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Brasileira casada com afegão teme pela cunhada ativista: ‘Sentimento de desespero’

Casal mora em Portugal e diz que precisam de ajuda para tirar os parentes do Afeganistão. ‘Nunca vamos deixar de lutar e vamos tirar vocês deste inferno que se tornou o país’, diz Anne. VÍDEO: Brasileira casada com afegão chora ao relatar dificuldade para retirar parentes do marido do Afeganistão
A brasileira Anne Torres e afegão Nasir Ahmad Ahmadi, que atualmente moram em Portugal, estão correndo contra o tempo para tentar tirar a mãe e a irmã de Nasir do Afeganistão, após a tomada do poder pelo Talibã.
Em entrevista ao Bom Dia Brasil, Anne e Nasir descreveram a preocupação e a dificuldade para falar com as duas, principalmente porque a irmã, Lida Ahmad, é ativista pelo direito das mulheres no país (veja no vídeo acima). Já a mãe, Roshan Noori, tem dificuldades de locomoção.
“Minha cunhada, por ser uma ativista e por ter lutado pelo direito das mulheres, temos receio pela vida dela”, afirma Anne. “Conseguimos falar com elas às vezes por mensagem e depois conseguimos contato quatro dias depois. Ficamos com uma apreensão enorme: ‘E se acontecer alguma coisa? E se algum talibã invadiu a casa delas e as mataram?’.”
Nasir conta que a comunicação com as duas está “cada vez pior”. “Os talibãs às vezes desligam a conexão, às vezes desligam a eletricidade”.
“Elas estão escondidas dentro de casa. É um sentimento que eu quase não consigo descrever”, relata Anne. “Minhas sobrinhas não estão indo estudar nem as minhas cunhadas. Algumas ainda estavam na universidade e não estão indo mais. É um tolhimento muito grande da liberdade que já foi conquistada”.
Talibã no poder
Desde que voltou ao poder, no dia 15, o Talibã tenta convencer a população e a comunidade internacional que mudou e que seu novo governo será menos brutal do que o da primeira vez, entre 1996 e 2001.
Na época, o Talibã adotava uma visão extremamente rigorosa da lei islâmica (sharia) e impunha restrições sobretudo às mulheres, que eram impedidas de trabalhar e estudar.
As visões islâmicas ultraconservadoras incluíam apedrejamentos, amputações e execuções públicas e a proibição de músicas, filmes e até a televisão.
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Tentativa com o governo português
Anne diz que o casal está tentando levá-las para Portugal, mas reconhece a dificuldade. “Não há nada que possamos fazer para ajudar que não seja realmente implorar para o governo português”.
“Agora a nossa única saída é com que algum país se solidarize, quaisquer dessas potências”, diz a brasileira. “Nos ajudem, pelo amor de deus, a retirar essas duas pessoas de lá”.
“O sentimento agora é realmente de desespero e de corrida contra o tempo”, diz Anne, antes de se emocionar. “Se eu pudesse dizer alguma coisa para elas eu acho que a mensagem que eu passaria é justamente que estamos lutando”.
“Não vamos desistir nunca. E, mesmo que agora essa nossa tentativa não se concretize, nunca vamos deixar de lutar e vamos tirar vocês desde inferno que se tornou o Afeganistão, afirma a brasileira ao lado do marido.
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Fonte: G1 Mundo