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Tempestade Henri se transforma em furacão e pode chegar aos EUA no domingo


É a primeira vez em 30 anos que um furacão pode tocar o solo da costa nordeste dos EUA; Nova York mobiliza 500 soldados da Guarda Nacional Em setembro de 1991, o furacão Bob causou destruição em Dartmouth, no Massachusetts
AP Photo/Susan Walsh
A tempestade tropical Henri se transformou em furacão de categoria 1 neste sábado (21) e deve tocar o solo na costa nordeste dos Estados Unidos no domingo (22), informou o Centro Nacional de Furacões (NHC).
“É tão grave quanto um ataque cardíaco”, disse o governador de Nova York, Andrew Cuomo, anunciando o estado de emergência e o envio preventivo de 500 soldados da Guarda Nacional.
Cuomo observou que o furacão deve atingir a costa de Long Island, lar dos luxuosos Hamptons, onde muitos nova-iorquinos ricos passam o verão, por volta de meio-dia no horário local (13h no horário de Brasília) de domingo (22).
“Será um evento que durará aproximadamente 26 horas”, acrescentou Cuomo, alertando os nova-iorquinos para esperarem “quedas de energia significativas” e “inundações significativas” em alguns subúrbios da cidade.
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No México, famosos relatam medo e mostram imagens da passagem do furacão Grace
O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, em seu último boletim, alertou sobre “perigosas tempestades, furacões e inundações” em áreas do sul da Nova Inglaterra e Long Island.
Com ventos de até 120 km/h atualmente, Henri provocará entre 7cm e 15cm de chuvas em toda a região e até 25cm em alguns lugares, estimou o NHC, ao alertar sobre o risco de enchentes.
Primeiro furacão desde 1991
Último furacão a tocar o solo na região foi o Bob, em setembro de 1991
AP Photo/Stephen Rose
Uma parte do nordeste dos Estados Unidos, incluindo Nova York, foi colocada em alerta na sexta-feira (20) por Henri, que poderia se tornar o primeiro furacão em 30 anos a chegar na costa de Nova Inglaterra.
“O último furacão que tocou solo em Nova Inglaterra foi Bob em 1991”, disse à AFP Dennis Feltgen, porta-voz do NHC. Ele causou a morte de pelo menos 17 pessoas na costa leste.
Já último furacão a atingir a costa de Long Island foi o Gloria, em 1985.
Diante da ameaça, vários governadores pediram à população para ser prudente. Em Massachusetts, estado em que se encontra a cidade de Boston, o governador Charlie Baker pediu para “evitar as viagens desnecessárias”, especialmente nos litorais.
No estado, onde todas as praias e parques estarão fechados entre sábado e segunda-feira, o furacão poderia provocar cortes de energia elétrica que afetariam entre 100 mil e 300 mil habitantes, segundo o escritório do governador.

Fonte: G1 Mundo

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A chuva ‘preocupante’ registrada pela primeira vez no ponto mais alto da Groenlândia


Cientistas da estação Summit ficaram surpresos ao verem gotas de água escorrer pela janela – algo inédito desde que o alojamento foi construído em 1989. Cientistas da estação Summit ficaram surpresos ao verem gotas de água escorrer pela janela
GETTY IMAGES
Ninguém sabe quando foi a última vez que choveu nesta área remota da Terra.
Por estar localizado a 3.216 metros de altitude na região do Ártico, com temperaturas abaixo de zero quase o tempo inteiro, o pico da Groenlândia normalmente não apresenta condições atmosféricas para gerar precipitação.
Por isso, o que aconteceu no dia 14 de agosto surpreendeu os pesquisadores da estação Summit, da agência americana National Science Foundation, que monitora o clima nesta parte do planeta.
Choveu “por várias horas”, de acordo com as informações do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos Estados Unidos (NSIDC). Nada parecido tinha sido observado desde que os registros começaram a ser feitos em 1987, conforme as informações compartilhadas pelo cientista Martin Stendel em suas redes sociais.
Conforme o relatório, “a temperatura do ar ficou acima de zero por cerca de nove horas”. O aumento nos termômetros criou condições de degelo que só foram vistas anteriormente em três ocasiões: 1995, 2012 e 2019.
Mais um exemplo de como o aquecimento global está afetando lugares tão remotos como o pico da Groenlândia, de acordo com especialistas.
“Isso não é um sinal saudável para um manto de gelo”, disse à agência de notícias Reuters Indrani Das, glaciologista do Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia.
“Água no gelo é ruim… Torna o manto mais propenso a derreter na superfície.”
Estação Summit começou a operar em 1989
GETTY IMAGES
‘Choveu o dia todo’
Embora muitas vezes chova na superfície congelada da Groenlândia, o fenômeno nunca tinha sido observado no ponto mais alto.
Na estação de pesquisa, os cientistas ficaram surpresos ao verem gotas de água escorrer pelas janelas do alojamento — e chegaram a compartilhar imagens nas redes sociais.
“No sábado, choveu basicamente o dia inteiro, a cada hora em que a equipe fazia observações do tempo”, disse a engenheira Zoe Courville ao The Washington Post.
“E é a primeira vez que se vê isso na estação.”
A temperatura chegou a 0,48°C — a quarta vez nos últimos 25 anos que ela ultrapassa zero naquela área.
Os termômetros ficaram acima de 0°C durante várias horas, o que, combinado com a chuva, criou condições para o degelo na superfície do pico e arredores, segundo dados do NSIDC.
No total, o derretimento atingiu 872 mil quilômetros quadrados no dia 14.
“Somente em 2012 e 2021 houve mais de um evento de derretimento de 800 mil quilômetros quadrados”, destaca o relatório do NSIDC.
A região do Ártico está esquentando duas vezes mais rápido que o resto do planeta devido às mudanças climáticas, explica Steve Turton, pesquisador de geografia ambiental da Universidade Central de Queensland, na Austrália, em um artigo no site The Conversation.
Enquanto no resto do planeta a temperatura aumentou em média em 1°C, na região esse ritmo chegou a quase 2°C.
“Esta chuva preocupante no topo da Groenlândia não é um evento isolado”, ressaltou Twila Moon, cientista do NSIDC.
Junto com o aumento de enchentes, incêndios e outros eventos extremos, é um dos muitos “sinais de alarme” que apontam a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Fonte: G1 Mundo

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Afeganistão: como os exércitos mais poderosos do mundo foram derrotados no ‘cemitério de impérios’ nos últimos 180 anos


Império Britânico, depois a União Soviética e, finalmente, os Estados Unidos e seus aliados: nenhuma dessas potências conseguiu controlar por muito tempo todo o território afegão. A congressista dos EUA Elise Stefanik comparou a queda de Cabul a Saigon: “Um fracasso desastroso no cenário internacional que nunca será esquecido”
Getty Images
O poderoso Império Britânico fez sua tentativa no século 19, quando era a superpotência mundial, mas em 1919 teve que deixar o Afeganistão e conceder a independência ao país.
Depois foi a vez da União Soviética, que em 1979 invadiu o país com a intenção de manter o comunismo no poder (instituído por meio de um golpe em 1978) – demorou 10 anos para eles perceberem que não venceriam aquela guerra.
Os britânicos e soviéticos têm em comum que, ao invadirem o Afeganistão, possuíam impérios de primeira ordem e logo depois começaram a desmoronar.
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Vinte anos após a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2001, e uma guerra subsequente que causou centenas de milhares de mortes, o governo de Joe Biden decidiu retirar as tropas de seu país do Afeganistão.
Foi uma decisão polêmica, fortemente criticada e que levou à rápida queda de Cabul, a capital afegã, pelas mãos do grupo jihadista Talibã.
Biden defendeu a retirada das tropas, alegando que os americanos não deveriam “lutar uma guerra que afegãos não querem lutar”. Argumentou que “força militar alguma jamais alcançaria um Afeganistão estável, unido e seguro” e lembrou que o país é conhecido como um “cemitério de impérios”.
O Afeganistão tem sido o cemitério dos exércitos mais poderosos dos últimos séculos, que tentaram controlá-lo – com aparente sucesso no início de suas respectivas invasões, mas que depois tiveram que fugir do país.
“Não é que os afegãos tenham muito poder, o que aconteceu no Afeganistão foi culpa dos próprios impérios invasores, da patologia imperial e de suas limitações”, disse o analista de defesa e política externa David Isby à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC.
O Afeganistão é um país com uma infraestrutura muito pobre e uma geografia difícil
Getty Images via BBC
Isby diz que o Afeganistão é, “de um ponto de vista objetivo”, um lugar difícil: é uma nação complexa, com infraestrutura muito pobre, desenvolvimento limitado e sem saída para o mar.
“Mas os impérios, seja soviético, britânico ou os EUA, não mostraram flexibilidade ao lidar com o Afeganistão. Eles queriam e tinham que fazer as coisas do seu jeito e nunca conseguiram entender a complexidade do país”, acrescenta.
É comum ouvir que o Afeganistão é “impossível de conquistar” – uma afirmação errada: os persas, os mongóis e Alexandre, o Grande, fizeram isso no passado.
O certo é que é uma aventura que custou muito a quem tentou. E os últimos três impérios que tentaram invadir Cabul simplesmente falharam.
G1 no YouTube: Como a situação do Afeganistão agora pode ser mais tensa para as mulheres
O Império Britânico e suas três invasões
Durante grande parte do século 19, o Afeganistão foi o palco central do “Grande Jogo” entre os impérios britânico e russo para controlar a Ásia Central.
Por décadas, Moscou e Londres travaram uma luta diplomática e política que os britânicos acabaram vencendo, mas a um preço alto. O Reino Unido tentou invadir o país três vezes entre 1839 e 1919, e pode-se dizer que falharam nas três vezes.
Na Primeira Guerra Anglo-Afegã – que começou quando os britânicos capturaram Cabul em 1839 com medo de que a Rússia fizesse isso antes deles -, Londres sofreu talvez sua maior humilhação da história: o exército daquela que era então a nação mais poderosa do mundo estava completamente destruída por tribos com armas muito simples.
Após três anos de invasão, os afegãos finalmente forçaram as forças invasoras a deixar a capital, e a retirada resultou em tragédia.
Apenas um cidadão britânico sobreviveu, entre um grupo de mais de 16 mil pessoas que deixaram um acampamento militar britânico em 6 de janeiro de 1842 com a intenção de ir para Jalalabad (cidade a leste de Cabul).
“Essa guerra enfraqueceu o avanço da expansão britânica para o subcontinente e também afetou a narrativa de que os britânicos eram invencíveis”, explica Isby.
Quase quatro décadas depois, o Reino Unido tentou novamente com um pouco mais de sucesso.
A Segunda Guerra Anglo-Afegã, que ocorreu entre 1878 e 1880, terminou com o Afeganistão se tornando um protetorado britânico, mas Londres foi forçada a abandonar sua política de manter um ministro residente em Cabul.
Em vez disso, selecionou e apoiou um novo emir afegão e retirou suas tropas do país. Mas em 1919 uma terceira guerra estourou quando um novo emir afegão declarou sua independência da influência britânica.
Naquela época, a Revolução Bolchevique havia reduzido a ameaça russa e, ao mesmo tempo, a Primeira Guerra Mundial paralisou os gastos militares britânicos, de modo que o interesse no Afeganistão diminuiu.
Por isso, após quatro meses de batalhas, Londres acabou reconhecendo a independência do país.
Embora oficialmente os britânicos não estivessem mais no Afeganistão, considera-se que eles mantiveram sua influência por muitos anos mais.
O Vietnã da União Soviética
Durante a década de 1920, o emir Amanullah Khan tentou reformar o país e, entre outras medidas, aboliu a burca tradicional para mulheres. A série de reformas perturbou algumas tribos e líderes religiosos, desencadeando uma guerra civil.
As tensões no país asiático decorrentes de lutas pelo poder continuaram por décadas até que a União Soviética invadiu o país em 1979 para manter no poder um governo comunista profundamente fragmentado.
Vários grupos mujahideen (extremistas religiosos) se opuseram aos soviéticos e começaram a combatê-los, com dinheiro e armas fornecidas por Estados Unidos, Paquistão, China, Irã e Arábia Saudita.
Moscou lançou ataques terrestres e aéreos com a intenção de destruir aldeias e plantações em áreas que considerou problemáticas e a população local foi forçada a fugir de suas casas ou morrer.
A invasão russa foi a mais sangrenta de todas, deixando cerca de 1,5 milhão de mortos e cerca de 5 milhões de refugiados.
Em algum ponto, as forças soviéticas conseguiram controlar as principais cidades e vilas maiores, mas os mujahideen se moviam com relativa liberdade em muitas áreas rurais.
As tropas soviéticas tentaram esmagar a insurgência com várias táticas, mas os guerrilheiros geralmente conseguiam evitar seus ataques.
O país estava em ruínas.
O então líder soviético Mikhail Gorbachev percebeu que não poderia continuar a guerra enquanto tentava transformar a economia russa e decidiu retirar suas tropas em 1988, mas a imagem do país nunca foi recuperada.
O Afeganistão se tornou o Vietnã da União Soviética. Foi uma guerra cara e vergonhosa, na qual apesar de usar todos os seus músculos, a União Soviética foi derrotada e humilhada pelos guerrilheiros locais.
“Os soviéticos reivindicavam poder legítimo no Afeganistão, precisamente numa época em que havia contradições sérias e fundamentais no sistema soviético, em seu governo e em seu exército”, diz o analista David Isby. “Esse foi um dos grandes erros dos soviéticos.”
A União Soviética caiu pouco depois.
Os Estados Unidos e sua retirada “desastrosa”
Após as intervenções fracassadas do Reino Unido e da União Soviética, os Estados Unidos lideraram uma nova invasão do Afeganistão em 2001, prometendo apoiar a democracia e eliminar a ameaça terrorista da Al Qaeda, após os ataques de 11 de setembro.
Como as duas potências invasoras anteriores, Washington conseguiu tomar Cabul rapidamente e forçou o Talebã a entregar o poder.
Três anos depois, um novo governo afegão assumiu a presidência, mas os ataques sangrentos do Talebã continuaram.
O ex-presidente Barack Obama anunciou um aumento de tropas em 2009 que ajudou a repelir o Talebã, mas não por muito tempo.
Em 2014, que acabou sendo o ano mais sangrento da guerra desde 2001, as forças da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) cumpriram sua missão e delegaram a responsabilidade pela segurança ao exército afegão.
Essa ação permitiu ao Talebã conquistar mais territórios.
No ano seguinte, o grupo continuou a ganhar força e lançou uma série de atentados suicidas. Houve ataques ao prédio do parlamento em Cabul e outro nas proximidades do aeroporto internacional da capital.
De acordo com Isby, muitas coisas deram errado na invasão americana.
“Apesar dos esforços militares e diplomáticos, um dos principais problemas foi que nem os Estados Unidos nem a comunidade internacional conseguiram fazer o Paquistão abandonar sua guerra de poder, que se mostrou exitosa”, disse ele. “Acabou sendo mais bem-sucedida do que as armas.”
Enquanto a invasão soviética foi muito mais sangrenta, a americana teve custos financeiros mais altos.
Os soviéticos gastaram cerca de US$ 2 bilhões por ano no Afeganistão, enquanto entre 2010 e 2012 o custo da guerra para os EUA subiu para quase US$ 100 bilhões por ano, segundo dados do próprio governo dos Estados Unidos.
E a queda de Cabul também foi comparada aos eventos no Vietnã do Sul.
“Este é o Saigon de Joe Biden”, tuitou a congressista republicana Elise Stefanik. “Um fracasso desastroso no cenário internacional que nunca será esquecido.”
Com a retirada das tropas americanas e o consequente triunfo do Talebã, o mundo enfrenta uma nova crise humanitária com milhares de refugiados que terão que encontrar um novo lar.
“No médio prazo, será necessário ver se um regime do Talebã pode ser integrado à comunidade internacional, sobre o que tenho grandes dúvidas”, disse David Isby.
E se ficar impossível para a comunidade internacional lidar com o Talebã, será necessário ver se outra potência corre o risco de se aventurar em uma nova invasão do Afeganistão, o cemitério dos impérios.

Fonte: G1 Mundo

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Confronto entre palestinos e tropas israelenses deixa feridos em Gaza


O movimento islâmico Hamas, que controla Gaza, convocou o protesto para relembrar o incêndio da mesquita Al-Aqsa em Jerusalém há 52 anos. Confronto deixou 24 feridos, dois em estado grave
AP/Abdel Kareem Hana
Tropas israelenses dispararam contra manifestantes palestinos que jogavam coquetéis molotov e queimavam pneus da Faixa de Gaza no sábado (21), resultando em 24 feridos, segundo fontes palestinas.
O movimento islâmico Hamas, que controla Gaza, convocou o protesto para comemorar o incêndio da mesquita Al-Aqsa em Jerusalém há 52 anos.
“Vinte e quatro civis ficaram feridos, incluindo 10 crianças”, explicou o ministério da saúde do enclave palestino em um comunicado. “Dois dos feridos estão em estado crítico. Um deles é um menino de 13 anos que foi ferido na cabeça, a leste da Cidade de Gaza”.
O exército israelense disse à AFP que “centenas de encrenqueiros e manifestantes” se reuniram na outra volta da fronteira. “As tropas na área estão prontas para usar equipamento antimotim e, se necessário, balas de calibre 22”, disse o Exército.
Há exatos três meses, Israel e o Hamas assinaram uma trégua após os piores incidentes em anos. Durante onze dias no mês de maio, Israel bombardeou a Faixa, em retaliação às centenas de foguetes lançados do enclave.
A reconstrução de Gaza não avançou desde a trégua de 21 de maio, em parte por causa do bloqueio que Israel mantém ao redor da Faixa desde que o Hamas assumiu o poder em 2007.
Na última quinta-feira (19), Israel anunciou que permitiria o fluxo de fundos do Catar para Gaza, mas outras restrições permanecem em vigor.

Fonte: G1 Mundo

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Franceses protestam pela sexta semana seguida contra restrições a não vacinados


Os manifestantes tentam pressionar o governo Macron, que restringe o acesso a restaurantes, cinemas, bares a pessoas completamente imunizadas ou com um teste negativo para a doença. Manifestantes protestam contra a restrição de acesso a locais públicos na França; apenas vacinados podem frequentar bares e restaurantes
AP / Michel Spingler
Pela sexta semana seguida, milhares de franceses foram às ruas neste sábado (21) para protestar contra o passaporte sanitário, o mecanismo de controle implementado pelo governo Macron para restringir o acesso a ambientes fechados a quem está completamente imunizado contra a Covid-19 ou apresenta um teste negativo para a doença.
As manifestações se repetiram de norte a sul do país em tom pacífico, reunindo pessoas de diferentes tendências políticas em torno da indignação contra o controle da circulação e o que chamam de “vacina obrigatória”.
“Tome a vacina se quiser, mas somos contra um passaporte para entrar no hospital ou para ir às compras, exigimos a revogação da lei”, discursou uma das figuras emblemáticas do movimento dos “coletes amarelos”, Jêrome Rodrigues em Pau, cidade na região dos Pirineus franceses, diante de 2.700 manifestantes.
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França amplia exigência de passaporte sanitário apesar de protestos
Ao norte, em Lille, o protesto reuniu 3.200 pessoas, na contagem oficial, e era encabeçado por uma faixa com os dizeres “Tiremos Macron, com seu passaporte e suas reformas estúpidas”(“Dégageons Macron avec son pass et ses réformes à la con”, em francês).
Contra o passaporte sanitário
Os manifestantes tentam pressionar o governo de Emmanuel Macron, que neste momento restringe o acesso a restaurantes, cinemas, bares e até trens de longa distância a pessoas completamente imunizadas ou com um teste negativo para a doença. O teste, feito hoje de maneira gratuita, passará a ser cobrado nos próximos meses para quem não tiver um pedido médico.
Participando do protesto em Paris, Monique Bourhis, “não vacinada” aos 75 anos,  disse não ser contra a vacina, “estou esperando a francesa”. O país, até o momento, tem adotado as vacinas da Astrazenec, Pfizer e Moderna.
 Doutor Raoult
De acordo com a polícia, as maiores manifestações aconteceram em Marseille, com 9.500 pessoas, e em Toulon (6.000). Houve ainda 4.100 manifestantes em Estrasburgo, 3.400 em Bordeaux e Toulouse, 3.000 em Bayonne, 2.500 em Nice, 2.300 em Nantes e 2.000 em Caen.
Em Paris, os manifestantes foram divididos em quatro protestos, dois deles iniciados por grupos de “coletes amarelos” e um por Florian Philippot, líder do partido de extrema direita “Patriotas”. Na marcha conduzida por Philippot, o nome do médico Didier Raoult, ferrenho defensor do uso da hidroxocloroquina contra a Covid-19, foi ovacionado muitas vezes.
Em apoio ao médico que segue apoiando o uso da hidroxicloroquina, apesar de numeoros estudos mostrarem sua ineficácia contra a Covi, muitos manifestantes em Paris e em Marselha carregavam faixas “Não toquem em Raoult”.
Nesta semana, o diretor dos Hospitais de Marselha afirmou que Raoult, que trabalha no Instituto do Hospital Universitário de Marselha, não deve manter seu mandato na direção da instituição. Aos 69 anos, o pesquisador será obrigado a se aposentar de seus trabalhos universitários.
“Vacina para quê?”
Em Bordeaux, no sudoeste da França, manifestantes entoavam o slogan “não toquem em nossos filhos”. Entre os manifestantes, pais e avós preocupados com a extensão da vacinação a crianças menores de 12 anos –o que ainda não tem previsão do governo para acontecer.
Desde junho, os adolescentes entre 12 e 17 anos podem ser imunizados contra a Covid-19. Até o momento, 55% desse grupo já tomou ao menos uma dose da vacina.
Entre a população geral da França, 70% já tomou ao menos uma dose do imunizante, e 55% está completamente vacinada.

Fonte: G1 Mundo

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União Europeia diz que não reconhece regime do Talibã


Presidente do bloco, Ursula von der Leyen, afirma que bloco mantém contatos operacionais com o grupo extremista para facilitar que pessoas em Cabul consigam chegar até o aeroporto. Ursula von der Leyen
AP/Paul White
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou neste sábado (21) que o bloco não reconhece o regime Talibã, apesar de manter um diálogo com o grupo extremista para retirada de cidadãos do Afeganistão.
A declaração foi feita em visita a um centro criado pelo governo da Espanha, na base aérea militar de Torrejón, n nordeste do país, para receber pessoas que deixam o território afegão.
Para a líder do bloco europeu, é necessário manter contatos operacionais com o Talibã para facilitar que as pessoas em Cabul consigam chegar até o aeroporto. “Mas isso é completamente distinto e separado de negociações políticas”, disse.
“Não há negociações políticas com o Talibã e não há reconhecimento do Talibã”, disse a líder da União Europeia.
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Ela também afirmou que o bloco europeu só investirá no Afeganistão se houver respeito aos direitos humanos pelo Talibã.
“O 1 bilhão de euros reservado pela União Europeia para os próximos sete anos para ajuda ao desenvolvimento está vinculado a condições estritas: respeito aos direitos humanos, bom tratamento de minorias e respeito pelos direitos de mulheres e meninas”, indicou von der Leyen.
A chefe do bloco europeu alertou para os relatos de mulheres que não são aceitas em seus locais de trabalho e de perseguições por conta de opiniões.
Centro de acolhida
Neste sábado, altos funcionários da União Europeia visitaram as instalações a base aérea militar de Torrejón, junto com o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, que disse que a instalação pode acomodar 800 pessoas.
Dois aviões enviados pela Espanha a Cabul já chegaram à base aérea. Um trouxe cinco espanhóis e 48 afegãos que trabalharam para a Espanha e suas famílias. Um segundo chegou na sexta-feira (20) com mais 110 afegãos.
Um terceiro voo com outros 110 passageiros deixou Cabul com destino a Dubai, cidade que a Espanha está usando como ponto de parada antes que os refugiados sejam transferidos para Madri.
A base aérea também está recebendo voos da União Europeia com outros refugiados afegãos. Todos devem passar até três dias lá antes de se mudarem para centros de acolhimento em outros lugares da Espanha ou para outros países europeus.
Sánchez disse que a resposta de outros membros da UE foi positiva e que alguns refugiados afegãos já partiram para outros países do bloco.
Os Estados Unidos e os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), por sua vez, estão lutando para ajudar os afegãos que trabalharam para eles e que, agora, temem represálias do Talibã para chegar e entrar no aeroporto de Cabul.
Von der Leyen disse que a equipe da UE está conversando com autoridades americanas e da Otan sobre o problema. “É uma situação muito difícil, está mudando a cada minuto, mas há um trabalho intenso sendo feito para tirar o melhor proveito de uma situação muito difícil”, disse ela.
Von der Leyen, no entanto, também pediu que a comunidade internacional ajude os afegãos que ficaram no país.
Segundo ela, o retorno do Talibã ao poder provocou o deslocamento de quase 3,7 milhões de pessoas. Muitos países europeus também temem outra onda de migração semelhante à de 2015 provocada pela guerra civil na Síria.
“Devemos ajudar a garantir que os afegãos deslocados possam voltar para suas casas ou pelo menos ter uma perspectiva, estejam eles atualmente no Afeganistão ou em países vizinhos”, disse ela.
Von der Leyen disse que a questão da migração afegã deve ser uma preocupação central da reunião do G-7 da próxima semana para ajudar a criar “rotas legais e seguras em todo o mundo, organizadas por nós, a comunidade internacional, para aqueles que precisam de proteção”.

Fonte: G1 Mundo

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EUA pedem que americanos evitem aeroporto de Cabul, tomado por multidões e caos


Segundo comunicado da embaixada norte-americana, só deve ir ao aeroporto quem receber instruções individuais de um representante do governo dos EUA. Soldados dos EUA chegam para fornecer segurança em apoio à Operação Refúgio dos Aliados, no aeroporto de Cabul, no dia 20 de agosto de 2021
via Reuters
Os Estados Unidos aconselharam, neste sábado (21), que norte-americanos no Afeganistão evitem ir para o aeroporto de Cabul, após milhares de pessoas terem tentado fugir do país depois que o Talibã assumiu o poder.
O aviso chegou após um dos cofundadores do Talibã, Mullah Baradar, chegar a Cabul para reuniões com outros líderes para formar um novo governo afegão.
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Cinco brasileiros estão no Afeganistão e dois querem sair, diz Itamaraty
Mais de 18 mil já saíram do Afeganistão; Otan promete acelerar a retirada de pessoas
Esta semana, imagens mostraram afegãos correndo na direção de um avião norte-americano C-17 e se pendurando no lado de fora. Outro vídeo mostrou o que parecia ser uma pessoa caindo de um avião militar, enquanto ele se afastava de Cabul.
Desde então, mais pessoas estão se aglomerando no aeroporto. Soldados armados do Talibã dizem para quem não tem documentos de viagem voltar para casa. Pelo menos, 12 pessoas foram mortas dentro ou nos arredores do aeroporto, segundo a Otan e autoridades do Talibã.
“Por causa das potenciais ameaças de segurança no lado de fora do aeroporto de Cabul, estamos aconselhando cidadãos norte-americanos que evitem ir ao aeroporto e que evitem os portões do aeroporto, a menos que você receba instruções individuais de um representante do governo dos EUA para fazê-lo”, disse o alerta da Embaixada dos Estados Unidos.
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A Suíça adiou um voo fretado de Cabul por causa do caos.
“A situação de segurança em torno do aeroporto de Cabul piorou bastante nas últimas horas. Muitas pessoas estão na frente do aeroporto e às vezes conflitos violentos dificultam o acesso ao aeroporto”, afirmou o Departamento Federal de Assuntos Estrangeiros da Suíça em um comunicado.
Avanço do Talibã
O Talibã completou seu rápido avanço pelo país, à medida em que as forças lideradas pelos EUA se retiraram, coincidindo com o que a chanceler alemã Angela Merkel disse ser um “colapso espantoso” do exército afegão.
A autoridade do Talibã afirmou que o grupo planejava preparar um novo modelo para governar o Afeganistão dentro das próximas semanas, com equipes diferentes tratando de assuntos de segurança interna e financeiros.
“Especialistas do antigo governo serão trazidos para administração de crise”, disse à Reuters.
A estrutura do novo governo não será uma democracia, pelas definições ocidentais, mas “protegerá os direitos de todos”, acrescentou a autoridade.
O Talibã, que segue uma versão ultra-rígida do islamismo sunita, apresentou uma versão moderada desde que retornou ao poder, dizendo que quer paz e que respeitará os direitos das mulheres, dentro dos parâmetros da legislação islâmica.
Vídeos: Histórias e relatos sobre o caos no Afeganistão

Fonte: G1 Mundo

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‘Preferia dormir nas ruas do Brasil a voltar ao Afeganistão’, diz refugiada em Porto Alegre


Nabila Khazizadah foi reassentada no Brasil em 2002, fugindo da guerra e do Talebã. Ela diz que no início chegou a ser chamada de ‘mulher-bomba’ nas ruas, por usar o hijab. Mas também foi ‘acolhida como irmã’ pelas vizinhas brasileiras. Nabila Khazizadah (direita) foi reassentada no Brasil em 2002, fugindo da guerra no Afeganistão e do TalIbã
Arquivo pessoal
A menina caminha nas ruas de terra para comprar alimentos na venda perto de casa. De repente, ouve o barulho ensurdecedor de uma explosão. Poeira branca sobe, cobre totalmente a visão. Tudo parece suspenso no ar até que gritos lacerantes interrompem o silêncio. Aos poucos, os olhos voltam a enxergar o chão, agora tingido de vermelho. A menina se vê rodeada de sangue que não é dela.
Mais de uma vez, Nabila Khazizadah esteve diante dessa cena.
“Muitas pessoas morreram na minha frente. Eu saía para a rua para comprar alguma coisa e não sabia se iria voltar. Caía bomba, levantava fumaça, ficava tudo branco e, de repente, era sangue para todo o lado.”
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Foi para evitar que um dia o sangue no chão fosse dela que Nabila e a família buscaram refúgio na Índia e, depois, no Brasil.
“O Afeganistão sempre esteve em guerra, desde que eu nasci foi assim, bombas e medo. Até que os talibãs tomaram a nossa casa e perdemos tudo”, contou à BBC News Brasil.
Nabila, o pai, a mãe e o irmão se mudaram para a Índia depois de perderem a casa para o Talibã. No novo país, chegaram a dormir nas ruas e passar fome, enquanto o pai tentava manter a família vendendo chinelos entre carros e transeuntes.
Nabila (à esquerda), a mãe (direita), o pai e o irmão moraram por um tempo na Índia. Ela se casou e foi com o marido para o Brasil em 2002
Arquivo pessoal
Alguns anos depois, Nabila casou com um afegão, também refugiado na Índia, e o casal teve dois filhos. “Meu marido decidiu pedir ao governo indiano para sermos reassentados em outro país que desse auxílio e tivesse mais oportunidades de trabalho”.
Foi assim que começou a jornada para o Brasil. Meses depois do pedido, receberam a notícia de que o governo brasileiro havia aceitado reassentá-los. A notícia surpreendeu. Brasil? Eles tinham uma ideia muito remota do que era esse país tão distante de tudo o que conheciam.
“A gente disse: ‘mas a gente não sabe como é o Brasil, como é a língua, a cultura’. Saímos com olhos fechados, no escuro, jogando na sorte”, conta.
“Tudo o que a gente queria era um futuro para nossos filhos, mais calmo, mais saudável.”
O início da vida no Brasil
O marido de Nabila não se adaptou ao Brasil e resolveu voltar ao Afeganistão em 2007
Arquivo pessoal
Nabila, o marido e os dois filhos, de 7 e 8 anos, embarcaram num avião junto com outras quatro famílias afegãs que seriam reassentadas num programa do Ministério da Justiça com a Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), lançado logo após o início da Guerra do Afeganistão, em 2001.
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Eles foram encaminhados para Porto Alegre e passaram a receber ajuda financeira mensal de R$ 260, mais R$ 13 por criança, além de aluguel, energia, cesta básica, remédios e transporte escolar, pagos pela Acnur.
Mas a esperança de recomeçar num país onde teria direitos assegurados se misturava à dor da saudade dos pais e irmão, que ficaram na Índia.
“Fiquei três meses fechada dentro de casa chorando, pensando no que eu faria longe da minha família. Depois eu pensei, isso não adianta, chorando dentro de casa eu não vou conseguir fazer nada. Eu tenho que colocar a cara à tapa e aprender português”, contou à BBC News Brasil.
“Saí pelo bairro falando com as vizinhas, tentando fazer amizades.”
‘Cuidado com a mulher-bomba’
Mas a adaptação não foi fácil. E, depois de um ano, os benefícios pagos pela Acnur, que eram temporários, cessaram.
“O português é uma língua muito difícil e a gente não sabia ainda como funcionavam as coisas. Começamos a correr atrás e meu marido conseguiu emprego.”
Ao andar pelas ruas de Porto Alegre com os cabelos totalmente cobertos pelo hijab, Nabila sentia os olhares desconfiados dos brasileiros que nunca tinham convivido com mulheres de véu. Alguns chegavam a reagir com hostilidade e se recusavam a sentar ao lado dela no ônibus.
“Não tinha afegãos lá naquela época, não tinha muçulmanos. As pessoas me viam com o hijab e saíam de perto, não queriam sentar ao meu lado no ônibus. Alguns falavam: sai de perto, é mulher-bomba, vai explodir.”
Nabila chegou a ser hostilizada nas ruas de Porto Alegre por usar o hijab
Arquivo pessoal (BBC)
Os filhos, no entanto, se adaptaram rapidamente e, aos poucos, Nabila fez amizades com as vizinhas, a quem chama hoje de irmãs.
“Mas comecei a ter problemas com meu marido. Ele passou a ter ciúmes. Não queria deixar os nossos filhos saírem de casa, nem que eu trabalhasse, apesar de a gente precisar do dinheiro”, conta.
Em 2007, o marido de Nabila decidiu voltar ao Afeganistão. Ela se recusou a sair do Brasil e não deixou que ele levasse os dois meninos. Mesmo sem dinheiro e emprego, Nabila se separou do marido e decidiu que daria um jeito de sustentar a família sozinha.
“Eu preferia dormir nas ruas do Brasil a voltar ao meu país. Eu conseguiria alimentar meus filhos mesmo na rua, mas não podia deixar que eles vivessem na guerra”, disse.
“Eu me sentiria mais segura dormindo na rua no Brasil que numa casa no Afeganistão, que pode ser bombardeada a qualquer momento.”
A busca por emprego
O marido voltou ao Afeganistão e Nabila ficou com os meninos. Sem a renda do marido, ela teve que batalhar muito para garantir o aluguel do apartamento e comida para a família.
“Eu nunca tinha trabalhado na minha vida e comecei a trabalhar. Desde que comecei a trabalhar, não parei mais. Eu nunca disse não. Eu cuidei até de tartaruga e do gato do vizinho”, conta.
Faz 15 anos que Nabila trabalha na casa de uma família pela manhã. “Faço de tudo: limpo, passo, cozinho. São pessoas muito boas. E confiam em mim. Isso não tem preço.”
De tarde, ela cuida de uma idosa. “Fico de 14h às 20h com ela. É uma pessoa maravilhosa.” Atualmente, os filhos de Nabila têm 27 e 28 anos, trabalham e são independentes financeiramente.
“Eles são rapazes bons. Um é o braço direito do dono de um restaurante japonês. O chefe tem confiança total nele para tomar conta do restaurante. O outro é auxiliar de cabeleireiro, mas já corta cabelo, faz tudo.”
O reencontro com os pais
Há dois anos, Nabila conseguiu realizar o sonho de rever os pais, depois de 17 anos. O casal de idosos hoje mora nos Estados Unidos – eles foram reassentados após pedido feito ao governo americano, alguns anos depois de Nabila vir ao Brasil.
“Eu queria muito ver meus pais. Eles têm diabetes, são idosos e eu precisava abraçá-los mesmo que fosse uma última vez”, conta.
Ela tentou obter o visto de turista para viajar aos EUA, mas teve o pedido negado. “Fiquei arrasada, mas aí meu pai deu um jeito de vir ao Brasil com a minha mãe, mesmo estando muito idosos.”
A mãe e o pai de Nabila conseguiram visitar a filha no Brasil há dois anos, depois de 17 anos sem se verem
Arquivo pessoal (BBC)
O reencontro foi emocionante. “Meus pais não entendiam como eu podia ter conseguido sustentar minha família sozinha. Eles diziam: ‘Mas minha filha, você está sozinha, sem um afegão? Pensavam coisas que não tinham nada a ver.”
Ao chegar ao Brasil, o pai e a mãe de Nabila reviram os netos, já adultos, e conheceram as muitas amigas que a afegã, hoje com 43 anos, fez no país. Perceberam que ela tinha construído, à sua maneira, uma nova família.
“Quando estava indo embora meu pai disse: ‘agora não tenho uma filha, tenho várias filhas’. Eles viram que eu estava rodeada de pessoas. A gente também pode construir família de afeto. Tenho amigas que me amam como irmã.”
Quase 20 anos depois de chegar ao Brasil, Nabila diz que, apesar das dificuldades de adaptação nos primeiros anos, hoje se sente em casa. Ela fala português fluentemente, com um leve sotaque. Não abre mão de usar o hijab nas ruas e de frequentar a mesquita da cidade.
“O Brasil é um país bom. Se não fossem os roubos, seria o melhor país do mundo. Eu, mesmo se tivesse oportunidade de morar no Canadá ou nos Estados Unidos, iria querer continuar a morar no Brasil. As pessoas aqui são maravilhosas, são acolhedoras, sabem olhar para a dor do outro.”
Vídeos: Histórias e relatos sobre o caos no Afeganistão

Fonte: G1 Mundo

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Furacão Grace é rebaixado para categoria 1 após atingir costa do México

Ventos chegavam a 150 km/h por volta das 9h (horário de Brasília). VÍDEO: Grace chega ao litoral do México
O furacão Grace foi rebaixado para a categoria 1 após atingir a região leste do México na manhã deste sábado (21). Por volta das 9h (horário de Brasília), ele tinha ventos sustentados de 150 km/h.
A informação foi divulgada pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês). Na madrugada deste sábado, antes de chegar à costa do México, o Grace tinha ventos de 195 km/h e era considerado um furacão de categoria 3.
Apesar do rebaixamento na categoria, o furacão levou à falta de energia elétrica para parte da população, inundações e quedas de árvores, segundo a agência Reuters.
O NHC afirmou que o Grace segue rumo ao oeste do México, em um movimento que deve permanecer durante o dia.
A expectativa é que a velocidade do furacão continue diminuindo conforme ele se desloca para áreas centrais do país.
De acordo com o NHC, o Grace deverá se transformar em uma tempestade tropical nas próximas horas e se dissipar até domingo (22). O órgão alertou para riscos após a passagem do furacão, como maré alta, inundações e deslizamentos de terra.
O Grace atingiu regiões como Veracruz, estado produtor de petróleo. Houve inundações em Ciudad Madero, no estado de Tamaulipas, onde está localizada a petrolífera estatal Pemex.
O aeroporto internacional da Cidade do México teve alguns voos cancelados por conta do furacão.
Na quinta-feira (19), o Grace já havia atingido a costa caribenha do México, deixando 700 mil pessoas temporariamente sem energia elétrica. No início da semana, Jamaica e o Haiti registraram chuvas torrenciais relacionadas ao fenômeno.
Furacão Grace: o que se sabe sobre o fenômeno que atinge Haiti, México e Jamaica

Fonte: G1 Mundo

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Caos no Afeganistão: jogador morto ao cair de avião, bebê entregue por cima do muro e multidão em pânico; veja vídeos que marcaram semana

Fonte: G1 Mundo