Categorias
MUNDO

Ativista dos direitos civis, pastor Jesse Jackson é hospitalizado com Covid-19 nos EUA


Esposa do pastor, Jacqueline Jackson, também foi internada. Médicos monitoram condição de ambos. Ativista dos direitos civis, pastor Jesse Jackson é hospitalizado por Covid-19 nos EUA.
Ludovic Marin/AFP
O ativista americano pelos direitos civis, o pastor Jesse Jackson, foi hospitalizado no sábado (21) após ter testado positivo para Covid-19.
Jackson, de 79 anos, e sua esposa, Jacqueline Jackson, de 77, estão sendo tratados no Northwestern Hospital em Chicago, informou a organização Rainbow PUSH Coalition, em um comunicado no Facebook.
“Os médicos estão monitorando a condição de ambos”, acrescentou o breve comunicado.
Jackson foi vacinado contra a Covid-19 em janeiro deste ano, momento em que emitiu uma declaração pedindo à população negra para fazer o mesmo.
Nenhuma vacina oferece proteção de 100% contra doenças, mas todas reduzem o risco de infecção, hospitalização e morte, principalmente depois da segunda dose.
É importante lembrar que vacinas funcionam, mas não são infalíveis. Ainda assim, apesar de a probabilidade de infecção após a vacina ser pequena, quanto mais a doença estiver circulando, maior é o risco de o imunizante falhar. Por isso a necessidade de vacinar o maior número de pessoas possíveis o quanto antes.
LEIA MAIS: Por que se infectar após tomar duas doses não significa que vacina não funciona
PERGUNTAS E RESPOSTAS sobre vacinas e eficácia
O pastor Jackson é um dos líderes do movimento de direitos civis americano desde a década de 1960, quando marchou com Martin Luther King e ajudou a arrecadar fundos para a causa.
Foi o afro-americano mais proeminente a se candidatar para a presidência dos Estados Unidos, com duas tentativas fracassadas de obter a designação do Partido Democrata na década de 1980, até que Barack Obama assumiu o cargo em 2009.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Com 20% da população vacinada, Nova Zelândia diz que variante delta deixa ‘sistema de saúde em apuros’


Governo neozelandês pretende revisar sua estratégia de eliminação total do vírus no país após registrar casos da nova variante. Oposição critica ritmo lento de vacinação. Lambton Quay ficou praticamente deserto no primeiro dia de lockdown em Wellington, na Nova Zelândia, na quarta-feira (18)
Reuters/Praveen Menon
O governo da Nova Zelândia reconheceu neste domingo (22) que sua estratégia de “zero covid” pode não ser mais viável em meio ao avanço da variante delta do coronavírus. O país pretende revisar o modelo depois de voltar a registrar novos casos.
O ministro encarregado da resposta à Covid-19, Chris Hipkins, informou que a Nova Zelândia registrou 21 novos casos em um foco de contágio que surgiu na semana passada em Auckland. Com eles, o país chegou à marca de 71 casos ativos.
Até terça-feira (17), a Nova Zelândia estava há seis meses sem infecções locais. Por conta dos novos casos, o governo determinou um confinamento nacional de uma semana.
A onda de novos casos na Nova Zelândia chamou a atenção para a lenta campanha de vacinação no país, onde apenas 20% da população está totalmente vacinada.
Franceses protestam pela sexta semana seguida contra restrições a não vacinados
Em dois meses, Brasil vai da 10ª à 5ª posição entre os países com mais mortes por milhão pela Covid-19
Hipkins disse que, por ser mais transmissível, a variante delta dificulta os esforços do país de buscar a eliminação total do vírus.
“A escala do risco de contágio e a velocidade com a qual o vírus se espalha é algo que, mesmo com o melhor preparo do mundo, deixou o nosso sistema de saúde em apuros”, disse a rede TVNZ.
A estratégia da Nova Zelândia Contra a covid-19, que resultou em apenas 26 mortes na população de cinco milhões de pessoas, se concentra na eliminação do vírus da comunidade por meio de rigorosos controles de fronteiras e confinamentos totais quando casos são detectados.
Com o avanço da variante delta, o país planeja remanejar a estratégia. A delta “não se parece com nada que já enfrentamos antes nesta pandemia”, admitiu Hipkins.
“Muda tudo, significa que todo o nosso preparo existente é menos adequado e surgem grandes dúvidas sobre nossos planos de longo prazo”, acrescentou o ministro.
A oposição do governo da Nova Zelândia criticou o ritmo lento da campanha de vacinação no país.
“A complacência e incapacidade do governo de garantir e entregar a vacina nos deixou expostos, completamente vulneráveis à variante delta”, reclamou Chris Bishop, porta-voz do opositor Partido Nacional.
O período de confinamento nacional, estabelecido em 17 de agosto, está previsto para se encerrar na terça-feira (24), mas o governo considera manter restrições em Auckland por um período maior.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

‘Como descobri que meu pai era um escritor de best-sellers sobre sexo’


Sara Faith Alterman era próxima do seu pai. Até que ela descobriu que ele escondia um segredo. Sara e seu pai Ira
BBC (Arquivo pessoal de Sara Faith Alterman)
Sara Faith Alterman era próxima do seu pai, um homem aparentemente austero e recatado. Até que ela descobriu que ele escondia um segredo.
Criada perto de Boston, Massachusetts, nos anos 1980, Sara sempre sentiu uma ligação especial com seu pai, Ira.
“Meu pai e eu sempre fomos muito parecidos”, diz ela. “Até fisicamente, o que agora é engraçado, sabe, como uma menininha poderia ser parecida com um homem judeu de 40 anos. Nós tínhamos as mesmas características faciais, o mesmo cabelo e eu meio que queria imitá-lo.”
A experiência de se tornar uma autora best-seller aos 70 anos
Ira seria sempre a pessoa que ela procuraria quando tivesse um problema que precisasse de solução. Ele transmitiu para Sara e para o irmão dela seu amor pela linguagem e por jogos de palavras – ele havia trabalhado como jornalista antes de mudar para o marketing e as viagens da família seriam marcadas por jogos de palavras, trocadilhos e rimas.
“Eu queria ser como ele em tantas formas”, afirma ela. “Por isso eu aprendi tanto com aqueles jogos que fazíamos no carro. Eu realmente achava engraçado misturar palavras e conseguir coisas novas – parecia uma habilidade estranha do meu pai que muitos dos meus amigos não tinham.”
Ira e Sara Faith Alterman (com cerca de um ano) na praia
BBC (Arquivo pessoal de Sara Faith Alterman)
Os pais de Sara eram apaixonados por quebra-cabeças e por organizar caças ao tesouro. Eles só não gostavam de nada que pudesse ameaçar a inocência dos seus filhos – por isso, todos os assuntos de adultos eram completos tabus, especialmente o sexo.
“Meus pais se comportavam como se essas coisas não existissem”, afirma ela. “Acho que nunca ouvi meu pai usar a palavra ‘sexo’ antes dos meus 30 anos de idade.”
O pior era se estivessem assistindo a um filme ou programa de televisão que incluísse uma cena romântica.
“O meu pai dizia ‘Opa!’ e se levantava para mudar o canal o mais rápido possível ou retirar a fita do videocassete”, conta Sara. “Às vezes, se ele não alcançasse o botão da TV rapidamente, ele simplesmente tirava o plugue da tomada.”
“Acho que ele não queria responder perguntas sobre isso. Acho também que ele se sentia muito desconfortável sentado na sala com seus filhos com alguma coisa relacionada a sexo acontecendo.”
Mas, um dia, quando ela tinha oito anos de idade, Sara fez uma descoberta que desafiou tudo o que ela achava que sabia sobre ele.
Sozinha em um cômodo da casa da família e cansada do livro que estava lendo, Sara começou a examinar as estantes. Até então, ela não tinha altura suficiente para alcançar as prateleiras mais altas, mas agora ela descobriu que já podia fazê-lo.
No canto mais acima, à direita, ela viu, escondido atrás de outros livros, um conjunto de brochuras com cores vivas firmemente embaladas, claramente para ocultá-las da visão. “Eu pensei: ‘bem, é claro que é isso que vou ver”, diz Sara. Ela afastou os livros da frente e agarrou vários.
Eles eram diferentes de qualquer livro que Sara havia visto antes.
As suas capas exibiam ilustrações de “mulheres atraentes e homens com aparência muito excitada, sentados no colo uns dos outros e se beijando”, relembra ela – se aparecessem na TV da família, o pai dela teria mudado imediatamente de canal. Muitos dos títulos incluíam a palavra “sexo” – os mais comportados incluíam “Como pegar garotas” e “O manual do sexo para pessoas com mais de 30 anos” (em tradução livre).
Nesse momento, Sara ouviu que seus pais estavam vindo. Ela sabia que não deveria estar olhando esses livros e foi colocá-los de volta. Foi quando ela observou um detalhe que a deixou totalmente confusa.
“Eu vi na página de título de um dos livros: ‘por Ira Alterman’ – que era o nome do meu pai, e pensei: “Espere aí, o que é isso? O meu pai não escreve livros.”
De fato, ela observou que o pai dela era indicado como o autor de todos os livros. “Fiquei muito confusa e não tive tempo de processar isso porque precisava colocar rapidamente os livros no lugar”, conta Sara.
“Levei um tempo para entender que, sim, meu pai havia escrito aqueles livros impróprios sobre sexo que eu não deveria olhar”, diz ela. Mais tarde, ela descobriria que, desde os anos 1970, os livros para adultos de Ira haviam vendido milhões de cópias em todo o mundo, traduzidos para muitos idiomas.
‘O manual de sexo para pessoas com mais de 30 anos’: livro de Ira Alterman
BBC (Arquivo pessoal de Sara Faith Alterman)
Mas ela definitivamente não podia perguntar para ele diretamente sobre nada disso. Quando ela trouxe para casa uma papeleta de permissão para que pudesse participar de aulas de educação sexual, já havia sido muito constrangedor – Ira não conseguia olhar para ela nos olhos enquanto assinava. Por isso, discutir sua atividade de escritor era impensável.
“Acho que a maioria das crianças tem esse momento em que elas descobrem que os seus pais não são intocáveis, não são super-heróis, não sabem tudo – e isso poderá ocorrer junto com a revelação em que as crianças entendem que ‘oh, meu Deus, meus pais fizeram sexo, fizeram sexo para que eu nascesse e provavelmente ainda fazem’, afirma ela.
A relação dela com seu pai foi também afetada pelo descompasso entre a carreira dele como escritor e como ele se comportava em casa. “Eu parei de confiar nele até certo ponto porque eu sabia que o pai que ele me mostrava não representava totalmente a pessoa que ele era”, conta ela.
Mas, quando Sara se tornou adolescente e foi para o ensino médio, ela retornou em segredo para os livros escondidos. Ela havia conhecido o seu primeiro namorado. Mas eram os anos 1990 e conseguir informações sobre o que aconteceria a seguir não era tão fácil. E, por estranho que possa parecer, os livros do seu pai eram melhor do que nada.
Mas havia também um lado negativo. Os títulos escritos por Ira eram parte de uma série de livros mais ampla – todos de autores homens – que apresentavam uma personagem chamada Bridget.
“Bridget era uma mulher gorda”, diz Sara, e a personagem era alvo de zombarias sobre a ideia de que uma mulher gorda seria sexy. Olhando para trás, Sara agora compreende que isso incutiu nela a ideia de que mulheres acima do peso não mereciam ser objeto de desejo, o que causou efeito negativo sobre a sua percepção do próprio corpo.
“Foi algo ainda mais horrível saber que o meu pai fazia essas brincadeiras e que o meu pai achava que as mulheres gordas não eram merecedoras de amor e sexo”, conta Sara.
Por isso, nas duas décadas que se seguiram, embora eles permanecessem próximos, os livros de Ira permaneceram um tabu que Sara não conseguia discutir com ele.
Nessa época, ela saiu de casa, conheceu um homem chamado Sam e se casou com ele. Eles se mudaram para o outro lado do país, na costa oeste, onde ela se tornou uma escritora bem sucedida. Mas, enquanto Sara progredia em sua nova vida, o pai dela parecia estar na direção contrária.
Sara Faith Alterman e seu pai Ira usando um véu de casamento
BBC (Arquivo pessoal de Sara Faith Alterman)
Já com mais de 60 anos de idade, Ira perdeu o trabalho no setor de marketing que manteve por 30 anos. “Foi muito doloroso ver um homem que sempre considerei uma espécie de super-herói e que foi minha referência para tantas coisas na vida, de repente, lutando de uma forma que eu nunca havia visto antes”, relembra Sara.
Enquanto o ajudava a procurar emprego, ela observou que alguma coisa não estava muito certa. “Meu pai me fazia as mesmas perguntas várias vezes e ficava muito frustrado”, conta Sara. Primeiramente, ela achou que fosse apenas um sinal da idade. Depois ela foi visitá-lo e ficou horrorizada vendo-o dirigir de forma irregular. “Era muito assustador, mas novamente atribuí tudo isso à sua idade.”
A mudança de comportamento mais alarmante veio quando Ira anunciou que havia parado de procurar emprego. No início, Sara ficou aliviada, achando que isso significava que o seu pai agora entraria em uma aposentadoria precoce, mas feliz. Até que ele disse que tinha uma ideia de negócio em mente.
Ira disse que iria começar a escrever livros novamente. Sara congelou. Ela perguntou o que ele queria dizer com escrever livros novamente? Eles ainda não haviam discutido a carreira dele como autor.
Ele contou que tinha uma ideia para um livro infantil, baseado em um cão doméstico muito querido. “E então ele disse: ‘e também quero começar a escrever livros como costumava fazer, pois eles eram muito populares e vou querer sua ajuda com eles’.”
Sara perguntou do que ele estava falando. Ela sabia exatamente o que ele queria dizer, mas queria ouvir da boca dele.
Mas ele contou que havia se inspirado no recente casamento dela para escrever um livro chamado “A Noiva Travessa” (tradução livre do inglês), que seria destinado a “noivas e recém-casadas, para servir de guia de como agradar o seu homem na noite de núpcias”, segundo Sara.
“Foi um choque para mim porque foi a primeira vez que ele reconheceu esses livros e eu também nunca havia ouvido meu pai dizer a palavra ‘sexo’, nem falar sobre nenhum tema sexual antes.”
No início, Sara recusou-se a ajudar o seu pai com esse pedido bizarro. Mas, pouco depois, surgiu uma explicação para a dramática mudança de comportamento de Ira.
Em abril de 2014, quando Sara tinha 34 anos e Ira tinha 68, ela recebeu um email da sua mãe. A mensagem dizia que ela e o marido haviam visitado um neurologista, que diagnosticou Ira com Alzheimer.
Sara havia acabado de saber que estava grávida e a notícia foi devastadora. Ela voou para Massachusetts para falar pessoalmente com o neurologista de Ira. Ele contou a ela que Alzheimer é uma doença cerebral progressiva que destrói lentamente a memória e a capacidade de raciocínio. É degenerativa e terminal – ao fim, perde-se totalmente a capacidade de realizar as tarefas mais simples.
“Uma das coisas que o médico disse foi que pessoas com Alzheimer tendem a perder o seu encanto social”, diz Sara. “Por isso, não fique ofendida se o seu pai começar a ser inadequado em alguns momentos, ou comportar-se de forma que você não reconhece – isso é apenas uma característica da doença e não significa que o seu pai subitamente se tornou uma pessoa pior ou diferente.”
Remédio contra o Alzheimer é aprovado por agência dos EUA
Apesar da tragédia do diagnóstico de Ira, ele veio como um alívio para Sara. Finalmente ela compreendia por que ele havia começado a agir de forma tão diferente.
Por isso, Sara decidiu ajudar Ira da forma que pudesse. Antes que fosse tarde demais, ela concordou em ajudá-lo a escrever os seus livros.
Não foi fácil para ela – discutir sobre sexo com seu pai ainda parecia profundamente estranho e ela ainda mantinha sentimentos residuais de vergonha e desgosto sobre a forma como havia descoberto seus livros quando criança. Mas ela encontrou uma forma de colocar tudo isso de lado.
“Eu nem escrevi muito – meu trabalho foi mais de edição e feedback. Ele me ligava com ideias de livros ou capítulos novos sobre alguma posição ou tendência sexual, ou qualquer coisa em que estivesse pensando no momento”, conta ela.
“Eu precisava atender às ligações e aconselhá-lo, ou ele me enviava manuscritos impressos dos seus livros para que eu analisasse, editasse e colaborasse com a criação, embora algumas vezes eu o fizesse com um olho fechado, literalmente.”
Pouco tempo depois, Ira anunciou que queria voltar à sua cidade natal de Perkasie, na Pensilvânia, para rever os lugares associados à sua infância feliz antes que se esquecesse deles.
“Ele queria ir aos campos de baseball e ver onde ele e seus irmãos jogavam… ver um carrossel histórico com belos cavalos entalhados na madeira…”, conta Sara.
“Ele sabia que a sua vida estava chegando ao fim e a viagem era uma oportunidade de passar algum tempo muito especial com ele.”
Havia um estímulo ainda maior para a viagem – na época, Sara estava grávida de seis meses. Ira sobreviveu para conhecer seu neto, mas sabia que nunca veria o bebê crescer.
Ira Alterman com seu neto Colin
BBC (Arquivo pessoal de Sara Faith Alterman)
Ira Alterman morreu em 6 de julho de 2015, dois dias depois do seu aniversário de 70 anos. Pouco tempo depois, os livros para adultos que ele pediu para Sara ajudar foram publicados, com algum sucesso comercial.
Mas havia um outro projeto para o qual ele também pediu a ajuda de Sara.
Ira havia sempre contado histórias para dormir, para ela e para o irmão – “ele inventava todo tipo de histórias maravilhosas sobre a nossa família e os nossos gatos, ou criaturas mágicas”, lembra Sara. Embora ele ainda se recordasse, Sara e sua mãe o ajudaram a escrever uma coletânea dessas histórias, para que seus netos pudessem ler.
Transcrevendo suas palavras, ela conta, “fui transportada de volta para minha infância, em total admiração da capacidade do meu pai de juntar palavras, da mesma forma que admirava sua capacidade de juntar palavras quando brincávamos com seus jogos de palavras no carro”.
Sara escreveu um livro de memórias intitulado “Nunca mais vamos falar disso” (em tradução livre), sobre o seu relacionamento com seu pai. No final, ela incluiu uma das histórias para dormir de Ira, chamada “O menino do suéter feio” (em tradução livre).
O personagem principal chama-se Colin, nome do filho de Sara. Embora o menino vá crescer sem conhecer Ira, ele já tem essa lembrança do avô.
O pequeno Colin estava muito animado. Era seu aniversário e sua avó havia enviado um presente em uma caixa muito grande.
“Meu Deus”, pensou ele enquanto retirava as belas fitas, laços e o papel de presente. “Isso vai ser ótimo!”
Ele pegou a caixa e retirou um presente grande, embalado em papel dourado. Ele rasgou o papel e agarrou… o suéter mais feio que ele já tinha visto.
“Este é o suéter mais feio que já vi”, gritou ele.
“Meu filho adora essa história”, diz Sara. “Assim conseguimos, de certa forma, atender ao desejo do meu pai de manter uma ligação com seus netos.”

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Henri perde força e é rebaixado a tempestade tropical antes de atingir costa nordeste dos Estados Unidos


Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos informou que ventos chegavam a 95 km/h às 12h (horário de Brasília). Rhode Island registrou alagamentos antes do centro do Henri atingir os Estados Unidos
REUTERS/Brian Snyder
O Henri deve atingir a costa nordeste dos Estados Unidos na tarde deste domingo (22), após perder ser rebaixado de furacão para tempestade tropical.
Segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC, na sigla em inglês), o Henri tinha ventos sustentados máximos de 95 km/h por volta das 12h (horário de Brasília).
A tempestade se encontrava 25 km a leste da região de Montauk, no estado de Nova York, e 80 km a sudeste de Providence, em Rhode Island.
A possibilidade de alagamentos e quedas de árvores com a chegada iminente da tormenta deixou milhões de pessoas em alerta na ilha de Long Island, em Nova York, e no sul da região conhecida como Nova Inglaterra, que inclui estados como Rhode Island e Connecticut.
Tempestade interrompe evento de reabertura em NY enquanto Henri se aproxima
Furacão Grace causa 8 mortes no México
Tempestade tropical Henri se aproxima do nordeste dos EUA
Segundo a Associated Press, especialistas apontam que a principal ameaça do Henri não é o vento, e sim as inundações que podem ser causadas por chuvas fortes e prolongadas.
As primeiras chuvas causadas pelo Henri nos EUA foram registradas no sábado e causaram alagamentos em pontos das cidades de Nova York, Newark e Hoboken.
O fenômeno também levou à interrupção de um show no Central Park, em Nova York. O evento, que celebrava a reabertura da cidade, foi interrompido às pressas por conta do risco de raios.
Os principais aeroportos da região permaneceram abertos, mas cancelaram alguns voos neste domingo. O sistema de trens de Nova York teve a operação parcialmente suspensa.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Joséphine Baker será a primeira mulher negra a entrar no Panteão


Artista franco-americana consagrou-se a primeira estrela internacional negra e foi espiã da Resistência Francesa contra as tropas nazistas durante a Segunda Guerra. Josephine Baker
Paul Nadar
A artista franco-americana Joséphine Baker (1906-1975) entrará para o Panteão de Paris a partir de 30 de novembro. Figura eminente da resistência francesa antinazista e da luta antirracista, Baker será a primeira pessoa negra e a sexta mulher a descansar na secular necrópole francesa.
A informação foi confirmada neste domingo (22) por fontes próximas do presidente Emmanuel Macron e pelo jornal Le Parisien. Segundo o veículo francês, o presidente anunciou a notícia a um grupo de personalidades que concordava com a transferência de Baker para o Panteão.
“Quando o presidente nos disse que sim, foi uma grande alegria”, disse a empresária Jennifer Gueson, uma das personalidades recebidas que defendeu a entrada de Baker no Panteão. Segundo eGuesdon, Macron anunciou a entrada da artista em 21 de julho.
Brian Bouillonr-Baker, um dos 12 filhos adotivos de Baker, também esteve entre os convidados de Macron. O pedido de ‘panteonização’ teria sido feito pela família Baker desde 2013, segundo Jennifer Guesdon, e a petição tem “quase 40 mil assinaturas”.
Primeira estrela negra e espiã de guerra
Josephine Barke
Walery
Jospehine Baker é considerada a primeira grande estrela do teatro de revista. Ela também foi a primeira mulher negra a desempenhar o papel principal em uma grande produção cinematográfica no longa francês “A Sereia dos Trópicos”, de 1927. Também foi uma das mais renomadas dançarinas do icônico Folies Bergère. Em Paris, ficou conhecida pelas danças sensuais e a irônica saia de bananas, que definiu sua imagem da época.
Ainda conhecida pelos posicionamentos antirracistas, Josephine foi uma das artistas negras que se recusou a se apresentar para plateias segregadas nos Estados Unidos, onde a cantora nasceu e foi também uma das vítimas do Jim Crow.
Já na Europa, sua imagem de artista glamourosa a fez um grande nome da Resistência Francesa contra os nazistas. Conhecida pelos apelidos de Vênus Negra, Pérola Negra e Deusa Crioula, os holofotes em cima de sua sensualidade a faziam passar despercebida como espiã de guerra: além de esconder diversos franceses em sua propriedade durante a invasão nazista em Paris, Baker usou sua turnê pela América do Sul para contrabandear documentos para o general Charles de Gaulle. Em suas partituras, carregou informações codificadas sobre movimentos das tropas alemãs na França.
Sexta mulher no Panteão
Por mais de um século, o Panteão foi a necrópole secular dos “grandes homens – e mulheres -” na França, cuja memória, a “pátria reconhecida” quer homenagear. O imponente edifício fica no coração da capital francesa. Entre os 80 personagens “panteonizados” estão políticos, escritores, cientistas, alguns religiosos e muitos militares.
Atualmente, ficam ali apenas os restos mortais de cinco mulheres, como os de Simone Veil, a última a ter sido incluída, em 2018. O escritor francês Maurice Genevoix foi o último “panteonizado”, em 2020.
Joséphine Baker será a sexta mulher a entrar no Panteão, depois de Sophie Berthelot, a física Marie Curie, as lutadoras da resistência Germaine Tillion e Geneviève de Gaulle-Anthonioz, além de Simone Veil, que também era uma figura política.
Sophie Berthelot, a primeira a descansar ali, ao lado de seu marido, o cientista Marcelino Berthelot a quem ela ajudara em suas pesquisas, havia se distinguido “em homenagem à sua virtude conjugal”.
Veja quem são as mulheres do Panteão francês, na ordem em que entraram:
Marie Curie
Marie Curie foi a primeira pessoa a receber dois prêmios Nobel em áreas distintas, física e química, em 1903 e 1911, respectivamente
Getty Images via BBC
Nascida em Varsóvia em 1867, Marya Salomea Sklodowska veio a Paris para estudar física e matemática. Casou-se com o físico Pierre Curie em 1895. Eles encontraram dois novos átomos, radioativos, batizados de polônio e rádio, e obtiveram o Nobel de Física em 1903, com Henri Becquerel.
Em 1906, Pierre Curie morreu atropelado por um caminhão. Viúva, Marie Curie teve um caso com o físico Paul Langevin, que também descansa no Panteão. Mas a esposa traída apresentou uma queixa contra ela e o escândalo estourou em 1911, terminando seu romance. Nesse mesmo ano, ela recebeu o Nobel de Química.
A única mulher no mundo a ser laureada duas vezes, ela morreu em 1934.
Em 1995, suas cinzas foram transferidas para o Panteão com as de seu marido, na presença do presidente polonês Lech Walesa. Uma decisão do presidente François Mitterrand tomada por sugestão de Simone Veil e outras personalidades.
Sophie Berthelot
 Marcelino Berthelot (1827-1907) foi químico, biólogo e político. Muitas ruas, praças, escolas ou escolas secundárias levam o nome daquele que depositou mais de 1.000 patentes científicas e foi Ministro das Relações Exteriores e da Educação Pública.
Quando sua esposa, Sophie (nascida Niaudet), que o ajudava em suas pesquisas, adoeceu, ele disse a seus filhos (o casal tinha seis) que não poderia “sobreviver” a ela. Ele morreu alguns momentos depois dela. As causas de sua morte não foram claramente elucidadas.
A família concordou em “panteonizá-lo” com a condição de que Sophie fosse enterrada com ele. O Ministro Aristide Briand disse em seu elogio em 1907: “Ela possuía todas as raras qualidades que permitem a uma mulher bela, graciosa, gentil, gentil e culta estar associada às preocupações, sonhos e trabalho de um homem. Gênio”.
Geneviève de Gaulle-Anthonioz
A primeira mulher a receber a Grã-Cruz da Legião de Honra, Geneviève de Gaulle-Anthonioz (1920-2002) foi sobrinha do General de Gaulle. Estudante de história, ingressou na famosa Rede de Resistência do Museu do Homem, uma das primeiras criadas em Paris. Denunciada e presa em 1943, ela foi deportada em janeiro de 1944 para Ravensbrück, onde esteva ao lado de Germaine Tillion.
De volta do campo de concentração, ela trabalhou por um período no Ministério da Cultura com André Malraux com o marido Bernard Anthonioz. Mas, no final de 1958, conheceu o padre Joseph Wresinski, criador do movimento “Ajuda em qualquer perigo “, que se tornaria o ATD Quart-Monde. Em 1964, ela assumiu a chefia da associação. Em 1996, ela apelou aos parlamentares a favor de um projeto de lei de coesão social finalmente aprovado em 1998.
Germaine Tillion
Etnóloga, Germaine Tillion (1907-2008) foi uma lutadora incansável pelos direitos humanos. Aluna do sociólogo Marcel Mauss, em 1934 saiu para investigar a população berbere nos Aurès. Meio historiadora, meio repórter, ela cumpriu quatro missões ali.
Durante a guerra, ela participou da criação da Rede Museu do Homem. Ela também foi deportada para Ravensbrück, ao mesmo tempo que sua mãe, Émilie. Detentora de inúmeras condecorações por seus atos heróicos durante a guerra, ela é a segunda mulher a se tornar Grã-Cruz da Legião de Honra.
No retorno do campo de concentração, ela trabalhou no CNRS e na École Pratique des Hautes Etudes, escrevendo vários livros sobre Ravensbrück, Argélia ou sua profissão.
O seu caixão e o de Geneviève de Gaulle-Anthonioz foram instalados no Panteão em 2015, sem os seus restos mortais, a pedido das suas famílias que pretendiam mantê-los nos cemitérios onde estão enterrados.
Simone Veil
Simone Veil, sobrevivente de Auschwitz, ministra da Saúde (1974-1978) e presidente do Parlamento Europeu (1979-1982), foi uma das personalidades favoritas da França.
Também acadêmica, foi presidente da Fundação para a Memória da Shoah (2001-2007).
Sua notoriedade e popularidade se devem muito à sua luta para que a lei de interrupção voluntária da gravidez (aborto) seja adotada em 1975, apesar da oposição de grande parte da direita.
Ela foi panteonizada em 2018, um ano após sua morte. Seu marido, Antoine, falecido em 2013, repousa ao seu lado.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Dirigente do Talibã culpa os EUA por caos no aeroporto de Cabul


Nos últimos dias, milhares de pessoas se dirigiram ao local na tentativa de embarcar em voos para fugir do país. Segundo o governo britânico, sete pessoas morreram em torno do aeroporto no sábado (21). Centenas de pessoas se reúnem do lado de fora do aeroporto internacional em Cabul, no Afeganistão, em 17 de agosto de 2021
AP
Um líder do grupo Talibã responsabilizou neste domingo (22) os Estados Unidos pelo caos no aeroporto de Cabul, no Afeganistão. No local, milhares de pessoas tentam embarcar em voos para fugir do país.
“Estados Unidos, com todo seu poder e seus meios (…), fracassaram em impor ordem no aeroporto”, disse Amir Khan Mutaqi, um dirigente talibã.
“Reina a paz e a ordem em todo o país, mas há caos somente no aeroporto de Cabul”, continuou. “Isso deve acabar o mais rápido possível”.
VÍDEOS: Caos no Afeganistão
Cinco brasileiros estão no Afeganistão e dois querem sair, diz Itamaraty
O Ministério da Defesa do Reino Unido informou que sete pessoas morreram nos arredores do aeroporto no sábado (21). A Reuters afirmou que elas foram esmagadas contra os portões.
Um oficial da Organização do Tratado do Atlântico Nortes (Otan) relatou à agência que ao menos 20 pessoas morreram nos últimos dias dentro ou nos arredores do aeroporto.
A rede britânica Sky News divulgou no sábado imagens de pelo menos três corpos cobertos com um plástico branco fora do aeroporto. Segundo o repórter da emissora, Stuart Ramsay, as pessoas estavam sendo esmagadas e outras “desidratadas e aterrorizadas”.
Embaixada dos EUA no Afeganistão pede que americanos se mantenham distantes do aeroporto
Uma semana após a tomada de poder do grupo extremista, milhares de afegãos tentam deixar o país. O secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, defendeu que o prazo de permanência dos EUA no Afeganistão seja ampliado para permitir a retirada de todas as pessoas.
O presidente dos EUA, Joe Biden, chegou a um acordo com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, para usar duas bases militares em território espanhol como recepção receber cidadãos que estavam no Afeganistão.
Os EUA alertaram no sábado (21) que americanos no Afeganistão devem evitar o aeroporto de Cabul se não tiverem instruções de representantes do governo.
Vídeos: Histórias e relatos sobre o caos no Afeganistão

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Como os EUA perderam a ‘guerra ao ópio’ no Afeganistão


A despeito de uma estratégia ativamente voltada para impedir a produção de ópio e heroína, a área de cultivo da papoula no Afeganistão cresceu 37% em 2020 – e é uma das principais fontes de renda do Talibã. Afegão em campo de papoula, em foto de 2016; dados de 2019 apontam que a produção do ópio respondia por quase um terço do PIB do país
Reuters/BBC
É novembro de 2017. A câmera de visão noturna mostra um conjunto de ruas em uma cidade da província de Helmand, polo de cultivo de papoula no Afeganistão.
A câmera tenta centrar no alvo antes de os mísseis serem disparados.
São nove disparos no total, cada um deles alvejando uma edificação, em uma série de explosões quase simultâneas.
É um exemplo marcante de bombardeios de precisão, que usam algumas das mais caras e avançadas tecnologias militares já produzidas, incluindo um bombardeiro estratégico B-52, um caça F-22 Raptor e um disparador de foguetes M142.
O vídeo desse ataque, no qual oito civis afegãos foram mortos, foi parte de uma série postada online naquele ano pelos militares americanos (aqui, em inglês) como evidência do avanço da campanha de bombardeios chamada de “Tempestade de Ferro”.
‘Preferia dormir nas ruas do Brasil a voltar ao Afeganistão’, diz refugiada em Porto Alegre
União Europeia diz que não reconhece regime do Talibã
VEJA VÍDEOS: Caos no Afeganistão
O objetivo era destruir laboratórios de heroína no âmago do comércio de ópio promovido pelo grupo extremista Talibã – que agora retomou o controle do país – e que já lhe rendia, na época, cerca de US$ 200 milhões por ano. Os bombardeios americanos atingiriam cerca de 200 alvos semelhantes.
No entanto, de acordo com um relatório publicado em abril de 2019 pela unidade de políticas sobre drogas da universidade britânica London School of Economics, a Operação Tempestade de Ferro não teve exatamente o impacto desejado.
O estudo identificou que, apesar de contar com excelentes informações de inteligência, a campanha multimilionária de bombardeios vinha tendo um efeito mínimo sobre o Talibã e sobre as redes de tráfico dentro do Afeganistão.
Dados mais recentes apontam para o crescimento do cultivo de papoula, a matéria-prima do ópio e, por consequência, da heroína, que é uma das principais fontes de renda do Talibã.
Em maio de 2021, uma investigação da Agência da ONU contra Crimes e Drogas (Unodc) junto à Agência Nacional de Estatísticas do Afeganistão estimou que a área de cultivo da papoula para ópio cresceu 37% em 2020 em relação ao ano anterior – com 224 mil hectares, essa área de cultivo é uma das maiores já registradas no país e tinha potencial de produzir 6,3 mil toneladas de ópio e gerar lucros ilícitos de US$ 350 milhões.
Reportagem da agência Reuters publicada na segunda-feira (16/8) calcula que os EUA tenham gastado mais de US$ 8 bilhões ao longo de 15 anos tentando impedir, por meio de bombardeios e destruição de lavouras, que o comércio de ópio continuasse sendo uma fonte de renda ao Talibã. Mas a estratégia não deu certo: o Afeganistão continua sendo o maior fornecedor de ópio ilícito do mundo, status que deve ser reforçado com a retomada do poder central pelo grupo fundamentalista, aponta a Reuters.
Os bombardeios
O que, então, os americanos estavam atacando naquele bombardeio em 2017?
O pesquisador David Mansfield, especialista no tema, fez essa pergunta a si mesmo enquanto assistia ao vídeo do ataque.
“Foi bizarro”, ele disse à BBC News em 2019. “Eu estava sentado (na minha casa) no Reino Unido, a milhares de quilômetros de distância, assistindo àqueles ataques inacreditáveis. A tecnologia usada pelos americanos era surpreendente. Esses bombardeios pareciam ter uma ótima precisão, mas eu pensava: qual é o alvo?”
Mansfield estuda a indústria afegã do ópio há mais de duas décadas. Ele explicou que a produção da heroína deixa certos rastros, e ele não estava vendo nenhum deles.
No entanto, os americanos afirmaram que aquele ataque foi um sucesso.
Foram necessários meses de trabalho de detetive usando análises geoespaciais de imagens de satélite e investigação em campo até Mansfield ter a sensação de ter entendido o desenrolar dos fatos.
E a conclusão dele causou surpresa. Apesar da grande injeção de recursos por parte dos EUA, Mansfield e sua equipe se convenceram, em 2019, de que a Força Aérea americana estava usando tecnologias caras e de última geração para bombardear meras choupanas de barro.
O avanço da indústria da heroína
O ópio está profundamente intrincado na história de conflitos do Afeganistão, palco da maior guerra da história americana.
Os lucros do comércio da heroína são usados para financiar tanto o Talibã quanto grupos considerados terroristas, como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda.
A heroína também movimenta a corrupção tão corrosiva à sociedade civil no Afeganistão.
Em 2016, a BBC viu uma amostra de quão institucionalizado o cultivo de papoula era no país, ao visitar uma fazenda dentro de uma área que, ao menos em teoria, era controlada pelo (agora erradicado) governo afegão.
Os agricultores do local não viam qualquer necessidade de esconder que ali era cultivada papoula em um espaço a meia hora de distância do aeroporto Mazar-e-Shafir, ao lado da rodovia principal da região.
Um agricultor, Taza Meer, parecia tranquilo sob a proteção de um homem que carregava um AK47 em seus ombros.
“Não se preocupe com ele”, disse Meer à reportagem. “Ele é um policial local”.
A produção de ópio era, em teoria, um crime grave no Afeganistão, punido com a pena de morte sob o governo apoiado pelo Ocidente. Mesmo assim, aquele policial assistiu à visita da BBC a uma plantação de papoula no auge da colheita.
Quando os EUA e o Reino Unido invadiram o Afeganistão, em outubro de 2001, havia cerca de 74 mil hectares afegãos dedicados à papoula. Hoje, é três vezes maior, segundo o mais recente relatório da ONU.
E houve outra mudança adicional: no passado, o látex feito de ópio era secado e traficado para fora do Afeganistão como uma pasta grudenta, que seria refinada em outras partes do mundo. Nos últimos anos, porém, autoridades afegãs e ocidentais estimam que ao menos a metade do ópio afegão já saía do país processado na forma de morfina ou heroína.
Isso torna seu tráfico muito mais fácil, além de aumentar consideravelmente os lucros dos traficantes e do Talibã – que recolhia, segundo estimativas de 2019, um “imposto” de 20% sobre esses lucros.
Nas ruas dos EUA
Esse pico na produção de heroína ocorreu simultaneamente a uma epidemia de opioides nos EUA.
A Casa Branca declarou o problema como emergência de saúde pública em outubro de 2017, ante a estimativa de que mais de 2 milhões de americanos eram viciados em opioides – e em um momento em que overdoses haviam se tornado a principal causa de mortes nos EUA, superando acidentes de carro e violência armada.
Essa epidemia de opioides começou com a prescrição indiscriminada de analgésicos, mas, à medida que o controle sobre esses remédios aumentou, pessoas viciadas passaram a recorrer à heroína ou a opioides sintéticos, como Fentanyl.
E, é claro, o Afeganistão é, de longe, o maior produtor de ópio do mundo – as estimativas do Unodc são de que o país seja a origem de mais de 80% do ópio e da heroína globais (nos EUA, curiosamente, a maior parte do suprimento de heroína não vem do Afeganistão, e sim do México e da América do Sul, segundo dados de 2019 da Agência de Combate às Drogas americana).
Mas, assim como em qualquer commodity, quando aumenta a oferta, os preços caem.
Diante da expectativa de que a produção aumente sob o mando do Talibã, “mais produção faz com que as drogas fiquem mais baratas e acessíveis”, disse à agência Reuters, nesta semana, Cesar Gudes, chefe do escritório de Cabul da Unodc. “Estes são os melhores momentos em que grupos ilícitos tendem a se posicionar (para expandir seus negócios)”.
Ação militar
A lógica da operação Tempestade de Ferro era simples.
“Vamos atingir o Talibã onde dói, que é nas suas finanças”, disse o comandante general John Nicholson, em uma coletiva de imprensa no dia seguinte à primeira onda de bombardeios.
Cerca de 60% dos lucros do Talibã vêm do comércio de narcóticos, então atacar essa fonte reduziria o financiamento do grupo e a oferta de heroína pelo mundo, concluíram os estrategistas americanos.
A inspiração veio da Síria, onde bombardeios aéreos americanos contra a indústria petroleira ilegal do Estado Islâmico destruiu plataformas, caminhões-tanque e outros equipamentos. A campanha foi considerada um sucesso, reduzindo dramaticamente as receitas do autoproclamado califado e dificultando a cooptação de combatentes.
Mas, como não é incomum na longa história de conflitos no Afeganistão, não foi tão simples adaptar a ideia.
Processo improvisado
A produção de heroína no Afeganistão não é um processo industrial, explicou David Mansfield à BBC. E os espaços improvisados onde os afegãos refinam o ópio sequer podem ser chamados de laboratórios, segundo ele.
Não há jalecos brancos, locais esterilizados ou equipamentos adequados. A heroína costuma ser feita em habitações comuns afegãs – uma parede de argila com cerca de seis choupanas construídas ali dentro.
E, como o processo expele gases nocivos, ele geralmente ocorre em lugares mais abertos.
Ele é difícil de ser escondido, afirmou Mansfield, porque deixa vestígios bem específicos de restos de fogueira, geralmente em fileiras.
Um espaço ativo de refinamento também terá pilhas de tambores de combustível, prensas de extração de morfina, recipientes de gás, carvão ou madeira (para o fogo) e barris químicos, além de movimento de pessoas.
Quando o Exército dos EUA divulgou 23 vídeos mostrando ataques em supostos laboratórios de heroína, Mansfield afirmou que apenas olhando para as imagens já conseguiu perceber que na maioria daqueles locais não havia nenhuma produção significativa de heroína, porque “não havia os rastros dessa atividade”.
Busca por evidências
Mas Mansfield sabia que, para explicar seu ponto, precisaria de mais provas.
Ele acionou a Alcis, uma start-up britânica especializada em análise geoespacial de fatos ocorridos em locais remotos.
Embora as coordenadas tivessem sido apagadas dos vídeos divulgados pelos EUA, foi possível identificar os locais dos ataques por meio de imagens de satélites do Afeganistão e, assim, identificar o que havia acontecido naqueles locais antes dos disparos de mísseis.
A Alcis conseguiu identificar 31 edifícios. De todos os locais examinados, apenas um deles estava, com certeza, produzindo ópio quando foi atingido pelo míssil americano – era uma edificação contendo cerca de 200 barris (e imagens termais mostravam esses barris com a cor branca, indicando que eles estavam quentes e ativamente envolvidos no processo de refinamento de heroína).
Pesquisa de campo
Em seguida, Mansfield reuniu uma equipe de pesquisadores afegãos para entrevistar as pessoas nas comunidades afetadas pelos mísseis americanos. Eles conversaram com donos de laboratórios, operadores e trabalhadores, e também com 450 agricultores em Helmand e outras áreas produtoras de ópio.
As entrevistas indicaram que a inteligência obtida pela Força Aérea americana era, de fato, boa. A maioria dos locais examinados pelos pesquisadores havia sido usado como laboratório de heroína no passado mas – e este é o ponto-chave -, em sua grande maioria, já não estavam mais ativos no momento dos ataques de mísseis.
Os entrevistados disseram que os laboratórios operavam de modo intermitente e que todo o material usado na produção de heroína era removido quando o local ficava fechado. Além disso, era possível montar um novo laboratório com facilidade, em questão de dias.
Ou seja, na ausência de significativos estoques de heroína, químicos e equipamentos dentro das edificações, seu valor prático, como alvo, era mínimo: Mansfield e sua equipe estimam esse valor entre US$ 10 mil a US$ 20 mil por edificação, no máximo.
“Qual é a perda, para uma organização narcotraficante, quando você essencialmente derruba um local, uma edificação de barro?”, questionou.
Então, por que se dar ao trabalho de atacá-los?
“É uma pergunta difícil”, afirmou Mansfield em 2019 à BBC. “Acho que os comandantes recebiam ordens de seus chefes em Washington dizendo que era preciso agir, e acho que eles estavam sendo cautelosos, tentando evitar mortes de civis”.
Mudança de comando
Mansfield não foi o único a questionar o valor estratégico dessa operação americana: também houve questionamentos por parte de algumas autoridades de alto escalão.
A então secretária de Força Aérea, Heather Wilson, demonstrou preocupação com os custos: em entrevista coletiva de fevereiro de 2018, afirmou que “nós (EUA) não deveríamos estar usando um F-22 para destruir fábricas de narcóticos no Afeganistão”.
O F-22 é o caça mais avançado do mundo. Cada aeronave custa US$ 140 milhões, e a hora de voo custa ao menos US$ 35 mil.
Em agosto de 2018, o general Jeffrey Harrigian, então chefe do Comando Central da Força Aérea americana em Doha, afirmou que a estratégia de atacar fontes de renda escusas no Afeganistão “não estava funcionando tão bem quanto na Síria”.
Até que, em 2 de setembro de 2018, o general John Nicholson foi substituído no comando das forças da Otan (aliança militar ocidental) e dos EUA no Afeganistão pelo general Austin “Scott” Millar.
Isso, na prática, selou o fim da campanha Tempestade de Ferro, havendo depois disso houve apenas dois disparos de mísseis contra supostos laboratórios de heroína.
Millar passou na época a focar em uma estratégia mais agressiva, de alvejar o Talibã diretamente, com ataques aéreos e incursões.
Em 2019, quando a BBC questionou as tropas americanas a respeito das descobertas de Mansfield, a resposta foi: “todos os nossos esforços buscam criar as condições para um acordo político e resguardo dos interesses nacionais”, disse uma porta-voz. “A grande maioria de nossos disparos são letais contra o Talibã ou o Estado Islâmico.”
A porta-voz não quis comentar, na época, a respeito de se a Força Aérea estava deliberadamente atingindo alvos inativos de forma a evitar mortes de civis.
Que efeito, então, a operação Tempestade de Ferro teve na produção de narcóticos? A resposta é: muito pouco.
Quando a iniciativa acabou, o Exército americano reportou que “a produção de narcóticos no Afeganistão continuava em níveis elevados”.
Relatório de novembro de 2020 do grupo Lessons for Peace, que contou com a colaboração de David Mansfield, diz que “acredita-se que o ópio seja o produto mais lucrativo traficado pelas fronteiras afegãs, em termos de renda bruta. A ONU estima (com base em dados de 2019) que a receita do comércio de ópio afegão tenha variado em anos recentes, entre US$ 1,2 bilhão e US$ 6,6 bilhões anuais, em uma indústria que emprega centenas de milhares de pessoas”.
“Detenções e interdições continuam tendo um impacto mínimo no cultivo de papoula do país”, apontou outro relatório, esse entregue oficialmente ao Congresso americano, em julho deste ano, pelo Inspetor General da Reconstrução Afegã (Sigar, na sigla em inglês). “É um fracasso total”, afirmou a jornalistas, em 29 de julho, John Sopko, chefe do Sigar, a respeito da política antidrogas no Afeganistão.
“Os EUA e seus parceiros internacionais continuamente deixaram de lidar com a questão do cultivo da papoula”, disse nos últimos dias à agência Reuters uma fonte do Exército americano, sob condição de anonimato. “O que vamos descobrir é que isso (o cultivo) explodiu.”
Vídeos: Histórias e relatos sobre o caos no Afeganistão

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

7 pessoas morrem nos arredores do aeroporto de Cabul, diz Ministério da Defesa do Reino Unido


Secretário britânico afirma que nenhum país vai conseguir retirar todos os cidadãos em tempo hábil se o prazo de permanência dos EUA não for ampliado. Aeronave britânica com refugiados
Reprodução
Segundo o Ministério da Defesa do Reino Unido, 7 pessoas morreram em meio a uma multidão nos arredores do aeroporto de Cabul, no Afeganistão. O Talibã conseguiu estabelecer ordem e tentou organizar filas para o acesso, de acordo com informações da Reuters. No sábado, os Estados Unidos alertaram para os riscos na região.
“Nossos sinceros pensamentos estão com as famílias dos 7 afegãos que morreram nas multidões de Cabul”, diz uma nota do Ministério da Defesa britânico.
Neste domingo o secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, escreveu uma coluna no jornal Daily Mail e disse que se o prazo estabelecido pelos EUA para deixar o Afeganistão não for ampliado, não haverá tempo para evacuar todas as pessoas que querem deixar o país.
“Talvez os americanos possam ficar mais tempo, e eles terão nosso completo apoio se eles ficarem (…) Eu tenho dito o tempo todo que nenhuma nação vai conseguir retirar todo mundo”, afirmou Wallace.
EUA avaliam uso de aviões comerciais na operação de resgate no Afeganistão
Segundo ele, os afegãos que queiram fugir do Talibã terão que se encaminhar para as fronteiras por conta própria se os americanos não estenderem a permanência. “Nós vamos estabelecer uma série de hubs nas fronteiras para aqueles afegãos que nós temos a obrigação de trazer para o Reino Unido”, disse.
A Agência de Refugiados da ONU faz um apelo para que países que fazem fronteira com o Afeganistão mantenham as fronteiras abertas para a entrada de imigrantes.
Segundo a representante da agência, Caroline Van Buren, a maioria dos afegãos não conseguem deixar o país por vias legais. Ela alertou que até o último sábado não haviam voos comerciais chegando ou saindo de Cabul.
EUA vão usar bases na Espanha para receber afegãos
Embaixada dos EUA no Afeganistão pede que americanos se mantenham distantes do aeroporto
O presidente Joe Biden entrou em acordo com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, para usar duas bases militares no sul da Espanha para receber afegãos que trabalharam para o governo dos EUA.
“Eu tive uma conversa significativa com o presidente Joe Biden na qual falamos sobre interesses comuns, particularmente na situação do Afeganistão e a colaboração entre os nossos governos para evacuar cidadãos daquele país”, escreveu Sánchez em sua conta de Twitter.
Os Estados Unidos aconselharam, neste sábado (21), que norte-americanos no Afeganistão evitem ir para o aeroporto de Cabul, após milhares de pessoas terem tentado fugir do país depois que o Talibã assumiu o poder.
O aviso chegou após um dos cofundadores do Talibã, Mullah Baradar, chegar a Cabul para reuniões com outros líderes para formar um novo governo afegão.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Afegã grávida tem bebê dentro de avião militar dos EUA


Piloto teve que fazer manobra rasante para aumentar a pressão dentro da aeronave. Afegã é levada para unidade de saúde após ter filha dentro de avião
Reprodução
Uma mulher grávida afegã deu à luz a uma menina dentro de um avião militar dos Estados Unidos depois de fugir do Afeganistão. Durante um vôo de uma base no Oriente Médio para a Alemanha, a mãe entrou em trabalho de parto e começou a ter complicações.
O piloto decidiu voar mais baixo para aumentar a pressão do ar na aeronave. A manobra deu certo e ajudou a estabilizar o estado de saúde da mãe.
Após o pouso, os militares auxiliaram a mulher no trabalho de parto e o bebê nasceu na área de carga do avião. A menina e a mãe foram levadas para uma unidade médica da cidade e passam bem. As informações são da Força Aérea dos EUA.
Mães entregam crianças para soldados
VÍDEO: Soldado puxa bebê para dentro de aeroporto de Cabul em meio a tumulto
Com a chegada do Talibã ao poder no Afeganistão, histórias como essa se tornaram rotina no país. As cenas de mulheres tentando entregar seus filhos pequenos para salvá-los enquanto uma multidão se espremia para tentar fugir do país por causa da tomada do poder pelo Talibã comoveu e preocupou muita gente (veja abaixo). Algumas crianças chegaram a ficar feridas pelos arames da cerca.
Farista Rahmani, mãe de Hadiya, se perdeu de seu marido, Ali Musa Rahmani, e ficou com medo de que a filha ficasse ferida ou acabasse caindo e sendo pisoteada na confusão. Por isso decidiu entregar o bebê aos soldados, segundo a agência Reuters.
Bebê entregue pelos pais no aeroporto em Cabul recebe cuidado de soldados
Os soldados então se encarregaram de trocar a fralda de Hadiya e alimentá-la, além de garantir um rodízio de colos para que ela se acalmasse.
A Agência de Refugiados da ONU faz um apelo para que países que fazem fronteira com o Afeganistão mantenham as fronteiras abertas para a entrada de imigrantes.
Os Estados Unidos aconselharam, neste sábado (21), que norte-americanos no Afeganistão evitem ir para o aeroporto de Cabul, após milhares de pessoas terem tentado fugir do país depois que o Talibã assumiu o poder.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Agência da ONU pede que países deixem a fronteira com o Afeganistão aberta


Representante diz que maioria dos afegãos não consegue deixar o país por vias legais. Grécia instala barreira para evitar chegada de refugiados afegãos ao país
A Agência de Refugiados da ONU faz um apelo para que países que fazem fronteira com o Afeganistão mantenham as fronteiras abertas para a entrada de imigrantes.
Segundo a representante da agência, Caroline Van Buren, a maioria dos afegãos não conseguem deixar o país por vias legais. Ela alertou que até o último sábado não haviam voos comerciais chegando ou saindo de Cabul.
Na última semana, imagens mostraram uma grande multidão tentando embarcar em aviões militares. Até a pista de decolagem foi invadida no aeroporto de Cabul.
Afegãos desesperados invadem aeroporto de Cabul e se agarram a avião para fugir do Talibã
Alguns países que não têm divisa direta com o Afeganistão já tomaram medidas para evitar a entrada de imigrantes. A Grécia instalou uma cerca de 40 km e um sistema de vigilância em sua fronteira com a Turquia.
O país europeu, que estava na linha de frente da crise migratória em 2015, quando mais de um milhão de pessoas fugindo da guerra e da pobreza no Oriente Médio cruzaram a fronteira da Turquia para a União Europeia, disse que pode mandar de volta quaisquer afegãos que chegarem ilegalmente ao país.
A Turquia, por sua vez, aumentou o patrulhamento na fronteira com o Irã. Neste sábado, as forças de segurança turcas detiveram alguns imigrantes na cidade de Van. A maioria deles era de nacionalidade afegã.
Imigrantes são detidos na fronteira do Irã com a Turquia
Murad Sezer/Reuters
Os Estados Unidos aconselharam, neste sábado (21), que norte-americanos no Afeganistão evitem ir para o aeroporto de Cabul. No domingo, o Talibã organizou filas para evitar novos tumultos no aeroporto.
O governo australiano disse que quatro voos saíram de Cabul neste sábado à noite com mais de 300 pessoas, incluindo australianos, britânicos, americanos e afegãos com visto. Na última semana, cerca de 8 mil pessoas deixaram o Afeganistão em aviões dos EUA, Reino Unido e de países europeus.
Um dos cofundadores do Talibã, Mullah Abdul Ghani Baradar, chegou a Cabul neste sábado (21) para iniciar o processo de formação de um novo governo no Afeganistão, informou o organismo extremista.
Outro líder talibã histórico visto na capital nos últimos dias é Khalil Haqqani, um dos terroristas mais procurados pelos Estados Unidos, com uma recompensa de US$ 5 milhões.
Avanço do Talibã
Líder do Talibã chega a Cabul e faz discurso para militantes
O Talibã completou seu rápido avanço pelo país, à medida em que as forças lideradas pelos EUA se retiraram, coincidindo com o que a chanceler alemã Angela Merkel disse ser um “colapso espantoso” do exército afegão.
A autoridade do Talibã afirmou que o grupo planejava preparar um novo modelo para governar o Afeganistão dentro das próximas semanas, com equipes diferentes tratando de assuntos de segurança interna e financeiros.
A estrutura do novo governo não será uma democracia, pelas definições ocidentais, mas “protegerá os direitos de todos”, acrescentou a autoridade.
O Talibã, que segue uma versão ultra-rígida do islamismo sunita, apresentou uma versão moderada desde que retornou ao poder, dizendo que quer paz e que respeitará os direitos das mulheres, dentro dos parâmetros da legislação islâmica.

Fonte: G1 Mundo