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EUA investigam sistema de direção autônoma da Tesla após acidentes


Autoridades identificaram 11 acidentes envolvendo o sistema da empresa, incluindo um choque fatal e sete que provocaram lesões. Motorista morreu em acidente com Model X da Tesla na Califórnia em 2018
KTVU/AP
Autoridades de segurança dos Estados Unidos abriram uma investigação preliminar sobre o Autopilot da Tesla, após a identificação de 11 acidentes envolvendo o sistema de direção autônoma.
Os incidentes, que aconteceram em 2018, incluem um choque fatal e sete que provocaram lesões, segundo a Administração Nacional de Segurança do Tráfego nas Estradas (NHTSA, na sigla em inglês).
A NHTSA “está comprometida em garantir os mais altos padrões de segurança nas rodovias do país”, disse um porta-voz da agência.
“Como parte da missão de segurança da agência e para entender melhor as causas de determinadas colisões relacionadas com a Tesla, a NHTSA está abrindo uma investigação preliminar sobre os sistemas de assistência ao motorista (Autopilot) e as técnicas implementadas para monitorar, auxiliar e fazer cumprir o compromisso do motorista durante seu uso”, afirmou a instituição em um comunicado. A
Defesa de Musk
O fundador da Tesla, Elon Musk, defendeu o sistema Autopilot e a fabricante de carros elétricos sempre alertou que exige uma “supervisão ativa do motorista” no volante.
Os críticos – entre eles o Congresso – afirmam que o sistema pode ser facilmente enganado e pediram que a NHTSA tome ações.
A Tesla não respondeu até o momento o pedido de comentários da AFP.
Quais foram os acidentes?
Nos eventos citados pela NHTSA, “vários modelos da Tesla” estiveram envolvidos em acidentes que terminaram envolvendo veículos de assistência. Alguns foram choques “diretamente conta os veículos de equipamento de auxílio primário”, disse o porta-voz da NHTSA.
Três dos acidentes ocorreram na Califórnia e o resto na Flórida, Texas e Massachusetts, entre outros estados. A investigação se concentrará nos modelos Y, X, S e 3 da marca americana, comercializados entre 2014 e 2021.
“Uma avaliação preliminar dá início à missão de investigação da agência e permite a coleta de informação e dados adicionais”, declarou o porta-voz.
“A NHTSA lembra ao público que nenhum veículo de motor disponível comercialmente hoje é capaz de dirigir sozinho”, enfatizou.
“Certas funções avançadas de direção assistida podem promover a segurança ao ajudarem os motoristas a evitar acidentes e reduzir a gravidades dos acidentes que acontecem, mas assim como todas as tecnologias e equipamentos em veículos motorizados, os motoristas devem usá-las de forma correta e responsável”.
A notícia da investigação fez com que as ações da Tesla caíssem nesta segunda-feira. Elas fecharam com queda de 4,3%, para 686,17 dólares.
O Center for Auto Safety, um grupo sem fins lucrativos, pressiona as autoridades americanas desde 2018 para que proíbam o nome “Autopilot”, por considerarem o mesmo enganoso.
Jason Levine, diretor executivo da organização, comemorou a notícia da investigação da NHTSA, mas disse que deveria ir “muito além” de acidentes envolvendo veículos de primeiros socorros “porque o perigo é para todos os motoristas, passageiros e pedestres quando o piloto automático é ativado”, ele escreveu em um e-mail para a AFP.
“Mas não há dúvida de que algo precisa ser feito rapidamente para evitar mais ferimentos e mortes”, acrescentou.
O analista Seth Goldstein, da Morningstar, opinou que o resultado mais provável da investigação será a exigência de uma atualização de software e avisos adicionais sobre os limites do piloto automático.
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Fonte: G1 Mundo

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Terremoto no Haiti: pessoas dormem na rua com medo de mais desabamentos


Em algumas cidades, praticamente todas as construções foram destruídas pelo tremor de magnitude 7,2 – e as que restaram apresentam risco de irem ao chão a qualquer momento. Mulher chora ao descobrir que a filha de 7 anos foi encontrada morta nos escombros do terremoto de magnitude 7,2 que atingiu o Haiti em 14 de agosto de 2021
Joseph Odelyn/AP
Com falta de alimentos, água potável e vagas nos hospitais depois do terremoto que atingiu o sudoeste do Haiti no sábado (14), o país ainda enfrenta o medo de novos desabamentos, em meio à chegada da tempestade tropical Grace.
“A situação está muito difícil. Muitas casas estão destruídas e tantas outras estão a risco”, disse o padre Louis Merosné, em Anse-à-Veau, em entrevista por telefone à RFI. “Estamos à espera da tempestade que foi anunciada, mas ninguém quer entrar em casa por medo de tudo desabar.”
“As pessoas dormem a céu aberto e se perguntam como vão fazer com essa chuva. Não temos tendas para oferecer, nem abrigos provisórios. Essa é a nossa necessidade número um, junto com comida e água potável”, afirmou.
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Desabrigados pelo terremoto no Haiti dormem na rua com medo de mais desabamentos, foto de 15 de agosto de 2021
Joseph Odelyn/AP
O padre relatou ter “um pouco de estoque” de alimentos, que costuma doar aos pobres. Mas, segundo ele, a comida terá chegado ao fim em no máximo três dias.
“As estradas não estão totalmente danificadas. A maioria dos mantimentos se encontra na capital Porto Príncipe e para vir de lá, é preciso passar por Martissant, uma zona onde há guerras entre gangues. Não há segurança e todo mundo tem medo de atravessar essa área”, salienta o religioso.
Sem água potável
Em Pestel, 90% das casas foram destruídas pelo terremoto de magnitude 7,2, cujo epicentro ocorreu a cerca de 160 quilômetros da capital haitiana.
“Não temos mais nada, nem produtos básicos. Estamos esperando a ajuda humanitária”, disse o prefeito de Pestel, Guy Amorse-Marcelin.
“Não temos água potável, porque todos os reservatórios e cisternas desabaram. Sobrou apenas uma água coletada das chuvas em maio”, afirmou. “O hospital mais próximo fica muito longe do centro da cidade e estamos cheios de feridos precisando de atendimento.”
Mais de 1.400 mortes já foram confirmadas pela tragédia. As equipes de resgate ainda buscam desaparecidos possivelmente presos nos escombros, mas a cada hora que passa, a esperança de encontrar sobreviventes diminui.
VÍDEO: Veja imagens da destruição causada por terremoto no Haiti
Grávida e só com a roupa do corpo
No vilarejo de Marceline, num cenário de completa destruição, Bertha Jean Louis, 43 anos, observa a própria casa e da sua mãe desabadas.
“Alguém precisa nos ajudar a encontrar uma casa, só isso. Depois, saberemos nos virar. Estamos acostumados: cultivaremos a terra e viveremos disso”, disse ela, cujo semblante tranquilo escondia uma história trágica vivida nos últimos dias.
Bertha Jean Louis, de 43 anos, em frente a sua casa destruída pelo terremoto no Haiti, foto de 16 de agosto de 2021
Reginald Louissant Jr./AFP
Bertha relatou à AFP que perdeu o irmão no terremoto, seu marido está hospitalizado com as duas pernas atingidas pelos escombros e sobrou para ela a tarefa de cuidar sozinha da mãe, de 75 anos, ao mesmo tempo em que está grávida de quatro meses.
“Estou com a mesma roupa desde sábado. Não posso me arriscar entrar em qualquer lugar para pegar alguma coisa. Lavo as minhas roupas íntimas e quando elas secam, lavo o meu vestido. É o que posso fazer, porque não me sobrou absolutamente nada.”
Muitos países, como Estados Unidos, República Dominicana, México e Equador, já ofereceram ajuda com o envio de pessoal, alimentos e equipamentos médicos. O exército americano anunciou a criação de uma missão militar conjunta, assim como o envio de uma equipe para avaliar a situação na área de desastre. Quatro helicópteros foram mobilizados para o transporte.

Fonte: G1 Mundo

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Os interesses de EUA, China, Rússia, Irã e Paquistão no futuro do Afeganistão


Séculos depois de os impérios britânico e russo terem lutado por décadas pelo controle do Afeganistão, o país é hoje palco de outro jogo de interesses que envolve muito mais potências e que pode ter consequências devastadoras. Peças de um jogo de xadrez decoradas com as bandeiras dos EUA, Rússia e China
Getty Images/BBC
O Afeganistão é campo de batalha de potências estrangeiras há muito tempo.
Foi assim durante grande parte do século 19, no que agora é conhecido como “O Grande Jogo” – a turbulenta rivalidade entre os impérios britânico e russo pelo controle da Ásia Central.
Dois séculos depois, o Afeganistão está passando por um momento ainda mais sombrio.
SANDRA COHEN: Duas superpotências que mergulharam o Afeganistão no caos
Voos militares são retomados no aeroporto de Cabul após dia de caos e mortes
O que é o Talibã, grupo extremista que voltou ao poder no Afeganistão
Vice-presidente afegão diz que é o presidente interino do país
Os primeiros sinais de que mulheres podem enfrentar retrocesso no país
A partir do momento em que os Estados Unidos começaram a retirar suas tropas, o Talibã acelerou seu avanço e neste domingo conseguiu o colapso do governo afegão após tomar a capital, Cabul.
O Talibã segue uma linha extrema da lei islâmica e, quando esteva no comando, entre 1996 e 2001, proibiu a televisão, música, filmes, maquiagem e proibiu que meninas com 10 anos ou mais fossem à escola.
Eles também impuseram punições de acordo com sua interpretação estrita da lei islâmica, como a execução pública de assassinos condenados, o apedrejamento até a morte de adúlteros e a amputação das mãos de ladrões.
O Grande Jogo terminou há mais de 100 anos, mas uma luta muito diferente pelo controle do país continua, e a maioria dos especialistas em assuntos afegãos concorda que as últimas quatro décadas de conflito são consequência de um novo conjunto de interesses regionais e internacionais.
Além do Paquistão e da Índia, cuja competição para influenciar o Afeganistão se acredita ter gerado o Talibã, há também uma rivalidade intensa entre o Ocidente e a Rússia, que em sua última fase remonta à época em que os soviéticos invadiram o país em 1979.
Rússia e o Talibã
Moscou insiste que seus atuais interesses no Afeganistão se limitam a garantir a segurança das fronteiras de seus aliados na Ásia Central, mas suas intenções finais são menos claras.
Apesar de o Kremlin ter declarado o Talibã como “terroristas” em 2003, a Rússia organizou nos últimos anos rodadas de negociações com o grupo e outras forças de oposição, sem incluir membros do governo afegão.
Os então líderes do Afeganistão, agora no exílio, só foram convidados para uma conferência internacional realizada em Moscou em março deste ano, da qual também participaram representantes da chamada “troika ampliada”: Estados Unidos, China, Rússia e Paquistão.
“A Rússia tem ajudado o Talibã, não apenas com sua diplomacia, mas também com dinheiro e possivelmente inteligência”, disse à BBC Mundo o cientista político Seth Jones, que é também diretor do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington.
Jones, que é conhecido por seus muitos trabalhos sobre contra-insurgência e contraterrorismo, aponta ainda que por quase uma década a Rússia tem feito esforços para expandir sua influência em seu chamado “quintal”.
“Um de seus interesses é simplesmente contrapor o poderio dos Estados Unidos em regiões que considera pertencerem a suas esferas de influência: Sul da Ásia, Oriente Médio e Leste Europeu”, acrescenta Jones.
Mas a Rússia – que tem uma longa história de ataques jihadistas no Cáucaso – também se preocupa que o terrorismo avance na região.
“Moscou está alarmada principalmente com as ações do grupo autointitulado Estado Islâmico, um inimigo jurado da Rússia e do Talibã”, diz o especialista em Afeganistão.
Para o jornalista afegão Mohammad Bashir, do serviço mundial da BBC, não há dúvida de que o Afeganistão é um país chave para a Rússia.
“O Afeganistão está no meio do jogo geopolítico. Sua localização o torna interessante e perigoso, porque faz fronteira com aliados da Rússia: Tajiquistão, Uzbequistão, Turcomenistão.”
“A Rússia não quer que o Estado Islâmico se aproxime do norte do Afeganistão, ameaçando seus aliados e colocando seus próprios interesses em risco.”
China: mais do que interesses econômicos
Além dos interesses econômicos no Afeganistão – a China ainda tem esperança de extrair cobre na região de Mes Aynak, no Afeganistão -, Pequim também teme que grupos islâmicos que operam na região de Xinjiang, no oeste da China, ganhem força.
“Os chineses estão interessados ​​em fazer contraterrorismo no Afeganistão, devido às atividades de grupos extremistas uigures em Xinjiang e no Partido Islâmico do Turquestão (uma organização islâmica fundada por jihadistas uigures)”, explica Seth Jones.
A China, que compartilha uma pequena fronteira com o Afeganistão, teme que, com o Talibã assumindo o controle de todo o país, grupos islâmicos se fortaleçam e possam cruzar a fronteira, criando ainda mais problemas na província de Xinjiang.
Nos últimos anos, Xinjiang ganhou as manchetes por acusações de genocídio contra o povo uigur – denúncias que Pequim chamou de absurdas.
Mas, além das preocupações com a segurança, a China há muito mostra interesse em fazer contrapeso aos Estados Unidos na região.
“A saída dos EUA do Afeganistão, junto com seus drones e seu aparato de inteligência, é boa notícia para os chineses, porque significa uma coisa a menos com que se preocupar”, diz Jones.
EUA sob ameaça de um ‘santuário para grupos extremistas’
Para Seth Jones, a decisão dos EUA de se retirar do Afeganistão foi “um grande erro”, avaliação que muitos outros especialistas no Afeganistão repetiram.
“Vimos como um pequeno número de soldados americanos foi suficiente para dissuadir o Talibã de tomar cidades. Assim que eles começaram a se retirar, o Talibã avançou rapidamente.”
Em seu primeiro discurso após a queda do poder central do Afeganistão para o Talibã, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que defende “integralmente” sua decisão de retirar as tropas dos EUA do país apesar das recentes cenas de caos na capital afegã Cabul.
Biden afirmou que jamais haveria um bom momento para a retirada militar do Afeganistão, o que explica por que a ocupação durou 20 anos. Ele afirmou que os objetivos americanos no país foram cumpridos. Mas Biden admitiu que a rapidez do avanço do Talibã foi algo inesperado na estratégia de retirada.
Segundo ele, para os EUA era fundamental impedir que o Afeganistão funcionasse como um Estado protetor para a organização fundamentalista Al Qaeda e capturar seu líder, Osama Bin Laden, considerado o artífice dos ataques de 11 de setembro de 2001 no território americano.
O democrata disse que o foco de sua gestão está em impedir “atos terroristas” dentro dos EUA e que a condição no Afeganistão não faz parte das prioridades de “segurança nacional”.
Os interesses dos EUA no Afeganistão são variados. Por um lado, Washington sabe que seria muito perigoso deixar o Talibã controlar todo o país, pois isso significaria que o Ocidente teria que lidar com um estado de quase 40 milhões de habitantes que poderia servir de santuário para grupos extremistas.
Jones diz que o Talibã continua a manter “operações estratégicas e planos táticos” com a Al-Qaeda.
Os Estados Unidos também procuraram limitar as intervenções russa, chinesa e iraniana no país. E buscaram, antes, evitar uma catástrofe humanitária na região – um cenário que parece cada vez mais próximo, com a decisão de retirada das tropas dos Estados Unidos do país.
Depois que o Talibã entrou na capital, as imagens de caos e desespero de milhares de pessoas tentando fugir se tornaram uma constante no Aeroporto Internacional Hamid Karzai, de Cabul.
Irã e sua presença ‘clandestina’
A porosa fronteira do Irã com o Afeganistão, por onde passam migrantes, drogas e grupos armados, definiu suas relações com o Talibã.
Autoridades afegãs e norte-americanas acusaram repetidamente o Irã, especificamente a Guarda Revolucionária, de fornecer apoio financeiro e militar ao Talibã.
De acordo com o cientista político norte-americano Seth Jones, a Força Quds do Irã está expandindo sua presença clandestina no Afeganistão e a partir daí buscaria apoiar milícias e grupos políticos da região para promover os interesses iranianos.
A Força Quds é um poderoso braço paramilitar de elite da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, considerado pelos Estados Unidos como um grupo terrorista.
A cooperação de segurança do Irã com o Talibã também se baseia na hostilidade compartilhada em relação a potências ocidentais, como os Estados Unidos e o Reino Unido.
A extensão dos laços do Talibã com o Irã tornou-se aparente quando o líder talibã Mullah Akhtar Mansour foi morto em um ataque de drones dos Estados Unidos em maio de 2016, enquanto voltava do Irã para o Paquistão.
E, no final de 2018, o Irã reconheceu publicamente pela primeira vez acolher delegações do Talibã.
Ele disse que o fez com o conhecimento do governo afegão e admitiu que as negociações abordaram “a resolução dos problemas de segurança no Afeganistão”.
Paquistão: um discurso ambíguo
Com a retirada das tropas americanas do Afeganistão, o Paquistão está em uma situação delicada, pois os dois países compartilham uma fronteira de 2.430 km, conhecida como Linha Durand, e têm uma história complicada e cheia de desconfiança.
Sem uma solução política visível, é muito provável que o Paquistão seja diretamente afetado pelos eventos no Afeganistão, que poderiam incluir uma guerra civil devastadora, resultando em um grande fluxo de refugiados e um aumento nos ataques transfronteiriços.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mahmood Qureshi, disse no final de junho que seu país está atualmente hospedando “três milhões de refugiados afegãos e não quer hospedar mais”.
Mas, além disso, o principal temor no Paquistão é que uma guerra civil no Afeganistão constitua “um grande desafio” para restaurar a paz em toda a região, como observou em julho o jornal nacionalista urdu Nawa-i-Waqt.
Mas muitos criticam que o governo do Paquistão às vezes mantém um discurso ambíguo em relação ao Talibã.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mahmood Qureshi, destacou em abril deste ano que “o Talibã não deve ser responsabilizado por todos os males no Afeganistão”, pois havia sabotadores dentro e fora que não queriam a paz no Afeganistão ou na região.
Por outro lado, o Paquistão negou repetidamente as alegações de que ajudou a moldar o Talibã, mas há poucas dúvidas de que muitos afegãos que inicialmente aderiram ao movimento foram educados nas madrassas (escolas religiosas) no Paquistão.
No passado, o Paquistão também foi um dos únicos três países, ao lado da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, a reconhecer o Talibã quando assumiu o poder. E foi a última nação a romper relações diplomáticas com o grupo.
Enquanto cinco nações movem suas fichas em um país que está imerso em uma guerra cruel há décadas, o Talibã toma o poder e a população afegã continua sofrendo todas as consequências.
Só no mês passado, mais de mil civis foram mortos no Afeganistão, de acordo com números da ONU.
VIDEOS: Talibã avança no Afeganistão
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Fonte: G1 Mundo

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Talibã no Afeganistão: o que diz quem conhece de perto a vida no país


Muhammad Ishaq, que vive no Brasil desde 2015, lembra que não era permitido tocar músicas em festas. No Brasil há oito anos, Sorb Kohkan está preocupado com a filha, escondida em uma casa no Afeganistão. G1 reuniu relatos. Riahana está com medo, principalmente porque a filha segue no Afeganistão. Medo também foi a palavra usada por Muhammad, mesmo depois de ter conseguido falar com o pai, que vive no país tomado, novamente, pelo Talibã após 20 anos. O G1 reuniu relatos de afegãos que hoje vivem no Brasil, mas não esquecem como é a vida sob o regime do grupo extremista Talibã. Leia a seguir:
“Se vissem alguém ouvindo músicas em carros, quebravam as fitas cassetes e puniam o motorista com tapa ou espancamento”. O relato de como era a vida sob o regime do Talibã no Afeganistão é de Muhammad Ishaq. O comerciante de 32 anos vive em Brasília desde 2017.
Muhammad lembra com detalhes das cobranças religiosas que o grupo extremista fazia. “Eles costumavam forçar as pessoas para praticar a religião. Por exemplo, todos deveriam manter a barba, pois eles diziam que manter a barba é a prática do profeta Maomé. Ninguém podia tocar música em carros, aniversários, festas e casamentos.”
“Quando você ia ao escritório de passaportes para obter seu documento, eles faziam perguntas sobre quantas páginas ou capítulos o Alcorão tem. Se você tivesse respondido errado a seus religiosos, então você não era elegível para obter seu passaporte ou outro documento.”
Leia a íntegra do relado de Muhammad aqui.
Sayed Abdul Rahman Hashimi está preocupado com a família que ficou no Afeganistão. Desde 2015, ele vive em Belo Horizonte com a mulher e um filho, que já nasceu no Brasil.
“Quando vi as imagens fiquei muito triste. Fiquei abalado. Eles [seus familiares] estão juntos, em casa, em segurança, mas contaram que nada funciona lá, tudo fechado, aeroporto com aglomeração e voos cancelados.”
“Não tem polícia, não tem governo, até nossa bandeira, eles [Talibã] tiraram e colocaram outra no lugar. Me preocupo com eles, apesar de saber que, por enquanto, estão bem.”
Leia a íntegra do relado de Sayed aqui.
Sayed na época em que morava no Afeganistão.
Sayed Abdul Rahman Hashimi/ Arquivo pessoal
Sorb Kohkan, de 65 anos, e sua mulher, Riahana Ibrahimi, de 47, pertencem à etnia hazara, um povo de origem mongol que reside principalmente na região central do Afeganistão conhecida como Hazarajat. Eles moram atualmente em São Paulo, mas estão preocupados com a filha, que está escondida em uma casa no Afeganistão.
“Minha filha e minhas irmãs estão lá, morrendo de medo, sem sair de casa. Estamos muito preocupados”, diz Riahana.
Riahana Ibrahimi está comandando o restaurante Koh I Baba, em SP, enquanto o marido tenta tirar a filha do Afeganistão
BBC Brasil
“As mulheres da minha família trabalham como professoras, mas ficou muito perigoso para elas, porque o Talibã proíbe que meninas estudem e persegue as mulheres. Minha filha e outras parentes estão escondidas em uma casa, sem poder sair. O Talibã segue uma lei de mil anos atrás. Com eles no poder, outros grupos extremistas vão aparecer também”, afrima Kohkan.
Leia a íntegra do relado de Sorb e Riahana aqui.

Fonte: G1 Mundo

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Duas superpotências que mergulharam o Afeganistão no caos


Ex-URSS e EUA protagonizaram retiradas de tropas distintas, mas deixaram o país à mercê dos radicais Talibã segura armamento na entrada do Ministério do Interior em Cabul, no Afeganistão
Javed Tanveer / AFP
No período de 32 anos, duas superpotências – a antiga URSS e os EUA – protagonizaram, cada uma a seu modo, as retiradas de seus exércitos do Afeganistão. Derrotadas, após uma década de ocupação, as tropas soviéticas fizeram, em 15 de fevereiro de 1989, uma saída digna e ordeira pela Ponte da Amizade, que liga o país ao Uzbequistão.
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O Exército dos EUA saiu sem fazer alarde, reduzindo gradualmente seu contingente, 20 anos depois de invadir o Afeganistão para dar uma resposta aos maiores atentados terroristas já perpetrados em seu território. Mas, independentemente da estratégia de saída, tanto soviéticos quanto americanos deixaram o Afeganistão mergulhado no caos.
Os EUA se envolveram no país há quatro décadas, durante a Guerra Fria, apoiando combatentes armados – os mujahedin – contra os soviéticos. O impacto do conflito desgastou a economia soviética até que o então presidente Mikhail Gorbachev anunciou a retirada total das tropas.
Apesar da derrota, os soviéticos continuaram a sustentar o governo afegão, liderado por Mohammad Najibullah, para conter o avanço dos rebeldes. Mas o império desmoronou, a fonte secou e, em 1992, Najibullah foi destituído do poder.
Estava aberto, então, o caminho para o fortalecimento do Talibã, que atuava na região montanhosa entre o Paquistão e o Afeganistão, impondo uma versão fundamentalista da lei islâmica. Em 1996, após quatro anos de guerra civil, a milícia extremista assumia o controle de Cabul.
O ex-presidente, conhecido também como Dr. Nagib, foi retirado do complexo da ONU, arrastado e enforcado. O Talibã comandou um regime de terror no país, baseado em sua versão da sharia. Decretou amputações e apedrejamentos para adúlteros e ladrões, impôs o uso de burca para mulheres e aboliu símbolos da cultura afegã, entre outras punições severas.
O Talibã passou a controlar 90% do país e assegurou refúgio e apoio financeiro a outro grupo extremista, a al-Qaeda, comandada pelo saudita Osama bin-Laden. Embora ambos se assemelhassem na ideologia religiosa, seus objetivos eram distintos: o Talibã almejava estabelecer um emirado islâmico restrito às fronteiras do Afeganistão; a al-Qaeda se caracterizava como uma rede difusa, expandindo tentáculos por vários países.
Os dois grupos foram vinculados como grupos terroristas e sancionados pelo Conselho de Segurança, em 1999. Dois anos depois, em 11 de setembro, a organização comandada por Bin Laden executava quatro ataques terroristas com três mil mortos nos EUA.
Em outubro de 2001, começou então a Guerra ao Terror, sob o nome de Operação Liberdade Duradoura, liderada pelo então presidente George W. Bush. Em algumas semanas, o Talibã, que se recusou a entregar o líder terrorista, foi derrubado.
A permanência da coalizão da Otan no Afeganistão, comandada pelos EUA, se prolongou por duas décadas. O país ganhou uma Constituição, elegeu presidentes, reconquistou direitos para as mulheres, mas não deixou de ser terreno fértil para o terror. Tampouco conseguiu se desvencilhar da chaga da corrupção. Suas instituições se mantiveram frágeis.
Prova disso é o avanço e a vitória do Talibã, que põe novamente o Afeganistão na mesma rota da catástrofe em que se encontrava na virada do século XXI.
VÍDEOS sobre a situação atual no Afeganistão
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Fonte: G1 Mundo

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Porta-voz do Talibã diz que grupo vai respeitar direitos das mulheres que estão previstos na lei islâmica


Zabihullah Mujahid, um porta-voz do Talibã, deu a primeira entrevista coletiva desde que o grupo tomou o poder no Afeganistão. Combatentes do Talibã fazem guarda em uma via perto da Praça Zanbaq, em Cabul, nesta segunda (16)
Wakil Kohsar/AFP
Um porta-voz do Talibã afirmou nesta terça-feira (17) que o grupo se compromete a honrar os direitos das mulheres, desde que dentro das normas da lei islâmica.
Zabihullah Mujahid, o porta-voz, deu a primeira entrevista coletiva desde que o grupo extremista tomou o poder no Afeganistão, no domingo.
Afeganistão: entenda os riscos para as mulheres sob o regime talibã
Perguntaram a ele como serão os direitos das mulheres no país porque quando o Talibã esteve no poder na década de 1990, os direitos e liberdades das mulheres foram severamente restritos.
Ele afirmou que as mulheres poderão trabalhar. Um dos presentes perguntou se ias mulheres vão poder trabalhar como jornalistas. Mujahid não deu uma resposta definitiva: “Vamos esperar a formação do governo e os decretos de lei, e então podemos ver como serão as leis e regulamentações”.
O porta-voz afirmou que o Afeganistão é uma nação islâmica, como era há 20 anos, mas que há uma grande diferença entre o grupo hoje e o grupo como era há 20 anos.
Mujahid também disse que o Talibã quer que a mídia privada “continue independente”, mas ele salientou que os jornalistas “não devem trabalhar contra os valores internacionais”.
Mujahid disse que o Afeganistão não vai abrigar ninguém que tenha como alvos outros países. Essa foi uma das principais demandas do acordo feito entre o grupo extremista e o governo dos EUA durante a gestão de Donald Trump, que determinou a saída das tropas lideradas pelos EUA do Afeganistão neste ano.
O porta-voz do Talibã disse que o grupo vai garantir o domínio no país depois de ter tomado as capitais em um avanço muito rápido na semana passada.
Ele disse que os insurgentes não tentaram se vingar e insistiu que todos foram perdoados pelo Talibã, mesmo quem trabalhou para o antigo governo ou para forças estrangeiras.
“Nós garantimos que ninguém vai bater na porta das casas para perguntar quem os moradores ajudaram”, afirmou.
O governo ainda está sendo formado, e as leis serão decididas depois disso, ele afirmou.
O porta-voz também disse que o Afeganistão vai ser um país livre de narcóticos, e que ele espera que seja possível cultivar outras plantações, diferentes de papoula, que é usada como base para sintetizar drogas.
“Todas as fronteiras estão sob nosso controle. Não vai haver tráfico de armas. Todas as armas usadas nos confrontos serão registradas”, disse ele.

Fonte: G1 Mundo

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Vice-presidente afegão diz que é o presidente interino do país

Apesar das declarações de Amrullah Saleh em uma rede social, o Afeganistão de fato é controlado pelo Talibã. Grupo extremista tomou o poder com ofensiva relâmpago, em menos de 2 semanas. O primeiro vice-presidente do Afeganistão, Amrullah Saleh, afirmou nesta terça-feira (17) que está no país e é o “legítimo presidente interino” dois dias após o presidente Ashraf Ghani fugir do país e o Talibã tomar a capital Cabul e o palácio presidencial.
O paradeiro de Saleh é desconhecido. O político afirmou que “em hipótese alguma se curvaria” aos “terroristas do Talibã” e que “não perdemos o ânimo e vemos enormes oportunidades pela frente”. “Advertências inúteis acabaram. Junte-se à resistência”.
Apesar das declarações do primeiro vice-presidente em uma rede social, o país de fato é controlado pelo Talibã.
Saleh havia dito em uma reunião de segurança presidida por Ghani, na semana passada, que estava orgulhoso das forças armadas afegãs e que o governo faria tudo o que pudesse para fortalecer a resistência ao grupo extremista.
Mas o Talibã tomou o poder com uma ofensiva relâmpago, conquistando todas as províncias e a capital Cabul em menos de duas semanas. Muitas cidades caíram sem lutar, muito antes do previsto pelos Estados Unidos.

Fonte: G1 Mundo

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Talibã anuncia ‘anistia geral’ no Afeganistão

Afegãos tentam retomar a vida em Cabul, mas poucas mulheres saem às ruas da capital, agora comandada pelo grupo extremista. O Talibã anunciou uma “anistia geral” em todo o Afeganistão nesta terça-feira (17) e pediu às mulheres que se juntem ao seu governo, em uma tentativa de convencer a população de que o grupo mudou.
O grupo extremista disse que todos “devem retomar sua vida cotidiana com total confiança” e pediu aos funcionários públicos que voltem a trabalhar normalmente.
Os extremistas estão tentando se mostrar como mais moderados do que quando comandaram o país, entre 1996 e 2001, e adotaram uma visão extremamente rigorosa da lei islâmica, impondo diversas restrições sobretudo às mulheres, que eram impedidas de trabalhar e estudar.
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‘Estou chorando dia e noite’: o drama das afegãs diante do Talibã
Mas muitos afegãos continuam céticos. Os mais velhos se lembram das visões islâmicas ultraconservadoras que também incluíam apedrejamentos, amputações e execuções públicas.
Mesmo assim, os afegãos tentam retornar à vida normal em Cabul nesta terça. Muitas lojas reabriram, o tráfego era intenso e as pessoas voltaram às ruas da capital.
Mas os habitantes da capital ainda têm medo, principalmente as mulheres, que em sua maioria não se arriscam a sair às ruas. Talibãs organizam o fluxo de veículos nas ruas e instauraram postos de controle na cidade.
Volta ao poder
Os insurgentes voltaram ao poder com uma ofensiva relâmpago, conquistando todas as províncias e a capital Cabul em menos de duas semanas. Muitas cidades caíram sem lutar, e o presidente afegão, Ashraf Ghani, fugiu do país.
A tentativa de volta à vida “normal” ocorre um dia após cenas de caos e mortes serem registradas no aeroporto da capital, com milhares de pessoas invadindo a pista para tentar fugir do país.
Em meio ao desespero, afegãos entraram em aviões estacionados e se agarraram a aeronaves prestes a decolar. Vídeos mostram o que seriam pessoas caindo do céu após a decolagem (veja na sequência abaixo).
Afegãos desesperados invadem aeroporto de Cabul e se agarram a avião para fugir do Talibã

Fonte: G1 Mundo

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Baleada na volta da escola: biografia de Malala indica o que é crescer sob o Talibã


Hoje com 24 anos, a paquistanesa Malala Yousafzai se tornou uma voz global pelo direito das meninas e mulheres se educarem; ela foi baleada por um militante do Talibã ao voltar da escola; agora, a educação de mulheres volta a ser ameaçada no Afeganistão. A ativista Malala Yousafzai voltou ao seu país em 2018, seis anos depois de sofrer um atentado
AFP/Via BBC
Cabul, Afeganistão, agosto de 2021: a universitária Aisha Khurram relata que estudantes e professoras estão se despedindo em uma das principais universidades do país, sem saber se poderão voltar para lá ou se rever.
Vale de Swat, Paquistão, janeiro de 2009: Malala Yousafzai, então com 11 anos, escreve em um blog, com um pseudônimo, que ela se despediu de sua escola e amigas “como se não fosse mais voltar”.
O que conecta essas trágicas históricas da vida real, de 2009 e 2021, é o grupo extremista Talibã — que, com sua interpretação estrita da sharia, a lei islâmica, se opôs frontalmente nas últimas décadas à educação de mulheres.
Após a mais recente ofensiva do Talibã no Afeganistão, que dominou a capital Cabul no domingo (15), um porta-voz do grupo afirmou que as mulheres seriam respeitadas e que as meninas continuariam tendo acesso à educação.
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Entretanto, em entrevista à BBC News, a professora afegã e ativista dos direitos humanos Pashtana Durrani ressalvou que o discurso e a prática do Talibã são distintos, e que o grupo não esclareceu quais direitos das mulheres seriam aceitáveis sob seu regime.
Hoje com 24 anos de idade, um diploma da Universidade de Oxford (Inglaterra) e um prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai também se manifestou sobre a situação crítica das mulheres na atual ofensiva do Talibã no Afeganistão — vizinho de seu país natal, o Paquistão.
“Assistimos em completo choque o Talibã tomando o controle do Afeganistão. Estou profundamente preocupada com as mulheres, as minorias e os defensores dos direitos humanos”, escreveu a paquistanesa e muçulmana.
A história de Malala mostra que a liberdade e a educação das mulheres sempre foi um forte alvo do Talibã, o que tornou ela própria uma vítima — em 2012, ela foi baleada por combatentes do grupo após se tornar conhecida mundialmente defendendo que meninas como ela tivessem pleno acesso às escolas.
‘Fico triste ao olhar meu uniforme’
Malala nasceu em julho de 1997 na cidade de Mingora, no Vale de Swat, ao norte do Paquistão. O Talibã ampliou significativamente seu domínio na região a partir de 2007 e, em janeiro de 2009, foi anunciado o fechamento de todas as escolas de meninas — uma delas dirigida pelo pai de Malala.
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Também naquele primeiro mês de 2009, Malala começou a escrever em um blog a pedido da BBC, que procurava alguma estudante para relatar a vida sob o Talibã na região.
Ela começou a escrever em língua urdu (idioma do Paquistão), sob o pseudônimo de Gul Makai — nome de uma heroína do folclore local.
Quando já havia indícios de que o Talibã vetaria a educação feminina, “Gul Makai” contou que suas amigas entraram de férias desanimadas.
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“Elas sabiam que, se o Talibã implementasse seu decreto (vetando a educação feminina), elas não poderiam voltar à escola. Eu opino que a escola vai reabrir algum dia, mas, ao ir embora hoje, olhei para o prédio (da escola) como se não fosse mais voltar.”
“Hoje é… o último dia antes da ordem do Talibã passar a valer, e minha amiga estava discutindo o dever de casa como se nada além do ordinário estivesse acontecido”, contou depois, em 15 de janeiro.
Os relatos continuavam conforme o Talibã ordenava que as mulheres não saíssem de casa, bombardeava escolas e levava diversas famílias a fugirem do vale.
Em sua autobiografia Eu sou Malala – A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã (escrito com Christina Lamb e publicado no Brasil pela Companhia das Letras), a jovem contou que sua turma de 27 alunas já havia se reduzido a 10.
As estudantes que ficavam escondiam os uniformes e livros para não serem identificadas como tal por membros do Talibã. Elas também eram obrigadas a usar a burca, uma veste que cobre todo o corpo — e que, segundo escreveu Malala na época, “torna o ato de andar difícil”.
Em fevereiro, a aluna dedicada escreveu no blog publicado pela BBC: “Fico triste ao olhar para o meu uniforme, minha mochila e minha caixa de apetrechos para as aulas de geometria. As escolas para meninos reabrirão amanhã. Mas o Talibã baniu as meninas das escolas.”
Entre 2009 e 2012, houve breves tréguas nos conflitos e retomadas do Vale de Swat pelo exército paquistanês. Depois de se refugiarem em outras cidades, Malala e sua família retornaram a Mingora, onde ela conseguiu voltou a estudar quando houve um acordo entre o governo e o Talibã.
No período, a identidade de Malala também foi descoberta pela vizinhança e pela imprensa local, tornando-a pouco a pouco mais conhecida pela mídia internacional. Ela já dava entrevistas, fazia discursos e recebia prêmios por sua defesa do direito das mulheres à educação.
A visibilidade, porém, significou também maior vulnerabilidade. Ela e seu pai passaram a receber ameaças — mas sua família acreditava que o Talibã não seria capaz de atacar uma menina como ela.
Em outubro de 2012, provou-se que não: ela foi alvejada na cabeça por um atirador do grupo, enquanto voltava da escola com amigas em um ônibus.
O Talibã declarou que a adolescente foi atacada por “promover a educação secular”.
Malala precisou passar por uma delicada cirurgia em um hospital militar do Paquistão e depois foi levada para tratamento na Inglaterra. Sua alta só veio em janeiro de 2013, e a partir daí seu reconhecimento global foi consolidado — levando-a a receber o Nobel da Paz em 2014.
Desde então, a paquistanesa vive na Inglaterra com a família, onde continuou seus estudos. Ela também criou um fundo para apoiar o estudo de meninas ao redor do mundo.
Cotidiano de medo
Na sua autobiografia, Malala conta um episódio que a tocou.
“Quando cruzamos o desfiladeiro Malakand, vi uma mocinha vendendo laranjas. Para cada laranja que vendia, ela fazia uma marquinha com lápis num pedaço de papel, pois não sabia ler nem escrever. Tirei uma foto e jurei que faria tudo o que estivesse a meu alcance para ajudar a educar garotas como ela.”
No livro, a jovem critica que, no Paquistão, as mulheres não podem viver sozinhas, precisam ser supervisionadas por seus pais, irmãos ou maridos, e não têm liberdade para estudar ou trabalhar.
“Não há nenhum trecho no Corão que obrigue a mulher a depender do homem. Nenhuma mensagem dos céus estabeleceu que toda mulher deve ouvir um homem”, escreveu, referindo-se ao livro sagrado do Islã.
Esta cultura machista do país foi levada ao extremo pelo Talibã — Malala traz no livro relatos de mulheres solteiras que foram designadas a casar com membros do grupo e de outras que foram torturadas por andarem publicamente “desacompanhadas”, sem um homem por perto.
Para a jovem, além destes ataques à liberdade feminina, era uma ironia o “Talibã querer professoras e médicas mulheres para atender mulheres, mas impedir que as meninas frequentassem a escola para se qualificar para essas atividades”.
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Fonte: G1 Mundo

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Maki Kaji, conhecido como ‘pai do Sudoku’, morre aos 69 anos


Segundo comunicado da editora Nikoli, Kaji faleceu em sua casa no dia 10 de agosto, após luta contra o câncer. Maki Kaji em foto tirada em setembro de 2012. “Pai do Sudoku” morreu aos 69 anos
Yasuyoshi CHIBA / AFP
Maki Kaji, o japonês conhecido como o “pai do Sudoku” por seu papel na popularização do quebra-cabeças numérico amado por milhões de pessoas, morreu, vítima de câncer, aos 69 anos.
Na noite desta segunda-feira (16), a editora Nikoli informou em um comunicado que Kaji faleceu em sua casa no dia 10 de agosto, depois de lutar contra o câncer. Uma cerimônia em sua homenagem será celebrada em uma data que ainda será definida.
“Kaji era conhecido como o pai do Sudoku e foi amado pelos fãs dos quebra-cabeças em todo o mundo”, afirma editora no comunicado.
O Sudoku, uma espécie de palavra cruzada com números, foi inventado pelo matemático suíço Leonhard Euler no século XVIII.
Apesar de ser considerado que a versão moderna do Sudoku foi definida nos Estados Unidos, Kaji é apontado como o responsável por popularizar o jogo.
Também se atribui a Kaji o nome Sudoku, uma contração da frase japonesa “cada número deve ser individual”.
Apesar do nome japonês, o conceito original de quadros que devem ser preenchidos com um número de 1 a 9 foi criado originalmente por Euler.
A editora Nikoli viu uma versão em uma revista americana nos anos 1980 e o levou para o Japão, onde nasceu o Sudoku.
Décadas depois foi divulgado em larga escala na Europa e Estados Unidos com o nome japonês.
Kaji declarou à BBC em 2007 que criar o novo quebra-cabeças foi como “encontrar um tesouro”.
“Não se trata de ganhar dinheiro. É puramente a emoção de tentar resolvê-lo”, disse.
Vídeos: Personalidades que morreram em 2021

Fonte: G1 Mundo