Macron teme terrorismo e Merkel fala em situação ‘amarga, dramática e aterrorizante’, mas ressalta que é importante garantir ajuda humanitária para evitar nova crise de refugiados. Reino Unido admite que não conseguirá retirar todos os cidadãos afegãos aliados do país. Imagem retirada de vídeo do pronunciamento do presidente da França, Emmanuel Macron, sobre a tomada do poder no Afeganistão pelo Talibã, na segunda-feira (16)
Christophe Archambault/AFP
A preocupação com a retomada do terrorismo após o Talibã assumir o poder no Afeganistão foi mencionada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, nesta segunda-feira (16), um dia depois de o grupo extremista tomar a capital, Cabul, e de o presidente Ashraf Ghani deixar o país.
Segundo ele, grupos terroristas existentes naquele país tentarão se aproveitar da instabilidade deste momento.
Macron negou, porém, a possibilidade de intervenção, mesmo dizendo que fará de tudo para que a “Rússia, os Estados Unidos e a Europa cooperem de maneira eficaz” na luta contra o terrorismo. Segundo ele, o Afeganistão “tem seu destino em suas mãos”.
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Em um discurso transmitido pela TV, Macron lembrou os 13 anos em que o Exército francês esteve no Afeganistão ao lado dos norte-americanos (entre 2001 e 2014), e disse que a França vai continuar a repatriar afegãos que trabalharam para o país durante esse período.
Ele afirmou que cerca de 800 deles já teriam chegado ao país e que dois aviões e forças especiais continuam empenhados na retirada de mais pessoas.
“É nosso dever e nossa dignidade proteger aqueles que nos ajudaram: tradutores, motoristas, cozinheiros e tantos outros”, disse.
Alemanha repatria 10 mil
A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, durante pronunciamento sobre a tomada do poder no Afeganistão pelo Talibã, na segunda-feira (16)
Odd Andersen/Pool/AFP
Já a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, chamou a situação de “amarga, dramática e aterrorizante” e enfatizou que é preciso focar no resgate de estrangeiros e também de afegãos que ajudaram as forças aliadas da Otan. Ela disse ainda que esforços serão feitos para oferecer apoio e refúgio, especialmente para a equipe de apoio afegã que ajudou os militares alemães.
A Alemanha deve repatriar 10 mil pessoas no total, incluindo mais de 2,5 mil afegãos que ajudaram as forças da OTAN durante o período de combate ao Talibã, além de advogados e militantes de direitos humanos.
VÍDEO: Veja cronologia da tomada de poder do Talibã no Afeganistão
Merkel ressaltou também que é preciso garantir ajuda aos países vizinhos que devem receber muitos afegãos em fuga para evitar uma nova crise de refugiados. “Não devemos repetir o erro do passado quando não demos fundos suficientes para o ACNUR e outros programas de ajuda humanitária e as pessoas deixaram a Jordânia e o Líbano em direção à Europa”, lembrou.
Reino Unido não consegue retirar todos
Nesta segunda-feira, o secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, admitiu que “algumas pessoas não conseguirão sair”, ao dizer que o país não conseguirá retirar do país todos os seus aliados afegãos.
Soldados britânicos no Afeganistão, em foto de 22 de agosto de 2011
AP Photo/Brennan Linsley
Contendo as lágrimas, ele estimou que ainda existem 4 mil pessoas, entre britânicos e afegãos que prestaram serviços ao Reino Unido, como tradutores, por exemplo, que precisam ser retirados do Afeganistão, e disse que a expectativa é de que as forças britânicas consigam remover mil por dia.
Ele acrescentou que alguns dos afegãos terão que fazer pedidos de asilo, possivelmente para outros países.
Um porta-voz do premiê Boris Johnson negou que tenha havido falhas no sistema de inteligência, que subestimou o prazo para a retirada do pessoal, acreditando que a queda de Cabul levaria mais tempo.
Combatentes do Talibã assumem o controle do palácio presidencial afegão em Cabul, capital do Afeganistão, após o presidente Ashraf Ghani fugir do país em 15 de agosto de 2021
Zabi Karimi/AP
“Eu não descreveria dessa forma. Obviamente, trabalhamos em estreita colaboração com o governo anterior do Afeganistão para apoiá-lo em várias frentes diferentes e temos monitorado a situação de perto”, disse o porta-voz. “É evidente que o Talibã se moveu rapidamente por todo o país”.
No domingo, após o grupo extremista assumir o controle da capital Cabul, Johnson afirmou que nenhum país deverá reconhecer o Talebã como governo do Afeganistão. “Queremos uma posição unida entre os que pensam da mesma forma, o tanto quanto pudermos”, disse, em um pronunciamento em vídeo.
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Nesta segunda, porém, a China afirmou que deseja manter “relações amistosas” com o Talebã. China e Afeganistão são países vizinhos e têm 76 km de fronteiras comum.
A China “respeita o direito do povo afegão a decidir seu próprio destino e futuro e deseja seguir mantendo relações amistosas e de cooperação com o Afeganistão”, afirmou à imprensa a porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying.
Já o encarregado russo para o Afeganistão, Zamir Kabulov, afirmou nesta segunda-feira que o embaixador de seu país em Cabul se reunirá na terça-feira (17) com os talibãs e que a Rússia decidirá se reconhece ou não o governo do Talibã de acordo com as ações do grupo.
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Vídeos: Talibã avança no Afeganistão
Fonte: G1 Mundo