Categorias
MUNDO

Holanda inaugura monumento em homenagem a vítimas do Holocausto


Evento contou com a presença do rei Willem-Alexander. Primeiro-ministro interino holandês disse que memorial deve forçar questionamento sobre se a país fez o suficiente para proteger os judeus durante a guerra. Holanda inaugura local para homenagear vídeos do Holocausto em Amsterdã
AP Photo/Peter Dejong
O rei Willem-Alexander da Holanda inaugurou neste domingo (19) um novo memorial em homenagem a mais de 102.000 vítimas do Holocausto em Amsterdã.
Projetado pelo arquiteto judeu polonês Daniel Libeskind, o memorial é composto de paredes moldadas para formar quatro letras hebraicas que soletram uma palavra que pode ser traduzida como “Em memória de”.
As paredes são construídas com tijolos, cada um contendo nome, data de nascimento e idade de um dos mais de 102.000 judeus, que foram assassinados em campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial ou que morreram a caminho dos campos.
O rei Willem-Alexander coloca uma pedra em um ato de lembrança ao inaugurar um novo monumento no coração do histórico bairro judeu de Amsterdã
AP Photo/Peter Dejong
Jacques Grishaver, presidente do Comitê Holandês de Auschwitz, abriu oficialmente o monumento com o rei, na presença de dignitários e sobreviventes do Holocausto. Depois de passar pelos portões, cada um pegou uma pedra branca e colocou-a na frente de uma parede comemorativa, uma tradição judaica ao visitar túmulos.
O rei ajudou Grishaver a pegar e colocar sua pedra no chão. Após a cerimônia, ele falou com três sobreviventes do Holocausto.
O primeiro-ministro interino holandês Mark Rutte disse que o monumento também deve forçar as pessoas a confrontar a questão de se a Holanda fez o suficiente para proteger os judeus durante a guerra e o que ele chamou de “recepção fria para o pequeno grupo que voltou do inferno após a guerra”.
Ele chamou a época de “uma página negra na história de nosso país” e disse que o monumento também traz uma importante mensagem contemporânea “em nosso tempo, quando o anti-semitismo nunca está longe. O monumento diz – não, ele grita – fique vigilante. ”
Holanda inaugura local para homenagear vídeos do Holocausto em Amsterdã
AP Photo/Peter Dejong
O memorial foi construído perto de uma antiga sala de concertos onde judeus presos pelos ocupantes nazistas de Amsterdã durante a guerra foram mantidos antes de serem enviados para os campos.
O município de Amsterdã concedeu permissão para o início da construção em 2017, mas as obras foram atrasadas depois que os moradores argumentaram que o monumento era grande demais para o local. Foi pago em parte por crowdfunding – 84.000 pessoas pagaram 50 euros (US$ 58) cada para “adotar” um dos tijolos.
A revelação oficial ocorreu um ano depois que uma amiga de Anne Frank, Jacqueline van Maarsen, lançou a primeira pedra, que leva o nome de Dina Frankenhuis, de 20 anos, assassinada em Sobibor.
Amiga de Anne Frank envia foto a alunos de psicologia do Acre que escreveram carta a ela
Rutte disse que o monumento carrega uma mensagem vital.
“Este nome monumento diz 102.163 vezes:‘ Não, não te esqueceremos. Não, não aceitaremos que seu nome seja apagado. Não, o mal não tem a última palavra ‘”, disse ele. “Cada um deles era alguém e hoje eles recuperam seus nomes.”
Rei Willem-Alexander fala com os sobreviventes do Holocausto.
AP Photo/Peter Dejong

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Exército de Israel prende últimos dois palestinos foragidos da prisão


No total, seis palestinos, detidos por atos violentos contra Israel, fugiram em 6 de setembro da prisão de alta segurança de Gilboa, no norte israelense, por um túnel que escavaram com uma colher. Menino palestino caminha em frente a casa onde forças israelenses detiveram os dois últimos dos seis militantes palestinos que haviam escapado de uma prisão israelense de segurança máxima
Mohamad Torokman/Reuters
Quase duas semanas depois da grande fuga de seis prisioneiros palestinos de uma prisão de alta segurança de Israel, os últimos dois foragidos foram detidos na Cisjordânia em uma operação das forças de segurança de Israel.
Os seis palestinos, detidos por atos violentos contra Israel, fugiram em 6 de setembro da prisão de alta segurança de Gilboa, no norte israelense, por um túnel que escavaram com uma colher.
A fuga os transformou em heróis para os palestinos e grande parte do mundo árabe, enquanto se tornaram os homens mais procurados por Israel, que enviou reforços militares e usou drones para localizá-los.
No fim de semana depois da fuga impressionante, as forças israelenses detiveram quatro deles em Nazaré, a principal cidade árabe no norte de Israel.
Na manhã deste domingo (19), o exército anunciou, em um breve comunicado, a captura dos dois últimos em uma operação em Jenin, no norte da Cisjordânia.
Os detidos restantes são Ayham Kamamji, de 35 anos, e Munadel Infeiat, de 26, ambos integrantes da Jihad Islâmica e que foram capturados em uma operação conjunta com as unidades especiais anti-terroristas.
Os dois homens “estão sendo interrogados”, acrescentou o comunicado do exército, sem dar mais detalhes da captura.
Procedente de Kafr Dan, perto de Jenin, Ayman Kamamji foi detido em 2006 e condenado à prisão perpétua pelo sequestro e assassinato de Eliahou Ashéri, um jovem colono israelense.
Munadel Infeiat foi detido em 2020, segundo a Jihad Islâmica, e aguardava sua sentença, depois de ser preso pelas suas atividades como integrante do movimento armado.
Entre os primeiros detidos estavam Mahmud Ardah, também membro da Jihad Islâmica e considerado o cérebro da fuga, e Zakaria al Zubeidi, um ex-chefe do braço armado do partido Fatah no acampamento palestino de Jenin, bastião da rebelião armada.
“Terminado e feito”, escreveu no Twitter o primeiro-ministro israelense Naftali Bennett. “Os seis terroristas foram capturados e devolvidos à prisão, em uma operação impressionante, sofisticada e rápida”.
“Gostaria de agradecer às forças de segurança que trabalharam dia e noite, também nos sábados e feriados, para encerrar o evento”, acrescentou Bennett.
O tribunal de Nazaré prorrogou por mais dez dias a detenção dos primeiros quatro prisioneiros, de acordo com um comunicado policial.
Até o momento, não foi informado em qual prisão os seis homens estão detidos.
O movimento palestino islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, afirmou em um comunicado que “a decisão dos dois (últimos) prisioneiros não cobriria a magnitude de uma vitória, que colocou seu inimigo em seu lugar natural de fantoche ridículo”.
A Jihad Islâmica alertou que “a luta contra o inimigo vai continuar”.
Os prisioneiros palestinos começaram a escavar o túnel na prisão em dezembro de 2020, disseram à AFP os advogados de dois dos fugitivos.
Eles usaram colheres, pratos e inclusive a alça de uma chaleira para abrir o túnel, disse o advogado Raslan Mahajana, afirmando que Ardah foi o artífice da operação.
Nas redes sociais, a colher se impôs como um novo símbolo da liberdade para os palestinos, que tiram fotos com o utensílio na mão em frente a bandeiras palestinas.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Ex-refugiada, modelo abandona passarelas os EUA para lançar moda para muçulmanas


Nascida num campo de refugiados no Quênia, Halima Aden experimentou o glamour das passarelas nos Estados Unidos, mas no ano passado, decidiu rasgar os contratos com grandes marcas da moda para lançar a sua linha “modesta”, focada na mulher muçulmana. Halima Aden em foto de 14 de setembro de 2021, durante evento em Istambul, na Turquia
Ozan Kose/AFP
Nascida num campo de refugiados no Quênia, Halima Aden experimentou o glamour das passarelas nos Estados Unidos, mas no ano passado, decidiu rasgar os contratos com grandes marcas da moda para lançar a sua linha “modesta”, focada na mulher muçulmana.  
Americana de origem somali, Halima agora só é vista de hijab, o traje islâmico feminino que deixa o rosto à mostra, e de burkini, a roupa de banho que cobre também a cabeça das muçulmanas. “Desde que eu era pequena, a frase ‘não mude você, mude o sistema’ me levou a fazer tantas coisas”, explicou ela à agência AFP, durante uma passagem por Istambul, na Turquia.
Para ela, dar espaço às mulheres muçulmanas na moda significa valorizá-las, em uma indústria que se transforma rápido e que, durante a sua experiência, atingia os seus valores, relata. “Quando tomei a decisão de largar tudo, foi exatamente o que eu fiz. E estou muito, muito orgulhosa”, afirma a jovem de 24 anos.
A virada foi anunciada em novembro passado e pegou de surpresa o mundo da moda e das influencers, que parabenizaram a sua coragem e sua atitude pioneira no meio.
Halima Aden apareceu pela primeira de burkini em 2016, durante um concurso de beleza no estado de Minnesota. Depois, já famosa, ela pousou em 2019 para a edição anual da Sports Illustrated com esse tipo trajes – que até hoje causa polêmica nos países ocidentais.
Despir-se na frente de dezenas de pessoas
Enquanto isso, ela foi se sentindo cada vez mais desconfortável com certas práticas no meio da moda, como o fato de ter de trocar de roupa na frente de uma enorme equipe. Halima diz que não poderia ter ascensão numa indústria “que não tem um mínimo respeito pelo ser humano”.
“Sempre me deram um provador, um local mais privado para eu poder me trocar, mas na maioria das vezes, eu era a única a poder me beneficiar de um pouco de intimidade”, conta. “Eu via as minhas jovens colegas se desvestindo em público, na frente de jornalistas famosos, cozinheiros, costureiros e assistentes. Era muito chocante”, relembra.
A modelo sentia que as suas tradições, radicalmente diferentes da maioria das outras modelos, eram ironizadas e até desrespeitadas por algumas marcas. Certa vez, a American Eagle trocou o seu véu por uma calça jeans sobre a sua cabeça.
“Não era uma questão de estilo! Chegou a um ponto em que eu não conseguia nem mais reconhecer o meu hijab como eu o usava tradicionalmente”, observa.
Decisão libertadora
A decisão de abandonar as sessões de fotos e desfiles a libertou, aponta. “Nunca me senti tão aliviada. Guardar tudo aquilo para mim era como um veneno”, comparou ela, na época, pelo Instagram.
Em Istambul, cercada de fãs de moda do Oriente Médio, Halima Aden estava à vontade em um evento organizado pela marca turca Modanisa, para a qual agora vai desenhar coleções exclusivas e “modestas”, como é chamada a moda para muçulmanas.
Essa indústria está em plena expansão e já atingia US$ 277milhões em 2019 – um décimo da indústria mundial da moda, mas que dispõe de uma grande margem de crescimento. Nos últimos anos, Moscou, Ryad e Londres tiveram desfiles especializados para este público – uma evolução possível graças a manequins como ela.
A tendência é particularmente forte no Irã, na Arábia Saudita e na Turquia, onde Halima percebe uma grande diversidade de roupas nas ruas. “A moda modesta está decolando, é uma corrente que dura há algumas centenas de anos e continuará existindo por mais 100 anos”, ressalta.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Macron e Biden conversarão sobre disputa por submarinos na Austrália

Governo francês está irritado com o acordo, que prevê o desenvolvimento de um submarino nuclear que prejudicou as pretensões comerciais de Paris. O governo da Austrália rejeitou, neste domingo (19), as acusações da França de que mentiu sobre seus planos de cancelar um contrato de compra de submarinos franceses em favor de navios americanos, uma disputa que será o tema da conversa entre o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e seu homólogo francês, Emmanuel Macron, nos próximos dias.
Estados Unidos, Austrália e Reino Unido anunciaram na última quarta-feira (15) uma associação estratégica para contra-atacar a China, chamada Aukus, que inclui o fornecimento de submarinos nucleares americanos ao governo australiano, o que deixou os franceses fora do jogo.
ENTENDA: Por que o acordo Aukus irritou a França
Macron pedirá a Biden “um esclarecimento” e “explicações” sobre o que “parece ser uma grande quebra de confiança”, afirmou neste domingo (19) o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, à rede BFMTV.
“Haverá uma conversa telefônica nos próximos dias” entre os dois presidentes, por iniciativa de Biden, acrescentou o porta-voz.
A França está furiosa com a decisão da Austrália de se retirar de um acordo de US$ 50 bilhões de compra de submarinos franceses em favor de submarinos americanos.
Paris convocou, na sexta-feira, seus embaixadores nos Estados Unidos e Austrália para consultas, acusando este último país de “mentir” sobre a ruptura do contrato, uma decisão sem precedentes entre aliados.
França acusa EUA de ‘apunhalar’ o país pelas costas por causa de acordo militar com Reino Unido e Austrália
‘Profundas e graves reservas’
Poucas horas antes, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, rejeitou as acusações francesas de ter mentido sobre esse contrato de compra de submarinos.
“Acredito que tinham todas as razões para saber que tínhamos profundas e graves reservas sobre o fato de as capacidades do submarino de classe Attack não responderem aos nossos interesses estratégicos e deixamos muito claro que tomaríamos uma decisão em função de nosso interesse estratégico nacional”, declarou Morrison em coletiva de imprensa em Sydney.
Morrison disse que entendia a “decepção” do governo francês, mas afirmou que encontrou problemas com o acordo “há alguns meses”, assim como outros ministros do governo australiano.
Para o líder, teria sido uma “negligência” seguir adiante com o contrato, apesar de os serviços de inteligência e de defesa da Austrália terem sugerido a ele que estaria indo contra os interesses estratégicos do país.
“Não me arrependo da decisão de colocar o interesse nacional da Austrália em primeiro lugar. Nunca me arrependerei”, afirmou.
O ministro australiano da Defesa, Peter Dutton, disse neste domingo que seu governo foi “franco, aberto e honesto” com a França sobre suas preocupações com o acordo, que estava acima do orçamento e com anos de atraso.
Por sua vez, a nova ministra britânica das Relações Exteriores, Liz Truss, defendeu neste domingo a posição de Londres no acordo de defesa com os Estados Unidos e a Austrália.
Este acordo mostra o preparo do Reino Unido em “demonstrar firmeza na defesa de nossos interesses” e “nosso compromisso com a segurança e a estabilidade da região indo-pacífica”, escreveu Truss no Telegraph.
‘Quinta roda do carro’
Paris considerou inútil convocar sua embaixadora em Londres para consultas e ironizou, por meio de seu ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, sobre o “oportunismo permanente” do Reino Unido, classificando este país como “quinta roda do carro”.
Em seu artigo, a ministra britânica não faz referência às tensões com a França, mas destaca o slogan “Global Britain” sobre o lugar do Reino Unido pós-Brexit no mundo, que tanto defende o primeiro-ministro Boris Johnson.
No sábado à noite, em declarações à televisão France 2, Jean-Yves Le Drian afirmou que o caso dos submarinos desencadeou uma “crise grave”.
“Houve mentira (…), uma ambiguidade (…), uma grande quebra de confiança” e um “desprezo” por parte dos aliados da França, afirmou o ministro francês.
Le Drian também estimou que esta crise vai influenciar na definição do novo conceito estratégico da Otan, sem mencionar, porém, uma saída da Aliança Atlântica.
“A Otan iniciou uma reflexão, a pedido do presidente da República, sobre seus fundamentos. Haverá, na próxima cúpula da Otan em Madri, a conclusão do novo conceito estratégico. Obviamente, o que acaba de acontecer terá influência nesta definição”, disse Le Drian.
Na quinta-feira, Le Drian chamou o acordo de “uma facada nas costas” dada pelo governo de Joe Biden, e comparou o atual presidente dos EUA a seu antecessor, Donald Trump.
Por outro lado, o almirante Rob Bauer, presidente do comitê militar da Otan, afirmou que essa disputa não terá impacto na “cooperação militar” da aliança.
Rival dos EUA e em tensão com a Austrália, China criticou o acordo; veja VÍDEO abaixo
China critica fortemente acordo de segurança anunciado pelos EUA, Reino Unido e Austrália

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

A cidade que pegou fogo em apenas 15 minutos no mesmo dia em que o Canadá registrou quase 50°C


Lytton, no oeste do Canadá, viveu de perto os efeitos das temperaturas recordes no último verão canadense; caso se tornou emblemático em eleição nacional desta segunda (20). VÍDEO: Imagens mostram queimada que devasta vilarejo no Canadá
Bastaram 15 minutos para que Lytton pegasse fogo por completo.
Era o final do mês de junho, verão no hemisfério Norte, e a pequena comunidade no Estado da Colúmbia Britânica já estava no noticiário de todo o país, por registrar a temperatura mais alta já vista no Canadá: 49,6°C.
A moradora Meriel Barber lembra como o clima estava “quente demais para se descrever”.
“Eu comecei a levantar da cama às 4h da manhã para fazer coisas fora de casa, porque era impossível fazê-las no meio do dia”, ela conta.
Canadá registra centenas de mortes súbitas em meio a onda recorde de calor
Muita gente evitava sair às ruas por causa do calor, e Lytton ficou ainda mais calma do que se costume.
Apenas 250 pessoas moram na pequena vila, e as reservas indígenas ao seu redor abrigavam mais mil moradores. A pitoresca comunidade é localizada a 260 km ao noroeste de Vancouver, no ponto de encontro de dois rios, o Thompson e o Fraser.
Moradores descrevem o local como uma comunidade de laços próximos, imersa na história indígena. Era um lugar onde “todo mundo conhece todo mundo”, nas palavras de um deles.
Barber se mudara para lá havia uma década, e imediatamente se sentiu em casa.
“Encontrei um lugar onde me senti bem-vinda de muitas formas”, lembra. “Chamo-as (pessoas vizinhas) de família.”
Meriel Barber, moradora de Lytton há uma década, perdeu quase tudo no incêndio – inclusive recordações de seu filho, já falecido
MERIEL BARBER
No dia do incêndio, em 30 de junho, Barber estava focada em voltar para casa depois do trabalho quando viu uma chamas e fumaça vindo da cidade.
Incêndios são comuns nos verões da Colúmbia Britânica, então Barber não deu muita atenção, achando que as chamas logo seriam controladas.
Mas, depois de devolver seu veículo de trabalho e regressar à cidade, viu um carro de bombeiros passar disparando seu alarme e bloqueando a estrada. Um dos bombeiros lhe avisou que Lytton estava pegando fogo.
“Eu olhava para ele mas não conseguia entender o que ele dizia. Eu havia visto o fogo no caminho e não estava por todos os lados, estava em um só lugar”, ela conta.
No acostamento da estrada ao lado de outros moradores, Barber conseguiu fazer dois telefonemas antes que os celulares deixassem de funcionar. O primeiro foi para saber se alguns amigos idosos dela estavam em segurança. O segundo era para pedir que seu senhorio pegasse seu gato, dentro de casa – ela o havia trancado lá dentro para protegê-lo do calor externo.
Nas seis horas seguintes, ela esperou por notícias enquanto assistia a sua cidade incendiar.
Nesse intervalo, a moradora N’kixw’stn James, que passou a vida em Lytton, estava finalizando seu banho e assistindo TV quando um homem entrou em sua casa gritando: “você precisa sair daqui. Lytton está pegando fogo”.
Incêndio de enormes proporções destruiu vilarejo de Lytton, no Canadá, entre 30 de junho e 1 de julho
2 RIVERS REMIX SOCIETY / VIMEO.2RMX.CA via Reuters
James, de 76 anos, correu para o quarto e trocou seu pijama por roupas. Pegou uma sacola com itens para o caso de uma evacuação, agarrou sua bolsa, chaves do carro e celular, enquanto homem gritava para que ela saísse.
“Quando pisei fora de casa, vi uma tempestade de cinzas quentes”, ela recorda.
Ela correu para dentro do carro, e o volante estava tão quente que queimou sua mão.
“Comecei a dirigir para longe da minha casa. Passados alguns metros, ouvi uma explosão. Meu tanque de gás propano havia explodido.”
James seguiu dirigindo, tentando encontrar algum caminho seguro em meio à fumaça que bloqueava sua visão. Quando se abrigou, recebeu ajuda de uma enfermeira, que cuidou de seus braços, pernas e rosto – todos queimados pelas cinzas.
Incêndio devastou Lytton em questão de minutos; caso virou tema de campanha nas eleições canadenses
NONIE MCCANN
Do outro lado do rio Fraser, Nonie McCann assistia à devastação.
Ela havia recebido um telefonema de um vizinho por volta das 17h, perguntando se ela sabia de onde vinha a fumaça nos arredores de Lytton. Daí soube que a cidade estava em chamas, e um amigo lhe perguntou se ela e seu marido conseguiriam ajudar, erguendo uma espécie de estação de bombeamento de água.
“Ficamos devastados ao ver as casas inteiras sendo engolidas pelo fogo”, lembra. “Eram casas de pessoas que conhecíamos. Não tivemos sorte em começar a bombear água, e a fumaça era muito intensa. Então tivemos que voltar.”
Ela diz que vivenciou uma onda de emoções: “o horror absoluto diante do que eu estava vendo, imensa dor pela perda catastrófica, e preocupação, torcendo para que todos tivessem conseguido escapar em segurança”.
Sem conseguir ajudar, ela sentou e assistiu de sua margem do rio enquanto “edificação atrás de edificação era levada pelas chamas” e helicópteros jogavam água.
O mais difícil, diz ela, era não conseguir se comunicar com as pessoas. Em outras partes da Colúmbia Britânica, parentes de moradores de Lytton também esperavam ansiosamente por notícias.
Destroços do incêndio em Lytton, uma comunidade pequena e descrita como próxima e hospitaleira
REUTERS
Verna Miller soube do incêndio por seu marido, que havia assistido a tragédia pela TV.
O casal se conhecera em Lytton, e a irmã mais velha de Miller ainda morava na cidade. Uma prima que morava a 30 minutos de distância correu para a cidade para ajudá-la.
Quando a prima chegou, a irmã de Miller ainda não sabia que o incêndio estava devastando sua comunidade.
Ambas conseguiram sair a tempo de escapar do fogo que destruiu a casa e tudo lá dentro.
De volta ao acostamento da rodovia onde Meriel Barber aguardava, ela conseguiu que amigos a abrigassem em uma casa que havia sobrevivido ao fogo.
Ela passou os dias seguintes ali, sem acesso a água potável ou eletricidade, e usou um fogão de propano para cozinhar.
Ela soube, então, que sua casa havia sucumbido ao incêndio, com seu gato dentro.
MAPA – Onda de calor no Canadá e nos EUA, com recorde de temperatura em Lytton
G1 Mundo
90% da cidade foi destruída
Segundo Brad Vis, membro do Parlamento local, toda a tragédia se desenrolou em apenas 15 minutos de incêndio. No total, cerca de 90% da cidade foi destruída, e muitas das reservas de mata ao seu redor foram completamente queimadas.
Um casal idoso morreu.
Vis diz que se tratou de “uma situação sem precedentes – mesmo nesta nossa parte do mundo, onde incêndios ocorrem anualmente”.
“Alguns dos socorristas com quem falei me disseram que nunca tinham visto uma comunidade incendiar por inteiro como aconteceu em Lytton”.
O caso se tornou emblemático em meio a um verão de ondas de calor mortais e outros incêndios, colocando as mudanças climáticas no topo dos debates da eleição canadense desta segunda-feira (20/9), convocada pelo premiê liberal Justin Trudeau na tentativa de assegurar uma maioria no Parlamento – estratégia que pode fracassar, uma vez que seu partido enfrenta uma disputa acirrada com os conservadores.
Na campanha, candidatos diversos usaram a tragédia de Lytton como uma advertência sobre os efeitos do aquecimento global, enquanto as origens exatas do incêndio ainda são investigadas.
“O custo da inação (contra as mudanças climáticas) foi que uma cidade inteira acabou destruída por um incêndio florestal”, argumentou Jagmeet Singh, líder do partido social-democrata NDP.
Ondas de calor estão se tornando mais comuns e extremas por causa das mudanças climáticas induzidas pelo comportamento humano, e esse tempo quente e seco favorece incêndios.
O mundo já esquentou cerca de 1,2°C desde que começou a era industrial, e as temperaturas continuarão a subir se governos ao redor do mundo não fizerem cortes drásticos nas emissões de gases poluentes.
Leia mais:
Amazônia, e eu com isso?
Seca vai deixar alimentos ainda mais caros; entenda
Água da louça para regar plantação: ciência dá alternativas para agricultura sobreviver com seca e crise hídrica
Em Lytton, a comunidade deslocada agora tenta se reerguer – inclusive tentando fazer a nova vila mais resistente a incêndios e outros desastres naturais, e menos dependente em fontes externas de energia.
“Esta é uma oportunidade rara de criar uma comunidade com uma visão para o futuro: levando em conta eventos climáticos extremos, trabalhando em colaboração com povos indígenas e não indígenas”, argumenta Nonie McCann.
“Haverá enormes lutas e dificuldades a superar, mas, passo a passo, dia após dia, vamos celebrar nossa comunidade novamente.”
Meriel Barber, enquanto isso, está vivendo dentro de sua van. Ela conseguiu recuperar alguns itens dos destroços de sua casa – uma escultura, sua caixa de joias e um pequeno trailer -, mas quase todo o restante foi reduzido a cinzas.
“Tenho um filho que já morreu, e todas as recordações que eu havia guardado dele, (junto com) uma adorada colcha feita pela minha mãe e mais trabalhos artísticos feitos por mim ou por outras pessoas, tudo eu havia guardado com tanto cuidado ao longo dos anos – tudo isso se foi e não pode ser substituído”, ela lamenta.
Mas, apesar das “camadas de luto” vivenciadas com o incêndio, ela diz que, junto com a comunidade, está pensando no futuro.
“O lema é ‘Lytton forte’ e estamos olhando para a frente.”

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Boxeador Manny Pacquiao se declara candidato a presidente das Filipinas


‘Chegou o momento, estamos prontos para enfrentarmos o desafio’, declarou a estrela do boxe filipino de 42 anos. Imagem de 2016 de Manny Pacquiao
Erik De Castro/Reuters
O boxeador filipino Manny Pacquiao anunciou, neste domingo (19), sua candidatura à presidência de seu país nas eleições de 2022, encerrando meses de especulações sobre seu destino político.
“Chegou o momento, estamos prontos para enfrentarmos o desafio”, declarou a estrela do boxe filipino de 42 anos, que aceitou ser candidato de uma facção dissidente do partido do presidente Rodrigo Duterte.
Pacquiao, conhecido como “Pac Man”, é o único boxeador que foi campeão do mundo em oito categorias de peso diferentes, e é uma fonte inesgotável de orgulho para os filipinos.
Boxeador criticou corrupção e irritou presidente
Em julho, Rodrigo Duterte insultou Manny Pacquiao, após o boxeador ter se queixado da corrupção no governo e do relacionamento amistoso do presidente com a China.
“Quando você é um campeão de boxe, não quer dizer que é um campeão na política”, disse Duterte em uma entrevista coletiva. “Ele está choramingando”.
Pacquiao foi um dos maiores apoiadores de Duterte durante muito tempo.
Duterte perguntou por que o boxeador que virou parlamentar só estava falando de corrupção agora, e disse que ele deveria se concentrar em investigá-la. “Eu diria que você é um merda”, disse Duterte. “Comece a investigar. Cumpra primeiro sua tarefa como senador. Não se ausente”.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Recém-eleito prefeito de Joanesburgo morre em acidente de carro


Jolidee Matongo morreu no sábado (18) depois de participar de um evento eleitoral com o presidente sul-africano, um mês depois de ser eleito. Jolidee Matongo morreu em acidente de carro
Reprodução/Twitter
O prefeito de Joanesburgo, Jolidee Matongo, morreu no sábado (18) em um acidente de carro depois de participar de um evento eleitoral com o presidente sul-africano, um mês depois de ser eleito, informou seu governo.
Matongo, de 46 anos, retornava de uma campanha de registro de eleitores no bairro de Soweto antes das eleições, quando ocorreu o acidente.
“É difícil de entender esta tragédia, dada a vitalidade e a paixão com que o prefeito Matongo interagia comigo e com os moradores de Soweto tão pouco tempo antes de sua morte”, comentou o presidente Cyril Ramaphosa no Twitter.
O antecessor do prefeito morreu em julho por complicações de covid-19 e Matongo foi eleito em 10 de agosto.
Fotos publicadas nas redes sociais por Ramaphosa e pelo próprio Matongo mostraram os dois homens caminhando em Soweto e conversando com os moradores.
Matongo nasceu em Soweto, de acordo com o site da cidade de Joanesburgo, e se incorporou à juventude do partido Congresso Nacional Africano aos 13 anos de idade.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Bolsonaro embarca para NY e faz na terça-feira discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU

Presidente diz que não vacinou contra a Covid. Prefeitura de Nova York cobra comprovação de vacinação, mas secretário das Nações Unidas diz que não pode exigir isso. O presidente Jair Bolsonaro embarcou na manhã deste domingo (19) para Nova York, onde na próxima terça-feira (21) faz o discurso de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Será o terceiro discurso de Bolsonaro no evento desde a posse no cargo, em 2019. Por tradição — desde a 10ª Assembleia Geral, em 1955 — o presidente do Brasil faz o discurso de abertura. Desde então, somente em duas ocasiões o primeiro orador não foi um brasileiro (1983 e 1984).
Em Nova York, o acesso a vários locais públicos, como restaurantes ou instituições culturais, é condicionado à comprovação de vacinação contra a Covid. Bolsonaro costuma dizer que ainda não se vacinou, mas nunca deixou claro se não se vacinará. Ele já afirmou que não tomará vacina e também que será o último brasileiro a se vacinar. A Prefeitura de Nova York pretendia que os chefes de estado fossem obrigados a comprovar vacinação para entrar no prédio das Nações Unidas. Mas o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse que a entidade não tem como exigir isso (vídeo abaixo).
Bolsonaro está liberado para ir à ONU sem vacina, mas poderá ter dificuldade de frequentar outros locais de Nova York
No ano passado, a assembleia foi realizada em ambiente virtual em razão da pandemia de Covid. Pela primeira vez em 75 anos, em vez de se reunirem no mesmo plenário, os líderes mundiais enviaram vídeos gravados, que foram transmitidos durante a reunião.
Desta vez, a ONU definiu um formato híbrido para a 76ª edição da Assembleia Geral. Haverá declarações presenciais e outras gravadas – Bolsonaro optou por viajar para Nova York.
A resposta dos países à pandemia e a necessidade de preservação do meio ambiente devem estar na pauta dos principais discursos da Assembleia Geral deste ano.
O tema oficial do evento, divulgado pela ONU, é: “Construindo resiliência por meio da esperança – para se recuperar de Covid-19, reconstruir a sustentabilidade, responder às necessidades do planeta, respeitar os direitos das pessoas e revitalizar as Nações Unidas”.
Como Bolsonaro vai a Nova York sem se vacinar?
Discurso de Bolsonaro
O discurso do presidente Jair Bolsonaro está entre os que devem abordar a pandemia e o meio ambiente. Em transmissão ao vivo nas redes sociais, na última quinta-feira (16), Bolsonaro disse que a Covid-19 é um assunto “que ainda está presente no mundo todo”.
O presidente disse que terá reuniões bilaterais nos Estados Unidos e que a participação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, será “muito importante”.
Para esta segunda-feira (20), está previsto um encontro com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson.
“Vou fazer o discurso de abertura. Um discurso tranquilo, bastante objetivo, focando os pontos que interessam para nós. É um palanque muito bom para isso também, serve como palanque, aquilo lá. Vamos mostrar objetivamente o que é o Brasil, o que estamos fazendo na questão da pandemia — coisa que somos atacados o tempo todo não é? — bem como o agronegócio, a energia no Brasil”, afirmou o presidente na transmissão.
Indígenas
Em relação ao meio ambiente, Bolsonaro disse que usará o discurso para se manifestar contra a tese do “marco temporal” para demarcação de terras indígenas.
O Supremo Tribunal Federal (STF) julga se é válido o critério que prevê demarcação apenas para as terras comprovadamente ocupadas pelos indígenas na data da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988. Na última quinta-feira (16), com o placar em 1 a 1, o julgamento foi suspenso (vídeo abaixo) em razão de um pedido de vista (mais tempo para análise do processo) do ministro Alexandre de Moraes.
Após 2 votos, pedido de vista suspende julgamento no STF sobre demarcação de terras indígenas
De acordo com Bolsonaro, a derrubada do marco temporal resultará no aumento dos preços dos alimentos. O presidente diz que a alteração do critério do marco temporal fará crescer o número de terras indígenas demarcadas, o que, segundo ele, diminuiria a produção agrícola.
“O que eu devo falar? Algo nessa linha. Se o marco temporal for derrubado, tivermos que demarcar novas áreas indígenas, […] isso vai ter um impacto direto naquilo que se produz no campo, nas ‘commodities’ do campo, na agricultura e pecuária. A produção vai cair bastante”, declarou o presidente.
Relator do caso no STF, o ministro Edson Fachin votou contra o marco temporal. “Autorizar, à revelia da Constituição, a perda da posse das terras tradicionais por comunidade indígena, significa o progressivo etnocídio de sua cultura, pela dispersão dos índios integrantes daquele grupo, além de lançar essas pessoas em situação de miserabilidade e aculturação, negando-lhes o direito à identidade e à diferença em relação ao modo de vida da sociedade envolvente”, afirmou o relator.
Participações anteriores
O presidente Jair Bolsonaro estreou na Assembleia Geral da ONU em 2019 (vídeo abaixo). Ele falou sobre temas como preservação da Amazônia, soberania, socialismo, política externa, populações indígenas, Mercosul e conjuntura econômica.
Bolsonaro abre Assembleia Geral da ONU com discurso considerado agressivo
Na ocasião, Bolsonaro disse que tem “compromisso solene” com a preservação do meio ambiente e acusou líderes estrangeiros de ataque à soberania do Brasil. E que a Amazônia “praticamente intocada” era uma prova de que o Brasil é “um dos países que mais protegem o meio ambiente”.
Em 2020, Bolsonaro afirmou que o Brasil era “vítima” de uma campanha “brutal” de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal.
O presidente também disse que o Brasil tem a “melhor legislação” sobre o meio ambiente em todo o mundo e que o país respeita as regras de preservação da natureza (vídeo abaixo).
Bolsonaro aborda a produção agrícola e o desmatamento em cúpula da ONU
Para ele, a riqueza da Amazônia motiva as críticas que o país sofre na área ambiental. O presidente afirmou que entidades brasileiras e “impatrióticas” se unem a instituições internacionais para prejudicar o país.
Comitiva
Além do ministro da Saúde, integram a comitiva brasileira:
Carlos Alberto França, ministro das Relações Exteriores;
Anderson Torres, ministro da Justiça e Segurança Pública;
Paulo Guedes, ministro da Economia;
Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente;
Gilson Machado, ministro do Turismo;
Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência;
Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência;
Eduardo Bolsonaro, deputado federal;
Flávio Rocha, secretário especial de Assuntos Estratégicos da Presidência;
Nestor Forster, embaixador do Brasil nos Estados Unidos da América;
Ronaldo Costa Filho, representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas;
Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal;
Michelle Bolsonaro, primeira-dama;
Rodrigo de Bittencourt Mudrovitsch, convidado especial;
Paulo Angelo Liégio Matao, intérprete;
Claudia Chauvet, intérprete; e
Rachel Alves Bezerra, intérprete.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Cão com maiores orelhas e adolescente mais alto do mundo estão entre os recordes do Guinness 2022; veja VÍDEO

Famoso Livro dos Recordes apresenta sua nova edição com índices curiosos, como a recordista em maior número de pulos em uma corda feita com os próprios cabelos em 30 segundos e cão e gato mais rápidos em 5 metros em uma scooter. Guinness Book divulga recordes bizarros da edição 2022
Do cachorro com as orelhas mais longas ao adolescente mais alto do mundo, o Livro Guinness dos Recordes revela seus novos recordes na edição de 2022 do popular livro.
A publicação anual, lançada na quinta-feira (16), apresenta uma série de registros e feitos, incluindo o andar mais rápido com as mãos e o maior número de pulos em uma corda feita com os próprios cabelos em 30 segundos.
A britânica Bethany Lodge, ginasta desde jovem, obteve os títulos de giros mais rápidos de 100 metros para frente – em 42,64 segundos – e de mais cambalhotas para trás de uma mulher em 30 segundos – 5.
“É uma sensação incrível alcançar um título do Livro Guinness. É algo que eu nunca pensei em fazer. Eu sempre costumava pegar os livros quando era pequena e costumava lê-los e ver todas as coisas incríveis que as pessoas podiam fazer”, disse Lodge.
“Então é meio surreal saber que tenho um recorde e ver isso no livro”, acrescentou.
O americano Zion Clark, que nasceu sem pernas, conquistou o recorde de 20 metros mais rápidos de caminhada com as mãos, alcançando o feito em 4,78 segundos.
Laetitia Ky, da Costa do Marfim, estabeleceu o recorde de mais pulos em uma corda feita com os próprios cabelos em 30 segundos – 60. A modelo, atriz e artista de 25 anos é conhecida por fazer esculturas com seus cabelos.
“Para este novo recorde, Laetitia trançou seu cabelo natural e, em seguida, acrescentou extensões para formar a ‘corda’ que ela usaria para pular”, disse o Guinness em um comunicado. “Ela tentou quebrar esse recorde para inspirar outras pessoas a celebrar seus talentos”.
O título de adolescente vivo mais alto (masculino) foi para o americano Olivier Rioux, com 2,269 metros de altura.
Entre os animais, alguns recordes interessantes foram o de Canine Lou, cuja dona é a americana Paige Olsen, e que obteve o recorde de orelhas mais longas em um cão (vivo). Suas orelhas têm 34 cm de comprimento.
Além disso, a dupla cão e gato Lollipop e Sashimi, do Canadá, conquistou o recorde de cão e gato mais rápidos em 5 metros em uma scooter, com o tempo de 4,37 segundos.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Angela Merkel: conheça o legado e a trajetória da mulher que liderou a Alemanha por 16 anos e deixa o poder em breve


A mulher mais poderosa do mundo deixa o cargo de primeira-ministra após as eleições de 26 de setembro, que definirão seu substituto. Angela Merkel: a trajetória política
Quando começou a se destacar na política alemã, em 1991, ao ser indicada para o cargo de ministra da Mulher e da Juventude, a até então deputada Angela Merkel passou a ser ironicamente chamada de “a menina de Kohl”, por ser considerada meramente uma protegida do primeiro-ministro Helmut Kohl.
Trinta anos depois, está prestes a deixar o posto de primeira-ministra após somar 16 anos em quatro mandatos, como a dirigente mais longeva da Europa, acumulando dez títulos de “mulher mais poderosa do mundo”, atribuídos nos últimos dez anos seguidos pela revista Forbes. A mesma revista a apontou duas vezes como a “pessoa mais poderosa do mundo”, sendo a única mulher a conseguir o feito.
Em 2015, foi escolhida “Pessoa do ano” pela Time, que a chamou de “Chanceler do Mundo Livre”.
“Os líderes são testados apenas quando as pessoas não querem segui-los. Por pedir mais de seu país do que a maioria dos políticos ousaria, por permanecer firme contra a tirania, bem como a conveniência, e por garantir liderança moral inabalável em um mundo onde ela é escassa, Angela Merkel é a Personalidade do Ano da Time”, justificou a revista.
Em recente pesquisa feita em seis países (Alemanha, EUA, Reino Unido, Itália, Espanha e França), Merkel obteve índices mais altos de aprovação do que qualquer outro líder mundial, chegando a 61 pontos na Espanha – ficando à frente de Joe Biden e Justin Trudeau, os outros únicos que também não receberam avaliações negativas em nenhum dos países.
Mosaico com fotos da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, em suas mensagens televisivas anuais de Ano Novo, ao longo de seu mandato, de dezembro de 2005 a dezembro de 2020
Reuters/Staff/File Photos
Alemanha Oriental e Comunismo
Primeira mulher a ocupar o cargo – e também a pessoa mais jovem a assumi-lo, aos 51 anos – Merkel se tornou premiê da Alemanha em 2005, depois de ter sido a primeira mulher a liderar seu partido, a CDU (União Democrática Cristã, na sigla em alemão), e a oposição no Parlamento. Ela também foi a primeira pessoa criada na Alemanha Oriental a liderar o país unificado.
Angela Dorothea Kasner nasceu em 17 de julho de 1954, filha de um pastor luterano e uma professora de inglês e latim. Seus pais, ela e mais dois irmãos se mudaram para Berlim Oriental quando ela tinha três meses de idade.
Por sua criação na Alemanha Oriental, Merkel ingressou na Juventude Alemã Livre, o movimento comunista oficial do Partido Unido Socialista da Alemanha, e participou de uma série de cursos obrigatórios de marxismo-leninismo. Na escola, aprendeu a falar russo fluentemente e chegou a ganhar prêmios por seu desempenho no idioma.
Ela se destacou também ao estudar física na Universidade Karl Marx, em Leipzig, e obteve ainda um doutorado em química quântica. Seu sucesso acadêmico rendeu a oportunidade de viajar à Alemanha Ocidental – algo raramente permitido na época, e também um curso em Donetsk, na então república soviética da Ucrânia.
A Rússia desempenhou também um importante papel na vida pessoal de Angela: foi lá que, em um intercâmbio estudantil em 1984, já divorciada de seu primeiro marido, Ulrich Merkel – com quem ficou de 1977 a 1982 e manteve o sobrenome – conheceu o atual marido Joachim Sauer, com quem se casou em 1998.
Angela Merkel: líder da Europa
Política
Mas, embora envolvida com atividades ligadas ao comunismo, Merkel nunca se sentiu especialmente atraída pelo movimento político, e chegou inclusive a se recusar a colaborar com o governo durante o período universitário. Suas conexões comunistas seriam mais justificadas pelo fato de viver no lado Oriental de Berlim e conseguir, através delas, acesso a melhores oportunidades acadêmicas.
Em 1989, um mês após a queda do Muro de Berlim, no entanto, a jovem Angela se filiou ao recém-criado partido Despertar Democrático, criado a partir de grupos políticos de igrejas e ativo na luta pela unificação do país.
No ano seguinte, se transferiu à CDU, seu partido atual, e se tornou membro do Parlamento, para o qual foi reeleita sete vezes desde então. Em 1991, foi indicada ao Ministério da Mulher e da Juventude – na fase da “menina de Kohl”, – e em 1994 foi promovida ao mais destacado Ministério do Meio Ambiente, Conservação Natural e Segurança Nuclear.
O ‘losango’ de Angela Merkel, um gesto que se tornou icônico
Em apenas dez anos, ela chegou ao cargo de presidente da CDU, que ainda ocupa e que deixará em setembro. Em 2002 se tornou líder da oposição o Parlamento e em 2005 assumiu pela primeira vez a posição de primeira-ministra da Alemanha, após vencer as eleições de 18 de setembro daquele ano por apenas 1% e seu partido fazer um acordo com os social-democratas do SPD.
O ex-primeiro-ministro alemão Gerhard Schroeder transmite o cargo à recém-eleita premiê Angela Merkel, em foto de 22 de novembro de 2005
Michael Hanschke/DPA via AFP
Em 27 de setembro de 2009, foi reeleita para um segundo mandato de forma mais tranquila, com seu partido conquistando a maioria parlamentar e formando um governo de coalizão com a CSU e o Partido Democrático Livre (FDP).
A terceira eleição veio em 2013, quando a CDU teve seu melhor resultado desde a reunificação das Alemanhas e se tornou o partido mais forte do país. O nome de Merkel foi confirmado no Parlamento por 462 votos a 150, com nove abstenções.
Os quatro mandatos de Angela Merkel, premiê da Alemanha, em FOTOS
Em 2017, sua quarta e última eleição, entretanto, foi a mais difícil. Com a imagem desgastada pela crise dos refugiados na Europa, e pelo papel central da Alemanha no tema, não foi simples conseguir uma coalizão após o SPD anunciar a intenção de se tornar oposição. No final, o partido reconsiderou, após quase seis meses de negociações, mas a aliança CDU, CSU e SPD se tornou instável.
Como primeira-ministra, ganhou um novo apelido: “Mutti”, uma forma antiga em alemão para “mamãe”. A alcunha mais uma vez teve uma origem sarcástica, mas foi também abraçada por seus admiradores, que a empregaram carinhosamente quando Merkel “salvou” a Alemanha de dificuldades ao longo de seus quatro mandatos.
Angela Merkel e outros líderes mundiais
Legado
E não foram poucas as dificuldades.
Ralph Bollmann, biógrafo de Merkel, disse à Deutsche Welle acreditar que a chanceler gostaria de se ver “como a mulher que conduziu a Alemanha através de muitas crises – crise financeira, crise do euro, crise da Ucrânia, crise dos refugiados – relativamente segura e tem preservado a estabilidade do sistema até certo ponto, além de tornar o país e o partido mais liberais, mais abertos”.
Grande defensora não apenas de seu país, mas também de uma forte União Europeia – e por isso contrária ao Brexit e extremamente firme nas negociações de medidas de ajuda a países endividados, como a Grécia – ela é vista como a líder “real” da Europa e a maior responsável pela unidade do continente.
Adotando uma política de centro-direita, mas flexível às necessidades e opiniões dos alemães, ela foi criticada pela esquerda por medidas econômicas consideradas austeras – mas as quais, segundo economistas, ajudaram a salvar o euro e manter a Alemanha relativamente segura durante a grande crise financeira mundial de 2008.
Mas também enfrentou a fúria da direita com medidas como a liberação do casamento entre pessoas do mesmo gênero, os investimentos em energias renováveis e o abandono da energia nuclear – embora, como física, fosse antes uma defensora do modelo (a mudança aconteceu após o acidente de Fukushima, no Japão) – e, principalmente, ao abrir as portas do país para receber mais imigrantes do que qualquer outra nação na Europa, em 2015.
Imigrantes
“Wir schaffen das” (“nós podemos fazer isso”), disse Merkel ao Parlamento em agosto de 2015, quando apresentou pela primeira vez seu ambicioso plano migratório. Na época, a Europa lidava com sua maior crise migratória desde a Segunda Guerra Mundial e muitos países tornavam suas fronteiras cada vez mais inacessíveis.
A chanceler alemã Angela Merkel durante coletiva de imprensa em junho de 2018
Hannibal Hanschke/Reuters
Vizinhos da Alemanha, como a Hungria de Viktor Orban, se tornaram exemplos de intolerância a migrantes, especialmente sírios, fugindo da guerra civil em seu país.
A frase de Merkel, usada posteriormente em diversos outros discursos, se transformou em uma espécie de bordão para justificar que a Alemanha, pelo contrário, aceitaria essas pessoas, forneceria a elas segurança, auxílio e, na medida do possível, a chance de começar uma nova vida.
No final de 2019, a Alemanha era o país europeu que mais abrigava refugiados no continente, com quase 1,15 milhão deles (metade vinda da Síria), além de 309 mil solicitantes de asilo, segundo dados da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
De acordo com o Centro para Desenvolvimento Global, apenas em 2015 e 2016, o país recebeu mais de um milhão de refugiados, sendo mais de 500 mil no primeiro ano e 750 mil no segundo. E, cinco anos depois, mais da metade deles estava empregada.
Mas nem tudo foi simples. Apesar de elogios internacionais e apoio de grande parte da população alemã, uma onda de xenofobia se instalou.
Incidentes como um ataque a mulheres durante uma festa de Ano Novo em Colonia, do qual participaram diversos imigrantes, fomentaram discursos anti-imigração, instigados sobretudo por membros de grupos de extrema-direita.
A xenofobia foi também o combustível para o crescimento do Alternativa para a Alemanha (AfD), fundado em 2013 como um partido contra os planos da União Europeia para resgatar a Grécia e salvar o euro, mas que passou a destacar posições contrárias a entrada de imigrantes e à disseminação do islamismo no país em sua plataforma.
Covid
No início da última grande crise com a qual teve que lidar – esta de alcance mundial – a popularidade de Merkel já não estava em um de seus melhores momentos. Quando a Alemanha passou a sofrer com o crescimento dos casos de Covid-19, porém, sua postura franca foi considerada um ponto positivo pelos alemães.
O CEO e co-fundador do BioNTech, Ugur Sahin, e a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, visitam a área de produção de vacina contra Covid-19 do laboratório em Marburg, no dia 19 de agosto
Arne Dedert/Pool via Reuters
Como cientista, ela também se preocupou em manter a população bem informada, seguir à risca as orientações de especialistas e combater a divulgação de boatos. Mas, como muitos outros líderes, tem sido obrigada a lidar com negacionistas e ativistas antivacina.
Ainda assim, está prestes a deixar o governo com uma taxa de mais de 63% da população alemã já vacinada, embora com uma taxa de contágio ainda em alta, especialmente devido à variante delta do coronavírus.
Sucessor
Mas após tantos anos no poder e com tantos serviços prestados, a previsão é de que Angela Merkel vai deixar o cargo sem cumprir a última tarefa da forma como gostaria. Parece cada vez mais difícil que ela consiga ver o candidato de seu partido, Armin Laschet, como seu sucessor.
As pesquisas apontam como favorito Olaf Scholz, do Partido Social Democrata (SPD), atual vice-chanceler e ministro da Economia.
Laschet aparece em segundo e nem mesmo a entrada direta de Merkel na campanha parece ter ajudado. Em um recente discurso, a primeira-ministra disse que ele lideraria um governo que defende “estabilidade, confiabilidade, moderação e o meio-termo – e é exatamente isto que a Alemanha precisa”, e ainda afirmou que Scholz depende do apoio do Die Linke, um partido de extrema-esquerda.
Chanceler alemã, Angela Merkel, cumprimenta o governador da Renânia do Norte-Vestfália e candidato a seu sucessor, Armin Laschet, em Duesseldorf
Martin Meissner/AP
O próprio Laschet, no entanto, também não se ajuda muito. Em um episódio que arranhou profundamente sua imagem, ele foi flagrado rindo ao visitar uma região afetada pelas enchentes que causaram mais de 100 mortes no país este ano. Pediu desculpas, mas o estrago estava feito.
De qualquer forma, imprensa e analistas políticos alemães e estrangeiros parecem praticamente unânimes em um ponto. O problema maior não é Laschet, mas a própria Merkel. Ou, melhor dizendo, sua imensa sombra: tanto o candidato do SPD quanto o da CDU, ou a do Partido Verde, Annalena Baerbock, terão pela frente, seja quem for o eleito, a missão de suceder a mulher mais poderosa do mundo.
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo