Categorias
MUNDO

Afeganistão: Líderes disseram às forças de segurança para não resistirem, diz ex-embaixadora


Ex-embaixadora afegã nos Estados Unidos disse à BBC que os líderes políticos de seu país ordenaram às forças de segurança que não resistissem ao ataque do Talibã. Roya Rahmani foi a primeira mulher afegã a ser embaixadora do país nos Estados Unidos
Getty Images/Via BBC
A rápida tomada do controle do Afeganistão pelo Talibã continua a levantar dúvidas.
Enquanto os protagonistas diretos culpam uns aos outros, o Talibã tenta limpar a imagem de crueldade do mundo contra eles.
VEJA TAMBÉM
Protesto no Afeganistão é reprimido pelo Talibã com violência, e ao menos 3 pessoas morrem
Co-fundador e chefe político do Talibã volta ao Afeganistão
‘Ele falou que está só esperando a sorte dele chegar’, diz brasileira sobre amigo afegão
As 7 imagens mais marcantes da tomada do Afeganistão pelo Talibã
Na terça-feira (17), a ex-embaixadora do Afeganistão nos Estados Unidos, Roya Rahmani, falou ao programa Newshour da BBC sobre sua perspectiva de ver o governo que representou de 2018 até julho em Washington ser derrotado pelo Talibã.
“Dizer que as forças de segurança afegãs não estavam dispostas a lutar não é verdade nem justo”, disse Rahman, em referência ao presidente dos EUA, Joe Biden, que culpou diretamente o governo afegão por não lutar contra o Talibã.
A diplomata disse que Biden tem o direito de defender sua decisão e se manifestar, mas disse que o problema recai sobre os líderes do país.
“Houve um problema com a liderança afegã: os líderes se renderam e disseram às forças de segurança para não resistirem”, disse ela. “Essa foi a razão pela qual aconteceu o que aconteceu.”
Rahmani disse ter recebido informações indicando que durante as “últimas semanas”, os militares afegãos “receberam continuamente ligações de Cabul pedindo-lhes que se rendessem, ao mesmo tempo em que eles solicitavam apoio, munição, suporte aéreo e suprimentos”.
“Não foram fornecidos”, enfatizou a ex-embaixadora.
“Mas acho que mesmo que nossas forças de segurança tivessem resistido, isso (tomada pelo Talibã) também teria acontecido por causa de outros fatores, como o medo, o fracasso total da liderança afegã e também a falta de compromisso e consistência dos aliados internacionais.”
“Isso teria acontecido, mas não na velocidade que vimos”, disse Rahmani.
O governo do Talibã deve ser reconhecido?
Para a ex-embaixadora, o reconhecimento dos EUA e de outras nações ocidentais ao governo do Talibã deve depender sobretudo dos direitos humanos.
“Você tem que ver o que o Talibã vai fazer. Agora, a boa notícia é que, pelo menos em Cabul, eles não cometeram atrocidades, não estão matando pessoas, não estão torturando ou prendendo. Não estão fazendo o que costumavam fazer em 1996 “, disse ela, comparando com a tomada do poder por radicais islâmicos na década de 1990.
​​”Se eles permanecerem com essa postura – e não tenho tanta certeza de que farão isso – e formarem um governo inclusivo, em que respeitem os direitos das mulheres, mas não em seus termos, e sim nos termos internacionais e aceitáveis para as mulheres afegãs, aí, sim, deveria ser reconhecido”, disse. “Por que não reconhecer um governo inclusivo no Afeganistão, representante de seu povo e seu bem-estar?”
‘Cautelosamente otimista’
Roya Rahmani concluiu dizendo que concordaria em trabalhar para o governo formado pelo Talibã se seus serviços forem necessários.
“Eu ajudaria meu país. Gostaria de preservar nossas conquistas. Isso é absolutamente necessário.”
E deixou claro que não acredita que o Talibã tenha mudado, que ainda é necessário ver o que virá a seguir.
“Os sinais iniciais são um tanto positivos. Estou muito, muito cautelosamente otimista de que eles respeitarão a vontade do povo, sua dignidade e suas esperanças e desejos.”
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

O que é o acordo entre Trump e o Talebã que foi chave para volta do grupo ao poder


O início do fim abrupto da missão internacional liderada pelos EUA no Afeganistão foi forjado há um ano e meio em uma mesa de negociações no Catar. O enviado dos EUA, Zalmay Khalilzad, e o líder talibã, Mullah Abdul Ghani Baradar, na assinatura do Acordo de Doha
Getty Images via BBC
O roteiro para a rápida recuperação do poder no Afeganistão pelo Talebã foi concebido muito antes do grupo fundamentalista islâmico tomar a capital do país, Cabul, em 15 de agosto.
Em 29 de fevereiro de 2020, o governo dos Estados Unidos, presidido pelo republicano Donald Trump, e o Talebã assinaram em Doha, no Catar, o acordo que definiu um cronograma para a retirada definitiva dos Estados Unidos e de seus aliados após quase 20 anos de conflito.
Em troca, foi assinado o compromisso de que o Talebã não permitiria que o território afegão fosse usado para planejar ou executar ações que ameacem a segurança dos Estados Unidos.
Ele foi oficialmente chamado de Acordo para Trazer a Paz ao Afeganistão, embora no momento seu único resultado observável seja a queda do governo afegão, com a saída do presidente Ashraf Ghani do país, e o temor de que o Talebã restaure o regime fundamentalista imposto ao Afeganistão antes da invasão americana, em 2001.
Muitos especialistas acreditam que o retorno do Talebã é uma consequência do Acordo de Doha.
“Aquilo não foi um acordo de paz, foi uma rendição”, disse Husain Haqqani, diretor para a Ásia Central e do Sul do Instituto Hudson e ex-embaixador do Paquistão nos Estados Unidos.
O que foi acertado em Doha
O acordo estabeleceu um cronograma para a retirada das tropas dos Estados Unidos e de seus aliados internacionais em até 14 meses após o anúncio do acordo.
Washington também prometeu suspender as sanções impostas aos líderes do Talebã.
Em troca, Washington obteve o compromisso de que o grupo não permitiria “nenhum de seus membros, ou outros indivíduos ou grupos, incluindo a Al-Qaeda, usar o território afegão para ameaçar a segurança dos Estados Unidos e de seus aliados”.
Da mesma forma, ficou estabelecido que o Talebã e o governo afegão iniciariam as chamadas negociações entre os afegãos, que deveriam levar a um cessar-fogo e a um acordo definitivo sobre o futuro político do país.
O Talebã incluiu no final da negociação a exigência de um acordo de libertação de prisioneiros, que foi finalmente incluído.
Seriam libertados até 5.000 prisioneiros talebãs e mil funcionários do governo afegão detidos pelo grupo.
O que deu errado no acordo
Para Laurel Miller, uma diplomata americana aposentada e diretora do Programa para a Ásia do International Crisis Group, “nada do que está acontecendo é surpreendente”.
Haqqani, por sua vez, garante que “a única coisa com que o Talebã concordou foi a retirada dos Estados Unidos”.
“Eles disseram: ‘Tudo bem, vamos iniciar um diálogo com o governo afegão’. Mas eles nunca levaram isso a sério.”
O fato é que o governo afegão caiu antes que o diálogo com o Talebã produzisse o cessar-fogo planejado e um acordo final.
E a violência ainda aumentou nos meses seguintes ao acordo, segundo alguns observadores, devido ao interesse do Talebã em controlar o máximo de territórios possível e ganhar força diante dessas negociações inconclusivas.
O Acordo de Doha baseava-se na premissa, repetida pelo governo Joe Biden e de seu antecessor, Donald Trump, de que seriam as forças de segurança afegãs que assumiriam o controle da situação após a retirada das tropas americanas.
Mas as capitais das províncias afegãs caíram nas mãos do Talebã nos últimos dias, com pouca resistência das forças estatais, em cujo treinamento e equipamento os Estados Unidos investiram milhões de dólares nos últimos anos.
De acordo com fontes militares anônimas citadas pelo jornal The Washington Post, muitos comandantes militares e policiais afegãos concordaram em se render ao grupo radical em troca de dinheiro, uma vez que o Acordo de Doha deixou claro que a retirada das forças dos EUA era iminente.
Uma das grandes preocupações agora é o que acontecerá com os afegãos, já que há o temor de que a população volte a sofrer a discriminação e a violência sexista que foram a tônica do regime talibã nos anos 1990.
O Acordo de Doha não menciona nada sobre esses problemas, nem obriga o Talebã a respeitar os direitos humanos.
Suhail Saheen, porta-voz do Talebã, disse à BBC que no novo Afeganistão “as mulheres podem ter acesso à educação e ao trabalho”.
O analista Haqqani adverte, porém, que nunca é possível confiar “na palavra do Talebã. Eles sempre levam suas promessas a tribunais que são regidos por sua interpretação do Islã”.
Haqqani acredita que “é apenas uma questão de tempo até que se concretize a ameaça de ações extremistas do Afeganistão que os países ocidentais tanto temem”.
Ele lamenta que o Acordo de Doha não inclua nenhum mecanismo para garantir que, de fato, o Talebã cumpra seu compromisso de não permitir que o Afeganistão se torne uma base para atividades extremistas.
Ele é um dos que temem que entre os 5 mil prisioneiros libertados sob o Acordo de Doha possam haver membros de organizações jihadistas como a Al-Qaeda, o Estado Islâmico ou o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, que têm interesse de influenciar a região chinesa de Xinjiang. Os uigures, uma minoria étnica de chineses muçulmanos, vivem na região.
Como o acordo foi alcançado
A invasão do Afeganistão foi parte da “guerra ao terror” declarada pelo ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush após os ataques de 11 de setembro de 2001.
O Afeganistão do Talebã era uma das bases da Al-Qaeda e o principal quartel-general de seu líder, Osama Bin Laden.
Suas ações contra os interesses americanos e ocidentais foram posteriormente somadas às do autodenominado Estado Islâmico.
Quando Trump assumiu a Casa Branca em 2017, ele prometeu encerrar as “guerras sem fim” dos Estados Unidos.
Em 2018, começaram as negociações com o Talebã para encerrar um conflito no qual morreram mais de 2.400 militares dos EUA e mais de 32 mil civis afegãos.
Trump encarregou o enviado especial dos EUA ao Afeganistão, Zalmay Khaliljad, de negociar um acordo com o grupo islâmico em Doha, no Catar, onde grande parte da liderança talebã, liderada pelo mulá Abdul Ghani Baradar, há muito estava instalada.
As negociações foram interrompidas várias vezes e Trump chegou a considerar o acordo “morto”, mas finalmente Washington acabou aceitando a exigência do Talebã de que o governo afegão se retirasse das negociações – isso desbloqueou o diálogo.
Ao anunciar o acordo, Trump avisou: “Se as coisas derem errado, voltaremos com uma força nunca vista antes.”
Seu sucessor na Casa Branca, Biden, decidiu acelerar a retirada das tropas e, apesar das imagens das últimas horas, reafirmou sua decisão de encerrar “a guerra mais longa dos Estados Unidos”.
Para os arquivos dos jornais, haverá palavras como a do Secretário-Geral da Otan, Jens Stoltenberg, após o anúncio do Acordo de Doha: “Só sairemos quando as condições forem adequadas”.
Também as do ativista afegão Zahra Husseini, que disse à agência de notícias AFP: “Enquanto eu assistia a assinatura, tive o mau pressentimento de que isso levaria ao retorno do Talebã ao poder e não à paz”.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Mais de 2.200 diplomatas e civis foram retirados do Afeganistão


Diplomatas, pessoas que trabalhavam com segurança, e afegãos que trabalhavam em embaixadas estão deixando o país. Militares dos EUA e de países aliados assumem controle do aeroporto de Cabul
Mais de 2.200 diplomatas e outros civis já foram retirados do Afeganistão em voos militares, disse uma autoridade de segurança ocidental à agência de notícias Reuters nesta quarta-feira (18), e os esforços para retirar pessoas depois que o Talibã tomou a capital do país ganharam ímpeto.
O Talibã diz que quer paz, que não se vingará de antigos inimigos e que respeitará os direitos das mulheres nos moldes da lei islâmica, mas milhares de afegãos, muitos dos quais ajudaram forças estrangeiras lideradas pelos Estados Unidos ao longo de duas décadas, estão desesperados para partir.
VEJA TAMBÉM
Cofundador e chefe político do Talibã volta ao Afeganistão
O que é o Talibã, grupo extremista que voltou ao poder no Afeganistão
Akhundzada, Baradar, Haqqani… Quem é quem na estrutura do Talibã
EUA investigam ‘restos mortais’ encontrados no trem de pouso de avião que decolou de Cabul
A pessoa que passou o balanço de pessoas que saíram do país afirmou também que, até o momento, não houve tropeços de logística, e que a debandada ocorre em um ritmo rápido. Não está claro quando os voos civis serão retomados, segundo ela.
Entre os que partem, estão pessoal diplomático, seguranças estrangeiros e afegãos que trabalhavam para embaixadas.
O funcionário não detalhou quantos afegãos estão entre as mais de 2.200 pessoas que partiram, nem ficou claro se esta cifra inclui os mais de 600 homens, mulheres e crianças afegãos que se espremeram em uma aeronave militar de carga norte-americana C-17 no domingo.
Avião militar dos EUA decola com cerca de 640 afegãos do aeroporto de Cabul, no Afeganistão. Foto do dia 15 de agosto de 2021
Defense One/Handout via Reuters
O Talibã, que luta desde que foi deposto em 2001 para expulsar forças estrangeiras, tomou Cabul no domingo após uma ofensiva relâmpago no momento em que forças ocidentais lideradas pelos EUA se retiravam em observância a um acordo que incluiu uma promessa dos militantes de não atacá-los quando partissem.
Invasão da pista
Forças dos EUA que controlam o aeroporto tiveram que interromper os voos na segunda-feira depois que milhares de afegãos assustados invadiram o campo aéreo em busca de uma rota de fuga. Os voos foram retomados na terça-feira, quando a situação foi controlada.
O Reino Unido disse que conseguiu retirar cerca de mil pessoas por dia, e a Alemanha transportou 130. A França disse ter retirado 25 de seus cidadãos e 184 afegãos, e a Austrália disse que 26 pessoas chegaram em seu primeiro voo de volta de Cabul.
Como o Talibã se consolida no poder, um de seus líderes e cofundadores, o mulá Abdul Ghani Baradar, voltou ao Afeganistão pela primeira vez em mais de 10 anos. Uma autoridade do Talibã disse que os líderes se mostrarão ao mundo, diferentemente do passado, quando viviam escondidos.
“Não queremos nenhum inimigo interno ou externo”, disse o principal porta-voz do movimento, Zabihullah Mujahid.
As mulheres terão permissão para trabalhar e estudar, e “serão muito ativas na sociedade, mas dentro dos moldes do Islã”, acrescentou.
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, ecoou líderes de países ocidentais ao dizer que o Talibã será julgado por suas ações, não por suas palavras.
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Cofundador e chefe político do Talibã volta ao Afeganistão

Abdul Ghani Baradar fazia parte da equipe que negociava um cessar-fogo com o antigo governo afegão. Ele havia sido preso em 2010 no Paquistão e libertado em 2018 a pedido de Trump. VÍDEO: Abdul Ghani Baradar, líder do Talibã, desembarca do avião ao chegar no Afeganistão
Abdul Ghani Baradar, um dos cofundadores do Talibã e chefe político do grupo extremista, voltou ao Afeganistão após dez anos.
Baradar fazia parte da equipe que negociava em Doha, no Catar, um cessar-fogo com o antigo governo afegão e desembarcou na terça-feira (17) em Kandahar, a segunda maior cidade do Afeganistão.
Ele havia sido preso em 2010 na cidade de Karachi, no sul do Paquistão, e libertado em 2018, a pedido do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para participar das negociações de paz.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Talibã reprime primeiro protesto com violência; há pelo menos dois mortos


Pelo menos duas pessoas morreram e 12 ficaram feridas, de acordo com a rede Al Jazeera. Manifestantes protestavam porque o Talibã tirou a bandeira do Afeganistão e colocou a sua própria na cidade de Jalalabad. Cidade de Jalalabad, no Afeganistão em 15 de agosto de 2021; na imagem, há militantes do Talibã com a bandeira do grupo
Reuters
O Talibã reprimiu violentamente uma manifestação na cidade de Jalalabad, no Afeganistão, nesta quarta-feira (18): membros do grupo extremista efetuaram disparos em uma multidão e baterem em manifestantes.
Pelo menos duas pessoas morreram e 12 ficaram feridas, segundo a rede Al Jazeera.
O protesto começou porque o Talibã tirou a bandeira do Afeganistão e colocou a sua própria no centro de Jalalabad.
Pessoas com bandeiras do Talibã na fronteira do Afeganistão com o Paquistão, em 16 de agosto de 2021
Saeed Ali Achakzai/Reuters
Uma parte grande dos cidadãos da cidade não gostou da mudança e resolveu protestar.
Segundo o “New York Times”, centenas de manifestantes fizeram um protesto na principal rua comercial da cidade. Eles carregavam a bandeira do Afeganistão, assoviavam e gritavam. Os membros do Talibã atiraram para o alto para que a multidão se dispersasse. Isso não aconteceu. Os talibãs, então, começaram a agredir os manifestantes.
Jalalabad fica perto da principal fronteira do Afeganistão com o Paquistão e é um importante centro comercial.
O Talibã tomou a cidade há quatro dias. Não houve muita luta: os líderes locais chegaram a um acordo com os extremistas.
Também houve protestos na cidade de Khost, no sul do país.
A resposta do Talibã à manifestação em Jalalabad mostra que a tentativa dos líderes do grupo de se mostrar como moderados pode ser só no discurso. “Não queremos que o Afeganistão seja um campo de batalha”, disse Zabihullah Mujahid, um porta-voz do grupo, em uma entrevista coletiva na terça-feira (17).

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Ministro de Relações Exteriores do Peru cai após surgirem vídeos antigos em que ele dizia que a Marinha do país era terrorista


Héctor Bejar também afirmou que o Sendero Luminoso, um grupo maoísta que matou milhares de pessoas no Peru nos anos 1980 e 1990, foi criado pela CIA. Imagem de protesto em Lima contra Héctor Bejara, que afirmou que a Marinha do país é terrorista
Sebastian Castaneda/Reuters
O ministro das Relações Exteriores do Peru, Héctor Bejar, de 85 anos, renunciou ao cargo na terça-feira (17), com menos de 20 dias no cargo, depois de um programa de TV veicular um vídeo de fevereiro deste ano em que ele afirmava que a Marinha do país é terrorista.
O programa de TV Panorama recuperou vídeos antigos de Bejar em que ele disse: “O terrorismo no Peru foi iniciado pela Marinha. Isso pode ser demonstrado historicamente, e eles foram treinados para isso pela CIA”.
Pedro Castillo assume oficialmente a presidência do Peru
Outras falas dele também causaram controvérsia: ele afirmou que o Sendero Luminoso, um grupo de esquerda que matou milhares de pessoas no país, também teria tido apoio da CIA.
VEJA TAMBÉM
Pedro Castillo, do Peru, nomeia ex-guerrilheiro como ministro das Relações Exteriores
Pedro Castillo: saiba mais sobre o presidente do Peru
“Estou convencido, embora eu não possa provar, que o Sendero Luminoso era em parte criado pela CIA e outros serviços de inteligência”, disse ele em um vídeo sem data que foi resgatado pelo Panorama.
O Sendero Luminoso era um grupo de orientação maoísta. Estima-se que nos anos 1980 e 1990, 70 mil pessoas tenham morrido nas disputas entre o Sendero Luminoso e o governo peruano.
Houve protestos em Lima após a divulgação dos vídeos antigos.
Em sua juventude, Bejar participou de grupos de guerrilha de esquerda no Peru. Ele é doutor em sociologia e já foi professor universitário.
Governo tem menos de 20 dias
Pedro Castillo, o presidente do Peru, assumiu o poder no fim do mês de julho. Castillo é de um partido marxista-leninista. Ele precisará nomear um novo ministro de Relações Exteriores até o fim de agosto —o Congresso precisa aprovar a nomeação.
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Estudantes são detidos em Hong Kong por ‘apologia ao terrorismo’

Quatro líderes estudantis da principal universidade de Hong Kong, a HKU, foram presos nesta quarta-feira (18) por “apologia ao terrorismo”. Eles têm entre 18 e 20 anos.
As prisões foram feitas após uma declaração do grêmio estudantil sobre um ataque contra um policial e com base na Lei de Segurança Nacional imposta pela China.
Um homem atacou um policial com uma faca em um movimentado bairro comercial de Hong Kong e depois se suicidou em 1º de julho. As autoridades disseram se tratar de ato de “terrorismo doméstico”.
Pouco tempo depois, o grêmio estudantil da Universidade de Hong Kong (HKU) emitiu uma declaração expressando “profunda tristeza” pela morte do agressor e gratidão por seu “sacrifício”.
Diante da repercussão, os estudantes se retrataram e pediram desculpas.
“Isso embelezou, racionalizou e glorificou o terrorismo e um ataque indiscriminado e encorajou atos suicidas”, afirma Steve Li, superintendente da seção de segurança nacional da polícia de Hong Kong.
Mais de 130 pessoas, incluindo ativistas pró-democracia, já foram presos sob a Lei de Segurança Nacional imposta pela China à cidade, que é um território semiautônomo.
A maioria dos detidos são acusados de secessão ou subversão por expressarem suas opiniões políticas. A denúncia de terrorismo é menos frequente.
VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Terremoto atinge Vanuatu e gera alerta de tsunami

Vanuatu é um país formado por dezenas de ilhas que fica a leste da Austrália e ao norte da Nova Zelândia, perto de Fiji. Não há relatos de danos ou vítimas até o momento. Um terremoto de magnitude 7,1 atingiu Vanuatu nesta quarta-feira (18), no Oceano Pacífico, e gerou alerta de tsunami.
Vanuatu é um país formado por dezenas de ilhas que fica a leste da Austrália e ao norte da Nova Zelândia, perto de Fiji.
Não há relatos de danos ou vítimas até o momento.
VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Japão cancela GP de F-1, que estava previsto para outubro

Governo japonês anunciou que ampliará o estado de emergência sanitária para mais sete regiões, O Grande Prêmio de Fórmula 1 do Japão, que aconteceria em outubro no autódromo de Suzuka, foi cancelado pelo segundo ano consecutivo devido à situação de saúde no país, anunciaram os organizadores nesta quarta-feira (18).
Após discussões “com as autoridades japonesas, a decisão do governo japonês foi de cancelar a corrida devido às dificuldades ligadas à pandemia”, anunciou em um comunicado a empresa americana que organiza o campeonato.
Na terça (17), o governo japonês anunciou que ampliará o estado de emergência sanitária devido à pandemia do novo coronavírus para mais sete regiões, com o objetivo de combater o aumento dos contágios, a uma semana do início dos Jogos Paralímpicos de Tóquio. A medida de emergência, que proíbe a venda de bebidas alcoólicas em bares e restaurantes e determina o fechamento dos estabelecimentos às 20 horas, já está em vigor em Tóquio e outras cinco regiões.
A previsão inicial era encerrar o estado de emergência no próximo dia 31, mas o governo decidiu estender as medidas para outras regiões e prosseguir com o controle até 12 de setembro.
O Japão tem um número consideravelmente menor de casos de covid-19 na comparação com outros países, apesar de não ter determinado confinamentos. O programa de vacinação do país, no entanto, começou mais tarde e avança de maneira mais lenta que outros países desenvolvidos: apenas 37% da população está imunizada. Nos últimos dias, o Japão registrou mais de 20 mil casos de Covid-19 a cada 24 horas, um recorde para o país.
A alta de casos teve início antes dos Jogos Olímpicos em julho e prosseguiu durante o evento, que aconteceu sem público. O Comitê Organizador de Tóquio-2020 anunciou na última segunda-feira que a Paralimpíada também acontecerá sem torcedores nos locais de competição.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

‘Ele falou que está só esperando a sorte dele chegar’, diz brasileira sobre amigo afegão


Raisa Jorge vive na Jordânia e passou 8 meses no Afeganistão em 2015. Após a tomada do Talibã, tentou entrar em contato com amigos e conhecidos no país: ‘Alguns simplesmente desapareceram das redes sociais’. ‘Ele falou que está só esperando a sorte dele chegar’, diz brasileira sobre amigo afegão
Morando na Jordânia há mais de 8 anos, a brasileira Raisa Jorge, de 30 anos, passou 8 meses no Afeganistão, em 2015, antes de voltar para o país do Oriente Médio. Com a retomada do Talibã, ela se diz preocupada com o futuro das pessoas que vivem lá.
Em entrevista ao G1, ela contou que trabalhou com projetos de mídia promovidos por uma ONG no Afeganistão e que seu dia a dia precisava ser imprevisível para evitar sequestros. Durante esse tempo, ela fez amigos afegãos, que hoje temem pela própria vida.
Desde o último domingo (15), a população afegã tem vivido cenas de horror no país, que agora está sob domínio do Talibã. Na capital Cabul, milhares de pessoas desesperadas tentaram embarcar em aviões. Muitos se agarraram do lado de fora das aeronaves e ao menos uma pessoa despencou durante a decolagem. Veja no vídeo abaixo:
VÍDEO: Pessoa cai de avião ao tentar fugir no Afeganistão
LEIA TAMBÉM:
O que é o Talibã
Veja FOTOS e VÍDEOS da situação no Afeganistão
Veja cronologia da tomada de poder do Talibã no Afeganistão
Entenda como o Talibã quadruplicou sua arrecadação em cinco anos
Raisa conta que tem tentado entrar em contato com essas pessoas, mas nem todos estão ativos nas redes sociais.
“Eu saí perguntando para todo mundo que eu conheço o que está acontecendo. Para quem eu pude, porque alguns simplesmente desapareceram das redes sociais. Não sei se é porque eles estão escondidos, porque já foram pegos, não sei o motivo e isso também me deixa apavorada”, conta.
Um afegão que trabalhou com Raisa relatou o cenário dos primeiros dias da presença do Talibã na capital Cabul.
“Ele falou está esperando a sorte dele chegar, porque eles [o Talibã] estão batendo de porta em porta desde que chegaram, procurando por jornalistas, ativistas e pessoas que trabalharam em ONGs”, diz.
“Esse menino falou para mim: ‘eu simplesmente não sei o que fazer, não tem voo, o aeroporto está fechado e mesmo se tiver voo eu não tenho dinheiro para tirar minha família inteira daqui”, completa.
Combatente do Talibã revista pertences de pessoas saindo do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, na segunda-feira (16)
Wakil Kohsar/AFP
Nesta terça-feira (17), o Talibã anunciou uma “anistia geral” em todo o país, em uma tentativa de convencer a população de que o grupo mudou.
Outros líderes talibãs já disseram que não buscarão vingança contra aqueles que trabalharam para o governo afegão ou países estrangeiros. Mas algumas pessoas dizem que os extremistas têm listas de pessoas que cooperaram com o governo e estão procurando-as em Cabul.
Rupert Colville, porta-voz do alto comissário das Nações Unidas para direitos humanos (Acnur), afirmou em um comunicado que “essas promessas precisarão ser honradas” e que, por enquanto, “foram recebidas com algum ceticismo”.
Na primeira entrevista coletiva do Talibã desde que voltou ao poder, o porta-voz Zabihullah Mujahid afirmou que o grupo vai respeitar o direitos das mulheres, desde que dentro das normas da lei islâmica.
Mas muitos afegãos (e a comunidade internacional) continuam céticos. Os mais velhos se lembram das visões islâmicas ultraconservadoras que também incluíam apedrejamentos, amputações e execuções públicas.
Brasileira no Afeganistão
Raisa Jorge viveu por 8 meses no Afeganistão, em 2015
Arquivo pessoal
Raisa morava na Jordânia antes de ir para o Afeganistão. Insatisfeita com o trabalho, ela começou a procurar por outras oportunidades e acabou encontrando uma vaga que a interessou no país que foi retomado pelo grupo extremista neste final de semana.
“Eu me candidatei sem muitas pretensões e acabou que deu certo. Quando deu certo, aí eu falei ‘eu estou indo para Afeganistão é isso mesmo?'”, relembra.
A brasileira dividiu uma casa com outros estrangeiros e conta que sua segurança era reforçada, pelo fato de ser estrangeira. O Talibã realiza com frequência sequestros, especialmente de pessoas de outros países.
“Depois das eleições de 2014, o Talibã começou uma ofensiva muito maior. Eles começaram a fazer ataques muito maiores, em alvos muito mais específicos”, conta Raisa.
“Eu tinha um motorista que me buscava todo dia para ir para o trabalho. E todo dia em horários diferentes para eu não ter uma rotina para ninguém poder me rastrear. Eu não podia sair sozinha para absolutamente nada”, completa.
Raisa era a única mulher e estrangeira na empresa que trabalhou, que funcionava como uma porta de entrada para jovens que tinham acabado de sair da faculdade. Ela ocupava um cargo de chefia e conta que a aceitação não foi simples.
“Eram todos homens muito jovens que não tinham nenhum ou muito pouco contato com o estrangeiro. Com mulheres, [ainda menos]”, diz.
“Quando eu chegava para pedir alguma coisa por mais tranquila que eu fosse, era muito fácil de eles levarem isso em para um lado ruim. De não aceitar que eu estivesse mandando neles”, conta.
Como ficam mulheres afegãs
A brasileira conta que realizou projetos no Afeganistão nos quais encontrou mulheres que tinham grande importância em suas comunidades.
“Foram só 8 meses, mas foram 8 meses bastante intensos em questão de trabalho, em questão pessoal”, conta.
“Encontrei mulheres em lugares que você nem imagina a diferença que elas fazem. Porque por muito tempo a mulher não podia nem ir para escola no Afeganistão, depois da queda do Talibã você começa a ver mais mulheres na escola”, relembra.
Afeganistão: mulheres serão as mais afetadas pela retomada do poder pelo Talibã
As restrições dos direitos e liberdades das mulheres são um dos maiores temores com o retorno do Talibã.
“Então eu temo muito por essas mulheres que têm tanto potencial, que trazem tanto potencial para o país e não vão mais ter essa oportunidade, pelo menos não lá, pelo menos não agora”, diz Raisa.
Na primeira entrevista coletiva do Talibã desde que voltou ao poder, o porta-voz Zabihullah Mujahid afirmou que o grupo vai respeitar o direitos das mulheres, desde que dentro das normas da lei islâmica.
Mas muitos afegãos (e a comunidade internacional) continuam céticos. Os mais velhos se lembram das visões islâmicas ultraconservadoras que também incluíam apedrejamentos, amputações e execuções públicas.
‘Estou chorando dia e noite’: o drama das afegãs diante do Talibã
Futuro do país
Ainda no domingo (15), o presidente afegão Ashraf Ghani fugiu do país, e o palácio presidencial foi tomado pelo grupo extremista. Ele disse que deixou o Afeganistão para “evitar um banho de sangue” e admitiu a vitória do grupo.
Combatentes do Talibã assumem o controle do palácio presidencial afegão em Cabul, capital do Afeganistão, após o presidente Ashraf Ghani fugir do país em 15 de agosto de 2021
Zabi Karimi/AP
A maior parte das forças lideradas pelos EUA deixaram o Afeganistão em julho, e o Talibã se aproveitou da retirada e avançou rapidamente pelo país, conquistando todas as províncias e a capital Cabul em menos de duas semanas. Na segunda-feira (16), o presidente dos EUA Joe Biden fez um pronunciamento oficial e reiterou a decisão de retirar os militares americanos do país.
Afeganistão: Retirada dos EUA foi pior decisão de Biden?
Para a brasileira Raisa, este é um tempo de incertezas para o povo afegão.
“Eu temo pelo futuro não sei quanto tempo isso vai durar, como que isso vai desenvolver. É tudo muito incerto, quando converso com as pessoas de lá, ninguém sabe o que vai acontecer, ninguém sabe o que está acontecendo”, diz.
Veja vídeos do avanço do Talibã no Afeganistão:

Fonte: G1 Mundo