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Onde fica o Afeganistão e por que geograficamente ele é estratégico para as principais potências mundiais?


País na Ásia Central e está no foco de China e Rússia, além de outros países vizinhos. Fronteiras foram definidas por influência britânica no século 19 durante ação para barrar avanço da Rússia czarista. As 7 imagens mais marcantes da tomada do Afeganistão pelo Talibã
O Afeganistão fica na Ásia Central, encravado em uma porção de terras montanhosas geograficamente estratégica e com potencial econômico que atrai vizinhos e potências com as quais nem mesmo tem fronteiras.
O que é o Talibã, grupo extremista que voltou ao poder no Afeganistão
Vice-presidente afegão diz que é o presidente interino do país
Os primeiros sinais de que mulheres podem enfrentar retrocesso no país
No passado, a disputa entre países do Ocidente e a Rússia forjou o desenho do mapa afegão e também marcou a trajetória de guerras envolvendo o país. Agora, o futuro do Afeganistão mobiliza as atenções sobretudo da China, da Rússia e dos EUA, mas vizinhos menos influentes globalmente, como o Irã, a Índia e o Paquistão, também disputam a influência sobre o país e seu território.
Abaixo, em cinco tópicos, entenda a localização do Afeganistão e quais os interesses das potências mundiais:

G1/Arte
1 – Localização do país e origem
O Afeganistão é um pais montanhoso, sem acesso ao mar e com um território de 652 mil km², pouco maior que o estado de Minas Gerais. Historicamente, na Antiguidade, o território que hoje forma o país já foi ocupado por diferentes povos e impérios, como a Babilônia e o macedônio de Alexandre, o Grande.
Na história mais recente, no século 19, o Império Britânico ocupou a região e foi responsável por levar ao trono o rei Shah Shujah (1838-1842). Depois de as tropas britânicas terem sido expulsas, retornaram entre 1878 e 1880, sendo que a independência da influência britânica só ocorreu definitivamente em 1919.
“O Afeganistão nasceu como um Estado tampão para impedir o avanço da Rússia czarista no século 19, que estava se expandindo em direção ao sul do continente asiático. Os ingleses viram isso como uma ameaça e criaram o Reino do Afeganistão como um Estado”, diz o professor Samuel Feldberg, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP).
VÍDEO: Ruas de Cabul, no Afeganistão, têm homens do Talibãs armados, após tomada de poder
2 – Independência, invasão soviética e atual interesse russo
Atualmente, o Afeganistão faz fronteira com seis países, a metade deles aliados diretos da Rússia e ex-repúblicas soviéticas: Tajiquistão, Uzbequistão e Turcomenistão. A estabilidade dessa área, portanto, é do interesse russo.
Desde a independência declarada, os arranjos de poder no Afeganistão sempre foram considerados instáveis. Por conta da proximidade com a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em diferentes momentos o país teve assistência militar e econômica do bloco, até que em 1979 foi invadido pelo exército soviético, em um período que já havia apoio dos Estados Unidos a grupos locais contrários aos russos. A presença soviética seguiu no país até um acordo de paz em 1988.
Como lembra a colunista do G1 Sandra Cohen, “os EUA se envolveram no país há quatro décadas, durante a Guerra Fria, apoiando combatentes armados – os mujahedin – contra os soviéticos. O impacto do conflito desgastou a economia soviética até que o então presidente Mikhail Gorbachev anunciou a retirada total das tropas”.
Apesar da derrota, os soviéticos continuaram a sustentar o governo afegão, liderado por Mohammad Najibullah, para conter o avanço dos rebeldes. Mas o império soviético desmoronou, a fonte secou e, em 1992, Najibullah foi destituído do poder.
No cenário atual, a Rússia se interessa em fazer contraponto ao poder dos EUA em áreas que ela avaliar estar dentro de seu círculo de influência, sobretudo o sul da Ásia, Oriente Médio e Leste Europeu. Além disso, também tem interesse no fortalecimento do Talibã contra o Estado Islâmico (EI), já que o país sofre com terrorismo jihadista no Cáucaso. Por isso, manter o EI longe do norte do Afeganistão é importante para a Rússia.
3 – China: interesse em minerais, contraponto aos EUA e aos jihadistas uigures
Demétrio: China apoia o Talibã por medo do avanço jihadista no país
Ainda na segunda-feira (16), a China afirmou que deseja manter “relações amistosas” com o grupo extremista Talibã, que tinha tomado o poder no Afeganistão apenas um dia antes.
A China e o Afeganistão são países vizinhos e têm 76 quilômetros de fronteiras comum.
Pequim incluiu, ainda em 2016, o Afeganistão em seu grande projeto de infraestrutura, as “Novas Rotas da Seda”. Mas, por falta de segurança, os investimentos chineses foram modestos no país: 4,4 milhões de dólares em 2020, segundo o ministério do Comércio.
A China tem também interesse nos minérios do país, entre eles o cobre na região de Mes Aynak. Mas outro dos possíveis focos são as reservas de “terras raras”, que são insumos importantes nas cadeias de fabricação de produtos de altas tecnologias.
Além do forte interesse econômico, a fronteira com o Afeganistão na província de Xinjiang é palco de atividades de grupos extremistas uigures. O receio é que jihadistas uigures presentes também no Afeganistão se fortaleçam na região, justamente porque a China vem sendo acusada de genocídio contra o povo uigur.
E assim como a Rússia, a China também busca fazer oposição aos EUA e a retirada das tropas do Afeganistão é uma nova oportunidade para se contrapor à influência americana.
4 – EUA: das ações contra os soviéticos à luta contra o terror
VÍDEO: Guerra ao Talibã já dura 20 anos; entenda
Os EUA iniciaram sua relação com o Afeganistão há 40 anos, durante a Guerra Fria, com o apoio aos mujahedin, grupo de guerrilheiros que atuavam contra as investidas soviéticas no país. O cenário de conflito e os investimentos em armas e treinamento militar formaram um terreno fértil para a criação e ascensão do grupo extremista Talibã, que tomou o poder do país nos anos 1990.
A interferência americana voltou a aumentar durante a chamada Guerra ao Terror, em resposta aos atentados do 11 de setembro, quando o governo talibã do Afeganistão se recusou a entregar o chefe da al-Qaeda, responsável pelos ataques, Osama Bin Laden.
Duas décadas depois, com o retorno do grupo ao poder, os americanos temem que o país se torne um “santuário para grupos extremistas”, no entanto, outra grande preocupação é a perda de influência no território que poderá favorecer seus maiores adversários: China, Rússia e Irã.
5 – Índia, Irã e Paquistão: o interesse de vizinhos
Saída dos EUA do Afeganistão abre espaço para países ganharem poder no cenário geopolítico
Além das potências globais, vizinhos com forte expressão regional também buscam marcar posição na relação com o Afeganistão:
ÍNDIA: o país vê no Afeganistão um de seus principais aliados regionais, e sua localização – com uma longa fronteira com o Paquistão, com quem a Índia não tem boas relações – é vital para a segurança nacional.
IRÃ: Com laços estreitos com o grupo extremista, o governo iraniano foi acusado de fornecer apoio financeiro e militar ao Talibã. Além disso, especialistas alertam para a expansão da presença clandestina das Forças Quds – unidade especial da Guarda Revolucionária – no país para promover os interesses iranianos.
“Cerca de 20% da população do país é xiita, e o principal país xiita da região, o Irã, “está preocupado com a possibilidade de associação, no Afeganistão, de grupos salafistas que atacam os xiitas”, explica Arlene Clemesha, professora de História Árabe da Universidade de São Paulo (USP).
PAQUISTÃO: Entre a Índia – com quem não tem boas relações – e o Afeganistão, o Paquistão vê no apoio afegão uma expansão de sua influência regional e apoio em conflitos. O país foi um dos únicos, ao lado da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, a reconhecer o Talibã quando assumiu o poder na década de 1990.
Há uma identidade étnica de uma parte dos afegãos com o Paquistão. “A fronteira entre os dois é praticamente inexiste”, comenta Samuel Feldberg, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP). O Paquistão usa essa proximidade étnica nos conflitos que tem com a Índia, segundo o professor.
Quando o Afeganistão foi invadido em 2001, muitos dos membros de grupos terroristas que estavam no país acabaram encontrando refúgio no Paquistão —o próprio Osama Bin Laden foi capturado em uma cidade próxima a Islamabad, no Paquistão.
Há mais de dez etnias no país, que falam línguas diferentes e que têm uma organização parecida com a de tribos. “Como o Estado do Afeganistão atual nasceu de um projeto colonialista, as rivalidades internas foram exacerbadas. Os grupos étnicos do Afeganistão não consideram as fronteiras entre o país e os vizinhos legítimas”, diz a professora Clemesha.
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Fonte: G1 Mundo

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O Assunto #519: Haiti – um país desolado


Desde o grande terremoto de 2010, o Haiti nunca se recuperou. E, agora, precisa superar além mais tragédias climáticas – um novo tremor seguido de um ciclone ,- a turbulência política deflagrada com o assassinato do presidente Jovenel Moise e o combate à pandemia sem vacinas. Você pode ouvir O Assunto no G1, no GloboPlay, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, no Deezer, na Amazon Music, no Hello You ou no sua plataforma de áudio preferida. Assine ou siga O Assunto, para ser avisado sempre que tiver novo episódio.
Em 2010 um terremoto deixou mais de 200 mil mortos na ilha – e desde então o país nunca se recuperou. Agora, outro tremor e um ciclone fizeram mais vítimas no Haiti, que vivia uma crise política depois do assassinato do presidente. “Minha família está desesperada”, relata Franceline Loregeant, haitiana que vive no Brasil desde 2014. Franceline conta os momentos de apreensão ao tentar localizar o irmão no último fim de semana – ele perdeu o celular depois do terremoto e ficou incomunicável. “A casa onde ele trabalha, destruiu tudo”, diz. Ela narra a situação da família e diz que “não há abrigo”, ao contar que a casa da mãe está cheia de água. Neste episódio, Natuza Nery conversa também com a repórter da TV Globo Lilia Teles, que participou da cobertura do terremoto em 2010 e voltou à ilha várias outras vezes. Lilia explica como o país, o qual “o mundo virou as costas” e vive “afundado em corrupção”, nunca conseguiu se reconstruir. E relembra como ajudou a salvar uma mulher grávida dos escombros em 2010. “Nunca mais me esqueci daquilo. Sou uma Lilia antes e outra depois do Haiti”.
O que você precisa saber:
Terremoto: tremor de magnitude 7,2 deixa mortos no Haiti
Ciclone: depois de forte terremoto, ciclone atinge o Haiti
2010: tremor de magnitude 7 matou ao menos 200 mil pessoas
Vida no Haiti: assassinato, gangues e instabilidade política
Jovenel Moise: presidente do Haiti é assassinado a tiros em casa
VÍDEO: imagens da destruição causada por terremoto no Haiti
O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Isabel Seta, Arthur Stabile, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski e Giovanni Reginato. Neste episódio colaboraram também: Gabriel de Campos, Laís Modelli e Ana Flávia Paula. Apresentação: Renata Lo Prete. Nesta semana na apresentação: Natuza Nery.

Comunicação/Globo
O que são podcasts?
Um podcast é como se fosse um programa de rádio, mas não é: em vez de ter uma hora certa para ir ao ar, pode ser ouvido quando e onde a gente quiser. E em vez de sintonizar numa estação de rádio, a gente acha na internet. De graça.
Dá para escutar num site, numa plataforma de música ou num aplicativo só de podcast no celular, para ir ouvindo quando a gente preferir: no trânsito, lavando louça, na praia, na academia…
Os podcasts podem ser temáticos, contar uma história única, trazer debates ou simplesmente conversas sobre os mais diversos assuntos. É possível ouvir episódios avulsos ou assinar um podcast – de graça – e, assim, ser avisado sempre que um novo episódio for publicado.

Fonte: G1 Mundo

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Força Aérea americana investiga ‘restos mortais’ encontrados no trem de pouso de avião que saiu de Cabul

Força Aérea não deu detalhes sobre o que foi encontrado no trem de pouso do C-17 quando ele chegou à base aérea de Al Udeid, no Catar. VÍDEO: Pessoa cai de avião ao tentar fugir no Afeganistão
Tropas americanas encontraram “restos humanos” no trem de pouso do avião militar seguido na segunda-feira no aeroporto de Cabul por centenas de afegãos em pânico com a volta do Talibã ao poder, informou nesta terça-feira(17) a Força Aérea dos Estados Unidos, que abriu uma investigação sobre o caso.
Talibã ensaia tom moderado em temas como mulheres e anistia, mas histórico levanta temor; entenda em 5 pontos
O que é a Sharia, lei islâmica que o Talibã quer aplicar no país?
VÍDEO: talibãs vão a parque, enquanto afegãos se escondem
A Força Aérea analisará todos os vídeos que circulam nas redes sociais do avião de transporte C-17 com pessoas tentando se agarrar a suas asas ou rodas. Outro vídeo mostrou o mesmo avião voando sobre Cabul e o que parecia ser duas pessoas caindo.
“Além de vídeos divulgados e reportagens da imprensa sobre pessoas caindo do avião durante a decolagem, restos humanos foram encontrados no trem de pouso do C-17 quando ele pousou na base aérea de Al Udeid, no Catar”, disse a porta-voz da Força Aérea dos EUA, Ann Stefanek.
Afegãos se amontoam dentro de avião militar para fugir do país; detalhes da imagem
“A investigação será exaustiva para que possamos obter todos os fatos sobre este trágico incidente”, acrescentou em nota.
Os militares não divulgaram um balanço total das vítimas no momento da decolagem, nem confirmaram a informação de que uma pessoa foi esmagada sob as rodas da aeronave.
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Fonte: G1 Mundo

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Talibã ensaia tom moderado em temas como mulheres e anistia, mas histórico levanta temor; entenda em 5 pontos


Em entrevista coletiva, porta-voz usou tom moderado, contrastando com imagem de rígidas regras religiosas e violentos castigos físicos adotados quando grupo assumiu poder no Afeganistão pela primeira vez, há 20 anos. Discurso foi recebido com ceticismo por afegãos e pela comunidade internacional. O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, durante entrevista coletiva, em Cabul, no Afeganistão, na terça-feira (17)
Reuters/Stringer
Nesta terça-feira (17), um porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, concedeu entrevista coletiva na qual falou sobre como o grupo extremista pretende exercer o poder no Afeganistão.
O discurso adotou um tom muito mais moderado do que a realidade de 20 anos atrás, quando o Talibã controlou o país pela primeira vez, adotando rígidas regras de conduta – especialmente para mulheres – e impondo restrições severas e violentos castigos físicos.
O discurso, porém, foi recebido com grande ceticismo, tanto pelos afegãos quanto pela comunidade internacional.
Veja a seguir os principais pontos abordados, o que foi prometido e como esses aspectos foram tratados pelo Talibã na década de 1990, além de situações que já começam a ser observadas desde domingo, quando o grupo chegou ao poder.
1- Mulheres
“As mulheres serão muito ativas na sociedade, mas dentro da estrutura do Islã”, afirmam os representantes do Talibã, sem detalhar como isso vai acontecer.
Imagem de rua de Cabul, no Afeganistão, do dia 7 de agosto, cerca de uma semana antes do Talibã invadir a cidade
Sajjad Hussain/AFP
O grupo está tentando se mostrar como mais moderado do que quando comandou o país, entre 1996 e 2001, e adotou uma visão extremamente rigorosa da lei islâmica (sharia), impondo restrições sobretudo às mulheres, que eram impedidas de trabalhar e estudar e eram obrigadas a usar burcas que cobriam completamente seus corpos, da cabeça aos pés.
Como parte deste esforço, um porta-voz do Talibã foi entrevistado nesta terça por uma apresentadora mulher, sem burca, na rede de televisão Tolo News (veja vídeo abaixo).
Na entrevista, Zabihullah Mujahid afirmou que as mulheres poderão trabalhar. Um dos presentes perguntou se elas vão poder trabalhar como jornalistas. Mujahid não deu uma resposta definitiva. “Vamos esperar a formação do governo e os decretos de lei, e então podemos ver como serão as leis e regulamentações”, disse.
Enamullah Samangani, membro da comissão cultural do Talibã, já havia afirmado que o novo governo “não quer que as mulheres sejam vítimas”.
Afeganistão: entenda os riscos para as mulheres sob o regime talibã
Como era e o que está acontecendo: Apesar do discurso mais moderado, as mulheres sabem que perderão direitos e há inúmeros relatos de que professores já se despediram de suas alunas nas universidades, por exemplo, além de empregadores que já dispensaram suas funcionárias.
Nos anos que antecederam a invasão pela coalizão americana, as meninas afegãs não podiam estudar, as mulheres não podiam trabalhar e sequer sair de casa se não estivessem acompanhadas de um parente e usando a burca completa.
O governo do Talibã também promovia apedrejamento de mulheres acusadas de adultério.
Talibã no poder: quais são os primeiros sinais de que mulheres podem enfrentar um retrocesso
O que já começa a mudar para mulheres com Talibã no poder no Afeganistão
Horas após o grupo tomar Cabul, no domingo, algumas imagens de publicidade com imagens de mulheres começaram a ser retiradas das fachadas das lojas. Fotos nas redes sociais mostram que vitrines com imagens de mulheres sem véu, maquiadas e com vestidos de festa estavam sendo arrancadas ou cobertas de tinta.
Mulheres de burca azul, símbolo do talibã afegão, aguardam com uma criança a distribuição de comida durante o Ramadã em Herat, no Afeganistão, em foto de 2015
Aref Karimi/AFP
“Há muitas restrições agora. Quando eu saio, tenho que usar burca (traje que cobre completamente o corpo da mulher, com uma treliça estreita à altura dos olhos), conforme ordenado pelo Talibã, e um homem precisa me acompanhar”, disse uma parteira de Ishkamish, distrito rural com serviços escassos na província de Takhar, na fronteira nordeste do Afeganistão com o Tajiquistão.
Um estudante de 21 anos que está em Cabul e preferiu não se identificar por questões de segurança, disse ao G1 que os efeitos de suas regras já eram visíveis nas ruas da cidade na segunda, especialmente às relacionadas às mulheres. “As escolas estão sendo fechadas para as mulheres, elas não estão podendo trabalhar e as mais jovens devem ser forçadas a casar”, contou.
A rede de TV Tolo News chegou a mandar suas repórteres mulheres para casa no domingo, temendo por sua segurança. Mas nesta terça elas retornaram ao trabalho, inclusive fazendo reportagens nas ruas.
VÍDEO: O que esperar do futuro das mulheres no Afeganistão?
2 – Terrorismo
Na coletiva, Mujahid afirmou: “O solo do Afeganistão não será usado contra ninguém. Podemos assegurar a comunidade internacional disso”.
Ele garantiu que o país não vai abrigar ninguém que tenha como alvos outros países – ou seja, ele afirmou que grupos terroristas não poderão usar o país para se estabelecer e treinar, como fez a Al-Qaeda no passado. Essa foi uma das principais demandas do acordo feito entre o grupo extremista e o governo dos EUA durante a gestão de Donald Trump, que determinou a saída das tropas lideradas pelos EUA do Afeganistão neste ano.
Como era e o que está acontecendo: Os EUA invadiram o Afeganistão há duas décadas justamente porque o Talibã, que dominava o país na época, abrigava os líderes da Al-Qaeda, responsável pelos ataques de 11 de setembro.
Uma TV em Cabul, no Afeganistão, anuncia a morte de Osama Bin Laden
AP
A preocupação de que o país possa voltar a servir de refúgio a terroristas foi abordada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, e também pelo Conselho de Segurança, que se reuniu de forma emergencial
A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), alertou que o Talibã não pode permitir que isso aconteça e disse que pode atacar qualquer grupo terrorista a distância.
Em junho, líderes do Pentágono disseram que um grupo extremista como a Al-Qaeda pode se reconstituir no Afeganistão, e isso representa uma ameaça para a segurança interna dos EUA. Os especialistas dizem que o grupo insurgente e a organização terrorista ainda são alinhados, e outros grupos também podem, eventualmente, se refugiar no Afeganistão agora que o Talibã voltou ao poder.
3 – Liberdade de imprensa
Mujahid também disse que o Talibã quer que a mídia privada “continue independente”, mas salientou que os jornalistas “não devem trabalhar contra os valores islâmicos” e “não devem trabalhar contra os valores nacionais, contra a unidade nacional”.
O porta-voz disse ainda: “Quando se trata de diferenças étnicas, diferenças religiosas e hostilidades, elas não deveriam ser realmente promovidas pela mídia, [as mídias] deveriam trabalhar… para a unidade da nação, para uma convivência pacífica e fraterna”.
O porta-voz afirmou que o Afeganistão é uma nação islâmica, como era há 20 anos, mas que há uma grande diferença entre o grupo hoje e o grupo que governou há mais de 20 anos.
Como era e o que está acontecendo: O jornalista John Simpson, da BBC, esteve no Afeganistão controlado pelo Talibã, antes de 2001, e lembra que “trabalhar para a televisão era um pesadelo, porque registrar a imagem de qualquer ser vivo era expressamente proibido por motivos religiosos. As livrarias eram regularmente revistadas em busca de ilustrações e qualquer livreiro culpado era açoitado”.
Os principais canais de televisão do Afeganistão continuaram suas transmissões depois que o Talibã assumiu o poder. No entanto, há diferenças notáveis, como o fato de não haver mais apresentadoras mulheres, de acordo com a BBC Monitoring.
Também foi observado um grande aumento nos comentários favoráveis ao Talibã, em paralelo a muito poucas críticas ao grupo, em canais como a TV estatal National Afghanistan e as redes privadas Tolo News, Ariana, Shamshad e 1TV.
Após anúncio de ‘anistia’, porta-voz do Talibã é entrevistado por apresentadora em TV
A televisão estatal, cuja direção está nas mãos do Talibã desde a noite de 15 de agosto, tem transmitido em sua maioria programas religiosos.
Já grande parte da grade de programação da Tolo News e da 1TV tem repetido programas transmitidos aos domingos, possivelmente devido a dificuldades de trabalho.
Enquanto isso, a TV Shamshad, de propriedade de um ex-assessor presidencial, estava transmitindo conteúdo pró-Talibã. Em um dos programas, o correspondente do canal mostrou moradores de Cabul comemorando que o grupo traria segurança e unidade ao país.
As 7 imagens mais marcantes da tomada do Afeganistão pelo Talibã
4 – Anistia
O porta-voz garantiu que o Talibã “não deseja vingança contra ninguém” e que não haverá represálias contra aqueles que ajudaram os norte-americanos e aliados durante sua estada no Afeganistão. Ao ser questionado sobre as denúncias de que há perseguição a soldados das forças afegãs, que estão sendo caçados em suas casas, ele disse que quem estiver fazendo isso será punido.
Combatente do Talibã revista pertences de pessoas saindo do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, na segunda-feira (16)
Wakil Kohsar/AFP
“Os jovens que cresceram aqui, não queremos que eles vão embora. Eles são nossos bens. Ninguém vai bater à sua porta e perguntar para quem estiveram trabalhando. Eles estarão seguros. Ninguém vai ser interrogado ou perseguido. Nós perdoamos a todos pelo benefício da estabilidade ou paz no Afeganistão”, garantiu.
“Nossos lutadores, nosso povo, todos nós vamos nos certificar de que podemos incluir todos os outros lados e facções. Todos os soldados do Talibã que realizaram inspeções de casa em casa são abusadores e serão perseguidos e investigados”, acrescentou Mujahid.
Como era e o que está acontecendo: Algumas pessoas dizem que os extremistas têm listas de pessoas que cooperaram com o governo e estão procurando-as em Cabul. Uma testemunha disse à agência de notícias France Presse ter visto a casa de um ex-colaborador do governo ser invadida por homens armados e ele ser levado à força.
Existem ainda denúncias de pessoas espancadas ao tentarem alcançar o aeroporto de Cabul, na tentativa de fugir do país.
5 – Relação com outros países
Mais uma vez, o tom foi tranquilizador: “Não queremos nenhum inimigo externo ou interno”, afirmou Mujahid na coletiva desta terça-feira, que acrescentou, entretanto, que o Talibã deve ser tratado “adequadamente” pela comunidade internacional.
“Não queremos ter problemas com a comunidade internacional. Temos o direito de agir com base em nossos princípios, regras e regulamentos religiosos, esse é o direito dos afegãos”, disse.
Como era e o que está acontecendo: Segundo o conselheiro nacional de Segurança dos EUA, Jake Sullivan, o Talibã se comprometeu a garantir um “corredor de segurança” para que cidadãos estrangeiros que vão deixar o país cheguem ao aeroporto de Cabul.
“O Talibã nos informou que estava preparado para fornecer a passagem segura de civis para o aeroporto e pretendemos fazer com que mantenham esse compromisso”, disse Sullivan a jornalistas nesta terça. Ele acrescentou que o acordo deve durar pelo menos até dia 31 de agosto e que há negociações sobre o futuro.
Soldados das forças especiais francesas ficam de guarda perto de um avião militar no aeroporto internacional de Cabul, em 17 de agosto de 2021, antes de evacuar cidadãos franceses e afegãos do Afeganistão
AFP
Até o momento, a China foi o único país a declarar oficialmente que pretende manter “relações amistosas” com o Talibã. China e Afeganistão são países vizinhos e têm 76 km de fronteiras comum.
A China “respeita o direito do povo afegão a decidir seu próprio destino e futuro e deseja seguir mantendo relações amistosas e de cooperação com o Afeganistão”, afirmou à imprensa a porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying.
A Rússia, que disse que reconheceria ou não o governo do Talibã de acordo com as ações do grupo, informou nesta terça que seu embaixador no Afeganistão, Dmitry Zhirnov, teve uma reunião “construtiva” e “positiva”. “Os representantes do Talibã disseram que têm a abordagem mais amigável… em relação à Rússia. Eles confirmaram garantias de segurança para a embaixada”.
VÍDEO: Veja cronologia da tomada de poder do Talibã no Afeganistão
A Rússia havia declarado o Talibã como uma organização terrorista em 2003, mas desde então já sediou várias rodadas de negociações no Afeganistão, a mais recente em março deste ano, que incluíram o grupo.
No domingo, após o grupo extremista assumir o controle da capital Cabul, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson afirmou que nenhum país deverá reconhecer o Talebã como governo do Afeganistão. “Queremos uma posição unida entre os que pensam da mesma forma, o tanto quanto pudermos”, disse, em um pronunciamento em vídeo.
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Fonte: G1 Mundo

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‘Aceitamos usar niqab se Talibã nos deixar estudar’, diz afegã que promovia educação feminina até retirada dos EUA


Até 2001, governo Talebã proibia mulheres e meninas de estudar ou trabalhar. Agora, o movimento insurgente apresenta uma versão menos radical de si mesmo diante dos olhos incrédulos das afegãs. Amina visita alunas de uma escola na província de Herat
Arquivo pessoal/BBC
“Todos os dias são horríveis. E a única certeza que tenho é de que ontem foi melhor do que hoje.”
Essa é a descrição da jovem afegã Amina* sobre suas últimas semanas, desde que os EUA completaram a retirada das tropas de seu país, após 20 anos de ocupação. Ela dedica os dias a monitorar a situação de seus parentes e amigos, a maioria deles em grandes cidades do Afeganistão.
Amina vive há menos de um ano em Washington D.C., capital americana, para alívio de sua mãe, que segue em território afegão. Ela obteve um dos poucos milhares de vistos oferecidos pelos EUA a afegãos que tenham trabalhado pelo país ou por organismos internacionais durante a ocupação americana.
No caso de Amina, o visto veio após ela sofrer ameaças de morte por seu trabalho, em um processo que expõem a deterioração da segurança no país muito antes que as cenas dos Talibãs sentados no gabinete presidencial corressem o mundo.
Especialista em políticas de educação por uma renomada universidade americana, ela passou os últimos anos tentando levar para a sala de aula ao menos parte dos cerca de 4 milhões de crianças e adolescentes afegãos que estavam fora da escola no período pré-pandemia.
Como funcionária de diferentes organizações internacionais, entre elas o Unicef, Amina trabalhava em diferentes províncias e com frequência nas áreas mais pobres e dominadas por lideranças Talibã.
“São lugares em que, nesses últimos 20 anos, as pessoas nunca viram um playground, nunca provaram um sorvete, nunca viram uma rua movimentada, nunca tiveram eletricidade. Seguem vivendo como há 100 anos. E são essas pessoas que agora controlam o país”, diz Amina.
Ali, sua função era conseguir interlocução com os líderes do grupo para levar educação para as crianças. E inspirar os menores de idade a não desistirem de estudar.
“Eu dizia para essas meninas e meninos que eles tinham que dedicar suas vidas ao estudo, a ser alguém. E agora? Nossos sonhos foram destruídos e me sinto culpada por tê-los feito acreditar que era possível”, contou, em lágrimas, à BBC News Brasil.
O temor de Amina é que, de volta ao poder, o Talibã proíba de novo a educação de meninas, retire as mulheres do mercado de trabalho e as obrigue a uma vida quase exclusivamente doméstica, dedicadas apenas ao marido e aos filhos.
Era assim até 2001, quando os EUA entraram no país para desalojar os fundamentalistas islâmicos do poder, acusando-os de dar guarida ao grupo Al-Qaeda, de Osama Bin Laden, mentor dos ataques do 11 de setembro.
‘Americanos feitos de bobos’
Os EUA se retirariam do país apenas em julho de 2021, 20 anos e US$ 2 trilhões depois, acreditando que levaria ao menos seis meses para que o Talibã desafiasse o controle político de Cabul. Na semana passada, a inteligência americana revisara o prazo para algo entre 30 e 90 dias de sobrevida do governo afegão.
Cinco dias depois, no último fim de semana, o Talibã chegou à capital do país depois de dominar todas as demais grandes cidades afegãs. No domingo, o presidente afegão Ashraf Ghani fugiu do país e o grupo fundamentalista islâmico assumiu o controle do palácio presidencial.
Militantes do Talibã desfilam agora o recém obtido poderio militar – antes de partir, os EUA gastaram mais de US$ 80 bilhões para treinar e equipar o exército afegão com armas que os insurgentes tomaram e agora expõem.
“Os americanos foram feitos de bobos. Nós sabemos que não existe uma solução militar na região, mas sair do Afeganistão dessa maneira, em troco de nada e sem qualquer controle sobre o Talibã, isso é loucura, é um erro e é um fiasco”, afirma Amina.
As 7 imagens mais marcantes da tomada do Afeganistão pelo Talibã
Para ela, “mesmo pessoas com conhecimentos rudimentares sobre o Afeganistão poderiam ter saído com uma solução mais positiva do que fez o governo americano”.
A decisão de Biden de retirar as tropas americanas era popular com seu público doméstico. Quase 60% dos americanos queriam o fim da ocupação americana no Afeganistão – entre os eleitores democratas, a cifra chegava em 72% – segundo uma pesquisa do instituto YouGov divulgada em julho.
A ação, no entanto, está se transformando em um de seus piores reveses desde o início do governo, em janeiro. As cenas da retirada às pressas de diplomatas americanos da embaixada em Cabul relembraram os americanos de sua derrota em Saigon, no Vietnã.
E as imagens de afegãos agarrados à fuselagem de um avião militar dos EUA que partia do Cabul os relembrou das dezenas de milhares de aliados – afegãos que trabalham pelos americanos e cuja vida está em risco agora – que deixaram pra trás em sua saída.
A Casa Branca tem adotado uma postura defensiva diante do problema e argumenta que as bases da retirada foram determinadas pelo ex-presidente Donald Trump, que abriu negociação direta com o Talibã em 2018.
“O governo afegão tinha muitos problemas, mas os americanos não deveriam ter aceitado negociar com o Talibã. Isso deu poder ao grupo e esvaziou ainda mais o governo afegão, que já era frágil”, diz Amina. Trump havia determinado o mês de maio de 2021 como a data de saída das tropas dos EUA.
Para o conselheiro de segurança nacional de Biden, Jake Sullivan, a negociação do republicano deixou a Biden apenas duas opções: seguir com a partida do país ou ficar e arriscar confronto aberto com o Talibã.
Nesta segunda, em seu primeiro discurso após a tomada de Cabul pelo Talibã, Biden não reconheceu nenhum erro estratégico americano e culpou os próprios afegãos pelos desdobramentos vistos no país.
“Líderes políticos afegãos desistiram e fugiram. Os militares afegãos desistiram, algumas vezes sem tentar lutar. Isso comprovou que não devemos estar lá. Não devemos lutar e morrer em uma guerra que os próprios afegãos não querem lutar”, disse Biden, que interrompeu as férias para fazer o pronunciamento e tentar estancar a crise política.
Para Somaye, a resposta de Biden é um “insulto”. “Somente no Exército afegão, perdemos 65 mil soldados durante a guerra, sem contar os civis. O presidente americano age como se suas únicas opções fossem sair como saiu ou aplicar ainda mais força contra o país. Na verdade haveria muitas outras opções, como chamar à mesa potências regionais como China e Índia para tentar negociar essa saída. Nós, afegãos, não questionamos a retirada, mas o modo como ela foi feita”, diz Amina, apontando para um aspecto delicado da atual geopolítica global.
No último fim de semana, a prefeitura de Washington D.C. autorizou que afegãos na capital americana se manifestassem em frente à Casa Branca. Cerca de 500 pessoas se reuniram ali com cartazes que acusavam os americanos de “traição” e pediam sanções ao Paquistão, considerado o principal defensor e financiador das forças do Talibã.
“A verdade é que ali em frente à Casa Branca eu já não sabia o que reivindicar. Há duas semanas, queria mostrar que apoiava o Exército afegão e pedir apoio aos EUA. Há uma semana, queria as Nações Unidas mandassem suas tropas de paz. Agora não sei o que nos resta, além de esperar que o Talibã tenha piedade de nós”, afirmou Amina.
Uma versão menos radical do Talibã
Pelo celular, as notícias que chegam são confusas, às vezes conflitantes. Mas o quadro que se desenha até agora é de um Talibã em versão menos radical do que aquele que comandou o país entre 1996 e 2001.
“Eles querem ser respeitados internacionalmente, então é aí que pode estar nossa chance de negociar”, diz Amina. Em entrevistas à rede CNN de televisão, combatentes do Talibã dão entrevistas com sorriso no rosto e armamento pesado em punho. Dizem que “mulheres e meninas serão respeitadas” ao mesmo tempo em que bradam “morte ao EUA” diante da repórter americana.
Parentes e amigos de Amina contam que o Talibã tem oferecido uma espécie de “anistia” a quem tenha lutado contra eles ou trabalhado para o governo afegão. Bastaria que as pessoas se apresentassem à autoridade Talibã local para pegar um salvo-conduto que impediria prisões futuras.
Há, no entanto, certa descrença já que o grupo fundamentalista islâmico não é conhecido por cumprir acordos que firma. E há também muito boato. Amina afirma que o caos visto no aeroporto de Cabul se deve a isso: as pessoas receberam informações falsas de que conseguiriam embarcar mesmo sem visto ou passaporte.
Em termos educacionais, as primeiras informações são de que as lideranças estariam dispostas a ceder e permitir a educação de meninas e mulheres, desde que as escolas e universidades fossem segregadas por gênero, apenas mulheres dessem aulas a meninas e homens para meninos (a partir de uma certa idade) e que a vestimenta adequada fosse observada.
Os Talibã disseram que vão exigir que as mulheres vistam niqab, um traje que cobre o corpo e o rosto, deixando apenas a faixa dos olhos à mostra.
“Tenho conversado com muitas mulheres e eu diria que sim, que estamos dispostas a usar niqab se nos deixarem ir à escola, à universidade e trabalhar. Dada a situação, agora começamos a negociar com coisas que há dois ou três dias tomaríamos como inaceitáveis. Então aceitamos o fim da televisão, podemos vestir o que querem, podem limitar nossa liberdade de expressão, desde que não nos tirem escola e trabalho”, afirma Amina.
É na expectativa de que um acordo seja possível que reside a esperança de Amina. Embora tenha visto pra viver nos EUA, esse nunca foi seu desejo. Ela sempre viu a estadia em território americano como algo temporário, após uma saída quase que forçada do Afeganistão. Em 2019, depois de denunciar malfeitos da gestão afegão, ela começou a receber ameaças.
Com a difícil missão de negociar com líderes talibã, que controlavam certos distritos afegãos, a ida de meninas e meninos à escola, passou a ouvir de funcionários do governo que circulavam rumores de que ela não seria “muçulmana o suficiente”.
“Esse tipo de boato leva as mulheres à morte no Afeganistão”, afirmou Amina, citando casos como o de Farkhunda Malikzada que, em 2015, foi morta a pauladas depois de boatos de que ela queimara um exemplar do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. Malikzada jamais cometeu tal ato.
Ao mesmo tempo em que Amina, que é muçulmana da minoria xiita, tinha sua religiosidade questionada, o marido dela foi sequestrado.
“Eles passaram quase um dia com ele, o espancaram, quebraram dois de seus dentes”, relata Amina. As circunstâncias do ataque nunca foram completamente esclarecidas e a família de Amina acredita que pode ter sido um crime comum, já que a violência passou a ser um problema frequente no país pobre e de poucas oportunidades.
Há dez meses nos EUA, e apesar de ter diploma de uma das mais respeitadas universidades do país, Amina não conseguiu ainda um emprego. Ela tem buscado postos como educadora ou professora. As negativas a tem forçado a consumir as economias que fez para a aposentadoria. Agora divide seu tempo entre acompanhar a ruína do próprio país e cogitar a inscrição em vagas de emprego na varejista Amazon ou em redes de fast-food americanas para sobreviver.
*O nome da entrevistada foi alterado para proteger sua identidade
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Fonte: G1 Mundo

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O que há por trás de fotos ‘imprecisas’ de jornalista no Afeganistão


Indumentária de jornalista americana da CNN, Clarissa Ward, viralizou nas redes como símbolo de endurecimento contra mulheres no Afeganistão, mas ela esclareceu que já usava véu antes para sair às ruas. Jornalista da CNN, Clarissa Ward, dando notícias do Afeganistão; à esquerda, com cabelo e rosto descobertos; à direita, de véu
BBC
A imagem parecia ser um indicativo do que o Talibã no poder provocaria na vida das mulheres no Afeganistão.
O “antes” e “depois” de uma jornalista apresentando uma reportagem em Cabul mostrava a mudança: em um dia, rosto e cabelos descobertos e apenas um lenço no pescoço; no dia seguinte, véu cobrindo inteiramente os cabelos e uma “abaya”, vestido de manga comprida que vai até o chão.
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A indumentária da jornalista americana da CNN, Clarissa Ward, viralizou nas redes com essa mensagem: a chegada do Talibã já estava fazendo as mulheres terem de se cobrir mais. Era um símbolo de endurecimento contra mulheres em Cabul.
Mas não era bem isso. Ward explicou que essa mensagem era imprecisa.
A foto com o rosto descoberto, disse ela, foi registrada enquanto ela fazia uma gravação em um espaço privado. Já a reportagem com o véu e a abaya foi gravada na rua.
“Eu sempre usei um lenço na cabeça nas ruas de Cabul anteriormente”, disse ela, admitindo, no entanto, que não usava o cabelo “totalmente coberto e abaya”.
“Portanto, há uma diferença, mas nem tanta assim.”
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Em uma reportagem para o canal, ela comentou que estava vestida daquela maneira por “cautela” e para ser “o mais discreta possível”. “Não quero chamar muita atenção para mim. A história é o que está ao meu redor. A história é o que os afegãos estão sentindo nesse momento incerto e desesperador.”
A chegada do Talibã ao poder no Afeganistão despertou medo nos afegãos e, principalmente, nas afegãs. Elas temem perder direitos básicos, como o de estudar e trabalhar, já que o Talibã impõe uma interpretação radical e estrita da lei islâmica que restringe severamente os direitos das mulheres.
E, com a chegada do Talibã, de fato já foram observadas mudanças para as mulheres. À BBC, mulheres narraram perda de liberdades. Uma disse que agora tem que usar burca – o traje que cobre completamente o corpo da mulher, com uma treliça estreita à altura dos olhos, e um homem precisa acompanhá-la.
Segundo o BBC Monitoring, um departamento da BBC que monitora a imprensa no mundo todo, não há mais tantas apresentadoras mulheres na TV. Durante dois dias, elas estiveram ausentes das bancadas de jornais.
Até que, nesta terça (17), uma jornalista da rede privada TOLONews apareceu como âncora em um telejornal e ainda entrevistou um representante do Talibã.
Emissora de TV afegã escala âncora mulher para entrevistar porta-voz do Talibã
A própria Ward, a jornalista da CNN, disse que um representante do Talibã deixou claro, quando ela perguntou, que o rosto de uma mulher e suas mãos deveriam ser cobertos. Em certo momento, enquanto ela trabalhava na rua, pediram para ela ficar em um canto porque ela era uma mulher.
Em entrevista coletiva nesta terça (17), um porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, disse que o Talibã irá “permitir que as mulheres trabalhem e estudem dentro de nossas regras”, sem especificar que regras são essas.
Talibã concede 1ª entrevista coletiva: ‘Mulheres podem trabalhar e estudar, segundo lei islâmica’

Fonte: G1 Mundo

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Afeganistão: o que é a Sharia, lei islâmica que o Talibã quer aplicar no país?


Mulheres que fugiram de áreas controladas pelos fundamentalistas dizem que as novas regras já estão sendo impostas pelo grupo. A Sharia determina que homens e mulheres devem se vestir com ‘modéstia’; o que isso significa na prática varia de país para país
Reuters/BBC
Diante da preocupação internacional com a situação das mulheres no Afeganistão após o Talibã assumir o controle do país, um porta-voz do grupo fundamentalista disse que eles estão “comprometidos com os direitos das mulheres sob a Sharia (a lei islâmica)”.
Mas o que isso quer dizer?
A Sharia é o sistema jurídico do Islã. É um conjunto de normas derivado de orientações do Corão, falas e condutas do profeta Maomé e jurisprudência das fatwas – pronunciamentos legais de estudiosos do Islã. Em uma tradução literal, Sharia significa “o caminho claro para a água”.
A Sharia serve como diretriz para a vida que todos os muçulmanos deveriam seguir. Elas incluem orações diárias, jejum e doações para os pobres.
O código tem disposições sobre todos os aspectos da vida cotidiana, incluindo direito de família, negócios e finanças.
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A lei determina que homens e mulheres precisam se vestir “com modéstia”. O que isso quer dizer na prática pode variar muito, mas em geral significa que as mulheres precisam cobrir no mínimo os cabelos. É comum que os espaços sejam separados por gênero.
A lei também pode conter punições severas. O roubo, por exemplo, pode ser punido com a amputação da mão do condenado. O adultério pode levar à pena de morte – por apedrejamento.
A Organização das Nações Unidas (ONU) condena esse tipo de punição e afirma que apedrejamentos são um tipo de “tortura’, um tratamento “cruel, desumano e degradante, e portanto claramente proibidos”.
As 7 imagens mais marcantes da tomada do Afeganistão pelo Talibã
No entanto, a rigidez da Sharia e a forma como ela é aplicada pode variar ao redor do mundo.
Nem todos os países muçulmanos adotam esse tipo de punição e pesquisas indicaram que a opinião dos religiosos quanto a elas varia bastante ao redor do mundo.
Tariq Ramadan, um estudioso muçulmano na Europa, advoga pelo fim dos castigos corporais no mundo islâmico, argumentando que as situações sociais em que eles foram criados já não existem mais.
As várias faces da Sharia
Existem muitas versões da Sharia e sua aplicação varia enormemente no mundo islâmico.
Ela pode tanto ser a base do sistema de Justiça em países islâmicos onde o Estado não é laico – onde o Corão praticamente se torna a Constituição – quanto servir apenas de orientação para ações privadas de muçulmanos em países laicos.
Por exemplo, um muçulmano que vive no Reino Unido e está na dúvida do que fazer se um colega o convida para um bar após o trabalho pode procurar um estudioso da Sharia. Ele então receberá conselhos que garantam que seus atos estão dentro do permitido pela sua religião.
No entanto algumas atitudes permitidas pela Sharia não podem ser aplicadas por cidadãos privados em países laicos por serem ilegais nesses locais.
Alguns países não-laicos, como a Arábia Saudita, por exemplo, aplicam uma forma rígida e punitiva da lei, onde homicídio e tráfico de drogas podem ser punidos com morte e onde adúlteros podem ser apedrejados.
Já na Malásia, há muitas pessoas que não são muçulmanas e as dinâmicas sociais e econômicas são diferentes, então há uma interpretação completamente diferente da lei.
Como será a aplicação da Sharia pelo Talibã no Afeganistão?
A única referência para entender como será o regime são os cinco anos nos quais o Talibã governou o país entre 1996 e 2001, quando foi retirado do poder por uma junta militar liderada pelos Estados Unidos.
Nesse período de cinco anos, a interpretação da Sharia que estava em vigor no país era uma das mais rígidas e violentas do mundo.
O país tinha execuções públicas, apedrejamentos, amputações e punições com chicotadas.
Gangues paramilitares circulavam nas ruas, atacando homens que mostravam os tornozelos ou usavam qualquer tipo de roupa ocidental.
Homens eram obrigados a deixar a barba crescer e as mulheres só se aventuravam a sair se tivessem permissão por escrito dos homens. Elas não podiam trabalhar ou estudar e precisavam usar a burca, uma vestimenta que as cobria completamente.
O Talibã já afirmou que vai aplicar a Sharia nessa segunda tomada de poder, o que levou ao desespero de mulheres afegãs.
Militantes do grupo fundamentalista afirmaram à BBC que estão determinados a impor novamente sua versão da Sharia, incluindo apedrejamento por adultério e amputação de membros por roubo.
Um porta-voz do Talibã afirmou que os militantes respeitarão os direitos das mulheres e da imprensa, mas não se sabe exatamente se essa promessa será colocada em prática. Ele disse que as mulheres poderão sair de casa sozinhas e continuarão a ter acesso à educação e ao trabalho, mas terão que usar a burca.
Algumas das mulheres conseguiram fugir de áreas controladas pelo Talibã disseram que os militantes exigiam que as famílias entregassem meninas e mulheres solteiras para se tornarem esposas de seus combatentes.
Muzhda, de 35 anos, uma mulher solteira que fugiu com suas duas irmãs de Parwan para Cabul antes dos fundamentalistas tomarem a cidade, disse que tiraria a própria vida em vez de permitir que o Talibã a obrigasse a se casar.
“Estou chorando dia e noite”, disse ela à agência de notícias AFP. Não se sabe se Muzhda conseguiu sair do país antes dos fundamentalistas tomarem a capital.

Fonte: G1 Mundo

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Afegão que vivia no Brasil vai ao país natal buscar família e não consegue sair: ‘Tenho medo de não conseguir voltar’


Empreendedor que escolheu morar em São Paulo conta a dificuldade para obter visto para a família sair do Afeganistão. Desde que o Talibã assumiu Cabul, ele diz que não sai de casa e que ninguém se sente seguro. Masood Habibi, a esposa e o filho durante passeio em Cabul, capital do Afeganistão, antes da chegada dos talibãs
Arquivo Pessoal
Masood Habibi, de 29 anos, é afegão e, em setembro de 2020, realizou o sonho de conhecer o Brasil ao vir morar em São Paulo. Em maio deste ano, voltou a seu país para trazer a família com ele. Devido à pandemia, porém, os vistos não foram concedidos. E, agora, com a tomada de poder pelo grupo extremista islâmico Talibã, está numa situação que jamais imaginou: trancado com sua esposa e o filho de 4 anos há três dias na casa do irmão.
“Não poder sair do país e voltar para o Brasil é meu maior medo”, afirmou Masood em entrevista ao G1 nesta terça-feira (17).
O empreendedor está na capital, Cabul, e conta que, apesar de estarem em casa, ninguém se sente seguro. Durante o dia, há tiroteios, tudo está fechado, muita gente tenta fugir e está deslocada de suas casas. “Ninguém sabe o que está por vir.”
Masood Habibi com a família em um restaurante em Cabul, capital do Afeganistão, antes da invasão talibã
Arquivo Pessoal
“A situação é muito crítica aqui. É muito perigoso ir para fora. Cada um está ficando em casa. Meu irmão, minha esposa e meu filho estão aqui comigo”, relata.
Segundo ele, é possível ver os talibãs circulando pelas ruas. “Em todos os lugares, você pode ver os talibãs, todo o país está em estado de emergência, todos os lugares estão fechados, o aeroporto também está fechado. Muitas pessoas morreram no caos do aeroporto.”
E completa: “A situação atual é muito ruim aqui. Milhões de pessoas estão deslocadas, cada um está preocupado com o que vai acontecer. Ninguém esperava a queda do Afeganistão depois de 20 anos de ocupação [americana]”.
Masood era criança quando os Estados Unidos iniciaram a ocupação e por isso diz que não se lembra de como era o país antes disso. Mas que o medo imposto pelo Talibã voltou à tona. “Tem havido caos desde a chegada do Talibã. Alguns dos nossos amigos partiram para os EUA em avião americano. Há três dias que não saímos de casa. As pessoas têm medo de sair de casa. Muitos tiroteios são ouvidos.”
Ao ser questionado se se sentia seguro em filmar a movimentação da rua de sua janela, disse que não. “Não estamos seguros. Não é seguro filmar algo. Agora está silencioso, mas houve muitos tiros ontem. Há um caos na cidade, e as pessoas estão fugindo.”
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Ele conta que sua família está abastecida de comida e água e que o acesso à internet está mantido. Sua grande preocupação, mencionada várias vezes, é obter vistos para sua família conseguir sair de Cabul o quanto antes e voltar para o Brasil, o país em que escolheu morar.
Masood afirma que enviou alguns e-mails desde maio para a Embaixada brasileira no Paquistão, para obter vistos para a mulher, o filho e o irmão, mas a resposta foi sempre a mesma: negativa.
“Eles dizem que, devido ao coronavírus, não estão emitindo. Só por isso fiquei em Cabul, senão já estaríamos no Brasil.” E espera que agora, com a situação de emergência em que se encontra o Afeganistão, a resposta mude.
Masood Habibi com o filho em Cabul, capital do Afeganistão, antes da invasão talibã
Arquivo pessoal
O G1 entrou em contato com o Itamaraty para saber o posicionamento oficial do Ministério das Relações Exteriores sobre casos como o da família do empreendedor, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta.
Em nota divulgada na segunda-feira (16), o ministério afirmou que o “governo brasileiro expressa sua profunda preocupação com a deterioração da situação no Afeganistão e as graves violações dos direitos humanos” e que “não há registro de brasileiros atualmente residindo ou em trânsito no Afeganistão”, mas não se manifestou sobre eventuais pedidos de refúgio.
Masood Habibi com a família em Cabul, capital do Afeganistão, antes da chegada do Talibã
Arquivo pessoal
VÍDEOS: Talibã avança no Afeganistão

Fonte: G1 Mundo

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Nova Zelândia decreta lockdown após 1 caso de Covid; país não registrava transmissão local há 6 meses


Depois da Austrália, é a vez de outro país da Oceania ter de recorrer a um novo lockdown para tentar barrar a propagação da variante delta. Rua vazia em Auckland, na Nova Zelândia, durante lockdown em 15 de fevereiro de 2021
David Rowland/AFP
A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, decretou nesta terça-feira (17) um confinamento de três dias em todo o país após o registro de um caso local de Covid-19, algo que não ocorria há seis meses, segundo as autoridades locais.
Segundo a premiê, o país não deve se arriscar diante da variante delta do coronavírus, muito mais transmissível, “o que muda tudo”. Para ela, é preciso considerar que a linhagem está oficialmente presente no arquipélago.
“Vimos o que pode acontecer em outros lugares caso não consigamos controlar a situação”, afirmou Ardem. “Só temos uma oportunidade.” 
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A medida foi anunciada depois que um homem de 58 anos testou positivo ao vírus em Auckland, sem ter viajado ao exterior ou ter tido contato com alguém que tenha estado fora do país recentemente.
O lockdown passou a valer na noite de terça-feira e deve durar três dias. No entanto, na capital do país e na região vizinha de Coromandel, no norte, a população deverá se confinar durante uma semana.
A chefe de governo falou sobre as dificuldades encontradas pela Austrália – que desde meados de junho vem encontrando resistência na luta contra a Covid-19, por conta da variante delta –, para justificar sua decisão “rápida e brutal”.
“É preciso ser prudente e começar por medidas fortes e depois as flexibilizar do que começar lentamente e continuar nesta fase [de lockdown] durante muito, muito mais tempo”, explicou. 
Exemplo de gestão contra a Covid-19
Desde o início da pandemia de Covid-19, o governo da Nova Zelândia é elogiado por sua gestão eficaz da crise sanitária.
Até o momento, a doença provocou 26 mortos no arquipélago que conta com cinco milhões de habitantes. 
O país não decretava um lockdown nacional há mais de um ano e a vida retomou o ritmo quase normal.
No entanto, a campanha de vacinação avança lentamente: apenas 20% da população está totalmente imunizada até o momento.
VÍDEOS com notícias sobre a Covid-19

Fonte: G1 Mundo

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Após ciclone tropical, haitiana no Brasil recebe vídeo que mostra casa da família alagada e com rachaduras


Apesar do susto, família de Franceline Lorgeant não sofreu ferimentos. Ciclone tropical atingiu o Haiti na noite de segunda-feira (16) e dificultou busca por sobreviventes de terremoto devastador. Após ciclone tropical, haitiana no Brasil recebe vídeo que mostra casa da família alagada e com rachaduras
Arquivo pessoal
O desespero por notícias ainda continua para a haitiana Franceline Lorgeant, de Várzea Paulista (SP). No sábado, ela ficou horas sem saber do irmão, que conseguiu se salvar do terremoto, mas que ficou sem comunicação por horas. Agora, as notícias são da mãe e irmã, que tiveram a casa atingida pelo ciclone tropical Grace nesta segunda-feira (16).
Segundo Franceline, ela soube da inundação na noite desta segunda-feira (16) após conversar com sua mãe, que está com o telefone descarregado devido á falta de energia. A única fonte de contato com a família é a irmã.
“Não tem energia. Se o celular dela descarregar, não terei como saber deles. As coisas estão complicadas”, diz.
Em um vídeo enviado com exclusividade para o G1 (assista abaixo), a irmã de Franciele mostra a situação da casa, que está sem energia após ser atingida pelo ciclone.
Nas imagens, é possível ver as rachaduras nas paredes e água no chão. Apesar da força dos ventos que chegaram até 75km/h, ninguém da família se feriu.
Após ciclone tropical, haitiana no Brasil recebe vídeo que mostra casa da família alagada
Ainda segundo Franceline, além da mãe e irmã que estão com a casa alagada, uma cunhada que está grávida também teve a casa inundada. Como no país é necessário pagar para carregar os celulares, ela teme pela falta de informação nos próximos dias.
“Agora, com o ciclone, o preço aumentou em três vezes”, conta.
Susto no terremoto
Casas ficaram destruídas após terremoto no Haiti
Arquivo pessoal
No sábado (14), Franceline contou que seu irmão trabalha em Jérémie, região sul do Haiti, de segunda-feira a sábado. Quando a família ficou sabendo do terremoto com milhares de mortos, tentou contato pelo telefone por horas, mas sem sucesso.
“Ele falou para a gente que saiu para poder resolver um negócio antes de ir embora da cidade, e na hora de voltar para a casa, aconteceu o terremoto e tudo caiu. Ficamos desesperados. “, diz.
Foi então que no fim da tarde o irmão entrou em contato e explicou que havia perdido o celular durante a fuga para se salvar do terremoto. Agora, a haitiana diz que se sente aliviada de saber que o irmão está bem.
“Ele ficava no terceiro andar de uma casa casa enquanto trabalhava e perdeu tudo. Graças a Deus ele só machucou o pé. Ele perdeu o celular enquanto corria e as coisas que estavam na casa, mas ele está bem”, completa.
Franceline Lorgeant contou ao G1 que a família ficou desesperada ao perder contato com o irmão, que mora no Haiti
Reprodução/TV TEM
Ventos de até 75km/h
O ciclone levou fortes chuvas e rajadas de vento de até 75 km/h ao Haiti. A região sudoeste do país, a que mais sofreu com o terremoto, foi justamente a mais atingida pelo ciclone Grace. Também choveu muito na capital, Porto Príncipe.
O número de pessoas mortas pelo terremoto deve aumentar já que, com a chegada da chuva e dos ventos, os trabalhos de resgate foram interrompidos. Com o terremoto, foram destruídas cerca de 37,3 mil casas, e as equipes de resgate ainda não conseguiram fazer buscas por sobreviventes em muitas delas.
O ciclone também fez aumentara os riscos de deslizamentos e de enchentes.
Destroços de um hotel na cidade de Les Cayes, no Haiti, em 16 de agosto de 2021
Matias Delacroix/Ap
De acordo com o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), o ciclone também deve passar pela Jamaica, Cuba e Ilhas Cayman entre terça (17) e quarta-feira (18), segundo a trajetória prevista pelo serviço meteorológico.
O terremoto de sábado foi o terceiro grande desastre natural ocorrido no Haiti em 11 anos. Em 2010, pelo menos 200 mil pessoas morreram e outras 300 mil ficaram feridas em um terremoto que devastou completamente o país.
Cinco anos depois, em 2016, um furacão, batizado Matthew, deixou centenas de pessoas mortas e dezenas de milhares desabrigadas.
VÍDEO: Terremoto de 7,2 de magnitude deixa mortos no Haiti
*Sob supervisão de Paola Patriarca
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Fonte: G1 Mundo