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Olimpíada Tóquio 2021: Rayssa Leal, a Fadinha, é medalhista mais jovem da história em 85 anos; conheça os prodígios


Com apenas 13 anos e 203 dias, a atleta brasileira tornou-se a sétima medalhista mais jovem em toda a história dos Jogos de Olímpicos de Verão. Com 13 anos e 203 dias de idade, Rayssa Leal ganhou a medalha de prata no skate street, na Olimpíada de Tóquio, em 26 de julho de 2021
Reuters
Com apenas 13 anos e 203 dias (seis meses e 22 dias), a maranhense Rayssa Leal tornou-se a brasileira mais jovem a receber uma medalha olímpica — e a sétima medalhista mais jovem em toda a história dos Jogos Olímpicos de Verão.
Rayssa (conhecida como Fadinha), que ganhou a prata na categoria street nesta segunda-feira (26/07), é quatro meses mais jovem que a vencedora da modalidade, a japonesa Momiji Nishiya. A skatista do Japão se tornou a segunda medalhista de ouro mais jovem da história — um recorde que permanece intacto desde 1936 (confira mais detalhes abaixo na reportagem).
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Tóquio 2020 marcou a estreia em Olimpíadas do skate, um esporte que costuma ter atletas bastante jovens competindo desde cedo. A idade das três medalhistas na categoria street chamou atenção: as duas primeiras têm 13 anos e a medalhista de bronze (a japonesa Funa Nakayama), 16. A idade somada das atletas do pódio é 42 anos.
Em 125 anos de olimpíadas na era moderna, foram poucos os atletas com menos de 14 anos que conseguiram subir ao pódio.
Nos últimos 85 anos, desde Berlim 1936, a brasileira é a mais jovem medalhista olímpica.
Antes de Rayssa, a atleta mais jovem do Brasil era Rosangela Santos, parte da equipe brasileira de corrida no revezamento 4x100m que ganhou bronze em Pequim 2008.
Ela tinha 17 anos na época, mas só ganhou a medalha nove anos depois da prova — o Brasil havia chegado em quarto lugar, mas a equipe campeã, a Rússia, foi eliminada anos depois, após uma revisão de doping. Antes de Rosângela Santos, todos os atletas medalhistas mais jovens do Brasil tinham 18 anos — entre eles o fenômeno do futebol feminino, Marta, que ganhou prata em Atenas 2004.
A japonesa Momiji Nishiya (ao lado de Rayssa Leal) se tornou a 2ª mais jovem medalhista de ouro da história dos Jogos Olímpicos
Reuters
Mistério
Há poucos dados sobre esportistas que participaram em alguns dos primeiros jogos da era moderna das Olimpíadas (que começaram em 1896 na Grécia).
Um dos grandes mistérios dos Jogos Olímpicos envolve a idade de um dos participantes da equipe holandesa de remo na Olimpíada de Paris de 1900. Na época, algumas equipes de remo coxswain em embarcações de quatro colocavam crianças para guiar — deixando o barco mais leve para os remadores.
A equipe holandesa teria recrutado uma criança francesa para sua embarcação (tornando os holandeses uma equipe de nacionalidade mista, algo permitido na época). A estratégia rendeu ouro para os holandeses, mas até hoje não se sabe o nome do menino que — especula-se — pode ter sido o mais jovem medalhista olímpico da história. Alguns dizem que, a julgar pelo peso das crianças recrutadas na época, o menino poderia ter entre 7 a 14 anos de idade.
Essa prática foi banida quando foram adotados limites de idade para se competir no remo.
Os mais jovens: atletas em equipes
Baseado somente em dados oficiais dos Jogos Olímpicos, são poucos os competidores que, como Rayssa Leal, conquistaram medalhas antes dos 14 anos.
O mais jovem medalhista olímpico da história (que se tem registro) é Dimitrios Loundras, que fez parte da equipe de ginastas das barras paralelas da Grécia na Olimpíada de 1896, a primeira da era moderna.
O recorde de Dimitrios Loundras dificilmente será batido: ele tinha apenas 10 anos e 218 dias de idade, segundo o site oficial das Olimpíadas. A equipe de Loundras levou a medalha de bronze naquele evento. Após sua precoce trajetória olímpica, ele seguiu carreira como militar e morreu em 1970, aos 84 anos.
A segunda medalhista mais jovem da história dos Jogos — e a mais jovem no feminino — é Luigina Giavotti, que aos 11 anos de idade e 302 dias ganhou prata como parte da equipe de ginastas das Itália na Olimpíada de Amsterdã de 1928.
Aquela mesma equipe italiana vice-campeã olímpica tinha outras duas medalhistas com 12 anos de idade: Ines Vercesi (12 anos e 217 dias) e Clara Marangoni (12 anos e 270 dias) — respectivamente a quarta e sexta atletas mais jovens da história dos Jogos.
Os relatórios oficiais sobre a Olimpíada de Amsterdã de 1928 registram detalhes apenas dos homens que disputaram as provas de ginástica — não está discriminado qual equipamento ou modalidade cada uma das ginastas mulheres desempenhou nos Jogos.
Nadadora prodígio
A nadadora dinamarquesa Inge Sorensen é a mais jovem medalhista da história dos Jogos Olímpicos em uma modalidade individual. Sorensen tinha 12 anos e 24 dias de idade quando conquistou a medalha de bronze nos 200 metros peito na Olimpíada de Berlim em 1936. Ela é a terceira mais jovem atleta olímpica a ganhar uma medalha (Marangoni e Vercesi, da equipe italiana de 1928, eram poucos dias mais velhas quando subiram ao pódio naquele ano).
Ao contrário dos atletas listados anteriormente, do qual se tem poucos dados, Sorensen foi uma atleta conhecida em seu tempo. Ela começou a competir aos oito anos de idade, foi nove vezes campeã dinamarquesa de nado e estabeleceu três recordes mundiais durante sua carreira (duas no nado peito 500m e outra no peito 400m). Sorensen se aposentou das competições durante a Segunda Guerra Mundial e virou treinadora. Ela morreu em 2011 aos 86 anos de idade.
Também nos Jogos de Berlim em 1936, o francês Noël Vandernotte conquistou duas medalhas de bronze no remo aos 12 anos e 233 dias de idade. Ele é o quinto mais jovem medalhista da história (mais velho que Marangoni, da equipe italiana de ginástica de 1928).
Nascido em uma família de remadores, ele competiu ao lado do pai e do tio na Olimpíada de Berlim, e toda a família saiu premiada com bronzes naqueles Jogos: nas modalidades coxed pair e coxed four. Vandernotte morreu no ano passado aos 96 anos de idade — até 2020 ele era o medalhista olímpico mais velho ainda vivo.
Rayssa aparece depois de Noël Vandernotte no sétimo lugar da lista dos mais jovens medalhista olímpicos da história dos jogos.
Ouro mais jovem
A nadadora americana Donna Elizabeth de Varona tinha apenas 13 anos e 129 dias (dois meses mais jovem que Rayssa) quando competiu na eliminatória do revezamento 4x100m feminino em Roma 1960. Sua performance ajudou a equipe americana a se classificar, mas a nadadora não competiu na final — quando a equipe americana acabou ganhando o ouro.
Varona não recebeu a medalha de ouro, apesar de aparecer em alguns registros como vencedora olímpica por fazer parte da equipe americana. Caso tivesse recebido a medalha, ela seria a mais jovem medalhista de ouro da história dos Jogos. Depois de Roma 1960, Varona teve uma brilhante carreira na natação, batendo diversos recordes. Em 1964, aos 17 anos, ela ganhou medalhas de ouro na Olimpíada de Tóquio daquele ano.
Na oitava posição da lista, aparece a mais jovem medalhista de ouro da história: a americana Marjorie Gestring, que competiu no trampolim na Olimpíada de 1936 em Berlim, com 13 anos e 267 dias de idade.
Gestring fez parte da geração de atletas que não teve oportunidade de competir em Olimpíadas ao longo dos próximos 12 anos, devido à interrupção dos Jogos causada pela Segunda Guerra Mundial. Quando os Jogos voltaram, em 1948 em Londres, a americana, com 25 anos na época, não conseguiu se classificar. Gestring morreu em 1992, aos 69 anos.
A skatista Momiji Nishiya, que derrotou Rayssa na final em Tóquio 2020, se tornou a segunda medalhista de ouro mais jovem da história, com 13 anos e 329 dias de idade — apenas dois meses mais velha que Gestring.
O mais jovem medalhista de ouro masculino da história foi Klaus Zerta, da Alemanha Ocidental, que fez parte da equipe de remo coxed pairs em Roma 1960. Ele tinha 13 anos e 283 dias quando venceu. Posteriormente ele virou tenista e hoje, aos 74 anos, está aposentado.
Nos últimos anos
Com seus 13 anos e 203 dias de idade, Rayssa é a mais jovem atleta a ganhar uma medalha olímpica nos últimos 85 anos.
Ela é um pouco mais jovem que algumas sensações olímpicas passadas — a saltadora chinesa Fu Mingxia (ouro em Barcelona 1992 na plataforma de 10 metros; aos 13 anos e 345 dias) e a ginasta americana Dominique Moceanu (medalhista de ouro em equipe em Atlanta 1996; aos 14 anos).
Rayssa tem apenas poucos meses a menos que a ginasta romena Nadia Comaneci em Montreal 1976, quando Comaneci fez sua estreia em Olimpíadas. Tida como uma das maiores atletas olímpicas de todos os tempos, a romena conquistou três ouros, uma prata e um bronze naqueles Jogos. Ela voltaria a conquistar mais medalhas na Olimpíada seguinte, em Moscou 1980.
Apesar da pouca idade, há atletas ainda mais jovens que Rayssa competindo em Tóquio 2020: a síria Hend Zaza no tênis de mesa e a japonesa Kokona Hiraki do skate park — ambas com 12 anos de idade.
Confira a lista dos medalhistas olímpicos mais jovens da história dos Jogos:
Dimitrios Loundras (Grécia): Ginástica em equipe – bronze em Atenas 1896 – 10 anos e 218 dias
Luigina Giavotti (Itália): Ginástica em equipe – prata em Amsterdã 1928 – 11 anos e 302 dias
Inge Sorensen (Dinamarca): Natação – bronze em Berlim 1936 – 12 anos e 24 dias
Ines Vercesi (Itália): Ginástica em equipe – prata em Amsterdã 1928 – 12 anos e 217 dias
Noël Vandernotte (França): Remo – dois bronzes em Berlim 1936 – 12 anos e 233 dias de idade
Clara Marangoni (Itália): Ginástica em equipe – Amsterdã 1928 – 12 anos e 270 dias
Rayssa Leal (Brasil): Skate street – Tóquio 2020 – 13 anos e 203 dias

Fonte: G1 Mundo

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‘Ajudo pais indianos a conversar sobre sexo com seus filhos’


Uma das ‘coaches de sexualidade’ mais populares da Índia conta que pais a procuram em busca de conselhos, já que a educação sexual não é amplamente disponível nas escolas. Pallavi é uma das coaches de sexualidade mais populares da Índia
Divulgação/Pallavi Barnwal
Muitas escolas indianas não oferecem educação sexual, deixando para os pais a tarefa de conversar com os filhos sobre sexo e relacionamentos.
Mas, muitas vezes, eles não sabem ao certo o que dizer, revela a “coach de sexualidade” Pallavi Barnwal — e vários recorrem a ela em busca de conselhos.
Veja abaixo uma reportagem de 2018 sobre uma mudança de lei na Índia que descriminalizou sexo entre pessoas do mesmo gênero.
Índia decide pôr fim na lei que proibia ato sexual entre pessoas do mesmo sexo
A seguir, o relato dela à correspondente de identidade e gênero da BBC, Megha Mohan:
‘Fazendo uma retrospectiva, minha educação conservadora indiana foi, na verdade, a base perfeita para alguém que acabaria como coach de sexualidade.
Imagem sem data de Pallavi Barnwal
Divulgação/Pallavi Barnwal
A primeira influência sobre mim, embora eu não tenha percebido na época, foi o próprio relacionamento dos meus pais.
Por anos, houve rumores sobre o casamento deles. Quando eu tinha cerca de oito anos, comecei a ouvir perguntas a respeito também.
Nas festas, se eu estivesse sem minha família, um exército de tias esbaforidas me colocaria contra a parede para um interrogatório.
‘Seus pais ainda dividem o mesmo quarto?
‘Você ouviu alguma discussão?’
‘Já viu algum homem fazendo visita?’
Eu podia estar ao lado mesa de sobremesas, prestes a colocar uma colher de sorvete na tigela, ou vagando pelo jardim à procura de outras crianças para brincar, e quando menos esperava, estava cercada por mulheres que eu mal conhecia, fazendo perguntas para as quais eu definitivamente não sabia a resposta.
Imagem sem data de Pallavi Barnwal
Divulgação/Pallavi Barnwal/Via BBC
Anos depois, após meu próprio divórcio, minha mãe me contou toda a história. No início do casamento dos meus pais, antes de meu irmão e eu nascermos, minha mãe sentiu uma atração profunda por um homem, a qual se transformou em um caso amoroso físico.
Em questão de semanas, ela foi tomada pela culpa e acabou com o relacionamento. Mas nas comunidades indianas, há olhos e bocas em todos os lugares. Com o tempo, os rumores chegaram até meu pai.
Para meu pai demorou 10 anos, e dois filhos, para finalmente perguntar a minha mãe sobre isso.
E prometeu a ela que qualquer que fosse a resposta isso não afetaria o relacionamento deles —mas, depois de anos de murmúrios, ele precisava saber.
Ela contou tudo a ele. Era menos uma questão sexual e mais de intimidade, ela disse. Tinha acontecido antes de eles terem começado uma família, quando o casamento ainda não tinha encontrado seu eixo.
Assim que ela parou de falar, percebeu uma frieza instantânea no ar. Meu pai se retirou imediatamente da sala.
A confirmação de uma história que ele suspeitava por anos acabou na mesma hora com qualquer confiança que houvesse entre eles — e o relacionamento se deteriorou rapidamente.
Isso me mostrou muito claramente que nossa incapacidade de falar adequadamente sobre sexo e intimidade pode destruir famílias.
Minha família é do Estado de Bihar, no leste da Índia. É uma das maiores e mais populosas regiões do país, fazendo fronteira com o Nepal e com o rio Ganges cortando suas planícies.
Tive uma infância conservadora. Como acontece com muitas famílias, sexo não era um assunto discutido abertamente.
Meus pais não davam as mãos nem se abraçavam, mas também não me lembro de ter visto nenhum casal em nossa comunidade sendo afetuoso fisicamente.
Minha primeira exposição a qualquer coisa relacionada a sexo aconteceu quando eu tinha 14 anos.
Certa tarde, entediada, fui procurar um livro no armário de meu pai quando um livreto, que estava entre seus romances e livros de história, caiu.
Continha várias pequenas histórias detalhadas sobre um mundo secreto em que homens e mulheres exploravam os corpos uns dos outros.
Este livro definitivamente não era literatura, era mais atrevido do que isso.
Uma das histórias era sobre uma jovem curiosa que fez um buraco na parede para poder ver um casal que ela conhecia na cama.
Tive de pesquisar o significado de uma palavra em hindi que nunca tinha ouvido antes, chumban, que significa beijo de língua apaixonado.
Eu tinha tantas perguntas, mas não havia ninguém com quem conversar.
Minhas amigas e eu nunca tínhamos discutido nada parecido.
Absorta no livro, levei um tempo para voltar ao presente e ouvir a voz da minha mãe me chamando de outro cômodo.
Naquela época, no final dos anos 1990, eu não sabia que não tinha feito nada de errado, que muitas crianças pelo mundo haviam começado a aprender sobre intimidade nessa idade, em grande parte na escola.
Na Bélgica, as crianças aprendem sobre sexo desde os sete anos. Mas a Índia não é um lugar onde a educação sexual seja parte obrigatória do currículo escolar.
Na verdade, só em 2018 que o Ministério da Saúde e Bem-Estar da Família lançou as diretrizes de educação sexual para as escolas. Mais de uma dúzia dos 29 Estados indianos optaram por não implementá-las.
De acordo com o jornal “The Times of India”, mais da metade das meninas que vivem nas áreas rurais do país não têm conhecimento sobre menstruação ou de sua causa.
Ter achado o livreto não me levou a um período de descobertas. Na verdade, eu o sepultei na minha mente e, como muitas garotas que cresceram na Índia, continuei conservadora.
Eu tinha 25 anos quando perdi a virgindade e ainda era inexperiente na época do meu casamento arranjado, dois anos depois.
Minha noite de núpcias só pode ser descrita como um fiasco. Olhei para o nosso leito nupcial, na casa dos pais do meu noivo, coberta de pétalas de flores, e achei a situação cômica.
Pelas paredes finas do quarto, eu podia ouvir a família circulando pela casa — cerca de uma dúzia de pessoas, que haviam vindo de fora da cidade para o nosso casamento, estavam acampadas do lado de fora da nossa porta, já que não havia outro lugar para dormir.
Minha mãe me encorajou a dizer ao meu então marido que eu era virgem, então eu tive que fingir ser tímida e não saber muito bem o que fazer. Mal tínhamos nos falado e lá estávamos nós, de repente, em um quarto, e era esperado que eu cumprisse minhas obrigações de esposa.
Eu não era virgem, mas não estava preparada.
Até hoje recebo dezenas de mensagens por mês de pessoas me perguntando o que fazer na noite de núpcias: não apenas fisicamente, mas como agir — como não parecer muito tímido e nem muito experiente.
Meu marido e eu ficamos juntos por cinco anos. Estava claro desde o início que eu tinha me casado com a pessoa errada, então fazer sexo com ele se tornou algo que eu temia. Tivemos que negociar horários e datas.
Só quando comecei a fantasiar sobre um colega de trabalho que eu soube que não tinha mais jeito.
Não fiz nada em relação à fantasia, mas não queria um relacionamento em que houvesse a possibilidade de isso (traição) acontecer. Nosso casamento acabou.
Aos 32 anos e mãe solteira, de repente não havia pressão sobre mim. Eu era divorciada e já era uma mulher fracassada aos olhos da sociedade.
Morando na capital da Índia, Nova Déli, tive uma série de relações sexuais sem futuro. Experimentei, dormi com homens mais velhos, homens casados.
Conforme me tornei mais aberta, o tipo de conversa que eu estava tendo começou a mudar. Amigas casadas ​​vinham me pedir conselhos.
Inspirada pela minha independência, minha mãe, que sempre teve um lado rebelde, veio morar comigo e com meu filho em Déli.
À minha volta, havia muitas discussões feministas sobre sexo e direitos das mulheres.
O estupro de uma jovem em um ônibus em Déli, em 2012, chocou a cidade.
Mas para mim era preocupante a maneira como essas conversas estavam enquadrando o sexo como algo violento, e não como algo a ser apreciado.
Na verdade, muitas vezes as mulheres indianas não pensam na intimidade como algo prazeroso, que deveria estar sob seu controle.
Há tanto silêncio e tabu em torno do assunto, que as jovens às vezes são incapazes de reconhecer o abuso quando acontece com elas.
Os dados mais recentes do governo indiano, divulgados em setembro do ano passado, mostram que a Índia registrou uma média de 87 casos de estupro por dia em 2019 e um total de 405.861 casos de crimes contra mulheres durante o ano, um aumento de mais de 7% em relação a 2018.
Mais de 100 crianças, meninos e meninas, foram abusadas sexualmente todos os dias.
De acordo com o Relatório da População Mundial de 2020, isso não acontece apenas porque a Índia é um país grande; o número de crimes sexuais per capita da população é um dos piores do mundo.
Embora estivesse trabalhando com vendas, comecei a pensar em mudar de carreira.
Me ocorreu que havia uma oportunidade para abrir um espaço sem julgamento para falar abertamente sobre sexo e criar uma plataforma em que as pessoas pudessem me fazer perguntas.
Me formei para ser coach de programação neurolinguística e sexualidade e montei uma página no Instagram em que convidei as pessoas a me perguntarem qualquer coisa sobre sexo sem julgamento.
Para encorajar a conversa, postei detalhes sobre minhas próprias experiências sexuais. Funcionou.
As pessoas começaram a entrar em contato para buscar conselhos sobre questões como fantasias sexuais, estigma em torno da masturbação, casamento sem sexo e muitos outros assuntos, incluindo abuso.
Mas várias mensagens eram de pais.
Depois, dois anos atrás, fui convidada a fazer uma palestra no TED sobre a importância de os pais conversarem com seus filhos sobre sexo e consentimento.
Usei um sári no palco para mostrar que não são apenas as mulheres indianas ocidentalizadas que fazem sexo, e mostrei ao público dados divulgados pelo site Pornhub, em 2019, que diziam que os indianos estavam transmitindo a maior parte da pornografia do mundo, apesar de vários sites serem proibidos no país.
Estávamos fazendo sexo em segredo, e isso não estava ajudando ninguém.
Depois dessa palestra, comecei a receber mais de 30 perguntas e pedidos de terapia por dia — desde questionamentos sobre como usar um brinquedo erótico até como fingir ser virgem na noite de núpcias.
Recentemente, após a última onda avassaladora de Covid-19 na Índia, um homem me perguntou quando era seguro para ele começar a se masturbar de novo após se recuperar do vírus.
(Minha resposta: durante a Covid, a masturbação pode levar à exaustão física, mas após a recuperação é completamente ok voltar ao normal.)
Muitos dos questionamentos me lembraram que algumas das partes mais dolorosas de nossas vidas estão ligadas à falta de discussão que nós, como cultura, temos em relação ao sexo.
Sexo nem sequer é a questão na maioria das vezes.
Os casos dos meus pais aconteceram em parte porque eles não conseguiam se comunicar sobre uma parte muito natural da vida humana.
A falta de sexo no meu casamento era porque não conseguíamos falar um com o outro também.
Meu filho está com quase oito anos agora e sei que dentro de alguns anos ele ficará curioso.
Quando deixei de amamentá-lo, disse a ele que agora ele estava na idade de não tocar em certas partes do corpo de uma mulher.
Ele era muito novo, mas entendeu.
Quando chegar a hora de ele ser sexualmente ativo, espero tê-lo criado em um ambiente em que esteja bem informado e seguro, e saiba que não haverá julgamento da minha parte.”
Dicas de Pallavi Barnwal para os pais
Comece entendendo por que seus filhos precisam saber sobre sexo
Falar sobre sexo e sexualidade pode proteger seus filhos de uma série de problemas mais tarde na vida.
Baixa autoestima, ansiedade em relação à imagem corporal, abuso sexual, relacionamentos que não são saudáveis e consumismo sexual são apenas alguns dos problemas de longo prazo que muitos jovens adultos enfrentam.
Conte a eles sobre suas próprias experiências
As crianças se conectam incrivelmente com as histórias dos pais. Elas têm curiosidade de saber como foi quando você estava crescendo.
Elas querem ver vocês como seres humanos reais e autênticos que cometeram sua parcela de erros.
Você vai estabelecer uma conexão melhor com seu filho se falar sobre os desafios, as incertezas e as concepções erradas sobre sexo que tinha na idade dele.
Compartilhe suas opiniões
Converse com seus filhos sobre seus valores sexuais.
O que você pensa sobre nudez, atividade sexual de adolescentes, LGBT, casamento gay, aborto, contracepção, sexo extraconjugal, relacionamentos saudáveis.
Lembre-se de que você está ajudando seus filhos a construir uma estrutura de valores, não impondo nada rigidamente.
Apresente fatos a eles
Obtenha dados sobre o que eles precisam saber em diferentes faixas etárias.
As informações que seus filhos devem saber quando tiverem entre 10 e 14 anos incluem:
Suas expectativas e valores em relação à sexualidade;
Os nomes corretos e a função dos órgãos sexuais masculinos e femininos;
O que é relação sexual e como a gravidez acontece;
As mudanças físicas e emocionais que acontecem durante a puberdade;
A natureza e função do ciclo menstrual;
Relações LGBT, gênero, masturbação e aborto;
O que é controle de natalidade;
Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e como se propagam;
O que é abuso sexual, como prevenir o abuso sexual e o que fazer se o abuso acontecer;
Todas essas informações são específicas para a faixa etária, você deve decidir quando compartilhá-las e em que grau.
Relato feito à correspondente de identidade e gênero da BBC, Megha Mohan.
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Fonte: G1 Mundo

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China registra maior nº de novos casos de Covid desde janeiro


Surto na província de Jiangsu, no leste do país, foi responsável por 40 dos 76 infectados das últimas 24 horas. Chinês faz teste de Covid-19 em Nanjing, na província oriental de Jiangsu, em 21 de julho de 2021
AFP
A China registrou 76 novos casos confirmados de Covid-19 nesta segunda-feira (26), o maior número em apenas um dia desde janeiro, em meio a um surto na província de Jiangsu, no leste do país (responsável por 40 infectados).
O governo chinês tem adotado uma política de tolerância zero na pandemia: quando um surto é registrado, a população local é colocada em confinamento e testes em massa são realizados para rastrear todos os possíveis infectados.
Dezenas de milhares de pessoas estão confinadas em Nanjing, a capital de Jiangsu, e as autoridades ordenaram testes para os 9,2 milhões de habitantes da cidade após a descoberta de um surto vinculado ao aeroporto na semana passada.
“Dos 40 casos locais, 39 correspondem à província de Jiangsu e um a Liaoning”, informou a Comissão Nacional de Saúde chinesa em um comunicado, que indica que não foram registradas novas mortes.
O governo chinês diz ter registrado apenas dois óbitos por Covid-19 em 2021: um no dia 13 e outro no dia 25 de janeiro. Desde o início da pandemia, são 4.636 vítimas do vírus.
Já o recorde de novos casos deste ano também foi registrado em janeiro: 144 infectados nos dias 14 e 20. Desde a origem do novo coronavírus, em Wuhan, o país tem 92.664 casos confirmados.
Enquanto Jiangsu fica ao norte de Xangai, Liaoning se encontra na região nordeste do país, perto da fronteira com a Coreia do Norte, e desde quinta-feira registrou cinco casos.
A China também observa com preocupação um surto de contágios em Yunnan, no sudoeste, vinculado com a vizinha Mianmar, onde a junta militar que assumiu o poder em fevereiro enfrenta grandes dificuldades para conter a propagação de covid-19.
A província informou 79 casos desde 20 de junho, metade deles vinculados com Mianmar.
A cidade de Ruili, na fronteira, aplica um sistema de reconhecimento facial para monitorar os deslocamentos dos habitantes.
A China contabiliza 92.605 casos de coronavírus e 4.636 mortes desde o início da pandemia.
O país, que tem 1,4 bilhão de habitantes, deseja vacinar por completo 64% de sua população até o fim do ano.
“Até domingo, a China administrou mais de 1,5 bilhão de doses de vacinas anticovid”, informou a Comissão Nacional de Saúde, sem revelar quantas pessoas receberam as duas doses necessárias para a imunização completa.

Fonte: G1 Mundo

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Alpinista escocês morre no K2, 2º pico mais alto do mundo, no Paquistão


Rick Allen, um montanhista de 68 anos, foi arrastado por uma avalanche quando tentava abrir uma nova rota na encosta sudeste do K2. Imagem sem data de Rick Allen publicada em uma rede social
Reprodução/Partners Relief & Development UK/Facebook
O alpinista Rick Allen, da Escócia, morreu neste fim de semana ao tentar chegar ao topo do K2, o segundo pico mais alto do mundo (8.611 metros de altitude), localizado no Paquistão. A morte foi anunciada por sua equipe nesta segunda-feira (26).
Allen era um renomado montanhista de 68 anos. Ele foi arrastado por uma avalanche quando tentava abrir uma nova rota na encosta sudeste do K2 junto com outros dois alpinistas, que saíram ilesos.
Veja abaixo um vídeo de 2012 sobre uma avalanche que deixou 12 mortos no Irã.
Avalanche e nevascas deixam 12 mortos no Irã
A Karakorum Expeditions, agência de viagens paquistanesa responsável pela logística da expedição, afirmou que o corpo de Allen será enterrado ao pé do K2. A decisão foi acatada pela família do alpinista.
A ONG Partners Relief & Development, para a qual Allen queria arrecadar fundos, confirmou sua morte.
Incidente em 2018
Em 2018, Allen foi dado como morto durante um tempo, depois de se perder durante a descida do Broad Peak (8.047 m de altitude), localizado próximo ao K2, no norte do Paquistão. No final, sua mochila foi encontrada, e ele pôde ser resgatado.
Morte de alpinista com deficiência
Na semana passada, um outro alpinista, o sul-coreano Kim Hong-bin, morreu no Broad Peak. Ele caiu em uma fenda na montanha. Kim foi o primeiro alpinista com deficiência que escalou as 14 montanhas de mais de 8.000 metros de altitude do mundo.
Pelo menos seis alpinistas perderam a vida neste inverno nas montanhas do Paquistão, cinco deles no K2, onde foram registrados ventos de até 200 km/h e temperaturas de até -60°C.
Em janeiro, dez montanhistas nepaleses causaram sensação ao completarem a primeira subida de inverno do K2.
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Fonte: G1 Mundo

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Religioso que zombava de vacinas nas redes morre por covid-19 nos EUA


Stephen Harmon, que se opunha à vacinação, morreu após uma luta de um mês contra o vírus. Profissional de saúde prepara vacina em Los Angeles, Califórnia
Valerie Macon/AFP
Um homem da Califórnia que zombava das vacinas contra a Covid-19 em redes sociais morreu após uma batalha de um mês contra o vírus.
Stephen Harmon, membro da igreja Hillsong, era um oponente vocal das vacinas, e publicava uma série de piadas sobre não não tomá-las.
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“Tenho 99 problemas, mas a vacina não é um deles”, tuitou o jovem de 34 anos para seus 7.000 seguidores em junho.
Presidente dos EUA, Joe Biden, diz que pandemia agora está entre as pessoas que não tomaram vacina
Ele recebeu tratamento para pneumonia e Covid-19 em um hospital nos arredores de Los Angeles, onde morreu na quarta-feira (21).
Nos dias que antecederam a morte, Harmon documentou sua luta para permanecer vivo, postando fotos de si mesmo em sua cama de hospital.
“Por favor, orem todos vocês, eles realmente querem me entubar e me colocar em um respirador”, disse ele.
Em seu último tuíte, na quarta-feira, Harmon disse que seria intubado.
“Não sei quando vou acordar, por favor, orem”, escreveu ele.
Apesar de sua luta contra o vírus, Harmon ainda dizia que rejeitaria ser vacinado, afirmando que sua fé religiosa o protegeria.
Antes de sua morte, ele brincou sobre a pandemia e as vacinas, compartilhando memes dizendo que confiava na Bíblia, e não no mais conhecido especialista em doenças dos EUA, o médico Anthony Fauci.
Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergologia e Infecções dos EUA, em foto de 22 de dezembro de 2020
Patrick Semansky/Pool/Reuters
O fundador da igreja Hillsong, Brian Houston, confirmou a notícia de sua morte em um tuíte.
“Ben acaba de nos transmitir a notícia devastadora de que nosso querido amigo, Stephen Harmon, faleceu da Covid. É de partir o coração”, disse Houston.
Pelo Instagram, ele prestou homenagem a Harmon.
“Ele era uma das pessoas mais generosas que conheço e tinha muito pela frente”, escreveu Houston.
“Ele sempre comparecia aos jogos de futebol de nossos netos e fará falta para muitos. Descanse em paz.”
Ele acrescentou que a igreja incentiva seus membros “a seguirem as orientações de seus médicos”.
A Califórnia viu um aumento nos casos de Covid-19 nas últimas semanas, sendo a maioria dos casos levados a hospitais de não vacinados.
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Fonte: G1 Mundo

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Olimpíada de Tóquio 2021: as curiosidades de Tóquio 1964, a 1º Olimpíada sediada pelo Japão


Há 57 anos, um sobrevivente da bomba atômica acendeu a pira na cerimônia de abertura dos Jogos que serviram de vitrine da reconstrução do país e entraram para a história como os primeiros a serem televisionados. Milhares de espectadores presentes no Estádio Nacional de Tóquio se emocionaram ao ver o atleta Yoshinori Sakai (1945-2014) carregar a tocha na cerimônia de abertura dos Jogos
Getty Images via BBC
Os relógios em Hiroshima marcavam 8h15 quando, na manhã de 6 de agosto de 1945, o avião Enola Gay, pilotado por Paul Tibbets (1915-2007), lançou uma bomba atômica sobre a província japonesa.
O artefato bélico, apelidado de “Little Boy”, explodiu no ar, a 600 metros do solo, e matou, segundo estimativas, cerca de 140 mil pessoas. Dezenove minutos depois, nascia, na cidade de Miyoshi, distante 57 km de Hiroshima, o pequeno Yoshinori Sakai (1945-2014).
Dezenove anos depois do ataque, no dia 10 de outubro de 1964, os 75 mil espectadores presentes no Estádio Nacional de Tóquio se emocionaram ao ver o atleta carregar a tocha na cerimônia de abertura dos Jogos. A homenagem ao jovem mundialmente conhecido como “Bebê de Hiroshima” mereceu aplausos inclusive do imperador japonês Hirohito (1901-1989), sentado na tribuna de honra.
“A edição de Tóquio 1964 foi uma grande demonstração da reconstrução de um país arruinado pela guerra. A festa começou com um sobrevivente da bomba atômica acendendo a pira olímpica. Isso por si só já diz ao mundo que, mesmo diante de toda e qualquer catástrofe, é possível fazer a vida seguir adiante”, afirma Kátia Rubio, coordenadora do Grupo de Estudos Olímpicos (GEO) da USP e autora do livro Atletas Olímpicos Brasileiros (2015).
Era a primeira vez que um país do continente asiático sediava o mais importante evento esportivo do planeta. A princípio, os Jogos Olímpicos de Tóquio seriam realizados em 1940, mas foram cancelados por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-45).
Em 1959, quando foi escolhida cidade-sede dos Jogos de 1964, Tóquio derrotou Detroit, Bruxelas e Viena. O Japão sediou a mais cara Olimpíada até então: foram investidos US$ 3 bilhões na construção de modernos complexos esportivos e na melhoria do sistema de transporte, com a inauguração do Shinkansen, o primeiro trem-bala do mundo, no dia 1º de outubro de 1964, nove dias antes da abertura dos Jogos.
Transmissão via satélite
Era a primeira vez, também, que uma Olimpíada era transmitida ao vivo, graças ao satélite Syncom 3, para outros continentes. “Em Roma 1960, as competições eram filmadas em película e, em seguida, os rolos eram despachados em aviões para a Europa Ocidental e Estados Unidos. O público assistia às competições com um dia de atraso”, explica o jornalista e historiador Adalberto Leister Filho, coautor de 2016 Histórias que Fizeram 120 Anos de Olimpíadas (2016).
Entre outras inovações, o piso sintético substituiu o solo de carvão nas pistas de atletismo e a vara de bambu, mais flexível que a de madeira, cedeu lugar à vara de fibra de vidro nas provas de salto. Tem mais: pela primeira vez, foi adotada a cronometragem eletrônica em substituição à manual.
“Com o novo instrumento, foi possível certificar a medalha de bronze do nadador alemão Hans-Joachim Klein nos 100m livre”, explica o jornalista Marcelo Duarte, de O Guia dos Curiosos – Jogos Olímpicos (2004). “Ele foi um centésimo mais rápido que o americano Gary Ilman.”
Na 18ª edição dos Jogos, 5.151 atletas de 93 países disputaram 163 provas. Deste total, 4.473 eram homens e 678, mulheres. Duas das 25 modalidades foram disputadas pela primeira vez: o vôlei e o judô.
Das 7h às 15h30, as jogadoras da seleção feminina de vôlei trabalhavam em uma fábrica e, das 16h à meia-noite, treinavam saques, passes e cortadas. “O método de trabalho do treinador era um tanto draconiano. Hirofumi Daimatsu insultava as atletas e, por vezes, batia nelas. Hoje em dia, seria processado [no mínimo] por assédio moral”, observa Adalberto Leister Filho.
“Depois de conquistarem o ouro olímpico, as atletas do vôlei foram recompensadas pelo imperador, que as ajudou a encontrar namorados”, completa o jornalista Armando Freitas, coautor de Almanaque Olímpico (2008).
O número de participantes de Tóquio só não foi maior porque três países não participaram da competição: África do Sul, Indonésia e Coreia do Norte.
A África do Sul foi banida dos Jogos por 28 anos, 1964 a 1992, por causa do regime de segregação racial do Apartheid. Já Indonésia e Coreia do Norte foram impedidas porque, em 1963, participaram dos Jogos das Potências Emergentes, evento promovido pela Indonésia contra a vontade do Comitê Olímpico Internacional (COI), responsável pelos Jogos Olímpicos.
Terra de gigantes
Três atletas se destacaram em Tóquio: o maratonista etíope Abebe Bikila (1932-1973), o pugilista americano Joe Frazier (1944-2011) e a ginasta soviética Larisa Latynina, hoje com 86 anos.
Nos Jogos Olímpicos de 1960, Bikila chamou a atenção do mundo ao correr descalço pelas ruas de Roma. Em Tóquio, tornou-se o primeiro atleta a vencer duas maratonas olímpicas. “Dessa vez, usou tênis e meia”, diz o publicitário Marcos Abrucio, autor de Odisseia Olímpica: A História das Olimpíadas e Seus Heróis (2008).
“Apenas seis semanas antes da prova, ele tinha sido operado de apendicite”. Frazier conquistou o ouro olímpico lutando contra o pugilista alemão Hans Huber. Detalhe: o futuro campeão mundial de pesos-pesados entrou no ringue com o polegar esquerdo quebrado.
Um dos grandes nomes de Tóquio foi Larisa Latynina. Nascida na Ucrânia, a ginasta soviética ganhou, só em 1964, seis medalhas: dois ouros, duas pratas e dois bronzes. Ao longo de três Olimpíadas (Melbourne 1956, Roma 1960 e Tóquio 1964), totalizou 18 medalhas: nove de ouro, cinco de prata e quatro de bronze.
Seu recorde só foi quebrado 44 anos depois quando, em Pequim, Michael Phelps conquistou sua 19ª medalha de ouro. Em cinco edições dos Jogos (Sydney 2000, Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016), o nadador americano colecionou 28 medalhas: 23 ouros, três pratas e dois bronzes.
A história da nadadora australiana Dawn Fraser, de 83 anos, é daquelas que seria cômica se não fosse trágica. Única nadadora a ganhar a mesma prova — os 100m livres — em três Jogos consecutivos (Melbourne 1956, Roma 1960 e Tóquio 1964), Fraser teve a infeliz ideia de roubar uma bandeira do Palácio Imperial de Tóquio para guardar de lembrança.
Resultado: foi presa em flagrante. “O imperador japonês livrou-a da cadeia e deu-lhe a bandeira de presente”, relata Armando Freitas. Condenada a dez anos de suspensão, encerrou sua carreira em 1965.
Heroína solitária
Terminados os Jogos, os soviéticos somaram mais medalhas que os americanos: 96 contra 90. Mas, contabilizadas só as de ouro, os americanos levaram a melhor: 36 contra 30. No pódio dos mais premiados, o Japão ficou com o terceiro lugar: 29 medalhas – 16 de ouro, 5 de prata e 8 de bronze.
Na classificação geral, o Brasil terminou em 35º, empatado com Gana, Irlanda, Quênia, México, Nigéria e Uruguai. A delegação brasileira conseguiu uma única medalha de bronze. Na disputa pelo terceiro lugar, a seleção masculina de basquete venceu Porto Rico por 76 a 60.
Naquele ano, o Brasil mandou 68 atletas para Tóquio. A única mulher da delegação era a carioca Aída dos Santos, então com 27 anos. Primeira atleta do país a disputar uma final olímpica, terminou a prova de salto em altura em quarto lugar, com a marca de 1,74 m.
“Por 44 anos, foi o melhor desempenho de uma brasileira no atletismo”, destaca Adalberto Leister Filho. “Só foi superado em Pequim pela Maurren Maggi no salto em distância [quando ganhou uma medalha de ouro]”.
Mesmo assim, Aída não guarda boas recordações de Tóquio. Durante a competição, não teve técnico, massagista ou intérprete. No hotel, só conseguiu preencher a data de nascimento na ficha de inscrição porque o funcionário cantarolou um trecho de “Parabéns Pra Você”.
Na Vila Olímpica, recorria a mímicas para se comunicar com atletas de outros países. Não bastasse, ainda tinha que aturar o sarcasmo de atletas e dirigentes brasileiros: “E aí, turista, tá gostando do passeio?”, perguntavam, aos risos. “Vou mostrar a vocês quem é a turista aqui!”, respondia, baixinho.
A tristeza era tanta que, quando terminou de disputar suas provas, não quis nem esperar pela cerimônia de encerramento. “Aquilo lá foi um sofrimento só”, resume a ex-atleta, hoje com 83 anos.
“Eu me sentia invisível, sabe? Não tive apoio de ninguém. Na semana da competição, nem tênis para saltar eu tinha. Torci o pé e não tinha médico. Fui socorrida por um da delegação cubana. Eu só fazia chorar. ‘O que estou fazendo aqui?’, vivia me perguntando. Se eu não fosse ‘raçuda’ e gostasse de desafios, teria desistido há muito tempo.”
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Fonte: G1 Mundo

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Ginasta da Costa Rica faz gesto do ‘Black Lives Matter’ ao competir em Tóquio


Atleta de 18 anos concluiu sua apresentação no solo ajoelhada e com o punho erguido, símbolo dos movimentos contra o racismo nos EUA. Luciana Alvarado, ginasta da Costa Rica, ergue o punho no gesto que marcou os protestos “Black Lives Matter” ao terminar sua prova de solo das Olimpíadas neste domingo (25)
Natacha Pisarenko/AP Photo
A ginasta Luciana Alvarado, da Costa Rica, chamou atenção no domingo (25), ao concluir a prova eliminatória de solo nos Jogos Olímpicos de Tóquio: após terminar a série, a jovem ergueu o punho, ajoelhada — gesto símbolo do movimento “Black Lives Matter”.
A jovem de 18 anos, cuja mãe e treinadora, Sherli Reid, é negra, simulou a postura que ficou famosa em protestos em todo o mundo, principalmente no meio esportivo, depois do assassinato do afro-americano George Floyd no ano passado pelas mãos de um policial na cidade americana de Minnesota.
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“Sinto que se você faz algo que une a todos é como dizer, ‘Você é um dos meus, entende as coisas’, disse Alvarado ao site especializado GymCastic.
“É importante que todos sejam tratados com respeito e dignidade e todos devem ter os mesmos direitos porque somos iguais e todos somos belos e surpreendentes. Por isso adoro fazer isso na minha série.”
A costa-riquenha acumulou 51.306 pontos no evento geral, disputado no Ariake Arena e acabou em 51º lugar entre 85 ginastas. O resultado não foi suficiente para se situar entre as melhores 24, que disputarão a final.
Gesto de joelhos
Daniel Bibby, jogador de rúgbi da Grã-Bretanha, se ajoelha em protesto contra o racismo antes de iniciar partida válida pelas Olimpíadas de Tóquio nesta segunda (26)
Siphiwe Sibeko/Reuters
O sinal em protesto contra o racismo nos Jogos Olímpicos de Tóquio foi visto já na quarta-feira passada, na rodada preliminar de futebol: jogadoras de Chile, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Nova Zelândia e Suécia se ajoelharam no campo.
Protestos do tipo, então, se repetiram em outras modalidades ao logo destes primeiros dias de Jogos Olímpicos em Tóquio, como o rúgbi.
Em abril, em uma mudança de postura, o Comitê Olímpico Internacional (COI) ouviu a Comissão de Atletas e decidiu flexibilizar alguns pontos sobre protestos e manifestações políticas nas Olimpíadas de Tóquio. Elas seguem proibidas no pódio.
VÍDEO e PODCAST: as Olimpíadas de Tóquio
As Olimpíadas nunca foram assim

Fonte: G1 Mundo

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Imigração: quase 3 mil crianças brasileiras entraram ilegalmente nos EUA pelo México em apenas 2 meses


Dados inéditos obtidos pela BBC News Brasil revelam as características da migração recorde, que já levou quase 30 mil pessoas do Brasil ao território americano só em 2021. Agente do órgão americano de Alfândega e Controle de Fronteira patrulha área no Texas pela qual costumam passar imigrantes sem documentação
Paul Ratje/AFP via Getty Images
Apenas em maio e junho de 2021, 2.857 bebês e crianças brasileiros com até 6 anos de idade atravessaram irregularmente a fronteira dos Estados Unidos com o México e acabaram detidas pelo serviço de migração.
Esses dados inéditos do órgão americano de Alfândega e Controle de Fronteira, obtidos pela BBC News Brasil, apontam que o total de menores de 6 anos apreendidos por agentes americanos em apenas dois meses já supera todo o acumulado dos 7 meses anteriores.
Destas 2.857 crianças, 12 entraram no país sem a companhia dos pais ou de algum responsável legal por elas e, no momento do encontro com autoridades americanas, foram mantidas temporariamente sob custódia do governo do democrata Joe Biden.
Uma delas é o bebê João*, de um ano e meio, cuja história a BBC News Brasil contou em detalhes há uma semana. João passou mais de um mês em um lar temporário no Estado da Virgínia depois que foi encontrado na companhia dos avós, encaminhados para deportação. A mãe dele, que conseguiu acesso aos EUA depois de atravessar a fronteira com seu outro filho adolescente, precisou comprovar não ter antecedentes criminais no Brasil para poder se reunir ao bebê. Agora, eles esperarão em território americano pelo desfecho de seu processo na Justiça migratória.
Os números da imigração brasileira irregular têm crescido a cada mês, e atraído atenção crescente do serviço migratório americano. O país já é a sétima origem mais frequente de migrantes sem visto, à frente de Cuba, Haiti, Nicarágua, Colômbia e Venezuela, países que vivem intensas crises domésticas e com histórico de remeter grandes quantidades de população ao território americano. A cifra de brasileiros detidos em 2021 ao avançar pela fronteira dos EUA sem visto (29,5 mil) é o recorde registrado em toda a série histórica, que mede tais movimentos por nacionalidade desde 2007. Há 10 anos, em 2011, apenas 472 brasileiros foram detidos na mesma condição.
A esmagadora maioria das quase 4.867 crianças de até 6 anos que chegaram dessa forma aos EUA desde outubro passado estava acompanhada dos pais. O mesmo vale para as outras 1.297 crianças brasileiras entre 7 e 9 anos e os 2.585 pré-adolescentes e adolescentes entre 10 e 17 anos que, igualmente, fizeram o trajeto no período. É o que as autoridades americanas chamam de unidades familiares: ⅔ dos quase 30 mil brasileiros já detidos pela imigração em 2021 estavam em famílias nucleares, o que inclui pais e filhos.
Essa configuração tem a ver com uma estratégia estimulada pelos coiotes, como são chamados os operadores dessas rotas ilegais. Eles incentivam a prática do “cai-cai”: ou seja, a viagem de migrantes sem visto com seus filhos menores de idade para garantir que os adultos não sofram deportação imediata na chegada aos EUA, quando se apresentarem às autoridades locais.
“Acompanhei o caso recente de um homem que juntou os US$ 12 mil cobrados por um coiote e ficou furioso quando a mãe de sua filha, com quem não era casado, não aceitou que a menina de 15 anos o acompanhasse na jornada pelo México. Ele dizia que para fazer um ‘investimento’ tão alto, precisava ter a certeza de que não seria deportado. E isso só seria possível com a presença da adolescente, que não seria deportada nem separada de seu pai”, relata a socióloga Sueli Siqueira, especialista em migração de brasileiros para os EUA da Universidade do Vale do Rio Doce.
Estratégia ‘cai-cai’
Famílias latino-americanas continuam contratando ‘coiotes’ para chegar aos EUA, em viagens arriscadas
Getty Images via BBC
Tanto autoridades brasileiras quanto americanas ouvidas pela reportagem afirmam que a estratégia “cai-cai” havia sido praticamente abandonada durante a gestão Trump, quando o então presidente republicano adotou práticas como a separação entre pais e filhos, a deportação sumária de menores de idade e a obrigatoriedade de esperar pela resposta ao pedido de asilo em território mexicano.
Mas todas essas medidas restritivas foram revistas e, parcial ou totalmente, abolidas ainda na gestão Trump ou já no governo Biden, o que levou à retomada do “cai-cai”.
Eleito sob a promessa de tornar o sistema de migração “mais humano” e de criar um caminho de obtenção de cidadania para 11 milhões de migrantes que já vivem no país sem documentos, Biden tem encarado uma crise no assunto, com a chegada de quase 1,3 milhão de pessoas pela fronteira apenas em 2021. Dessas, 95 mil eram menores de idade sem os pais ou responsáveis.
O volume levou o atual presidente a designar a vice para gerir o problema. Em visita recente à Guatemala, Kamala Harris foi clara: “Não venham (aos Estados Unidos)”.
É improvável, no entanto, que o apelo tenha efeito sobre os latino-americanos que querem tentar a vida nos EUA agora. Afundada em um misto de crise econômica e descontrole pandêmico, a região vive uma espécie de nova década perdida, que lembra os anos 1980. Não por acaso, foi nesse período que a primeira grande onda de migrantes brasileiros chegou aos EUA, em fuga do desemprego e da inflação alta. Agora, de acordo com o IBGE, o desemprego no Brasil se aproxima dos 15% e a inflação tem mostrado força especialmente em itens básicos, como alimentos.
Para a socióloga Sueli Siqueira, a “desesperança com a política e a economia do Brasil” e a “crença de que Biden vá tornar mais fácil a vida de quem vem de fora” têm alimentado o fluxo de brasileiros, que deve se manter alto ainda por muitos meses.
Ela nota ainda que as características dessa migração – majoritariamente em família – também indicam que essas pessoas estão tentando uma mudança definitiva de país, um reassentamento e recomeço de vida, e não apenas trabalhar ganhando em dólares por algumas temporadas para depois regressar ao Brasil.

Fonte: G1 Mundo

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Presidente da Tunísia suspende Parlamento e destitui primeiro-ministro


Kais Saied alegou que Constituição tunisiana permite medida em caso de “perigo iminente”. Principal partido do país classifica decisão como golpe contra revolução que deu início à Primavera Árabe. Kais Saied, presidente da Tunísia
Reuters
O presidente da Tunísia, Kais Saied, determinou na noite deste domingo (25) a suspensão por 30 dias das atividades do Parlamento e a destituição do primeiro-ministro, Hichem Mechichi.
A decisão, tomada após reunião no palácio presidencial, atribui para Saied plenos poderes executivos. O presidente tunisiano afirmou que a medida está prevista na Constituição do país.
“A Constituição não me permite dissolver o Parlamento, mas sim suspender a sua atividade”, disse Saied.
Ele afirmou que seguiu o artigo 80 da constituição da Tunísia, que permite que este tipo de medida seja adotada frente à um “perigo iminente”. Saied também usou o trecho para suspender a imunidade dos membros do Parlamento.
A Constituição também diz que o presidente tem responsabilidade direta somente por relações exteriores e pelas Forças Armadas.
A suspensão das atividades parlamentares aconteceu após protestos realizados neste domingo contra autoridades do país, em especial o partido governista Ennahda, de orientação islamita.
Segundo a agência Reuters, dezenas de milhares de pessoas permaneceram nas ruas da capital Túnis e de outras cidades para apoiar a decisão de Saied.
Manifestantes protestam contra governo da Tunísia
Reuters
‘Golpe contra a revolução’
O Ennahda, maior partido no Parlamento da Tunísia, se tornou a principal força políticas do país desde 2011, quando uma revolta popular deu início ao que ficou conhecido como Primavera Árabe.
O partido considerou a decisão de Saied, que atua como independente, um “golpe contra a revolução e a Constituição.
“Consideramos as instituições ainda de pé, e os partidários do Ennahda e o povo tunisiano defenderão a revolução”, afirmou o líder do partido, Rached Ghannouchi.
A Tunísia enfrenta uma forte onda da Covid-19. O país de 12 milhões de habitantes registra cerca de 18.000 mortes pela pandemia.
A população protesta contra a falta de resposta do governo à crise sanitária, que deixou o país sem abastecimento de oxigênio.
O país convive há mais de um ano uma disputa política entre Saied e Mechichi. Além disso, a economia tunisiana enfrenta uma forte crise econômica.
Após suspender o Parlamento, Saied anunciou que nomeará um novo primeiro-ministro.

Fonte: G1 Mundo

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‘Adriana não é um número’, escreve jornal australiano sobre estudante brasileira que morreu de Covid no país

Adriana Midori Takara morreu na noite de sábado no Royal Prince Alfred Hospital. O corpo será cremado na Austrália. Uma estudante brasileira de 38 anos morreu sábado (24) vítima da Covid-19 em Sidney, na Austrália, de acordo com jornais australianos. O jornal The Sydney Morning Herald escreveu; “Adriana não é um número: estudante de contabilidade de Sydney, 38, a última morte por coronavírus.”
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Adriana Midori Takara morreu no Royal Prince Alfred Hospital. Ela estudava contabilidade na Kaplan Business School de Sydney, não tinha problemas de saúde, mas piorou rapidamente após contrair o vírus.
A raiva dos australianos com a volta ao lockdown
Marlene Coimbra, diretora da empresa Superstudent Headquarters, que assessorava Adriana, disse ao G1 que ela era de São Paulo. De acordo com Marlene, Adriana não tinha conseguido ainda se vacinar quando contraiu a doença. Ela foi internada no sábado (17). O corpo será cremado na Austrália.
“Espero que a morte da Adriana sirva para chamar atenção do governo para as condições dos over seas students não Austrália. São aqueles que continuam trabalhando durante essa pandemia em segmentos prioritários como aged care e hospitality sem nenhuma ajuda oficial do governo”, disse.
Ao mencionar a morte, a premier de Nova Gales do Sul Gladys Berejiklian alertou que os jovens podem ser vítimas da “doença cruel”. “Se alguém pensa que esta é uma doença que afeta apenas pessoas mais velhas, por favor, pense novamente”, disse ela.
A Austrália impõe novas medidas restritivas, cada vez mais impopulares, em um momento de alta no contágio por conta da variante Delta. Cerca de metade da população australiana — o equivalente a 13 milhões de pessoas — está sob lockdown.
O atual surto em Sydney, a cidade mais populosa do país, infectou mais de 1,5 mil pessoas. Mais 100 casos foram identificados na quarta-feira (21), apesar de Sydney estar em lockdown há quatro semanas

Fonte: G1 Mundo