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Bolsonaro chega a Roma para encontro do G20

Presidente Jair Bolsonaro chegou a Roma para participar do encontro dos líderes das 20 maiores economias do mundo. O presidente Jair Bolsonaro chegou a Roma, na Itália, nesta sexta-feira (29) para participar do das reuniões da cúpula do G20.
O encontro será uma espécie de prévia da COP26, mas também devem ser discutidas pautas comerciais, especialmente em reuniões bilaterais.
Bolsonaro viajou com Paulo Guedes (Economia), Carlos França (Relações Exteriores) e Joaquim Leite (Meio Ambiente).
O presidente, no entanto, não participará da reunião do clima na Escócia: de Roma, ele seguirá para uma agenda pela Itália.
Xi Jinping e Putin não vão, mas manifestantes estarão lá
O presidente russo, Vladimir Putin, e o da China, Xi Jinping, vão participar do encontro do G20 por vídeo. O presidente americano Joe Biden quer destacar a mensagem de que os “Estados Unidos voltaram”, após quatro anos de polêmicas diplomáticas com Donald Trump.
Biden encontrou-se com o Papa Francisco nesta sexta-feira.
Mais de 5 mil agentes devem reforçar o contingente de militares das Forças Armadas para garantir a segurança da cúpula do G20 em Roma.
As estações de metrô próximas à sede do evento estão fechadas, e o tráfego local está limitado às delegações.
A principal manifestação está marcada para sábado (30) à tarde na Praça São João de Latrão em Roma. O protesto vai reunir sindicatos, partidos de esquerda e movimentos LGBTQ+ porque o Senado italiano não aprovou uma lei anti-homofobia.

Fonte: G1 Mundo

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A cidade dos EUA onde água contaminada não permite nem escovar dentes


Autoridades de Michigan declararam estado de emergência para pedir a moradores, como “medida de precaução”, que não consumam a água que chega às suas casas pelos canos, nem mesmo para cozinhar, lavar vegetais ou escovar os dentes. Autoridades de Michigan declararam estado de emergência para pedir a moradores de Benton Harbor, como “medida de precaução”, que não consumam a água que chega às suas casas pelos canos, nem mesmo para cozinhar, lavar vegetais ou escovar os dentes
Getty Images/Via BBC
Uma nova crise de água potável afeta o país mais rico do mundo.
Autoridades de Michigan emitiram há algumas semanas uma declaração de emergência para pedir aos moradores de Benton Harbor, cidade a poucas horas de Chicago, nos Estados Unidos, que, como “medida de precaução” não consumam água da torneira, seja para cozinhar, lavar alimentos ou escovar os dentes.
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E a medida pode valer pelos próximos três anos, pelo menos.
Isso se deve à quantidade de chumbo usada para fabricar as tubulações que conduzem a água até as residências.
Existem milhões de canos de chumbo em operação nos Estados Unidos
Getty Images/Via BBC
“Desde 2018, foi descoberto que os níveis de chumbo na água de Benton Harbor estavam mais elevados do que o permitido para consumo humano e, apesar disso, só agora nos recomendaram parar de usá-la”, diz o reverendo Edward Pinkney, presidente do Conselho de Água da comunidade de Benton Harbor à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.
Segundo dados divulgados pela prefeitura, em 2018, a contaminação das águas com chumbo era de 22 ppb (partes por bilhão), enquanto que, entre janeiro e junho de 2021, subiu para 24 ppb.
As autoridades de saúde americanas consideram que o limite saudável é de 15 ppb, apesar de reforçarem que o nível de contaminação deveria ser zero.
Chumbo pode causar diversos danos, desde problemas nas gengivas a danos cerebrais
Science Photo Library/Via BBC
No entanto, foram encontrados registros variando de 400 a 889 ppb em várias casas.
“Hoje se sabe que nenhuma quantidade de chumbo é saudável para o consumo humano, então pode-se dizer sem hesitação que os níveis em Benton Harbor são muito preocupantes”, diz Elin Warn Betanzo, especialista em água potável de Michigan.
Os números são ainda maiores do que os registrados entre 2014 e 2015 na vizinha Flint, a três horas de carro, onde no pior momento da crise de chumbo que ganhou as manchetes em todo o mundo, os níveis alcançaram 20 ppb.
“Isso é realmente algo para se pensar: somos um dos países mais ricos do mundo e há lugares onde não temos água potável. Não temos água encanada para beber, para escovar os dentes, nem mesmo para preparar mamadeira para bebês. É como se vivêssemos em um país do terceiro mundo”, diz Pinkney.
O problema principal
De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), altos níveis desse metal na água podem ser altamente prejudiciais para mulheres grávidas e crianças (o que pode afetar o desenvolvimento do cérebro) e causar problemas de saúde a curto e longo prazo no restante dos adultos.
Mudança de canos pode ser custoso
Getty Images/Via BBC
No entanto, embora as autoridades tenham enviado notificações a moradores, distribuído filtros e melhorado o tratamento do líquido nos últimos anos, não foi até recentemente que garrafas de água engarrafada passaram a ser entregues e foi declarado o estado de emergência.
E isso, depois que as próprias autoridades duvidaram se os filtros que entregaram são realmente úteis para conter chumbo.
Isso levou políticos, imprensa local, ativistas e especialistas a acreditar que o Estado falhou em alertar os moradores de que sua água era insegura por um longo período, enquanto até agora nenhuma iniciativa teve sucesso em reduzir os níveis de chumbo.
“Tivemos seis períodos consecutivos de monitoramento com níveis muito altos de excesso de chumbo, mas a resposta tem sido extremamente fraca para prover educação e dizer às pessoas que essa água não era segura para beber”, diz Betanzo, que foi um dos primeiros a identificar a crise de Flint.
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Michigan informou à BBC News Mundo que as autoridades estaduais estão fazendo “um esforço de longo prazo para eliminar os níveis excessivos de chumbo, educar as comunidades sobre os efeitos do chumbo na água potável e eliminar as tubulações de chumbo”.
“Essas ações são parte de um esforço geral acelerado para reduzir o risco de exposição ao chumbo na água potável, enquanto a cidade substitui todo o encanamento de chumbo”, diz ele.
Embora o governo tenha estimado inicialmente o processo de troca das tubulações em cinco anos, um novo projeto espera encurtá-lo para dois, caso os recursos necessários sejam aprovados.
Um problema generalizado
Especialistas e organizações ambientais temem que a situação em Benton Harbor, como aconteceu antes em Flint, seja apenas o prenúncio de uma bomba-relógio nos Estados Unidos.
Segundo cálculos da ONG Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, mais de 12,8 milhões de tubulações e canos de chumbo ainda servem para levar água às residências nos 50 Estados americanos.
Em algumas cidades, como Benton Harbor, a situação é mais crítica, pois se estima que apenas 2% dos encanamentos não contêm chumbo, um metal que desde os tempos romanos é conhecido por ser nocivo ao homem.
Segundo Betanzo, um dos principais motivos da presença desse metal nos Estados Unidos foi uma campanha agressiva da indústria do chumbo.
“Realmente foi imposta a muitas comunidades o uso de tubulação de chumbo para obter água. Flint é um exemplo. Havia uma lei municipal em vigor desde 1998 segundo a qual, para ter fornecimento de água, era necessária encanação de chumbo”, lembra.
No entanto, o especialista ressalta que o metal também se tornou uma alternativa por outros motivos.
“No Nordeste e Centro-Oeste dos EUA, temos um clima frio com ciclos de congelamento e descongelamento em que o solo se desloca. Os canos de chumbo são flexíveis, por isso se movem com o solo, e assim é menos provável que se rompam”, diz ele.
Mas também são uma “vantagem” para os gestores de serviços de água, pelo menos “à primeira vista”.
“Não se vê chumbo na água, não tem gosto ou odor. Portanto, se houver água tóxica por causa de um cano de chumbo, isso não gerará reclamações frequentes dos clientes. O mesmo não se pode dizer do ferro, por exemplo, uma vez que a água adquire um tom marrom avermelhado à medida que há corrosão do metal, o que pode gerar milhares de queixas”, diz ele.
Água
Embora inicialmente se acreditasse que o chumbo seria prejudicial apenas em grandes quantidades, pesquisas realizadas ao longo dos anos mostraram que qualquer nível do metal na água pode ser altamente nocivo aos humanos.
Por essa razão, em 1986, os Estados Unidos proibiram o uso de canos com o material, apesar de que algumas cidades, como Chicago, se apressaram em usar tudo o que tinham em seus armazéns antes de a regulamentação entrar em vigor.
No entanto, a diretiva nunca incluiu qualquer exigência para remover canos de chumbo que já estavam em uso.
“Mesmo neste ano, uma revisão da regra de chumbo e cobre foi lançada e permanece em espera. Essa revisão em 2021 ainda não incluía um meio para eliminar gradualmente as mais de 10 milhões de linhas de serviço de chumbo que permanecem em funcionamento nos EUA”, diz Betanzo.
Para muitos, a esperança de mudança apareceu quando o presidente Joe Biden incluiu cerca de US$ 45 bilhões (R$ 255 bilhões) em seu plano de infraestrutura para substituir canos de chumbo envelhecidos, mas o projeto está parado no Capitólio há meses e sem esperança de aprovação.
Em Benton Harbor, também não está claro como o projeto do governo democrata de substituir os canos em dois anos será financiado.
Enquanto isso, as autoridades locais começaram a distribuir água engarrafada gratuitamente, embora os moradores digam que isso não é suficiente e que ainda existem obstáculos para o acesso de muitos deles, principalmente dos que não têm carro para buscá-la.
Desde 30 de setembro, mais de 71 mil caixas de água foram distribuídas aos moradores, segundo dados oficiais enviados à BBC News Mundo.
Um problema maior
Mas, para muitos na cidade, os problemas para resolver a crise hídrica de Benton Harbor vão além dos debates sobre financiamento e têm a ver com dados demográficos.
“Nossa comunidade é formada predominantemente por negros e pobres”, diz Pinkney.
O ativista dá como exemplo várias cidades próximas a Benton Harbour, como Saint Joseph, que tem 85% da população branca e o índice de pobreza é de apenas 7%. Ali, embora esteja a uma curta distância, a água não é contaminada por chumbo.
“É por isso que a questão do racismo ambiental aqui é tão importante, porque eles estão acostumados a fazer isso com os negros”, diz Pinkney.
As autoridades de Benton Harbor não responderam diretamente às alegações de que se trata de um problema de racismo, embora o tenham negado em outras ocasiões.
Betanzo, que estudou os sistemas de água em Michigan e nos EUA durante anos, diz que há “definitivamente” impactos desproporcionais dessa situação nas comunidades negras.
“Especialmente porque esses canos de chumbo estão em cidades mais antigas, onde muitos brancos partiram e os negros ficaram ou se mudaram. Portanto, há um impacto desproporcional nessas comunidades, o que torna mais importante retirá-los. Canos de chumbo porque isso é uma questão de justiça ambiental”, afirma.
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Fonte: G1 Mundo

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Ex-governador de Nova York é indiciado por delito sexual


Após se destacar em 2020, pela forma como lidou no combate à pandemia, Andrew Cuomo renunciou ao cargo em meio a escândalo sexual em que foi denunciado por várias vítimas. Governador de Nova York, Andrew Cuomo, durante coletiva de imprensa em 10 de maio de 2021
Mary Altaffer/Pool via REUTERS/File Photo
Andrew Cuomo, ex-governador de Nova York, foi indiciado na quinta-feira (28) nos Estados Unidos pelo delito sexual de “toque forçado”.
Este é o primeiro processo movido contra o outrora poderoso político democrata desde que ele foi forçado a renunciar em agosto após uma série de acusações de assédio.
“Uma denúncia foi apresentada contra o ex-governador Andrew Cuomo no tribunal da cidade de Albany”, disse Lucian Chalfen, um porta-voz dos tribunais do estado de Nova York, que a descreveu como um “crime sexual”.
Apresentada pelo gabinete do xerife no tribunal da cidade de Albany, a denúncia acusa Cuomo de apertar o seio esquerdo de uma das denunciantes, que revelou o caso em dezembro de 2020.
O tribunal de Albany convocou o ex-governador para se apresentar em 17 de novembro para responder à denúncia, informou em um comunicado.
Os investigadores do gabinete do xerife, que investigaram as acusações a partir de 5 de agosto de 2021, determinaram que havia evidências suficientes para apresentá-la ao tribunal.
Cuomo, de 63 anos, renunciou em agosto passado após uma investigação preliminar que descobriu que ele assediou sexualmente 11 mulheres, incluindo ex-funcionárias.
Ele refutou as acusações e garantiu que era vítima de uma vingança política.
Cuomo conquistou a simpatia da população do país e sua popularidade se expandiu além das fronteiras no ano passado por sua sinceridade ao falar sobre a situação do coronavírus em suas aparições diárias perante a imprensa, antes de cair em desgraça.
Segundo o código penal dos Estados Unidos, o toque forçado é um delito leve que pode levar a até um ano de prisão.

Fonte: G1 Mundo

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‘Cocaleros’ libertam 180 militares colombianos retidos na fronteira com a Venezuela


Soldados foram capturados quando realizavam operações antinarcóticos em povoado fronteiriço; camponeses armados com paus e facões cercaram as tropas que estavam destruindo cultivos de coca em Tibú. Presidente Iván Duque advertiu que autoridades agiriam no local se não houvesse ‘libertação rápida’ dos militares. Soldados colombianos que foram libertados por cocaleros são vistos em Tibu, no norte do departamento de Santander, na Colômbia, fronteira com a Venezuela, na quinta-feira (28)
Schneyder Mendoza/AFP
Camponeses ‘cocaleros’ libertaram nesta quinta-feira (28) 180 soldados do Exército colombiano que tinham retido na terça-feira quando realizavam operações antinarcóticos em um povoado fronteiriço com a Venezuela, informou a Defensoria do Povo.
À tarde houve “uma manifestação unilateral por parte das comunidades de se retirar do local e não impedir o trabalho da força pública”, assegurou em um comunicado a Defensoria do Povo, que zela pelos direitos humanos.
Segundo o exército, camponeses armados com paus e facões cercaram as tropas que estavam destruindo cultivos de coca em Tibú, município do departamento de Norte de Santander, que concentra os maiores cultivos no mundo de coca, planta da qual se produz a cocaína.
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Mais cedo, o presidente Iván Duque acusou os ‘cocaleros’ de “sequestro” e os advertiu que as autoridades agiriam no local se não houvesse a “libertação rápida” dos militares.
Uma equipe da AFP viu quando os camponeses se retiraram da escola onde os militares estavam retidos. “O exército não foi vítima de nenhum tipo de violência, sequestro”, diz um comunicado divulgado pelos ‘cocaleros’.
“O cerco humanitário foi realizado com a finalidade de evitar possíveis violações aos direitos humanos (…) pelos antecedentes ocorridos no ano de 2020 em trabalhos de erradicação nos municípios de Cúcuta e Sardinata”, onde dois camponeses morreram, acrescenta o texto.
Soldados colombianos que foram libertados por cocaleros são vistos em Tibu, no norte do departamento de Santander, na Colômbia, fronteira com a Venezuela, na quinta-feira (28)
Schneyder Mendoza/AFP
Os ‘cocaleros’ enfrentam com frequência os militares que arrancam os cultivos.
Os ‘cocaleros’ “sequestraram seis pelotões do Exército nacional”, disse mais cedo o general Ómar Sepúlveda. O oficial relatou que as tropas foram cercadas por camponeses armados com paus e facões, enquanto executavam “tarefas de luta contra toda a cadeia do narcotráfico”.
“Estão bem, estão com seu armamento. Eles não quiseram entrar em confronto e valorizo isso pelo profissionalismo (…), mas certamente estas práticas não podem continuar no país”, protestou o presidente Duque em declaração à imprensa.
“O que há ali é um sequestro e se isto não resultar em uma libertação rápida, será tratado como um sequestro por todas as autoridades”, alertou o presidente conservador.
O porta-voz de uma associação camponesa, que se identificou como “Junior”, disse à W Radio que a comunidade tem “a melhor disposição de diálogo” para permitir a saída dos militares.
Ele acrescentou que os soldados foram retidos em protesto porque – afirmam – o governo descumpriu seus compromissos no programa de substituição de plantios de coca por cultivos lícitos.
Em um vídeo compartilhado mais cedo pelo Exército com a AFP era possível ver um grupo de soldados com trajes camuflados e armados com fuzis no que parecia ser um pequeno casario. Civis os vigiavam de perto.
Mediação
A Defensoria do Povo, entidade que zela pelos direitos humanos, informou pelo Twitter que se dirigiria a Tibú para realizar a mediação e conseguir a libertação dos soldados.
Tibú, no departamento do Norte Santander, faz parte da chamada região do Catatumbo, território com mais narcocultivos no mundo.
Na área há cerca de 40.084 hectares cultivados com folhas de coca, segundo o último relatório da ONU, de 2020.
Rebeldes da guerrilha do ELN e dissidentes da ex-guerrilha das Farc que não aderiram ao acordo de paz de 2016 operam na região, lucrando com a receita do narcotráfico.
Soldados colombianos que foram libertados por cocaleros são vistos em Tibu, no norte do departamento de Santander, na Colômbia, fronteira com a Venezuela, na quinta-feira (28)
Schneyder Mendoza/AFP
O defensor do povo Jaime Marthey disse à W Radio que os camponeses reivindicam há tempos que a erradicação seja um processo concertado.
Duque intensificou a perseguição a este negócio ilegal, mediante a erradicação forçada dos cultivos, tarefa que os soldados realizam manualmente.
Apesar da perseguição, milhares continuam plantando coca, especialmente com mão-de-obra de colonos e migrantes venezuelanos que fogem da crise social e econômica em seu país.
Com uma cifra recorde de produção de 1.010 toneladas em 2020, a Colômbia se manter como o maior exportador mundial de cocaína e os Estados Unidos como os principais consumidores da droga.
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Fonte: G1 Mundo

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Por que China decidiu limitar construção de prédios ‘faraônicos’


Nova regra faz parte de uma política mais ampla de inibir a construção de “projetos faraônicos” e inclui também uma proibição de “arquitetura feia”. Alguns dos prédios mais altos do mundo estão na China
Getty Images via BBC
A China proibiu a construção de super arranha-céus em cidades menores como parte de uma política para tentar inibir projetos faraônicos.
O país é conhecido por ter alguns dos prédios mais altos do mundo, incluindo a Shanghai Tower, que tem 128 andares e 632 metros.
A construção de novos arranha-céus, no entanto, tem sido questionada em cidades com menor densidade, onde não há necessidade de verticalização. Críticos locais têm sugerido que os prédios estão sendo construídos por vaidade e autopromoção, e não por necessidade prática.
O anúncio da limitação de construções do tipo foi recebido de forma positiva por usuários do site Weibo, uma das maiores redes sociais do pais. Muitos comentários diziam que os aranha-céus são apenas uma “afetação”.
Planejamento urbano
O país já tinha uma regulação que proíbe a construção de edifícios com mais de 500 metros. E, no início do ano, uma nova regra proibindo “arquitetura feia” foi colocada em vigor. Não está claro quais os critérios objetivos para que um prédio seja considerado feio.
A China também vem combatendo edifícios que são cópias de prédios estrangeiros famosos.
“Estamos em um momento em que as pessoas estão muito ansiosas para construir coisas que fiquem para a história”, disse Zhang Shangwu, chefe do departamento de arquitetura e urbanismo da Universidade de Tongji, ao jornal South China Morning Post.
“Querem que todo prédio seja um cartão-postal, e as empreiteiras e governos acabam indo a extremos e construindo projetos estranhos”, disse o professor.
O que dizem as novas regras?
Em um anúncio feito na terça, o governo chinês disse que arranha-céus com mais de 150 metros não poderão ser construídos em cidades com populações de menos de três milhões de pessoas.
Cidades maiores poderão ter prédios de até 250 metros.
O governo esclareceu que é possível pedir autorizações excepcionais para construções acima de 150 metros em cidades menores. No entanto, em nenhuma circunstância cidades com menos de três milhões de habitantes poderão construir acima de 250 metros.
Da mesma forma, cidades maiores poderão pedir autorização para construir acima de 250 metros, mas em nenhum hipótese poderão ter novos edifícios com mais de 500 metros.
Cidades que aprovarem a construção de prédios que violam as novas regras “terão que prestar contas”, disse o governo do país.

Fonte: G1 Mundo

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Bolsonaro embarca para a Itália, onde participará da reunião de cúpula do G20

Encontro de líderes das maiores economias do mundo ocorre no sábado (30) e no domingo (31) em Roma. Presidente terá outros compromissos no país. O presidente Jair Bolsonaro embarcou na noite desta quinta-feira (28) para a Itália para participar no fim de semana da reunião de cúpula do G20, grupo que reúne as principais economias do mundo.
O G20 reúne 19 países e a União Europeia. Os integrantes são responsáveis por cerca de 80% da produção econômica global e por 75% do comércio e exportações.
Em 2020, o encontro dos chefes de estado foi realizado por videoconferência, em razão da pandemia de Covid-19. Neste ano, o evento voltou a ser presencial. As reuniões do grupo ocorrem anualmente e são organizadas por um integrante. Neste ano, a Itália comanda o encontro.
As reuniões estão marcadas para sábado (30) e domingo (31). Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro tem 12 prioridades para debater, as quais estão divididas em áreas como saúde, comércio e meio-ambiente.
O acesso de países mais pobres às vacinas contra Covid-19 está na pauta da comitiva brasileira. Bolsonaro foi o único líder dos países do G20 que viajou à Assembleia-Geral da ONU, no mês passado em Nova York, sem ter se vacinado.
Viagem da comitiva de Bolsonaro a Nova York acaba com vários diagnosticados com Covid-19
Meio ambiente
Entre os principais temas a serem discutidos durante a cúpula estão as mudanças climáticas e a retomada da economia após a pandemia.
As discussões na área ambiental tendem a passar por ações de preservação e redução de emissões, já que a cúpula ocorre no mesmo fim de semana em que se iniciam as negociações da COP 26, na Escócia.
COP é a sigla para Conferência das Partes — encontro anual que reúne 197 nações para discutir as mudanças climáticas e como os países pretendem combatê-la. Bolsonaro não deve viajar a Glasgow e caberá ao ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, liderar a comitiva brasileira. O governo Bolsonaro é criticado pelas ações que dificultaram a fiscalização à crimes ambientais, em especial na Amazônia.
Neste ano, a maioria dos países vai submeter seus planos de redução de emissões, portanto será possível avaliar se o mundo está no caminho para alcançar a meta do Acordo de Paris. Durante as duas semanas da COP 26, são esperados novos anúncios de medidas.
Outros compromissos
Bolsonaro tem previsão de chegar à Roma nesta sexta-feira (29) e de retornar ao Brasil na próxima terça-feira (2). Há expectativa de que Bolsonaro tenha uma reunião com o presidente da Itália, Sergio Mattarella, no Palácio do Quirinal, em Roma.
Em Pádua, o presidente deve participar de uma cerimônia para receber o título de cidadão honorário de Anguillara Veneta, onde nasceu um bisavô de Bolsonaro.
Anguillara Veneta fica a 80 quilômetros de Veneza, tem cerca de 4 mil habitantes e deve receber uma visita do presidente. A concessão da homenagem foi criticada por ativistas e grupos religiosos.
Bolsonaro também deve participar de uma cerimônia na próxima terça-feira (2) na cidade de Pistoia, onde estão enterrados soldados brasileiros que lutaram na região durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) a favor dos países aliados e contra as nazistas.
VÍDEOS: notícias sobre política

Fonte: G1 Mundo

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Alemão é julgado por castrar homens na mesa de sua cozinha


Eletricista oferecia inicialmente serviços sexuais em sites sadomasoquistas, mas depois passou a dizer que era médico e realizava operações em sua casa. Ele castrou ou amputou parcialmente genitais de oito vítimas e uma delas morreu. Homem acusado de homicídio e lesões corporais após castrar vítimas chega a tribunal em Munique, na Alemanha, na quinta-feira (28)
Sven Hoppe/dpa via AP
Um eletricista alemão foi a julgamento nesta quinta-feira (28), acusado pelo assassinato de um homem e por mutilar vários outros ao realizar operações ilegais em seus órgãos genitais.
O homem de 66 anos disse a um tribunal regional em Munique que executou os procedimentos a pedido dos homens.
O réu, cujo nome não foi divulgado por motivos de privacidade, alegou que inicialmente ofereceu serviços sexuais em sites sadomasoquistas a fim de ganhar dinheiro para pagar dívidas.
Homem acusado de homicídio e lesões corporais após castrar vítimas esconde o rosto, ao lado de seu advogado, Peter Schnelle, em tribunal em Munique, na Alemanha, na quinta-feira (28)
Sven Hoppe/dpa via AP
Mais tarde, o homem supostamente expandiu seu repertório, realizando operações em sua mesa de cozinha na cidade de Markt Schwaben, dizendo às vítimas que era um médico treinado, informou a agência de notícias alemã dpa.
O réu disse ao tribunal que castrou, ou amputou parcialmente os órgãos genitais, de oito homens entre julho de 2018 e março de 2020. Mas ele negou a responsabilidade pela morte de um homem, que morreu vários dias após o réu ter realizado um procedimento nele.
O corpo da vítima foi encontrado em uma caixa pela polícia três semanas depois.
Os promotores acusaram o réu de homicídio por não ter chamado socorro no caso do homem que morreu, e de lesões corporais graves e perigosas.
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Fonte: G1 Mundo

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Passageiro soca rosto de comissária após ela pedir para ele colocar máscara em voo nos EUA


Voo da American Airlines ia de Nova York para Santa Ana, mas foi desviado para Denver, para que agressor fosse retirado e funcionária fosse encaminhada a hospital; passageira diz que ela teve nariz quebrado. Homem foi banido dos voos da companhia aérea e FBI participa da investigação do caso. Homem acusado de agredir comissária no voo 976 da American Airlines, na quarta-feira (27)
Reprodução/Twitter/Mackenzie Rose
Um passageiro de um voo de Nova York para Santa Ana, na Califórnia, deu dois socos no rosto de uma comissária de bordo, após ela pedir que ele colocasse uma máscara.
O incidente aconteceu na quarta-feira (27), e o voo 976 da American Airlines foi desviado e pousou em Denver, para que o agressor fosse retirado. Até que o avião chegasse ao local, ele foi contido com a ajuda de fita adesiva e “colado” em um assento.
Outros passageiros que estavam no mesmo voo disseram à emissoras de TV que viram a comissária caminhando em direção ao fundo do avião com sua máscara suja de sangue, após ter sido agredida.
Segundo a passageira Mackenzie Rose, que falou à NBC e à CBS, a funcionária teve o nariz quebrado.
A comissária foi encaminhada a um hospital e os demais passageiro prosseguiram a viagem até a Califórnia.
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O acusado da agressão foi banido de voos da AA pelo resto de sua vida, segundo a companhia. “Mas não ficaremos satisfeitos até que ele seja processado em toda a extensão da lei. Esse comportamento deve parar”, afirmou a empresa em um comunicado.
Em um vídeo compartilhado em redes sociais, o SEO da American Airlines afirmou que o acontecimento foi “uma das piores demonstrações de comportamento indisciplinado que já testemunhamos” a bordo.
O caso está sendo investigado pelo FBI e pela Administração Federal de Aviação.

Fonte: G1 Mundo

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Suprema Corte dos EUA autoriza execução de presidiário com controverso coquetel letal


Falhas no procedimento de injeção letal levaram presos a sofrerem com muita dor antes de morrer. Oklahoma é um dos estados nos EUA que ainda adotam a pena de morte. A foto, de outubro de 2014, mostra a maca em uma câmara de execução na penitenciária estadual de Oklahoma, na cidade de McAlester.
Sue Ogrocki/AP
A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou nesta quinta-feira (28) o estado de Oklahoma a retomar as execuções após um hiato de seis anos, assim como injetar um coquetel letal suspeito de causar dores excruciantes aos condenados.
Oklahoma, um estado rural e conservador do sul dos EUA, previa executar, às 16h locais (18h em Brasília), John Grant, um afro-americano de 60 anos condenado à morte pelo assassinato de um trabalhador da prisão.
John Marion Grant, condenado a morte por assassinato em Oklahoma (EUA)
Oklahoma Department of Corrections via AP
Sua morte seria causada pela administração de uma combinação de três substâncias que, após vários problemas em execuções nos anos de 2014 e 2015, levou o estado a suspender temporariamente a aplicação da pena.
Em 2020, as autoridades locais concluíram um novo protocolo e marcaram várias datas para a aplicação das penas em 2021, começando por Grant.
“O protocolo comprovou ser humano e eficaz”, afirmou o serviço penitenciário de Oklahoma em comunicado.
No entanto, para o advogado do condenado, Dale Baich, ainda há “sérias dúvidas” sobre o sofrimento causado pelo coquetel letal e sua conformidade com a Constituição, que proíbe as “penas cruéis ou incomuns”.
Na quarta-feira, um tribunal de apelação decidiu em favor de Grant e suspendeu a execução, mas as autoridades de Oklahoma recorreram imediatamente à Suprema Corte, que anulou a decisão nesta quinta.
Sem explicar os motivos, a mais alta corte americana deu luz verde à execução. Seus três juízes da ala progressista discordaram da maioria conservadora.
Oklahoma, no centro-sul dos EUA, é um dos 29 estados que têm a pena de morte
G1
Entenda o problema dessa injeção letal
Erros na administração e supervisão do suprimento de drogas usadas nos procedimentos foram os fatores que levaram a problemas nas duas últimas execuções do estado.
A primeira delas foi em abril de 2014, na penitenciária estadual na cidade de McAlester. Um prisioneiro, Clayton Lockett, pareceu gemer e lutar durante a execução, que durou 43 minutos. Médicos concluíram que ele não havia sido completamente sedado: Lockett recuperou a consciência durante o processo e se contorceu de dor antes de morrer — por um longo tempo após testemunhas, incluindo a imprensa, serem escoltadas da sala de observação da câmara de execução, disse o “The New York Times”.
Depois, em janeiro de 2015, Charles Warner foi executado em um procedimento que durou 18 minutos, no qual funcionários usaram a droga errada para parar seu coração: acetato de potássio em vez de cloreto de potássio.
VÍDEO: Debate sobre injeção letal foi reacendido em 2015
EUA debatem pena de morte alternativa com a falta da substância usada na injeção letal
A mesma droga quase foi usada em um segundo prisioneiro, Richard Glossip, mas, duas horas antes de sua execução, os funcionários da prisão perceberam que a droga errada havia sido enviada pela segunda vez.
O caso levou as autoridades estaduais a suspenderem todas as execuções em Oklahoma até que os procedimentos de pena de morte do estado pudessem ser revistos. A decisão, depois, foi apoiada por um juiz federal no estado.

Fonte: G1 Mundo

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Cinco fatores do passado que influenciam atitude da China com o mundo


Aumento das tensões com Taiwan tem feito mundo se perguntar qual seria visão do presidente chinês, Xi Jinping, sobre o seu país no cenário mundial. Aumento das tensões com Taiwan tem feito mundo se perguntar qual seria visão do presidente chinês, Xi Jinping, sobre o seu país no cenário mundial
Getty Images/BBC
O aumento das tensões com Taiwan chamou a atenção para a China.
Muitos se perguntam qual seria a visão do presidente chinês, Xi Jinping, sobre o seu país no cenário mundial. Talvez o passado possa fornecer algumas indicações, segundo o professor de História da Universidade de Oxford, no Reino Unido, Rana Mitter.
A China agora é uma potência global, algo que dificilmente se poderia imaginar poucas décadas atrás.
O seu poderio às vezes é decorrente da cooperação com o resto do mundo, como ocorreu quando a China assinou o Acordo de Paris sobre o clima.
Ou, às vezes, da concorrência, como a Nova Rota da Seda, uma rede de projetos de construção em mais de 60 países que levou investimento para muitas partes do mundo que não contavam com empréstimos do Ocidente.
Mas existe também forte tom de confronto em grande parte da retórica global chinesa.
Pequim condena os Estados Unidos por tentarem “conter” a China com o novo pacto submarino AUKUS (Austrália-Reino Unido-Estados Unidos, da sigla em inglês), além de advertir o Reino Unido que haverá “consequências” pela concessão de residência na Grã-Bretanha a cidadãos de Hong Kong que deixam a cidade devido à rigorosa Lei de Segurança Nacional e de aconselhar a ilha de Taiwan a preparar-se para a unificação com o continente.
O presidente chinês Xi Jinping reafirmou o lugar da China no cenário global com muito mais força que todos os seus antecessores desde Mao Tsé-Tung, o líder máximo da China durante a Guerra Fria.
Mas outros elementos da sua retórica baseiam-se em fontes muito mais antigas — que remontam à sua própria história, tanto remota quanto a mais recente.
Aqui estão cinco desses temas recorrentes.
Os caminhos de Confúcio
Por mais de 2 mil anos, as regras do pensamento confucionista moldaram a sociedade chinesa. O filósofo (551-479 a.C.) construiu um sistema ético que combinava hierarquia — em que as pessoas conheceriam seu lugar na sociedade — com benevolência — a expectativa de que as pessoas em posições superiores cuidariam dos seus subordinados.
Após grandes adaptações ao longo do tempo, esse sistema de pensamento serviu de base para as dinastias chinesas até a revolução de 1911, quando a derrubada do último imperador impulsionou reações negativas contra Confúcio e seu legado por parte de radicais, incluindo o recém-fundado Partido Comunista.
Um desses comunistas, Mao Tsé-Tung, permaneceu profundamente hostil à filosofia chinesa tradicional durante seus anos no poder (1949-1976). Mas, na década de 1980, Confúcio voltou à sociedade chinesa, tendo sido elogiado pelo Partido Comunista como uma figura brilhante com lições a ensinar para a China contemporânea.
Hoje em dia, a China celebra a harmonia (“hexie”) como “valor socialista”, apesar do seu alto teor confucionista. E um tema importante das relações internacionais chinesas é a questão de como a benevolência (“ren”), outro termo importante do confucionismo, poderá moldar as relações de Pequim com o mundo exterior.
O professor Yan Xuetong, da Universidade de Tsinghua, na China, descreveu como o país deveria buscar a “autoridade benevolente” em lugar da “dominância”, em oposição ao papel dos Estados Unidos, que ele considera menos benevolente.
Mesmo a ideia de Xi Jinping de uma “comunidade mundial com destino comum” possui aparência filosófica tradicional — e Xi visitou o local de nascimento de Confúcio, na cidade chinesa de Qufu, e mencionou citações do filósofo em público.
Um século de humilhação
Os confrontos históricos dos séculos 19 e 20 ainda determinam profundamente o pensamento dos chineses sobre o mundo.
As Guerras do Ópio, em meados do século 19, foram marcadas pelo uso da força pelos comerciantes ocidentais para abertura violenta das portas da China. Grande parte do período entre as décadas de 1840 e 1940 é relembrada como o “século da humilhação”, uma era de vergonha que demonstrou a fraqueza da China frente às agressões da Europa e do Japão.
Durante aquela era, a China teve que ceder Hong Kong para o Reino Unido, territórios na região nordeste da Manchúria para o Japão e toda uma série de privilégios legais e comerciais para diversos países ocidentais. No pós-guerra, foi a vez da União Soviética tentar ganhar influência nas fronteiras com a China, incluindo as regiões da Manchúria e de Xinjiang.
Essa experiência criou profundas suspeitas sobre as intenções do mundo externo. Mesmo gestos aparentemente voltados para o exterior, como o ingresso da China na Organização Mundial do Trabalho em 2001, foram baseados na memória cultural de “tratados injustos” quando o comércio chinês foi controlado por estrangeiros — uma situação que o Partido Comunista prometeu nunca mais permitir novamente.
Em março deste ano, uma sessão pública tumultuada entre negociadores chineses e norte-americanos em Anchorage, no Alasca (Estados Unidos), presenciou os chineses se defendendo das críticas dos Estados Unidos, acusando os anfitriões de “condescendência e hipocrisia”. A China de Xi Jinping não tolera a ideia de que estrangeiros possam menosprezar o país e sair impunes.
Aliado esquecido
Mas até eventos terríveis podem gerar mensagens mais positivas.
Uma dessas mensagens provém da fase chinesa da Segunda Guerra Mundial, quando a China lutou contra o Japão praticamente sozinha após ser invadida em 1937, até que os aliados ocidentais entrassem na Guerra do Pacífico depois do ataque a Pearl Harbor, no Havaí, em 1941.
Ao longo daqueles anos, a China perdeu mais de 10 milhões de pessoas e conteve mais de meio milhão de tropas japonesas no território chinês, um feito amplamente comemorado nos livros de História, bem como no cinema e na televisão.
Atualmente, a China se apresenta como parte da “aliança antifascista”, junto com os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética, salientando seu lastro moral ao relembrar ao mundo o seu papel na vitória contra as potências do Eixo.
A China também se vale do seu papel histórico como líder do Terceiro Mundo na era de Mao (por exemplo, na Conferência de Bandung, na Indonésia, em 1955, e em projetos como a construção da ferrovia TanZam, no leste africano, na década de 1970) para lapidar suas credenciais como líder atual no mundo não-ocidental.
A história moderna permanece sendo fundamental para a forma como o Partido Comunista chinês percebe sua própria legitimidade. Outros elementos dessa história — principalmente a terrível falta de alimentos causada pelas políticas econômicas desastrosas do Grande Salto Adiante de 1958-62 — permanecem quase sem menção alguma na China contemporânea.
E algumas guerras modernas podem ser usadas para fins mais conflituosos. O último ano das tensas relações entre a China e os Estados Unidos presenciou novos filmes comemorando a Guerra da Coreia de 1950-53 – um conflito relembrado pelos chineses com um nome diferente: “a Guerra da Resistência contra os Estados Unidos”.
O marxismo
A trajetória histórica do marxismo-leninismo também é profundamente arraigada no pensamento político chinês e tem sido reavivada muito ativamente com Xi Jinping.
Ao longo de todo o século 20, Mao Tsé-Tung e outros líderes comunistas importantes participaram de debates teóricos sobre o marxismo com graves consequências.
A noção de “luta de classes”, por exemplo, levou à morte de um milhão de proprietários de terras nos primeiros anos do regime de Mao. Embora o termo “classes” tenha caído em desuso como forma de definição da sociedade, a linguagem política da China atual ainda é moldada pelas ideias de “luta”, “antagonismo” e conceitos de “socialismo” em oposição ao “capitalismo”.
Os principais jornais, como o órgão teórico do Partido Comunista Qiushi, debatem frequentemente as “contradições” da sociedade chinesa em termos extensamente baseados na teoria marxista.
A China de Xi Jinping define a competição entre os Estados Unidos e a China como uma luta que pode ser compreendida com base no antagonismo marxista.
O mesmo é válido para as forças econômicas da sociedade e sua interação — as dificuldades para fazer crescer a economia de forma que esse crescimento seja adequadamente verde são interpretadas em termos de contradição. No marxismo clássico, você atinge um ponto definido, ou síntese — mas não sem antes solucionar “antagonismos” que, muitas vezes, são longos e dolorosos.
Taiwan
Pequim insiste no destino inabalável da ilha de Taiwan, definido como a unificação com a China continental.
Mas a história de Taiwan no último século demonstra que a questão do seu status oscila conforme a política chinesa. Em 1895, após uma guerra desastrosa com o Japão, a China foi forçada a entregar Taiwan, que se tornou uma colônia japonesa pelo meio século seguinte.
A ilha foi rapidamente unificada ao continente pelos nacionalistas entre 1945 e 1949. Com Mao no poder, a China perdeu a chance de unificar a ilha. O governo Truman nos Estados Unidos provavelmente teria permitido que Mao o fizesse, antes que a República Popular da China se aliasse aos norte-coreanos para invadir a Coreia do Sul em 1950, ocasionando a Guerra da Coreia e subitamente tornando Taiwan um aliado fundamental na Guerra Fria.
Mao ordenou ataques à costa de Taiwan em 1958, mas depois ignorou o território nos 20 anos seguintes. Depois que os Estados Unidos e a China restabeleceram relações diplomáticas em 1979, foi firmado um acordo embaraçoso, segundo o qual todos os lados concordavam que existia uma só China, mas discordavam se a república legítima era o regime de Pequim ou o de Taiwan.
Quarenta anos depois, Xi Jinping insiste que a unificação precisa ocorrer em breve, enquanto a retórica agressiva e o destino de Hong Kong fizeram com que o público taiwanês, agora formado por cidadãos de uma democracia liberal, ficasse cada vez mais hostil a uma relação mais estreita com o continente.
*Rana Mitter é especialista na história e na política da China moderna e leciona na Universidade de Oxford, no Reino Unido. Seu livro mais recente chama-se “A Boa Guerra da China: Como a Segunda Guerra Mundial está moldando um novo nacionalismo” (em tradução livre do inglês).
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Fonte: G1 Mundo