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Cesárea agendada deixa bebê mais propício a apresentar problemas de saúde

É um direito da mulher decidir sobre o seu tipo de parto, assim como é também um direito dela se munir de todas as informações antes de fazer essa escolha. É importante saber que marcar aleatoriamente o dia para a criança nascer, por exemplo, pode trazer prejuízos para a saúde dela e do bebê. “Quando a criança dá sinal de que está pronta, ela está preparada para se alimentar fora do ventre, controlar a glicemia, a temperatura corporal e os órgãos estão maduros. Tirá-la de uma hora para outra, em um procedimento que dura cerca de 30 minutos, pode prejudicar a saúde dela aqui fora”, explica o pediatra Carlos Eduardo Correa, conhecido como Cacá (SP).

Quando a mãe começa a sentir as contrações, o organismo libera o hormônio corticoide que ajuda no amadurecimento do pulmão, último órgão a se formar no bebê. “É por isso que precisamos esperar o tempo natural de tudo para minimizar riscos de a criança precisar de oxigênio artificial, por exemplo, que pode causar problemas respiratórios no futuro em bebês que nasceram prematuros”, alerta o pediatra.

Quando o bebê dá sinais de que chegou a hora, o trabalho de parto se iniciaespontaneamente e pode resultar em um parto normal ou em uma cesariana, caso seja necessário. O problema é que grande parte das cirurgias obstétricas realizadas no Brasil é feita de forma eletiva, ou seja, sem fatores de risco que justifiquem o procedimento, e antes da criança emitir qualquer sinal de que está pronta. Essa quantidade de cirurgias feitas sem indicação deixa o país na segunda posição dos que mais realizam cesáreas no mundo. Enquanto a Organização Mundial da Saúde estabelece em até 15% a proporção de cesáreas, no Brasil, esse percentual é de 56%. Na rede particular, a cirurgia representa 84% dos nascimentos, contra 40% da rede pública.

Mais saúde, menos risco

Estudos mostram que crianças nascidas entre a 37 ª e a 38ª semana de gestação são mais frequentemente internadas em UTI neonatal, apresentam problemas respiratórios, maior risco de mortalidade e déficit de crescimento.Segundo o Sistema de Informação de Nascidos Vivos (Sisnacs), as complicações relacionadas com a prematuridade são a primeira causa de morte neonatais e infantis em países de renda média e alta, incluindo o Brasil.  Depois que o Conselho Federal de Medicina divulgou uma nova regra que determina que o parto cesárea só pode ser feito a partir da 39ª semana, o número de cesáreas feitas antes dessa idade gestacional diminuiu, mas ainda não é o ideal. “A recomendação é que o nascimento aconteça entre a 39ª até 41ª semana. Esse final da gestação é importante porque permite maior ganho de peso, mais maturidade cerebral e pulmonar para o bebê”, esclarece o pediatra.

O ginecologista e obstetra Igor Padovesi, do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), informa que entrar em trabalho de parto espontâneo também tem uma série de benefícios para a mulher, sobretudo se ele terminar em um parto normal, que diminui em até seis vezes o risco de complicações graves, se comparado as cesáreas realizadas sem indicação. “As contrações de expulsão liberam o hormônio ocitocina que ajuda na descida do leite, preparando a mãe para amamentação”, explica o obstetra.

Quem espera, espera

Para chamar a atenção sobre o direito de nascer na hora certa e ajudar a diminuir o número de cesáreas eletivas, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) acaba de criar a campanha Quem Espera, Espera. O objetivo da iniciativa, lançada nesta quarta-feira (19) é dar visibilidade ao tema e sensibilizar os brasileiros, especialmente mulheres e suas famílias, sobre a importância de aguardar o início do trabalho de parto. “Esperar é a única maneira 100% segura de saber que o bebê está pronto para nascer. Esse processo traz uma série de benefícios para a mãe e o bebê. Privá-los do trabalho de parto, por meio de cesarianas eletivas, pode gerar consequências negativas para a saúde de ambos”, diz Gary Stahl, representante do UNICEF no Brasil. No site da campanha www.quemesperaespera.org.br, há dados, pesquisas e uma série de filmes de quem apoia essa causa, como a atriz Heloísa Périssé. Há também depoimentos de mães e espaço para as mulheres enviarem suas experiências sobre o parto de seus filhos e dar dicas para ajudar futuras mães a entender melhor a importância da espera.

Por isso, apesar da ansiedade ser uma emoção comum no final da gestação, o melhor que você pode fazer pelo seu bebê é aguardar ele dar o sinal de que está pronto para ir para os seus braços.

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