Comissão Eleitoral diz que notícias falsas podem decidir eleições na Índia

Na Índia, autoridades eleitorais lutam para combater a disseminação de notícias falsas enquanto começam, nesta quinta-feira (11), as eleições do país, que duram seis semanas. Segundo a Comissão Eleitoral, os conteúdos falsos podem até decidir os resultados, já que o país deve ter disputas acirradas.

A maior democracia do mundo é, segundo especialistas, também a que tem uma das populações mais suscetíveis a acreditar em conteúdos falsos.

O comerciante Ram Shankar Rai, dono de uma loja em Nova Déli, passa pelo menos duas horas por dia consumindo notícias compartilhadas nas redes sociais.

Ao receber no Whatsapp uma enxurrada de vídeos e fotos sobre um ataque aéreo indiano no Paquistão ele não duvida nem por um instante da autenticidade do conteúdo. O único problema é que, na verdade, os registros são do terremoto que aconteceu em 2005 no Paquistão. “É novidade, como pode ser falso?”, diz Ram.

A escolha de novos líderes acontece em um contexto conturbado. De um lado está o Partido Bharatiya Janata, do primeiro-ministro Narendra Modi, que busca um segundo mandato com políticas que, segundo alguns, aumentaram as tensões religiosas e minaram o multiculturalismo; de outro está a oposição, que investe consideravelmente em anúncios nas redes para tentar conquistar os eleitores descontentes. Em cenários polarizados como esse, notícias falsas ganham força.

O que tem sido feito

Um código de ética, que inclui a proibição de anúncios de campanha por pelo menos 48 horas antes do início das votações, foi adotado pelas gigantes das mídias sociais no país, mas a Comissão Eleitoral não acredita que isso seja suficiente.

De acordo com N. Gopalaswami, ex-comissário chefe da Comissão, não foi feito o suficiente e as notícias falsas devem ter papel relevante na decisão. Na opinião dele, as autoridades deveriam ter estabelecido penalidades para partidos políticos e para plataformas como Facebook, Whatsapp e Twitter.

Além do documento com diretrizes coletivas, cada empresa adotou estratégias próprias para tentar conter a disseminação de conteúdos falsos no país. O Facebook, desde o mês passado, começou a bloquear contas falsas e usar organizações externas de checagem. Já o Whatsapp montou campanhas para ensinar os usuários a identificarem o que é verdadeiro. O Twitter não adotou medidas específicas.


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