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A polêmica empresa que ‘escuta’ tiros nas ruas dos EUA e alerta a polícia


A BBC teve acesso à ShotSpotter, a polêmica empresa americana de tecnologia que detecta tiros. Um analista da ShotSpotter em sua estação de trabalho
BBC
A sala de revisão de incidentes da ShotSpotter é como qualquer outro centro de atendimento de chamadas.
Analistas, com seus fones de ouvido, estão sentados diante de telas de computador, ouvindo atentamente. Mas as pessoas trabalhando aqui têm uma responsabilidade extraordinária.
Elas tomam a decisão final sobre se um algoritmo de computador identificou corretamente um disparo de arma de fogo — e se é o caso de chamar a polícia. Tomar uma decisão errada traz graves consequências.
A ShotSpotter foi objeto de muita cobertura negativa na imprensa no último ano. Foram feitas alegações que variaram desde sua tecnologia não ser precisa a acusações de que a ShotStopper está alimentando discriminação dentro da polícia.
Diante dessas histórias negativas, a empresa deu à BBC News acesso a seu centro nacional de revisão de incidentes.
A ShotStopper está tentando resolver um problema legítimo. “O que torna esse sistema tão atraente, nós acreditamos, é o fato de que de 80% a 95% dos disparos de armas de fogo acabam não sendo registrados”, afirma o executivo-chefe, Ralph Clark.
As pessoas não registram tiros por vários motivos — elas podem não estar certas do que ouviram, pensar que alguém vai ligar para o 911 (número da polícia nos EUA) ou simplesmente por falta de confiança na polícia.
Ralph Clark, executivo-chefe da ShotSpotter
BBC
Então os fundadores da ShotSpotters tiveram uma ideia. E se eles pudessem passar por cima do processo do 911?
Eles criaram um sistema. Microfones são afixados em estruturas pela vizinhança. Quando um barulho alto é detectado, um computador analisa o som e o classifica como um disparo de arma de fogo ou alguma outra coisa.
Um analista humano então assume o caso para rever a decisão do computador. Na sala de revisão de incidentes, a ex-professora Ginger Ammon deixa que eu sente ao seu lado enquanto ela analisa essas decisões em tempo real.
Toda vez que o algoritmo identifica um potencial tiro, ele faz um som de “ping”. Ammon primeiro escuta a gravação e em seguida estuda as ondas sonoras produzidas pelo barulho, na tela de seu computador.
“Estamos vendo quantos sensores identificaram o ruído e se os sensores fizeram um padrão direcional, porque, em tese, um disparo de arma de fogo só pode viajar numa única direção”, diz ela.
Assim que ela estiver convencida de que um tiro foi mesmo disparado, Ammon aperta um botão que determina o envio de policiais para o local. Tudo acontece em menos de 60 segundos.
A analista da ShotSpotter, Ginger Ammon, em um dia de trabalho
BBC
“Parece que você está jogando um jogo de computador”, eu digo. “Esse é um comentário que a gente ouve frequentemente”, responde ela.
Sucessos da ShotSpotter
Há exemplos claros de casos em que a ShotSpotter funcionou. Em abril de 2017, o supremacista negro Kori Ali Muhammad lançou-se numa onda assassina em Fresno, no Estado da Califórnia.
Ao tentar matar o maior número possível de homens brancos, ele caminhou por um bairro periférico escolhendo alvos.
A polícia estava recebendo chamadas no número 911, mas elas estavam atrasadas e não traziam informações específicas. Mesmo assim, a ShotSpotter foi capaz de indicar a policiais o caminho que estava sendo tomado por Muhammad.
Depois de três minutos — e três assassinatos —, Muhammad foi detido. A polícia de Fresno acredita que, sem a ShotStopper, ele teria matados mais pessoas. “A ShotSpotter nos forneceu o caminho que ele tomou,” diz o tenente Bill Dooley.
A empresa tem sido extremamente bem-sucedida em convencer forças policiais a adotar sua tecnologia.
Seus microfones estão instalados em mais de cem cidades nos EUA — e, por anos, a tecnologia não foi considerada polêmica.
A empresa se recusa a revelar publicamente a aparência de seus microfones, mas acredita-se que este da imagem seja de um deles
BBC
Tudo isso mudou com o assassinato de George Floyd, quando muitos ficaram mais interessados na tecnologia que tantos departamentos de polícia estavam usando.
A ShotSpotter é muito cara para que a polícia a adote em uma cidade inteira. Em vez disso, microfones são com frequência colocados em áreas nos centros das cidades — justamente onde há uma maior concentração de cidadãos negros.
Então, se a tecnologia não é tão precisa quanto a empresa alega, ela poderia estar impactando de forma desproporcional essas comunidades. Isso colocou a ShotSpotter na berlinda.
Índice de acertos
A ShotSpotter alega estar certa em 97% dos casos. Isso significa que a polícia pode confiar que, quando chega um alerta da ShorSpotter, é quase certeza de que eles estarão realmente respondendo a um caso de disparo de arma de fogo.
Mas essa alegação é exatamente isso: apenas uma alegação. É difícil ver como a ShotSpotter medir sua própria precisão — pelo menos tendo como parâmetro a informação que a empresa torna pública.
E, caso ela não seja tão precisa como afirma, isso pode ter amplas consequências para a Justiça americana.
O primeiro problema com essa taxa de precisão alegada é que com frequência é difícil determinar, no local do incidente relatado, se um tiro foi realmente disparado.
Quando a inspetoria-geral de Chicago investigou a questão, eles descobriram que em apenas 9% dos alertas da ShotSpotter havia qualquer evidência física de ter realmente ocorrido um disparo de arma de fogo.
“É um número baixo”, diz a vice-inspetora-geral para Segurança Pública, Deborah Witzburgh.
O dado significa que, em 91% das respostas policiais a alertas da ShotSpotter, é difícil dizer de forma definitiva que uma arma foi disparada. Isso não quer dizer que não houve tiro, mas é difícil provar que houve.
A vice-inspetora geral de segurança pública de Chicago, Deborah Witzburgh
BBC
O barulho de um tiro é muito semelhante ao de um rojão ou outro tipo de fogo de artifício ou ainda do estouro de um escapamento de carro. Então como a ShotSpotter pode ter tanta confiança de que é quase 100% correta? Essa é uma pergunta que eu levei para Ralph Clark, o executivo da empresa.
“Nós dependemos da confirmação do local passada por agências, para que nos digam quando nós erramos, quando deixamos passar uma detecção ou quando classificamos um barulho de forma errada”, diz ele.
Críticos, porém, afirmam que a metodologia tem uma falha fundamental. Se a polícia não tem certeza se uma arma de fogo foi disparada, eles não vão dizer à empresa que houve um erro.
Em outras palavras, dizem esses críticos, a empresa tem contado os “não sei”, “talvez” e “provavelmente” como “acertamos”.
O advogado de defesa Brendan Max diz que o índice de precisão divulgado pela empresa é “bobagem com objetivo de marketing”.
“Feedback de consumidor é algo usado para decidir se as pessoas gostam mais de Pepsi ou de Coca-Cola”, afirma ele. “Isso não é feito para estabelecer se um método científico funciona.”
Conor Healy, que analisa sistemas de segurança para o grupo de pesquisa sobre vigilância por vídeo IPVM, também é profundamente cético sobre a alegação da empresa de que ela acerta em 97% dos casos.
“Colocar sobre a polícia o ônus de relatar todo falso positivo significa que você espera que eles vão relatar quando nada aconteceu… O que eles provavelmente não farão”, afirma Healy.
“É justo assumir que, se eles [ShotSpotter] têm dados sólidos de teste para sustentar suas alegações, eles têm todo incentivo para divulgar esses dados.”
Crimes em alta
Em Fresno, eu me junto à polícia durante um turno noturno, acompanhando o policial Nate Palomino.
Fresno tem uma das piores taxas de criminalidade com uso de armas de fogo da Califórnia — e, como em muitas outras cidades americanas, ela tem piorado nos últimos dois anos.
Como era de se esperar, um alerta da ShotSpotter é enviado. Entretanto, quando chegamos ao local, nenhuma cápsula de bala é encontrada, e não há nenhuma evidência física de um disparo de arma de fogo.
O policial Palomino me diz que a gravação de áudio parece a de um tiro — e parece bem possível que realmente tenha sido —, mas é difícil provar. Ele diz que essa situação é típica.
O oficial Nate Palomino procura cartuchos de armas em uma rua de Fresno
BBC
O índice de acertos da ShotSpotter deveria ser inquestionável. Os resultados dos serviços da empresa têm sido usados em tribunais nos quatro cantos dos EUA como evidência em argumentos tanto de defesa como de acusação.
A preocupação é que, se ela não acerta com tanta frequência quanto alega, a ShotSpotter está enviando policiais para situações em que eles estão, equivocadamente, esperando encontrar uma cena de uso de arma de fogo.
Alyxander Godwin, que tem feito campanha para eliminar os serviços da ShotSpotter da cidade de Chicago, sintetiza essa preocupação.
“A polícia espera que essas situações sejam hostis”, afirma ela. “Eles esperam que haverá uma arma de fogo, e por causa da área para onde foram enviados, eles esperam ver uma pessoa de pele escura segurando uma arma.”
Mas a ShotSpotter afirma que não existem dados para sustentar essa tese.
“O que você está descrevendo é uma situação em que policiais vão a um local e basicamente atiram em pessoas desarmadas”, diz Clark. “Isso simplesmente não aparece nos dados. É especulação.”
Ele, porém, parece também aceitar que a própria metodologia de definição de índice de acertos tem suas limitações.
“Pode ser uma crítica justa dizer ‘Olha, você não está recebendo todo o feedback que você poderia receber”, diz Clark. “Pode ser uma crítica justa.”
Mas, o advogado de Chicago diz que os relatórios ShotSpotter não deveriam ser aceitos como evidência em um tribunal até que a empresa possa sustentar melhor suas alegações de índice de acertos.
“Nos últimos quatro ou cinco meses, eu sei de dezenas de moradores de Chicago que foram presos com base em evidência da ShotSpotter”, diz ele. “Tenho certeza de que isso acontece em cidades por todo o país.”
Brendan Max, advogado em Chicago
BBC
Ele também afirma que a empresa deveria abrir seus sistemas para melhores análises e revisão.
Por exemplo, quem está revisando a qualidade das análises de forma independente? E com que frequência o algoritmo discorda de um analista humano?
Certamente, com base no que eu vi no tempo que eu passei no centro de revisão de incidentes da ShotSpotter, é comum que analistas discordem da classificação do computador.
“Ele [o computador] está apenas fazendo uma filtragem naquilo que nós vemos”, afirma Ammon. “Mas, sinceramente, eu nem mesmo olho [para a classificação], eu estou ocupada demais olhando para os padrões sensoriais.”
É uma admissão interessante. Às vezes, a tecnologia é percebida como algo que vê tudo, sabe de tudo — o computador detectando um disparo de arma de fogo de forma magistral.
Mas, na prática, os analistas desempenham um papel muito maior do que eu esperava.
Advogados como Brendan Max estão interessados em tentar estabelecer nos tribunais mais informação sobre como a tecnologia funciona.
Salvando vidas
A ShotSpotter foi muito criticada no último ano — nem todas as críticas foram justas. E muito da cobertura acaba ignorando o fato de que as forças policiais fazem frequentemente avaliações muito positivas sobre a eficácia da tecnologia.
A empresa tem interesse em destacar casos em que a ShotSpotter alertou a polícia para incidentes com vítimas de armas de fogo, salvando vidas.
Em várias cidades dos EUA, ativistas estão tentando persuadir seus municípios a encerrar seus contratos com a ShotSpotter. Mas, em outros lugares, a empresa está expandindo.
Em Fresno, o chefe de polícia Paco Balderrama busca aumentar sua cobertura, a um custo de US$ 1 milhão (R$ 5,6 milhões) por ano.
“E se a ShotSpotter salvar apenas uma vida num ano inteiro? Vale gastar US$ 1 milhão? Eu argumentaria que sim”, diz ele.
O debate em torno da ShotSpotter é extremamente complexo — e tem importantes ramificações para o policiamento de comunidades nos EUA.
É pouco provável que essa discussão desapareça até que o índice de acertos da tecnologia da empresa seja verificado independentemente, e os dados revisados por profissionais da área.

Fonte: G1 Mundo

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Arqueólogos descobrem quarto de escravos em Pompeia; veja FOTOS


Um pequeno quarto com três camas, um vaso de cerâmica e uma arca de madeira foram descobertos em escavação na Villa de Civita Giuliana, a poucos metros do restante da antiga cidade. Quarto de escravos descoberto em sítio arqueológico de Pompeia
Cortesia via AFP
Uma equipe de arqueólogos de Pompeia, na Itália, encontrou restos de um “quarto de escravos”, uma descoberta bastante rara para esta vila romana destruída pela erupção do Vesúvio há 2 mil anos.
O pequeno quarto com três camas, um vaso de cerâmica e uma arca de madeira foram descobertos em escavação na Villa de Civita Giuliana, a poucos metros do restante da antiga cidade.
No início deste ano, os arqueólogos haviam descoberto no local uma carruagem romana quase intacta. O cômodo descoberto no sábado (6) teria abrigado os escravos responsáveis pela manutenção e preparação desta carruagem.
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Três pessoas teriam vivido nos quartos de escravos descoberto em sítio arqueológico de Pompeia
Cortesia via AFP
“É uma janela para a realidade precária de pessoas que raramente aparecem em fontes históricas, escritas quase exclusivamente por homens da elite”, disse o diretor-geral do sítio arqueológico, Gabriel Zuchtriegel, sobre a descoberta que ele descreveu como “uma das mais emocionantes” de sua vida como arqueólogo.
Pompeia foi soterrada sob as cinzas quando o Vesúvio entrou em erupção em 79 DC, matando aqueles que não conseguiram deixar a cidade a tempo.
Arqueólogos trabalham em escavação em Pompeia
Cortesia via AFP
Realidade dos escravos
O cômodo de 16 metros quadrados servia de dormitório e despensa: além de três camas – uma delas infantil – havia oito vasos em um canto. O baú de madeira continha objetos de metal que pareciam fazer parte dos arreios dos cavalos nas carruagens.
“A sala nos oferece uma visão rara da realidade cotidiana dos escravos, graças ao seu excepcional estado de conservação”, informou o parque arqueológico de Pompeia.
Quarto de escravos descoberto em sítio arqueológico de Pompeia
Cortesia via AFP
‘Família’ escrava
As camas eram compostas por várias pranchas de madeira, que podiam ser ajustadas de acordo com a altura de quem as utilizava.
Duas delas tinham cerca de 1,7 metros de comprimento e as outras 1,4 metros, que poderiam ter pertencido a crianças.
Segundo o parque arqueológico, os três escravos poderiam ser uma família.
Arqueólogos trabalham em sítio em Pompeia, onde um quarto de escravos foi descoberto
Cortesia via AFP
Os arqueólogos também encontraram vários itens pessoais sob as camas, incluindo uma vasilha para pertences pessoais, jarros de cerâmica e o que pode ter sido um penico.
A sala era iluminada por uma pequena janela superior e não havia vestígios ou decorações nas paredes.
A escavação faz parte de um programa lançado em 2017 com o objetivo de combater a atividade ilegal na área, que inclui a escavação de túneis para encontrar peças que poderiam ser vendidas em mercados ilegais.
Planta mostra a divisão do sítio arqueológico onde quarto de escravos em Pompeia foi descoberto
Cortesia via AFP

Fonte: G1 Mundo

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Astronauta Wang Yaping se torna primeira mulher chinesa a caminhar no espaço


Wang e mais dois colegas foram lançados ao espaço em outubro em uma missão de 6 meses para instalações e testes na estação espacial chinesa, a Tiangong, que deve ficar pronta no ano que vem. Na imagem, divulgada pela Agência de Notícias Xinhua, da China, uma foto de uma tela mostra a astronauta chinesa Wang Yaping realizando atividades fora do módulo central Tianhe, no Centro de Controle Aeroespacial de Pequim, no domingo (7). Wang Yaping se tornou a primeira mulher chinesa a caminhar no espaço, como parte de uma missão de 6 meses à estação espacial do país.
Guo Zhongzheng/Xinhua via AP
A astronauta Wang Yaping se tornou a primeira mulher chinesa a fazer uma caminhada espacial, no domingo (7), anunciaram nesta segunda-feira (8) as autoridades do país asiático. Ela também é a primeira mulher a entrar na nova estação espacial chinesa, a Tiangong.
Wang e mais dois colegas estão em uma missão de 6 meses para instalações e testes na estação. Eles foram lançados ao espaço em outubro.
A astronauta e um colega, Zhai Zhigang, deixaram o módulo principal da estação, o Tianhe, na noite de domingo, passando mais de seis horas do lado de fora instalando equipamentos e realizando testes ao lado do braço de serviço robótico da estação, de acordo com a Agência Espacial Tripulada da China.
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Astronautas Ye Guangfu, Zhai Zhigang e Wang Yaping acenam em cerimônia antes do lançamento do foguete Longa Marcha-2F Y13, levando a espaçonave Shenzhou-13 com eles na segunda missão tripulada da China para construir sua própria estação espacial. Cerimônia foi no Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, na província chinesa de Gansu, no dia 15 de outubro.
Carlos Garcia Rawlins/Reuters
O terceiro membro da tripulação, Ye Guangfu, piloto do exército, ajudou de dentro da estação. A missão está programada para ser o período mais longo no espaço para os astronautas chineses, que são a segunda tripulação a visitar estação permanente. Uma equipe anterior que visitou a Tiangong retornou à Terra em setembro, após três meses na estação.
Missão
Wang – que é pilota e coronel do exército chinês – e Zhai, um ex-piloto de combate – já haviam viajado para as estações espaciais experimentais da China, hoje aposentadas. Zhai conduziu a primeira caminhada espacial do país há 13 anos.
A astronauta Wang Yaping fala em uma reunão antes do lançamento do foguete Longa Marcha-2F Y13, transportando a espaçonave Shenzhou-13 com três astronautas na segunda missão tripulada da China para construir sua própria estação espacial, no Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, na, China, no dia 14 de outubro
Carlos Garcia Rawlins/Reuters
O módulo Tianhe – “harmonia dos céus”, em chinês – entrou em órbita este ano e deve estar operacional em 2022. Ele será conectado no ano que vem a mais duas seções: a Mengtian (“sonhando com os céus) e Wentian (“busca pelos céus”).
Quando concluída, a estação pesará cerca de 66 toneladas – bem menor que a Estação Espacial Internacional, que lançou seu primeiro módulo em 1998 e pesa cerca de 450 toneladas.
Três caminhadas espaciais estão planejadas para instalar o equipamento na preparação para a expansão da estação. A tripulação também vai avaliar as condições de vida no módulo Tianhe e conduzirá experimentos em medicina espacial e outros campos.
Astronauta chinesa Wang Yaping ajusta o capacete espacial durante treinamento em Pequim em 2013.
Reuters
A expectativa é que a Tiangong (“palácio dos céus”, ou “palácio celestial”, em chinês) fique pronta no ano que vem. O programa espacial militar da China planeja enviar várias tripulações à estação nos próximos dois anos para torná-la totalmente funcional.
A Tiangong é a empreitada mais recente no esforço da China de virar uma potência espacial, depois de enviar um veículo a Marte e sondas à Lua.
Veja VÍDEOS sobre astronomia e exploração espacial:

Fonte: G1 Mundo

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Brasileira é encontrada morta em apartamento em Angola

Polícia trabalha com a hipótese de homicídio. Brasileira de 40 anos era enfermeira. Uma cidadã brasileira foi encontrada morta em um apartamento em Luanda, capital de Angola, nesta segunda-feira (8). A polícia investiga a causa da morte e a primeira suspeita é que se trata de um homicídio.
Segundo o “Jornal de Angola”, o nome da brasileira é Tatiana Costa Maias Caiaia, de 40 anos, e ela era enfermeira.
O porta-voz da polícia, Nestor Goubel, disse que os agentes souberam da morte no domingo, ao receber uma denúncia de um morador do bairro.
O apartamento não tinha sinais de arrombamento. Os investigadores fazem diligências para tentar esclarecer as circunstâncias da morte.
Caiaia morreu entre sexta-feira e o domingo, de acordo com a polícia.
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Fonte: G1 Mundo

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EUA reabrem fronteiras a turistas vacinados contra Covid e retomam emissão de visto no Brasil


País acabou com 20 meses de restrições devido à pandemia que eram criticadas pela Europa e pelos vizinhos México e Canadá. Viajantes estrangeiros ainda precisam apresentar teste negativo. Fila de acesso à área de segurança do aeroporto internacional de Denver, nos EUA, em 16 de junho de 2021
David Zalubowski/AP
Os Estados Unidos reabriram suas fronteiras terrestres e aéreas a estrangeiros vacinados contra a Covid-19 nesta segunda-feira (8), acabando com 20 meses de severas restrições devido à pandemia que foram criticadas pela Europa e pelos vizinhos México e Canadá.
O país suspendeu todas as restrições de viagens internacionais de todos os países, inclusive o Brasil. Para entrar nos EUA, é necessário estar totalmente imunizado e apresentar o comprovante de vacinação e um teste negativo de Covid-19 feito até três dias antes do embarque.
Também nesta segunda, os Consulados dos EUA voltam a emitir visto para brasileiros. A retomada integral do serviço também vale para quem precisa renovar o documento.
Desde maio de 2020 a emissão de vistos ocorria apenas com vagas limitadas, com prioridade para pessoas em situação de emergência (como as que vão para funerais de familiares ou para tratamento médico, além de vistos estudantis).
Vacinas aprovadas
O governo dos EUA aceita a entrada de visitantes internacionais que tenham tomado vacinas contra a Covid-19 aprovadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) ou pela FDA (autoridade reguladora americana equivalente à Anvisa no Brasil).
Vacinas aprovadas pela FDA até o momento:
Pfizer/BioNTech
Moderna
Janssen (Johnson & Johnson)
Vacinas autorizadas pela OMS até o momento:
Pfizer/BioNTech
Moderna
Oxford/AstraZeneca — produzida no Brasil pela Fiocruz
Janssen (Johnson & Johnson)
SinoPharm
CoronaVac — produzida no Brasil pelo Instituto Butantan

Fonte: G1 Mundo

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Daniel Ortega conquista 4º mandato consecutivo na Nicarágua; país é um Estado policial, diz CIDH


Daniel Ortega mandou prender sete concorrentes de verdade e só enfrentou candidatos desconhecidos nas urnas. Ele teve 75% dos votos. Daniel Ortega é declarado vencedor das eleições na Nicarágua
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, confirmou nesta segunda-feira (8) o quarto mandato consecutivo, ao receber 75% dos votos.
As eleições não tiveram uma real concorrência: 7 pré-candidatos da oposição foram detidos para que não pudessem concorrer.
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Motociclista passa diante de mural com o rosto de Daniel Ortega, presidente da Nicarágua (à esquerda), e do revolucionário César Augusto Sandino, durante as eleições gerais deste domingo (7), em Manágua
Andrés Nunes/AP Photo
Após a apuração de metade das urnas, a presidente do Conselho Supremo Eleitoral (CSE), Brenda Rocha, anunciou que o candidato liberal Walter Espinoza (apontado como colaborador do governo) aparece em segundo lugar, com 14,4% dos votos.
Mulher de Ortega é a vice-presidente
Depois de chegar ao poder pelas urnas em 2007, Ortega, que completará 76 anos na quinta-feira (11), terá outros cinco anos como presidente, no comando da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e ao lado de sua esposa, Rosario Murillo (70). Ela foi candidata à vice-presidência pela segunda vez.
Homem passa por um outdoor de propaganda do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no início da campanha para as eleições presidenciais, em Manágua, em setembro
Reuters/Maynor Valenzuela
Oretga é um ex-guerrilheiro de um movimento de esquerda dos anos 1970 conhecido como sandinista. Ele também governou o país nos anos 1980, depois que a FSLN derrubou em 1979 o ditador Anastasio Somoza.
Além de Ortega, havia cinco outros candidatos que concorreram, mas eram desconhecidos classificados como colaboradores do governo.
Acusação de ditadura
Com 14 anos de poder, Ortega é acusado pelos críticos de nepotismo e de instaurar uma ditadura. O ex-guerrilheiro alega que seu governo é do povo e defende a soberania do país dos “ataques” dos Estados Unidos.
O presidente americano Joe Biden, chamou as eleições deste país da América Central de farsa.
Com bandeiras da FSLN, simpatizantes de Ortega festejaram durante a madrugada, antes mesmo do anúncio dos resultados, no centro de Manágua, a capital do país.
Motoqueiro passa em frente a cartaz com Daniel Ortega em Manágua, em 2 de novembro de 2021
Oswaldo Rivas / AFP
No total, 4,4 milhões de eleitores estavam registrados para votar, e o CSE calculou em 65% a taxa de participação. O observatório independente Urnas Abertas afirmou, no entanto, que a abstenção alcançou 81,5%, de acordo com uma verificação própria, não autorizada.
Os opositores, a maioria no exílio, ou presa, defenderam a abstenção.
Eleições para o Executivo
As eleições também definiram os 90 deputados do Congresso, que, assim como todos os poderes do Estado está sob controle do governo. A Urnas Abertas afirmou que a votação foi marcada pela “abstenção”, pelo “controle paramilitar” e pelo “assédio a funcionários públicos” para forçá-los a votar.
À medida que reformas eleitorais foram adotadas durante seu governo e o cerco se fechou à oposição, Ortega aumentou o percentual de suas vitórias. Em 2006, venceu com 38%; em 2011, com 63%; e, em 2016, com 72%.
Mais de 100 mil exilados
As eleições aconteceram três anos e meio após os protestos de 2018 que exigiram a renúncia de Ortega. A repressão deixou pelo menos 328 mortos e mais de 100 mil exilados, o que provocou uma grande crise no país de 6,5 milhões de habitantes da América Central.
Em uma ofensiva contra a oposição iniciada em junho, três partidos foram considerados ilegais, e 39 ativistas sociais políticos, empresários e jornalistas – incluindo sete aspirantes à presidência -, detidos. Desde 2018, 120 opositores foram presos.
“Como o regime perdeu boa parte de sua base social e, portanto, também de poder real, recorre a uma repressão crescente para tentar anular o processo de implosão em andamento”, analisou o sociólogo Oscar René Vargas.
Depois de votar no domingo, Ortega chamou os opositores de “terroristas” e “demônios”. Também disse que “conspiraram contra a paz” do país.
De acordo com leis aprovadas em 2020, os detidos foram acusados de atentar contra a soberania, de promover sanções internacionais, “traição à pátria”, ou “lavagem de dinheiro”, como é o caso da principal aspirante da oposição à presidência, Cristiana Chamorro. Filha da ex-presidente Violeta Barrios (1990-1997), ela se encontra em prisão domiciliar.
CIDH: Nicarágua é um Estado policial
O processo de concentração de poder e enfraquecimento da democracia na Nicarágua foi paulatino, e o país é hoje um Estado policial no qual o governo instalou um regime de supressão de todas as liberdades por meio do controle e vigilância dos cidadãos e da repressão, segundo a presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Antonia Urrejola.
“Todos os poderes estão alinhados e dirigidos pelo Executivo e, portanto, não representam limites ao exercício do poder nem impedem arbitrariedades; pelo contrário, eles os facilitam ou consolidam”, afirma Urrejola, em entrevista ao g1.
Para a CIDH, uma democracia precisa ter essa separação de poderes e que as diferentes funções de um Estado precisam ser exercidas por diferentes órgãos.
A Nicarágua realizou eleições no domingo (7), mas o atual presidente, Daniel Ortega, impediu praticamente todos os seus concorrentes de fato de participar das eleições (eles foram presos ou impedidos de concorrer).
“A CIDH constatou nos últimos meses a intensificação das repressões por meio de um conjunto de ações, entre elas a detenção arbitrária e a criminalização de mais de 30 pessoas por acusações infundadas e sem as devidas garantias judiciais —incluindo 7 pré-candidatos à presidência que ainda estão privados de liberdade”, segundo Urrejola.
Antonia Urrejola em imagem sem data no site da CIDH
Reprodução/CIDH
Durante este ano, a CIDH emitiu 32 medidas cautelares para pessoas pessoas da oposição ou líderes de movimentos sociais ou jornalistas ou pré-candidatos.
A entidade afirma que já pelo menos 145 pessoas privadas de liberdade por terem se manifestado. A crise de direitos humanos começou no país em 2018, de acordo com a CIDH.
Antes das eleições houve uma intensificação da repressão, com mais prisões arbitrárias. Três partidos foram banidos e há perseguição a entidades de direitos humanos e organizações civis.
“Com essas ações, o governo busca se perpetuar no poder mediante a realização de eleições que não dão garantias mínimas de liberdade, acesso a informação, transparência e pluralidade em um contexto em que todos os espaços democráticos se fecham e há impunidade estrutural”, afirma Urrejola.
Além disso, houve uma série de reformas eleitorais que, em conjunto, restringem a democracia.
O que tem acontecido na prática
A CIDH lista algumas das ações na prática do regime de Ortega:
Uso arbitrário de força letal e não letal que resultou em violações dos direitos à vida e à integridade pessoal;
Execuções extrajudiciais;
Detenções arbitrárias;
Invasões e ameaças de retaliações.;
Maus tratos;
Criminalização de pessoas que exercem o que deveriam ser direitos democráticos, por meio de centenas de processos judiciais sob acusações infundadas e desproporcionais, como terrorismo ou crime organizado;
Irregularidades nas garantias judiciais e no acesso à justiça
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Fonte: G1 Mundo

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Deputados do Chile votam hoje pedido de impeachment do presidente


Oposição pede que Sebastián Piñera seja retirado do cargo devido à venda de uma empresa de mineração a um empresário chileno em 2010. Caso foi revelado pelos Pandora Papers. Presidente do Chile, Sebastián Piñera, coloca máscara após anunciar estado de emergência no sul do país nesta terça (12)
Esteban Felix/AP Photo
A Câmara dos Deputados do Chile vota nesta segunda-feira (8) um segundo pedido de impeachment do presidente do país, Sebastián Piñera (ele foi absolvido no primeiro, em 2019).
O impeachment precisa de maioria simples para ser aprovado na Câmara e de 2/3 dos votos para passar no Senado.
Se a acusação for aprovada nas duas casas, o presidente é retirado do cargo e fica impossibilitado de exercer funções públicas por cinco anos.
O pedido de impeachment foi feito pela oposição em 13 de outubro. Na sexta-feira (5), os cinco deputados integrantes de uma comissão revisora votaram por rejeitar a acusação.
A acusação
Documentos revelados pelos Pandora Papers indicam que Piñera pode ter cometido irregularidades ao vender uma empresa de mineração.
A acusação envolve a venda da mina de Dominga, da família do presidente chileno para o empresário Carlos Alberto Délano, e uma transação nas Ilhas Virgens Britânicas (um paraíso fiscal).
O negócio ocorreu em 2010, quando Piñera estava em seu primeiro mandato como presidente.
O Ministério Público do Chile abriu uma investigação para apurar se houve pagamento de propina e violações tributárias na transação.
Uma pesquisa de opinião revelou que 67% dos chilenos concordam com a acusação contra Piñera.

Fonte: G1 Mundo

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Alemanha: taxa de contágios de Covid em sete dias atinge nível recorde


Segundo o governo, o país vive uma ‘pandemia dos não vacinados”. O estado da Saxônia proibiu não vacinados de ir a restaurantes e locais públicos fechados. Europa vive novo pico da pandemia de Covid-19
A taxa de infecção por coronavírus na Alemanha chegou ao nível mais alto nesta segunda-feira (8) desde o começo da doença —no governo, dizem que há uma “pandemia dos não vacinados” no país.
A taxa de incidência acumulada nos últimos sete dias, que mede o número de casos de coronavírus a cada 100 mil habitantes, chegou a 201.
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Covid: por que Europa voltou a ser epicentro das infecções por coronavírus no mundo
Alemanha registra recorde de casos diários de Covid-19 desde início da pandemia
O recorde anterior, de 197,6, era de 22 de dezembro de 2020, segundo o Instituto Robert Koch Institute da Alemanha.
Imagem de Frankfurt, na Alemanha, em 3 de novembro de 2021
Michael Probst/AP
Menos de 70% da população foi vacinada. O governo pede para que os alemães procurem os postos de imunização.
“Para os não vacinados, há um elevado risco de contágio nos próximos meses”, disse na semana passada Lothar Wieler, diretor do Robert Koch.
No estado da Saxônia a taxa de incidência é de 491,3, mais que o dobro do resultado nacional. Lá, as pessoas não vacinadas começam a enfrentar novas restrições a partir desta segunda-feira. O acesso a restaurantes e outros locais fechados serão restritos a pessoas com vacinação completa ou que consigam comprovar a recuperação da Covid-19.
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Fonte: G1 Mundo

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Pela primeira vez em mais de 1 ano, Japão não registra mortes por Covid


País asiático já vacinou mais de 70% da população. Japão não registra mortes por Covid
Androniki Christodoulou/Reuters
No domingo o Japão não registrou mortes pela Covid-19 pela primeira vez em mais de 1 ano. A última vez que o país ficou sem óbitos pela doença por 24 horas foi em 2 de agosto de 2020.
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Japão vai oferecer doses de reforço contra a Covid para toda a população
O Japão chegou a ter um pico com 25 mil novas pessoas infectadas em agosto com uma onda da variante delta. O país tem mais de 18 mil mortes pela doença desde o início da pandemia.
Para evitar uma nova onda, o governo planeja vacinar os japoneses com doses de reforço e negocia tratamentos baseados em comprimidos para casos leves para reduzir as hospitalizações

Fonte: G1 Mundo

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O projeto inovador que salvou corais da destruição após furacão


Quando a tempestade Iris atingiu o sul de Belize, em 2001, os magníficos recifes do país foram devastados. Mas, em dez anos, um esforço de restauração radical trouxe o ecossistema de volta à vida. ONG transplantou corais para repovoar o recife em Belize
Getty Images via BBC
Com o banco de corais partido ao meio e os corais transformados em escombros, o mundo subaquático do Parque Nacional Laughing Bird Caye, na costa de Belize, não se parecia em nada com o lugar vibrante e colorido que prosperava com vida antes de ser varrido pelo furacão Iris, em 2001.
A tempestade deixou a água turva e lamacenta, enquanto criaturas mortas em decomposição eram arrastadas para a costa.
Quando Lisa Carne visitou a ilha pela primeira vez, em 1994, havia tantos corais elkhorn laranja-avermelhados enormes entrelaçados, que ela mal conseguia nadar entre eles ou ao seu redor.
O recife era abundante em peixes, corais, lagostas, caranguejos, esponjas e tartarugas marinhas. Mas, depois do furacão, tudo isso foi destruído.
Com apenas alguns corais sobreviventes, o local parecia mais um cemitério.
Não era a primeira vez que Carne via um recife morto. Em 1995, ela se mudou da Califórnia para Belize, e trabalhou como assistente de pesquisa voluntária na Carrie Bow Cay, uma estação de campo da Smithsonian Institution.
Ela testemunhou os efeitos do primeiro fenômeno de branqueamento de coral em Belize, que abriga a segunda maior barreira de corais do mundo.
O branqueamento deixa a estrutura dos corais intacta, mas o coral perde as algas que vivem em uma relação endossimbiótica com seus pólipos.
Embora alguns corais se recuperem à medida que as algas retornam, muitos morrem.
O furacão Iris foi catastrófico de uma maneira diferente.
Não apenas matou corais, como também arrancou sua estrutura, tornando a recuperação ainda mais difícil.
Carne quis começar a repovoar imediatamente os recifes com o plantio de corais, mas demorou muitos anos para convencer os financiadores de que sua ideia era viável.
A sobrevivência os corais transplantados foi alta: mais de 80% ainda estão vivos hoje
Getty Images via BBC
As pessoas argumentavam, e ainda argumentam, que sem resolver os problemas que causam a morte dos corais, colocá-los de volta no recife não faria sentido.
Durante cinco anos após o furacão Iris, o recife ficou descoberto. Havia poucos corais vivos, cardumes de peixes ou lagostas, e o fundo do mar estava coberto de destroços de recife e esponjas incrustadas.
Carne começou a apresentar suas propostas de restauração em 2002, mas por vários anos não teve sorte.
Até que, em 2006, os Estados Unidos colocaram os corais acroporídeos caribenhos (o tipo de coral ramificado de crescimento mais rápido no Caribe e principal formador de recifes) na lista de ameaçados de extinção, e um financiador local aprovou o projeto de Carne para restaurar o recife.
Carne começou fazendo um teste, transplantando 19 fragmentos de coral elkhorn da principal barreira de recife a cerca de 31 km de distância.
“As pessoas me perguntavam por que estava indo tão longe em busca dos corais”, lembra Carne.
“Elas pensavam que esses corais eram comuns, como areia. Mas, depois de duas semanas de mapeamento, descobri que eles não estavam mais em todos os lugares.”
Na verdade, ela descobriu que a estrutura e cobertura dos corais — que abrangiam de 15% a 28% da área do parque nacional antes da tempestade — haviam caído para menos de 6%.
Uma série de casos de branqueamento se seguiram ao furacão, mas nem tudo foi perdido.
Carne percebeu que havia bolsões no recife que ainda pareciam relativamente saudáveis.
Como a sobrevivência inicial dos transplantes realizados em 2006 foi alta (mais de 80% ainda estão vivos hoje), ela continuou a identificar os corais sobreviventes e começou a semear novamente os recifes em 2010.
Mas restaurar um recife não é tão simples quanto pode parecer e envolve tentativa e erro, geralmente com aprendizados ao longo do caminho.
Quando os cientistas começaram a explorar a ideia de restauração de recifes, eles pensavam que quanto maior o transplante, maior a chance de sobrevivência.
Mas, em 2015, o biólogo marinho David Vaughan descobriu que o oposto também pode ser verdadeiro — quanto menor o fragmento, mais rápido ele cresce.
A chamada microfragmentação acelerou consideravelmente o trabalho de restauração.
Enquanto inicialmente a equipe de Carne cortava os corais em pedaços de cerca de 10 cm e os cultivava em um viveiro até atingirem cerca de 30 cm para depois transplantá-los para o recife, esta descoberta permitiu que a equipe acelerasse as taxas de crescimento no viveiro para certas espécies de coral e pulasse completamente esta etapa para outras.
Carne trabalhou com outros pesquisadores em genética de corais, doenças, branqueamento e reprodução para buscar a melhor maneira de restaurar o recife.
Em 2009, Illiana Baums, professora de Ecologia Molecular da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a aconselhou sobre a distância adequada para plantar diferentes exemplares de cada espécie de coral para estimular a desova (reprodução sexuada — que aumenta a diversidade genética e a resiliência dos recifes).
Episódios de desova bem-sucedidos foram posteriormente documentados entre 2014 e 2016.
Apesar desses avanços, a tarefa de replantar corais em mais de um hectare de recife raso era demais para uma equipe de pesquisa de duas a quatro pessoas.
Depois que o mapeamento de Carne revelou a extensão dos danos aos corais, a população local percebeu como eles haviam se tornado escassos.
Barreira de corais de Belize é a segunda mais extensa do mundo
Getty Images via BBC
Pescadores e guias turísticos da aldeia vizinha de Placencia foram os primeiros a notar o sucesso dos esforços de transplante de corais, e se ofereceram para ajudar Carne com o plantio.
Em 2013, Carne registrou uma organização comunitária sem fins lucrativos em Belize chamada Fragments of Hope, e dois anos depois abriu uma filial nos Estados Unidos.
A Fragments of Hope desenvolveu um curso de treinamento em restauração de corais, aprovado pelo Departamento de Pesca de Belize, que certificou mais de 70 belizenhos até agora, diz Maya Trotz, professora de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, e membro do conselho americano da Fragments of Hope.
A restauração complementa a renda da população local proveniente do turismo e da pesca com trabalhos de restauração.
“A Fragments of Hope engaja os jovens e criou livros para colorir e quebra-cabeças sobre o recife, apresentando a arte de um artista local”, diz Trotz.
“Mais de 2,5 mil foram distribuídos até agora para escolas em Belize.”
Até o momento, mais de 85 mil corais foram plantados no Parque Nacional Laughing Bird Caye.
O monitoramento de longo prazo mostra que 89% sobreviveram após 14 anos — muito mais do que a sobrevivência típica após uma restauração.
No geral, a cobertura de coral do fundo do mar no parque aumentou de 6% para 50% entre 2010 e 2017.
Os relatórios também sugerem uma tendência ascendente nos corais ao redor de Belize como um todo, passando de 11% do fundo do mar pesquisado em 2006 para 17% em 2018 por meio da recuperação natural.
O trabalho de restauração de recifes em Belize é único porque se concentra em recifes rasos — o tipo que ajuda a proteger as costas — em uma área escassamente povoada.
Com uma população relativamente pequena de aproximadamente 420 mil habitantes, Belize não exerce tanta pressão sobre seus recifes como seus vizinhos mais populosos.
“Acho que os fatores fundamentais para o sucesso da Fragments of Hope são a abordagem baseada na ciência, o vasto conhecimento local e a dedicação e persistência de Lisa”, afirma Baums.
As iniciativas de Belize para proteger seus recifes também desempenharam um papel importante.
O Parque Nacional Laughing Bird Caye foi fundado em 1994.
Belize proibiu a pesca de arrasto de camarão, o uso de redes de emalhe, a exploração de petróleo em alto mar e protegeu totalmente as famílias de peixes que se alimentam das algas dos recifes, como o peixe-papagaio e o peixe-cirurgião.
Como a única organização que pratica a restauração de recifes em Belize, a Fragments of Hope tem sido capaz de cooperar com o governo.
Juntos, eles estão trabalhando agora em um plano nacional de restauração para reposição de corais.
Mas, apesar das restrições do governo, houve um desenvolvimento costeiro descontrolado, que destruiu bancos de corais de manguezais em Belize.
Também há planos para construir novos portos para cruzeiros.
“É difícil acordar todas as manhãs e fazer o que você faz quando há decisões maiores sendo tomadas que você não pode controlar”, diz Carne.
Peixes que não eram vistos mais no recife voltaram
Getty Images via BBC
As técnicas desenvolvidas pela Fragments of Hope foram aplicadas com sucesso na Colômbia, Jamaica e na ilha caribenha de Saint Barts, assim como em sete áreas marinhas protegidas e dez outros lugares em Belize.
Antes da Covid-19, a Fragments of Hope organizou intercâmbios, visitas de estudo e workshops para compartilhar experiências em todo o Caribe.
As pessoas aprenderam como selecionar um local de restauração apropriado com base em uma longa lista de critérios, montar viveiros, aparar corais e usar cimento para o plantio.
A organização também compartilha seus métodos e experiências online.
“A Fragments of Hope é um centro de inovação, atraindo talentos da Península de Placencia e de todo o mundo, todos inspirados na abordagem proativa de restauração de corais”, diz Trotz.
Após 15 anos de esforços de restauração, o recife de coral do Parque Nacional Laughing Bird Caye, que já foi um cemitério de destroços, agora está cheio de vida.
Os corais staghorn e elkhorn estão novamente cobrindo o fundo do mar, se reproduzindo e fornecendo refúgio para várias espécies.
Lagostas gigantes, caranguejos, raias-águia e tartarugas marinhas, que eram abundantes antes do furacão, agora vagam pelo recife.
Cardumes de peixe-papagaio e peixe-cirurgião também voltaram e se alimentam das algas dos recifes para que os corais possam se propagar ainda mais.
Cientistas, restauradores de recifes e mergulhadores apaixonados concordam que o recife de coral de Laughing Bird Caye é único.
“Não vejo esse tipo de cobertura de acroporídeos desde o final dos anos 1970 ou início dos anos 1980. É bem impressionante”, afirma Mark J. Butler IV, professor e pesquisador da Old Dominion University, nos Estados Unidos, um dos muitos visitantes que foram admirar o próspero mundo subaquático do recife restaurado.
Embora o projeto tenha obtido um sucesso substancial, a manutenção do recife provavelmente será uma batalha árdua.
O branqueamento de corais está se tornando mais extremo a cada ano devido às mudanças climáticas e às tempestades mais frequentes e severas.
Se as emissões de gases do efeito estufa não forem controladas globalmente, poucos corais deverão sobreviver no cenário atual.
Os casos de branqueamento em Belize estão piorando progressivamente, segundo Carne.
Mas se ela tivesse esperado emissões zero para começar seu trabalho, o recife hoje poderia parecer não muito mais vivo do que depois que foi atingido pelo furacão Iris.
Assim, enquanto muitos acadêmicos ainda criticam a ideia da restauração de recifes em um mundo de aquecimento dos oceanos, o declínio constante dos recifes em todo o mundo levou a projetos do tipo em mais de 50 países — embora nenhum ainda se aproxime da dimensão ou longevidade do trabalho realizado em Belize.
“Quando começamos, talvez uma ou duas pessoas estivessem fazendo restauração de recifes”, diz Carne.
“Mas hoje em dia, todo mundo está fazendo. Eu brinco que é como ioga agora.”

Fonte: G1 Mundo