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Joe Biden discursa sobre tomada do Afeganistão pelo Talibã


É a primeira declaração do presidente dos EUA desde que o grupo extremista tomou Cabul, a capital afegã, e tirou de cena um governo aliado de Washington. Presidente dos EUA, Joe Biden, acena ao chegar ao forte McNair nesta segunda-feira (16)
Leah Millis/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, discursa nesta segunda-feira (16) na Casa Branca sobre a tomada de Cabul pelo grupo extremista Talibã — que agora detém o controle de praticamente todo o território do Afeganistão.
Esta foi a primeira vez que Biden se manifestou oficialmente sobre o assunto desde que o presidente afegão Ashraf Ghani deixou o país e admitiu que o Talibã havia “vencido”.
Dando continuidade a uma promessa do ex-presidente Donald Trump, o democrata anunciou a retirada dos milhares de militares americanos no Afeganistão em abril, em um processo que deveria ser concluído até o fim de agosto, colocando fim à participação dos EUA em quase 20 anos de guerra (saiba mais adiante nesta reportagem).
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Combatentes do Talibã assumem o controle do palácio presidencial afegão em Cabul, capital do Afeganistão, após o presidente Ashraf Ghani fugir do país em 15 de agosto de 2021
Zabi Karimi/AP
EUA invadiram Afeganistão em 2001
Os EUA atacaram o Afeganistão em 2001, em reação ao atentado do 11 de Setembro, e tirou o grupo extremista do poder. O Talibã foi acusado pelos americanos de esconder e financiar membros da Al-Qaeda, grupo terrorista comandado por Osama bin Laden e responsável pelo atentado.
Em fevereiro de 2020, o então presidente americano, Donald Trump, assinou acordo de paz com o Talibã que previa a retirada total das tropas do país até abril deste ano. Assim, já empossado, Biden manteve o acordo e adiou a saída completa para o fim deste mês.
A queda de Cabul ocorreu muito antes do previsto pelos EUA. Segundo a Reuters, a estimativa dos serviços de inteligência americanos era a de que o Talibã chegasse a Cabul em setembro, com uma possível tomada do poder em novembro.
A maior parte das forças lideradas pelos EUA deixaram o Afeganistão em julho, e o Talibã se aproveitou da retirada e avançou rapidamente pelo país, conquistando diversas capitais de províncias desde o início do mês.
VÍDEO: Veja cronologia da tomada de poder do Talibã no Afeganistão
Situação no aeroporto
Nesta segunda-feira, milhares de pessoas invadiram a pista no aeroporto internacional de Cabul, e multidões tentaram entrar em aviões para deixar o país.
O tumulto deixou mortos e feridos. As forças americanas assumiram o controle do local e suspenderam todos os voos do aeroporto Hamid Karzai para tentar controlar a situação.
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O porta-voz-chefe do Pentágono, John F. Kirby, disse que 2,5 mil fuzileiros navais americanos foram enviados ao local. E tropas turcas passara a ajudar a proteger o aeroporto (veja mais abaixo).
A autoridade de aviação afegã afirmou que o aeroporto foi “liberado para os militares” e aconselhou as companhias aéreas a evitarem o espaço aéreo do país, o que levou as principais delas a desviarem voos.
Afegãos se aglomeram na pista do aeroporto de Cabul no dia 16 de agosto para tentar fugir do país após o Talibã assumir o controle do Afeganistão
AFP
Afegãos lotam avião no aeroporto de Cabul para tentar fugir do Talibã no Afeganistão
Wakil Kohsar / AFP
Afegãos são vistos em cima de avião após multidão invadir aeroporto de Cabul na tentativa de fugir do Talibã; voos comerciais foram cancelados
Wakil Kohsar / AFP
Mais de 60 países, incluindo EUA, Alemanha, Japão e França, publicaram um comunicado no domingo em que fizeram um apelo para que cidadãos afegãos e estrangeiros tenham permissão para deixar o Afeganistão em segurança.
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou em uma reunião a portas fechadas que o país precisa evacuar com urgência cerca de 10 mil pessoas sob sua responsabilidade, segundo a Reuters.
“Estamos testemunhando tempos difíceis”, teria dito Merkel a colegas de seu partido, o Democrata Cristão. “Agora devemos nos concentrar na missão de resgate.”
Número de mortos
O número de vítimas não havia sido confirmado oficialmente por autoridades afegãs até a última atualização desta reportagem.
O porta-voz do Pentágono afirmou também que um soldado ficou ferido e dois afegãos armados foram mortos após terem atirado contra tropas americanas, segundo informações preliminares.
O jornal americano “The Wall Street Journal” diz que três pessoas foram mortas por armas de fogo. A agência de notícias Reuters fala em cinco óbitos.
A Reuters não diz se as vítimas foram atingidas por disparos de armas de fogo ou pisoteadas durante a confusão. Não está claro se os tiros foram disparados contra pessoas ou para o alto.
VÍDEO: Veículos ficam presos em congestionamento nas ruas de Cabul
Talibã toma o poder no Afeganistão
G1
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Fonte: G1 Mundo