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Jô Soares: a trajetória no teatro, no cinema e na TV


Com personagens como Capitão Gay e Reizinho, e bordões como ‘tem pai que é cego…’, o escritor, ator e diretor deixou obras marcantes na cultura nacional. Eliezer Motta e Jô Soares caracterizados como Carlos Suely e Capitão Gay
Acervo Grupo Globo
Jô Soares era especialista em criar personagens, tipos curiosos que retratavam com humor o cotidiano brasileiro. Eram tantos que, segundo ele, parou de contar quanto chegou ao número 200. Escritor, ator e diretor, Jô morreu na madrugada desta sexta-feira (5), em São Paulo, e deixou obras marcantes para a cultura nacional.
Nos anos 50, participou de filmes como “O Homem do Sputnik”, dirigido por Carlos Manga, e estreou no teatro com a peça “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, e com atuações no Grande Teatro da TV Tupi.
Jô Soares caracterizado como o personagem Zé da Galera
Acervo Grupo Globo
O grande primeiro destaque na TV foi em “A família Trapo”, pela TV Record, exibido entre 1967 e 1971. Jô começou escrevendo roteiro, ao lado de Carlos Alberto Nóbrega, e ganhou um papel, o mordomo Gordon. A confusa e divertida família era inspirada na família von Trapp, do musical “A noviça rebelde”, e contava com Otelo Zeloni, Renata Fronzi, Ricardo Corte Real, Cidinha Campos e Ronald Golias.
‘Viva o Gordo’
Jô Soares caracterizado como o personagem ‘Reizinho’
Acervo Grupo Globo
A partir dos anos 70, e por 17 anos, Jô ficou na TV Globo. Foi roteirista e protagonista do programa “Faça humor, não faça a guerra”, ao lado de Renato Corte Real, e textos também assinados por Max Nunes, Geraldo Alves, Hugo Bidet e Haroldo Barbosa. Foram mais de 260 personagens.
Também participou dos humorísticos “Satiricon”, “Globo Gente”, “O planeta dos homens”, até ganhar seu próprio programa, “Viva o Gordo”, com Max Nunes, onde fazia críticas à ditatura militar, em meio a sátiras sobre o cenário político brasileiro.
Entre os personagens, estava Reizinho, de estatura baixa e ego imenso, trouxe o bordão “Sois rei!”. Apareceram figuras como Capitão Gay, e seu grito de guerra “Cansei!” e Zé da Galera, que como bom brasileiro da época não poupava broncas ao técnico da seleção brasileira Telê Santana, e os bordões “tem pai que é cego…” e “a ignorância da juventude é um espanto”, entre outros.
No fim dos anos 80, estrou no SBT, com o programa “Viva o gordo” e, depois, com o talk-show “Jô – Onze e meia”. Na década de 90, se dedicou à literatura. Lançou “o Xangô de Baker Street”, que virou filme em 2001, e “O homem que matou Getúlio Vargas”.
Jô voltou a TV Globo nos anos 2000, com o “Programa do Jô”, além de retornar ao teatro, em 2003, quando dirigiu a peça “Frankenstein’s”. Na sequência vieram a adaptação de “Ricardo III”, “Às Favas Com Os Escrúpulos”, “O Eclipse”, “A Cabra ou Quem é Silvia?” e “Happy Hour”, entre outros.
Em 2018, dirigiu ainda a peça “A noite de 16 de janeiro”, em São Paulo. No ano seguinte, o artista estrearia a peça “O Livro de Jô”, baseado em seu livro, mas precisou ser cancelada por motivos de saúde.
Ele participou de filmes “Rei do movimento” (1954), “De pernas pro ar” (1956) e “Pé na tábua” (1957). Naquele princípio de carreira cinematográfica, destacou-se o trabalho na chanchada “O homem do Sputnik” (1959), de Carlos Manga. Sempre como ator.
A estreia na TV foi

Fonte: G1 Entretenimento