Categorias
MUNDO

Cinco palestinos são mortos em operação militar israelense na Cisjordânia


Confronto ocorreu em operação para desmantelar célula do Hamas; Israel diz que ataque tinha como objetivo prevenir “um ataque terrorista”. Funeral do palestino Osama Soboh, morto em confronto com israelenses, foi marcado por protestos neste domingo (26)
REUTERS/Raneen Sawafta
Cinco palestinos morreram neste domingo (26) em confrontos com as forças israelenses, que lançaram uma operação na Cisjordânia ocupada para evitar atentados.
Dois militares israelenses, entre eles um oficial, ficaram feridos durante a operação lançada na noite de sábado (25) pelo exército, as forças especiais e o serviço de segurança interna, o Shin Beth, para desmantelar uma célula do Hamas e deter suspeitos, informou o exército em um comunicado.
O chefe de Estado-maior, general Aviv Kochavi, afirmou em um vídeo distribuído à imprensa que “a operação foi um sucesso porque permitiu evitar atentados”.
Exército de Israel prende últimos dois palestinos foragidos da prisão
Confronto entre palestinos e tropas israelenses deixa feridos em Gaza
Israel lança campanha de vacinação durante a madrugada em áreas frequentadas por jovens
Segundo o ministério da Saúde palestino, cinco palestinos morreram atingidos por disparos israelenses: três na aldeia de Biddu, cerca de 10 km a noroeste de Jerusalém, e dois em Borquin, perto de Jenin, no norte da Cisjordânia, um território palestino ocupado pelo exército israelense há mais de 50 anos.
“O barulho dos tiros” começou por volta das 4h da madrugada local, seguido de “fortes explosões”, declarou Ayed Shamsneh, morador da região de Biddu, que abriga várias aldeias entre Ramallah e Jerusalém.
De acordo com um comunicado do exército israelense, “em cinco ataques simultâneos para capturar terroristas, as tropas responderam a disparos de munição real, matando cinco terroristas e detendo outros” nos setores de Biddu e Borquin.
Uma investigação foi aberta para determinar se os soldados israelenses feridos foram “vítimas de disparos de outros soldados”. Uma fonte médica no hospital Ramban de Haifa, onde os militares foram atendidos, declarou que eles não corriam risco de morrer.
O Hamas, no poder no enclave palestino de Gaza, confirmou a morte nos confrontos de quatro membros de seu braço armado em Biddu. A Jihad Islâmica, outro grupo armado palestino, confirmou que o palestino morto em Borquin, Osama Soboh, era um de seus membros.
Este último foi sepultado neste domingo (26), mas segundo o ministério palestino da Saúde, o exército israelense está com os corpos dos outros quatro palestinos mortos.
Naftali Bennet na sessão do Knesset em que foi confirmado como novo premiê de Israel
Reuters/Ronen Zvulun
O primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, que está a caminho de Nova York onde fará um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, confirmou que a operação tinha como objetivo prevenir “um ataque terrorista”, segundo um comunicado de seu gabinete.
Ele declarou seu “total apoio” aos soldados e seus superiores envolvidos na operação.
A presidência da Autoridade Palestina, por sua vez, condenou um “crime hediondo cometido pelas forças de ocupação israelenses em Jerusalém e Jenin”, segundo um comunicado de seu gabinete.
Os confrontos entre soldados israelenses e palestinos se multiplicaram nas últimas semanas na Cisjordânia, sobretudo nos protestos palestinos contra a colonização israelense.
Israel e Hamas travaram quatro guerras desde 2008. O último confronto ocorreu de 10 a 21 de maio: 260 palestinos morreram nos bombardeios israelenses em Gaza, segundo as autoridades locais. Em Israel, disparos de foguetes de Gaza deixaram 13 mortos, segundo a polícia e o exército.
VÍDEOS: os mais recentes do g1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Imigrantes ilegais brasileiros são achados em carroceria de caminhão na fronteira dos EUA


Brasileiros sem documentos foram flagrados e detidos no dia 16 de setembro junto com imigrantes do Equador, El Salvador, Honduras, Guatemala, México e Peru. Motorista tinha visto americano. Imigrantes da América Latina, incluindo brasileiros, são descobertos em carroceria de caminhão tentando entrar ilegalmente nos EUA
Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteira dos EUA
Imigrantes brasileiros foram achados na carroceria de um caminhão tentando entrar ilegalmente nos EUA, na fronteira do México com Sierra Blanca, no Texas. A operação foi feita por agentes de fronteira dos EUA no dia 16 de setembro.
Foram encontrados, ao todo, 49 imigrantes ilegais do Brasil Equador, El Salvador, Honduras, Guatemala, México e Peru. O Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteira dos EUA não especificou quantos deles eram brasileiros.
Os imigrantes foram achados quando o caminhão passava por um ponto de inspeção de imigração de Sierra Blanca, segundo os agentes. O motorista do caminhão tinha visto americano. Ele foi detido e encaminhado ao Departamento de Segurança Interna dos EUA para ser processado.
Todos os imigrantes passaram por uma avaliação médica e também serão processados, informou o Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteira em seu site no dia 17 de setembro.
O g1 entrou em contato com o órgão neste domingo (26) para saber mais detalhes sobre a situação dos imigrantes brasileiros, mas não teve retorno até a publicação deste texto.
Dados do órgão de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos obtidos pela BBC mostram que, de outubro de 2020 a agosto de 2021, 46.410 brasileiros foram detidos ao cruzar ilegalmente a fronteira sul do país através do México — um recorde.
Imigrantes ilegais, inclusive brasileiros, foram achados na carroceria de um caminhão no Texas
Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteira dos EUA
Brasileira achada morta
Em outra região dos EUA, agentes de fronteira do estado do Novo México encontraram o corpo de uma brasileira que tentava entrar clandestinamente nos Estados Unidos, informou o jornal “Deming Headlight” no dia 17 de setembro.
Imigrante morreu no deserto quatro meses antes de realizar o sonho de ser avó de uma menina
Abandonada em travessia, brasileira morre de sede e fome em deserto dos EUA
Familiares da vítima confirmaram ao jornal “O Globo” que ela se chama Lenilda dos Santos, de 49 anos. Segundo relato da família, ela cruzou a fronteira dos EUA com o México mas ficou para trás, sem água nem comida em pleno deserto, porque estava cansada. O grupo teria prometido que voltaria para ajudá-la, mas isso não aconteceu.
Neste momento, ainda é verão no Hemisfério Norte, e as temperaturas no deserto do Novo México podem bater os 40°C.
LEIA TAMBÉM:
Grupo de 140 brasileiros é detido ao cruzar fronteira do México com EUA
Imigração: quase 3 mil crianças brasileiras entraram ilegalmente nos EUA pelo México
A triste história do menino de 2 anos encontrado sozinho no México
Socorro pelo celular
Lenilda ainda conseguiu se comunicar com a família por mensagens de celular, inclusive com compartilhamento de localização.
Ela parou de responder e, então, os familiares pediram ajuda às autoridades do Novo México, estado no sudoeste dos EUA.
10 mil imigrantes montam acampamento embaixo de ponte entre EUA e México
Grupo de brasileiros é detido no Arizona
A notíciachega em um momento de novas atenções voltadas à fronteira do México e dos EUA, com mais apreensões de migrantes que tentam entrar clandestinamente em solo americano.
Um grupo de 140 brasileiros foi detido no estado do Arizona. Câmeras de segurança flagraram a entrada desse grupo, e guardas de fronteiras interromperam a travessia.
De acordo com as autoridades locais, os agentes de fronteira têm encontrado mais de 600 migrantes por dia, um aumento de mais de 2.000% em relação ao ano passado.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Nova York deve recorrer à Guarda Nacional para substituir empregados de saúde não-vacinados


Cerca de 70 mil trabalhadores do estado de NY ainda não foram totalmente vacinados; número corresponde a 16% do total Kathy Hochul pode declarar estado de emergência para aumentar a oferta de profissionais de saúde e incluir profissionais licenciados de outros Estados e países, bem como enfermeiras e enfermeiros aposentados.
Seth Wenig/AP
A governadora de Nova York, Kathy Hochul, está considerando contratar a Guarda Nacional e profissionais médicos de fora do Estado para suprir a falta de pessoal em hospitais, com dezenas de milhares de trabalhadores tendo até a segunda-feira (27) para cumprir vacinação obrigatória contra a Covid.
O plano, descrito em um comunicado de Hochul no sábado (25), permite que ela declare estado de emergência para aumentar a oferta de profissionais de saúde e incluir profissionais licenciados de outros Estados e países, bem como enfermeiras e enfermeiros aposentados.
Gabby Petito: funeral da influenciadora acontece neste domingo em Nova York
Prefeito de Nova York volta a alfinetar Bolsonaro sobre vacina
8 fatos que marcaram a viagem de Bolsonaro a Nova York
Hochul disse que o Estado também pretende usar oficiais da Guarda Nacional com treinamento médico para manter hospitais e outras instalações médicas com pessoal adequado. Cerca de 70 mil trabalhadores (16% dos 450 mil funcionários de hospitais do Estado) não foram totalmente vacinados, disse o gabinete da governadora.
Variante Delta
O plano é anunciado em meio a uma discussão mais ampla entre líderes dos governos estadual e federal que pressionam pelos cumprimentos obrigatórios de vacinação e assim ajudar a combater a variante Delta do novo coronavírus, que é altamente infecciosa. E em meio a tudo isso, existem trabalhadores que são contra a obrigatoriedade de imunização, alguns deles usando motivos religiosos.
“Ainda estamos em uma batalha contra a Covid para proteger nossos entes queridos”, disse Hochul ao anunciar o plano.
“Cumprimento todos os profissionais de saúde que se prepararam para se vacinar e peço a todos os demais profissionais que não foram vacinados que o façam agora, para que possam continuar cuidando das pessoas”.
VÍDEOS: veja os últimos do g1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Gabby Petito: funeral da influenciadora acontece neste domingo em Nova York


Corpo foi cremado e funeral aberto ao público acontece na tarde deste domingo (26) em Long Island, em Nova York. Jovem que viajava os EUA em uma van com o namorado foi assassinada. Familiares e amigos participam de funeral da influencer Gabby Petito, encontrada morta em um parque nacional
REUTERS/Jeenah Moon
O funeral de Gabby Petito acontece na tarde domingo (26) em Long Island, Nova York. O corpo dela foi cremado. Família, amigos e fãs homenageiam a influenciadora no funeral aberto ao público.
A morte dela causou enorme comoção nos EUA. Ela e o noivo, Brian Laundrie, estavam viajando pelo país em uma van, o que a tornou bastante conhecida nas redes sociais (veja no vídeo abaixo).
Gabby Petito: sumiço e morte de influenciadora causam comoção nos EUA
Petito deixou o emprego em julho para viajar e documentava a viagem principalmente no Instagram. Um vídeo publicado no YouTube, em que os dois aparecem sorrindo, se beijando e correndo na praia, já foi visto mais de 2,3 milhões de vezes.
A influenciadora digital estava desaparecida desde o dia 11, e seu corpo foi encontrado no domingo (19) no Parque Nacional Grand Teton, no estado de Wyoming. Seus pais procuraram a polícia depois que ela não respondeu a ligações nem mensagens de texto por vários dias.
Perícia do médico legista do condado de Teton determinou que Petito foi assassinada, segundo o FBI.
Familiares e amigos participaram neste domingo (26) do funeral da influencer Gabby Petito, encontrada morta no Parque Nacional Grand Teton, no estado de Wyoming
REUTERS/Jeenah Moon
O namorado de Gabby Petito foi indiciado pela polícia americana na quinta-feira (23). Brian Laundrie não foi acusado formalmente pela morte da influencer, mas teria usado o cartão de débito pessoal da jovem após seu desaparecimento, o que é ilegal.
Buscas por noivo de Gabby Petito contam com ajuda de cães farejadores
Laundrie, de 23 anos, teria sido visto pela última vez no estado americano da Flórida.
“Embora o mandado permita que a polícia prenda o senhor Laundrie, o FBI continua investigando os fatos e as circunstâncias do homicídio da senhora Petito”, disse em nota a polícia federal americana.
Com o indiciamento pela fraude no cartão de débito, Laundrie, que não responde pela morte de Petito, poderá ser preso por qualquer agente policial caso seja encontrado.
Laundrie havia voltado sozinho para casa no dia 1º, sem falar sobre o paradeiro de Petito, e saiu de casa de novo dias depois, dizendo que ia fazer uma trilha na reserva Carlton (veja mais abaixo).
A polícia o trata como uma “pessoa de interesse” (termo usado nos EUA para designar um suspeito ou uma pessoa que possa ter relação com a investigação), mas ele não foi acusado de nenhum crime até o momento.
Brian Laundrie e Gabby Petito
Reprodução / Redes Sociais
As buscas na Flórida
Autoridades não disseram por que estão convencidas de que Laundrie ainda pode estar dentro da reserva natural, que tem mais de 9,7 mil hectares e fica perto da casa da sua família em North Port.
A polícia de North Port diz que os pais dele não relataram seu desaparecimento até o dia 14, três dias depois que a família o viu pela última vez.
Ele disse aos parentes que ia fazer uma caminhada sozinho na reserva, que tem mais de 128 km de trilhas e é dominada por águas pantanosas.
A casa da família Laundrie em North Port foi alvo de buscas na semana passada, e políciais foram vistos carregando caixas de papelão em uma van e apreendendo um Ford Mustang prata.
Gabby Petito, em imagem de 2019 publicada em seu perfil em uma rede social
Reprodução/Instagram
Viagem pelos EUA e desaparecimento
Petito e Laundrie deixaram o estado de Nova York, onde moravam, em julho. Eles viajaram em uma van postando fotos nas redes sociais enquanto viajavam por Kansas, Colorado e Utah.
Testemunhas viram Petito pela última vez em 24 de agosto, quando ela deixou um hotel em Salt Lake City, e ela postou sua última foto no dia seguinte.
Americanos fazem vigília após a morte da influencer Gabby Petito
A última mensagem do telefone de Petito para a sua mãe, Nicole Schmidt, foi em 30 de agosto — e a polícia desconfia de seu conteúdo.
Ela dizia apenas: “Nenhum serviço em Yosemite”, um parque nacional na Califórnia, na Costa Oeste dos EUA, que Petito e Laundrie não visitaram durante a viagem.
Ligação para o 911
Em 12 de agosto, uma pessoa ligou para o 911 relatando que Laundrie estava batendo em Petito na frente da Moonflower Community Cooperative em Moab, no estado de Utah.
A polícia de Moab parou o casal em uma rodovia perto do Parque Nacional Arches.
A filmagem da câmera corporal do agente mostra Petito soluçando enquanto descreve uma briga do casal, em que ela disse ter levado um tapa de Laundrie enquanto ele dirigia a van.
Os policiais não tomaram nenhuma atitude e apenas recomendaram que os dois passassem a noite separados.
VEJA TAMBÉM:
FBI diz que perícia inicial confirma que Gabby Petito foi assassinada
Gabby Petito e Brian Laundrie: o que se sabe sobre o namorado da influencer encontrada morta
A influenciadora Gabby Petito, cujo corpo foi encontrado nos Estados Unidos em um parque em Wyoming
Reprodução/Redes sociais

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Vulcão continua em erupção em La Palma; aeroporto é reaberto


O vulcão Cumbre Vieja continua a lançar lava e nuvens de cinzas sobre a região. Muitos voos permanecem cancelados. Novas erupções deixam em alerta Ilha de Palma, nas Canárias
O aeroporto da ilha espanhola de La Palma, no arquipélago das Canárias, foi reaberto neste domingo (26), depois de ter sido fechado no sábado (25), por causa do acúmulo de cinzas nas pistas, causado pela erupção do vulcão Cumbre Vieja.
A administradora de aeroportos espanhola, a Aena, informou que o aeroporto voltou a operar após o trabalho de limpeza das cinzas realizado durante a noite. Porém, o vulcão continua a lançar lava e nuvens de cinzas sobre a região. Veja no vídeo acima.
Brasileira que vive em ilha com vulcão em erupção mostra como ficou La Palma coberta por cinzas
ENTENDA: Risco de tsunami chegar à costa brasileira após erupção de vulcão é remoto
O conselho da Aena é que os viajantes entrem em contato com sua companhia aérea antes de irem ao aeroporto. Segundo a agência de notícias Reuters, muitos voos permanecem cancelados.
O fechamento causou longas filas no porto de Santa Cruz de La Palma, com muitas pessoas tentando viajar de balsa para as ilhas vizinhas, principalmente para Tenerife.
Mais lavas
Captura de tela de imagens de drones mostra lava fluindo após erupção do vulcão em La Palma neste domingo (26)
Reuters
O fechamento do aeroporto coincidiu com o aparecimento de novos fluxos de lava, o desabamento de parte do cone e a intensificação da atividade do vulcão.
Neste domingo, há dois fluxos de lava ativos, um rápido para o norte e outro mais lento para o sul, segundo especialistas. O vulcão entrou em erupção há uma semana.
6 pontos sobre o vulcão nas Ilhas Canárias
As autoridades das Canárias confirmaram que não há registro de feridos ou mortos após essa nova erupção. O maior perigo no momento são os estragos nas colheitas de alimentos na região.
De acordo com os últimos dados do Copernicus, o sistema de medição geoespacial europeu, a lava já destruiu 461 imóveis, ou seja, mais 41 em 24 horas – e cobriu cerca de 212 hectares da ilha.
VÍDEOS: Vulcão nas Ilhas Canárias
P

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Boca de urna indica empate entre partido de Merkel e social-democratas


Três candidatos são os principais na corrida para ocupar o cargo da chanceler, que passou 16 anos no poder – mais do que qualquer outro líder na história do país. A partir da esquerda: Olaf Scholz (SPD), Annalena Baerbock (Partido Verde) e Armin Laschet (CDU), candidatos ao cargo de primeiro-ministro da Alemanha, em estúdio de TV em Berlim, antes de debate no dia 12 de setembro
Michael Kappeler/Pool via AP
Os social-democratas e os conservadores de Angela Merkel estão praticamente empatados nas eleições deste domingo (26) na Alemanha, de acordo com pesquisas de boca de urna veiculadas por redes públicas de televisão.
O partido social-democrata de Olaf Scholz, SPD, teria obtido 26% dos votos, enquanto os democrata-cristãos da chanceler, liderados por Armin Laschet, teria obtido 24%, segundo a rede ZDF.
Por outro lado, o canal ARD apontava que ambos os partidos teriam obtido 25% dos votos.
No entanto, há que ter em conta que estes resultados não incluem o voto por correspondência, que teria sido muito elevado.
Angela Merkel: a líder prática e conciliadora que marcou o início do século
Eleições na Alemanha: entenda como os alemães escolhem o novo chanceler
Os social-democratas alemães do SPD reivindicam a formação do próximo governo, anunciou neste domingo (26) seu secretário-geral, Lars Klingbeil, enquanto os conservadores reconheceram “perdas amargas” de votos nas eleições legislativas, segundo seu secretário-geral.
“Temos o mandato para formar um governo. (O chefe da lista) Olaf Scholz será chanceler”, estimou Klingbeil, enquanto o SPD é creditado com 26% contra 24% para os democrata-cristãos da chanceler.
As primeiras pesquisas de boca de urna apontam uma diferença mínima entre os partidos.
Eleitores alemães foram às urnas neste domingo para decidir quem vai suceder a chanceler Angela Merkel, após quatro mandatos e 16 anos no poder – mais do que qualquer outro líder na história do país.
Dependendo dos resultados, o novo governo pode ser formado muito rapidamente ou só depois de muitas semanas de negociação. As pesquisas mostram os partidos CDU e SPD muito próximos.
Três candidatos são considerados os principais, tendo liderado em algum momento as pesquisas e com alguma chance de vitória: Olaf Scholz, do Partido Social Democrata (SPD), Armin Laschet, da União Democrata Cristã (CDU) – mesmo partido que Merkel – e Annalena Baerbock, do Partido Verde.
O parlamentar Manuel Sarrazin, dos Verdes, foi nadando até o local de votação em Hamburgo, no norte da Alemanha, neste domingo (26), e votou usando uma roupa de banho vermelha, como havia prometido se 500 euros fossem doados para presos políticos em Belarus.
Reprodução/Instagram Manuel Sarrazin

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Islândia elege Parlamento formado por maioria de mulheres e confirma vanguarda na Europa


O país nórdico de 370 mil habitantes mostra mais uma vez segue forte na vanguarda do feminismo e lidera o ranking do Fórum Econômico Mundial sobre igualdade de gênero há 12 anos consecutivos. A primeira-ministro da Islândia, Katrin Jakobsdottir, fala à mídia após votar em uma seção eleitoral em Reykjavik, Islândia
AP Photo / Arni Torfason
A Islândia se tornou o primeiro país da Europa a eleger uma maioria de mulheres para o Parlamento. Segundo os resultados oficiais divulgados neste domingo (26), das 63 cadeiras do Althingi, nome da assembleia nacional em islandês, 33 serão ocupadas por mulheres, o que representa 52,3% do plenário. A Suécia, que liderava este ranking, tem 47% de deputadas, segundo o Banco Mundial.
Nenhum país do continente europeu tinha ultrapassado até hoje a marca simbólica de 50% de parlamentares do sexo feminino. Embora vários partidos reservem uma proporção mínima de mulheres entre seus candidatos, nenhuma lei impõe uma cota de mulheres para as eleições legislativas na Islândia. 
O que significa volta histórica da esquerda ao poder nos países nórdicos
Semana de 4 dias de trabalho: entenda como funciona nas empresas que já adotaram
O país nórdico de 370 mil habitantes mostra mais uma vez segue forte na vanguarda do feminismo e lidera o ranking do Fórum Econômico Mundial sobre igualdade de gênero há 12 anos consecutivos.
Nas ruas da capital Reykjavik, a alegria por mais esta conquista era intensa na manhã de domingo.
 “Tenho 85 anos, esperei toda a minha vida que as mulheres fossem maioria (…) e estou muito feliz”, disse Erdna, moradora da capital.
“Estou muito satisfeita com o fato de as mulheres terem ultrapassado 50% das cadeiras. Acho que este é o curso normal do que aconteceu na Islândia no último século”, disse Thora Kolbeinnsdottir, uma dona de livraria e assistente social.
Revés para primeira-ministra no poderPor trás desse feito histórico, as eleições legislativas realizadas no sábado (25) representaram paradoxalmente um revés para a primeira-ministra Katrin Jakobsdottir, cujo partido ecologista de esquerda perdeu três cadeiras no Parlamento e obteve 12,6% dos votos, ficando atrás de seus dois atuais aliados de direita.
A sigla que apontou maior crescimento na votação foi o Partido do Progresso (centro-direita), que conquistou 13 mandatos, cinco a mais que nas últimas eleições de 2017, com 17,3% dos votos. Seu líder, Sigurdur Ingi Johannsson, já almeja se tornar o chefe de governo. Mas o partido conservador do ex-primeiro-ministro Bjarni Benediktsson continuou sendo o principal da Islândia, com 24,4% dos votos. A sigla manteve suas 16 vagas, contrariamente à queda que previam as pesquisas.
Com um total de 37 deputados no Parlamento, os três partidos aliados consolidam a maioria na Casa, mas a direita encontra-se numa posição de força, com a opção de encontrar outro terceiro parceiro ideologicamente mais próximo, como por exemplo os partidos de centro Reforma (cinco cadeiras) ou o Centro (três deputados) ou ainda o Partido do Povo (seis cadeiras).
Direita cresce e pode forçar nova coalizão
As negociações para a formação de uma coalizão são tradicionalmente longas na Islândia. A boa notícia proveniente das urnas é que o país se afasta de um cenário de bloqueio político. Nunca, desde a falência dos bancos islandeses durante a crise financeira de 2008 e a grave crise que se seguiu, um governo islandês em fim de mandato conseguiu manter a maioria no Parlamento. É preciso retornar a 2003 para encontrar um precedente.
As discussões entre os três líderes partidários e a questão do futuro ocupante de Stjornarradid, a modesta casa branca que sedia os chefes de governo islandeses, necessariamente surgirá, de acordo com analistas.
“Dado o declínio que estamos vendo, os verdes podem ter que reavaliar sua posição no governo”, diz Eva Önnudóttir, professora de ciência política da Universidade da Islândia.
Desde 2017, a primeira-ministra Katrin Jakobsdottir tornou os impostos mais progressivos, investiu na habitação social e aumentou a licença parental. Sua gestão da epidemia de Covid-19 foi elogiada, com apenas 33 mortes no país. Mas para salvar a surpreendente coalizão de esquerda e direita, ela teve de desistir de alguns projetos, como a promessa de criar um parque nacional no centro do país. 
O atual governo marcou o retorno da estabilidade política na Islândia. Esta é apenas a segunda vez, desde a crise financeira de 2008 que arruinou bancos e muitos islandeses, que uma equipe conclui seu mandato. Entre 2007 e 2017, a Islândia teve cinco eleições.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Em referendo, Suíça aprova casamento para pessoas do mesmo sexo


País é o 30º no mundo e 17º na Europa a aprovar o casamento igualitário. Decisão sobre alterar o código civil do país para incluir o casamento para todos ganhou com 64% dos votos; cidadãos também decidiram sobre taxação de renda vinda de investimento. Três casais – da esquerda para a direita, um de dois homens, um de duas mulheres e um de um homem e uma mulher – comemoram a aprovação do casamento igualitário na Suíça em Berna, capital do país, neste domingo (26).
Fabrice Coffrini / AFP
A Suíça aprovou, em referendo feito neste domingo (26), o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. A decisão sobre alterar o código civil do país para incluir o casamento para todos ganhou com 64% dos votos. Pouco mais de metade da população suíça (52%) votou no referendo.
Com o resultado, a Suíça passa a ser o 30º país no mundo e o 17º na Europa a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo (veja lista completa ao final desta reportagem).
Pesquisa mundial mostra que maioria das pessoas apoia direito ao casamento de LGBT+ e leis contra discriminação
Os suíços também também decidiram, neste domingo, sobre uma iniciativa popular para aumentar a taxação de renda vinda de investimentos como juros, dividendos e aluguéis. A decisão vencedora, nesse caso, foi a de não aumentar os impostos sobre esse dinheiro, com cerca de 65% dos votos (vejs detalhes mais abaixo).
Casamento igualitário
A foto mostra cartazes a favor do casamento igualitário em Genebra, na Suíça, no dia 25 de setembro. A primeira placa diz, em francês: ‘o amor sem privilégio: sim para o casamento para todas e todos!‘. A segunda, logo atrás, diz: ‘pelo reconhecimento de todas as famílias‘, e a terceira, ‘igualdade: sim ao casamento para todas e todos‘.
Salvatore Di Nolfi/Keystone via AP
A pergunta do referendo deste domingo foi “Você quer aceitar a mudança de 18 de dezembro de 2020 do Código Civil Suíço (casamento para todos)?”
O argumento a favor afirmava que objetivo da proposta era “eliminar o tratamento desigual de hoje. Todos os casais devem poder casar e, portanto, ter os mesmos direitos e obrigações. O modelo leva em consideração a necessidade de muitas pessoas”.
Até o voto deste domingo, casais do mesmo sexo só podiam ter uma “parceria registrada” na Suíça – que, no entanto, não garante os mesmos direitos que o casamento em imigração, naturalização, adoção de crianças e acesso à medicina reprodutiva.
Por isso, o governo federal (Bundesrat) e o Parlamento propuseram abrir o casamento a todos os casais. O trabalho parlamentar no projeto durou sete anos: foi lançado em 2013 por uma iniciativa do partido centrista Liberal Verde (glp, como é conhecido no país, em minúsculo).
Várias versões do texto foram debatidas por legisladores antes que, em dezembro do ano passado, o Parlamento aceitasse uma emenda ao código civil para legalizar o casamento entre duas mulheres ou dois homens, segundo o site “swissinfo”.
Depois que a proposta foi adotada, entretanto, um comitê multipartidário – composto principalmente de representantes do Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão) e da União Democrática Federal (EDU, em alemão), ambos de direita e, no caso deste último, cristão ultraconservador – lançou uma petição para um referendo.
Placa contra o casamento igualitário diz, em francês, que ‘eu tenho um papai e uma mamãe; não ao casamento e à reproduçõ assistida para todos’ em Genebra, na Suíça, no sábado (25).
Salvatore Di Nolfi/Keystone via AP
Eles reuniram as mais de 50 mil assinaturas necessárias para levar sua proposta até a votação nacional. O direito de vetar uma decisão parlamentar faz parte do sistema suíço de democracia direta.
O argumento contrário à proposta, apresentado no guia do referendo deste domingo, foi o de “proteger o casamento como uma união de homem e mulher”. Segundo os opositores, a defesa teve base no fato de que “somente a partir dessa conexão as crianças poderiam surgir naturalmente. A nova lei leva à ausência do pai. Os melhores interesses da criança são deixados de lado. Além disso, a lei é inconstitucional”, afirmaram.
A rejeição à proposta, entretanto, perdeu em todos os 26 cantões (divisões administrativas) suíços.
O maior percentual de rejeição ocorreu em Appenzell Innerrhoden, onde 49,18% dos eleitores votaram contra o casamento para todos. O cantão é o mesmo que, no ano passado, votou contra a licença-paternidade – e que também foi o último do país a aprovar o voto feminino local – só o fez em 1991.
Também tiveram altos percentuais de rejeição os cantões de Ticino, na Suíça italiana (47%), e Valais (44,5%), na Suíça francesa. Percentuais de rejeição acima de 40% também foram vistos em Schwyz (43,52%), Thurgau (42,78%), Appenzell Ausserrhoden (42,76%), Uri (41,75%), Obwalden (40,74%) e St. Gallen (40,69%).
Já os maiores percentuais de aprovação à proposta foram alcançados em Basel (74%), Zurique (69%), Basel-Landschaft (67%), Lucerne, Zug e Solothurn (66%), Berna, Genebra e Waadt (65%) e Aargau (64%).
Com a mudança na lei, as “parcerias registradas” podem ser convertidas em casamento, mas não podem mais ser reintroduzidas.
Aumento de impostos sobre capital
Os suíços decidiram, também, contra uma proposta que previa aumentar o valor do imposto pago sobre renda provinda de aluguéis, juros e dividendos.
Conforme o texto proposto, se a renda vinda desse tipo de investimento fosse acima de certo valor, ela deveria ter um peso maior no cálculo do imposto e ser contada uma vez e meia. Para cada 1 franco –equivalente a cerca de R$ 6 – acima desse montante determinado, a quantidade de imposto pago deveria ser como se esse franco valesse 1,50 franco.
O montante a partir do qual se aplicaria o imposto mais elevado seria determinado se a iniciativa fosse aprovada pelo Parlamento. A renda gerada pela tributação mais elevada deveria, então, ser usada para reduções de impostos para pessoas com salários baixos ou médios ou para a previdência social.
A proposta não teve o voto majoritário em nenhum dos 26 cantões.
Países com casamento igualitário
O casamento civil entre pessoas do mesmo sexo é, hoje, permitido em 30 países do mundo – entre eles o Brasil. Veja quais são:
África do Sul
Alemanha
Argentina
Austrália
Áustria
Bélgica
Brasil
Canadá
Colômbia
Costa Rica
Dinamarca
Equador
Espanha
Estados Unidos
Finlândia
França
Holanda
Irlanda
Islândia
Luxemburgo
Malta
México (*na Cidade do México e em alguns outros estados)
Noruega
Nova Zelândia
Portugal
Reino Unido
Suécia
Suíça (novo)
Taiwan
Uruguai

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Angela Merkel: a líder prática e conciliadora que marcou o início do século


Com as eleições deste domingo, a conservadora que governou com adversários a maior economia da Europa por 16 anos se afasta da política deixando um legado de união e realismo. Angela Merkel foi a primeira mulher a governar a Alemanha e a primeira vinda da Alemanha Oriental
Wolfgang Rattay/Reuters
Entre os vários choques políticos que atingiram a Europa neste início de século 21 — da crise econômica que abalou o euro à saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado Brexit —, poucos foram tão previsíveis e geraram tanta ansiedade como o fim da era Merkel na Alemanha.
Em outubro de 2018, veio o anúncio daquilo que todos sabiam que aconteceria um dia: Angela Merkel deixaria a chefia do governo alemão em 2021.
“Eu não vou buscar nenhum posto político depois que meu mandato acabar”, disse a alemã, em entrevista coletiva. “Chegou a hora de abrir um novo capítulo.”
A ansiedade veio em seguida, ao lado de muita especulação. Afinal, Merkel, para o bem e para o mal, era garantia de significativas segurança e estabilidade.
Crises de refugiados, terrorismo, separatismos, extremismos — tudo que a União Europeia temia parecia ser mais contornável nas mãos da poderosa chanceler alemã.
Chegado o momento da despedida, após 16 anos no comando da maior economia europeia, é possível ter uma ideia ainda mais clara de como e por que Merkel tornou-se a mais importante figura política do continente — a ponto de muitos temerem o futuro sem a sabedoria de sua liderança.
Origens no comunismo
A primeira-ministra alemã Angela Merkel ao longo de sua carreira política, entre os anos de 1991 a 2016
DPA via AFP/Arquivo
Uma das maiores qualidades políticas de Angela Merkel sempre foi sua capacidade de navegar entre opostos e mediar conflitos políticos, numa era em que os extremos ganham cada vez mais espaço.
Tal habilidade está diretamente ligada a sua origem: criada na comunista Alemanha Oriental, num ambiente familiar cristão luterano, ela foi uma jovem universitária num ambiente que promovia o marxismo e as ligações com a União Soviética.
Em tal realidade, ela estudou física, concluiu um doutorado em química quântica e estudou russo, adquirindo completo domínio da língua que na época era associada ao comunismo.
Em última visita à Rússia como líder da Alemanha, Angela Merkel defende o diálogo com Vladimir Putin
Vinda da chamada Cortina de Ferro e criada num ambiente luterano, Merkel faria carreira política na unificada Alemanha dentro da democracia cristã.
Seria uma líder conservadora com um olhar atento a questões sociais, tendo desde o início de sua carreira a capacidade de equilibrar diferentes interesses e necessidades.
Nascida em 17 de julho de 1954, em Hamburgo (então Alemanha Ocidental), com o nome de Angela Kasner, sua mudança para o lado oriental ocorreu quando tinha apenas três meses de idade, e seu pai aceitou a missão de assumir um cargo de pastor em Perleberg.
A futura líder alemã passou sua juventude, foi estudante universitária e iniciou carreira científica no Estado comunista.
Cristã dedicada, foi casada por pouco tempo — a união em 1977 com o colega de universidade Ulrich Merkel, que lhe deu o nome com o qual ganharia poder e fama, terminou em divórcio após quatro anos.
Angela Merkel integrou o movimento por democracia na Alemanha Oriental. Sua carreira política, no entanto, somente teria início após a queda do Muro de Berlim, em 1989.
Foto de arquivo mostra cidadãos da Alemanha Ocidental ainda em vigília em cima do Muro de Berlim em frente ao Portão de Brandemburgo na manhã do dia seguinte à queda, em 10 de novembro de 1989
Arquivo/Reuters
Especial g1, 30 anos depois: Marcas do Muro de Berlim
Num período de transição, ela atuou como porta-voz do governo alemão-oriental, após a realização de eleições democráticas.
Em 1990, porém, a Alemanha finalmente voltaria a ser um só país. Dois meses antes da reunificação, Merkel passou a integrar o partido governista conservador CDU, a União Democrata Cristã — um caminho que respeitava sua origem familiar luterana.
Na época o partido era liderado pelo chanceler Helmut Kohl, um gigante da política europeia que entrou para a história como um símbolo do fim da divisão alemã e da Guerra Fria.
Merkel avançou dentro da legenda, ocupando os cargos de ministra das Mulheres e da Juventude (1991 a 1994) e do Meio Ambiente (1994 a 1998).
Na foto, de 30 de abril de 1991, o então chanceler alemão Helmut Kohl aparece atrás de Merkel, na época ministra da Mulher e da Juventude da Alemanha, antes de uma reunião de gabinete na Chancelaria em Bonn, na Alemanha.
Fritz Reiss/AP
Em 1998, a CDU perdeu as eleições para os social-democratas, e Kohl foi substituído como chanceler por Gerhard Schröder.
Já fora do comando do partido, em 1999, Kohl foi atingido em cheio por um escândalo de financiamento partidário ilegal.
Merkel destacou-se na época, ao pedir publicamente que Kohl, ainda integrante do Parlamento, renunciasse a sua cadeira e colocasse um fim a sua carreira política — o que ele só faria em 2002.
Em 2000, Merkel tornou-se líder da CDU — fato marcante para um partido cristão, associado a valores familiares e que passou a ser comandado por uma mulher divorciada e sem filhos.
Após cinco anos na oposição, os democratas-cristãos voltaram ao poder em 2005, e Angela Merkel iniciou sua longa carreira como chanceler.
Foi a primeira mulher a comandar o país, que pela primeira vez tinha como chefe de governo alguém criado sob o comunismo do lado oriental.
Sua vitória foi histórica para a Alemanha, e sua longa permanência no cargo seria marcante para a Europa e o resto do mundo.
Convivência com adversários
Em 22 de novembro de 2005, a recém-eleita Merkel faz o juramento do cargo de chanceler no Parlamento alemão, em Berlim.
Fritz Reiss/AP
Merkel chegou ao poder aos 51 anos, numa época de crescimento econômico global, mas dificuldades na economia alemã, que tentava se modernizar por meio de reformas estruturais.
A geopolítica era marcada por tensões e crises provocadas pela chamada Guerra ao Terrorismo, iniciada pelos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001.
A capacidade de Merkel de equilibrar diferentes pressões políticas foi testada logo de início.
Após um resultado indefinido no pleito de 2005, Merkel só conseguiu ocupar o posto de chanceler ao fazer um governo de coalizão com seus históricos adversários, o SPD, partido social-democrata.
Sob o comando de Gerard Schröder, os social-democratas eram governo havia sete anos e, ironicamente, foram os responsáveis por implementar reformas para enxugar o Estado de bem-estar social do país.
O ex-primeiro-ministro alemão Gerhard Schroeder transmite o cargo à recém-eleita premiê Angela Merkel, em foto de 22 de novembro de 2005
Michael Hanschke/DPA via AFP
No médio e longo prazos, as reformas criaram condições para uma queda sistemática do desemprego, mas inicialmente a taxa subiu — ultrapassando 11% em 2005 —, o que dificultou a vida de Schröder nas urnas.
Derrotado numa eleição apertada, o SPD perdeu o posto de chanceler, mas não saiu do governo.
O acordo de coalizão deu aos social-democratas oito ministérios, incluindo alguns dos postos mais importantes, como o das Finanças, o do Exterior, o da Saúde e o do Meio Ambiente.
A CDU de Merkel, a nova chanceler, ficou com apenas seis, incluindo Defesa, Justiça e Educação.
“Nós queremos fazer com que as coisas avancem neste país. É por isso que eu me refiro a uma coalizão de novas possibilidades”, afirmou na época a recém-empossada chefe de governo.
Estava assim consolidada uma das principais características de Merkel: o pragmatismo. Ela provou ser capaz de dialogar com adversários e se adaptar a situações adversas, inclusive governando com adversários.
Merkel parecia disposta a fazer o possível para fazer o acordo dar certo e, com isso, solucionar os problemas nacionais mais urgentes.
Em seu primeiro discurso no Parlamento, conhecido como Reichstag, ela deixou clara sua prioridade: “Vamos soltar os freios do crescimento”.
A coalizão que governou a Alemanha entre 2005 e 2009 acabou sendo chamada por muitos de um governo de “direita-esquerda”, em que a chanceler buscou promover crescimento econômico e abraçou políticas progressistas. Entre elas, o abandono da energia nuclear, exigido pelo SPD e pelo Partido Verde, também membro da grande coalizão.
Pipa com a inscrição “Energia nuclear? Não, obrigado” reforça protesto de ativistas contra a energia nuclear no país.
Michael Sohn / AP Photo
Apesar da oposição da CDU e da própria Merkel, o governo alemão anunciou que fecharia suas usinas nucleares em 2021, atendendo a um desconforto da opinião pública alemã que vinha desde o acidente em Chernobyl, na Ucrânia, em 1985.
Administrar os interesses da CDU e do SPD não era fácil, mas Merkel mostrou notável habilidade.
“Após tomar posse como líder do governo da grande coalizão em 2005, Merkel tem tido que trabalhar duro para achar um denominador comum entre dois partidos que têm brigado durante a maior parte dos últimos 60 anos”, escreveu a rede alemã Deutsche Welle em junho de 2007.
O noticiário alemão usou essas palavras para anunciar que Merkel havia conseguido o que parecia impossível: um acordo entre os dois partidos para a expansão do salário mínimo na Alemanha.
O SPD pressionava pela adoção de um mínimo nacional, enquanto a CDU de Merkel rejeitava a ideia.
Até então válido apenas na construção civil e trabalhadores de limpeza, as legendas concordaram que a medida passasse a valer para ao menos dez novas áreas da economia.
No cenário internacional, Merkel foi reconhecida por sua liderança logo de início.
Em agosto de 2006, a revista Forbes a escolheu como a mulher mais poderosa do mundo — escolha que a publicação repetiria, seguidamente, pelos próximos três anos.
Angela Merkel é escolhida a mulher mais poderosa do mundo pela 10ª vez
“Desde que tomou posse, Merkel conquistou respeito no cenário mundial e apelo popular na Alemanha por sua discreta diplomacia”, escreveu a Forbes no texto que acompanhava a lista das mais poderosas mulheres.
No ano seguinte, poucos dias antes de obter o acordo pelo salário mínimo, seu poder de negociação e persuasão foi conhecido por outras lideranças internacionais.
Como anfitriã da reunião do G-8 de 2007, em Heiligendamm, na Alemanha, Merkel conseguiu um acordo inicial pelo combate às mudanças climáticas, convencendo o então presidente americano, George W. Bush, a finalmente se aproximar da causa, que antes rejeitava.
“O melhor que nós poderíamos conseguir foi conseguido”, disse Merkel na época, segundo a Deutsche Welle.
Popularidade
A chanceler alemã Angela Merkel é vista com uma máscara facial durante visita à Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso da Alemanha, em Duesseldorf, na terça-feira (18)
Martin Meissner/AP
Os quatro anos de convívio com os adversários social-democratas levou muitos a questionar as verdadeiras credenciais conservadoras de Merkel.
Estaria a ex-cidadã da Alemanha Oriental se aproximando demais da esquerda?
Na verdade, o realismo imposto pela coalizão com a centro-esquerda foi positivo para a chanceler.
Seu governo “direita-esquerda” mostrou que Angela Merkel sabia como agradar a gregos e troianos — ou seja, alemães de todos os campos políticos.
Ela evitou ser demonizada como uma conservadora neoliberal, sem perder o apoio tradicional de sua base partidária.
Na prática, ela carregou sua CDU na direção do centro, o que serviu como uma boa preparação de terreno para as eleições que ocorreriam em 2009.
Merkel acumulou popularidade por meio de sua capacidade e disposição de explicar temas complexos, além de se mostrar determinada e capaz diante de grandes desafios, como a economia.
A chanceler e sua coalizão foram bem-sucedidos em atacar os problemas econômicos do país — o desemprego logo caiu, de 12% no começo de 2006, para 9% em meados do ano seguinte.
Em setembro de 2008, no entanto, veio a falência do banco americano Lehman Brothers, que marcou a explosão da crise financeira global — que se tornaria uma crise econômica, social e política internacional, com recessão global e uma situação dramática em partes da Europa.
A liderança de Merkel nos dois primeiros anos da crise foi bem avaliada pela opinião pública alemã.
Mesmo com o Produto Interno Bruto (PIB) despencando 5,7% em 2009, a taxa de desemprego ficou praticamente a mesma do ano anterior — 7,74% em 2009, contra 7,53% em 2008.
Apesar de o ministro das Finanças do governo de coalizão, Peer Steinbrück, ser do SPD, Merkel foi a mais beneficiada por tal desempenho.
Na época das eleições parlamentares de setembro de 2009, sua taxa de aprovação era de 60%.
Essa força traduziu-se em votos nas urnas. Sua CDU ficou em primeiro lugar e desta vez conseguiu formar uma coalizão com alinhamento ideológico, de centro-direita, com a CSU (União Social Cristã da Bavária) e o FDP (Partido Democrático Livre).
Em sua primeira análise após os resultados, a BBC News trouxe a avaliação de Detmar Doering, do Instituto Liberal. Ele destacava o pragmatismo de Merkel, que inspirava confiança no eleitorado.
“Os eleitores alemães não são estúpidos — eles não querem uma Britney Spears como chanceler da Alemanha, eles querem uma líder séria em quem eles possam confiar. Merkel sabe o que ela está fazendo.”
Num governo de unidade ideológica, formado por partidos conservadores, a chanceler ficou autorizada a governar mais de acordo com suas crenças e preferências.
A vítima mais proeminente dessa nova realidade política foi o plano de fechar as usinas nucleares do país, caminho tomado sob influência dos social-democratas e verdes que participavam do primeiro governo Merkel.
Em agosto de 2010, a chanceler anunciou uma revisão da medida: as 17 usinas nucleares do país seriam prorrogadas por mais 15 anos além de 2021, ano em que seriam inicialmente interrompidas.
“A energia nuclear é desejável como uma tecnologia transitória”, disse a alemã na época. A decisão tinha o apoio do FDP, partido de centro-direita que compunha o governo.
Como informou o jornal britânico The Guardian, porém, a medida era impopular: segundo uma pesquisa da época, 56% dos alemães eram contra estender a vida útil das usinas, por medo de acidentes e ações terroristas.
Crise europeia
Na foto, de janeiro de 2009, Merkel aparece com a a então ministra da Família da Alemanha, Ursula von der Leyen (hoje presidente da Comissão Europeia), e a editora Alice Schwarzer em um evento comemorando os 90 anos do direito ao voto das mulheres em Berlim.
Michael Sohn/AP
Até 2009, a crise financeira era sentida a nível nacional, e Merkel passara no teste.
Seus desdobramentos, porém, levariam a uma recessão global e uma crise continental.
A chanceler teve de assumir um papel que ainda não exercera plenamente: o de líder europeia. À frente da maior economia do continente, Merkel assumiu a liderança nas decisões da União Europeia.
A chanceler tornou-se a cara da crise financeira na Europa, em seus aspectos positivos e negativos. Do lado positivo, a alemã sabia de sua responsabilidade: precisava encontrar soluções para os maiores desafios econômicos vividos pelo bloco até então.
Do negativo, também sabia que suas decisões teriam de considerar os interesses dos alemães — o que associou seu nome, na cabeça de muitos, à fria imposição de medidas com altos custos sociais para as nações menos desenvolvidas da União Europeia.
Os maiores desafios econômicos estavam nos países-membros que, nas duas décadas anteriores, haviam desfrutado de admiráveis saltos econômicos e elevação do padrão de vida de suas populações.
Grécia, Espanha, Irlanda, Itália e Portugal haviam se tornado, em pouco tempo, forças econômicas alimentadas por dívidas. Suas riquezas dependiam da continuação da desenfreada ciranda financeira, que parecia ter chegado ao fim com a crise das hipotecas, que levou à crise das dívidas.
A partir de maio de 2010, o bloco socorreu esses países-membros, por meio da Facilidade Europeia para Estabilidade Financeira (EFSF) — outros mecanismos viriam nos anos seguintes, somando centenas de bilhões de euros.
Em pouco tempo, Merkel passou a ser vista com desconfiança, criticada e até mesmo odiada por muitos.
Na Alemanha, parte da imprensa e da opinião pública reclamava que o país tivesse de pagar para retirar a Grécia da crise. Isso, entretanto, não impediu que em outubro de 2011 Merkel conseguisse aprovar no Parlamento — por 503 votos a 89 — a participação alemã na ajuda a nações europeias.
Dois meses depois, num discurso no Reichstag, ela justificou e defendeu a liderança alemã no processo de socorro a países-membros da Zona do Euro. “Criar uma Europa estável de forma duradoura é a tarefa histórica da atual geração de políticos”, disse a chanceler.
Já na Grécia, a imposição de cortes drásticos nos gastos públicos, como contrapartida para a oferta da ajuda financeira, fez com que o rosto de Merkel se tornasse presença constante em protestos violentos em Atenas.
Muitas vezes, seu nome e foto eram associados à palavra “nazista” e à suástica, símbolo do regime nazista de Adolf Hitler.
Para os manifestantes gregos, Merkel representava a opressão da União Europeia sobre integrantes mais frágeis do bloco.
Em outubro de 2012, Merkel visitou a Grécia, o que levou dezenas de milhares às ruas da capital grega para protestar contra sua presença.
Trabalhadores municipais marcham em um ato antiausteridade no centro de Atenas em 2012.
Reuters/John Kolesidis
“Merkel tornou-se uma figura odiada na Grécia, devido aos cortes de gastos impostos sobre o país em troca dos prometidos empréstimos e alívio de dívida no valor de 347 bilhões de euros”, escreveu a rede francesa France 24 durante a visita.
Determinada, Merkel afirmou em Atenas: “Estou profundamente convencida de que este duro caminho vale a pena, e a Alemanha quer ser um bom parceiro. Muito já foi conseguido. Ainda há muito a fazer, e Alemanha e Grécia trabalharão juntas de forma muito próxima”.
Apesar do remédio amargo contra a crise, Merkel, sua Alemanha e a União Europeia conseguiram o que chegou a parecer impossível: evitar que a Grécia deixasse a Zona do Euro.
Com isso, a chanceler foi creditada com o feito de ter salvado a moeda única europeia, o que até mesmo um de seus ferrenhos críticos na época, o economista socialista grego Yanis Varoufakis, admite ser verdade.
“É verdade que, no final, ela foi responsável por manter a Zona do Euro unida, porque, se a Grécia tivesse saído, eu não acredito que teria sido possível mantê-la”, disse Varoufakis, em setembro de 2021, à correspondente Katya Adler, da BBC News.
Varoufakis, porém, questionou o que chamou de falta de plano para o futuro da união monetária.
“Ela nunca teve uma visão sobre o que fazer com a Zona do Euro depois que ela a tivesse salvado, e a maneira com que ela a salvou tornou-se muito desagregadora. Tanto dentro da Alemanha como dentro da Grécia.”
Terceira vitória
Merkel, a única mulher e única com roupa colorida, posa de verde em uma foto com líderes mundiais em uma reunião do G8 na Irlanda do Norte em 2013.
Matt Dunham/AP
Com a crise das dívidas na Europa encaminhada, embora longe de estar completamente resolvida, Angela Merkel disputaria uma nova eleição geral em setembro de 2013.
Dois anos antes, longe dali, uma tragédia de grandes proporções ajudaria a chanceler em seu caminho rumo a mais uma vitória nas urnas.
Em março de 2011, um terremoto próximo ao litoral do Japão causou um enorme tsunami, cujas ondas gigantes atingiram o reator nuclear de uma usina em Fukushima.
O desastre nuclear, em que o vazamento de radiação levou à evacuação de mais de 150 mil habitantes, teve um impacto imediato na chanceler alemã.
Apenas quatro dias depois do acidente, Merkel anunciou o fechamento de 7 das 17 usinas nucleares da Alemanha — as que começaram a operar antes do fim de 1980.
A decisão da chanceler expôs outra de suas habilidades políticas: a de mudar de opinião diante de uma nova realidade e da pressão da opinião pública.
Logo depois do acidente no Japão, dezenas de milhares de alemães realizaram protestos contra a decisão de Merkel, de 2010, de adiar por ao menos 15 anos o fechamento das usinas do país.
Segundo a Deutsche Welle informou, em 15 de março de 2011, “até 80% dos alemães são agora contra a decisão de Merkel de estender a energia nuclear, enquanto 72% dizem que os sete mais velhos reatores da Alemanha precisam ser fechados imediatamente”.
A decisão não foi resultado de consultas da chanceler e consenso entre partidos, como em outras oportunidades.
Merkel mostrou saber tomar uma atitude vital sozinha e rapidamente, como lembrou o jornalista Jens Thurau, da Deutsche Welle.
“Tendo construído uma reputação de sempre buscar o consenso, ela decidiu sozinha colocar um fim à energia nuclear na Alemanha. Contra os desejos de seu partido, para o horror do setor de energia e do partido da coalizão liberal.”
Ciente do estado de espírito da opinião pública, a chanceler deu um passo a mais em outubro de 2011, ao anunciar a decisão de fechar todas as usinas nucleares até 2022.
O governo prometeu apostar ainda mais em fontes de energia renováveis — e Merkel eliminou um potencial problema para sua campanha eleitoral em busca de um terceiro mandato, no pleito de 2013.
Admirada pela população e com bons resultados a exibir, Merkel chegou com força à disputa eleitoral.
A economia, em especial, ia relativamente bem. É verdade que, após dois anos de forte recuperação em 2010 e 2011, o PIB quase não crescia — 0,4% em 2012 e 0,4% em 2013. O desemprego, no entanto, continuava caindo, chegando a 5,2% no ano do pleito.
Resultado: o partido de Merkel venceu as eleições parlamentares, novamente seguido pelo SPD, agora liderado por Steinbrūck, seu antigo ministro das Finanças.
As características do parlamentarismo, porém, fizeram com que Merkel tivesse que, mais uma vez, governar com seus adversários.
Seu antigo parceiro de governo, o FDP, foi tão mal que ficou fora do Parlamento, o que obrigou a chanceler a costurar uma nova coalizão com o SPD.
Com uma diferença: os social-democratas tinham menos poder de barganha que em 2005 e tiveram uma participação bem menor no governo.
Após três meses de negociações, o terceiro mandato de Merkel como chanceler começou em dezembro de 2013.
A líder alemã novamente seguiu na direção da centro-esquerda, aceitando medidas de caráter social exigidas pelo SPD – como um salário mínimo nacional para todos.
O pêndulo político de Merkel continuou a balançar, testando sua grande capacidade de navegar por diferentes campos da política.
Imigração e terrorismo
Migrantes são vistos andando da fronteira entre Alemanha e Áustria, em 2015, para o primeiro ponto de registro no território alemão perto da vila de Wegscheid.
Christof Stache/AFP
Em sua nova convivência com seus adversários social-democratas no governo, Merkel continuou equilibrando-se bem.
Em abril de 2014, ela cumpriu um dos principais pontos do acordo de coalizão com o SPD ao aprovar a adoção do salário mínimo nacional – na época, de 8,50 euros por hora.
Apesar de contrária aos desejos do partido, a medida reforçava a imagem “direita-esquerda” que ajudou a manter a chanceler por tantos anos no poder.
Sua capacidade de lidar com problemas de forma humana ficou ainda mais visível em 2015, em meio à crise europeia de refugiados.
Uma onda migratória sem precedentes, intensificada pela guerra civil na Síria que levaria à saída de mais de 6 milhões de sírios de seu país, fez com que centenas de milhares de pessoas chegassem às fronteiras da Europa.
Com a Alemanha recebendo um grande número de refugiados e diante do que parecia ser uma situação sem solução, Merkel pronunciou uma frase que entraria para a história: “Wir schaffen das” — “Nós conseguimos fazer isso”, ou simplesmente “Nós damos um jeito”, disse ela em 31 de agosto de 2015.
A frase referia-se a como a chanceler pretendia cumprir o que acabara de prometer: receber todos os refugiados do conflito sírio que quisessem entrar e viver na Alemanha.
Ela alegou tratar-se de uma situação excepcional e conclamou outras nações europeias a também abrirem suas fronteiras aos refugiados.
“Se a Europa fracassar na questão dos refugiados, sua conexão próxima com direitos civis universais será destruída”, disse ela, citada pelo jornal The Guardian.
Merkel previu que, até o fim de 2015, o país receberia cerca de 800 mil refugiados. Recebeu cerca de 1 milhão.
A decisão de Merkel foi polêmica na Alemanha, e muitos passaram a temer um crescimento da popularidade de movimentos de extrema-direita nacionalista que se opunha à chegada e permanência de imigrantes.
Nas primeiras horas de 2016, uma série de incidentes em cidades alemãs deu munição aos críticos da chanceler.
Durante as festas de rua para marcar a chegada do novo ano, centenas de mulheres foram atacadas sexualmente, incluindo casos de estupro.
As primeiras denúncias sobre ataques vieram de Colônia, onde centenas de incidentes foram registrados, a maioria em torno da catedral da cidade, durante a queima de fogos.
A prefeita de Colônia, Henriette Reker, chamou os crimes de “monstruosos”.
Outras cidades, como Frankfurt, Düsseldorf e Hamburgo, também registraram agressões de natureza sexual.
Segundo relatos, os criminosos eram aparentemente de origem africana ou árabe e estariam embriagados, o que reforçava o temor de muitos de que imigrantes não conseguiriam se integrar à sociedade alemã.
Merkel sentiu a pressão, evidenciada em protestos contra imigração dias após os incidentes.
Em janeiro de 2016, a chanceler propôs leis mais duras para expulsar do país refugiados que cometessem crimes – até então, apenas aqueles condenados a ao menos três anos de prisão eram enviados a seus países de origem.
O tema, no entanto, abalou a confiança de muitos alemães em Merkel.
Segundo pesquisa do instituto Infratest dimap, publicada pela Deutsche Welle em setembro de 2016, cerca de 45% da população aprovava o trabalho da chanceler, o mais baixo número desde 2011.
O levantamento também apontava o avanço do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita e cujo discurso estava concentrado na imigração.
Partidários do partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD) seguram bandeiras alemãs durante manifestação em Berlim em 2018.
REUTERS/Hannibal Hanschke
Ao final de 2016, o debate ficou ainda mais acirrado depois que um militante do grupo conhecido como Estado Islâmico dirigiu um caminhão contra um mercado de Natal em Berlim.
O ataque deixou 12 mortos. O motorista, o tunisiano Anis Amri, foi morto pela política italiana a tiros, dias depois, na cidade italiana de Milão, após ter sido procurado por toda a Europa.
A tensão na Alemanha em torno da questão migratória continuou. Em junho de 2019, o político Walter Lübke, do partido de Merkel, foi assassinado por um extremista de direita, que confessou o crime.
Pesquisas de opinião mostraram que, entre 2014 e 2018, a imigração era considerada pelos alemães o maior problema do país – liderando com quase 70% das respostas em 2016.
Merkel, porém, nunca se arrependeu de sua arriscada decisão política.
A preocupação com a imigração caiu, e em 2019 o tema perdeu para as mudanças climáticas o título de maior temor nacional – em 2020, ambos ficaram atrás da Covid-19.
Um estudo do alemão IAB (Instituto para o Mercado de Trabalho e Pesquisa Vocacional), do início de 2020, mostrou que 49% dos refugiados que chegaram à Alemanha a partir de 2013 haviam conseguido um emprego estável após até cinco anos desde sua entrada no país.
A integração de refugiados, de acordo com o estudo, era possível e estava ocorrendo.
Último mandato
Outdoor mostra as mãos da primeira-ministra Angela Merkel, em seu gesto tradicional, durante sua campanha para reeleição, em 2013
Johannes Eisele/AFP
Por várias vezes, analistas previram que Merkel poderia pagar um preço alto demais por sua aposta em favor dos imigrantes – inclusive ser retirada do poder.
Veio então o pleito de 2017, e Angela Merkel conseguiu assegurar mais uma vitória para sua democracia-cristã.
Foi, porém, um sucesso parcial. Apesar do quarto mandato, Merkel viu seu bloco formado por CDU e CSU obter seu pior resultado nas urnas em 70 anos.
Além disso, a extrema-direita, representada pelo AfD, conseguiu chegar ao Parlamento pela primeira vez, confirmando as previsões de muitos analistas sobre seu fortalecimento.
Na hora de formar o governo, pela terceira vez — a segunda seguida —, a chanceler teve de contar com os social-democratas para compor uma coalizão – confirmada apenas em março de 2018, após cinco meses de difíceis negociações.
Com gosto de despedida, o quarto e último mandato de Merkel acabou marcado pelo avanço de forças antes marginais na política alemã e o enfraquecimento dos blocos tradicionais.
O Partido Verde, à esquerda, e o AfD, à direita, ganhavam terreno em pleitos regionais, enquanto CDU e SPD sentiam a pressão causada pela perda de apoio.
Covid-19
Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, usa máscara após encontro com lideranças regionais sobre o coronavírus nesta terça-feira (5)
Michel Kappeler/Pool via Reuters
A pandemia de Covid-19, a partir do início de 2020, trouxe um novo e gigantesco desafio.
Na batalha contra o coronavírus, a chanceler viveu momentos de grande sucesso e admiração, em que os números alemães mostravam-se muitos mais auspiciosos que os de outras nações desenvolvidas, e outros de ceticismo e críticas, quando a doença avançava e testava a resistência de técnicos e políticos.
Entretanto, o país experimentou lentidão no processo de vacinação da população e os números de internação hospitalar e de falecimentos chegaram a níveis comparáveis, e em alguns casos superiores, ao de países severamente atingidos inicialmente como Espanha, França e Itália.
Em abril de 2021, uma pesquisa da Deustchlandtrend mostrou que apenas 35% dos alemães apoiavam a atuação da chanceler, índice que era de quase 70% seis meses antes. Nada menos que 64% diziam-se insatisfeitos.
Angela Merkel, no entanto, continuava como uma referência segura de estabilidade para temas complexos, especialmente no campo internacional.
As negociações entre a União Europeia e o Reino Unido em torno do Brexit e as tumultuadas relações com o presidente americano, Donald Trump, marcaram os últimos anos de Merkel como chanceler.
Em agosto de 2021, ela fez uma visita de despedida ao presidente russo, Vladimir Putin, com quem sempre teve um trânsito facilitado devido ao passado de ambos – ela fluente em russo, e ele com domínio equivalente do alemão.
Angela Merkel e Vladimir Putin em 20 de agosto, durante a última viagem da alemã a Moscou antes de deixar o poder
Sergei Guneev/Reuters
Merkel defendeu o dissidente russo Alexei Navalny e pediu sua libertação, solicitação rejeitada por Putin.
O respeito mútuo, no entanto, era visível no encontro, indicativo de quanto a influência de Merkel se estendeu ao longo de 16 anos no poder, tanto no Ocidente como no Oriente.
Imagem positiva
Mosaico com fotos da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, em suas mensagens televisivas anuais de Ano Novo, ao longo de seu mandato, de dezembro de 2005 a dezembro de 2020
Reuters/Staff/File Photos
Na Europa, continente que ela acabou informalmente liderando, Merkel deixou uma imagem positiva.
Estudo do Conselho Europeu em Relações Estrangeiras, publicado em setembro de 2021, mostra que os cidadãos de 12 nações da União Europeia – incluindo França, Holanda, Suécia, Espanha, Itália e a própria Alemanha – admiram e concordam com o caráter político conciliador e cuidadoso da chanceler.
Apresentada em oposição ao francês Emmanuel Macron, cujo estilo de liderança envolve propostas de mudanças rápidas e abrangentes, Merkel apareceu como favorita para um fictício cargo de “presidente europeia”.
Um total de 41% dos entrevistados pelo instituto votariam em Merkel, contra apenas 14% que escolheriam Macron.
Aparentemente confortável diante do seu histórico e seu legado, a primeira mulher a governar a Alemanha deixou transparecer, a poucas semanas de deixar o cargo, um lado pouco conhecido de sua atuação.
Em um evento em Düsseldorf, no início de setembro de 2021, Merkel apresentou-se, pela primeira vez, como feminista.
“Essencialmente, é sobre o fato de que homens e mulheres são iguais, no sentido de participação na sociedade e na vida em geral”, afirmou a chanceler. “E, nesse sentido, posso dizer: ‘Sim, eu sou uma feminista’.”
Com a fala, a líder alemã adicionou mais uma característica a tantas que, durante 16 anos, marcaram sua passagem pelo topo do poder na Alemanha e no mundo. Angela Merkel deixa o comando de seu país com lugar garantido na história, como uma das mais importantes líderes do século 21.
Initial plugin text

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Eleições na Alemanha: país vota para decidir sucessor de Angela Merkel


Olaf Scholz, Armin Laschet e Annalena Baerbock são os principais nomes de uma votação que define quem ocupa o lugar da chanceler que passou 16 anos no poder – mais do que qualquer outro líder na história do país. Mulher usando vestimenta típica da Floresta Negra vota em Gutach, no estado de Baden-Württemberg, na Floresta Negra, Alemanha, no dia 26 de setembro.
Arnd Wiegmann/Reuters
Eleitores alemães vão às urnas neste domingo (26) para decidir quem vai suceder a chanceler Angela Merkel, após quatro mandatos e 16 anos no poder – mais do que qualquer outro líder na história do país.
A votação começou às 3h e vai até as 13h (horário de Brasília; 8h às 18h no horário local). O candidato de Merkel é Armin Laschet; outros dois são considerados principais (veja detalhes mais abaixo).
Em algumas partes do país, as pessoas usaram fantasias ou vestimentas típicas de sua região para ir às urnas:
Homem usando vestimenta típica da Bavária entra em um local de votação em Benediktbeuern, na Bavária, sul da Alemanha, neste domingo (26).
Michaela Rehle/Reuters
Mulher usando vestimenta típica da Floresta Negra vota em Gutach, no estado de Baden-Württemberg, na Floresta Negra, Alemanha, no dia 26 de setembro.
Arnd Wiegmann/Reuters
Por outro lado, a preocupação em algumas regiões foi com as máscaras – o uso delas é obrigatório nos locais de votação neste domingo, por causa da pandemia do coronavírus.
No estado da Renânia do Norte-Vestfália, entretanto, as cidades já se preparavam para os que se recusam a usar o item: para isso, foram montadas urnas móveis do lado de fora dos locais de votação.
Já em Berlim, a capital alemã, os bombeiros precisaram intervir para que a equipe responsável pela votação conseguisse entrar no local de voto. Isso porque houve um problema com a fechadura eletrônica do lugar, no bairro de Mitte, no centro da cidade.
Principais nomes
Três candidatos são considerados os principais, tendo liderado em algum momento as pesquisas e com alguma chance de vitória: Olaf Scholz, do Partido Social Democrata (SPD), Armin Laschet, da União Democrata Cristã (CDU) – mesmo partido que Merkel – e Annalena Baerbock, do Partido Verde (conheça mais detalhes sobre cada um ou veja o vídeo abaixo).
Veja quem são os possíveis sucessores da chanceler alemã, Angela Merkel
Initial plugin text
ELEIÇÕES NA ALEMANHA×

Fonte: G1 Mundo