Letra da música sobressai ao retratar o corpo da mulher como força da natureza em fluxo poético inusitado. Capa do single ‘Samaúma’, de Tulipa Ruiz
Capa de Tereza Bettinardi
Resenha de single
Título: Samaúma
Artista: Tulipa Ruiz
Composição: Gustavo Ruiz e Tulipa Ruiz
Álbum: Habilidades extraordinárias
Edição: Brocal / Altafonte
Cotação: ★ ★ ★ ½
♪ Sem lançar álbum com repertório inteiramente inédito desde 2015, ano do disco Dancê, Tulipa Ruiz reitera e desenvolve aptidões no single Samaúma. Primeira amostra do sexto álbum da artista paulistana, Habilidades extraordinárias, o single Samaúma tinha sido anunciado por Tulipa para 2 de setembro, mas acabou sendo lançado hoje, 9 de setembro, uma semana depois.
Música inédita, composta por Tulipa com irmão Gustavo Ruiz, produtor do álbum programado para 23 de setembro, Samaúma simboliza real virada de disco. A melodia em nada remete às composições pregressas dessa cantora e compositora de sintaxe própria, revelada há 12 anos com o álbum Efêmera (2010), ao qual se seguiu um potente segundo álbum, Tudo tanto (2012).
Contudo, o trunfo maior de Samaúma reside na grande letra – uma das melhores de Tulipa – em cujos versos o corpo feminino é retratado como força da natureza. Nesse sentido, Samaúma remete a Banho (2018), música dada por Tulipa para Elza Soares (1930 – 2022) gravar no álbum Deus é mulher (2018).
“Durante a piracema, fico dourada enquanto os lagos ficam prateados / Quando isso acontece, as parafinas das velas derretem com mais facilidade / E as luzes de led ficam levemente avermelhadas / Vou misturar vogais com sementes / Vou fazer uma bolsa de água quente / Vou tingir com terra os meus quadris / Deliro quando encosto meu corpo no rio / Meu verbo vira espuma, eu viro espuma”, canta Tulipa, sem rimas fáceis, em fluxo poético tão imprevisível quanto o curso melódico da composição.
Além da letra, a gravação de Samaúma é valorizada pelo ótimo acabamento instrumental da faixa, formatada em julho de 2022 entre estúdios das cidades de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) com os toques dos músicos Gabriel Mayall (baixo), Gustavo Ruiz (guitarra), Jonas Sá (synth e Rhodes), Pedro Sá (guitarra) e Samuel Fraga (bateria e percussão).
À medida que avançam os cinco minutos do fonograma, o suingue da guitarra de Pedro Sá vai ficando proeminente até que Tulipa arremata a gravação com o verso “Cachoeira na nuca é o melhor cafuné”.
Primeira das onze músicas que compõem o repertório inédito e autoral do vindouro álbum Habilidades extraordinárias, Samaúma mostra Tulipa Ruiz em movimento dentro da natureza da obra da artista.
Fonte: G1 Entretenimento