Categorias
MUNDO

Sob o comando do Talibã, o Afeganistão retorna aos seus dias mais sombrios


Retirada americana acelerou o colapso do governo afegão, que já era visto como inevitável. Membros do Talibã na província de Laghman, Afeganistão, em 15 de agosto de 2021
AFP
o
Vinte anos após ser expulso por tropas lideradas pelos Estados Unidos sob a insígnia da Otan, o Talibã retornou vitorioso à capital Cabul, numa meteórica e bem-sucedida operação para retomar o controle das principais cidades do Afeganistão.
Diante da inevitável rendição das tropas do governo, dos relatos de fuga do presidente Ashraf Ghani e da inevitável transferência de poder, fica a pergunta: o que os EUA, o Ocidente e os civis afegãos ganharam com essa intervenção?
LEIA TAMBÉM:
Talibã chega a Cabul
O que é Talibã?
PLAYLIST: Talibã faz cerco a Cabul
Veja FOTOS e VÍDEOS da situação no Afeganistão
Malala: ‘estou profundamente preocupada’
Ao longo de duas décadas, quatro governos dos EUA mobilizaram um contingente de 98 mil militares no país e investiram US $83 bilhões apenas para treinar e equipar as forças de segurança afegãs. Até optar, durante o governo Trump, pela retirada das tropas do país.
VÍDEO: O avanço do Talibã no Afeganistão
Com todas as diferenças evidenciadas em relação ao antecessor, o presidente Joe Biden coincidiu nesse ponto, ao reforçar a retirada total até 31 de agosto. Senador, ele apoiou a invasão americana ao país, como retaliação aos 3 mil mortos nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.
Afeganistão: Retirada dos EUA foi pior decisão de Biden?
Vice-presidente nos oito anos do governo Obama, Biden viu a missão do Afeganistão como ineficaz e foi defensor da saída.
Na campanha reforçou a tese de que as forças armadas dos EUA não têm capacidade “para resolver os problemas internos do mundo”. Empossado presidente, em abril ele confirmou a retirada das tropas, baseado num acordo firmado ano passado entre o governo Trump e o Talibã.
O grupo insurgente prometia a paz em troca da saída dos EUA do país. Não foi o que ocorreu. Sem respaldo e legitimidade, naufragado em denúncias de corrupção, o governo afegão sucumbiu rapidamente.
Talibã patrulha cidade de Ghazi, perto de Cabul, no Afeganistão, nesta quinta-feira (12)
Gulabuddin Amiri/AP Photo
O caos se acelerou depois que os militares americanos deixaram o Afeganistão. O colapso do governo afegão já era previsto pelo Pentágono, mas a sua velocidade surpreendeu até os mais pessimistas.
Em uma semana, bastiões como Kandahar, Herat, Mashar al Sharif e Jalalabad se renderam. As forças afegãs debilitadas, sem apoio financeiro, simplesmente desistiram. Soldados famintos ou amedrontados entregaram armas ou debandaram para o lado talibã.
O governo americano enviou reforço de cinco mil militares para proteger a saída de seus cidadãos que ainda estão em território afegão. Diante da deterioração, o secretário de Estado, Anthony Blinken, descartou qualquer comparação com o fim da Guerra do Vietnã.
“Isto não é Saigon”, assegurou à CNN, alegando que os EUA cumpriram a missão de levar os responsáveis pelos ataques do 11 de Setembro à Justiça.
A despeito dos danos dessa longa intervenção à imagem dos EUA, 20 anos depois, o Afeganistão está de volta à sua era mais sombria: a de Estado falido comandado por um grupo radical que submete cidadãos ao regime de terror para impor a sua versão da lei islâmica.
VÍDEOS: Talibã avança no Afeganistão

Fonte: G1 Mundo