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Tropas dos EUA podem seguir no Afeganistão mesmo após o prazo de 31 de agosto, diz Biden


O presidente dos Estados Unidos afirmou que seu Exército continuará no país do Oriente Médio enquanto todos os cidadãos americanos não forem retirados com segurança. Presidente Joe Biden, dos EUA, em entrevista coletiva na Casa Branca em 16 de agosto de 2021
AP Photo/Evan Vucci
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta quarta-feira (18) que as tropas americanas poderão continuar no Afeganistão mesmo após o prazo de retirada previsto para 31 de agosto.
“Se restarem cidadãos americanos, vamos ficar para tirar todos”, disse Biden em entrevista para a rede americana ABC.
Biden marca fim da missão militar dos EUA no Afeganistão para 31 de agosto
Ele disse também que era impossível imaginar que o fim da guerra que durou 20 anos aconteceria sem um “caos”.
“A ideia de que, de alguma forma, havia uma forma de ter saído sem que isso resultasse em um caos não vejo como seria possível”, disse o democrata.
Reportagem em atualização.

Fonte: G1 Mundo

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Em lockdown após seis meses, Nova Zelândia anuncia novos casos de Covid


País decretou fechamento de três dias após divulgação de um único caso da variante delta na terça, mas nesta quarta (18) foram anunciados dez. Modelos indicam que o número pode ficar entre 50 e 100. Lambton Quay ficou praticamente deserto no primeiro dia de lockdown em Wellington, na Nova Zelândia, na quarta-feira (18)
Reuters/Praveen Menon
As ruas das cidades da Nova Zelândia ficaram essencialmente desertas nesta quarta-feira (20), quando o país voltou à vida sob lockdown pela primeira vez em seis meses na tentativa de deter a disseminação da infecciosa variante delta do coronavírus.
A Nova Zelândia estava livre do vírus e vivendo sem restrições até a primeira-ministra do país, Jacinda Ardern, ordenar um lockdown nacional de três dias na terça-feira depois que um único caso que se suspeita ser da Delta foi encontrado em Auckland, sua maior cidade.
O número de casos de Covid-19 havia subido para dez nesta quarta-feira, mas modelos indicam que o número pode ficar entre 50 e 100.
“Com base na experiência do que vemos no exterior, certamente estamos prevendo mais casos”, disse Ardern.
A volta do lockdown colocará o país “em uma posição muito menos arriscada”, acrescentou ela em uma coletiva de imprensa.
A Nova Zelândia ficará em lockdown de escala 4, o nível de alerta mais elevado, durante ao menos três dias, e Auckland durante sete dias.
Ardern disse que um sequenciamento de genoma revelou que o caso de Auckland está ligado a um surto no Estado australiano vizinho de Nova Gales do Sul, mas que ainda não está claro como a Delta entrou na comunidade.
Na capital Wellington, poucas pessoas se aventuraram no centro, que normalmente estaria repleto de compradores e funcionários de escritório, e imagens de televisão mostraram cenas semelhantes em Auckland.
Negócios e escolas correram para voltar a funcionar virtualmente.
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Fonte: G1 Mundo

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Chefe do Estado Maior dos EUA diz que ‘nada indicava colapso’ do exército e governo afegão em 11 dias


Grupo extremista Talibã retomou o poder no Afeganistão 20 anos após ser expulso de Cabul por tropas dos Estados Unidos em 2001, dias após os ataques do 11 de setembro. General Mark Milley, chefe do Estado Maior dos EUA, em entrevista coletiva em 18 de agosto de 2021
Yuri Gripas/Reuters
O general Mark Milley, maior autoridade militar dos Estados Unidos, disse nesta quarta-feira (18) em entrevista coletiva que nenhum estudo da inteligência americana indicava que forças armadas e o governo afegão entrariam em colapso em 11 dias.
Milley disse que a inteligência “indicou claramente que vários cenários eram possíveis”, incluindo uma tomada do Talibã após um rápido colapso das forças de segurança afegãs e do governo, uma guerra civil ou um acordo negociado.
“Um período de colapso rápido foi amplamente estimado, e variou de semanas a meses e até anos após nossa partida”, disse Milley. “Não houve nada que eu ou qualquer outra pessoa tenha visto que indicasse o colapso deste exército e deste governo em 11 dias.”
Cronologia da retomada do poder
VÍDEO: Veja cronologia da tomada de poder do Talibã no Afeganistão
06 de agosto – Zaranj, no sul do país, torna-se a primeira capital provincial a cair nas mãos do Talibã em anos. Muitos mais caem nos dias seguintes, incluindo Kunduz, ao norte.
13 de agosto – Mais quatro capitais de província caem em um dia, incluindo Kandahar, a segunda cidade do país e berço espiritual do Talibã. No Oeste, outra cidade importante, Herat, é invadida e o veterano comandante Mohammad Ismail Khan, um dos principais lutadores contra o Talibã, é capturado.
14 de agosto – O Talibã toma a maior cidade do Norte do país, Mazar-i-Sharif e, com pouca resistência, Pul-e-Alam, capital da província de Logar, apenas 70 km ao sul de Cabul. Os EUA enviam mais tropas para ajudar a retirada de seus civis de Cabul, já que o presidente afegão Ashraf Ghani diz que está consultando parceiros locais e internacionais sobre os próximos passos.
15 de agosto – O Talibã toma a cidade-chave de Jalalabad, no Leste, sem sequer lutar, concluindo o cerco de Cabul. Insurgentes entram na capital, também sem grande resistência. Americanos intensificam a retirada de seus civis, enquanto autoridades afegãs confirmam a fuga do presidente Ashraf Ghani do país.
Talibã volta ao poder
O grupo extremista Talibã tomou a capital do Afeganistão e voltou ao poder depois de 20 anos. O presidente fugiu de Cabul, e o palácio presidencial foi tomado no domingo (15).
O porta-voz do Talibã, Mohammad Naeem, afirmou à rede de televisão Al Jazeera que “alcançamos o que buscávamos, que é a liberdade do nosso país e a independência do nosso povo”.
“Pedimos a todos os países e entidades que se reúnam conosco para resolver quaisquer questões”, disse Naeem. “Não achamos que as forças estrangeiras irão repetir sua experiência fracassada no Afeganistão mais uma vez.”
EUA invadiram Afeganistão em 2001
Os EUA atacaram o Afeganistão em 2001, em reação ao atentado do 11 de Setembro, e tirou o grupo extremista do poder. O Talibã foi acusado pelos americanos de esconder e financiar membros da Al-Qaeda, grupo terrorista comandado por Osama bin Laden e responsável pelo atentado.
Em fevereiro de 2020, o então presidente americano, Donald Trump, assinou acordo de paz com o Talibã que previa a retirada total das tropas do país até abril deste ano.
O atual presidente dos EUA, Joe Biden, manteve o acordo e adiou a saída completa para o fim deste mês.
A maior parte das forças lideradas pelos EUA deixaram o Afeganistão em julho, e o Talibã se aproveitou da retirada e avançou rapidamente pelo país, conquistando diversas capitais de províncias desde o início do mês.
A queda de Cabul ocorreu muito antes do previsto pelos EUA. Segundo a Reuters, a estimativa dos serviços de inteligência americanos era a de que o Talibã chegasse a Cabul em setembro, com uma possível tomada do poder em novembro.

Fonte: G1 Mundo

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Conheça a bandeira Talibã e saiba por que a oficial do Afeganistão pode virar símbolo de resistência


O Talibã ergue sua bandeira branca nos locais que conquista. Numa cidade no leste do país, os moradores tiraram a bandeira do grupo e ergueram a do Afeganistão. Grupo com bandeira do Talibã aguarda a libertação de um prisioneiro na cidade de Chaman, na fronteira do Afeganistão com o Paquistão, em 17 de agosto de 2021
Abdul Khaliq Achakzai/Reuters
A bandeira do Talibã foi o estopim de uma manifestação no município de Jalalabad, no Afeganistão, nesta quarta-feira (18).
Membros do grupo extremista, que ocupam a cidade desde a semana passada, trocaram a bandeira do Afeganistão por uma do Talibã em um monumento na cidade.
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Homens ajustam a bandeira do Talibã antes da entrevista coletiva de um porta-voz do Talibã, em Cabul, em 17 de agosto de 2021
Hoshang Hashimi / AFP
Os moradores então foram às ruas para protestar —muitos deles levavam a bandeira do Afeganistão. O Talibã reagiu violentamente, e três pessoas morreram.
Manifestantes contrários ao Talibã com a bandeira do Afeganistão na cidade de Jalalabad, em 18 de agosto de 2021
Pajhwok Afghan News/Via Reuters
O que significa a bandeira do Talibã?
A bandeira talibã é branca com dizeres em árabe. A transliteração soa como La Illaha Ila Allah Muhamad Rasulu Allah —em português, isso significa: “Não há outra divindade além de Deus, e Muhammad, seu mensageiro”.
Esse dizer é conhecido como Shahada, ou declaração de fé no Islã. É a principal prece da religião.
Talibãs com a bandeira de seu grupo na residência do governador da província de Ghazni, em 15 de agosto de 2021
Gulabuddin Amiri/AP
A declaração de fé é um dos cinco pilares do islamismo (além dela, há a peregrinação a Meca, conhecida como Hajj, as orações, o jejum e a prática de contribuir com esmolas).
Essa inscrição em árabe também está na bandeira do Afeganistão, no alto do brasão oficial do país.
A Shahada também aparece na bandeira da Arábia Saudita, que é verde e tem a imagem de uma espada.
Bandeira do Talibã na praça central da cidade de Kunduz, que foi tomada pelo grupo extremista, em 8 de agosto de 2021
Abdullah Sahil/AP
A luta pelas bandeiras
O Talibã ergue a sua bandeira branca nas regiões que o grupo conquista.
A manifestação em Jalalabad foi um sinal de protesto inicial contra o domínio do Talibã. Os moradores tiraram a bandeira branca para erguer a do Afeganistão na véspera da data que marca a independência do país dos britânicos, que foi firmada em um tratado assinado em 1919.
Mas a bandeira afegã tem sido usada em outras partes do mundo para protestar contra o Talibã. As manifestações em cidades da Europa ou dos Estados Unidos contaram com a imagem.
Ato em Bruxelas contra o Talibã em 18 de agosto de 2021
John Thys/AFP
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Fonte: G1 Mundo

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‘Se vacinar é um ato de amor’, diz Papa Francisco em vídeo


As vacinas ‘trazem esperança para acabar com a pandemia’, defendeu o líder da Igreja Católica em uma campanha voltada para o acesso universal à vacinação. Papa Francisco acena em meio a Audiência Geral no Vaticano, em 18 de agosto de 2021
Vatican Media/Divulgação
O Papa Francisco disse nesta quarta-feira (18) que se vacinar contra a Covid-19 “é um ato de amor” e defendeu que a vacinação pode pôr fim à pandemia, mas para isso tem que chegar a todos.
“Se vacinar, com as vacinas autorizadas pelas autoridades competentes, é um ato de amor”, disse o Pontífice.
O líder da Igreja Católica levou a mensagem em uma campanha voltada para o acesso universal à vacinação feita pelo Ad Council dos Estados Unidos e a coalizão de saúde pública Covid Collaborative.
O conselho de publicidade é uma organização formada pelos maiores escritórios de propaganda dos EUA, e que organiza campanhas de conscientização e utilidade pública.
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“Graças a Deus e ao trabalho de muitos, hoje temos vacinas para nos proteger da Covid-19”, afirmou Francisco. “Elas trazem esperança para acabar com a pandemia, mas somente se elas estiverem disponíveis para todos.”
Acesso a vacinas
As vacinas disponíveis atualmente estão concentradas principalmente entre os países mais ricos que conseguiram acelerar a imunização de sua população.
No entanto, em muitos locais onde as vacinas estão presentes, ainda há resistência de alguns grupos para sua aplicação – abrindo espaço para a transmissão da doença, principalmente da variante delta.
Por outro lado, os países mais pobres ainda não têm acesso a insumos em grande escala de vacinação e mal conseguiram vacinar seus grupos prioritários como idosos e profissionais da saúde.
Médicos especialistas alertam que variantes cada vez mais perigosas podem se desenvolver caso o vírus permaneça circulando em grandes grupos de pessoas não vacinadas.
O próprio Papa Francisco foi vacinado em março, dizendo na época que era uma obrigação ética.
“A vacinação é uma forma simples, mas profunda de promover o bem comum e cuidar uns dos outros, especialmente dos mais vulneráveis. Rezo a Deus para que todos possam contribuir com seu próprio grão de areia, seu pequeno gesto de amor”, disse o papa em sua mais recente mensagem de vídeo.

Fonte: G1 Mundo

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EUA vão oferecer dose de vacina de reforço contra o coronavírus a partir de setembro

Os primeiros a receber a dose de reforço serão os profissionais de saúde, moradores de asilos geriátricos e pessoas mais velhas. O governo dos Estados Unidos afirmou, nesta quarta-feira (18), que tem planos para ministrar uma terceira dose de vacina contra a Covid-19 no país a partir do dia 20 de setembro.
As infecções nos EUA têm crescido por causa da variante delta do coronavírus.
O governo dos EUA está preparado para oferecer a dose de reforço a todos que já foram imunizados há pelo menos oito meses, afirmou, em um comunicado, o Departamento de Serviços Humanitários e de Saúde.
A dose de reforço será inicialmente dada aos profissionais da saúde, aos moradores de asilos geriátricos e pessoas mais velhas (esses foram os primeiros grupos que receberam as vacinas no fim de 2020 e começo de 2021).

Fonte: G1 Mundo

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Presidente que fugiu do Afeganistão está nos Emirados Árabes


Ministério de Relações Exteriores dos Emirados Árabes afirma que país aceitou Ashraf Ghani por motivos humanitários. Ghani deixou o país quando o Talibã cercou Cabul. Ele afirmou que, se permanecesse no país, ‘compatriotas iriam se martirizar, e Cabul seria destruída’. O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, durante discurso na conferência de 2021 da Ásia Central e Sul em Tashkent, no Uzbequistão, em 16 de julho de 2021
AP
Ashraf Ghani, o presidente que fugiu do Afeganistão quando o Talibã cercou a capital Cabul, está nos Emirados Árabes, de acordo com um comunicado desta quarta-feira (18) do Ministério de Relações Exteriores emiradense.
Os Emirados Árabes afirmaram no comunicado que Ghani e sua família foram recebidos no país por motivos humanitários.
Talibã ocupa Cabul e presidente do Afeganistão foge do país
Ghani deixou o Afeganistão no domingo (15). O Talibã tomou controle do palácio presidencial após a fuga dele.
Com a conquista de Cabul, os talibãs voltaram ao poder 20 anos depois serem expulsos da capital pelos Estados Unidos, que invadiram o país dias após os ataques de 11 de setembro de 2001.
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No dia em que fugiu de seu país, Ghani publicou, em uma rede social, que se tivesse permanecido no Afeganistão “incontáveis compatriotas teriam sido martirizados, e Cabul iria ser destruída”.
Joe Biden, o presidente dos Estados Unidos, fez críticas veladas a Ghani. Em um discurso na segunda-feira, Biden defendeu a saída dos militares americanos e afirmou que as forças oficiais afegãs não reagiram diante da ofensiva Talibã. “Os EUA não podem participar e morrer em uma guerra em que nem o próprio Afeganistão está disposto a lutar”, disse Biden.
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O primeiro vice-presidente do Afeganistão, Amrullah Saleh, afirmou na terça-feira (17) que permanece no país e é o “legítimo presidente interino”.
O paradeiro de Saleh é desconhecido. O político afirmou que “em hipótese alguma se curvaria” aos “terroristas do Talibã” e que “não perdemos o ânimo e vemos enormes oportunidades pela frente”. “Advertências inúteis acabaram. Junte-se à resistência”.
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Fonte: G1 Mundo

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VÍDEOS: histórias e relatos sobre o caos no Afeganistão

Fonte: G1 Mundo

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Como o que aconteceu em Saigon na Guerra do Vietnã se compara ao que está acontecendo em Cabul


Imagens de helicópteros retirando diplomatas da missão americana e de multidão desesperada em aeroporto, na capital do Afeganistão, lembram cenas de quando as forças comunistas do Vietnã entraram em Saigon há 46 anos. Helicóptero militar dos EUA sobrevoa Cabul durante a retirada de americanos em 15 de agosto de 2021
Reuters/Via BBC
A comparação é inevitável.
Um helicóptero solitário dos Estados Unidos sobrevoa a capital de um país tomado por uma força insurgente que avança rapidamente. As embaixadas estrangeiras são desocupadas. O caos reina nas ruas enquanto civis, assustados com as possíveis represálias do novo governo que se impõe, tentam desesperadamente deixar o país nos últimos voos disponíveis.
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As cenas são de 15 de agosto de 2021 em Cabul, no Afeganistão. Mas poderiam ser as mesmas de 46 anos atrás no Vietnã.
Saigon, 29 de abril de 1975: um helicóptero dos EUA tenta retirar civis da cobertura de um prédio
Getty Images/Via BBC
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Em 30 de abril de 1975, Saigon, até então capital do Vietnã do Sul, foi derrubada diante da entrada das forças comunistas do norte, marcando o fim de uma intervenção militar americana de quase duas décadas no país asiático.
Afegãos se amontoam dentro de avião militar para fugir do país; detalhes da imagem
Foi um momento humilhante para o país mais poderoso do mundo. A guerra do Vietnã é considerada a primeira derrota militar dos Estados Unidos — da qual ainda restam sequelas físicas e emocionais.
Agora, muitos críticos do atual governo americano rotulam a queda de Cabul como “a Saigon de Joe Biden”.
Civis afegãos tentam desesperadamente embarcar em avião no aeroporto de Cabul
BBC
O que aconteceu no Vietnã?
Os Estados Unidos se envolveram no conflito do Vietnã em 1954, após a também humilhante derrota das forças imperiais da França, que havia colonizado o território conhecido como Indochina desde o século 19.
Talibãs armados andam de carro pelas ruas da província de Laghman em 15 de agosto de 2021
AFP/Via BBC
O Vietnã foi dividido em dois países, com o Vietnã do Norte controlado por uma ideologia comunista, sob a liderança de Ho Chi Minh, cujo objetivo era a reunificação.
O então presidente americano, Dwight Eisenhower, decidiu intervir em apoio ao Vietnã do Sul, convencido de que, se caísse nas mãos do comunismo, o mesmo aconteceria em breve com os países vizinhos – o chamado efeito dominó.
Embora Eisenhower não tenha mobilizado tropas, ele enviou assessores e assistência militar. O governo seguinte, de John Kennedy, se envolveu mais profundamente, destinando mais orçamento e divisões militares, além de conduzir operações secretas.
Saigon, 30 de abril de 1975: tropas norte-vietnamitas entram na capital do Vietnã do Sul de carro
Getty Images/Via BBC
Mas foi só em 1965 que os Estados Unidos entraram formalmente na guerra sob a liderança do presidente Lyndon Johnson, com uma campanha intensa de bombardeios contra alvos norte-vietnamitas e a presença de mais de 500 mil soldados no ápice do conflito.
No total, mais de 2,5 milhões de americanos serviram na guerra.
O conflito continuou durante o governo de Richard Nixon, até que este, aos poucos, retirou quase todas as tropas de combate americanas e negociou os Acordos de Paz de Paris em 1973.
Muitos pularam o muro do Aeroporto Internacional Hamid Karzai para tentar fugir do Afeganistão
EPA/Via BBC
Os acordos previam a saída unilateral dos Estados Unidos e a troca de prisioneiros. Nixon havia prometido proteger o Vietnã do Sul com bombardeios aéreos para que não fosse arrasado pelo Norte, mas seus próprios problemas com o escândalo do caso Watergate o impediram de fazer isso.
Quando Gerald Ford assumiu o comando da Casa Branca em 1974, o equilíbrio de poder no Vietnã estava claramente a favor do Norte, que lançou uma ofensiva final, culminando na queda de Saigon em 30 de abril de 1975.
Cenas de caos foram presenciadas nas ruas, com multidões aglomeradas em frente à embaixada dos Estados Unidos e ao aeroporto de Saigon, buscando desesperadamente sair do país, enquanto as forças comunistas vitoriosas ocupavam a capital.
A guerra do Vietnã em vários círculos é considerada objeto de vergonha nacional para os Estados Unidos. Um longo conflito que tirou a vida de 58 mil soldados americanos e mais de 2 milhões de vietnamitas, custou mais de US$ 100 bilhões na época e, ainda assim, não conseguiu atingir os objetivos estabelecidos.
Uma intervenção diferente com um final parecido
Civis vietnamitas tentam embarcar em um ônibus para serem levados até a embaixada dos EUA para uma possível fuga, em 30 de abril de 1975
Getty Images/Via BBC
A guerra dos Estados Unidos no Afeganistão durou 20 anos, o conflito bélico mais longo da história americana. Embora a intervenção no Vietnã tenha durado mais ou menos o mesmo tempo, essa guerra só foi formalizada como tal cerca de 10 anos depois de início do conflito.
No Afeganistão, eles não lutavam mais contra o comunismo. O novo inimigo era o declarado “terrorismo”, promovido principalmente pela Al-Qaeda com a aprovação do Talibã, que controlava o país asiático.
Após os ataques de 11 de setembro de 2001, o presidente George W. Bush lançou uma forte ofensiva aérea que logo derrubou o governo do Talibã e baniu a Al-Qaeda do Afeganistão.
Mas depois dessa vitória, o plano mudou e o foco foi a completa derrota militar do Talibã e a reconstrução das instituições do Estado afegão para evitar que se tornasse uma base para extremistas novamente.
VÍDEO: Pessoa cai de avião ao tentar fugir no Afeganistão
Isso implicava em uma forte presença militar que foi reforçada pelo presidente Barack Obama com a ideia de proteger a população do Talibã, enquanto tentava reintegrar os insurgentes à sociedade.
O plano de Obama também incluía treinar o Exército afegão e prepará-lo para a retirada gradual das tropas americanas e a transferência de responsabilidade para as forças afegãs.
A estratégia teve pouco êxito, com um grande número de ataques do Talibã contra civis, policiais e militares afegãos, mal preparados para resistir.
Pessoas correm na pista do aeroporto de Cabul tentando embarcar em um avião da Força Aérea dos Estados Unidos
BBC
Mais de 800 mil militares dos EUA serviram no Afeganistão — mais de 2,3 mil morreram e cerca de 20 mil ficaram feridos.
Mas foram os afegãos que sofreram o maior impacto. Foram registradas mais de 60 mil mortes nas forças de segurança e quase o dobro de civis.
Em termos econômicos, a fatura para o contribuinte americano chega perto de US$ 1 trilhão (aproximadamente R$ 5,2 trilhões), apontam estimativas.
Refugiados vietnamitas embarcam em navio da Marinha dos Estados Unidos, antes da queda de Saigon em abril de 1975
Getty Images/Via BBC
Depois de sofrer milhares de baixas no conflito e do reconhecimento de que o Talibã era uma força enraizada no Afeganistão, os Estados Unidos assinaram um acordo de paz com o grupo fundamentalista islâmico em fevereiro de 2020, em Doha.
O compromisso do então presidente Donald Trump era retirar todas as tropas num período de 14 meses, enquanto o Talibã garantiria não permitir que a Al-Qaeda ou outros grupos extremistas operassem em seus territórios e que dialogaria com o governo do Afeganistão.
A história se repete?
Agora, com o novo ocupante da Casa Branca, Joe Biden, há pouco mais de seis meses no poder, a retirada dos militares americanos e de seus aliados deixou o governo afegão sem apoio para impedir a retomada da capital Cabul pelas forças do Talibã.
Soldados americanos vigiam o aeroporto de Cabul, enquanto civis são separados por cerca de arame farpado
Getty Images/Via BBC
As cenas de caos vistas há 46 anos em Saigon se repetem na capital afegã. Milhares de afegãos chegaram ao aeroporto tentando fugir.
O Pentágono informou em comunicado que suas tropas continuam a controlar o aeroporto.
Soldados americanos que foram enviados recentemente para ajudar na retirada de seus cidadãos teriam atirado para o ar para dispersar a multidão.
Fuzileiros navais dos EUA vigiam a entrada da embaixada em Saigon, enquanto uma multidão de vietnamitas espera para ser retiradas do país em 29 de abril de 1975
Getty Images/Via BBC
Biden havia garantido que não seriam vistos helicópteros retirando os funcionários da embaixada dos Estados Unidos, mas foi o que se viu — e o líder da minoria republicana na Câmara, Steve Calise, foi rápido em apontar isso.
“Este é o momento Saigon do presidente Biden e, infelizmente, era muito previsível”, declarou.
O secretário de Estado, Anthony Blinken, tentou atenuar a cena afirmando que “não é Saigon” e insistindo que a rápida retirada das tropas foi resultado do prazo de 1º de maio definido pelo acordo assinado pelo governo Trump em 2020.
Manifestação em frente à sede das Nações Unidas, após a queda de Saigon, exigindo ajuda humanitária para quem quer deixar o Vietnã
Getty Images/Via BBC
Blinken sugeriu que a alternativa teria sido uma guerra em grande escala contra o Talibã para impedi-los de tomar grandes territórios no país.
Por outro lado, Champa Patel, diretora do programa Ásia-Pacífico do centro de estudos Chatham House em Londres, afirma que o foco agora deveria estar nos civis afegãos — e não no que pode representar politicamente para uma potência estrangeira.
“O que é urgentemente necessário agora é garantir a proteção do povo afegão. Os Estados deveriam concentrar suas mentes em facilitar vistos, dar segurança para o povo, fornecer assistência humanitária no país e buscar uma solução política pacífica”, afirmou em comunicado.
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Fonte: G1 Mundo

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Bilhões de dólares do BC afegão estão fora do alcance do Talibã


Comunicado financeiro mais recente mostra que o Banco Central do país detém cerca de US$ 10 bi em ativos totais (incluindo US$ 1,3 bi em ouro e US$ 363 milhões em reservas cambiais. Afegãos esperam horas para tentar sacar dinheiro em frente a um banco em Cabul, em 15 de agosto de 2021, no dia em que o Talibã entrou na capital do Afeganistão e assumiu o poder
Rahmat Gul/AP
O Talibã assumiu o controle do Afeganistão com velocidade surpreendente, mas parece improvável que o o grupo extremista tenha acesso rápido à maioria dos ativos do Banco Central do país, que somam cerca de US$ 10 bilhões atualmente.
O comunicado financeiro mais recente mostra que o Banco Central afegão detém cerca de US$ 10 bilhões em ativos (mais de R$ 50 bilhões na cotação atual), segundo a agência de notícias Reuters.
O valor inclui US$ 1,3 bilhão (R$ 6,8 bilhões) em reservas de ouro e US$ 363 milhões (R$ 1,9 bilhão) em reservas cambiais, com base na cotação de 21 de junho, data do relatório.
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Cambista segura maço de dinheiro em rua no centro de Cabul, capital do Afeganistão, em 2 de abril de 2014
Tim Wimborne/Reuters
O presidente em exercício do BC do Afeganistão, Ajmal Ahmady, diz que as reservas totais do país eram de US$ 9 bilhões na semana passada. No fim de abril, elas somavam US$ 9,4 bilhões segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo Ahmady, que fugiu de Cabul, a maioria dos ativos é mantida fora do Afeganistão.
“Dado que o Talibã ainda está nas listas de sanções internacionais, espera-se que tais ativos sejam congelados e não estejam acessíveis a eles”, escreveu a autoridade monetária nesta quarta-feira (18).
“Podemos dizer que os fundos acessíveis ao Talibã são talvez 0,1% a 0,2% do total das reservas internacionais do Afeganistão. Não muito”, acrescentou Ahmady em uma rede social.
Na segunda-feira (16), uma fonte do governo Joe Biden afirmou à agência de notícias France Presse que os talibãs não terão acesso às reservas monetárias do BC afegão mantidas em contas nos Estados Unidos.
“Qualquer ativo do Banco Central que o governo afegão tenha nos Estados Unidos não estará disponível para os talibãs”, afirmou a fonte às AFP.
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Fonte: G1 Mundo