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Atleta de Belarus diz que fugiu após receber ligação da avó: ‘não é seguro’

Krystsina Tsimanouskaya, que competia nas Olimpíadas de Tóquio, se recusou a voltar para seu país após ser levada à força ao aeroporto antes do final dos jogos por fazer críticas à comissão técnica. 4 pontos para entender a fuga de atleta bielorrussa das Olimpíadas e a repressão no país
A atleta bielorrussa Krystsina Tsimanouskaya disse nesta quinta-feira (5) que decidiu fugir quando recebeu uma ligação da avó enquanto estava à caminho do aeroporto de Tóquio.
“Tudo o que ela me disse foi: Por favor, não volte para Belarus, não é seguro”, afirmou a velocista em entrevista coletiva. “Literalmente, eu tive uns 10 segundos para me decidir.”
Ela pediu ajuda ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e as autoridades impediram que ela deixasse o Japão – na quarta-feira (4), ela desembarcou na Polônia, onde recebeu um visto humanitário.
Tsimanouskaya foi forçada no começo da semana a abandonar as Olimpíadas por criticar técnicos e dirigentes de Belarus, um país governado por Alexander Lukashenko, líder autoritário que está no poder desde 1994 e é conhecido como “o último ditador da Europa”.
O Comitê Olímpico Bielorrusso é dirigido por seu filho, Viktor Lukashenko.
“Sempre estive longe da política, não assinei nenhuma carta, não fui a nenhum protesto, não disse nada contra; o governo bielorrusso”, disse a atleta. “Eu queria estar na final e lutar por medalhas.”
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Em entrevista à agência Associated Press, Tsimanouskaya disse na terça-feira (3) que os diretores da delegação afirmaram que a decisão de forçar o retorno da atleta partiu de outras pessoas — o que, para ela, ficou claro que se tratava de uma represália do governo.
“Eu gostaria muito de continuar minha carreira no esporte porque eu só tenho 24 anos e ainda planejo mais duas Olimpíadas, no mínimo. Mas agora só o que me preocupa é minha segurança”, disse a atleta.
Arseni Zdanevich, marido da atleta, fugiu para a Ucrânia ao saber do problema com Tsimanouskaya. Em entrevista à AP, ele disse que espera reencontrar a esposa logo, de preferência na Polônia, país vizinho que abriga uma grande comunidade de desertores do regime de Belarus.
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No domingo, Tsimanouskaya denunciou que foi forçada a deixar os Jogos Olímpicos por seu técnico, Yuri Moiseyevitch, e que mais tarde funcionários do Comitê Olímpico de Belarus a acompanharam ao aeroporto para que ela voltasse ao seu país.
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Poucos dias antes, a atleta havia criticado a Federação de Atletismo de seu país por obrigá-la a participar do revezamento 4×400 metros, quando inicialmente teria de correr apenas as provas de 100 e 200 metros.
Segundo Tsimanouskaya, duas corredoras bielorrussas não passaram pelos testes antidoping e não puderam competir.
Tsimanouskaya disse que estava com medo de ser presa se voltasse para Belarus e pediu a intervenção do COI — que garantiu a sua segurança até a definição para onde ela iria.
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Fonte: G1 Mundo