratera Halemaumau do vulcão Kilauea, no Parque Nacional do Havaí, na quarta-feira (29)
USGS via AP
Geologista do Observatório de Vulcões Havaianos do Centro de Pesquisas Geológicas dos EUA (HVO) monitora a erupção do vulcão Kilauea, no Parque Nacional do Havaí, na quarta-feira (29)
USGS/D. Downs/Handout via Reuters
Vídeos: Vulcão Cumbre Vieja, nas Ilhas Canárias
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Fonte: G1 Mundo

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Talibã dispersa com tiros para o alto manifestação de mulheres em Cabul


Membro do Talibã conversa com manifestantes mulheres enquanto outro tenta bloquear a visão da câmera com a mão durante protesto realizado do lado em frente a uma escola em Cabul, capital do Afeganistão, em 30 de setembro de 2021
Bulent Kilic/AFP
Combatentes talibãs interromperam com tiros para o alto nesta quinta-feira (30) em Cabul uma manifestação de seis afegãs que reivindicavam o direito à educação.
Às 8H00 locais (0H30 de Brasília), três mulheres jovens, de véu e máscara, exibiram uma faixa com a frase (em inglês e dari) “Não politizem a educação!”, diante do centro de ensino médio para meninas Rabia Balkhi, na zona leste de Cabul.
“Não quebrem nossas canetas, não queimem nossos livros, não fechem nossas escolas”, completava a faixa, ao lado de uma foto de meninas com véu durante uma aula.
Quando outras três manifestantes se uniram às primeiras, uma delas com o cartaz “A educação é a identidade humana”, vários talibãs armados chegaram ao local.
Os combatentes obrigaram as manifestantes a recuar para a porta de entrada do centro de ensino. Um deles derrubou o cartaz, enquanto outros avançavam contra os jornalistas estrangeiros para tentar impedir que registrassem imagens do protesto.
Um talibã disparou uma rajada curta de tiros para o alto com sua metralhadora.
As manifestantes se refugiaram dentro da escola e os talibãs perseguiram os cinegrafistas e fotógrafos, tentando retirar suas câmeras. Um combatente deu uma cabeçada em um cinegrafista estrangeiro.
Eles responderam às ordens de um jovem desarmado, mas que estava com um walkie-talkie. Ele se apresentou como Mawlawi Nasratullah, comandante das forças especiais talibãs para Cabul e sua região.
Ele pediu a seus homens que reunissem 10 jornalistas, todos da imprensa internacional, e fez um discurso.
“Respeito os jornalistas, mas esta manifestação não foi autorizada”, disse. “As autoridades do Emirado (Islâmico) do Afeganistão não haviam sido informadas. Por isso não há nenhum jornalista afegão aqui”.
“Se tivessem pedido autorização para a manifestação, elas teriam recebido”, declarou.
“Respeito os direitos das mulheres”, acrescentou, cercado por homens armados. “Vocês tentaram cobrir uma manifestação ilegal. Recordo a vocês que nos países modernos, França ou Estados Unidos, a polícia agride os manifestantes”, completou.
A manifestação foi convocada na internet por um grupo chamado “Movimento Espontâneo de Mulheres Ativistas no Afeganistão”.
No início de setembro, combatentes talibãs armados dispersaram manifestações em várias cidades, como Cabul, Faizabad e Herat, onde duas pessoas foram mortas.
O Talibã, no poder desde meados de agosto, proibiram todas as manifestações no país desde 8 de setembro e até o momento não autorizaram o retorno das mulheres ao ensino médio.

Fonte: G1 Mundo

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Time de futebol feminino do Afeganistão encontra novo lar em Portugal


Uma autoridade de alto escalão do Talibã disse depois da tomada de poder de 15 de agosto que as mulheres provavelmente não poderão praticar esportes por ‘não ser necessário’ e porque seus corpos podem ser expostos. Afeganistão: ex-capitã pede que jogadoras do time de futebol queimem os uniformes
Deixar o Afeganistão foi doloroso, disse Sarah, de 15 anos, mas agora que está segura em Portugal ela pretende perseguir o sonho de jogar futebol profissionalmente — e talvez conhecer seu ídolo, o atacante Cristiano Ronaldo.
Sarah foi uma das várias jogadoras da seleção feminina juvenil afegã que fugiram do país assustadas depois que o movimento islâmico radical Taliban tomou o poder em agosto.
Portugal concedeu asilo às jovens esportistas.
Atletas da seleção afegã de futebol feminino no aeroporto de Cabul antes de embarcar em um voo do governo australiano
Reprodução/Instagram/Khalida Popal
“Estou livre”, disse ela, sorrindo de orelha a orelha ao visitar a famosa Torre de Belém, junto ao Rio Tejo, com a mãe e as colegas de equipe.
“Meu sonho é ser uma boa jogadora, como Ronaldo. E quero ser uma grande empresária aqui em Portugal”.
Ela espera voltar um dia ao Afeganistão, mas só se puder viver livremente.
Sua mãe, que pediu que a Reuters não usasse seu sobrenome, vivenciou em primeira mão a era anterior do governo do Taliban, entre 1996 e 2001, e está menos otimista com a possibilidade de uma volta para casa.
Líderes do Taliban prometem respeitar os direitos das mulheres, mas em seu primeiro governo elas não podiam trabalhar, e as meninas foram barradas nas escolas.
Uma autoridade de alto escalão do grupo disse depois da tomada de poder de 15 de agosto que as mulheres provavelmente não poderão praticar esportes por “não ser necessário” e porque seus corpos podem ser expostos.
Khalida Popal, ex-capitã da seleção afegã de futebol, em foto sem data
Reprodução/Instagram/Khalida Popal
“A razão de assumirmos esta missão (de retirar o time) foi permitir que elas possam aspirar e praticar o esporte que amam”, disse Farkhunda Muhtaj, técnica da seleção feminina afegã, que voou a Lisboa na quarta-feira para surpreender o time juvenil.
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Fonte: G1 Mundo

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França estende uso obrigatório de passaporte sanitário para adolescentes


O passaporte sanitário é obrigatório para adultos desde 21 de julho. O governo pretende prorrogar sua vigência até meados de 2022. Manifestantes protestam contra passe sanitário de Covid na França
O passaporte sanitário obrigatório para adultos na França passara a ser necessário para adolescentes e jovens do país, que precisarão comprovar sua imunização ou um teste negativo recente de Covid-19 para poderem entrar em cinemas, restaurantes, piscinas, entre outros estabelecimentos.
Desde junho, pessoas com idades entre 12 e 17 anos podem ser imunizadas com as vacinas da Pfizer e da Moderna. A partir dos 16 anos, não é necessária a autorização dos pais para isso. Desde então, quase dois terços dos adolescentes foram totalmente vacinados.
O passaporte sanitário é obrigatório para adultos desde 21 de julho. Embora seu uso estivesse previsto para durar até 15 de novembro, o governo francês anunciou na quarta-feira (29) que pretende prorrogar sua vigência até meados de 2022.
Pessoa mostra o código QR do passaporte sanitário antes do início da partida de futebol no Estádio Roazhon Park em Rennes, noroeste da França, em 8 de agosto de 2021.
JEAN-FRANCOIS MONIER / AFP
Por enquanto, a vacinação não está aberta para menores de 12 anos. Estes, a partir dos 6 anos, são obrigados a usar máscara na escola. Esta medida será suspensa na próxima segunda-feira (4) nos 47 departamentos com baixa incidência de casos de Covid-19.
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Desde o início da pandemia, a França acumula mais de 116 mil óbitos por covid-19. Pelo menos 50,4 milhões de pessoas (74,9% da população) receberam uma dose da vacina anticoronavírus, e 48,5 milhões, o esquema completo de imunização.
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Fonte: G1 Mundo

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Ex-secretária de um campo de concentração nazista de 96 anos foge da Justiça da Alemanha


No dia do início de seu julgamento, a mulher pegou um táxi e foi para uma estação de metrô. Não se sabe qual o seu destino. Imagem da corte da Justiça da Alemanha no dia em que uma ex-secretária de um campo nazista deveria ter comparecido ao local para o início de seu julgamento, em 30 de setembro de 2021
Markus Schreiber/AP
A Justiça da Alemanha emitiu um pedido de prisão de uma ex-secretária do comando das tropas SS de um campo de concentração em Stutthof que faltou ao começo do seu julgamento —a mulher, de 96 anos, é acusada de ter auxiliado 11 mil homicídios.
Ela deixou a casa onde ela vive de táxi na quinta-feira (29) pela manhã e foi a uma estação de metrô na periferia da cidade de Hamburgo, de acordo com informações de um porta-voz da corte, Frederike Milhoffer. Não se sabe para onde a ré foi.
O juíz do caso, Dominik Gross, disse que a corte emitiu um mandado de prisão contra a mulher.
Foto de 2018 mostra o portão do antigo campo de concentração nazista de Stutthof
Czarek Sokolowski/AP
Os promotores afirmam que a mulher era parte de um esquema que auxiliava o funcionamento do campo nazista durante a Segunda Guerra, há mais de 75 anos.
A corte afirmou que antes do processo, a ré supostamente teria ajudado e incitado os responsáveis pelo campo no assassinato sistemático dos presos entre junho de 1943 e abril de 1945 em sua função como estenógrafa e datilógrafa no escritório do comandante do campo.
Como ela tinha menos de 21 anos na época, a mulher, que hoje tem 96, responde a ação em uma corte juvenil. Segundo a mídia alemã, ela se chama Irmgard Furchner.
Livro reúne correspondências de pessoas perseguidas pelo nazismo durante 2ª Guerra Mundial
Ré tentou escapar da prisão dizendo que não tinha saúde
Em Jerusalém há uma organização que busca levar nazistas e colaboradores à Justiça chamada Simon Wiesenthal.
O líder dessa organização, Efraim Zuroff, disse que antes de fugir a ré havia tentado escapar do julgamento alegando que ela estava em um estado de saúde frágil para comparecer à corte. “Aparentemente, não era bem o caso”, disse Zuroff.
“Se ela é saudável para fugir, é saudável para ir para a prisão”, afirmou ele. A fuga também deve ser levada em conta na hora de decidir qual será a pena, segundo Zuroff.
Há jurisprudência estabelecida de condenações de pessoas que trabalharam em campos de concentração como auxiliares que foram condenados, mesmo sem evidência de que eles tenham participado de algum crime específico.
Advogado diz que cliente trabalhava lá, mas não sabia dos assassinatos
O advogado que a represente disse à revista “Der Spiegel” que tentaria construir o caso na dúvida a respeito da ciência, por parte da ré, das atrocidades que foram cometidas no local de trabalho dela.
“Minha cliente trabalhou no meio de homens das tropas SS que tinham experiência com violência, no entanto, isso significa que ela compartilhava o que eles sabiam? Isso não é necessariamente óbvio”, disse o advogado Wolf Molkentin.
De acordo com outras publicações da mídia, a ré já havia sido interrogada como testemunha durante os julgamentos anteriores e disse na época que o ex-comandante da SS em Stutthof, Paul Werner Hoppe, ditava cartas diárias e mensagens de rádio para ela.
Furchner disse que não sabia dos assassinatos que ocorreram no campo enquanto ela trabalhava lá.
Mais de 60 mil mortos nesse campo de concentração
O campo de Stutthof ficava na Políonia. Era um local para onde os nazistas levavam judeus e alguns poloneses retirados da cidade de Danzig (hoje o nome da a cidade é Gdansk).
A partir de 1940, Stutthof foi usado como um “campo de educação para o trabalho” —ou seja, uma prisão onde havia trabalho forçado.
Em meados de 1944, dezenas de milhares de judeus de guetos no Báltico e de Auschwitz foram levados ao campo, junto com milhares de civis poloneses presos após a repressão nazista ao levante de Varsóvia.
Lá também havia presos políticos, criminosos acusados, pessoas suspeitas de atividade homossexual e Testemunhas de Jeová.
Mais de 60 mil pessoas foram mortas no local, recebendo injeções letais de gasolina ou fenol diretamente no coração, ou sendo baleadas ou morrendo de fome. Outros foram forçados a sair no inverno sem roupas até morrerem de exposição, ou foram condenados à morte em uma câmara de gás.
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Fonte: G1 Mundo

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Policial é condenado à prisão perpétua por sequestrar, estuprar e assassinar Sarah Everard


Executiva de marketing de 33 anos desapareceu em março, após visitar amigos em Londres, e foi encontrada morta 1 semana depois, em um bosque de Kent. Corpo estava dentro de uma mala. Sarah Everard, que foi sequestrada, estuprada e morta por um policial em Londres
Reprodução/Reuters
O ex-policial Wayne Couzens foi condenado nesta quinta-feira (30) à prisão perpétua pelo assassinato de Sarah Everard, após sequestrá-la e estuprá-la quando ela voltava a pé para casa, em um caso que chocou o Reino Unido e gerou protestos contra a violência contra mulheres.
Wayne Couzens, de 48 anos, era guarda em instalações diplomáticas em Londres e admitiu em junho ser o culpado pelo sequestro, estupro e assassinato de Everard. Ele não tem chance de liberdade condicional.
A executiva de marketing de 33 anos desapareceu em 3 de março, após visitar amigos em Clapham, ao sul de Londres, e foi encontrada morta uma semana depois, em um bosque de Kent, no sudeste da Inglaterra, onde Couzens vivia. O corpo dela estava dentro de uma mala.
O policial sequestrou Everard em um carro alugado, e a autópsia concluiu que a morte da jovem foi causada por uma “compressão do pescoço”.
Manifestantes se deitam em Londres durante protesto pelo assassinato de Sarah Everard
Frank Augstein/AP
Uma testemunha viu Everard sendo algemada antes de desaparecer, e a polícia diz que Couzens pode ter usado os protocolos de prevenção à Covid-19 como desculpa para a falsa prisão.
A Polícia Metropolitana, que investigou o assassinato (e onde Couzens trabalhava), disse estar “enojada, irritada e devastada” pelos crimes. A comissária Cressida Dick pediu desculpas à família de Everard.
A polícia britânica agora investiga Couzens por um “um incidente de exposição indecente” em 2015 e duas outras acusações contra o ex-policial em fevereiro deste ano.
VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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75 anos dos julgamentos de Nuremberg: o que exames psicológicos revelaram sobre nazistas?


Em 20 de novembro de 1945, teve início o processo histórico contra os autores de atrocidades sem precedentes cometidas na 2ª Guerra. Em paralelo, uma análise psiquiátrica e psicológica tentou encontrar as origens do mal. Os julgamentos de Nuremberg começaram em 20 de novembro de 1945. No canto inferior esquerdo, usando óculos escuros, está Hermann Göring, seguido por Rudolf Hess, os réus mais notórios
Getty Images via BBC
Após o fim da 2ª Guerra Mundial, a devastação foi tão grande e os crimes de guerra tão extensos que as forças aliadas vitoriosas determinaram que era necessário impor alguma forma de punição aos responsáveis pela geração dessa máquina de destruição e extermínio contra a humanidade.
Houve um cabo de guerra político entre os Aliados sobre o que fazer com os líderes nazistas capturados.
A certa altura, havia aqueles que defendiam as execuções sumárias, mas no final um julgamento por um Tribunal Militar Internacional foi considerado importante para educar o mundo sobre o que havia acontecido.
Esses foram os julgamentos de Nuremberg, que começaram em 20 de novembro de 1945 e terminaram no dia 1º de outubro de 1946, há 75 anos.
Pouco se sabe, no entanto, de um extraordinário processo de análise psiquiátrica e psicológica dos prisioneiros que foi realizado em paralelo para tentar encontrar as origens de seu mal.
Horas e horas de entrevistas, exames e observações geraram inúmeros documentos que foram esquecidos e, em 2016, foram resgatados no livro “Anatomia do mal: O Enigma dos Criminosos de Guerra Nazistas”.
Seu autor, Joel Dimsdale, professor emérito de Psiquiatria da Universidade da Califórnia, em San Diego, conversou com a BBC.
Contato íntimo com o ‘mal’
Nuremberg foi escolhida como sede dos julgamentos por seu valor simbólico, já que a cidade da Baviera havia sido palco de grandes paradas e comícios políticos dos nazistas no prelúdio da 2ª Guerra.
Mas também havia um motivo pragmático: o Palácio da Justiça, que havia sobrevivido milagrosamente ao bombardeio aliado e no qual o Tribunal Militar Internacional seria instalado, tinha uma prisão anexa que permitia o confinamento seguro e a vigilância dos acusados que seriam julgados.
O Palácio da Justiça e a prisão de Nuremberg sobreviveram ao bombardeio dos Aliados
Getty Images via BBC
O primeiro processo foi contra 22 líderes nazistas e, embora as sentenças tenham sido previsíveis (12 deles foram condenados à morte por enforcamento), houve também um chamado para a realização de uma investigação psicológica dos presos para tentar entender a origem de sua maldade e as razões dos horrores que cometeram.
“Cada prisão teve a presença de um psiquiatra e de um psicólogo para manter o ânimo dos presos para que eles possam enfrentar os seus julgamentos e participar na sua defesa”, explica Dismdale.
Mas, em Nuremberg, aconteceu algo extraordinário: o trabalho conjunto de dois analistas brilhantes cuja obsessão, iniciativa e ambição pessoal os levaram a empreender uma investigação minuciosa, com incontáveis horas de entrevistas, observações, testes e avaliações de cada um dos acusados.
De um lado estava Douglas Kelley, psiquiatra militar, um especialista de renome mundial no teste de Rorschach, uma avaliação de personalidade baseada na interpretação do paciente de uma série de manchas.
Kelley foi o primeiro a ter acesso aos líderes nazistas, mas, como ele não falava alemão, foi designado para ajudá-lo um psicólogo militar igualmente brilhante de pais judeus austríacos: Gustave Douglas.
“Seu trabalho os colocou em contato íntimo com personalidades tão perversas que alguns pensaram que havia algo profundamente danificado neles, que eles tinham algum tipo de disfunção cerebral ou doença mental”, afirma Dismdale.
“Essa preocupação adicionada à magnitude de sua maldade foi o que provocou a investigação de seu estado psiquiátrico e psicológico.”
Diferenças e rivalidades profissionais
Apesar de Kelley e Douglas serem colegas de trabalho, eles se odiavam e desenvolveram uma rivalidade muito competitiva sobre quem era o dono do trabalho executado. Eles também se envolveram em discussões filosóficas sobre a natureza do mal e a interpretação das evidências do Rorschach.
O psicólogo acreditava que os testes mostravam que os réus nazistas eram “outros” — ou seja, seres qualitativamente diferentes dos demais humanos — enquanto o psiquiatra os via mais como carreiristas dispostos a fazer o que fosse necessário para avançar profissionalmente, mas sem nada particularmente monstruoso em seu comportamento.
Devido a essa competição e sua diferença de opinião, os resultados dos testes de Rorschach foram praticamente esquecidos, até que Dimsdale recebeu uma visita inesperada.
“Estava em meu consultório em Harvard quando um homem veio sem hora marcada, bateu e entrou com uma maleta de transporte de armas”, diz o professor. “Ele me perguntou: ‘Você é Dimsdale?’ Eu disse que sim. Ele se sentou no meu sofá e disse: ‘Eu sou o carrasco. Eu vim atrás de você’, e ele abriu a maleta e mostrou uma série de documentos da 2ª Guerra Mundial.”
O homem era um dos responsáveis pelas execuções em Nuremberg.
Dimsdale concentrou suas primeiras investigações nos sobreviventes dos campos de concentração, mas motivado por este “carrasco”, decidiu vasculhar arquivos secretos sobre os resultados da psicanálise de criminosos de guerra para entender o que havia acontecido.
‘Alguns podiam ser charmosos, outros eram desagradáveis’
Todos os réus de Nuremberg apresentaram casos igualmente interessantes. Mas, para seu livro, Dismdale decidiu estudar quatro que eram diametralmente opostos em termos de origens, comportamentos e reações ao julgamento a que foram submetidos.
Eles eram: Robert Ley, líder do Reich e chefe da Frente Trabalhista Alemã; Julius Streicher, fundador do diário antissemita Der Stürmer, parte central do aparato de propaganda nazista; Rudolf Hess, substituto do Führer; e Hermann Göring, a figura mais poderosa do Partido Nazista e Chanceler da Alemanha após a morte de Hitler.
O que mais surpreendeu Dimsdale ao estudar esses quatro indivíduos é que o mal não parece ser algo monocromático.
“Presume-se que todos fossem monstros do mesmo tamanho, mas o fato é que eles tinham origens diferentes, estilos de relacionamento diferentes”, diz ele.
“Alguns podiam ser charmosos quando lhes convinha, outros eram tão desagradáveis que até seus próprios colegas os desprezavam. Fiquei surpreso que pudessem ser tão variados, mas ao mesmo tempo eram igualmente responsáveis por eventos tão monstruosos.”
Personalidade complexa
Ley controlava 95% da força de trabalho do país. Ele ordenou o assassinato de sindicalistas que não apoiavam o Partido Nazista e ajudou no estabelecimento de fábricas de trabalhos forçados. Ele era fanaticamente leal a Hitler e considerava o Partido Nazista “nossa ordem religiosa, nosso lar sem o qual não podemos viver”.
Mas ele tinha uma personalidade complexa, porque também defendia os direitos dos trabalhadores, um salário justo para as mulheres e mais tempo de férias.
Na 1ª Guerra Mundial, Ley sofreu um ferimento na cabeça que o deixou com uma gagueira e um comportamento errático pelo resto de sua vida, estando sujeito a ataques repentinos de raiva. Seus problemas com o álcool também eram famosos.
Durante seus interrogatórios na prisão, ele foi bastante perspicaz sobre a derrota nazista. Ele aceitou ser considerado um inimigo, mas se sentiu humilhado por ser considerado um criminoso.
No final, ele reconheceu sua culpa e expressou remorso. Embora os prisioneiros estivessem sob observação 24 horas por dia e houvesse controle rígido sobre quem entrava em contato com eles, Ley conseguiu se matar enforcando-se com uma corda.
“Seu cérebro foi analisado depois para ver se havia alguma patologia”, diz Dimsdale. “Resumindo, pensava-se que talvez houvesse mudanças sutis no cérebro, mas nada foi encontrado.”
‘Erva daninha’
Um dos réus mais originais foi Streicher. “Talvez o mais nojento dos criminosos de guerra”, diz Dimsdale. Ele era considerado o mais antissemita do gabinete nazista — e havia muita competição por esse título, mas ele era “o pior dos piores”.
Sua presença em Nuremberg não foi a primeira perante um tribunal. Ele se gabou de ter sido processado várias vezes por difamação, sadismo, estupro e outros crimes sexuais. No entanto, em suas entrevistas com Kelley, ele disse que dormia muito bem na prisão devido à sua “consciência limpa”.
Kelley o classificou como paranoico e questionou como ele teria conseguido manter influência sobre milhares de alemães “sensatos”. Por sua vez, Gilbert o descreveu como rígido, insensível e obsessivo.
Em uma ocasião, ele se declarou um sionista, disse que amava os judeus e achava que eles deveriam viver em seu próprio país, algo estranho em um homem que por décadas fez os mais violentos e violentos discursos antissemitas.
Em seu livro, Dimsdale diz que, em outro contexto, Stricher teria sido considerado simplesmente uma “erva daninha” — alguém brigão, violento, corrupto e depravado.
Antes que a forca fosse colocada em seus pescoços, os condenados foram questionados sobre seus nomes. Streicher gritou desafiadoramente: “Heil Hitler! Você conhece bem o meu nome!”
Fingindo insanidade?
O terceiro líder nazista que Dimsdale estudou foi Hess, o vice-Führer, e um dos dois réus cuja faculdade mental para enfrentar o julgamento foi questionada.
Ele era um líder sênior do Partido Nazista. Foi preso com Hitler na década de 1920 e o ajudou a escrever Minha Luta. Apesar de sua estranha aparência “cadavérica” e excentricidades, ele era um orador popular em famosos comícios nazistas. Gilbert declarou que ele “tinha uma devoção canina a Hitler”.
Mas sua influência começou a diminuir e, no início da guerra, Hess voou secretamente para a Inglaterra, onde pousou de paraquedas com a intenção de chegar a um acordo de paz com os britânicos. Lá, ele foi preso por anos em um hospital psiquiátrico.
Após sua transferência para Nuremberg, ele se queixou constantemente de amnésia intermitente, dor, e acusou os Aliados de tentarem envenená-lo, porque eles seriam controlados pelos judeus através de hipnose.
Ele se comportou de forma tão estranha que alguns questionaram se ele estava fingindo, então, trouxeram uma equipe de psiquiatras de todo o mundo para entrevistá-lo. “Algo estava profundamente errado com Hess”, observa Dimsdale, “mas não tão errado que ele não pudesse participar de sua defesa”.
O tribunal o condenou à prisão perpétua em Spandau, em Berlim, onde permaneceu até agosto de 1987, quando se enforcou, aos 93 anos.
‘Psicopata amigável’
Göring foi o réu de maior patente a ser julgado em Nuremberg e o quarto a ser estudado por Dimsdale no seu livro.
Foi presidente do Reichstag (Parlamento), fundador da Gestapo (polícia secreta), comandante-em-chefe da Luftwaffe (Força Aérea), coordenador da Conferência de Wansee (onde a “solução final” para o extermínio dos judeus foi elaborada) e o criador dos primeiros campos de concentração.
Ele era muito inteligente, imaginativo e, ao mesmo tempo, brutal, com um desprezo total pela vida humana. Um viciado em opioides com uma personalidade exuberante, escreve Dimsdale em seu livro. “Um homem corrupto com gosto pelo luxo e pelo roubo.” Ele saqueou peças de arte a torto e a direito. Mas ele também era “simpático, expansivo, excêntrico e engraçado”, diz o autor.
Um “psicopata amigável” foi como Gilbert o descreveu. Sua reação a este réu, assim como aos outros, foi de “repulsa”, disse Dismdale.
Antes de ser condenado, Göring perguntou o que seus testes de Rorschach haviam revelado ao psicólogo, que respondeu: “Honestamente (…) embora mostrem que você tem uma mente ativa e agressiva, você não tem coragem de enfrentar sua responsabilidade (…) você fez a mesma coisa durante a guerra, drogando sua mente para não enfrentar atrocidades (…) você é um covarde moral”.
Kelley, por sua vez, o rotulou como um “indivíduo narcisista agressivo (…) dominado pela fixação em si mesmo”. No entanto, ele desenvolveu sentimentos muito positivos em relação ao prisioneiro, observa Dimsdale. “Göring até pediu a Kelley que adotasse sua filha (algo que ele não fez).”
Göring ficou indignado e sentiu-se humilhado porque não seria executado perante um pelotão de fuzilamento, mas enforcado. Horas antes de subir na forca, ele cometeu suicídio mordendo uma cápsula de cianeto. Especulou-se que Kelley poderia ter dado o veneno a ele como um gesto de compaixão.
Contratransferência
As diferentes percepções de Gilbert e Kelley sobre o acusado podem ser causadas pela possível “contaminação” que pode afetar os especialistas pelo contato próximo com o paciente.
“Quando você se senta com alguém por horas a fio, algo passa para você como terapeuta”, explica Dimsdale.
“Todos nós temos sentimentos quando interagimos. Podemos não saber nada sobre o assunto (que analisamos), mas algo em sua voz ou como ele se comporta nos lembra de alguém que nós conhecemos no passado e fazemos uma transferência de como isso nos faz sentir. Às vezes são sentimentos positivos, outras vezes muito negativos.”
Como uma anedota perturbadora, Dimsdale observa que Kelley teve uma carreira bastante ativa nos dez anos seguintes após os julgamentos. Ele ministrou inúmeros seminários sobre o assunto, destacou-se como professor de Criminologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, cercado de objetos coletados em Nuremberg.
Seu ritmo de trabalho era intenso, assim como seu alcoolismo e irritabilidade. No Ano Novo de 1958, após um acesso de raiva, ele cometeu suicídio na frente de sua família com cianeto.
“Deve haver algo incomum em sentar-se em uma prisão com esses criminosos de guerra”, diz Dimsdale.
“Eram celas pequenas, úmidas e escuras. Ambos se sentavam em uma pequena cama para conversar interminavelmente, em entrevistas e testes psicológicos, e dificilmente se pode imaginar o sentimento de horror destes psicólogos e médicos que tiveram que estar lado a lado com pessoas que perpetraram atos terríveis.”
No entanto, eles também ficaram incomodados por não terem encontrado uma “marca de Caim” definitiva nesses criminosos de guerra, afirma Dimsdale.
“Acho que eles ficaram surpresos por não estarem sentados ao lado de monstros.”
Resultados ocultos
Talvez por causa disso e das diferentes conclusões a que Kelley e Gilbert chegaram, os resultados do teste de Rorschach dos líderes nazistas seguiram secretos. Em diferentes momentos, houve tentativas de reanimar o interesse, mas nenhum dos analistas que receberam os testes quis responder sobre o que viram.
Décadas depois, a psicóloga Molly Harrower decidiu fazer uma “análise cega” dos resultados. Ela primeiro apagou os nomes que identificavam a qual criminoso os resultados pertenciam e os misturou com os resultados de outras pessoas, incluindo pastores religiosos, estudantes de Medicina, enfermeiras, executivos e delinquentes juvenis. Em seguida, ela os enviou a especialistas pedindo que os classificassem em grupos diferentes.
“Basicamente, não havia diferenças palpáveis entre os criminosos de guerra e o resto”, disse Dimsdale. “O resultado dessa experiência não revelou nada sobre as características psicológicas dos líderes nazistas.”
Hoje, os testes de Rorschach não são amplamente usados, de acordo com Dimsdale. Desde a década de 1980, são realizadas entrevistas diagnósticas psiquiátricas, e existe um Manual de Diagnóstico Estatístico para o estudo e tratamento de transtornos mentais que é atualizado anualmente.
“No campo da neurociência, o trabalho é feito no cérebro e no comportamento”, diz o professor. “Existem imagens cerebrais que podem ser apresentadas em tribunal como uma forma de defesa para argumentar que a pessoa acusada não é má, mas tem um cérebro defeituoso e, assim, consegue algum tipo de clemência. Este tipo de coisas acontecerá mais no futuro, será assunto de debate nos tribunais”, afirma.
“Teria sido mais confortável concluir que havia algo absolutamente, definitivamente único, profundamente maligno, patologicamente horrível nesses líderes nazistas”, diz ele.
“Eles têm que ser monstros. Isso é o que queremos que eles sejam. Se eles fossem qualquer coisa menos do que isso, temos que enfrentar a questão de ‘O que eu teria feito? Eu teria chegado tão longe?’ Essa é uma pergunta muito dolorosa e perturbadora para as pessoas.”
Este texto foi publicado originalmente em 22 de novembro de 2020 e republicado em 30 de setembro de 2021, por ocasião do 75º aniversário do fim dos julgamentos de Nuremberg.

Fonte: G1 Mundo

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As crianças que esqueceram como ler e escrever durante a pandemia


Unicef ​​afirma que 86 milhões de menores só na América Latina não voltaram à escola; elas passaram a ser chamadas de ‘geração perdida’. Crianças durante as celebrações do festival Ganesh Chaturthi, em Lucknow, na Índia, em 18 de setembro de 2021
Rajesh Kumar Singh/AP
Elas já são chamadas de “a geração perdida”: em relatório recente, a ONU alertou que quase 1 bilhão de crianças em todo o mundo correm o risco de “perda de aprendizagem” significativa devido a interrupções na frequência escolar durante a pandemia da Covid-19.
E não é só isso: em muitos países, o sistema educacional está prestes a entrar em colapso, se outros fatores como mudanças climáticas e conflitos internos forem adicionados, além da pandemia.
Um exemplo dessa crise alertada pela ONU acontece na Índia.
A jornalista da BBC Divya Arya descobriu que crianças em várias regiões deste país asiático “se esqueceram de ler e escrever” porque foram impedidas de frequentar a escola no ano passado.
Arya revela o caso de Radhika Kumari, de 10 anos, que basicamente se esqueceu de escrever porque “passou 17 meses” fora da sala de aula.
Radhika mora no estado de Jharkhand, onde a exclusão digital é enorme. E, quando a pandemia de Covid-19 forçou o fechamento de escolas, muitas crianças em escolas públicas não tiveram acesso a dispositivos que lhes permitissem continuar seus estudos remotamente.
“Foi realmente chocante descobrir que, de 36 crianças matriculadas em um único curso do Ensino Fundamental, 30 não sabiam ler uma única palavra”, diz o economista Jean Dreze, que analisa a situação nesta região da Índia desde que os alunos puderam para voltar para a sala de aula.
“Se você não se esquece de ler e escrever, ficar um pouco para trás pode ser remediado. Mas, se esquecer o básico, ao voltar para a sala de aula e avançar a próxima série, a lacuna vai ser pior”, acrescenta.
Estudantes latino-americanos
Na América Latina, o quadro é semelhante: segundo o relatório da Unicef, o braço da ONU para a infância e adolescência, ​​há uma semana, cerca de 86 milhões de crianças ainda não voltaram às aulas, colocando em risco o progresso do aprendizado e os níveis de conhecimento previamente adquiridos.
“Nos últimos 18 meses, a maioria das crianças e adolescentes da América Latina e do Caribe não viu seus professores ou amigos fora de uma tela. Quem não tem internet não os viu diretamente”, explica Jean Gough, diretor-regional da Unicef para a América Latina e o Caribe.
Ele acrescenta que não existe apenas o risco de as crianças deixarem de aprender as competências básicas para a vida, mas também de nunca mais regressarem à educação formal.
“A educação virtual deve continuar e melhorar, mas é claro que durante a pandemia as famílias mais marginalizadas não tiveram acesso ao aprendizado”, completa.
A realidade é ainda mais dura entre os grupos mais vulneráveis, para os quais a evasão escolar era um problema antes da pandemia.
“Cada dia fora da sala de aula aproxima as crianças e adolescentes mais vulneráveis ​​da evasão escolar, da violência de gangues, do abuso ou do tráfico de pessoas”, acrescenta.
‘Minha escola falhou’
Para muitos dos alunos, durante estes últimos 18 meses “nada foi aprendido”.
A BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC, conversou com algumas crianças em idade escolar em partes da América Latina que foram afetadas pela falta de conectividade e baixa frequência escolar durante a pandemia.
Uma deles é Richard Guimarães. Ele tem 15 anos e mora em San Rafael, uma comunidade indígena localizada a duas horas e meia da cidade de Pucallpa, na Amazônia peruana.
O sonho dele é se tornar designer gráfico.
“Meus pais fazem artesanato e eu aprendi a tecer e a fazer várias coisas que vendemos no mercado”, conta Richard à BBC News Mundo. “E quero aprender a fazer isso melhor”.
Um ano atrás, Richard estava na escola quando a pandemia fez com que milhões ao redor do mundo ficassem em casa. “Nesse último ano e meio não aprendi nada”.
Antes da pandemia, ele frequentava a escola das 7h30 ao meio-dia. “Naquela época, estudávamos durante a semana 12 disciplinas”.
Mas, depois que a pandemia começou e as aulas foram suspensas, tudo ficou mais difícil. “Passamos de 12 disciplinas para apenas seis”.
O sistema estabelecido para remediar a crise funcionava assim: todo mês os professores vinham à sua cidade, deixavam uma espécie de lição de casa e os alunos tinham que fazê-la e mandar as respostas pelo WhatsApp.
Arte, que é sua aula preferida, ficou reduzida a desenhos que ele fazia em casa e que mandava para a professora no celular.
“Meu pai vive do artesanato e da venda de bananas, moramos em uma área muito remota, por isso é difícil acessar a internet”, diz.
Como muitos de seus professores não moravam perto de sua comunidade, ele só podia contatá-los por telefone quando se conectava à internet. Além disso, algumas das lições de casa pareciam confusas e às vezes até ininteligíveis.
Aumento da desigualdade
Para muitos especialistas em psicopedagogia e processos educacionais, está claro que as crianças precisam retornar à sala de aula o mais rápido possível.
O desaparecimento desse espaço de aprendizagem e socialização tem sido para muitos meninos e meninas — principalmente entre as famílias de menor nível sociocultural — “uma catástrofe”.
“É uma catástrofe. Vai demorar muito para superarmos isso”, afirma Guillermina Tiramonti, especialista em educação e pesquisadora da Flacso Argentina, à BBC News Mundo.
“Dou um exemplo: um menino que estava no primeiro ano do Ensino Fundamental antes da pandemia, e ainda não tinha conseguido aprender a ler, agora que voltou à escola deve terminar a segunda série sem saber o básico”, assinala.
Para os acadêmicos, não se trata apenas do conteúdo que não foi aprendido ou incorporado, mas de algo mais importante: resgatar o hábito de aprender.
“A perda de conhecimento não é só não ter aprendido determinados conteúdos, mas sim o fato de perder o ritmo, o hábito, a rotina escolar”, ressalta.
“Tome como exemplo os códigos linguísticos. As crianças dos setores socioculturais inferiores não estão acostumadas com esses códigos complexos e só têm acesso a eles na escola, onde são essenciais para o avanço do conhecimento. Não têm acesso a eles em casa.”
Para crianças que não são expostas a esses códigos há dois anos, o declínio cognitivo é muito grande, conclui Tiramonti.
Objetivos revistos
À medida que as restrições à pandemia são suspensas em diferentes regiões, a reabertura de escolas se tornou uma prioridade para muitos governos. Até o momento, o relatório da ONU indica que 47 milhões de crianças voltaram gradativamente para a sala de aula.
E a próxima etapa também destaca o grande desafio de atualizar as crianças com os objetivos que deveriam ter aprendido neste um ano e meio.
“A educação das crianças se perdeu no esforço de proteger a vida de toda a população do coronavírus”, explica Irma Martínez, especialista em educação da ONG Human Rights Watch.
Mas, se oportunidades surgem em crises, esse é o momento de repensar algumas das premissas da escolaridade e do sistema educacional como um todo, defendem os especialistas.
“O objetivo não deve ser simplesmente voltar a ser como as coisas eram antes da pandemia, mas corrigir as falhas dos sistemas que há muito impedem as escolas de serem abertas e receptivas a todas as crianças”, acrescenta Martínez.
Sobre essa questão, Tiramonti é categórico: “Não podemos voltar para a escola e fingir que nada aconteceu”, diz.
“É preciso fazer uma avaliação, ver o que aconteceu com as crianças, quais são as perdas, quais são os problemas de aprendizagem que elas têm e montar um programa para que elas recuperem esses conhecimentos básicos para seguir adiante em sua jornada escolar”.
“É preciso muito trabalho profissional para encontrar formas de recuperar o tempo perdido”, assinala.
Há menos de um mês, Richard Guimarães é um das dezenas de milhares de alunos que voltaram para a sala de aula depois de quase um ano e meio.
E embora esteja feliz, ele sabe que não será nada fácil: “Agora estamos estudando matérias que deixamos de estudar na pandemia e está sendo difícil acompanhá-las. É como começar tudo do zero.”
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Fonte: G1 Mundo