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Stefan Löfven assume novamente como primeiro-ministro da Suécia


Em reviravolta, premiê é reconduzido ao cargo após perder maioria no Parlamento. Como oposição não conseguiu se organizar para efetivar sua saída, Löfven voltou ao poder. Stefan Löfven, primeiro-ministro da Suécia, em entrevista coletiva nesta quarta (7) após ser reconduzido ao cargo
Christine OLSSON / TT News Agency / AFP
Em uma reviravolta polícia na Suécia, o primeiro-ministro Stefan Löfven — que havia anunciado renúncia — assumiu o cargo nesta quarta-feira (7), encerrando momentaneamente a crise política que abalou o país nas últimas três semanas (leia mais no fim da reportagem).
A candidatura de Löfven foi aprovada porque a oposição não chegou a uma maioria absoluta: 173 deputados de 349 votaram contra, abaixo dos 175 necessários para bloquear sua eleição.
Löfven contou com apenas 116 votos a favor, e 60 abstenções, mas este resultado não o impede de retomar o cargo que teve que abandonar em 21 de junho, após uma moção de censura.
O política, no poder desde 2014, voltou a confirmar seu caráter de sobrevivente na política sueca — o “gato com nove vidas”, como foi apelidado pela imprensa nos últimos dias. Este resultado evita também a convocação de novas eleições.
Entenda a crise política na Suécia
Stefan Löfven, primeiro-ministro da Suécia, dá entrevista coletiva após perder uma moção de desconfiança no Parlamento na segunda-feira (21)
Anders Wiklund / TT via AP
O Parlamento da Suécia aprovou em 21 de junho uma moção de desconfiança contra o primeiro-ministro Stefan Löfven. Com isso, como manda a constituição sueca, o premiê teve uma semana para convocar novas eleições ou para renunciar ao cargo e pedir que a presidência do Congresso forme um novo governo. É a primeira vez que isso acontece na história do país.
Moções de desconfiança, também chamados de votos de censura, são adotados em alguns países parlamentaristas — caso da Suécia — quando a maioria do Parlamento entende que o governo em vigor não tem mais apoio da maioria dos congressistas.
Suécia afasta primeiro-ministro pela 1ª vez na história do país
Löfven sofreu a moção de desconfiança porque perdeu apoio de partidos de esquerda que sustentavam sua coalizão. E o estopim para isso, segundo lideranças partidárias que deixaram a aliança governista, foi a decisão do premiê em suspender o congelamento dos aluguéis em imóveis construídos recentemente. Esse controle nos preços se intensificou durante a pandemia, mas tem poucas relações com a crise do coronavírus no país.
A Suécia tem leis muito rígidas sobre valores de aluguéis para mantê-los dentro de uma margem acessível, sobretudo nos centros das maiores cidades. Do ponto de vista das construtoras e do setor imobiliário, porém, essas normas significavam um entrave para a construção de novos imóveis. Assim, o governo voltou atrás dessas leis de congelamento.
Isso irritou o Partido de Esquerda, uma das siglas que sustentavam a coalizão de Löfven desde 2018. Os esquerdistas temem que a desregulamentação leve a uma rápida alta nos aluguéis e aumente o abismo entre os mais ricos e os mais pobres na Suécia.
Por isso, quando o partido da oposição Democratas da Suécia, da direita nacionalista, pediu uma moção de desconfiança, mesmo partidos à esquerda que integravam a coalizão do governo aceitaram demitir Löfven: foram 181 votos contra o premiê e 109 a favor. 51 parlamentares se abstiveram.

Fonte: G1 Mundo

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Cobra foge de zoo dentro do maior shopping de Louisiana, nos EUA

Cara, uma píton birmanesa de mais de 3,5 metros, escapou de seu recinto na terça, e continuava desaparecida até esta quarta-feira (7). Não venenosa, espécie esmaga lentamente suas presas até a morte antes de engoli-las, mas tratadores dizem que animal fugitivo é ‘muito doce’. VÍDEO: Cobra foge de zoo dentro do maior shopping da Louisiana, nos EUA
Autoridades estão procurando uma cobra de mais de 3,5 metros que escapou de seu cercado dentro do maior shopping center de Louisiana, nos Estados Unidos.
Cara, uma píton birmanesa amarela e branca, deslizou para fora de seu recinto no Blue Zoo no Mall of Louisiana, em Baton Rouge, na terça-feira (6). Ela ainda continuava solta na manhã desta quarta, relatou a emissora WBRZ-TV, apesar de uma busca que durou toda a noite, período em que essas cobras estão mais ativas.
“Embora tenhamos criado um lar muito seguro para Cara, nossa píton birmanesa, ela fugiu de seu recinto de exposição”, disse o Blue Zoo em um comunicado. “Cara é uma cobra não venenosa e amigável que gosta de interagir com os convidados durante nossos programas de educação sobre cobras.”
Pítons esmagam lentamente suas presas até a morte antes de engoli-las. Mas Cara foi descrita como “muito doce” por seus tratadores, que divulgaram imagens do animal (veja vídeo acima).
O Blue Zoo – que se autodenomina “mais do que um aquário, mais do que um zoológico” – foi fechado na terça-feira enquanto os esforços de busca continuaram, mas o Mall of Louisiana permaneceu aberto.

Fonte: G1 Mundo

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A polêmica em torno da derrubada de estátuas de Cristóvão Colombo, generais e traficantes de escravos na América Latina


Nos últimos anos, diversas homenagens a figuras do passado se tornaram alvos de manifestantes. Na semana passada, colombianos usaram cordas para remover estátua de Cristóvão Colombo. Manifestantes usaram cordas para amarrar e derrubar estátua de Cristovão Colombo em Barranquilla, na Colômbia
Mery Granados/Reuters/BBC
Na semana passada, manifestantes colombianos usaram cordas para amarrar e derrubar a estátua de Cristovão Colombo em Barranquilla, na Colômbia. No ato, eles gritaram “Colombo, assassino” e ergueram a Wiphala, a bandeira dos povos indígenas que cada vez ganha mais espaço nas manifestações dos países da América Latina.
Em muitos lugares, a estátua do navegador e explorador genovês que liderou a expedição espanhola ao chamado Novo Mundo, em 1492, e de “outros” colonizadores, além de militares perderam o encanto do passado e agora são alvos de indignação na região.
Em 2019, nas manifestações no Chile, a Wiphala e a bandeira Mapuche foram símbolos dos protestos que levaram à instauração da convenção constituinte que redigirá a primeira Carta Magna da democracia no país. Nas manifestações, estátua do general do Exército Manuel Baquedano (1823-1897) foi o ponto de concentração da insatisfação popular.
O monumento do militar e político chileno que participou das guerras do país, no século 19, foi retirado da praça, em março deste ano, para ser restaurado. A expectativa é que dificilmente será recolocado no local onde estava e que também levava seu nome. A praça passou a ser identificada como ‘Plaza Dignidad’ (Praça Dignidade).
Hoje, vários países da região contam com iniciativas para retirar as figuras do período colonial e militar de seus pedestais públicos. O boliviano Sacha Llorenti, secretário-executivo da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América-Tratado de Comércio dos Povos (Alba-TCP), propôs, na semana passada, que as estátuas de Colombo e do também colonizador espanhol Alonso de Mendoza sejam retiradas de La Paz. A imagem de Alonso, como observou Llorenti, mostra o colonizador com espada e os indígenas em posição inferior.
O monumento de Colombo já tinha sido removido na Argentina. Quando era presidente, a atual vice-presidente Cristina Kirchner determinou, em 2013, que uma grua retirasse a estátua do pátio da Casa Rosada.
A imagem, que tinha sido presente da comunidade italiana em 1921 e que pesa mais de 600 quilos, agora está em uma pracinha de frente para o rio da Prata e de costas para a cidade de Buenos Aires. Muito menos visível do que nos jardins da Casa Rosada. Em seu lugar, foi erguida a estátua da militar de origem indígena e boliviana Juana Azurday (1780-1862).
O ato de Kirchner gerou forte polêmica no país na ocasião. Os que se opuseram à iniciativa acusaram a então presidente de tentar apagar a história. Já os favoráveis à retirada do monumento argumentaram se tratar de resgate da identidade.
Mas por que será que as estátuas de Colombo, de generais e colonizadores estão sendo derrubadas na América Latina?
A BBC News Brasil entrevistou historiadores, professores, analistas, ativistas deste movimento de varredura das estátuas e os argumentos foram díspares.
Falando de Caracas, na Venezuela, Sacha Llorenti, disse que as estátuas deveriam estar nos museus e não nas praças públicas. Segundo ele, nos museus, deveriam ser explicadas as consequências do colonialismo.
“Não defendo a retirada apenas de Colombo, mas dos conquistadores espanhóis. Devemos lembrar as consequências do colonialismo. Não é apagar a história, mas estas figuras não representam os valores das sociedades modernas. São sinônimos de exclusão, racismo e extermínio dos povos originários”, diz Llorenti.
Ele defende a ideia de que, em um país como a Bolívia, com maioria indígena, elas deveriam ser substituídas pelos que realmente simbolizam as raízes, lutas e trajetória bolivianas.
Fotografia de manifestantes em monumento no Chile se tornou símbolo de protestos no país
Susana Hidalgo/BBC
“Retirar as estátuas não resolverá os problemas, mas trata-se de um processo em que devemos insistir e o qual devemos defender para que exista uma democracia autêntica”, diz. Segundo ele, a Bolívia já iniciou este processo ao rever a história dos livros nas escolas.
Para Llorenti, que foi embaixador do país nas Nações Unidas e é próximo do ex-presidente Evo Morales, um dos erros é atribuir a Colombo a “descoberta da América”. “Ele não descobriu nada. Nossa região já existia”.
Constituinte chilena
Na opinião da atriz e fotógrafa chilena Susana Hidalgo, que tirou uma das fotos símbolos das manifestações no Chile, com a bandeira Mapuche em destaque, no caso do general Baquedano, o que houve foi mais do que a rejeição a uma estátua.
“Acho que surge uma reflexão nacional em torno de quem são os símbolos que, como monumentos, estão nos representando. O que está claro é que existe uma rejeição à toda representação militar e conquistadora. Hoje queremos imagens que nos representam, que nos incluam, que falem sobre a diversidade de um país”, diz Hidalgo.
Para ela, com o processo constitucional iniciado no país seria o momento de também se “debater os símbolos” que os representam.
Na sua visão, tanto o monumento a Baquedano como a constituição de 1980, da era do ditador Augusto Pinochet, “não representam” o Chile.
Com estes movimentos, a história, seus efeitos e simbolismos são motivos de debates na América Latina. O professor de Ciências Políticas da Universidade do Chile, Robert Funk, argumenta que existem ações de derrubada de estátuas que poderiam ser consideradas justas e injustas.
“Uma coisa é tirar estátuas de colonizadores que mataram indígenas. Mas existem outras que respondem ao lugar onde estão. No caso do general Baquedano, sua figura estava num lugar onde os manifestantes queriam marcar seu lugar geograficamente”, diz Funk.
Ele acha difícil que a estátua seja recolocada onde estava desde os anos 1920. Na sua opinião, as ideias e as morais mudam ao longo da história e a pergunta que deve ser feita, em sua visão, é como se constrói uma democracia “com regras que mudam”.
Para Funk, existem manifestantes que protestaram contra Baquedano, mas nem sequer conhecem a história do herói de guerra.
“Fúria iconoclasta”
Monumento ao colonizador espanhol Alonso de Mendoza (com espada entre os indígenas ajoelhados) em La Paz, na Bolívia
Sacha Llorenti/BBC
O historiador argentino Hernán Confino lembra que a “fúria iconoclasta” não é novidade.
Ele recorda o Movimento Iconoclasta dos séculos 8 e 9 que pregava contra a adoração de ícones religiosos.
Confino argumenta que as estátuas e as datas históricas são como “vestígios do passado no presente”, uma das formas de construir a memória.
Mas como o presente muda as perguntas sobre o passado, o historiador propõe que as estátuas permaneçam onde estão, mas com explicações sobre o que e quem elas representam e com intervenções artísticas atuais.
“Não é suficiente tirar as estátuas que simbolizam opressão. Tirá-las não resolverá o racismo. Isso não é suficiente (para resolver os problemas da América Latina). Mas podemos intervir sobre nosso presente para que seja plural e que seja informado, explicando o que aconteceu”, defende.
Racismo e desigualdade
O professor Andrés Kozel, da Universidade Nacional San Martín (UNSAM), de Buenos Aires, observa que o movimento contrário aos símbolos do colonialismo começou no ‘quinto centenário’ da chegada de Colombo, no início dos anos 90. Desde então, tem crescido. Kozel diz que as reivindicações pelo reconhecimento da identidade dos indígenas e africanos são “justas”, e a derrubada de estátuas “compreensível”.
Mas ele ressalva: “Apesar de toda essa efervescência, a América Latina não está diminuindo sua desigualdade, seus níveis de violência e de discriminação, nem sua inserção subordinada na globalização. E isso levanta questões sobre os paradoxos desse processo”. O acadêmico questiona que novas formas políticas poderiam surgir.
“Algo mudou no Quinto Centenário com, por exemplo, a chegada de Evo à Presidência da Bolívia. E também a visibilidade dos mapuches. Mas a realidade de desigualdade latino-americana e tudo o que ela implica persistem”, assinala.
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Fonte: G1 Mundo

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Por que governador de Nova York declarou emergência de saúde por violência armada


Segundo FBI, EUA atingiram patamar de 6,22 homicídios por 100 mil habitantes, o maior desde 1998 (6,28). É a primeira vez que país ultrapassa marca de 20 mil assassinatos desde 1995. Dados preliminares do FBI apontam que os EUA atingiram o maior patamar de violência desde os anos 1990
Getty Images/BBC
Nova York se tornou o primeiro Estado dos Estados Unidos a declarar uma ordem de emergência para desastres com o objetivo de lidar com o aumento da violência armada.
No feriado de 4 de julho, o Estado registrou 51 tiroteios, informou o governador Andrew Cuomo ao assinar a ordem executiva que lhe dará mais flexibilidade administrativa para combater o problema.
A norma permite canalizar US$ 138,7 milhões (cerca de R$ 720 milhões) para programas de prevenção e intervenção contra a violência armada.
A medida de Cuomo surge em meio ao aumento do número de mortes por arma de fogo em todo país. Quase 200 assassinatos ocorreram no último fim de semana.
Em março, o FBI (a polícia federal americana) divulgou dados preliminares do ano de 2020 mostrando um aumento de 25% nos assassinatos em relação ao ano anterior. Não há informações detalhadas sobre Nova York, mas, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o Estado tinha a segunda menor taxa do país (o líder Alaska tem uma taxa seis vezes maior).
Os EUA atingiram o patamar de 6,22 homicídios por 100 mil habitantes, o maior desde 1998 (6,28). É a primeira vez que o país ultrapassa a marca de 20 mil assassinatos desde 1995. Mas os dados consolidados só devem ser divulgados pelo FBI em setembro deste ano.
A título de comparação, o Brasil registrou quase 44 mil assassinatos em 2020 (a primeira alta desde 2017) e uma taxa em torno de 20 mortes violentas a cada 100 mil habitantes (o triplo dos EUA).
A tendência de alta na violência nos EUA continua em 2021, e, como no Brasil, a maioria dos homicídios nos EUA está relacionada a armas de fogo.
Ainda não estão claras as razões para o avanço da violência em território americano, mas especialistas apontam hipóteses não excludentes entre si, como o aumento do desemprego, a suspensão durante a pandemia de atividades cotidianas que afastam pessoas da violência (como fechamento de escolas e opções de lazer) e a contestação à legitimidade e à autoridade das forças policiais (na esteira do assassinato de George Floyd, um homem negro, por um policial branco).
Diante disso, o presidente americano, Joe Biden, divulgou no final de junho a nova estratégia da Casa Branca para combater o aumento dos homicídios com foco na ampliação do combate ao tráfico de armas de fogo e dos gastos com policiamento.
O governador democrata Andrew Cuomo é acusado de assédio sexual e de encobrimento de dados sobre a pandemia
Reuters/BBC
No caso de Nova York, o plano estadual prevê a criação de um escritório de prevenção de violência armada, a ser supervisionado pelo departamento de saúde, a exigência que os departamentos de polícia forneçam dados do nível de incidência dos tiroteios, o combate à entrada de armas de fogo oriundas de outros Estados e o investimento de US$ 57 milhões em programas de empregos temporários para jovens em situação de vulnerabilidade.
A ordem executiva de declaração de desastre, assinada pelo governador Cuomo, descreve a violência armada como uma crise de saúde pública, o que o levou a fazer várias comparações com a pandemia de Covid-19 e a resposta de saúde pública adotada.
“Se você olhar os números recentes, verá que mais pessoas estão morrendo por causa da violência armada e do crime do que por Covid”, disse o governador do Partido Democrata (o mesmo de Biden).
“Assim como no caso da Covid, Nova York vai liderar o país mais uma vez com uma abordagem abrangente para combater e prevenir a violência armada.”
Enquanto Nova York emergia como o epicentro do surto de coronavírus em 2020, Cuomo foi amplamente elogiado pela imprensa americana pela forma com que lidou com a pandemia.
Mas atualmente ele tem enfrentado acusações de acobertamento da gravidade da crise desde que seu gabinete subestimou milhares de mortes por Covid-19 entre os residentes de asilos de idosos, ao permitir que essas instalações recebessem pacientes com coronavírus.
O escrutínio de que Cuomo é alvo se agravou após o surgimento de diversas acusações de má conduta sexual, incluindo as de atuais e ex-funcionários do Estado. O governador nega ter cometido crimes.
Esse contexto tem levado a danos eleitorais para Cuomo. Uma pesquisa recente do Siena College apontou que apenas um terço dos eleitores no Estado de maioria democrata gostariam que Cuomo concorresse à reeleição. Além disso, quase um quarto dos entrevistados disse que o governador deveria renunciar ao cargo imediatamente.
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Fonte: G1 Mundo

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Covid-19: Médicos indianos fazem apelo por proteção após ataques de familiares de doentes


Desde início da pandemia na Índia, no ano passado, vários médicos foram atacados por familiares de pacientes com Covid. Senapati foi brutalmente espancado após um paciente morrer no hospital onde ele trabalhava
BBC
O médico indiano Seuj Kumar Senapati lembra-se com detalhes da tarde do início de junho em que achou que fosse morrer.
Ele estava no segundo dia de trabalho de seu primeiro emprego, em um centro de atendimento a pessoas com Covid-19 no distrito de Hojai, no Estado de Assam, no nordeste da Índia.
Senapati foi verificar um paciente que havia sido internado naquela manhã. Quando o fez, descobriu que ele não mais reagia.
A família do paciente ficou furiosa quando o médico disse que o homem havia morrido. Senapati diz que eles começaram a atirar cadeiras pela sala, quebrando janelas e agredindo funcionários.
Senapati tentou se proteger, mas outras pessoas se juntaram à família e começaram a espancá-lo.
Médicos têm protestado e pedido mais proteção
Getty Images/BBC
Um vídeo do ataque mostra um grupo formado principalmente por homens chutando Senapati e batendo-lhe na cabeça com uma comadre (um penico usado no hospital). Eles então o arrastam para fora e continuam a espancá-lo. O médico, ensanguentado e sem camisa, pode ser ouvido uivando de dor.
“Achei que não sobreviveria”, diz ele à BBC News.
Desde o início da pandemia na Índia, no ano passado, vários médicos foram atacados por familiares de pacientes com Covid. A queixa é recorrente: seus entes queridos não foram tratados adequadamente ou não receberam um leito a tempo.
Os médicos fizeram protestos e entraram em greve exigindo leis mais rígidas, bem como mais pessoal e melhor infraestrutura para aliviar a pressão sobre eles.
Os hospitais também estão mal preparados. Quando Senapati estava sendo atacado, ninguém o socorreu porque o restante da equipe também estava sendo espancado ou se escondendo. Um único guarda ficou indefeso contra a multidão.
“Minhas roupas foram rasgadas, minha corrente de ouro foi arrancada e meu celular e óculos foram quebrados. Mas depois de cerca de 20 minutos, consegui escapar”, conta Senapati.
Ele foi direto para a delegacia de polícia local. O vídeo do ataque, que já foi compartilhado nas redes sociais, causou furor. O governo estadual prometeu uma ação rápida e 36 pessoas, incluindo três menores, foram indiciadas pela agressão.
Hospitais não se responsabilizam
Embora os ataques a profissionais de saúde tenham chamado atenção durante a pandemia, eles já aconteciam com uma regularidade alarmante antes da Covid-19.
No entanto, a maioria dos incidentes não leva a registros de ocorrência ou investigações policiais. Quando há investigação, os acusados ​​são frequentemente libertados sob fiança e o caso é resolvido fora do tribunal.
Médico Vikas Reddy participou de protestos após ter sido atacado
BBC
No início deste ano, a família de um paciente com Covid que morreu na segunda onda da Índia danificou propriedades e agrediu a equipe do Hospital Apollo na capital indiana, Déli.
Apesar de ser um importante hospital privado, o Apollo não apresentou queixa. As administrações hospitalares raramente se envolvem nos casos, deixando os funcionários vulneráveis.
Médicos querem mudança na legislação
Os médicos dizem que um dos problemas é que não existe uma lei específica que os proteja.
“As leis existentes não são eficazes. Uma lei mais rígida é urgentemente necessária para que as pessoas entendam que haverá consequências caso espanquem os médicos”, diz Jayesh Lele, secretário-geral da IMA (Associação Médica Indiana, na sigla em inglês).
Com mais de 330 mil médicos como membros, a IMA tem lutado por uma legislação rigorosa contra ataques a profissionais de saúde.
Mas o problema pode ser resolvido por legislação?
“Essa violência não é premeditada, é o resultado de um gatilho emocional causado pela morte. Portanto, as leis não impedem esse tipo de crime”, afirma a pesquisadora Shreya Shrivastava, que acompanha a violência contra médicos.
Shrivastava faz parte de uma equipe do centro de pesquisa Vidhi Center for Legal Policy que estudou 56 ataques entre janeiro de 2018 e setembro de 2019 para entender o que os causou e como eles podem ser contidos.
Ela diz que o governo introduziu uma pena de prisão de até sete anos como punição por ataques a profissionais de saúde que tratam de pacientes com Covid, mas isso não ajudou.
O médico Vikas Reddy, do Hospital Gandhi, na cidade de Hyderabad, foi atacado com cadeiras de ferro e plástico em junho do ano passado por parentes de um homem que morreu por Covid. Ele procurou a polícia, mas ninguém foi preso ainda.
“Foi difícil voltar ao trabalho”, diz Reddy. “Estava na mesma enfermaria, atendendo pacientes críticos. De repente, revivia cenas do ataque na minha mente.”
Ele disse que passou muito tempo pensando no que aconteceu, tentando entender como explicar melhor o diagnóstico ou como dar uma notícia trágica de uma maneira que evitasse outro ataque.
“Percebi que temos que passar um tempo com os pacientes e suas famílias para explicar as coisas que somos capazes de fazer e as que não somos. E se eles discordarem, precisam levar o paciente para outro hospital. Mas não temos esse tipo de tempo. Atendo de 20 a 30 pacientes por dia”, afirma.
Poucos médicos, muitos pacientes
A Índia tem uma das piores proporções médico-paciente do mundo. Em 2018, havia 90 médicos para cada 100 mil pessoas, de acordo com estimativas do Banco Mundial.
Isso é muito inferior ao índice da China (200 para cada 100 mil), dos EUA (260 para cada 100 mil) ou da Rússia (400 para cada 100 mil).
No Brasil, há 240 médicos para cada 100 mil pessoas, mas o desafio é a concentração dos profissionais nas regiões sul e sudeste.
A pesquisa de Shrivastava revelou que os ataques aos profissionais de saúde na Índia geralmente acontecem quando os pacientes estão em pronto-socorros ou UTIs (unidades de terapia intensiva); quando estão mudando de um hospital para outro ou quando morrem. E tudo isso se tornou mais frequente durante a pandemia.
“Estar dentro de uma ala de Covid é como estar em uma guerra”, diz o médico Jayesh Lele, da IMA.
Além disso, existe a questão da confiança.
Um setor privado pouco regulamentado e caro fornece dois terços de todos os serviços de saúde na Índia.
Shrivastava disse que pessoas estão morrendo de Covid apesar de gastar muito com o tratamento, enfraquecendo a confiança no sistema.
E reportagens sobre negligência médica, que tendem a superar em número as histórias dos médicos sendo linchados, deixam as pessoas mais desconfiadas.
“O que podemos fazer é dar o nosso melhor ao paciente”, diz Reddy. “Não podemos esperar que todo paciente [ou família] seja bom [para nós], apenas que nos respeitem como profissionais e entendam que escolhemos esta profissão para salvar vidas.”
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Fonte: G1 Mundo

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Ex-policial vence primárias democratas para prefeito de Nova York


Suas principais concorrentes na corrida pela candidatura do Partido Democrata afirmaram que Eric Adams é o vencedor. Eric Adams no dia 7 de julho de 2021
Brendan McDermid/Reuters
O ex-policial Eric Adams, de 60 anos, será o candidato do Partido Democrata à prefeitura da cidade de Nova York, nos Estados Unidos, nas eleições em novembro deste ano —nesta quarta-feira (7), duas pré-candidatas, Kathryn Garcia e Maya Wiley, desistiram de suas campanhas.
Nova York vai às urnas para as eleições primárias
Adams assumiu a liderança das primárias democratas depois da contagem de 118 mil votos por correspondência. Depois da última contagem, ele teve 50,5% dos votos, contra 49.5% de Kathryn Garcia.
Na cidade de Nova York, o candidato do Partido Democrata é o favorito. Adams enfrentará o candidato republicano, Curtis Sliwa. O próximo prefeito sucederá Bill de Blasio, no cargo desde 2014.
Eric Adams é o presidente do distrito do Brooklyn. Em um comunicado, ele afirmou que apesar de faltar ser apurada uma quantidade muito pequena de votos, os resultados são claros. “Uma coalizão histórica e diversa de cinco condados liderada por nova-iorquinos da classe trabalhadora nos levou à vitória nas primárias para a prefeitura”, disse ele.
Segurança pública
Após o aumento da criminalidade em Nova York e na maioria das principais cidades americanas desde o último verão, a questão da segurança pública passou a dominar a campanha pelas primárias democratas local. O debate beneficiou o ex-policial, que tem uma plataforma com ênfase na luta contra a criminalidade.
O vencedor das eleições municipais deverá administrar a capital econômica dos Estados Unidos em um período delicado do pós-pandemia. “Agora, temos que nos concentrar na vitória em novembro para que essa cidade formidável cumpra sua promessa com os que sofrem e querem um futuro melhor, equitável e abordável para todos os nova-iorquinos”, declarou Adams no comunicado.
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Fonte: G1 Mundo

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Job Maseko: o herói da 2ª Guerra Mundial que ficou sem condecoração por ser negro


Sul-africano explodiu um navio alemão, mas seus atos de bravura não foram devidamente reconhecidos porque ele era negro, dizem os ativistas. Job Maseko explodiu navio alemão durante 2ª Guerra Mundial
BBC
Por que Job Maseko, herói sul-africano da 2ª Guerra Mundial, nunca recebeu a maior condecoração militar do país, apesar de seus feitos, como a explosão de um navio alemão, durante o conflito?
Segundo ativistas, a resposta é: racismo.
Job Maseko morreu pobre em 1952. Atingido por um trem em um trágico acidente aos 36 anos, seus feitos corriam o risco de ser esquecidos.
Uma década antes, enquanto era prisioneiro de guerra, Maseko usou um explosivo improvisado para explodir um cargueiro alemão ancorado em Tobruk, na Líbia.
Quando voltou à África do Sul, o tratamento que recebeu, comparado aos veteranos brancos, refletiu as políticas racistas da época – e há alguns que acreditam que isso se estendeu à forma como ele foi homenageado por seu ato de bravura.
Maseko foi condecorado com a Medalha Militar “por ação meritória e corajosa”, mas, para o ativista Bill Gillespie, ele foi impedido de receber a Victoria Cross, a mais alta condecoração do país.
Agora, Gillespie está fazendo campanha para que Maseko receba a mais alta láurea militar postumamente.
‘Tristeza e orgulho’
A família de Maseko apoia o pleito.
“Estou muito orgulhosa do que ele fez, mas, ao mesmo tempo, triste. Se ele fosse um soldado branco, acreditamos que ele teria recebido a condecoração (mais alta)”, disse sua sobrinha Jennifer Nkosi Maaba à BBC enquanto colocava flores em seu túmulo.
Cerca de 80 mil sul-africanos negros serviram no Corpo Militar Nativo (NMC, na sigla em inglês). Depois da guerra, eles recebiam bicicletas e botas e, às vezes, um terno, como recompensa. Ao mesmo tempo, soldados brancos receberam moradia e terras.
As autoridades sul-africanas também se mostraram relutantes em comemorar e destacar a ação de Maseko, pois “representava as possibilidades de empoderamento oferecidas pelo serviço militar que o Estado queria reduzir”, segundo a historiadora Suryakanthie Chetty.
Os membros do NMC não recebiam armas de fogo, mas podiam portar armas tradicionais e serviam como não combatentes, trabalhando como operários, guardas ou em funções médicas.
O próprio Maseko carregava maca das forças aliadas no Norte da África, onde resgatava homens feridos frequentemente sob fogo pesado.
Explodindo um navio
Job Maseko foi lembrado em uma homenagem alguns meses após sua morte
BBC
Mas ele se tornou um prisioneiro de guerra em junho de 1942, quando seu comandante se rendeu aos alemães em Tobruk. Lá ele foi colocado para trabalhar nas docas, descarregando suprimentos.
Com conhecimento que adquiriu trabalhando em minas de ouro na África do Sul, em 21 de julho Maseko encheu uma pequena lata de pólvora e colocou-a perto de alguns barris de petróleo no porão de um navio que naufragou após a explosão, segundo a citação oficial relativa a sua medalha militar.
O texto diz que ele “exibiu engenhosidade, determinação e desconsiderou a própria segurança pessoal em relação a punições do inimigo ou à explosão subsequente que incendiou a embarcação”.
“Ele merece mais do que um par de botas e uma bicicleta por sua bravura… Ele merece a Victoria Cross porque sua coragem colocou os feitos militares da África do Sul no mapa”, disse Nkosi Maaba, refletindo sobre as ações de seu tio há quase 80 anos.
Gillespie, que está por trás dos esforços para que Maseko obtenha a Victoria Cross postumamente, acredita que a cor da pele do veterano teve forte influência na decisão de não condecorá-lo com a láurea.
“Estou absolutamente certo disso… a Medalha Militar foi apenas um prêmio de consolação”, diz o ativista, cujo pai também lutou pela África do Sul na 2ª Guerra Mundial.
Neville Lewis, o artista de guerra oficial da África do Sul durante o conflito, disse que Maseko foi “recomendado para uma Victoria Cross, mas sendo ‘apenas um africano’, recebeu a Medalha Militar em vez disso”, de acordo com o historiador Jacob Saul Mohlamme, em artigo no Jornal de História Militar da África do Sul.
O curador do Museu Nacional de História Militar, que exibe com destaque o retrato de Maseko, concorda que ele deveria ter recebido um prêmio maior.
“A triste realidade é que os sul-africanos negros que se voluntariaram para fazer parte do Exército, assim como seus colegas brancos, foram tratados injustamente. Na minha opinião, acho que Maseko deveria ter recebido a Victoria Cross”, disse Alan Sinclair à BBC.
Mas, de acordo com o chefe do Victoria Cross Trust, que trabalha para preservar a memória daqueles que receberam a medalha, pode ter havido outros motivos para ele não receber a maior homenagem.
“Não há dúvida de que o que Maseko fez em termos de sabotagem do navio foi excepcionalmente perigoso e provavelmente o teria levado à morte se ele tivesse sido pego”, diz Keith Lumley.
“No entanto, um dos pré-requisitos para a obtenção da Victoria Cross é que o feito tenha sido testemunhado. E não foi. Embora não haja dúvida de que ele fez o que fez… Mas ninguém realmente o viu fazer isso. Entendi pelo que li que sua medalha militar foi um reflexo de suas ações.”
Quanto ao Ministério da Defesa do Reino Unido, parece improvável que, no momento, Maseko receba alguma honraria.
Embora tenha reconhecido a bravura de todos os homens e mulheres militares africanos na 2ª Guerra Mundial, um porta-voz disse à BBC por e-mail que “não podemos considerar prêmios retrospectivos porque não podemos confirmar as circunstâncias ou comparar os méritos entre casos que ocorreram tantos anos atrás”.
‘Estátua para Job’
Sobrinha de Maseko, Jennifer Nkosi Maaba, acredita que racismo influenciou o fato de seu tio não receber a Victoria Cross
BBC
Os esforços de Gillespie para fazer com que o ministério mudasse de ideia sofreram um revés quando uma petição para tentar levantar a questão no Parlamento do Reino Unido foi rejeitada por uma questão técnica – a recusa se deu porque esse tipo de petição não pode pleitear que alguém receba um prêmio.
No entanto, ele acredita que mais deva ser feito para comemorar a bravura de Maseko.
“Estamos ocupados discutindo sobre a remoção de estátuas, mas que tal colocarmos uma para Maseko… assim ele sempre será lembrado.”
E Lumley oferece alguma esperança.
Ele ressalta que Teddy Sheean, da Marinha australiana, foi premiado com uma Victoria Cross em novembro do ano passado, após 50 anos de trabalho de convencimento de sua família por um ato ocorrido em 1942.
“Portanto, no caso de Maseko, não estou dizendo que ele não recebeu a Victoria Cross, mas é preciso trabalhar mais para encontrar os detalhes adicionais que fariam com que esta condecoração fosse apropriada.”
Mas em sua cidade natal, Springs, o legado de Maseko continua vivo. Uma avenida principal e uma escola primária foram batizadas em sua homenagem e um grande mural com seu retrato também foi pintado.
Ao lado do túmulo, sua sobrinha está obviamente satisfeita com a nova atenção que sua história está recebendo.
Voltando-se para a lápide, Nkosi Maaba diz, com orgulho: “Sua memória está viva, tio, continue descansando em paz.”
*Nomsa Maseko é uma parente distante de Job, mas não participou da campanha apoiada por sua família próxima.

Fonte: G1 Mundo

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Carlos Reutemann, político e ex-piloto de F1 da Argentina, morre aos 79

Reutemann foi governador da província de Santa Fé duas vezes e estava em seu quarto mandato como senador. O senador Carlos Reutemann, da Argentina, que também foi piloto de Fórmula 1, morreu nesta quarta-feira (7) aos 79 anos em Santa Fé.
Reutemann morreu por complicações ligadas a um câncer no fígado. Ele estava internado desde maio.
Reutmann foi governador da província de Santa Fé duas vezes, antes de ser senador (estava em seu quarto mandato).
Ele também era um dos grandes ídolos do automobilismo da Argentina.
A morte foi anunciada por uma de suas filhas em uma rede social.
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Ele entrou na política em 1991 e foi vencedor já em sua primeira eleição. Ele seria eleito uma segunda vez para o cargo de governador de Santa Fé em 1999. No fim desse segundo mandato, enfrentou uma enchente na província que deixou mais de 20 mortos.
Ainda assim, conseguiu ser eleito senador naquele ano.
Piloto de automobilismo
Em 1981, ele foi o vice-campeão do circuito de Fórmula 1 —perdeu por um ponto.
Além de Reutmann, a Argentina tem um dos maiores pilotos de todos os tempos, Juan Manuel Fangio, que foi campeão cinco vezes na década de 1950.
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

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Imigração: a triste história do menino de 2 anos encontrado sozinho no México


Autoridades acharam Wilder abandonado em uma rodovia no sudeste do país, após escapar de uma viagem infernal em um caminhão em que um jovem morreu. Wilder saiu de Honduras com o pai no fim de junho
Reuters via BBC
O menino Wilder, de 2 anos, foi encontrado sozinho e sem camisa, ao lado do corpo sem vida de um migrante, em uma estrada no sudeste do México.
Ele havia partido no final de junho com o pai de uma pequena cidade do município de Santa Rita, no oeste de Honduras, com destino aos Estados Unidos.
No entanto, em um ponto ao longo do caminho, eles se separaram, e Wilder ficou na companhia de um grupo de imigrantes desconhecidos.
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Autoridades mexicanas da Guarda Nacional e do Instituto Nacional de Imigração (INI) o encontraram no dia 28 de junho, em uma rodovia perto de Las Choapas, em Veracruz, que imigrantes usam para chegar aos Estados Unidos.
Ele viajava junto a uma centena de pessoas “em condição de superlotação” na traseira de um caminhão de mercadorias sem ventilação.
Os imigrantes “apresentavam sintomas de desidratação e sufocamento” devido ao calor excessivo do veículo, informou o INI em nota. “Infelizmente, o corpo de um jovem sem vida, com cerca de 25 anos, foi encontrado lá.”
De Honduras, a mãe de Wilder lamenta o destino de seu marido e seu filho.
O Instituto Nacional de Imigração acolheu o menino
Reuters via BBC
Embora esteja aliviada pela segurança de ambos, ela clama por ajuda para que ambos cheguem aos Estados Unidos, já que retornar a Santa Rita significaria continuar condenados à pobreza que os obrigou a se dirigir ao norte.
“Que me ajudem a levar meu filho com meu marido para lá, juntos. Mas não só meu filho. Se não for possível, que me devolvam meu filho”, disse ela, aos prantos.
Partida de casa
O pai partiu com Wilder no dia 25 de junho porque tinham escutado rumores de que, apesar do risco, estar acompanhado por um menor poderia dar mais oportunidades de administrar sua passagem pela fronteira para os Estados Unidos.
“Vimos que muitas pessoas estão passando com crianças”, diz a mãe.
MAPA
BBC
Saíram do pequeno município de Santa Rita, região historicamente atingida pela pobreza e pela recente destruição deixada pelos furacões Eta e Iota em 2020.
“Aqui não dá para se sustentar. Quando há trabalho, meu marido ganha cerca de 100 pesos (R$ 21). Ele não trabalhava todos os dias, só quando tinha trabalho”, diz a mãe de Wilder.
No dia 27, eles cruzaram a fronteira da Guatemala com o México. “Desde aquele dia, não tive mais contato com ele, até que fui avisada pelo cônsul (de Honduras no México) de que a criança havia sido encontrada sozinha”, diz García.
Embora ela tenha tido a oportunidade de falar ao telefone com o marido, ainda não está claro por que ele se separou de Wilder em solo mexicano.
Inferno no caminhão
O que as autoridades mexicanas puderam constatar é que a viagem de mais de cem imigrantes no caminhão se transformou em um pesadelo devido às péssimas condições em que viajavam.
“[Os imigrantes] relataram que, horas antes, vários de seus companheiros e companheiras de viagem começaram a desmaiar por falta de ar e calor”, diz o INI.
Um imigrante foi encontrado morto no local onde estava Wilder
REUTERS via BBC
“Outros exigiram, gritando e batendo nas paredes do veículo, que o motorista parasse. Depois de um tempo, o transporte parou e um dos ‘coiotes’ ou supostos ‘guias’ abriu uma das portas, pela qual homens e mulheres começaram a pular e correr até o matagal”.
Oito pessoas ainda estavam no local quando foram as autoridades chegaram. Alguns foram achados “sufocados” dentro do caminhão e outros “deitados” do lado de fora, onde o pequeno Wilder estava parado ao lado de um jovem que havia morrido.
“Com as costas nuas, ele foi abandonado na beira da estrada, entre a barreira de metal, ao lado de roupas no chão, mochilas e embalagens de comida. Nenhum dos adultos afirmou ser parente da criança”, diz o INI.
García soube por uma ligação do Consulado de Honduras que seu filho havia sido encontrado. Mas foi só quando viu no noticiário que percebeu a condição em que se encontrava. “Foi muito difícil para mim”, diz.
Separados
A mãe de Wilder diz que está preocupada com o marido e o filho. “Eles me disseram que Wilder está bem, mas, como ele estava passando por isso, eles tiveram que levá-lo para ver um terapeuta”, explica.
“Meu marido me disse que estava em Tuxtla Gutiérrez (cidade mexicana). Como quase não o deixavam fazer ligações, não pudemos mais conversar. Mas ele estava bem”, acrescenta.
“A assistente que está com Wilder me escreveu. Mandei mensagens, mas quase não me respondem.”
Wilder com uma assistente
REUTERS via BBC
O INI tem a obrigação de repatriar os imigrantes para os seus países, com o apoio das autoridades nacionais de origem.
Mesmo assim, ela insiste que eles precisam de ajuda para levar seu marido aos Estados Unidos e encontrar trabalho. “Espero que eles o ajudem a passar (a fronteira).”

Fonte: G1 Mundo

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Nova York recebe desfile em homenagem aos trabalhadores essenciais da pandemia


Com muito confete e papel picado, médicos, enfermeiros, policiais, bombeiros e cozinheiros foram recebidos no coração da cidade. É a 1ª vez em 2 anos que uma aglomeração como essa é autorizada. Desfile com papel picado em Nova York celebra trabalhadores essenciais na pandemia, foto de 7 de julho de 2021
Brendan McDermid/Reuters
A cidade de Nova York recebeu nesta quarta-feira (7) um desfile em homenagem aos trabalhadores considerados essenciais durante a pandemia de Covid-19.
Com muito confete e papel picado, médicos, enfermeiros, policiais, bombeiros e cozinheiros foram recebidos no coração da cidade.
Essa foi a primeira vez em mais de dois anos que uma aglomeração como essa acontece em uma das maiores cidades do país.
Eventos que promovem aglomeração estavam proibidos por conta da pandemia, mas com a vacinação acelerada, eles voltaram.
Desfile em homenagem a trabalhadores essenciais em Nova York, EUA, em 7 de julho de 2021
Andrew Kelly/Reuters
Desde o início da pandemia em março de 2019, mais de 33 mil pessoas morreram na cidade de Nova York, que já foi considerada como epicentro da epidemia no país.
Chuva de papel picado
Os grandes desfiles para marcar ocasiões de grande importância fazem parte da história da cidade. O primeiro ocorreu em 1886, por ocasião da inauguração da Estátua da Liberdade.
Enquanto o desfile passava pelo distrito financeiro de Wall Street, os corretores da bolsa jogavam pedaços de papel das janelas nas quais estavam inscritos os preços das ações.
Foi uma espécie de chuva de confete que desde então se tornou tradição nos desfiles subsequentes para homenagear chefes de Estado e de governo, dignitários religiosos, líderes militares, atletas e celebridades.
Reportagem em atualização.

Fonte: G1 Mundo