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Os quatro mandatos de Angela Merkel, premiê da Alemanha, em FOTOS


Primeira-ministra alemã se despede do cargo em breve, após 16 anos no poder. Veja imagens de sua carreira política. A primeira-ministra alemã Angela Merkel ao longo de sua carreira política, entre os anos de 1991 a 2016
DPA via AFP/Arquivo
O ex-primeiro-ministro alemão Gerhard Schroeder transmite o cargo à recém-eleita premiê Angela Merkel, em foto de 22 de novembro de 2005
Michael Hanschke/DPA via AFP
Chanceler alemã, Angela Merkel encara o presidente dos EUA, Donald Trump, durante cúpula do G7 em junho de 2018
Jesco Denzel/Bundesregierung/cortesia via Reuters
A chanceler alemã, Angela Merkel, gesticula enquanto conversa com o presidente dos EUA, Barack Obama, do lado de fora do castelo Elmau em Kruen, Alemanha. Líderes do G7, os sete países mais ricos se comprometeram com agenda climática em cúpula na Bavária em junho de 2015
Michael Kappeler/pool via Reuters
Koni, o cão labrador do presidente russo Vladimir Putin, entra na sala onde seu dono se reúne com a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, em foto de 21 de janeiro de 2007. O gesto de Putin foi criticado por ser notório que Merkel tem fobia a cães
Dmitry Astakhov/Itar-Tass/Presidência da Rússia via AFP/Arquivo
A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em foto de maio de 2018
Kirill Kudryavtsev/AFP
O ex-chanceler alemão Helmut Kohl ao lado de Angela Merkel, em foto de 3 de outubro de 2010
Markus Schreiber/AP/Arquivo
A premiê alemã, Angela Merkel, fala durante coletiva de imprensa sobre o coronavírus antes de se isolar por ter tido contato com médico infectado, em março de 2020
Michael Kappeler/AP
Líderes do G7 posam para ‘foto de família’ da cúpula em Cornwall, na Inglaterra, em junho de 2021. Da esquerda para a direita: Justin Trudeau (primeiro-ministro do Canadá), Charles Michel (presidente do Conselho Europeu), Joe Biden (presidente dos EUA), Yoshihide Suga (primeiro-ministro do Japão), Boris Johnson (primeiro-ministro do Reino Unido), Mario Draghi (primeiro-ministro da Itália), Emmanuel Macron (presidente da França), Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia) e Angela Merkel (chanceler da Alemanha)
Phil Noble/pool via AP
Angela Merkel, chanceler da Alemanha, ajusta máscara após conferência em Berlim em outubro de 2020
Fabrizio Bensch/Pool/Reuters
A chanceler alemã Angela Merkel é vista com uma máscara facial durante visita à Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso da Alemanha, em Duesseldorf, em agosto de 2020
Martin Meissner/AP
A chanceler alemã, Angela Merkel, visita o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, em Oswiecim, na Polônia, ao lado do premiê polonês, Mateusz Morawiecki (2º à direita), e pelo diretor do Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau, Piotr Cywinski (à esquerda), em dezembro de 2019
Janek Skarzynski/AFP
Chanceler alemã, Angela Merkel, ao lado do marido, Joachim Sauer, em evento dos 30 anos da queda do Muro de Berlim em novembro de 2019
Michele Tantussi/AFP
Angela Merkel e Eberhard Zorn , general das Forças Armadas, durante homenagem ao homem que organizou uma conspiração contra Hitler, em julho de 2019
John MacDougall/AFP
O presidente Jair Bolsonaro, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi em encontro do G20 em junho de 2019
Brendan Smialowski/AFP
Angela Merkel no momento em que teve um tremor ao lado do presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, durante cerimônia em Berlim em junho de 2019
Michael Sohn/AP
Detalhe das mãos da primeira-ministra Angela Merkel, da Alemanha, durante seu segundo episódio registrado de tremedeira, em cerimônia oficial em Berlim, em junho de 2019
Reprodução/Reuters TV
O presidente americano, Donald Trump, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, participam das celebrações pelo ‘Dia D’ em Portsmouth, na Inglaterra, em junho de 2019
Carlos Barria/Reuters
A chanceler alemã Angela Merkel bebe um coquetel com gelo seco criado por jovens estudantes da Universidade Junior em Wuppertal, na Alemanha, em maio de 2019
Wolfgang Rattay/Reuters
Chanceler da Alemanha, Angela Merkel e o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier, entre outras autoridades, participam de cerimônia que marca o 75º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, no memorial Neue Wache, em Berlim, em outubro de 2020
Hannibal Hanschke/AFP
Bonecos de madeira representam a primeira-ministra alemã Angela Merkel fazendo seu tradicional gesto com as mãos, em uma fábrica de artesanato em Seiffen, na Alemanha, em foto de 20 de agosto
Christof Stache/AFP

Fonte: G1 Mundo

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‘O momento em que perdi a pessoa que mais amava para o QAnon’


Rede de teorias da conspiração completamente infundadas tem abalado famílias e amizades; ‘minha mãe faz parte de uma seita da morte’, lamenta uma americana. ‘O momento em que perdi a pessoa que mais amava para o QAnon’
Getty Images/BBC
Era janeiro de 2021 quando o filho de 14 anos de Nicole Lauber a levou ao pronto-socorro de um hospital. Horas antes, Nicole estava passeando de carro em sua pequena cidade natal no Estado do Kansas, quando começou a ter palpitações e seu braço e rosto ficaram dormentes.”Eu pensei que estava tendo um ataque cardíaco.”
Nicole teve um ataque de pânico depois de 10 meses vendo sua mãe sendo tragada para um mundo de teorias da conspiração. Especificamente, o QAnon — um movimento em expansão que inspirou protestos, abalou famílias e amizades e continua a encontrar novos seguidores online.
Os médicos do hospital disseram a Nicole que entendiam bem o que ela estava sofrendo. Eles também tinham ouvido falar do QAnon, que varreu as cidades pequenas de seu Estado.
QAnon é uma teoria ampla e completamente infundada de que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, estaria travando uma guerra secreta contra pedófilos adoradores de Satanás de elite no governo, no empresariado e na imprensa.
A conspiração surgiu no site de mensagens online 4Chan em 2017, com postagens atribuídas a alguém que afirmava ser um insider do governo com autorização de segurança de nível “Q” ultrassecreto. Usando o pseudônimo “Q”, essa pessoa dizia estar vazando informações sigilosas.
Muitos seguidores do QAnon acreditam que a posse do presidente Joe Biden foi falsa e que Trump logo será reintegrado como líder. Na era da Covid, alguns seguidores também acreditam que as vacinas estão sendo desenvolvidas pelos ricos para controlar as mentes das massas.
Os seguidores acham que esses segredos um dia serão revelados ao grande público e levarão a um ajuste de contas, culminando na prisão e execução de pessoas importantes, como a ex-candidata presidencial democrata Hillary Clinton.
Para Nicole, o QAnon é completamente estapafúrdio. Mas, para sua mãe, as teorias eram fatos concretos e, ao se recusar a acreditar nisso, sua filha estava optando por ficar do lado de uma “cabala” do mal. Embora não fossem próximas quando ela era jovem, as duas passaram a ter um relacionamento caloroso nos últimos anos, depois que Nicole virou mãe.
“Ela foi uma avó maravilhosa”, disse Nicole. “Ela me apoiou muito. Quando eu entrava em colapso mental com o bebê chorando a noite toda, ela dizia, ‘venha ficar comigo por algumas semanas’, e ela sempre estava lá me ajudando com meus filhos”.
Quando Nicole começou a cursar a universidade, sua mãe se gabava para as amigas de como estava orgulhosa. Era o relacionamento que Nicole sempre sonhara. Então, no ano passado, a mãe de Nicole assistiu a um filme que acusa a imprensa de manipulação generalizada.
“E foi isso. Ela entrou instantaneamente neste mundo QAnon.”
Nicole inicialmente tentou aceitar as novas crenças de sua mãe. Quando sua mãe mandava um artigo e perguntava o que ela achava, Nicole lia e tentava refutá-lo de maneira respeitosa. Embora ela achasse que os artigos que estava recebendo eram “malucos”, ela não percebeu de imediato no que sua mãe estava se afundando.
Então, um dia no ano passado, sua mãe lhe enviou um artigo com uma lista de mais de 100 celebridades que se opunham ao então presidente Trump. Essas celebridades, afirmava o artigo, seriam presas e executadas ao vivo na TV.
“Eu falava ‘por que você quer isso’? Por que você sequer iria querer ver algo assim?”, diz Nicole.
A mãe de Nicole respondeu que as celebridades listadas, como Beyoncé e Ellen Degeneres, “cultivam” sangue de crianças para manter sua juventude e energia.”Foi quando eu soube que ela fazia parte de uma seita. Uma seita da morte.”
Por que as pessoas se perdem em conspirações
Embora seja difícil de medir o apoio ao QAnon, um em cada cinco americanos disse acreditar em alguns de seus princípios, de acordo com uma pesquisa recente do instituto Public Religion Research Institute.
Pessoas de diferentes origens podem ser levadas a acreditar em teorias de conspiração. Segundo os especialistas, o que elas têm em comum é que muitas vezes procuram preencher um vazio em suas vidas.
“As teorias da conspiração tendem a ser particularmente proeminentes em tempos de crise”, disse a professora Karen Douglas, psicóloga social da Universidade de Kent, que se especializou em psicologia das teorias da conspiração.
“As pessoas estão procurando explicações que as ajudem a lidar com situações difíceis quando há muita incerteza e informações contraditórias. Elas também podem estar procurando por respostas simples que as façam se sentir melhor, e as teorias da conspiração podem parecer oferecer essas respostas simples.”
‘O momento em que perdi a pessoa que mais amava para o QAnon’
Getty Images/BBC
As pessoas recorrem a essas teorias “quando necessidades psicológicas importantes são insatisfeitas ou frustradas”. Eles podem precisar se sentir bem informados, ou as teorias podem dar-lhes uma sensação de segurança e proteção, disse ela.
Estudos feitos por cientistas políticos também encontraram semelhanças entre como funcionam as comunidades políticas e as teorias da conspiração. Por exemplo, os republicanos nos EUA têm maior probabilidade de acreditar em teorias de conspiração sobre o governo quando um democrata é presidente e vice-versa. QAnon é um pouco diferente, pois é uma teoria da conspiração de direita que floresceu sob um presidente republicano.
Para parentes, ver isso acontecer de fora com entes queridos, pode ser devastador.
“As pessoas costumam entrar em contato comigo para falar sobre parentes seus que foram ‘perdidos’ para as teorias da conspiração”, diz Douglas. “Muitas vezes me perguntam o que podem fazer para ‘reencontrar’ seu amigo ou ente querido”.
‘Ele acha que há um rastreador do governo na vacina’
Às vezes, as pessoas também caem nessas teorias por razões sociais, tentando encontrar uma sensação de comunidade que se perdeu.
Em meio à pandemia de Covid-19, que empurrou bilhões de pessoas ao redor do mundo para o isolamento, nasceu uma nova linha de teorias da conspiração — aquelas que afirmavam que o vírus era uma farsa e que as vacinas foram desenvolvidas para permitir que os poderosos controlassem as mentes das massas.
Para Lauren*, a obsessão de seus pais por QAnon significa que eles não comparecerão a seu casamento neste ano.
“Eu tive uma criação muito religiosa, meus pais são cristãos evangélicos e eles aderiram muito a isso”, disse Lauren à BBC. “Posteriormente, eles se desviaram do aspecto religioso, mas ainda queriam aquele senso de comunidade, e eles acharam isso em outro lugar”.Em 2016, o pai de Lauren se interessou pela notícia falsa que ficou conhecida como “Pizzagate”, uma teoria da conspiração que afirmava que Hillary Clinton dirigia uma quadrilha de pedofilia baseada no porão de uma pizzaria específica em Washington DC. A teoria levou um homem a disparar um rifle dentro do restaurante em dezembro de 2016.
Agora, o pai de Lauren acredita que as vacinas da Covid são “rastreadores do governo que vão matar todos nós”. O noivo de Lauren está em grupo de risco para Covid, por isso ela insiste que todos no casamento estejam vacinados. Ela sabia que essa seria uma conversa difícil que ela teria que ter com seus pais.
“Eu conversei com minha mãe sobre isso (…) minha mãe é apenas mais desinformada, e eu acho que ela é mais receptiva.” Ela esperava que seus pais estivessem dispostos a fazer concessões e não perdessem aquele que seria um dos dias mais importantes da vida de sua filha. Mas suas esperanças foram frustradas.
A mãe disse a ela: “Eu entendo o seu lado, mas não vamos ser vacinados.”
Ataque ao Capitólio
Na manhã de 6 de janeiro, Nicole notou uma postagem enigmática de sua mãe no Facebook. Ela não tinha ideia sobre o que ela estava se referindo, mas algo a deixou perturbada. Ao contrário das postagens longas e confusas habituais de sua mãe, esta mensagem continha apenas uma frase: “Espere pelo show”, seguida por emojis de bomba.
Mais tarde naquele dia, Nicole viu no noticiário que uma multidão pró-Trump estava invadindo o Capitólio em Washington, a capital americana. Foi uma das coisas mais chocantes que ela já tinha visto na sua vida.
‘O momento em que perdi a pessoa que mais amava para o QAnon’
Getty Images/BBC
“Ela sabia de algo?” Nicole se perguntou. “Pensando retroativamente… ela sabia de algo por causa de seus grupos, que algo estava para acontecer?”
Cerca de 500 suspeitos foram presos, e uma investigação sobre o que aconteceu naquele dia está em curso.
De acordo com relatórios recentes, uma investigação ampliada vai examinar se a Casa Branca de Donald Trump esteve envolvida no planejamento ou tinha conhecimento prévio sobre a invasão.
‘O momento em que soube que meu melhor amigo tinha ido embora’
Quando eram adolescentes crescendo em Pensacola, na Flórida, Will e Zak eram inseparáveis. “Eu consideraria Zak meu melhor amigo”, disse Will Phillips, agora na casa dos 30 anos, à BBC. Ele até passou um tempo morando com Zak quando seus próprios pais estavam brigados. “Eu tenho um vínculo quase além das palavras com ele.”
Os dois seguiram próximos na idade adulta, mas por volta da época da eleição presidencial de 2016, Zak começou a enviar mensagens enigmáticas em seus grupos — coisas como: “Você deveria tomar uma pílula vermelha — você quer tomar uma pílula vermelha?” — algo que não fazia nenhum sentido para Will.
Politicamente, Will achava que ambos tinham ideias liberais. Mas depois que Trump ganhou a eleição de 2016, Will percebeu que Zak e outro amigo, Jimmy, ficaram, como ele mesmo disse, “um pouco mais descontrolados”.
“Tornou-se uma espécie de piada entre nosso grupo de amigos que suas opiniões eram meio extremas — mas não levamos isso tão a sério”, disse ele. Mas logo foi difícil ignorar que suas opiniões estavam se tornando cada vez mais não apenas excêntricas, mas sinistras.
“Hoje em dia eu tenho muito medo deles”, disse Will.
As coisas realmente mudaram em 2020, quando o país já fortemente polarizado enfrentou o coronavírus. A pandemia de Covid-19 causou a pior desaceleração econômica do mundo desde a Grande Depressão de 1929, e durante grande parte do ano os EUA foram o epicentro do problema.
Ao mesmo tempo, a campanha para as eleições presidenciais polarizou os EUA ainda mais — e depois que Trump perdeu a eleição para Joe Biden em novembro, ele acusou seu oponente, sem provas, de fraudar a eleição.
Houve uma batalha legal, mas Trump foi derrotado em tribunais de diversos Estados.
‘O momento em que perdi a pessoa que mais amava para o QAnon’
Getty Images/BBC
Pouco depois da eleição, Will e Zak discutiram sobre os resultados.
Zak argumentou que o pleito tinha sido roubado de Trump e inundou Will com mensagens afirmando que Trump seria reinstaurado como o presidente legítimo, citando “evidências” de que uma conspiração satânica o estava mantendo fora do cargo. Ele até mencionou o “Pizzagate”.
“Zak ainda acredita que há crianças naquele porão (do restaurante em Washington)”, disse Will.
Ele tentou argumentar com Zak, mas quanto mais resistia, mais intensas as mensagens de Zak se tornavam. “Ele estava me insultando e me dizendo que eu sou mentiroso, que estou ‘ajudando a transformar este país em um regime comunista’ — eu nem sei o que isso significa!”
Quando Will disse a Zak que tinha votado em Joe Biden, Zak o chamou de traidor.
“Sinceramente, foi como um soco no estômago — como se minha mãe ou meu pai tivessem me dito isso”, disse Will. “Crescemos juntos, vimos nossos pais se divorciarem, vivemos juntos na pobreza … e agora ele está me dizendo que sou um traidor.”
Will e Zak não se falam mais. Will se lembra do último ano de sua amizade: “Talvez seja por isso que continuei ouvindo o que ele dizia, só para ver se havia uma forma de recuperá-lo.”
Will também revelou que seu ex-amigo Jimmy foi visto em um vídeo participando da invasão do Capitólio.
Ele denunciou o vídeo ao FBI.
‘Eu reúno as vítimas do QAnon’
Jitarth Jadeja, de 33 anos de Sydney, Austrália, passou 18 meses mergulhado nas teorias de QAnon. Ele só pensava nelas, até que ficou impossível conversar com qualquer pessoa, mesmo com sua família, sobre qualquer outro assunto que não fosse o QAnon.
Isso até que um dia, em junho de 2019, ele finalmente deu um “reboot” na sua vida.
Na época, ele havia iniciado um curso de tratamento para um problema de saúde mental. Aos poucos as coisas estavam ficando mais claras para ele.
“Eu estava sentado na frente do meu computador … e pensei: ‘O que eu faço agora … eu estou errado. Isso é o principal, eu estou errado.'”
À medida que sua saúde mental foi melhorando, e ele foi se acostumando com a vida pós-QAnon, ele refletiu sobre o efeito devastador que os últimos 18 meses haviam tido em sua família. Ele postou sobre suas experiências no Reddit: “meio que derramei todos os meus sentimentos e emoções”. Ele esperava ser “dilacerado”, mas, disse ele, “aconteceu o exato oposto”.
Jitarth passou 18 meses pensando e lendo apenas sobre QAnon
Arquivo pessoal/Jitarth Jadeja/BBC
“Foi como se as pessoas lá me dessem permissão em nome da sociedade, tipo, ‘você errou, mas está tudo bem, você é humano’. Eles me deram permissão para reconquistar um pouco de dignidade e respeito próprio. Se eles não tivessem feito isso, eu não sei o que teria acontecido, eu não estaria aqui.”
Cerca de um mês depois, ele descobriu um novo fórum no Reddit para ajudar a apoiar pessoas cujos entes queridos haviam sido radicalizados pelo QAnon. Ele começou a postar sobre suas experiências lá. De acordo com Jitarth, havia apenas cerca de 400 usuários quando ele entrou, há dois anos. Agora, há mais de 180 mil.
Depois de um tempo, por causa de toda a ajuda e apoio que Jitarth deu às pessoas no fórum, ele foi nomeado moderador, uma função que ainda mantém. Acima de tudo, ele deseja dar às pessoas a esperança de que seus entes queridos, como ele, voltem a ser normais.
Nicole, no entanto, tem poucas esperanças.
“Eu nunca conheci meu próprio pai, então a única pessoa que estava realmente presente na minha vida não está mais. Estou passando pelo processo de luto de perder minha mãe sem que ela tenha morrido. E eu simplesmente não vejo como tê-la em minha vida mais”, lamenta.
*Alguns nomes foram alterados
Imagens de Angelica Casas.
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Fonte: G1 Mundo

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Quando a raiva impulsiona funcionários a largar seus empregos


Pedir demissão em um momento de fúria pode parecer algo extremo – mas muitas vezes existem motivos poderosos por trás disso. Quando a raiva impulsiona funcionários a largar seus empregos
Getty Images/BBC
Estava um calor sufocante dentro da casa noturna onde Alexander trabalhava como DJ, no Estado norte-americano da Virgínia. Mesmo com temperatura de mais de 40 °C no lado externo, o ar-condicionado da casa estava quebrado. A sensação de calor e umidade era ainda maior porque a casa estava promovendo um evento espacial – uma festa de espuma que tinha Pokémon como tema -, e mais de 400 participantes estavam se divertindo com as bolhas.
“Eu literalmente tinha compressas de gelo no pescoço para não desmaiar”, relembra Alexander, agora com 35 anos, sobre o evento de 2016. O calor também estava prejudicando o seu equipamento e ele decidiu dar um basta. Alexander pegou o microfone para que todos pudessem ouvir e repreendeu o dono da casa noturna por mentir sobre o conserto do ar-condicionado e pelas condições que estavam fritando seu equipamento. “Chega”, disse ele, e saiu correndo.
Muitos de nós imaginamos abandonar um emprego ruim dessa forma tão dramática. Mesmo sem envolver ataques de temperamento, a “demissão por raiva” é um sinal de falhas sérias no local de trabalho: desde descuidos nos padrões de saúde e segurança até a exploração nas condições de trabalho e gerentes abusivos.
A pandemia de Covid-19 acabou por intensificar os fatores de tensão que podem levar funcionários a demitir-se de repente. Mas, como a “demissão por raiva” tende a ser o ápice de uma série de problemas no trabalho, os empregadores podem evitar o abandono de funcionários prestando atenção nos sinais de advertência – antes que algum empregado jogue o microfone no chão, a caminho da saída.
O que é a “demissão por raiva”
A ideia de sair com raiva de um emprego surgiu muito antes do fenômeno começar a ser celebrado na cultura pop, como no clássico da música country dos anos 1970 Take this job and shove it; e antes dos gamers começarem a usar a expressão “rage quitting” (desistência por raiva) na década de 1980 para designar o abandono furioso de um jogo frustrante.
Embora a “demissão por raiva” possa parecer impulsiva, a insatisfação com o trabalho tende a acumular-se ao longo do tempo, até que um incidente isolado deflagre a demissão real. E ter um espaço seguro para onde ir – como grande quantidade de opções de trabalho, outra fonte de renda (como o seguro-desemprego) ou uma oportunidade em vista (como uma formação escolar) – pode fazer com que seja mais fácil puxar o gatilho.
Esses padrões existem de alguma forma em todos os cargos e indústrias, mas assumem formas diferentes em diferentes contextos. Não existem estatísticas sobre as demissões por raiva, mas Peter Hom, especialista em recolocação profissional da Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos, indica que, na Alemanha, por exemplo, funcionários de grandes empresas são penalizados se pedirem demissão sem aviso prévio. Já os Estados Unidos têm mais liberdade de emprego, o que justificaria que a “demissão por raiva” fosse mais comum naquele país.
A “demissão por raiva” geralmente é o ápice de uma série de tensões e não uma explosão isolada
Getty Images/BBC
Sajeet Pradhan, pesquisador do comportamento empresarial do Instituto Indiano de Administração Tiruchirappalli, afirma que, em comparação com os Estados Unidos e a Europa, a Índia “culturalmente é mais tolerante (infelizmente) ao abuso no trabalho”, devido à “distância do poder ou à educação que nos condicionou a respeitar pessoas em posições de autoridade”. Na Índia, segundo Pradhan, “a ‘demissão por raiva’ geralmente acontece nos cargos de alta especialização e entre os millennials”.
Geralmente – segundo Nita Chhinzer, pesquisadora de administração estratégica de recursos humanos da Universidade de Guelph, no Canadá – “as pessoas com maior formação são mais propensas a demitir-se porque elas acreditam que seus conhecimentos podem ser aplicados e transferidos com mais facilidade”.
Mas pessoas em empregos precários ou menos especializados podem muitas vezes demitir-se com curto aviso prévio. Peter Hom destaca pessoas que trabalham nas fábricas voltadas à exportação na China e no México: “é como um jogo das cadeiras – elas pulam de um emprego para outro”.
E, embora os trabalhadores jovens às vezes sejam considerados inconstantes, “na verdade, antes que o seu custo seja irrecuperável devido a um investimento perdido na organização, eles tomam a decisão que for melhor para eles”, agrega Chhinzer. Faz sentido que eles abandonem um emprego inadequado de forma mais espontânea.
Isso não significa que deixar o trabalho no calor do momento seja sempre algo lógico. Chhinzer afirma que, “com a ‘demissão por raiva’, na verdade, eles não estão deixando de tomar decisões racionais, mas estão apenas pensando em quais são as suas opções”. Funcionários saturados poderão superestimar sua capacidade de conseguir outro emprego.
O que está por trás da “demissão por raiva”
Embora haja muitas razões para abandonar um emprego insatisfatório, existem certos padrões recorrentes que geram demissões espontâneas.
Uma das razões mais comuns é a má gestão. A supervisão abusiva pode gerar exaustão emocional. Quando os gerentes deixam de atender às repetidas preocupações dos funcionários, o resultado explosivo pode ser a demissão desses funcionários por raiva. A má gestão muitas vezes está relacionada a outras razões das “demissões por raiva”, como mudanças constantes de projetos, cronogramas rigorosos, sobrecarga de trabalho e rejeição de preocupações com segurança.
Sarah sofreu tudo isso em um recente período de três meses como caixa em uma pequena mercearia de Michigan, nos Estados Unidos. A jovem de 24 anos havia se mudado com seus pais e pretendia trabalhar temporariamente, e apenas em meio período, enquanto se preparava para cursar graduação em Toronto, no Canadá, mas o pequeno quadro de funcionários e fortes exigências da gerência logo fizeram com que ela trabalhasse em tempo integral.
Era também claro que a segurança dos funcionários não era prioridade. Sendo a única mulher jovem na empresa, Sarah se sentia insegura de muitas formas: clientes embriagados que às vezes eram beligerantes, a maioria das pessoas se recusava a usar máscaras e frequentemente ela era a única funcionária na loja.
Sentir-se inseguro no local de trabalho – por qualquer motivo – é um motivador poderoso para demissões repentinas
Getty Images/BBC
O golpe final ocorreu quando um cliente começou a persegui-la. Sarah pediu à sua gerente que mudasse a escala dos funcionários, da sua posição pública na loja, onde qualquer cliente poderia ver quando ela estivesse trabalhando, para um espaço privado. A gerente não apenas recusou, mas também gritou com Sarah por mencionar o perseguidor. “Minha chefe imediatamente se exaltou. Ela dizia: ‘Você precisa ser adulta. Por que você não é adulta com relação a isso?’ Ela repetiu isso muitas vezes”, afirma Sarah.
Sarah pediu demissão naquele mesmo telefonema, um mês antes do final do trabalho. “Eu me senti muito mal porque realmente queria dar duas semanas [de aviso prévio]… mas, quanto mais eu pensava sobre isso e como ela fez tão pouco para me ajudar e trabalhar com aquela situação, mais eu achava que aquilo não valia meu tempo, nem minha segurança”, conta ela.
Embora tenha ficado abalada depois da demissão por raiva, ela não ficou em grandes dificuldades financeiras. “Tenho certeza de que, se fosse o emprego dos meus sonhos, eu teria tomado decisões diferentes”, analisa Sarah. Ela diz que seria menos provável que se demitisse espontaneamente “se aquele fosse um emprego que já me valorizasse… se fosse um emprego que eu realmente sentisse como uma carreira”.
No caso das pessoas que se demitem por raiva, o mau tratamento de uma parte alimenta o mau tratamento pela outra. Depois que a gerente deixou de levar sua segurança em consideração, Sarah decidiu não cumprir aviso prévio.
Nita Chhinzer faz referência à teoria das trocas sociais: “a forma como você me trata determina a forma como eu trato você”. Se um gerente alterar cronogramas no último minuto, insistindo que os funcionários façam horas extras ou recusando-se a permitir licença por luto, os funcionários são também mais propensos a retribuir com limitações de comunicação e falta de aviso prévio.
A Covid como promotora
Algumas dessas pressões sobre os funcionários foram potencializadas pela pandemia. Chhinzer afirma que, em 2020, as taxas de pedidos de demissão, de forma geral, caíram, já que as pessoas permaneceram em seus empregos o máximo que conseguiram. Mas as demissões aumentaram muito em 2021, de forma que “os gestores, as organizações e os departamentos de RH estão muito preocupados com a manutenção dos talentos”.
Mas, como mostra a experiência de Sarah, essa preocupação nem sempre se traduz em melhor proteção dos empregados, particularmente em cargos com baixos salários.
De fato, a segurança tem sido um catalisador frequente para que funcionários que atendem clientes pessoalmente se demitam por raiva. Uma enfermeira cujos colegas espalhavam informações falsas sobre vacinas; um funcionário de restaurante cujos gerentes escondiam a informação de que a Covid vinha se espalhando entre os funcionários; ou uma vendedora com receio de transmitir o vírus para parentes vulneráveis – todos deixaram seus empregos de forma quase repentina durante a pandemia.
Os pesquisadores já estavam investigando a “consciência da morte no trabalho” antes da pandemia. Mas a Covid-19 trouxe outra dimensão para essa ansiedade no local de trabalho. Para os que se demitiam por raiva, especialmente os que possuíam alta “ansiedade da morte”, o componente “raiva” “pode ser acionado mais provavelmente pelo fato de que os empregadores deixam de fornecer medidas de segurança suficientes para proteger a saúde dos seus funcionários”, afirma Rui (Hammer) Zhong, estudante de PhD da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, que pesquisa o lado negativo dos locais de trabalho (essa reação de raiva inflamada opõe-se à outra forma de consciência da morte pesquisada por Zhong e seus colegas – uma reflexão da morte, ou “demissão calma”, ao perceber como a vida é curta).
Chefes devem ficar atentos a sinais e intervir antes que as tensões se agravem, se não quiserem que seus funcionários se demitam
Getty Images/BBC
Nita Chhinzer comenta que “as pessoas estão saindo [de seus empregos] não apenas devido ao mau tratamento no trabalho pelos gerentes e colegas; elas também estão saindo devido à situação nos seus empregos”, como a necessidade de retornar ao local de trabalho. “Isso não era preocupação anteriormente”, segundo ela.
Alternativas para a “demissão por raiva”
Para alguém tentado a demitir-se por raiva, pode ser útil obter uma perspectiva sobre o que existe atrás da raiva, além da gratificação imediata de esfregar isso em um mau chefe.
Também é útil analisar por que outras pessoas não se demitem por raiva. Histórias de funcionários sobrecarregados que desrespeitam seus maus chefes são gratificantes e, às vezes, inspiradoras. Mas é claro que é alarmante pedir demissão sem um plano B.
Alexander teve a sorte de não depender do seu trabalho como DJ, pois o seu emprego principal era como cientista. Ele observa que “teria sido realmente mais difícil abandonar o trabalho se eu não tivesse outro emprego”. E nem todos têm condições de deixar um emprego desmotivador, ou de sair sem o pagamento da rescisão. Por isso, nem sempre é útil que as pessoas que fizeram isso incentivem os demais a sair imediatamente de um mau emprego.
Alibel encontra essa situação com frequência entre seus compatriotas, migrantes venezuelanos na Argentina, que nem sempre contam com situação legal ou financeira para mudar facilmente de emprego.
Quando ela chegou a Buenos Aires, em 2019, seu primeiro emprego foi vendendo carros por telefone. Não levou muito tempo para que ela compreendesse que era uma operação ilegal e Alibel, agora com 28 anos de idade, pediu demissão rapidamente. Ela não perdeu nenhum pagamento porque o emprego era totalmente comissionado: “se você não vendesse nada, não ganharia um centavo”, ela conta. Mas, embora haja muitos relatos de pessoas que se demitem por raiva de outros empregos questionáveis, nem todos têm condições de assumir sua posição moral.
De forma geral, o estigma da demissão pode estar diminuindo devido à Grande Renúncia (nome dado à tendência que levou um grande número de trabalhadores norte-americanos a deixar seus empregos durante a pandemia de Covid-19), embora a saída de alguns funcionários com planos B possa tornar a situação mais difícil para os colegas que ficam para trás. Mas, em última análise, é papel dos empregadores melhorar as condições de trabalho. “Se os empregadores oferecerem salários decentes e bons benefícios, eles inibirão as demissões”, afirma Peter Hom.
Nita Chhinzer destaca que, entre as organizações concentradas em manter seus funcionários, é útil ser proativo, por exemplo, com apresentações semanais, benefícios como auxílio-educação ou sextas-feiras de folga no verão. Peter Hom e seus colegas recomendam que os empregadores prestem mais atenção aos “comportamentos pré-demissão”, com a implementação, por exemplo, de entrevistas de permanência com os funcionários atuais (e não apenas entrevistas de saída com empregados demissionários).
O fato de um funcionário demitir-se por raiva deveria ser um chamado de alerta para o empregador.
Seis meses depois de Alexander sair da casa noturna superaquecida com seu equipamento de DJ, ele se reconciliou com o proprietário e voltou a trabalhar lá. Mas, no ano seguinte, ele largou tudo de novo, depois de novas promessas não cumpridas e condições de trabalho sem segurança. “Foi a última vez em que atuei como DJ fora da minha própria casa. Simplesmente me cansei de tudo aquilo”, conta ele.

Fonte: G1 Mundo

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Por que os EUA estão passando pela ‘maior transferência de renda entre gerações’ da história


Entre 2018 e 2042, estima-se que cerca de US$ 70 trilhões mudarão de mãos no país, conforme o enorme patrimônio acumulado pelos ‘baby boomers’ é passado para seus herdeiros. Membros da geração X e da geração do milênio serão os mais beneficiados
Getty Images/BBC
As estimativas variam, mas todos concordam que é muito, muito dinheiro. Nas próximas duas décadas, os Estados Unidos testemunharão o que é visto como “a maior transferência de riqueza da história” entre gerações.
Durante esse período, os membros da geração conhecida como baby boomers — que agora têm entre 57 a 75 anos, aproximadamente — passarão seu patrimônio para seus descendentes à medida que envelhecem e morrem.
É um processo natural que ocorre em todas as gerações, mas que neste caso tem uma particularidade: a enorme quantidade de dinheiro em jogo. De 2018 a 2042, cerca de US$ 70 trilhões vão mudar de mãos, segundo cálculos da consultoria Cerulli Associates. Herdeiros devem receber cerca de US$ 61 trilhões, enquanto o restante será convertido em doações.
Acredita-se que essa transferência envolverá 45 milhões de famílias americanas.
Mas o que torna possível essa transferência massiva de recursos?
‘A geração mais rica’
A geração de ‘baby boomers’ está se aposentando
Getty Images/BBC
Nascidos após o fim da Segunda Guerra Mundial, os baby boomers se beneficiaram de uma economia em constante crescimento, taxas de impostos mais baixas para as famílias mais ricas e do notável aumento no valor dos imóveis e investimentos em ações.
Essas condições também favoreceram parcialmente a chamada “geração silenciosa” (à qual pertence o presidente Joe Biden, formada por nascidos entre as décadas de 1920 e 1940), que atualmente representa apenas 6% da população do país e acumula 32% da riqueza que os bilionários possuem nos Estados Unidos, segundo o levantamento Índice de Poder Geracional de 2021 da empresa Visual Capitalist.
Os boomers, por sua vez, são a geração que concentra a maior parte do poder econômico do país (43%) e à qual pertencem os presidentes de 72% das empresas que compõem o índice S&P 500, que reúne as 500 maiores companhias com ações negociadas em bolsa no país.
Eles cresceram em um contexto econômico muito favorável em que diplomas universitários eram obtidos sem necessidade de se contrair grandes dívidas; os empregos tinham maior proteção e havia um mercado imobiliário mais acessível. Essas condições permitiram que eles prosperassem e construíssem um patrimônio que continuou a crescer ao longo do tempo.
Chayce Horton, analista da Cerulli Associates e especialista na área de administração de grandes fortunas, observa que esssa geração aposentada é a “mais rica da história dos Estados Unidos”.
Investimento responsável
Transferência de riqueza já está em andamento
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Embora a transferência de riqueza já esteja em andamento, Horton adverte que atualmente “apenas” cerca de US$ 1 trilhão está mudando de mãos a cada ano com esse processo.
“Nosso modelo prevê que a maior parte da transferência de riqueza ocorrerá na parte final desses 25 anos. Acreditamos que o repasse de até 70% dos US$ 70 trilhões vai ocorrer entre 2032 e 2042”, afirma.
É, portanto, um processo gradual. Mas isso não quer dizer, entretanto, que seu impacto não será sentido em breve. “A principal mensagem para as empresas de gestão de patrimônio é que haverá um boom de investimentos com que levam em consideração as questões ambientais, de responsabilidade social e boa governança (ESG)”, diz Horton.
O especialista explica que 79% dos membros da geração milênio e 57% dos membros da geração X — que serão os herdeiros primordiais dos baby boomers — dizem que prefeririam investir em empresas com um perfil ESG positivo, enquanto apenas 37% dos boomers consideram isso importante.
Horton acrescenta que isso significa que nos próximos 25 anos haverá preferências por diferentes produtos de investimento, especialmente entre famílias mais ricas que desejam usar sua riqueza para gerar um impacto positivo no mundo.
Ajudando a geração millennial
Conhecida como a mais endividada e que tem menos riqueza acumulada, após enfrentar sucessivas recessões e um alto aumento em seu custo de vida, a geração millennial — cuja idade atualmente varia entre 26 e 40 anos, aproximadamente — também vai encontrar algum alívio graças a essa transferência de riqueza.
No entanto, isso não vai acontecer tão cedo. De acordo com projeções da Cerulli Associates, 44% dos recursos que mudarão de mãos irão para famílias chefiadas por membros da geração X — que têm hoje entre 40 e 60 anos —, enquanto 32% irão para a geração millennial.
“A maior parte dessas transferências para os millennials não acontecerá até os estágios finais, especialmente entre o final dos anos 2030 e o início dos anos 2040, então não é algo pelo qual eles devam ficar esperando”, diz Horton. “Isso pode ser potencialmente benéfico, mas não posso dizer que vai curar todo o sofrimento pelo qual eles estão passando atualmente.”

Fonte: G1 Mundo

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Mais de 200 são detidos em protesto contra o confinamento em Melbourne, na Austrália


Seis policiais ficaram hospitalizados após confrontos na segunda cidade mais populosa do país, que enfrenta seu sexto confinamento. Autoridades locais notificaram mais de 500 casos por Covid-19 neste sábado (18). Policiais disparam spray de pimenta durante confronto com manifestantes contra o confinamento em Melbourne, na Austrália, no sábado (18)
James Ross/AAP Image via AP
Mais de 200 manifestantes foram detidos e vários policiais ficaram feridos neste sábado (18) em Melbourne, Austrália, em violentos distúrbios durante um protesto contra o confinamento imposto para frear o coronavírus.
As forças de segurança usaram spray de pimenta contra os manifestantes na segunda cidade mais populosa do país, onde centenas de pessoas violaram a obrigação de ficar em casa para protestarem contra o confinamento.
Melbourne, capital do estado de Victoria, vive seu sexto confinamento desde o início da pandemia. As autoridades locais notificaram neste sábado mais de 500 casos por Covid-19.
Policiais disparam spray de pimenta durante confronto com manifestantes contra o confinamento em Melbourne, na Austrália, no sábado (18)
James Ross/AAP Image via AP
A polícia informou que seis agentes foram hospitalizados após serem lesionados pelo lançamento de objetos e pisoteados durante os confrontos contra cerca de 700 manifestantes.
“O que vimos hoje é um grupo que se uniu, não para exigir mais liberdades, e sim para confrontar e lutar com a polícia”, declarou à imprensa o comandante da Polícia de Victoria, Mark Galliott.
Melbourne está confinada desde o final de julho e Sydney desde o final de junho.
As autoridades afirmam que estão se esforçando para encontrarem uma forma de aliviar essas restrições.
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

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EUA aumentarão ‘voos de deportação’ para imigrantes presos no Texas


Mais de 10.000 migrantes, majoritariamente do Haiti, acampavam na sexta-feira debaixo de uma ponte na fronteira sul dos Estados Unidos. Migrantes de caravana carregam bandeiras dos EUA e de Honduras ao passarem pelo sul do México em janeiro de 2021.
Marco Ugarte/AP Photo
Os Estados Unidos aumentarão o número e a capacidade dos “voos de deportação” para milhares de imigrantes na fronteiriça cidade texana de Del Rio (sul), informou o Departamento de Segurança Interna neste sábado (18).
Mais de 10.000 migrantes, majoritariamente do Haiti, acampavam na sexta-feira debaixo de uma ponte na fronteira sul dos Estados Unidos, uma crise humanitária que coloca em apuros o governo de Joe Biden.
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Os migrantes estão em uma área controlada pelas autoridades de alfândega e fronteiras, que mobilizaram 400 soldados adicionais para tentar conter a crise e “melhorar o controle da área”, segundo um comunicado do Departamento de Segurança Interna.
As autoridades informaram que vão acrescentar um “transporte adicional para acelerar o ritmo (dos voos) e aumentar a capacidade” de transferência “para o Haiti e outros destinos nas próximas 72 horas”.
Esses migrantes chegaram na pequena cidade de Del Rio, Texas, cruzando o Rio Grande que separa os Estados Unidos do México. Dos 2.000 migrantes no início da semana, o número subiu para 10.500 na quinta-feira à noite, segundo Bruno Lozano, prefeito desta cidade limítrofe com a mexicana Ciudad Acuña.
Na sexta-feira, o prefeito democrata, que espera mais milhares de chegadas, declarou estado de emergência e fechou a ponte para o tráfego.
“As circunstâncias extremas exigem respostas extremas”, declarou ao jornal Texas Tribune. “Há mulheres que dão à luz, pessoas que desmaiam pela temperatura, são um pouco agressivas e isso é normal depois de todos esses dias de calor”, destacou.
Mais de 1,3 milhão de pessoas foram detidas na fronteira com o México desde a chegada de Biden à Casa Branca em janeiro de 2020, um nível não visto em 20 anos. Delas, cerca de 596.000 chegaram de El Salvador, Guatemala e Honduras e mais de 464.000 do México.
A oposição republicana acusa Biden de ter provocado uma “crise migratória” ao flexibilizar as medidas de seu antecessor Donald Trump, que fez da luta contra a imigração ilegal um dos pilares de seu governo.

Fonte: G1 Mundo

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Grécia abre novo acampamento para migrantes em ilha em meio a endurecimento de política


Autoridades dizem que instalação oferece “dignidade perdida”, mas grupos de ajuda humanitária afirmam que local parece uma prisão com a cerca coberta por arame farpado. A Grécia abriu um novo campo de detenção para migrantes no sábado (18) na ilha de Samos, perto da Turquia
Reuters
A Grécia abriu um novo campo de detenção para migrantes no sábado (18) na ilha de Samos, perto da Turquia, e disse que outras novas instalações virão nos próximos meses, conforme o país endurece sua política de migração.
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O ministro que abriu o acampamento disse que a instalação ofereceria “dignidade perdida” àqueles que buscam proteção. Grupos de ajuda humanitária disseram que o novo campo, que abrigará requerentes de asilo e pessoas a serem deportadas, parece mais uma prisão com a cerca coberta por arame farpado.
Grupos de ajuda humanitária afirmam que local parece uma prisão
Reuters
O país mediterrâneo esteve na linha de frente da crise migratória da Europa em 2015 e 2016, quando recebeu um milhão de refugiados que fugiam da guerra e da pobreza da Síria, Iraque e Afeganistão, chegando principalmente via Turquia.
O número de refugiados chegando ao país caiu desde então, mas com milhares de requerentes de asilo ainda detidos na Grécia, o governo conservador que assumiu o poder em 2019 endureceu sua postura sobre a migração.
Ele construiu uma cerca de 40 km na região de Evros, na fronteira com a Turquia, e lançou um concurso em toda a União Europeia neste verão para construir duas instalações nas ilhas de Samos e Lesbos para substituir os acampamentos antes superlotados.

Fonte: G1 Mundo

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Árvore mais larga do mundo é coberta com alumínio para ficar protegida de incêndio


Parque Nacional das Sequoias enfrenta fogo desde o dia 9 de setembro. Árvore tem a idade estimada entre 2.300 a 2.700 anos e mede cerca de 1.480 m³. Árvore mais larga do mundo é coberta com papel alumínio para ser protegida de incêndios.
SEQUOIA AND KINGS CANYON NATIONAL PARKS/Handout via REUTERS
A árvore conhecida como General Sherman, considerada a mais larga do mundo em volume, foi embrulhada em papel alumínio por causa do fogo atinge o complexo do Parque Nacional das Sequoias (Sequoia and Kings National Parks, em inglês), na Califórnia, nos Estados Unidos.
O incêndio teve início no dia 9 deste mês, afetando o complexo formado por Colony Fire e Paradise Fire. Por causa disso, o parque foi fechado para a visitação do público.
Para proteger a General Sherman, que é uma das árvores mais populares do parque, as autoridades decidiram embrulhar a sua base com papel alumínio. “Queremos ter 100% de certeza de que não vai queimar”, relatou um guarda do parque à Reuters. Outras estruturas históricas também foram protegidas.
A árvore tem a idade estimada entre 2.300 a 2.700 anos e mede cerca de 1.480 m³.
Incêndio atinge o Parque Nacional das Sequoias, nos Estados Unidos.
REUTERS/Fred Greaves
Segundo o guarda, no século passado, a floresta passou por muita exclusão e supressão de incêndios e isso contribuiu para uma floresta insalubre: seca e com mortalidade de árvores.
“Nesta paisagem, talvez 20 ou 30 anos, um incêndio irá acender esta área. Durante a vida útil de 2.000, 3.000 dessas árvores, isso representa centenas de incêndios,” explica.

Fonte: G1 Mundo

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Fase “crucial” da reconstrução da catedral de Notre Dame é concluída; restauração vai começar


A fase de proteção e consolidação foi concluída. Catedral foi devastada há mais de dois anos por um incêndio. Reconstrução do telhado da Catedral de Notre-Dame de Paris, que foi danificado por um incêndio devastador há dois anos. Foto de abril/21.
REUTERS/Benoit Tessier
A fase de proteção e consolidação da catedral de Notre Dame de Paris, devastada há mais de dois anos por um incêndio, foi concluída e passou para a etapa de restauração, anunciaram as autoridades neste sábado (18).
“Os trabalhos de proteção e consolidação da catedral, que começaram em 16 de abril de 2019 (um dia depois do incêndio), foram concluídos de acordo com o calendário previsto”, anunciou em um comunicado a instituição pública encarregada de sua conservação. “A catedral está agora completamente segura” após esta fase, completou o texto.
Para comemorar o avanço, a esplanada em frente ao prédio será excepcionalmente aberta ao público neste fim de semana, marcado pela Jornada do Patrimônio na França – quando icônicas construções e monumentos franceses, como o Palácio do Eliseu, abrem as portas para os visitantes.
“A catedral está sólida sobre seus pilares, suas paredes estão sólidas, tudo está firme. Portanto, podemos seguir no objetivo de 2024”, assegurou o general Jean-Louis Georgelin, presidente da instituição encarregada da reconstrução da catedral.
“Estamos determinados a ganhar essa batalha de 2024, a reabrir a nossa catedral. Será uma honra para a França e nós faremos isso, porque estamos todos unidos em torno deste objetivo”, insistiu.
Objetivo de 5 anos será parcialmente atingido
Começa a delicada tarefa de desmontar o andaime da agulha da catedral de Notre Dame de Paris, deformado pelo calor do incêndio de 2019
AP Photo/Thibault Camus
O arquiteto-chefe dos Monumentos Históricos da França, Philippe Villeneuve, celebrou “uma etapa crucial” atingida. “Já antecipamos obras de reconstrução para a segurança [do prédio]”, apontou.
O presidente Emmanuel Macron prometeu que a catedral seria reconstruída em cinco anos, para estar pronta antes dos Jogos Olímpicos de Paris. Mas as obras não terminarão neste prazo. O monumento deve voltar a receber público em 16 de abril de 2024, quando está programada a primeira missa na nave central – exatamente cinco anos após a tragédia.
A parte traseira da catedral gótica, conhecida no mundo inteiro, foi seriamente atingida pelas chamas, que chegaram a causar risco de desabamento da estrutura, do século 12. O telhado inteiro virou fumaça.  
Próxima etapa: restauração
O célebre órgão da catedral foi desmontado para limpeza e suas peças foram enviadas para artesãos em toda a França, para reparação. O instrumento deve ser montado novamente em outubro de 2023.
Licitações serão abertas para selecionar as empresas que se encarregarão da restauração do prédio, enquanto “uma campanha de limpeza profunda das paredes internas e do piso da catedral começará neste mês”, antecipou Georgelin.

Fonte: G1 Mundo

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Francês percorre 670 metros em fita de slackline a partir da Torre Eiffel; VÍDEO

O slackliner francês Nathan Paulin andou a 70 metros de altura, entre a Torre Eiffel e a praça Trocadero. Francês pratica slackline na Torre Eiffel a 70 metros de altura
O slackliner francês Nathan Paulin andou em uma fita de slackline a 70 metros de altura, em um percurso de 670 metros entre a Torre Eiffel e a praça Trocadero, em Paris, neste sábado (18).
Paulin começou a caminhada do primeiro andar da Torre Eiffel, como parte de um festival de apresentação de arte ao vivo com o Chaillot Theatre.
O slackline é um esporte que consiste em se equilibrar em cima de uma fita suspensa entre dois pontos fixos. Seu objetivo é atravessar esse percurso se equilibrando, possibilitando treinar o corpo, melhorar o equilíbrio e concentração.
Torre Eiffel reaberta em julho
Torre Eiffel reabre ao público após ficar 8 meses fechada pela pandemia
A Torre Eiffel, principal cartão-postal da França, foi reaberta para o público no dia 16 de julho depois de ficar oito meses fechada por conta da pandemia de Covid-19. Foi a primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, que ela ficou tanto tempo sem receber visitantes. Mas os visitantes da torre ainda precisam cumprir com algumas regras:
uso obrigatório de máscara para maiores de 11 anos
elevadores operando a 50% da capacidade
apresentação de um ‘passe sanitário’, que comprove a vacinação completa ou um teste negativo de Covid feito até 48h antes da visita
A estimativa é de que a atração possa receber até 13 mil visitantes por dia – número bastante menor que os 25 mil recebidos antes da pandemia.

Fonte: G1 Mundo