Processo de impeachment torna insustentável permanência do governador de Nova York no cargo. Andrew Cuomo, governador de Nova York, assediou várias mulheres sexualmente e violou leis, conclui investigação
Em menos de um ano o governador de Nova York viu sua popularidade oscilar entre o apogeu e a decadência. Antes cotado como promessa democrata para as eleições presidenciais de 2024, Andrew Cuomo tem sobre a cabeça a espada do impeachment e a ameaça de não terminar o terceiro mandato.
LEIA TAMBÉM
Mulher que diz ter sido tocada nos seios pelo governador de Nova York apresenta queixa criminal
Andrew Cuomo, governador de Nova York, assediou várias mulheres sexualmente e violou leis, conclui investigação
O governador que fez as vezes de estadista durante a pandemia, desbancando o então presidente Donald Trump na firmeza para combater o avanço do vírus, caiu em desgraça. Os 70% que respaldaram sua gestão na crise sanitária agora defendem a renúncia.
A queda livre de Cuomo se acentuou após a divulgação de um relatório de 165 páginas, baseado em denúncias de pelo menos 11 mulheres, dando conta da conduta abusiva no cargo.
Governador de Nova York, Andrew Cuomo
REUTERS/Mike Segar
Sabe-se agora que o mesmo governador que esteve ao lado das vítimas do movimento #MeToo abraçou, beijou e apalpou suas funcionárias no ambiente de trabalho. Foi rotulado de assediador sexual em série. “O que esta investigação revelou foi um padrão perturbador de comportamentos do governador de Nova York”, resumiu a procuradora-geral do Estado, Letitia James.
Cuomo nega as acusações, tenta dar um tom de normalidade aos gestos relatados como abusivos, mas a pressão para que renuncie ao governo partiu de importantes aliados democratas: o presidente Joe Biden, o presidente do partido, Jay Jacobs, e a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi.
Biden defende renúncia de Cuomo após denúncia de assédio
Na Assembleia estadual, controlada pelos democratas, o apoio partidário pela destituição do governador vem crescendo desde que o explosivo relatório veio à tona e tornou insustentável a sua permanência no cargo. Dos 150 deputados, 107 são democratas e 43 republicanos.
A aprovação do impeachment requer o apoio da maioria simples de 76 congressistas. Se passar, o governador deve se afastar do cargo enquanto aguarda o julgamento, que caberá ao Senado, juntamente com sete juízes do Tribunal de Apelações do estado. É preciso o aval da maioria de dois terços — ou seja, 46 senadores — para que o governador seja condenado e destituído do cargo.
As chances de Cuomo se safar do impeachment parecem reduzidas. Além das acusações de assédio sexual, pesam contra ele denúncias de que seus assessores tentaram esconder as mortes causadas pelo novo coronavírus em asilos de idosos.
O único caso de impeachment em Nova York ocorreu há 108 anos: o então governador democrata William Sulzer deu as costas ao partido e recebeu como troco a destituição, acusado de incorporar fundos de campanha à sua fortuna pessoal. A sólida máquina democrata no estado não o perdoou e tende a atuar da mesma forma em relação a Andrew Cuomo.
Veja os vídeos mais assistidos do G1
Fonte: G1 Mundo