Masood Habibi tem visto brasileiro e quer retornar ao Brasil com sua família, mas acredita que isso é quase impossível após o atentado terrorista que matou ao menos 80 pessoas no aeroporto de Cabul. Bushra Masomi, a segunda, da esq. para a dir., e Masood Habibi, o quarto, à esq., com a família em Cabul, capital do Afeganistão
Arquivo Pessoal
Os afegãos Masood Habibi, de 29 anos, e Bushra Masomi, de 17, relatam, em entrevista ao G1, ter ouvido de suas casas as explosões do atentado terrorista do Estado Islâmico ocorrido na quinta-feira (26) no aeroporto internacional de Cabul, capital do Afeganistão. Com elas, vieram uma certeza: não acreditam que conseguirão sair do país antes de 31 de agosto, quando vence o prazo de retirada estipulado pelo presidente americano, Joe Biden.
Masood é empreendedor, tem visto brasileiro e morava em São Paulo até maio deste ano, quando voltou ao Afeganistão para tentar trazer sua família: o irmão, a esposa, o filho de 4 anos e Bushra, sua cunhada. Desde então, foram negados os pedidos de visto feitos ao governo brasileiro, e, com a tomada de poder do grupo extremista Talibã, estão todos trancados em casa há 12 dias.
Segundo Bushra, eles estão a cerca de 7 quilômetros do local do atentado. “Ouvimos as explosões no aeroporto, estamos muito próximos. O medo agora é muito, muito maior. A situação se tornou ainda mais crítica.”
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Bushra Masomi (à direita) com a irmã em um restaurante de Cabul, capital do Afeganistão, no início de 2021, antes da chegada do Talibã
Arquivo Pessoal
O número de mortos no atentado já passa de 80. Bushra conta que, segundo as informações do noticiário afegão, foram mais de 150 pessoas feridas.
Afegãos feridos internados em hospital de Cabul após o atentado terrorista no aeroporto de Cabul, no Afeganistão, em 26 de agosto de 2021. Dois homens-bomba e homens armados atacaram afegãos que se aglomeravam no portão Abadia e soldados americanos que faziam a triagem para os voos de retirada do país.
Mohammad Asif Khan/AP
Masood, que havia dito ao G1 em 17 de agosto que seu maior medo era não conseguir voltar ao Brasil, afirma que não vê mais saída. “Não estou esperançoso. Serei deixado para trás junto com minha família e sei disso. Temos apenas 3 dias, é impossível nós sairmos.”
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Nesta semana, o empreendedor entrou em contato com a Embaixada do Brasil no Paquistão, responsável por atender os afegãos, para pedir ajuda para sair do país, e a resposta que obteve foi a de que “entendem que a situação no Afeganistão é difícil e imprevisível” e que vão tentar incluir ele e a família na lista de saída, “mas não podemos garantir isso ainda”.
Mensagem recebida por Masood Habibi da Embaixada brasileira no Paquistão
Reprodução
Masood Habibi, a esposa e o filho durante passeio em Cabul, capital do Afeganistão, antes da chegada dos talibãs
Arquivo Pessoal
A afegã relata que têm circulado vídeos sobre o atentado em redes sociais e fica triste em saber que tudo aquilo se passou tão perto dela. Segundo Bushra, ficou ainda mais difícil conseguir dormir. “A situação está crítica e perigosa para todos. Ninguém consegue dormir nem se manter tranquilo quando está acordado. Como são capazes de realizar ataques tão brutais?”
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Voluntários e equipes médicas retiram corpos de uma caminhonete em frente a um hospital após duas fortes explosões fora do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, nesta quinta (26)
Wakil Kohsar/AFP
Afeganistão: Explosões no aeroporto de Cabul deixa feridos
Fonte: G1 Mundo