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Harvey Milk: o ativista gay homenageado pela Marinha dos EUA décadas depois de ser banido


Harvey Milk foi obrigado a deixar o serviço militar por causa de sua sexualidade. Depois, se tornou um dos primeiros políticos americanos abertamente homossexuais. Embarcação é um dos seis novos navios que receberam o nome de famosos líderes dos direitos civis
Getty via BBC
A Marinha dos Estados Unidos batizou um navio com o nome de um ativista gay que foi forçado a deixar o serviço militar por causa de sua orientação sexual na década de 1950.
O USNS Harvey Milk foi lançado em San Diego no sábado (6) em uma cerimônia com a presença do secretário da Marinha, Carlos Del Toro, e do sobrinho de Milk, Stuart.
A embarcação é um dos seis novos navios que receberam o nome de famosos líderes dos direitos civis dos Estados Unidos.
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Outros incluem o ex-presidente da Suprema Corte Earl Warren, o candidato presidencial assassinado Robert Kennedy e a ativista pelos direitos das mulheres Sojourner Truth.
Milk serviu como oficial de mergulho e tenente a bordo do navio de resgate submarino USS Kittiwake durante a Guerra da Coréia.
Mas ele foi forçado a deixar o serviço após duas semanas de interrogatório sobre sua sexualidade em 1955.
‘Injustiça’
Milk se tornou um dos primeiros políticos abertamente homossexuais nos EUA
Getty via BBC
Depois de deixar o serviço militar, Milk se tornou um dos primeiros políticos abertamente homossexuais nos Estados Unidos e foi eleito em 1977 para o Conselho de Supervisores de São Francisco.
Mas, um ano depois, ele foi baleado e morto por Dan White, um ex-supervisor da cidade com quem havia entrado em confronto com frequência.
Milk estava usando a fivela de seu cinto da Marinha quando foi assassinado.
Sua vida foi retratada em um filme de 2008 que leva seu nome e foi protagonizado pelo ator Sean Penn.
Falando na cerimônia, o secretário Del Toro disse que foi errado Milk ter sido forçado a “esconder uma parte muito importante de sua vida” durante seu tempo na Marinha.
Milk serviu na Marinha americana durante a Guerra da Coréia
US Naval Institute via BBC
“Por muito tempo, marinheiros como o tenente Milk foram forçados a viver nas sombras ou, pior ainda, expulsos de nossa amada Marinha”, disse Del Toro.
“Essa injustiça faz parte da história da Marinha, mas também o é a perseverança de todos os que continuam a servir em face da injustiça.”
Quando o governo de Barack Obama anunciou pela primeira vez sua intenção de batizar um navio com o nome de Milk em 2016, alguns expressaram oposição à medida.
Eles sugeriram que Milk teria desaprovado o uso de seu nome em navio da Marinha, dada sua conhecida oposição à Guerra do Vietnã.

Fonte: G1 Mundo

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Biden diz que eleições na Nicarágua ‘não foram livres nem justas’; urnas são fechadas e Ortega deve ser reeleito


Além do atual presidente, concorreram outros cinco candidatos desconhecidos — os opositores foram presos ao longo do processo eleitoral ou estão em exílio. Governo nicaraguense rejeitou participação de observadores internacionais. Motociclista passa diante de mural com o rosto de Daniel Ortega, presidente da Nicarágua (à esquerda), e do revolucionário César Augusto Sandino, durante as eleições gerais deste domingo (7), em Manágua
Andrés Nunes/AP Photo
As urnas das eleições presidenciais que devem dar a Daniel Ortega o quarto mandato como presidente da Nicarágua foram fechadas na noite deste domingo (7), após um pleito duramente criticado pela comunidade internacional — praticamente todos os candidatos da oposição foram presos ou impedidos de concorrer.
Logo depois do fechamento das urnas, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, elevou o tom contra o regime autoritário em Nicarágua e disse que a votação foi uma “farsa”: “Nem livre nem justa, e quase certamente não foi democrática”, escreveu.
“A prisão arbitrária de quase 40 opositores desde maio — incluindo sete possíveis presidenciáveis — e o impedimento da participação de partidos políticos manipularam o resultado muito antes do dia da eleição”, disse Biden, em nota.
Joe Biden, dos EUA, durante o primeiro dia da COP26 em Glasgow, em 1º de novembro de 2021
Yves Herman / POOL / AFP
Os Estados Unidos exercem forte pressão contra a Nicarágua, principalmente depois que Ortega endureceu o regime em 2018 — quando centenas morreram na repressão aos protestos contra o governo.
Ortega e a vice-presidente, Rosario Murillo — que é também esposa do presidente — devem conseguir sem dificuldades se reeleger, indicam projeções da mídia nicaraguense. O resultado não estava oficialmente confirmado até as 22h (de Brasília) deste domingo.
Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega (dir.), sua esposa e vice-presidente Rosario Murillo (esq.) e filha Camila Ortega (cen.) em celebração dos 40 anos da revolução sandinista, foto de junho de 2019
Inti Ocon/AFP
O atual presidente enfrentou cinco candidatos desconhecidos e acusados de colaborar com o governo, após a detenção de sete pré-candidatos em uma ofensiva que levou dezenas de políticos, empresários, agricultores, estudantes e jornalistas para a prisão, desde maio.
Uma pesquisa do instituto Cid-Gallup mostra que 65% votariam em um opositor e 19% em Ortega. Porém, o instituto pró-governo M&R afirma que 70% votarão no atual presidente e 11,2% nos candidatos desconhecidos.
Opositores presos ou em exílio
Homem passa por um outdoor de propaganda do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no início da campanha para as eleições presidenciais, em Manágua, em setembro
Reuters/Maynor Valenzuela
A favorita para ser eleita era Cristiana Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios (1990-1997) e que está em prisão domiciliar.
Os detidos são acusados de atentar contra a soberania e promover sanções contra a Nicarágua, “traição à pátria” ou “lavagem de dinheiro”, com base em leis aprovadas em 2020 pelo Congresso, sob controle governista, assim como o Poder Judiciário e as autoridades eleitorais.
Para Ortega, os mais de 150 opositores detidos desde 2018 não são políticos, e, sim, “criminosos” e “golpistas” patrocinados por Washington.
RELEMBRE NO VÍDEO ABAIXO a invasão da polícia nicaraguense a um jornal
Polícia da Nicarágua invade sede do maior jornal do país
Mais de 100 mil nicaraguenses partiram para o exílio, sobretudo Estados Unidos e Costa Rica, durante a crise política.
Assim, o governo de Ortega rejeitou a observação internacional de organismos como Organização dos Estados Americanos (OEA) e União Europeia.
O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, afirmou na terça-feira que as eleições não serão legítimas porque Ortega prendeu todos os outros candidatos.
“O senhor Ortega se preocupou em prender todos os candidatos políticos que se apresentaram a essas eleições e não podemos esperar que este processo chegue a um resultado que possamos considerar legítimo, e sim o contrário”, declarou Borrell.

Fonte: G1 Mundo

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Com casos de Covid em alta, Áustria endurece regras para não vacinados


Quem não se vacinou terá a entrada em restaurantes, salões de beleza e outros estabelecimentos proibida a partir desta segunda (8). Governo chegou a dizer que instalaria um ‘lockdown’ apenas para pessoas sem vacina. Paciente é vacinada contra a Covid-19 no Palácio Imperial de Viena, na Áustria, em 26 de outubro
Lisa Leutner/AP Photo
A Áustria iniciará nesta segunda-feira (8) uma série de restrições para as pessoas não vacinadas contra a Covid-19. O país europeu, assim como outros no continente, passa por uma alta de casos de coronavírus atribuída à taxa de vacinação insuficiente para controlar a transmissão (saiba mais no fim da reportagem).
Pelas regras definidas na sexta-feira pelo governo austríaco, pessoas que não apresentarem comprovante de vacinação contra a Covid-19 terão entrada proibida em:
restaurantes, bares e cafés
hotéis
salões de beleza e cabeleireiros
eventos públicos com mais de 25 pessoas
Até então, as pessoas não vacinadas podiam frequentar esses e outros lugares, desde que apresentassem um teste negativo para o coronavírus ou tivessem se recuperado de uma infecção anterior pelo vírus da Covid-19.
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No mês passado, o governo prometeu impor uma espécie de “lockdown para pessoas não vacinadas” — ou seja, restrições de locomoção ainda mais rígidas para que não tomaram a vacina.
“É nossa responsabilidade proteger as pessoas do país”, disse o chanceler austríaco, Alexander Schallenberg, durante o anúncio na sexta-feira, segundo a Associated Press.
A Áustria, assim como a vizinha Alemanha, registrou recordes no número diário de novos casos de Covid-19 desde o início da pandemia. No sábado, foram 9.923 novos diagnósticos confirmados da doença.
Atualmente, dois terços da população austríaca recebeu ao menos a primeira dose, e 64,5% estão completamente imunizados contra a Covid. São percentuais considerados ainda baixos e insuficientes, ainda mais na comparação com outros países da Europa Ocidental, como a Espanha, que está perto dos 80% de cobertura vacinal.
No Leste Europeu, casos em alta e vacinação em baixa
Medico paramentado em frente a hospital em Moscou, Rússia, que atende a pacientes de Covid-19, em 21 de outubro
Maxim Shemetov/Reuters
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nessa semana que a Europa voltou a ser a região mais preocupante em relação à pandemia. Isso vale inclusive para países com a cobertura vacinal maior, na Europa Ocidental, como Reino Unido, Alemanha e a própria Áustria.
Europa vive novo pico da pandemia de Covid-19
Porém, a situação é pior em países do Leste Europeu e de parte da Europa Central, onde a população é mais resistente às vacinas e os números da Covid-19 não param de subir.
A Rússia, por exemplo, vem registrando uma média móvel de mortes superior a 1 mil. Em Moscou, cidade mais afetada no país, escolas, salões de beleza, lojas, academias e outros serviços “não essenciais” estão fechados. Lá, só um terço das pessoas está completamente imunizada.

Fonte: G1 Mundo

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Biden condena ‘ataque terrorista’ contra primeiro-ministro iraquiano


Mustafa Al-Kadhimi escapou ileso depois que um drone carregado de explosivos atacou sua residência em Bagdá. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, discursa no State Dining Room, na Casa Branca, em 24 de setembro de 2021 em Washington
Patrick Semansky/AP
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, condenou neste domingo (7) a tentativa de assassinato com drones explosivos contra o primeiro-ministro iraquiano Mustafa Al-Kadhimi. Biden afirmou que seu governo ajudaria as forças de segurança iraquianas a identificar os responsáveis.
“Condeno veementemente o ataque terrorista à residência do primeiro-ministro iraquiano al Kazimi”, disse Biden em um comunicado.
“Estou aliviado ao saber que o primeiro-ministro não ficou ferido e elogio a liderança que ele demonstrou ao pedir calma, moderação e diálogo para proteger as instituições do Estado e fortalecer a democracia que os iraquianos merecem.”
Ataque com drone atinge casa do primeiro-ministro do Iraque, que escapa ileso
Mustafa Al-Kadhimi escapou ileso depois que um drone carregado de explosivos atacou sua residência em Bagdá na manhã deste domingo (7), no horário local.
Primeiro-ministro do Iraque, Mustafa Al-Khadimi, chega a local de votação em Bagdá em foto de 10 de outubro
Iraqi Prime Minister Media Office/Handout via Reuters
Mas o ataque marcou uma escalada na turbulência pós-eleitoral no país.
O gabinete do primeiro-ministro descreveu o ataque como uma “tentativa fracassada de assassinato”, enquanto o presidente iraquiano, Barham Salih, o chamou de uma tentativa de “golpe contra o sistema constitucional”.
Até agora, o ataque não foi reivindicado por nenhuma organização. Biden disse que “os perpetradores deste ataque terrorista contra o estado iraquiano devem ser responsabilizados” e condenados “nos termos mais rigorosos àqueles que usam a violência para minar o processo democrático no Iraque”.
O presidente americano anunciou que instruiu sua equipe de segurança nacional a “oferecer toda a assistência apropriada às forças de segurança iraquianas enquanto investigam o ataque e identificam os responsáveis”.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, condenou “veementemente” o ataque, pedindo moderação e rejeitando o uso da violência.
“O secretário-geral condena veementemente a tentativa de assassinato contra o primeiro-ministro Mustafa Al-Kadhimi hoje. Ele pede que os autores desse crime sejam responsabilizados”, disse seu porta-voz Stephane Dujarric em nota.
Ele também pediu aos iraquianos “que exerçam o máximo de moderação e rejeitem toda violência e qualquer tentativa de desestabilizar o Iraque”.
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Fonte: G1 Mundo

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Autor de ataque a trem na Alemanha é internado em hospital psiquiátrico


O agressor, um sírio de 27 anos, feriu quatro pessoas no sábado (6). Segundo as autoridades alemãs, ele sofre de esquizofrenia delirante e paranoica. O ataque com arma branca aconteceu em um trem de alta velocidade que viajava entre a Baviera e Hamburgo e feriu quatro pessoas.
FABIAN SCHREINER / DPA / AFP
As autoridades alemãs anunciaram neste domingo (7) que o autor do ataque com arma branca no sábado (6) que feriu quatro pessoas em um trem de alta velocidade foi internado em um hospital psiquiátrico.
Em uma primeira avaliação, um especialista determinou que o autor do ataque, um refugiado político sírio de 27 anos que chegou ao país em 2014, sofre de “esquizofrenia delirante e paranoica” e uma forte alteração de responsabilidade, disse Gerhard Neuhof, promotor de Nurembergue-Furth, encarregado do caso.
O jovem declarou que se sentia perseguido por policiais que supostamente o vigiavam e tentavam enlouquecê-lo, o promotor esclareceu que ele não era alvo de nenhuma medida policial em particular.
O agressor foi internado e aguarda novos exames. “Não há nenhum elemento que aponte na direção de uma motivação islâmica”, disse Sabine Nagel, chefe da polícia local.
A polícia foi alertada por volta das 5h da manhã de sábado (horário de Brasília) sobre um ataque com faca em um trem de alta velocidade ICE viajando entre a Baviera e Hamburgo com cerca de 300 passageiros a bordo.
Depois do ataque, o trem de alta velocidade ficou parado na estação de Seubersdorf, no sul do país, e um grande dispositivo policial foi mobilizado.
As autoridades alemãs estão especialmente vigilantes à ameaça terrorista, sobretudo, desde dezembro de 2016. Neste mês, um atentado com um caminhão, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico, deixou 12 mortos. Foi o mais letal ataque jihadista em solo alemão. Desde 2000, as autoridades alemãs frustraram 23 dessas tentativas.
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Fonte: G1 Mundo

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Adolescente é resgatada de sequestro nos EUA após usar sinal do TikTok que indica violência doméstica


Gestos com as mãos chamaram a atenção de um motorista no estado de Kentucky, que logo acionou a polícia local. Sinal foi criado pela Fundação de Mulheres Canadenses no ano passado e se tornou um viral. Adolescente de 16 anos foi resgatada de um sequestro após usar o sinal acima muito popular no TikTok, que indica violência doméstica.
Reprodução/Canadian Women’s Foundation
Uma adolescente de 16 anos da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, foi resgatada de um sequestro na quinta-feira (4) após usar um sinal com as mãos muito popular na rede social TikTok, que indica violência doméstica.
De acordo com a polícia do condado de Laurel, no estado de Kentucky, a garota estava dentro de um Toyota prateado quando fez o sinal para um motorista de um outro carro que, ao ver que um homem mais velho dirigia o veículo, logo acionou a polícia, afirmando que a adolescente “parecia estar em perigo”.
Com o alerta, os policiais conseguiram encontrar o carro e, ao pará-lo, identificaram que a menina tinha sido dada como desaparecida por seus pais na manhã de terça-feira (2).
O sequestrador, identificado como James Herbert Brick, tem 61 anos e foi preso imediatamente pela polícia de Kentucky.
O sequestrador, identificado como James Herbert Brick, tem 61 anos e foi preso imediatamente pela polícia de Kentucky.
Reprodução/Laurel County Sheriff’s Office
Os investigadores também encontraram no celular do sequestrador uma foto de uma jovem menor de idade “em um contexto sexual”, segundo nota da polícia do condado de Laurel, publicada no Facebook.
Como usar o sinal
O sinal usado pela adolescente foi criado pela Fundação de Mulheres Canadenses (Canadian Women’s Foundation) no ano passado, em meio ao aumento da violência doméstica durante a pandemia de Covid-19, e acabaram viralizando no TikTok.
O sinal é composto por três gestos com as mãos que indicam “violência em casa”, “preciso de ajuda” e “violência doméstica”. As etapas são:
Levantar a mão com a palma voltada para a outra pessoa;
Encostar o polegar na palma da mão;
Dobre os dedos sobre o polegar.
Sinal para pedir ajuda contra a violência doméstica.
Reprodução/Canadian Women’s Foundation
O gesto também é ensinado no vídeo abaixo, que está na página do Instagram da Canadian Women’s Foundation:
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Fonte: G1 Mundo

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Mudanças climáticas: 5 boas notícias sobre a luta contra o aquecimento global


Estamos testemunhando efeitos devastadores sobre as vidas de bilhões de pessoas causados pela elevação da temperatura média global, mas também há sinais de esperança para o nosso futuro. Conheça alguns deles. Boas notícias
Getty via BBC
“Nemonte Nenquimo é uma de minhas heroínas”, diz a física de partículas Vandana Singh sobre a líder indígena waorani.
“Nas minhas aulas sobre mudanças climáticas, ensino o que ela fez. Acho que é uma história fantástica sobre o clima”, agrega a presidente do Departamento de Física e Ciências da Terra da Framingham State University, nos Estados Unidos.
Nenquimo liderou uma campanha indígena que levou a uma decisão do Tribunal Constitucional do Equador para proteger 500 mil hectares da Floresta Amazônica contra a extração de petróleo.
“Acho que nunca foi tão relevante dar notícias positivas e gerar um sentimento de esperança”, diz Vanessa Pérez-Cirera, vice-diretora de Clima Global e Prática de Energia do Fundo Mundial para a Natureza.
“A esperança é que, sem deixar o sentido de urgência, seja possível acelerar as soluções que nos permitam manter o a meta de 1,5ºC viva. Estamos justamente no momento em que podemos fazer isso”.
A economista ambiental especializada em política climática e transição energética se refere ao apelo feito pelo Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para limitar o aumento da temperatura global a um máximo de 1,5ºC.
Enquanto o mundo discute o tema na conferência climática COP26, na Escócia, confira aqui alguns aspectos positivos da luta contra um problema que já está causando efeitos devastadores na vida de milhões de pessoas.
1. Comunidades locais estão protegendo a natureza com resultados extraordinários
Vandana Singh é membro da Climate Imagination Fellowship, um projeto da Arizona State University, nos Estados Unidos, que busca histórias positivas sobre o futuro para impulsionar ações no presente.
A primeira coisa que ela me alerta é sobre o uso do termo “positivo” no contexto das mudanças climáticas.
“Quero usar essa palavra sob a ótica das pessoas que já estão lutando, que já foram atingidas pelo apocalipse, sejam elas os indígenas, os pobres do Sul global, os negros ou as muitas mulheres que foram desproporcionalmente afetadas pelas mudanças climáticas”, explica.
“Eles estão em situação pior em comparação com a maioria de nós. E, no entanto, acho que a esperança vem não apenas porque já existem tecnologias alternativas, mas por causa dessas mesmas comunidades.”
As mudanças climáticas, ressalta a autora, não é o único problema socioambiental que temos: a perda da biodiversidade é outro e, a ela, soma-se uma enorme desigualdade social.
“Quando olhamos para o problema climático sob uma perspectiva mais ampla e olhamos para as outras crises e como elas se relacionam, percebemos que elas têm as mesmas raízes”, diz.
Ela diz que a “economia social globalizada é um sistema que basicamente destrói o resto da natureza, pois a considera, assim como um grande número de pessoas, descartável e menos importante”.
“Mas, se lutarmos contra essas crises, estaremos resolvendo muitos outros problemas que afligem a humanidade. E, para mim, isso é o positivo: é um projeto de felicidade verdadeira para todos.”
“A maior fonte de positividade é a energia das pessoas.”
Singh fala com entusiasmo dessa “energia” que encontrou em diferentes continentes.
Ela conta o caso de uma mulher chamada Parvati, que vive em um dos Estados mais pobres e vulneráveis ​​ao clima da Índia.
“Há 20 anos, ela e um grupo de mulheres da aldeia viram que o lençol freático [o acúmulo de água subterrânea em profundidades relativamente rasas] em sua área fora reduzido pelo desmatamento, impulsionado pelo modelo de desenvolvimento adotado na Índia”, afirma.
“Decidiram que iriam proteger sua floresta e começaram a monitorá-la. Acordavam muito cedo e a patrulhavam(…). Sem educação formal, eles sabiam por experiência que uma floresta saudável é uma floresta biodiversa.”
Duas décadas depois, um amigo de Singh os visitou e encontrou árvores com troncos grossos, animais que haviam voltado a prosperar ali e um lençol freático aumentado.
A história de Parvati, assim como outras — não é uma exceção, frisa ela — ajudam-na a olhar para o futuro com otimismo.
“Parvati lidou com muitos problemas, não apenas as mudanças climáticas, e (estando fora) da estrutura de poder. E olha o que ela está fazendo!”
Então, “se ela pode ser positiva nessas circunstâncias, eu tenho que encontrar um caminho. Não se trata de negar a realidade, mas de aceitar o quão difícil é reconhecer que estamos nessa situação horrível e a única saída é avançar coletivamente para apoiarmos uns aos outros.”
“Essas comunidades têm o direito de escolher o seu próprio caminho, são inteligentes, criativas, apaixonadas. É isso que me faz me manter positiva sobre o problema do clima”.
O antropólogo David Bray, professor do Departamento de Terra e Meio Ambiente da Florida International University, nos Estados Unidos, estudou as florestas comunitárias mexicanas e as considera “o melhor modelo de manejo local sustentável do mundo”.
“Minha pesquisa de mais de 30 anos mostrou que quando as comunidades indígenas e locais controlam suas florestas para a produção comercial de madeira, tanto os humanos quanto a terra se beneficiam”, escreveu ele em um artigo publicado no site acadêmico The Conversation.
O especialista explica que o sistema permite que a floresta e sua biodiversidade sejam conservadas, mas também “mitiga as mudanças climáticas, porque, enquanto essas comunidades fazem suas colheitas, as florestas também coletam carbono, e ele é armazenado em produtos de construção e móveis, onde será mantido por décadas. ”
Para Pérez-Cirera, o reconhecimento do “grande” papel que os povos indígenas têm desempenhado na proteção da natureza é uma “notícia muito boa”.
“Percebemos que a natureza é uma grande aliada não só para resolver a crise climática, mas também para perseguir os objetivos do desenvolvimento sustentável.”
Embora acredite ter havido uma “dignificação” das comunidades locais que zelam pelo “patrimônio natural do qual todos dependemos”, ainda há muito por fazer, especialmente no que diz respeito aos seus direitos.
Singh reflete sobre o sofrimento de muitos indígenas, em alguns casos “ameaçados pela mineração e derramamentos de petróleo” e, em outros, abalados pela violência e assassinatos.
“E veja o que eles alcançaram. Eles são um testemunho do espírito humano com o qual devemos aprender” e pelo qual sentir “esperança”.
2. O tema nunca esteve tão em alta entre governos e empresas
“O clima nunca esteve tão em alta na agenda política. Se pensarmos no Acordo de Paris [assinado em abril de 2016 e que estabeleceu medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa] (a questão) agora está ainda maior”, diz Pérez-Cirera.
“Ter o primeiro-ministro chinês e o presidente dos Estados Unidos falando sobre o clima como uma de suas três prioridades políticas em nível nacional é algo que nunca vimos antes.”
Isso significa que o clima não se limita mais às agendas de organizações ambientais ou de alguns países, mas está se tornando um tema de interesse econômico global, e “isso é definitivamente uma boa notícia”.
Segundo o especialista, muitas empresas já começaram a reagir e estão percebendo que virão regulamentações governamentais mais rígidas. “Mas também que há demandas cada vez mais importantes dos consumidores.”
Existem empresas em diferentes partes do mundo que “estão estabelecendo metas alinhadas com a ciência, com [a meta de manter o aquecimento global abaixo de] 1,5ºC”.
Em setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que mais da metade dos setores que compõem a economia mundial se comprometeram a reduzir suas emissões pela metade na próxima década.
“Em cada um desses setores, pelo menos 20% das principais empresas por receita estão alinhando em torno de metas setoriais específicas para 2030, em linha com a obtenção de emissões líquidas zero até 2050, e que incluem metas como 60% de geração renovável no setor de energia e 5% de combustível com emissão zero no setor de transporte marítimo”.
Raúl Salazar, chefe regional para as Américas e o Caribe do Escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres, também vê motivos para otimismo.
“Do nosso ponto de vista, vemos que existe um compromisso importante dos níveis governamental e comunitário para avançar na redução do risco de desastres e ameaças de origem climática.”
“Há uma consciência muito clara de que se não forem tomadas medidas objetivas para lidar com as mudanças climáticas nos próximos dez anos, eventos climáticos extremos serão esmagadores, especialmente para os países em desenvolvimento.”
3. Temos muito mais informações — e isso nos ajuda a prevenir desastres
O estudo das mudanças climáticas tem levado ao desenvolvimento de novas ferramentas de pesquisa e modelos de análise.
“Temos mais dados e, quanto mais informações (acumulamos) ao longo do tempo, melhor podemos entender o que está acontecendo, bem como a direção e magnitude da mudança”, diz Erika Podest, cientista do Grupo de Ciclo e Ecossistemas de Carbono na Divisão de Ciências da Terra do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, a agência espacial americana.
A Nasa possui uma frota de satélites para monitorar o planeta, assim como outras agências espaciais, como a europeia e a japonesa.
E um grupo de cientistas está usando a Estação Espacial Internacional para estudar o clima da Terra.
“Se conseguirmos entender como as coisas eram antes e qual foi a trajetória, podemos prever melhor como será o futuro e nos preparar, porque parte de todo esse processo de compreensão dos impactos das mudanças climáticas é tentar mitigar e se adaptar.”
Por exemplo, detectar a vulnerabilidade de áreas onde você deseja construir pode salvar vidas e reduzir perdas econômicas.
Na América Latina e no Caribe, diz Salazar, a coleta sistemática de informações sobre danos e perdas causados ​​por desastres nos permitiu tomar melhores decisões para o futuro.
“Em alguns casos, foram medidas concretas de preparação para emergências”, embora existam lacunas importantes entre os países quando se trata de coleta de dados.
“Se você me perguntar se estamos melhorando, acho que sim. As tendências regionais mostram que houve redução da mortalidade por efeito das ameaças de origem climática (furacões, inundações, deslizamentos) e geológica (terremotos, tsunamis)”.
A análise dos dados de eventos de grande e pequena escala levou a uma estimativa de que nove entre dez desastres ocorridos na região nos últimos 40 anos foram de origem climática.
“Isso nos diz claramente que eles podem ser evitados e previstos com sistemas melhores, por exemplo, monitoramento meteorológico, alerta precoce”, argumenta.
“Nesse sentido, serão originadas uma maior quantidade de medidas governamentais para prevenir a perda de vidas.”
O conhecimento dos dados também lhes permite desenvolver modelos probabilísticos “que ajudem os governos a quantificar a possibilidade de perdas no futuro e, portanto, enumerar as medidas ou dotações orçamentárias para a prevenção de desastres”.
4. Fontes alternativas de energia hoje são acessíveis
Pérez-Cirera explica que um dos fortes argumentos contra a energia eólica e solar no passado eram os custos dessas tecnologias. Isso mudou.
“Pensando nos custos de mercado, a energia solar, por exemplo, é muito competitiva. Alcançou preços mínimos impressionantes, o que, com as políticas adequadas, a torna uma alternativa perfeitamente viável.”
Outro argumento utilizado é que nem sempre há sol ou vento.
“Alguns políticos que tinham relações com a indústria do petróleo disseram que a energia renovável não era confiável. No entanto, já existem sistemas de armazenamento de energia disponíveis.”
“Se você tem meses com muito vento, pode armazenar essa energia e usá-la em outro momento. Antes, as baterias de armazenamento eram muito caras, agora, são muito acessíveis.”
As energias renováveis ​​”já não são um sonho distante, estão mesmo disponíveis”.
Podest menciona outras formas, como geotérmica e marés, e o avanço dos carros elétricos. E diz que, se desenvolvidas de forma responsável, podem ajudar a reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2).
5. Estamos mais conscientes do problema e dispostos a agir
“O planeta está esquentando, e já estamos vendo os impactos das mudanças climáticas”, diz Podest.
À medida que a situação piora, veremos eventos extremos com mais frequência: ondas de calor, ondas de frio, furacões mais intensos.
“Mas dá tempo de mudar ou pelo menos parar e começar a reverter os danos que causamos ao meio ambiente”, afirma.
E esclarece que, “quanto mais rápido agirmos, melhores serão as chances de preservar nosso planeta de forma habitável”.
Para a especialista, “nunca é tarde demais”. “Muitas pessoas podem pensar: ‘Para quê? É melhor eu aproveitar todos os confortos da minha vida porque não há nada que possa ser feito’. Mas todos nós podemos fazer alguma coisa.”
Segundo ela, as ações mais importantes no nível individual dizem respeito a minimizar o consumo de combustíveis fósseis, o uso de carros convencionais, recursos como eletricidade ou água. “Ser mais consciente de nosso impacto sobre o meio ambiente.”
Na América Latina, diz Pérez-Cirera, temos grandes possibilidades de escolher alimentos altamente nutritivos que deixam uma pequena pegada de carbono.
Se queremos um futuro próspero e mais justo, temos que nos voltar para ver a natureza, ressalta.
“A ciência nos diz que a janela do tempo está se fechando, mas também nos diz que é possível. E o que indica o nível de preocupação da sociedade também é um farol de esperança”.
Assim, a consciência individual e coletiva sobre as mudanças climáticas cresce.
“É muito importante que não caiamos em um sentimento de desesperança, mas sim de empoderamento”.
“Pensar que como consumidores temos poder, como eleitores temos poder, como indivíduos podemos fazer algo e que algo não é marginal, mas poderoso”.

Fonte: G1 Mundo

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Após 20 meses de restrições, EUA reabrem suas fronteiras na segunda-feira


Para os viajantes que chegam de avião, os EUA solicitarão certificado de vacinação, teste negativo para Covid e um sistema de rastreamento de contatos pelas companhias aéreas. Joe Biden, presidente dos EUA, discursa sobre a vacinação durante evento em Illinois nesta quinta (7)
Susan Walsh/AP Photo
Os Estados Unidos se preparam para reabrir suas fronteiras terrestres e aéreas aos viajantes vacinados contra covid-19 nesta segunda-feira (8), encerrando 20 meses de severas restrições criticadas pela Europa e pelos vizinhos México e Canadá.
Famílias separadas, relações comerciais interrompidas, ambições de carreira frustradas: a “proibição de viagens” imposta pelo então presidente Donald Trump no início de 2020, mais tarde confirmada por seu sucessor Joe Biden, agravou as turbulências provocadas pela pandemia.
Para se proteger dos países mais atingidos pela covid-19, Trump impôs rapidamente restrições de viagens da China em fevereiro de 2020. Depois, no dia 13 de março, foi a vez dos países da Europa pertencentes ao espaço Schengen (a lista de 26 países europeus que aboliram oficialmente todos os passaportes e controles em suas fronteiras mútuas).
Reino Unido e Irlanda foram restringidos alguns dias depois, enquanto as fronteiras terrestres já estavam praticamente fechadas com o México e o Canadá.
Com todos esses países, a densidade das trocas humanas e econômicas é extremamente intensa.
Oito pessoas morrem e mais de 300 ficam feridas durante tumulto em festival de música nos EUA
Covid: por que lei que torna vacina obrigatória para funcionários de empresas foi suspensa nos EUA
Congresso dos EUA aprova pacote de infraestrutura de US$ 1,2 trilhão
“Foi muito difícil, só quero ver meu filho”, disse à AFP Alison Henry, uma britânica de 63 anos que viajará na segunda-feira (8) para encontrar seu filho em Nova York após 20 meses de separação.
Desde o verão passado era possível viajar dos Estados Unidos para a Europa, mas os estrangeiros que se estabeleceram nos Estados Unidos e possuíam certos vistos não tinham garantia de poder voltar para casa.
Para atender ao previsível aumento da demanda, as companhias aéreas aumentaram o número de voos transatlânticos e o tamanho dos aviões.
O levantamento das restrições também representa um respiro para o setor de aviação em crise pela pandemia.
Também ao longo da imensa fronteira mexicana, inúmeras cidades americanas, no Texas ou na Califórnia, sofreram um forte choque econômico e aguardam ansiosamente o retorno à normalidade.
Os ricos aposentados canadenses, por exemplo, podem agora, sem medo, na época da primeira geada, iniciar sua jornada anual de carro para a Flórida e suas delícias climáticas.
Vacinação e testes
Para os viajantes que chegam de avião, os Estados Unidos solicitarão a partir de segunda-feira (8), além do certificado de vacinação e do teste negativo para Covid feito nos três dias anteriores à partida, o estabelecimento pelas companhias aéreas de um sistema de rastreamento de contatos.
Para a rota terrestre, as restrições serão suspensas em duas etapas.
A partir de segunda-feira (8), as pessoas que chegarem ao país por motivos considerados não essenciais, como família ou turismo, poderão cruzar a fronteira do Canadá ou do México, desde que estejam vacinadas.
Aqueles que o fazem por motivos imperiosos, por exemplo, os motoristas de caminhão, estarão isentos deste requisito.
Mas a partir de janeiro a obrigação de vacinação se aplicará a todos que cruzarem as fronteiras terrestres, independentemente do motivo da viagem.
As autoridades de saúde dos EUA também indicaram que todas as vacinas aprovadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) serão aceitas.
Por outro lado, a OMS está mais uma vez alarmada com a taxa de transmissão “muito preocupante” da covid-19 na Europa, que pode causar mais meio milhão de mortes no continente até fevereiro.
Esta quarta onda atinge principalmente a Alemanha, com a qual o governo Biden é especialmente cuidadoso em suas negociações.
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Fonte: G1 Mundo

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Nueva Germania: A tentativa fracassada da irmã de Nietzsche de criar ‘utopia racista’ no Paraguai


A colônia de Nueva Germania foi fundada em 1887 por Bernhard Förster e sua esposa Elisabeth Nietzsche para implementar suas ideias de superioridade da raça ariana. Nueva Germania: A tentativa fracassada da irmã de Nietzsche de criar ‘utopia racista’ no Paraguai
JONATAN KURZWELLY
Em uma cidade no Paraguai existem nomes de ruas relacionados a personagens alemães, uma igreja luterana, um museu com a história do lugar e você pode ver crianças loiras de olhos azuis falando alemão.
Nada extraordinário. Embora, talvez, se eu disser que essas crianças também falam espanhol e guarani, e vivem em um clima tropical em uma área conhecida como berço da erva-mate, isso chamará sua atenção.
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Bem-vindos a Nueva Germania, uma colônia alemã localizada em uma selva do Paraguai. Nela vivem mais de 6 mil pessoas e a principal atividade é a agricultura.
Alguns de seus habitantes são descendentes dos primeiros alemães que chegaram no final do século 19 para fundar a colônia. Hoje a comunidade Nueva Germania sobrevive, embora o conceito que inspirou sua criação tenha falhado.
Uma utopia ariana
Para compreender as origens de Nueva Germania, temos de relembrar o crescente clima anti-semita que varreu a Europa na década de 1870.
Em alguns círculos, ideias de pureza racial e a criação de assentamentos fora da influência judaica estavam florescendo.
O compositor alemão Richard Wagner, conhecido anti-semita, fez parte desse ambiente, assim como o professor Bernhard Förster e sua esposa Elisabeth Nietzsche, irmã do filósofo Friedrich Nietzsche — mas o próprio Nietzsche era contrário à ideologia de sua irmã.
Elisabeth Nietzsche
GETTY IMAGES
“A ideia começou com Richard Wagner”, diz o antropólogo polonês-alemão Jonatan Kurzwelly, que escreveu uma tese sobre identidade em Nueva Germania, à BBC News Mundo (serviço de notícias em espanho da BBC).
“É preciso entender um pouco do contexto histórico europeu. Eram tempos de aumento do anti-semitismo, principalmente na Alemanha, em conjunto com dois eventos: a quebra da bolsa de Viena, que causou uma crise econômica, e os pogroms no Império Russo, os ataques aos judeus que causaram uma grande onda de imigração.”
“Naquela época, na casa de Richard Wagner, Elizabeth Nietzsche conheceu seu futuro marido, Bernhard Förster”, conta Kurzwelly.
“E aí Wagner supostamente apresentou a ideia de que uma Nova Germânia deveria ser construída fora da Europa, porque a Europa já estava sob controle judaico demais.”
Richard Wagner
Getty Images
O casamento de Förster e Nietzsche ajudou a dar forma a essa ideia. E essa utopia racista de criar uma comunidade ariana fora da Alemanha se materializou — brevemente — a dezenas de milhares de quilômetros de distância da Alemanha.
Da Alemanha ao Paraguai
Förster viajou sozinho pelo Paraguai entre 1883 e 1885. Mas por que aquele país?
Pouco mais de uma década se passou desde o fim da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870).
“O Paraguai era um país totalmente destruído, sem recursos econômicos e com uma dívida de guerra gigantesca”, diz à BBC News Mundo o historiador e gestor cultural paraguaio Fabián Chamorro.
Por conta disso, havia uma política de trazer imigrantes. Além disso, no Paraguai já havia uma colônia alemã, a de San Bernardino (embora não tivesse nada a ver com a utopia ariana de Förster).
Viajando pelo país, Förster escolheu o local onde queria instalar sua colônia: uma área remota e de difícil acesso — no que hoje é o departamento de San Pedro — às margens do rio Aguaray, a cerca de 300 km da capital, Assunção.
Imagem de alguns dos primeiros colonos alemães que chegaram a Nueva Germania
JONATAN KURZWELLY
“O que não sabemos é por que ele escolheu um lugar tão hostil. Há somente dez anos ainda era difícil chegar lá”, diz Chamorro.
Ele negociou com o governo paraguaio e eles chegaram a um acordo no qual o Estado cedeu o terreno a Föster. Este se comprometeu em trazer 140 famílias europeias em dois anos. Se ele conseguisse imigrar essa quantidade de famílias, a terra se tornaria propriedade dos colonos.
De volta à Alemanha, Förster se casou com Elisabeth.
Em 1887, os dois viajaram para o Paraguai, junto com várias outras famílias alemãs, e fundaram Nueva Germania.
Seu sonho era claro: criar um espaço onde pudesse colocar em prática suas ideias utópicas racistas sobre a superioridade da raça ariana, longe da influência dos judeus, a quem desprezava.
Em alguns relatos, consta que chegaram 14 famílias, embora os dados não sejam fáceis de se verificar, diz Kurzwelly, citando a tese de doutorado de Daniela Kraus.
“É preciso distinguir entre o número de famílias que embarcaram em Hamburgo, o número de famílias que chegaram ao Paraguai e as que se mudaram para Nueva Germania”, diz a antropóloga.
Os problemas
Porém, a vida na colônia e a adaptação ao local não foram fáceis, e logo os problemas começaram em Nueva Germania.
“Essa área tem um clima tropical e é terrivelmente quente”, diz Chamorro.
Retratos de Elisabeth Nietzsche e Bernhard Förster no museu dedicado à história da Nova Germânia
JONATAN KURZWELLY
“Eles encontraram uma terra hostil, e não se podia cultivar simplesmente qualquer tipo de alimento.”
Além disso, acrescenta o perito paraguaio, eles não eram agricultores. Não tinham experiência de trabalho no campo, mas eram pessoas que também fugiam pela difícil situação em que viviam na Alemanha.
Além disso, Förster fundou a colônia longe da capital, embora “Elizabeth quisesse que ela ficasse mais perto de Assunção e San Bernardino”, diz Kurzwelly.
E acima de tudo, o projeto tinha muitos problemas financeiros.
O casal era quem administrava tudo, inclusive os preços dos produtos que depois eram vendidos na capital, explica a antropóloga. “Foi realmente uma empreitada privada do casal.”
Além disso, Förster vendia terras que ainda não lhe pertenciam conforme acordado com o governo paraguaio. Mas mesmo que a terra não lhe pertencesse legalmente, pelos termos do acordo ele tinha direito de uso dela para poder formar uma colônia.
“Ele esperava que a terra viesse a ser sua”, diz Kurzwelly. “Eu realmente acho que eles estavam animados com o sonho de que milhares e milhares de famílias iriam segui-los.”
E a relação dos colonos com o casal se deteriorou.
“Förster passava cada vez menos tempo na colônia e Elisabeth cada vez mais cuidava do gerenciamento da colônia.”
O fim do sonho Förster-Nietzsche
A notícia do que estava acontecendo na colônia acabou chegando à Alemanha, por meio de cartas ou colonos que voltaram ao país. Em algumas cartas, Förster foi acusado de ser um fraudador.
“Há algumas cartas que dizem, por exemplo, que foi um erro ir para Nueva Germania”, diz Kurzwelly.
JONATAN KURZWELLY
“Há algumas cartas que dizem, por exemplo, que foi um erro ir para Nueva Germania”, diz Kurzwelly.
Por conta disso, outros alemães não quiserem se mudar para o Paraguai, e Förster nunca foi capaz de cumprir o compromisso de trazer 140 famílias.
No final, ele acabou se mudando para San Bernardino, onde morreu em 1889.
“Existem duas teorias, a maioria das pessoas diz que ele cometeu suicídio, mas não se sabe ao certo. O laudo médico dizia que ele sofreu um infarto. Diz-se que o laudo médico foi falsificado por Elisabeth, mas isso não pode ser verificado.”
Túmulo de Bernhard Förster em San Bernardino, no Paraguai
CORTESÍA FABIÁN CHAMORRO
Elisabeth viajou para a Alemanha e, embora tenha retornado à Nueva Germania, os colonos não a aceitaram mais e ela se estabeleceu definitivamente em seu país em 1893 para cuidar de seu irmão doente.
Após a morte do filósofo em 1900, ele obteve os direitos sobre seus manuscritos e, rejeitando o acesso público às obras, editou e distorceu-as.
Ela virou defensora do nacional-socialismo (nazismo). Adolf Hitler e outras autoridades nazistas compareceram ao seu funeral em 1935.
Após sua morte, os especialistas reeditaram os escritos de Nietzsche e encontraram as versões distorcidas de Elisabeth: ela forjou quase 30 cartas e reescreveu várias passagens.
Adolf Hitler no funeral de Elisabeth Nietzsche
GETTY IMAGES
E foi assim que essa utopia ariana racista fracassou.
“Nueva Germania não fracassou como colônia, pois continua existindo até hoje. O que fracassou foi o sonho racista de Förster”, observa Kurzwelly.
“O que devemos ter em mente é que o sonho racista era dele, de Elisabeth e talvez de uma ou duas outras famílias.”
“Outros, naquela época em que havia ondas gigantescas de imigração para as Américas, só queriam partir e construir uma nova vida, e a ideia do organizador dessa imigração talvez tenha tido menos importância para eles.”
Nueva Germania hoje
A origem alemã desta localidade ainda é visível, graças “às quatro ou cinco famílias originais alemãs que ficaram e tiveram filhos”, diz Chamorro.
“Hoje você pode ver meninos loiros falando guarani.”
Três línguas são faladas em Nueva Germania. Guarani e espanhol, que são as línguas oficiais do Paraguai, e alemão, usado por famílias de descendência alemã.
“O alemão que se fala muitas vezes se mistura com o espanhol”, diz Jonatan Kurzwelly, que morou algum tempo em Nueva Germania para fazer sua tese.
O antropólogo explica que hoje existem conexões com a Alemanha. “Algumas pessoas passaram algum tempo viajando ou morando na Alemanha.”
Nueva Germania hoje
CORTESÍA FABIÁN CHAMORRO
“Há um acordo com uma comunidade evangélica na Alemanha, que organizou alguns intercâmbios entre seus membros.”
Há duas igrejas fortes na região: a Igreja Evangélica Luterana (que possui relação com a Igreja Luterana Alemã) e a Católica.
“Tradicionalmente, essa também era a divisão entre alemães e paraguaios”, diz a antropóloga.
Quanto à identidade, ele diz que “uns se definem como alemães, outros se definem como alemães e paraguaios e às vezes têm essa contradição interna.”
O que não existe mais em Nueva Germania — que morreu junto com Bernhard Förster e sua esposa Elisabeth Nietzsche — é a ideia racista com que o casal concebeu a colônia, explica Kurzwelly.
“Famílias alemãs moram com paraguaios, às vezes se casam, se misturam”.
“Nueva Germania não deve ser explicada como um sonho racista. Ela foi um sonho privado de duas pessoas com ideias muito racistas que enfrentaram a dura realidade de trabalhar no campo, administrar a colônia e a insatisfação do povo da colônia.”
“Um amigo meu disse que gostaria que Nueva Germania não fosse lembrada como a primeira tentativa protonazista, mas como a primeira tentativa protonazista fracassada.”

Fonte: G1 Mundo

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Brasileiros elogiam velocidade da internet 5G no exterior, mas ainda não viram a esperada ‘revolução’


Saiba o que diz quem já usou a nova geração de banda larga móvel nos Estados Unidos, Japão e Suíça. Leilão realizado nesta semana definiu empresas que vão operar tecnologia no Brasil. Brasileiros contam como é usar o 5G no exterior
Arquivo Pessoal
O leilão da internet 5G, que aconteceu na última quinta (4) e na sexta (5), abriu caminho para a nova tecnologia chegar de vez ao Brasil. Ela já é uma realidade em alguns países, mas ainda levará um tempo para que as operadoras instalem a infraestrutura necessária para que nova banda larga funcione aqui.
Com a conexão ultrarrápida, a previsão é de muitas novidades: carros que podem dirigir sozinhos, cirurgias feitas à distância e uma infinidade de dispositivos ligados à internet ao mesmo tempo.
Brasileiros que vivem em Japão, Estados Unidos e Suíça contaram ao g1 como é poder usar o 5G no dia a dia. Para eles, o que chama mais atenção é a grande velocidade da internet, mas a esperada “revolução” ainda não aconteceu.
SAIBA MAIS
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Nova empresa: Winity pretende ‘alugar’ para operadoras faixa do 5G que arrematou
Aumenta ‘vício’ e pega até no Alasca
A arquiteta Camila Delvaz, de 35 anos, mora em Nova York e usa o 5G desde novembro passado. Ela aprova a nova tecnologia e diz que consegue ver filmes e seriados na qualidade máxima sem precisar se conectar ao wi-fi.
“O negativo é aumentar o vício em se manter conectada”, diz. Em viagens nos Estados Unidos, ela já passou por Utah, Arizona, Nevada e até o remoto estado do Alasca.
“Eu fiquei impressionada, para ser sincera, que pegou em muito mais lugares do que eu imaginava”, afirma Camila.
A arquiteta Camila Delvaz usou 5G até no Alasca
Arquivo pessoal / Camila Delvaz
Ela comenta que o sinal tem alguns “buracos” em regiões mais desabitadas, mas não é algo exclusivo do 5G. “Não pegava em todos os lugares, mas não apenas o 5G. Isso acontece em regiões onde o celular não funciona”, explica.
Vivendo em uma rotina de viagens entre Nova York e Miami, o economista e diretor de RH Daniel Rodrigues Ribeiro, de 34 anos, começou a usar a tecnologia neste ano, e ainda sente falhas.
“Ele [o 5G] é mais rápido, quando pega. Ainda é uma tecnologia muito nova, e a cobertura não é tão boa como a do 4G, que já está em todos os lugares”, conta o brasileiro.
O economista e diretor de RH, Daniel Rodrigues Ribeiro, de 34 anos, diz que 5G é bem rápido
Arquivo Pessoal / Daniel Ribeiro
Restrito a grandes cidades no Japão
A falta de uma cobertura em toda a área de um país não é exclusividade dos EUA. Brasileiros que vivem no Japão relatam que por lá a tecnologia ainda tem foco nas grandes cidades.
“Quando estou trocando de região, para uma em que não funciona 5G, a internet dá uma falhada quando volta para o 4G”, conta a influencer Isabella Borrego, de 24 anos. Ela vive em Kanagawa, na região metropolitana de Tóquio.
Influencer Isabella Borrego, de 24 anos, diz que sinal pode falhar quando muda para o 4G
Arquivo pessoal / Isabella Borrego
Em Oizumi, na província de Gunma, a 70 km da capital japonesa, a quinta geração de banda larga móvel ainda não chegou, conta a também influencer Aline Duarte, de 26 anos.
Ao contrário dos EUA, onde os preços se mantiveram os mesmos, segundo os entrevistados, no Japão houve algum aumento de valor para usar o 5G.
“Mudou coisa de mil e pouco ienes [mais de R$ 50] para ter o chip com 5G”, diz Aline.
A influencer Aline Duarte, de 26 anos, não consegue usar o 5G em cidade a 70 km de Tóquio
Arquivo pessoal / Aline Duarte
Mas faz tanta diferença assim?
O cinegrafista Fábio Rogério Saheki, de 37 anos, morou no Japão por 20 anos e acaba de voltar ao Brasil. Ele acompanhou as evoluções tecnológicas do país asiático nas últimas décadas, inclusive a chegada do 5G.
“Eu não senti muita diferença. Particularmente, o que senti é que vídeos do YouTube abriam mais rápido. Mas, realmente, não senti uma diferença grande, nada absurdo”, comenta. “Para outras pessoas, que fazem um tipo de uso mais intenso de dados, pode ser que dê uma diferença”.
O cinegrafista Fábio Rogério Saheki, de 37 anos, morou no Japão por 20 anos, e viu chegada do 5G
Arquivo pessoal / Fábio Saheki
Um dos primeiros efeitos para quem usa o 5G é chamada baixa latência da rede. É aquele tempo mínimo de resposta entre um aparelho e os servidores de internet – o “delay” que acontece em ligações em vídeo, quando é preciso esperar uns segundos até que a pessoa do outro lado veja e ouça o que falamos.
Para o economista Daniel Ribeiro, que vive nos EUA, a tecnologia tem ajuda bastante no dia-dia. “Os vídeos são mais rápidos. Usamos muito Zoom e Teams. Nessas videoconferências, a ligação fica com maior qualidade”, diz Daniel.
No lugar do wi-fi
Mesmo que o 5G seja muito potente e prometa velocidades maiores — de até 100 vezes em relação ao 4G —, a tendência é que a rede móvel sirva como um complemento ao wi-fi.
O gestor de desenvolvimento de produtos Fernando Souza, que vive em Lucerna, na Suíça, tem “desapegado” de encontrar as redes de internet fixa.
“Como positivo é não precisar de wi-fi para nada, nem mesmo para trabalho remoto onde quer que você esteja, como num café ou num parque”, comenta Fernando.
Ele não teve que trocar de aparelho para usar o 5G por já ter uma modelo acessível à conexão, mas a maior parte dos entrevistados precisou comprar novo smartphone compatível com a tecnologia (veja modelos que comportam o 5G à venda no Brasil).
Fernando Souza, gestor de desenvolvimento de produtos, que vive em Lucerna, na Suíça, tem usado 5G no lugar do Wi-FI
Arquivo pessoal / Fernando Souza
Uma transição para o ‘5G puro’

A maioria dos locais em que a conexão 5G está disponível utiliza o padrão DSS (Compartilhamento Dinâmico de Espectro, da sigla em inglês), que oferece maiores velocidades, mas utiliza a infraestrutura existente do 4G. É o caso de algumas cidades brasileiras, por exemplo.
O 5G DSS não chega a entregar o potencial máximo do 5G, que só é atingido com a instalação de uma infraestrutura para o 5G SA (standalone, ou autossuficiente, na tradução para o português).
Isso explica o porquê de muitos avanços prometidos pela nova geração de banda larga ainda estarem “engatinhando”. A Opensignal, empresa que analisa a qualidade das conexões de internet, disse ao g1 que a maioria das redes 5G SA estão na China e que há um investimento intenso da tecnologia nos Estados Unidos pela operadora T-Mobile.
Veja quais países já têm 5G: maioria está em estágios iniciais da tecnologia
Quando chega? Precisa trocar de celular? Tire suas dúvidas:
Guia do 5G: tire suas dúvidas
5 mudanças do 5G na vida das pessoas

Fonte: G1 Mundo