Categorias
MUNDO

Jogos Olímpicos: a ousada fuga de atleta iraquiano após troca de olhares ‘proibida’ com Bill Clinton


Nas Olimpíadas de Atlanta de 1996, o levantador de peso iraquiano Raed Ahmed tomou uma decisão arriscada, inspirado por gestos do presidente americano. Raed levou a bandeira de seu país na abertura da Olimpíada
Getty Images/BBC
“Não olhe para o presidente (Bill) Clinton.” Essas foram as instruções que Raed Ahmed recebeu antes da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta.
O levantador de peso iraquiano tinha ouvido que Bill Clinton e os Estados Unidos queriam destruir seu país e não deveriam ser respeitados. A mensagem veio de funcionários do Comitê Olímpico iraquiano, que seguiam ordens do filho mais velho de Saddam Hussein, Uday.
“Eles disseram para não olhar para a esquerda ou para a direita porque o presidente estaria lá. ‘Não olhe para ele'”, conta Raed. “Eu respondi: ‘sem problemas’.”
Raed sorria enquanto corria para o estádio, orgulhosamente segurando sua bandeira nacional. Ele tinha 29 anos quando foi escolhido para esta honraria.
Apesar de ser acompanhado pelos olhos atentos das autoridades iraquianas, o atleta acabou olhando para a direita. “Não pude acreditar”, diz ele. “Clinton olhou para nós. Vi que ele ficou muito feliz quando nos viu. Ele se levantou e batia palmas.”
Aquele instante mudou a vida de Raed para sempre.
Nascido em uma família muçulmana xiita na cidade iraquiana de Basra, em 1967, Raed é filho de um treinador de fisiculturismo. Começou a ficar conhecido pelo levantamento de peso no início dos anos 1980 e, em 1984, foi coroado campeão nacional na categoria de até 99 kg.
Mas seu sucesso esportivo decolava em um cenário de turbulência em sua terra natal.
Em 1991, o Iraque enfrentava rebeliões de árabes xiitas, no sul, e de curdos, no norte do país. As rebeliões começaram logo após a primeira Guerra do Golfo, quando forças iraquianas invadiram o Kuwait em 1990 e foram derrotadas por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.
Em fevereiro de 1991, dias antes do início do ataque terrestre da coalizão, o então presidente americano, George W. Bush, transmitiu uma mensagem dizendo aos iraquianos que havia uma maneira de evitar um derramamento de sangue no país.
“Se os militares iraquianos e o povo iraquiano usarem as próprias mãos para forçar o ditador Saddam Hussein a se afastar”, disse Bush no discurso. Os xiitas e os curdos acreditavam que isso significaria que os Estados Unidos apoiariam levantes contra Saddam. Eles começaram em março.
Em Basra e em outras cidades, centenas de civis desarmados saíram às ruas e assumiram o controle de prédios do governo, libertando prisioneiros de cadeias e confiscando estoques de armas de pequeno porte. No auge dos confrontos, eles haviam tirado o controle de 14 das 18 províncias do país das forças de Saddam e os combates aconteciam a quilômetros da capital, Bagdá.
Mas, à medida que o levante se espalhava pelo país, autoridades americanas insistiram que nunca foi sua política intervir nos assuntos internos do Iraque, nem remover Saddam do poder.
Com o fim da Guerra do Golfo e os rebeldes sem apoio dos Estados Unidos, Saddam deu início a um de seus atos mais brutais de repressão contra os xiitas e curdos, matando dezenas de milhares de pessoas em poucos meses.
Raed se lembra de testemunhar o primo de Saddam, Ali Hassan al-Majid, também conhecido como Chemical Ali, então encarregado de reprimir as rebeliões, alinhando estudantes da universidade em Basra e atirando neles.
As sanções econômicas da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Iraque também começaram a atingir duramente as pessoas comuns. Raed diz que a população lutava para comprar os alimentos mais básicos, como pão e arroz.
Ele já pensava em como sair do país.
Saddam Hussein foi executado em Bagdá em dezembro de 2006
Getty Images/BBC
Diferente da maioria dos iraquianos, Raed teve a oportunidade de viajar para o exterior para competir. Mas ser um esportista de elite no Iraque significava ficar cara a cara com Uday Hussein, o filho conhecidamente implacável de Saddam, que foi presidente do Comitê Olímpico Iraquiano e da Associação de Futebol do Iraque.
As punições de Uday por infrações como perder um pênalti, receber um cartão vermelho ou jogar mal incluíam torturas com cabos elétricos, banhos forçados em esgoto não tratado e até mesmo execuções. “Ele fazia o que quisesse, ele era filho de Saddam”, diz Raed.
Em um esforço para se proteger, Raed fazia o possível para diminuir as expectativas de Uday antes dos torneios internacionais. “Eu via as pessoas quando saíam da prisão. Os jogadores de futebol ou basquete nos diziam: ‘Cuidado quando for às competições’. Eles mataram muita gente”, conta.
“Quando ele me perguntou se eu conseguiria levar para casa uma medalha de ouro, eu disse que não. Para uma medalha de ouro, você tem que se exercitar por pelo menos quatro anos e era muito difícil fazer isso em Basra, com pouca comida e água. Para levantamento de peso, você precisa de muita comida e atividade física.”
Cada vez mais, Raed via as competições internacionais como a melhor maneira de sair do Iraque para sempre. Ele trainava mais duro do que nunca, com duas sessões exaustivas por dia, cinco dias por semana, para fazer seu melhor.
Em 1995, ele viajou para a China para o Campeonato Mundial de Halterofilismo, mas sentiu que a probabilidade de as autoridades chinesas o mandarem de volta era muito alta para ousar uma tentativa de fuga. Seu desempenho foi bom o suficiente para garantir uma vaga na equipe olímpica, no entanto.
Ele iria para Atlanta e ele sabia que os Jogos de 1996 nos Estados Unidos ofereceriam uma oportunidade melhor.
Presidente Clinton em discurso na vila olímpica de Atlanta, em 1996
Getty Images/BBC
Antes de viajar para as Olimpíadas, Raed entrou em contato com um amigo nos Estados Unidos. Ele tentava avaliar os riscos: e se o mandassem de volta ao Iraque? O que aconteceria com sua família? Como escapar dos olhos sempre vigilantes das autoridades iraquianas? Raed não tinha certeza se uma fuga era realista quando embarcou no avião para os Estados Unidos.
Ao chegar à Vila Olímpica, Raed se acomodou e tentou não levantar suspeitas. Ele tinha, afinal, a responsabilidade de carregar sua bandeira nacional no maior evento do planeta.
Antes da cerimônia de abertura, ele foi insistentemente instruído a não olhar para o presidente Clinton pelo ex-tradutor de Saddam, Anmar Mahmoud, que havia viajado com a equipe olímpica. “Eles queriam mostrar que os iraquianos não gostavam dos Estados Unidos e não gostavam do presidente”, disse Raed.
Mahmoud estava exatamente atrás de Raed enquanto eles marcharam pela pista olímpica, em 19 de julho de 1996. Raed conta que Mahmoud percebeu que ele estava olhando para Clinton, mas não disse nada. As autoridades iraquianas também pareciam genuinamente surpresas com os aplausos do presidente, diz ele.
Qualquer dúvida remanescente havia desaparecido: ele não voltaria para o Iraque. Mas agora vinha o problema de como ficar nos Estados Unidos.
Raed contatou outro amigo nos Estados Unidos, chamado Mohsen Fradi, e contou seu plano. Foi quando um graduado em engenharia da Universidade da Geórgia com o nome de Intifadh Qambar, que tinha acesso à Vila Olímpica, veio visitá-lo.
Ele pediu ajuda para tirá-lo de lá. Os dois se encontraram em segredo, mas colegas começaram a suspeitar. “As autoridades olímpicas iraquianas começaram a desconfiar que eu queria ficar e me disseram que eu não tinha permissão e que seria preso se o fizesse”, disse ele.
Raed não se intimidou. O plano estava traçado, mas antes de tudo ele ainda precisava competir. Incapaz de se preparar à altura de seus rivais, ele terminou em terceiro lugar em sua categoria.
Com a competição fora do caminho, era hora de sua fuga.
Raed fotografado na entrevista coletiva realizada após sua deserção
Getty Images/BBC
Na manhã de 28 de julho de 1996, a equipe olímpica iraquiana se preparava para visitar um zoológico próximo. Enquanto a equipe descia para tomar café da manhã, Raed fingiu que tinha esquecido algo em seu quarto. Ele rapidamente fez as malas e correu para a frente da Vila Olímpica. Esperando por ele em um carro estavam Qambar e Fradi. Raed entrou e eles foram embora.
“Meus pensamentos estavam com minha família o tempo todo”, lembra ele. “Fiquei preocupado com eles e com o que aconteceria com eles depois que as autoridades iraquianas descobrissem que eu estava fugindo. Não tinha medo por mim mesmo porque sabia que estava em boas mãos… e não corria nenhum perigo aqui. O medo e a preocupação que sentia eram por minha família.”
Raed — que saiu sem passaporte, já que as autoridades iraquianas guardavam toda a sua documentação — foi se encontrar com um advogado iraquiano-americano que havia viajado de Nova York e eles foram a uma agência de imigração para explicar o desejo de Raed de permanecer nos Estados Unidos.
Em seguida, uma entrevista coletiva foi organizada e ele encarou a imprensa mundial. “Todos os outros em nosso grupo desviaram o olhar do presidente Clinton. Eles não foram homens”, disse Raed, segundo o jornal “New York Times”. “Eu amo meu país. Só não gosto do regime.”
Após a coletiva, Raed disse que o escritório de Uday Hussein ligou para a rede CNN. Uday pediu que avisassem ao atleta que ele precisava voltar porque sua família inteira estava sendo mantida como refém. Os familiares acabaram sendo libertados depois que Raed se recusou a retornar ao Iraque, mas ele não pode falar com eles por mais de um ano.
“As coisas estavam muito difíceis para eles, as pessoas não queriam mais falar com eles. Minha mãe era diretora de uma escola e foi expulsa”, diz.
Depois de receber asilo, Raed diz que trabalhava sete dias por semana para poder pagar por um passaporte iraquiano falso para a esposa. Em 1998, ela conseguiu chegar à Jordânia, onde buscou ajuda de funcionários da ONU antes de viajar para os Estados Unidos.
Raed e a família, fotografados em 2019
Getty Images/BBC
Raed e sua esposa se estabeleceram em Dearborn, Michigan, onde vivem até hoje e criaram cinco filhos. Dearborn tem uma grande comunidade árabe e, desde 2003, quando a Guerra do Iraque começou, milhares de refugiados iraquianos se estabeleceram na área. “Dearborn é como Bagdá”, brinca Raed.
Ele montou uma concessionária de carros usados ​​e continuou treinando como levantador de peso. Também treinou times locais de futebol e basquete do Iraque.
Então, em 2004, após a queda de Saddam Hussein, ele voltou ao Iraque pela primeira vez. “Toda a minha família estava esperando por mim e queriam me ver porque não nos encontrávamos desde 1996. Eles só choravam quando me viram, não acreditavam que me veriam novamente”, lembra. Os pais de Raed ainda moram em Basra, mas visitaram os Estados Unidos todos os anos até o início da pandemia.
Olhando para o futuro, Raed acha que provavelmente ficará em Michigan, embora se mudar para algum lugar com as temperaturas de sua terra natal sempre tenha sido uma ideia atraente.
“Quero me mudar para a Flórida porque o clima é igual ao do Iraque”, ele ri. “Aqui, especialmente de dezembro a fevereiro, é muito difícil viver — há muita neve e muito frio. Eu nunca tinha visto neve antes. Eu pensava: ‘Como as pessoas vão lá fora com sete ou dez centímetros de neve?’.”
Ele diz que vai assistir à cerimônia de abertura das Olimpíadas em Tóquio em julho, como sempre faz. “É muito nostálgico para mim e me lembra de quão longe eu vim. Toda vez que assisto, eu tenho vontade de estar lá e participando de alguma forma”, diz Raed.
“Assistir realmente me levará de volta a 25 anos atrás e tenho certeza que vou reviver minha experiência.”
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Barreiras ao redor do Capitólio são retiradas seis meses após ataque de 6 de janeiro


Barreira com 2,4 metros de altura cercou vários quarteirões, interferindo com o tráfego de pedestres e veículos; trecho ainda de pé será removido em três dias. Mais de 535 pessoas foram acusadas de participarem dos ataques de 6 de janeiro, quando apoiadores de Trump quebraram janelas, enfrentaram a polícia e invadiram local; cinco pessoas morreram, incluindo um policial. Membro da polícia do Capitólio retira placa de cerca que será removida do local, em Washington DC, na sexta-feira (9)
AP Photo/Andrew Harnik
Trabalhadores começaram a remover as últimas barreiras de alta segurança em torno do Capitólio dos Estados Unidos, nesta sexta-feira (9), mais de seis meses depois de apoiadores do ex-presidente Donald Trump lançarem um ataque letal à casa do Congresso dos EUA.
A barreira preta com 2,4 metros de altura em certo momento cercou vários quarteirões em torno do Capitólio, interferindo com o tráfego de pedestres e veículos. As partes que ainda estão em pé, fechando apenas o complexo com cúpula branca do Capitólio, serão removidas em três dias, segundo Sargento de Armas da Câmara dos EUA, William Walker.
A decisão de retirar as barreiras restantes foi baseada na avaliação da polícia do Capítulo de quanta ameaça há no momento e uma coordenação melhor com agências de segurança locais e federais, disse Walker, em um comunicado.
Mais de 535 pessoas foram acusadas de participarem dos ataques de 6 de janeiro, quando apoiadores de Trump quebraram janelas, enfrentaram a polícia e obrigaram que parlamentares e o então vice-presidente Mike Pence tentassem encontrar um lugar seguro para se protegerem.
Cinco pessoas morreram durante a violência e no dia seguinte, incluindo um agente da Polícia do Capitólio. Dois policiais que participaram da defesa do Capitólio tiraram a própria vida posteriormente. Mais de uma centena de policiais ficou ferida.
Funcionários se preparam para iniciar retirada de cercas ao redor do Capitólio, em Washington DC, na sexta-feira (9)
Daniel Slim/AFP
Os agressores tentaram impedir que o Congresso certificasse a vitória eleitoral do presidente Joe Biden, que Trump havia dito, falsamente, que fora resultado de uma fraude generalizada. Vários tribunais, autoridades eleitorais e membros do próprio governo Trump rechaçaram as alegações sem fundamentos.
Cerca de 20 mil tropas da Guarda Nacional foram posteriormente chamadas a cidade para defender o prédio. O último contingente não sairá antes de maio.
Walker afirmou que as barreiras temporárias podem ser rapidamente reinstaladas, se necessário, e que outras restrições de acesso ao Capitólio continuam em vigor. Turistas e outros visitantes foram proibidos de entrar no Capitólio desde o ano passado por restrições sociais motivadas pela pandemia de Covid-19.
Em março, uma força-tarefa estudando falhas de segurança em 6 de janeiro recomendou a criação de uma força de rápida-reação em Washington e melhores às capacidades de inteligência e treinamento da Polícia do Capitólio.
Vídeos: Manifestantes pró-Trump invadem Congresso dos EUA

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Aborto: o que levou a Igreja Católica a considerar essa prática pecado no século 19


Geralmente há polêmica quando o cristianismo e a interrupção da gravidez se cruzam, mas a condenação enfática dessa prática em todos os casos é mais recente e envolve não apenas questões morais, mas disputas por poder e propriedade, questões demográficas e o avanço da ciência. Aborto: o que levou a Igreja Católica a considerar essa prática pecado no século 19
Getty Images/BBC
Aborto e Igreja. Geralmente há polêmica quando essas duas palavras aparecem juntas. E o assunto voltou à tona com a eleição de Joe Biden. Segundo católico em toda a história a ocupar o posto de presidente dos Estados Unidos, sua postura favorável ao direito ao aborto — legalizado no país desde 1973 — tem feito setores mais conservadores do episcopado no país cobrarem um posicionamento da Igreja, que poderia impedi-lo de comungar, por exemplo.
Mas se discussões sobre o “certo” ou o “errado” na prática de interrupção voluntária de gravidez aparecem em documentos da Igreja Católica desde o início do cristianismo, a incisiva postura atual, em que aquele que pratica o aborto está automaticamente condenado à excomunhão, é bem mais recente.
Apesar de coerente teologicamente, tudo indica que seja consequência de pressão política alheia ao próprio Vaticano. Graças à proximidade — com interesses de ambas as partes — entre o papa Pio 9º (1792-1878) e o imperador francês Napoleão 3º (1808-1873).
“Em 1869, a Igreja Católica posicionou-se contra todos os abortos a pedido de Napoleão 3º, da França, onde a população estava em declínio”, escreve o pesquisador William F. Loomis (1940-2016), professor de biologia da Universidade da Califórnia, em seu livro Life As It Is – Biology For The Public Sphere (A Vida Como Ela É – Biologia para a Esfera Pública, em tradução livre).
“Papa Pio 9º declarou que a vida começa na concepção e deve ser protegida depois disso”, prossegue ele. “Na tradição judaica, o feto é parte da mãe […]; entretanto, há passagens nas escrituras que consideram o primeiro respirar como o início da vida.”
Em documento publicado pela Igreja em outubro de 1869, dois meses antes do início do Concílio Vaticano 1º, a definição é clara e concisa: “procurantes abortum, effectu sequuto”. Ou, em tradução livre: “obter um aborto, seguindo-se o feito”. É um dos itens sob a pena de excomunhão latae sententiae, ou seja, automaticamente, por força da própria lei.
Papa Pio 9º declarou que a vida começa na concepção
Domínio público
“Até Pio 9º, cometer o pecado do aborto era considerado um erro grave, uma ação não ética que devia ser condenada e combatida. Mas não tinha essa conotação tão pesada, que levasse a ser considerada, de imediato, a excomunhão”, contextualiza o bioeticista Alexandre Martins, professor na Universidade Marquette, de confissão católica, nos Estados Unidos.
“Ele começa essa visão, que vai chegar ao primeiro Código de Direito Canônico, promulgado em 1917”, explica. “Vem essa condenação direta do aborto, com pena de excomunhão direta pelo fato em si, a pena máxima da Igreja Católica.”
Martins pontua que o pontificado de Pio 9º acabou balizando a influência do entendimento contemporâneo que o catolicismo tem sobre a questão. “Tornou-se preto no branco, sem nenhum espaço para a possibilidade do aborto. [Desde então,] o aborto na Igreja Católica é condenado a qualquer momento, a [ideia de] dignidade do ser humano ficou atrelada à concepção, e por conta dessa dignidade há uma obrigação de proteger o inocente e vulnerável”, comenta ele.
Relação com a França
Era um momento bastante tumultuado, o de Pio 9º à frente da Igreja. A península itálica vivia uma série de conflitos — que culminariam na unificação do país e a formação do Estado italiano moderno.
Nesse contexto, a Igreja perdia poder político, estatal e militar. “Havia os chamados Estados Pontifícios”, esclarece Martins. “O papa tinha até Exército, mas foi pouco a pouco perdendo [as terras]. Havia uma relação com [o imperador francês] Napoleão 3º, que protegia os Estados Pontifícios.”
Pio 9º teve uma postura bastante reacionária frente ao mundo que se abria à modernidade no século 19, condenando as ideias liberais, o relativismo moral, a secularização e a separação entre Igreja e Estado — cerne dos ideais republicanos contemporâneos. “A questão do aborto entra aí [nesse contexto], com ele condenando e rejeitando o novo mundo que estava florescendo”, pontua Martins. “Um mundo mais leigo e sem a tutela da Igreja. Ele vai ser o primeiro [papa] a condenar de modo mais explícito o aborto, criando uma punição.”
Conforme explica o historiador Paulo Debom, professor do Centro Universitário Celso Lisboa, depois que a Revolução Francesa, em 1789, precipitou uma ruptura forte entre a Igreja e o Estado, ao longo do século 19 houve uma reaproximação.
Napoleão 3º era muito próximo da Igreja Católica
Domínio público
“Na proposta de governo de Napoleão 3º existia uma aliança muito forte com a Igreja Católica, de certa forma uma continuidade do período de Napoleão [o 1º]”, afirma ele. “Há uma percepção [do governo] de que, com muitos católicos na população francesa, se fosse mantida a postura de afastamento, separação e combate ao catolicismo, haveria muitos problemas de popularidade. É uma jogada clara.”
“[Por isso,] Napoleão 3º, diante dos estados italianos em conflitos constantes pelo processo de unificação e [vendo] a Igreja Católica sob ameaça, para garantir o apoio do povo francês, ele declarou apoio à Igreja Católica e deixou muito claro que, em seu governo, colocaria os exércitos franceses em defesa dos Estados Pontifícios”, narra Debom.
No meio do cenário, há um problema vivido pela França: o país experimentava um crescimento demográfico muito baixo, se comparado a outras nações europeias do período. Em um estudo publicado originalmente em 1974, o demógrafo, economista e sociólogo Éttiene Van de Walle (1932-2006), professor na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, concluiu que a taxa de natalidade — ou seja, o número de nascidos vivos por mil habitantes — caiu de 40 para 30 no século 19. No mesmo período, a média europeia era de 45. Em 1900, a taxa de natalidade na Alemanha era de 35, enquanto a França chegava a 22 nascimentos por mil.
“Ao longo do século 19, a natalidade [na França] vai se manter a um nível apenas suficiente para a população seguir em um número constante”, pontua o pesquisador, em artigo publicado em 1986. “A esta época, a França se distingue dos demais países da Europa pela estagnação ou mesmo declínio de sua população rural.”
Segundo levantamento do economista Alain Clément (1953-2016), professor na Universidade de Tours, na França, considerando as potências europeias, a população francesa representava 40% do total em 1700. Em 1890, apenas 12%.
Reprodução da última página do Didache
Domínio público
Em 1867, a taxa de fertilidade na França era de 3,03 filhos nascidos vivos por casamento. Era inferior a Prússia (3,84), Holanda (4,04), Inglaterra (3,77) e Itália (4,55). Responsável por organizar os censos franceses de 1856, 1861 e 1866, o estatístico Alfred Legoyt (1812-1855) chegou a escrever que a nação era “o país da Europa cuja população cresce mais lentamente” e avaliou, de acordo com a perspectiva da época, que o fraco aumento da população fazia com que a França estivesse “ficando para trás”.
Várias são as explicações possíveis para o fenômeno. Debom aposta no momento histórico conturbado. “Penso logo em todas as ondas revolucionárias que aconteceram [na França, ao longo do século 19], justamente por péssimas condições de vida da maior parte da população. A Revolução Industrial toma corpo, e você tem massas e massas de pessoas, originalmente camponesas, jogadas para fora de suas terras e levadas a ocupar as filas dos operários nas fábricas”, afirma o historiador. “É um período de muita miséria. O baixo crescimento demográfico pode ser decorrência da péssima condição de vida.”
Em artigo, Clément fala em aspectos culturais e psicológicos que teriam causado essa baixa fertilidade. Lembra que o país vivia um êxodo rural e as condições mais difíceis funcionavam como um “freio preventivo [à procriação]”. Citando autores da época, ele argumenta que “a baixa fecundidade” poderia ser “fruto de um desejo de melhorar o padrão de vida”.
“A ‘esterilidade sistemática’ estaria ligada ao desejo de manter um certo padrão de vida”, escreve o economista.
Mas havia também uma questão legal cuja origem remetia ao Código Civil outorgado por Napoleão Bonaparte (1769-1821) em 1804. A legislação passava a reservar um tratamento aos herdeiros, garantindo que as sucessões fossem mais justas. Ou seja: não podia mais valer a tradição histórica, em que o pai reservava ao filho mais velho suas posses — automaticamente relegando os demais a papéis secundários ou mesmo à sina de viverem como agregados. As terras precisavam ser divididas, em partes iguais.
“A ausência de liberdade testamentária e a consequente obrigação de tratar os herdeiros em pé de igualdade levam a uma dispersão da propriedade, que só pode ser evitada controlando a fertilidade”, aponta Clément.
O economista e político francês Michel Chevalier (1806-1879) escreveu, na época, que, “a razão deste fenômeno [da queda da natalidade] é muito fácil de explicar”. “O dono quer fugir das necessidades de uma partilha que reduza os coparticionadores à porção mínima”, argumentou. “Em nossa sociedade moderna, o filho único substitui o filho mais velho.”
Para o governo de Napoleão 3º, presidente de 1848 a 1852 e imperador de 1852 a 1870, a questão populacional era um grande problema. De acordo com o entendimento da época, era preciso um crescimento demográfico para aumentar a produção, tanto a agrícola quando a industrial, incipiente.
Santo Agostinho, em pintura de Antonio Rodríguez (1636 – 1691)
Domínio público
Clément ressalta que foram diversas tentativas de “higiene pública” e “arranjos institucionais” para que a população da França não decaísse ainda mais. Em seu livro Storia dell’Aborto, a jurista italiana Giulia Galeotti conta que as leis napoleônicas, ao trazer para a esfera civil os registros de nascimento, casamento e óbito, tirando a incumbência das paróquias, possibilitaram um maior controle estatal sobre a realidade demográfica, possibilitando “combater as causas do despovoamento”.
Já que havia uma boa relação com o papa, por que não pedir uma ajuda também?
Primeiros cristãos
A condenação ao aborto, embora nunca tivesse aparecido de forma tão contundente como a feita por Pio 9º, é algo coerente à história do catolicismo. Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o historiador, filósofo e teólogo Gerson Leite de Moraes, avalia essa postura como “revolucionária” nos primeiros anos do cristianismo.
“Naquele momento, tratava-se de uma religiosidade marginal dentro de um império romano extremamente poderoso”, contextualiza. “Continuação cultural do que chamamos de sociedade clássica, ou greco-romana, havia ali o regime do patria potestas.”
Nesse sentido, todo o poder familiar emanava do pai, da figura masculina. “Ele tinha direito ao infanticídio, praticado, por exemplo, quando nascia uma criança indesejada, com algum tipo de deficiência, ou uma segunda filha mulher. Quase nenhuma família romana na Antiguidade criava duas meninas”, comenta o historiador.
É esse pai que também podia autorizar o aborto. “A sociedade greco-romana era uma sociedade abortista. Nesse sentido, podemos dizer que o cristianismo foi revolucionário, porque ousou lutar contra o aborto desde muito cedo”, comenta. “O cristianismo tem essa glória: ter defendido desde suas origens o direito de todo ser humano à vida. Isso explica, segundo alguns teóricos, a adesão de muitas mulheres ao cristianismo [nesse período inicial]. E como essas mulheres ficavam com a responsabilidade de educar os filhos, acabavam educando-os na fé cristã. Isso contribuiu para que o cristianismo crescesse, se institucionalizasse como religião e se tornasse poderoso.”
São Tomás de Aquino, em pintura de Gentile da Fabriano
Domínio público
“O fato de [os cristãos] não fazerem abortos, ajudou a população cristã a aumentar”, concorda Martins.
Então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal croata Franjo Šeper (1905-1981) publicou um documento em 1974 lembrando que “a tradição da Igreja sempre considerou a vida humana como algo que deve ser protegido e favorecido, desde o seu início, do mesmo modo que durante as diversas fases do seu desenvolvimento”. “Opondo-se aos costumes greco-romanos, a Igreja dos primeiros séculos insistiu na distância que, quanto a este ponto, separa deles os costumes cristãos”.
Ele cita o Didaché, um texto de 16 capítulos, escrito no primeiro século da Era Cristã e que funcionava como uma espécie de catecismo para os primeiros praticantes da então nova religião. “No livro […] diz-se claramente: ‘Tu não matarás, mediante o aborto, o fruto do seio; e não farás perecer a criança já nascida'”, afirma.
“É uma clara posição de um documento cristão em que há uma condenação textual tanto do aborto quanto do infanticídio”, comenta Moraes.
Igreja e aborto
Da posição contrária ao aborto até a pecaminização categórica promulgada por Pio 9º, a distância não está somente na penalização radical com excomunhão automática. Há toda uma discussão teológica e filosófica sobre quando, de fato, começaria a vida — discussão que, de certa forma, ainda embasa argumentos pró e contra a interrupção voluntária da gravidez até hoje.
Prolífico autor dos primórdios do cristianismo, Tertuliano (160-220) qualificava o aborto como “homicídio antecipado”. “Já é homem aquele que o será. Essa expressão do Tertuliano focalização a motivação da condenação do aborto voluntário nos ensinamentos da patrística de maneira geral”, frisa Moraes.
Em uma época em que era difícil determinar o início da gravidez, as discussões teológicas procuravam responder em que momento haveria “a infusão da alma” sobre o feto, ou seja, a “transformação do ser em uma pessoa”. “[Desde o princípio] havia os que imaginavam que na própria concepção você já tem uma pessoa, recuperando a questão aristotélica do ato e da potência, com a ideia de que uma semente não é uma árvore mas tem o potencial para se tornar uma”.
Assim como Tertuliano, os teólogos Basílio de Cesareia (329-379) e Gregório de Nazianzo (329-389) defendiam a “animação imediata” — ou seja, que o início do ser humano ocorria na concepção. “Tertuliano argumentava que nós temos tanto corpo quanto a alma sendo acolhidos e elaborados e aperfeiçoados juntos”, contextualiza Moraes.
Santo Agostinho (354-430), contudo, trouxe elementos para que essa ideia passasse por revisões — e suas reflexões acabaram embasando um entendimento bastante corrente ao longo de toda a Idade Média. Para ele, a alma exigiria uma forma apropriada para ser inserida.
Isso significava que o feto precisaria já estar melhor formado, preparado para receber a alma. Séculos adiante, Tomás de Aquino (1225-1274) ecoa esse mesmo princípio. “A filosofia escolástica chega a fixar o início da forma humana no quadragésimo dia [de gestação] para os homens e no octagésimo para as mulheres”, explica Moraes.
Em seu livro Uma História Não Contada: A História das Ideias Sobre o Aborto na Igreja Católica, a filósofa e teóloga norte-americana Jane Hurst (1948-1972) entende a pecaminização do aborto por conta da questão sexual. Não é a única voz nesse sentido — há pesquisadores que apontam que, no âmago do discurso do cristianismo primitivo estava, na verdade, o fato de que o aborto era praticado para esconder traições. Ou seja: o que estava sendo condenado era o adultério e não a interrupção voluntária da gravidez.
“A Igreja sempre se opôs ao aborto não apenas porque suspeita que se trata de um homicídio — o que continua sendo discutido — mas também porque ele revela um pecado sexual”, escreve ela. “A Igreja ensina que todo ato que pretende separar a união sexual da procriação é pecaminoso. […] O aborto realizado voluntariamente indica que os parceiros sexuais não se uniram com a intenção de procriar.”
Hurst defende que, nesse sentido, a gênese da ideia estaria relacionada a “questões de penitência”, procedendo da “função legislativa da Igreja”. “Se o aborto está sendo usado para esconder irregularidade sexuais, então é pecado e exige que a pessoa pecadora faça penitência para que seja perdoada desses erros”, argumenta a autora.
“Existia, nesse período antigo, amplo acordo quanto ao fato de o aborto ser um pecado quando utilizado para ocultar evidências dos pecados de fornicação e adultério”, aponta. Ela cita, em seu livro, um texto de São Jerônimo (347-420). “Outras pessoas tomam poções para garantir a esterilidade e são culpadas do assassinato de um ser humano ainda não concebido. Outras, quando descobrem que ficaram grávidas através do pecado, abortam usando drogas. Com frequência, elas mesmas morrem e são levadas à presença das autoridades do mundo inferior culpadas de três crimes: suicídio, adultério contra Cristo e assassinato de uma criatura não nascida”, afirmou o religioso.
Essa é a postura da organização Católicas pelo Direito de Decidir, grupo que configura uma voz dissonante à posição oficial atual da Igreja. A direção brasileira do movimento foi procurada pela reportagem e preferiu responder com dois artigos previamente escritos. “Nos primeiros séculos do cristianismo, a preocupação central — da Igreja, como do Estado — era com a constituição do casamento monogâmico como regra para toda a sociedade”, afirma, em trecho de um dos textos, a socióloga Maria José Rosado, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e presidente da organização.
“No império romano, estabeleceram-se leis que desencorajavam o concubinato. O primeiro concílio do Ocidente, realizado no século 4, antes mesmo da oficialização do cristianismo por Constantino — o Concílio de Elvira — estabelece penas religiosas severíssimas para as transgressões à fidelidade conjugal. Tanto a Igreja quanto o Estado impunham penas mais duras para os casos de adultério do que para os de homicídio”, prossegue a socióloga.
“Assim, a punição do aborto, durante os seis primeiros séculos do cristianismo, não era referida, em primeiro lugar, ao feto cuja vida seria tirada, mas ao adultério que o aborto revelava”, argumenta Rosado. “Pode-se pois concluir que para o cristianismo, como para a lei romana, a afirmação do casamento monogâmico como única união legítima, era mais importante como fundamento social do que a proteção da vida.”
“O que podemos dizer é que a condenação ao aborto é uma constante no ensinamento moral da Igreja. A partir do século 4, a temática começa a aparecer em concílios […]. Com o passar do tempo, não poucos autores admitem uma gravidade de culpa. Mas depende de quando esse aborto é feito”, diz Moraes.
“A questão do aborto nos documentos da Igreja tem variações significativas, mas o mais importante é a linguagem para sua condenação”, contextualiza Martins. Sisto 5º (1521-1590), em seu pontificado, reviu a postura medieval e passou a entender que não importava o estágio da gravidez, uma interrupção intencional não devia ser aceita. “Mas seu sucessor, Gregório 14 [(1535-1591)], rejeita essa perspectiva e volta a manter a distinção do aborto, como algo diferente [se praticado] no começo [da gestação]”, conta o bioeticista.
Entre idas e vindas, o que predominava até o século 19, conforme ressalta Rosado, era esse entendimento de que “só haveria aborto pecaminoso quando o feto estivesse totalmente formado”. E a condenação, nos casos em que havia, era moral e teológica, sem nenhuma sanção como a determinada por Pio 9º.
“[O papa, em 1869] declara que o aborto é pecado em qualquer situação e em qualquer momento em que se realize. Pela primeira vez, papa e teólogos coincidem, rechaçando a teoria da ‘hominização retardada’ para assumir a da ‘hominização imediata'”, explica a socióloga. “Isto é, a tese de que desde o momento da concepção existe uma pessoa humana e, portanto, atentar contra ela é homicídio.”
“Até essa data, essa questão havia sido controvertida na Igreja. Note-se que isso ocorre no mesmo período em que a Igreja tem necessidade, por razões de política interna e externa, de afirmar o poder papal, através da proclamação do dogma da infalibilidade”, contextualiza ela.
Ciência e fé
A postura favorável ao direito ao aborto de Joe Biden tem criado polêmica entre religiosos americanos
Getty Images/BBC
Após a excomunhão para o procurantes abortum, effectu sequuto, a Igreja se manteve firme em seu posicionamento. “Os papas recentes, em particular João Paulo 2º [(1920-2005)], encaram o aborto como o auge da desumanização dos comportamentos”, explica o biólogo e sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP. “A ‘cultura da morte’ é uma situação em que as pessoas são reduzidas a números e engrenagens num sistema socioeconômico que não se preocupa com elas. Assim, cada pessoa pode ser descartada ou substituída quando não interessa ao sistema.”
Essa ideia, como pontua Ribeiro Neto, foi chamada de “cultura do descarte” pelo papa Francisco. “O fato da mãe não desejar mais a vida do próprio filho representa o ponto mais alto dessa desumanização, no qual as relações mais vitais deixaram de ser significativas.”
Ao observar as mudanças históricas da Igreja quanto aos entendimentos, o acadêmico vê uma coerência baseada no patamar científico de cada momento. “A doutrina católica segue o conhecimento médico da época”, argumenta ele. “O princípio é que toda vida humana é inviolável a partir do momento em que tem uma alma imortal, infundida por Deus.”
“Na Idade Média, acreditava-se que o feto só ganhava vida quando começava a se movimentar. Portanto, não tinha alma [até esse momento]. Com o tempo, concluiu-se que o feto já era uma nova vida, diferente daquela da mãe, a partir da concepção. E a Igreja mudou sua cronologia em relação ao aborto”, diz Ribeiro Neto. “A mudança foi de cronologia, não de princípio.”
Professor de bioética na Universidade de São Paulo (USP) e membro da Pontifícia Academia para a Vida, Dalton Luiz de Paula Ramos avalia a postura medieval como “coerente pelo fato de que naquela época só conseguiam constatar a existência do corpo [no caso, do feto] macroscopicamente observando”.
“Elio Sgreccia [(1928-2019), cardeal italiano, presidente da Pontifícia Academia para a Vida] costumava dizer que o que São Tomás de Aquino não tinha era microscópio, porque o conceito vai sendo constatado microscopicamente a partir do desenvolvimento dessas tecnologias, de observação, de exames.”
Para o bioeticista Martins, se a Igreja sempre condenou o aborto, antes de Pio 9º “havia mais espaço para interpretação, para ver que em alguns casos até poderia se recorrer a isso”. “Hoje, não mais”, pontua. “Mas, do ponto de vista moral, é muito importante entender que, na Igreja, a intenção conta muito. A intenção de cometer o ato faz parte da maneira de julgar a moralidade do ato, e isso é fundamental na Igreja.”
“Outro elemento é a questão da misericórdia. Apesar de a Igreja ter essa questão definida, há sempre a misericórdia: acolher e respeitar as pessoas que caíram nesse erro”, diz ele.
No caso de Biden, a polêmica baseia-se em um documento assinado pelo então cardeal Joseph Ratzinger, antes de se tornar papa Bento 16, quando ele ainda era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. “Ele elencava cinco exigências irrenunciáveis para a conduta dos políticos”, explica Ribeiro Neto. “O direito à vida; a proteção e promoção da família; a liberdade, em particular religiosa e de educação; a economia à serviço da pessoa; e a construção da paz.”
“Contudo, os grupos contrários ao aborto, principalmente nos Estados Unidos, frequentemente se atinham apenas à primeira exigência, criando o paradoxo de cristãos apoiaram políticos corruptos e mal-intencionados só porque esses se declaravam contrários ao aborto”, afirma o sociólogo. “Criou-se uma partidarização da questão. Republicanos condenavam o aborto, mas eram coniventes com o aquecimento global, com as guerras e contra a acolhida aos migrantes. Democratas fazem exatamente o contrário.”
“Como, na verdade, as cinco exigências são ‘irrenunciáveis’, a comunidade cristã está se dividindo por questões partidárias, em vez de buscar a unidade na busca do bem comum. Esse é o pano de fundo pelo qual alguns católicos querem uma condenação clara da conduta de Biden e o próprio Vaticano tem pedido um esforço para o diálogo em comunhão”, salienta Ribeiro Neto.
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Haiti: a indústria de mercenários colombianos que pode estar por trás do assassinato do presidente Jovenel Moïse


A origem destes grupos paramilitares está ligada às operações de combate ao narcotráfico e ao terrorismo, muitas delas financiadas pelos EUA. Eles estiveram envolvidos em diversos conflitos internacionais e são requisitados por causa de suas habilidades e dos valores baixos cobrados por seus serviços. Seis dos detidos por suspeita de estarem por trás do assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moise, em foto desta quinta (8)
Joseph Odelyn/AP Photo
Militares colombianos aposentados, que falam inglês e têm treinamento em armamentos sofisticados, inteligência e operações internacionais. Muitos deles integravam unidades de contra-guerrilha, em parte financiadas pelos Estados Unidos.
Assassinato, gangues e instabilidade política: o que está acontecendo no Haiti
Em linhas gerais, esse é o perfil dos 26 colombianos que, segundo as autoridades haitianas, estão envolvidos no assassinato do presidente do país Jovenel Moïse. Desse grupo de 26 indivíduos, 15 estão detidos, três foram mortos e oito estão foragidos.
LEIA TAMBÉM:
Colômbia investiga se presos por morte de Moïse são do exército
Papa condena ‘toda forma de violência’ após assassinato no Haiti
O presidente foi assassinado em sua residência durante a madrugada do dia 7 de julho. Ele levou 12 tiros, um deles na cabeça. Também há indícios que Moïse foi torturado.
Ele chegou a ficar trancado em casa durante meses, em meio a uma crise política que cada vez mais diminuía sua legitimidade e aumentava as vozes que pediam sua renúncia.
Até agora, não se sabe quem pagou os mercenários colombianos para matar o presidente haitiano.
Nas horas que se seguiram ao assassinato, que ganhou um caráter internacional, começaram a surgir os primeiros detalhes sobre os ex-militares que supostamente executaram o plano.
E há algumas características que revelam um aspecto essencial da guerra que assolou a Colômbia nas últimas décadas: o surgimento de uma indústria de mercenários que emergiu após as operações de combate ao narcotráfico e ao terrorismo, muitas delas financiadas pelos Estados Unidos.
Esses grupos estiveram envolvidos em diversos conflitos internacionais e são requisitados por causa de suas habilidades militares e dos valores relativamente baixos cobrados pelos serviços que prestam.
Quem matou o presidente?
A Colômbia conta com uma verdadeira indústria de grupos paramilitares
Getty Images via BBC
Na manhã de sexta-feira (9), a imprensa colombiana divulgou aos poucos os nomes, as trajetórias e as fotos dos militares aposentados que parecem estar envolvidos no assassinato.
Em sua maioria, eles têm cerca de 40 anos, eram soldados e, como não foram promovidos na carreira militar, se aposentaram ainda jovens, há cerca de dois ou três anos.
A esposa de Eladio Uribe, que aparentemente está detido no Haiti, disse à W Radio que o ex-militar foi um soldado profissional durante 20 anos e recebeu várias honrarias antes de se reformar em 2019.
Segundo o relato, Uribe foi investigado por um esquema conhecido como “falso positivo”, em que as mortes de civis durante combates armados eram contabilizadas como óbitos de guerrilheiros. Mas o militar acabou absolvido.
E ele estava na República Dominicana, contratado por uma suposta empresa de segurança que pagava 3 mil dólares (R$ 15 mil) por mês, de acordo com o depoimento de sua esposa. “Não lhes foi dito exatamente para onde seriam levados. Era uma oportunidade de trabalhar com uma agência para cuidar de famílias de xeiques”, disse.
A mídia colombiana também destacou o caso de Manuel Antonio Grosso, paraquedista e membro de forças especiais antiguerrilha, que postou fotos na República Dominicana há uma semana. Tudo indica que ele cruzou a fronteira com o Haiti um dia antes do assassinato de Moïse.
Segundo a polícia haitiana, os suspeitos são de origem colombiana
AFP via BBC
Produto tipo exportação
Não é a primeira vez que mercenários colombianos chegam ao noticiário mundial após operações militares que cruzam fronteiras.
Nas últimas duas décadas, centenas de ex-militares do país foram contratados por empreiteiros privados de países como os Estados Unidos ou o Reino Unido e forneceram apoio em guerras no Afeganistão, no Iraque e no Iêmen.
Os salários no Exército colombiano são, segundo as declarações de ex-ministros da Defesa, entre 15% e 20% mais baixos do que recebe um soldado reformado em operações privadas no exterior.
Especialistas em segurança explicam que a indústria mercenária passou por uma mudança importante após os ataques às Torres Gêmeas de Nova York em 2001. O início da chamada “guerra ao terror”, inclusive, foi parcialmente financiada por empreiteiros privados.
E esses movimentos já vinham crescendo aos poucos: depois da Guerra Fria, argumentam os pesquisadores, os Estados Unidos estavam interessados ​​em terceirizar intervenções militares em países pequenos, mas com conflitos complexos. O objetivo era reduzir o impacto político do sacrifício de tropas americanas em operações do tipo.
“As guerras no Iraque e no Afeganistão permitiram que a indústria militar privada amadurecesse, com redes mercenárias estabelecidas e o desenvolvimento de um padrão de melhores práticas”, escreve Sean McFate, especialista em segurança americano.
Polícia do Haiti identifica 28 suspeitos estrangeiros por trás do assassinato do presidente
O setor contou com a criação de empresas como a Blackwater, uma companhia militar privada que, segundo relatórios do Departamento de Estado dos Estados Unidos, treinou militares e paramilitares colombianos em 2005.
McFate explica em um de seus ensaios que outros países “imitam o modelo americano, e todos os dias novos grupos militares privados surgem em países como Rússia, Uganda, Iraque, Afeganistão e Colômbia. Os serviços são mais robustos do que os da Blackwater, eles oferecem maior poder de combate e disposição para trabalhar pela oferta mais alta, com pouca consideração pelos direitos humanos. Eles são mercenários em todos os sentidos da palavra”.
A Colômbia, inclusive, entrou na guerra contra o terrorismo com o apoio do presidente Álvaro Uribe, que governou o país entre 2002 e 2010, e já tinha uma experiência consolidada na contratação e na criação de empresas de segurança privada.
O presidente Jovenel Moïse tinha 53 anos
Getty Images via BBC
Nos anos 1990, o país afrouxou as leis para a criação desse tipo de empresa militarizada, com o objetivo de fortalecer os grupos que enfrentavam a guerrilha no campo.
“O dilema do país é optar por ter ou não ter cooperativas de segurança rural”, disse o então ministro da Defesa, Fernando Botero Zea. “A verdadeira escolha é entre permitir cooperativas supervisionadas pelo Estado ou ter o desenvolvimento descontrolado de grupos de autodefesa e paramilitares criados fora da lei”.
O resultado foi, no entanto, uma consolidação dos exércitos paramilitares por lá. Em paralelo, a Colômbia já era a principal aliada dos americanos na luta contra o narcotráfico.
Haiti mergulha em incertezas depois do assassinato brutal do presidente
O famoso Plano Colômbia, um programa multimilionário de combate ao tráfico de drogas, tornou o país o maior destinatário de assistência militar dos Estados Unidos na América Latina. E isso também ajudou a desencadear a criação de empresas de segurança privada no país.
De acordo com um relatório de 2011 do Comitê de Segurança Interna do Senado dos Estados Unidos, entre 2005 e 2009, o governo gastou 3,1 bilhões de dólares (R$ 15,5 bilhões) em contratos privados para políticas contra os narcóticos na América Latina.
Esse valor representa um aumento de 32% nos investimentos na área dentro desses quatro anos. A maioria das empresas contratadas nesse esforço de guerra estava justamente na Colômbia.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Havaí cria loteria para sortear cabras que estão invadindo Parque Nacional


Cerca de 700 serão retiradas do local e distribuídas aos vencedores. Candidatos devem indicar quantas cabras querem e não podem escolher os animais individualmente; cada um irá levar de 20 a 50, mas precisa ter veículo próprio para transporte com segurança. Cerca de 700 cabras invasoras vivem no Parque Histórico Nacional Puuhonua o Honaunau, no Havaí
Divulgação/Hawaii Department of Land and Natural Resources
Para proteger um terreno histórico de cabras invasoras, autoridades do Havaí, nos EUA, vão distribuir os animais ao público através de uma loteria.
O método será usado para retirar ao menos 700 cabras do Parque Histórico Nacional Puuhonua o Honaunau, um importante sítio cultural e histórico no oeste da Grande Ilha, segundo o jornal “Honolulu Star-Advertiser”.
Os interessados devem se inscrever para a loteria, que será sorteada em 28 de julho. O Departamento de Terras e Recursos Naturais irá distribuir de 20 a 50 cabras a cada vencedor.
Os candidatos devem indicar quantas cabras querem e não podem escolher os animais individualmente.
Os vencedores precisam ter um trailer fechado para transporte de animais de cerca de 5 metros ou veículo equivalente para buscar as cabras, para que elas não escapem. O prêmio pode ser retirado se o ganhador não cumprir essa exigência.
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Sobe para 78 número de mortos em desabamento na Flórida


Presidente do Paraguai, acompanhado da primeira-dama, viajou a Miami após a notícia de que a cunhada está entre as vítimas da queda do prédio Champlain Towers South em Surfside. Socorristas caminham diante do entulho do Champlain Towers South, em Surfside, região de Miami (EUA), nesta quinta (8)
Shannon Stapleton/Reuters
Socorristas chegaram ao 16º dia de buscas nos escombros do edifício Champlain Towers South, prédio que caiu em Surfside, na Flórida (Estados Unidos), no fim de junho. Nesta sexta-feira (9), as equipes de resgate encontraram mais 14 corpos. O número de vítimas da tragédia, portanto, subiu para 78. Outras 62 pessoas continuam desaparecidas.
A prefeita do condado de Miami-Dade, Daniella Levine Cara, disse que os trabalhos de resgate estão acelerando com “grande urgência”. O tom, que já foi mais esperançoso para o encontro de sobreviventes, agora é de preocupação.
“Todos os que morreram, esses 78, deixaram para trás pessoas amadas. Deixaram para trás famílias devastadas. A magnitude desta tragédia cresce a cada dia”, lamentou a prefeita.
Na quarta-feira, os trabalhadores do resgate fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do desabamento (veja no vídeo abaixo).
VÍDEO: Equipes de busca fazem 1 min de silêncio pelas vítimas do desabamento em Miami
Presidente do Paraguai vai a Miami
Entre as vítimas, está Sophia López Moreira, cunhada do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez. O chefe de estado paraguaio viajou com a primeira-dama nesta sexta-feira a Miami. Além de Sophia, o marido dela, os três filhos do casal e a babá da criança estavam no prédio que desabou.
Além da família paraguaia, o prédio abrigava dezenas de famílias de diferentes partes da América Latina — muitas vezes como residência temporária, na madrugada. Há, inclusive, brasileiros entre os desaparecidos.
No domingo à noite, as autoridades demoliram a parte que ainda restava do prédio residencial que desabou parcialmente há quase duas semanas, por medo de que a tempestade Elsa derrubasse a estrutura.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Um portal liga um país a outro na Europa (e não é ficção científica)


Duas estruturas de cerca de 11 toneladas transmitem imagens ao vivo entre as cidades de Vilnius, na Lituânia, à cidade de Lublin, na Polônia. Um portal liga um país a outro na Europa (e não é ficção científica)
Reprodução/BBC
Parece algo vindo de um filme de ficção científica, mas é real: um portal conecta a cidade de Vilnius, na Lituânia, à cidade de Lublin, na Polônia.
Funciona assim: duas estruturas de cerca de 11 toneladas transmitem imagens ao vivo de uma cidade para outra.
As pessoas podem ver o que está acontecendo no outro lugar em tempo real e, mais importante, podem se comunicar.
Chamado de PORTAL, o projeto foi financiado pelo governo de Vilnius com o objetivo de promover o turismo.
Neste vídeo, confira uma entrevista com o criador do PORTAL e o relato das pessoas que viveram essa experiência.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Paquistão abre escola pública para pessoas trans


População trans no Paquistão, país com forte influência islâmica, vive estigma, mas há sinais de abertura. Alunas trans participam de aula em escola de Multan, no Paquistão, nesta quinta (8)
Shahid Saeed Mirza/AFP
O Paquistão abriu sua primeira escola com fundos públicos para mulheres transexuais, que muitas vezes são condenadas ao esquecimento em instituições de ensino.
As mulheres trans são consideradas um terceiro gênero no sudeste da Ásia e sua comunidade existe há centenas de anos no Paquistão, onde são conhecidas como “Khawaja Sira”.
Veja no VÍDEO abaixo o especial ‘Mais que uma letra’ sobre as pessoas trans
Mais que uma letra: ‘Empresas não estão preparadas para pessoas trans’, diz produtora
Muitas dessas pessoas são rejeitadas por suas famílias ou pela sociedade e precisam ganhar a vida como dançarinas, morando nas ruas ou como trabalhadoras do sexo.
Murad Raas, ministro da Educação da província de Punjab, onde está localizada a escola, prometeu oferecer “educação para todos” ao anunciar a inauguração da escola nesta semana na cidade de Multán. O centro, cujos professores também serão trans, oferece aulas à tarde e qualificação profissional.
Segundo uma das alunas, uma jovem de 20 anos chamada Baby Doll, a atitude dos professores e funcionários das escolas que frequentou era preocupante.
“Os meninos zombavam de nós e se comportavam mal conosco”, relata.
“Estamos tentando resolver o fracasso escolar entre as pessoas trans”, afirma Hina Chaudhary, funcionária do Ministério da Educação de Punjab, que planeja abrir mais escolas nessa mesma linha.
Estigma e abertura
Jovem estudante trans desce de ônibus antes de ir a escola em Multan, no Paquistão, na quinta (8)
Shahid Saeed Mirza/AFP
A comunidade trans é muito ativa no Paquistão, onde uma escola religiosa islâmica exclusiva para transgêneros foi aberta no início deste ano em Islamabad. No entanto, elas continuam sendo estigmatizadas e atacadas.
Tradicionalmente, as pessoas trans são encarregadas de alguns rituais, como abençoar recém-nascidos ou animar casamentos.
“As pessoas nos veem como uma forma de entretenimento quando saímos. Mas nesta escola, os funcionários são extremamente educados. A diferença entre a vida na escola e a vida fora é que aqui nos sentimos tranquilos”, afirmou Hania Henny, outra estudante.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Hospital na Tailândia vende vacinas contra a Covid-19 pela internet; doses se esgotam em minutos


País asiático controlou bem a pandemia em 2020, mas vacinação lenta em 2021 e afrouxamento nas medidas de enfrentamento ao coronavírus fizeram casos explodirem. Vacina da Moderna
REUTERS/Eduardo Munoz
Um hospital da Tailândia ofereceu doses de vacinas contra o coronavírus por meio de uma plataforma de e-commerce, informou a agência Reuters nesta sexta-feira (9). Quem quisesse se vacinar tinha de desembolsar cerca de R$ 266 — essa venda de imunizantes está dentro das leis tailandesas.
Segundo um representante da empresa Shopee, de comércio digital, as doses oferecidas se esgotaram em minutos. Ao todo, eram 1,8 vagas para se vacinar com o imunizante do laboratório Moderna.
“As doses se esgotaram em uma velocidade recorde, e eu lamento muito por aqueles que perderam”, disse o chefe do hospital, Att Thongtang.
No Brasil, as vacinas contra Covid-19 adquiridas precisam de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e só devem ser destinadas ao Plano Nacional de Imunização. Não podem ser vendidas pelo setor privado, por enquanto.
Covid-19 na Tailândia
A alta procura por vacinas na Tailândia ocorre em um momento difícil da pandemia no país, que conseguiu manter números baixíssimos do coronavírus em 2020 e agora vê recordes de casos sendo batidos diariamente: a média móvel de novos diagnósticos por dia estava em mais de 6 mil.
As mortes por Covid-19 também atingem valores máximos na Tailândia, com 55 novos óbitos sendo registrados todos os dias e o gráfico da média móvel apontando para cima.
A vacinação, por outro lado, segue lenta: só 12,6% da população tailandesa tomou ao menos uma dose das vacinas, enquanto o total de imunizados completamente estava em 4,6%, segundo dados de quinta-feira (8). A Tailândia utiliza imunizantes da AstraZeneca e da Sinovac.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

EUA anunciam sanções a 34 empresas e entidades por laço com China, Rússia e Irã

Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (9) a imposição de sanções a 34 empresas e entidades relacionadas à política da China com a minoria muçulmana uigur e também por facilitarem exportações para a Rússia e o Irã.
O grupo foi incluído na lista “por sua participação, ou risco de participação em atividades contrárias à política externa e aos interesses de segurança nacional dos Estados Unidos”, anunciou o Departamento de Comércio dos EUA em um comunicado.
14 empresas e entidades sancionadas têm sede na China e estão envolvidas na política contra uigures e outras minorias étnicas na região de Xinjiang, no noroeste do país, onde os EUA acusam a China de “continuar a cometer genocídio e crimes contra a humanidade”.
5 por ajudar o Exército chinês a adquirir lasers e outras tecnologias para modernizar suas Forças Armadas.
8 por exportar tecnologia americana para o Irã.
7 por envolvimento com militares russos.
“Continuaremos a usar agressivamente os controles de exportação para responsabilizar governos, empresas e indivíduos que tentam acessar itens de origem americana para atividades subversivas em países como China, Irã e Rússia”, afirmou a secretária de Comércio, Gina Raimondo.

Fonte: G1 Mundo